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31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

 

Quem quer ter um quarterback?

É difícil dizer o que será mais difícil: a temporada dos Jets, ou escrever este texto, que deve conter pelo menos mil palavras. Se você leu algum dos outros previews (Colts, Chiefs, Rams, Seahawks, Dolphins – sim, estou citando-os para preencher espaço) deste autor, já percebeu que esse começou de uma forma diferente. Além de ser escrito na primeira pessoa do singular (um abraço para o editor, que pede o contrário), ele começa justamente falando de si mesmo, e não do time em questão. Essa escrita diferente é um reflexo da temporada do time verde de Nova York: diferente. Afinal, ninguém entra em uma temporada com o objetivo de perder.

Para começar, sempre que vou escrever um preview penso na visão que gostaria de passar: nos Colts, as mudanças; nos Chiefs, a probabilidade do plano não dar certo; nos Rams, o legado de Jeff Fisher; nos Seahawks, os problemas decorrentes da interceptação de Malcom Butler; nos Dolphins, o futuro promissor, mas com alguns obstáculos. No caso dos Jets, a ideia será a seguinte: por que o time está tão desesperado para conseguir seu franchise QB?

SAU-DA-DES.

A resposta é muito simples e pode ser encontrada na lista de QBs titulares do New York Jets. Não é preciso nem analisá-la com calma para perceber que os nomes mudam bastante. Existem alguns intervalos de quatro ou cinco anos em que alguém assume a posição, mas, como Mark Sanchez demonstra, isso não significa nada. Nenhum dos jogadores conseguiu estabelecer um legado em Nova York – a exceção sendo, claro, Joe Namath, que levou o time ao seu único Super Bowl.

Cavando o buraco

Para deixar ainda mais claro o que a ausência de um QB confiável pode fazer com uma franquia, vamos voltar para o ano de 2015, mais especificamente o final dele. Ryan Fitzpatrick teve uma temporada razoável, e os Jets quase chegaram aos playoffs com um time que era bom. Não chegaria muito longe (talvez até em função de seu quarterback), mas era bom.

Avancemos então para 2016. Após uma entediante disputa na offseason, Fitzpatrick teve o seu contrato renovado. O resultado nós já conhecemos: ele voltou a ser quem ele é – medíocre -, o time ao redor parou de produzir e o record final foi um dos piores da liga. Para piorar, nenhuma perspectiva interessante para o futuro na posição que Ryan ocupou apenas por dois anos.

Alguém pode argumentar que os Jets até tentaram se preparar para o amanhã, escolhendo Bryce Petty em 2015 e Christian Hackenberg em 2016. Isso é ser benevolente demais com a franquia, já que Petty foi escolhido na quarta rodada; e Hackenberg pareceu mais uma escolha de pânico do que qualquer outra coisa.

De saída.

Plano é o que os Chiefs estão fazendo com Patrick Mahomes; ou o que os Patriots tem feito já algum tempo: mesmo tendo Tom Brady, New England gastou picks de segunda (Jimmy Garoppolo) e terceira (Jacoby Brissett) rodadas em QBs nos últimos anos. Além de serem escolhas pensadas, são também jogadores que foram draftados com um plano para eles. Hackenberg e Petty, por sua vez, foram tiros no escuro, que os Jets esperavam que dessem certo – como se um franchise QB caísse do céu quando você precisasse de um.

Já estamos no buraco. Por que não tentar subir? (ou cavar mais)

Aparentemente essa falta de perspectiva na posição mais importante do jogo incomodou alguém em Nova York. Os tempos de confiar em Mark Sanchez para levar um elenco com potencial de Super Bowl para o Super Bowl acabaram. É preciso mudar. É preciso Sam Darnold – ou Josh Allen, ou Josh Rosen, ou alguém com coordenação motora acima da média.

Os Jets decidiram que a melhor forma de acabar com o problema, intrínseco à franquia, era escolhendo um QB na suposta recheada classe de 2018. Mas, para isso, o time deve primeiro vencer (ou derrotar) a si mesmo. Não dá mais para ter uma campanha medíocre (6-10; 7-9), que te coloca no ínicio, mas não no topo do draft.

Para evitar que a equipe vença mais jogos que o necessário, foi feita uma limpa no elenco. Veteranos não tiverem seus contratos renovados ou foram simplesmente dispensados. Aqui vai a lista de jogadores relevantes que não estão mais no elenco, por ordem de quando deixaram o time (sim, já disse que estou tentado preencher espaço):

QB Ryan Fitzpatrick; OT Breno Giacomini; K Nick Folk; C Nick Mangold; CB Darrelle Revis; WR Brandon Marshall; S Marcus Gilchrist; LB David Harris; WR Eric Decker.

Se em outros momentos alguns desses nomes foram pilares do elenco, hoje eles são veteranos com pouco combustível no tanque, capazes apenas de avacalhar o plano da franquia. Além das dispensas, a pouca movimentação contratando na free agency indica que Nova York não tem grandes planos para a temporada. A principal contratação foi feita justamente para alcançar o objetivo principal de obter a primeira escolha do draft: a contratação de Josh McCown. McCown era o QB de duas das três últimas franquias a conseguir a pick mais alta, e chega para ajudar aos Jets a alcançar o feito.

O time – se é que ele existe

A falta de talento é tamanha que nem vou dividir o elenco em subtópicos ataque e defesa, como tem sido feito no site. Além disso, não vale nem a pena esmiuçar cada grupo de cada lado da bola.

No ataque, Robbie Anderson deve ser o principal recebedor (eu só sei esse nome porque escuto podcasts em excesso sobre a NFL – isso não é saudável e não recomendo para ninguém) e Bilal Powell o principal corredor. Deixarei os nomes falarem por si só.

A única parte do time que não dá vontade de morrer.

Já na defesa, existem jogadores de alto-calibre. Principalmente na linha defensiva, que conta com o excelente Leonard Williams; e com Muhhamad Wilkerson e Sheldon Richardson, que já estão de saco cheio de jogar nos Jets. A secundária terá dois safeties calouros, Marcus Maye e Jamal Adams, que poderão jogar com tranquilidade em seu primeiro ano na liga, já que a pressão por vencer é mínima.

Palpite: Os Jets vão dar um jeito de estragar tudo. Eles não desmontaram a defesa o suficiente, e ela vai acabar dando quatro vitórias para o time. A oportunidade de escolher um QB em 2018 virá, mas talvez não seja o nome que a diretoria estava imaginando.

Nota: é importante ressaltar que a ciência do draft é inexata, ainda mais com um ano de antecedência. Exemplo: ano passado, antes da temporada começar, Brad Kaaya era apontado como melhor QB da classe. Hoje ele é o terceiro reserva dos Lions. Então é melhor ter calma ao apontar a próxima classe como “algo de outro mundo”. Além disso, mesmo que o plano de Nova York dê certo, o jogador que o time escolher pode ser um bust. Então será melhor fechar a franquia mesmo.

Quatro meses esperando janeiro

Já estamos cansados de repetir que Tom Brady ganhará pela 14ª vez a AFC East. Quando inevitavelmente chegar a hora dos playoffs, também comentaremos com desgosto sobre como, mesmo tendo sofrido com duas ou três lesões importantes (sério, pode ser literalmente qualquer um), New England ainda deu um jeito de não jogar a primeira rodada da fase final. Assim, os Pats chegarão descansados e bem preparados na semifinal para enfrentar um Steelers ou Titans meio-baleados. Porque, bom, essa é a vida na NFL.

Para nos deixar ainda mais desgraçados da cabeça, craque, desses transcendentais que realmente se destacarão na multidão daqui a 30 anos, o time só tem um: Rob Gronkowski. Tom Brady, o maior QB de todos os tempos, é um grande executor das tarefas que lhe são designadas (o que, obviamente, cria vitórias) – mas basta colocá-lo lado a lado das peripécias de Aaron Rodgers ou até Ben Roethlisberger e veremos que ele não é tudo isso. Lembre-se: de acordo com o próprio sr. Bünchen, o MVP do último Super Bowl foi James White.

Um homem do povo.

De certa forma (e sabemos que vocês curtem essas comparações), olhar o depth chart dos Patriots é bem parecido com estudar a escalação do Corinthians e não entender que caralhos esse time está fazendo onde está. Cássio e Rodriguinho, por exemplo, só não saíram do time para sempre porque seus substitutos eram piores ainda (aguarde a coleção de dispensados nesse elenco patriota). Jô pode ser funcional, mas duvido que seja a primeira opção de qualquer pessoa para a posição (e aqui ficam comparados Jô com Brady ou Edelman, o que for menos ofensivo). E, sério, Romero? Ainda?

Um ataque reforçado

Falando em inúteis, já que o craque Gronkowski tem problemas sérios em manter-se saudável (última vez em que ele esteve em campo os 16 jogos foi em 2011), os Patriots se reforçaram com Dwayne Allen que, draftado no mesmo ano, sempre esteve em uma disputa constante com Coby Fleener sobre quem conseguiria ser o mais inútil na posição de tight end em Indianapolis. Porém, ele recebeu seis TDs em 2016 e oito em 2014, então podemos esperá-lo como uma presença interessante na redzone.

E sobre reforços de verdade, enquanto a torcida dos Patriots acreditava que Julian Edelman era um dos melhores WRs da liga (repetimos: não é. E não venham com aquela catch do Super Bowl), Belichick se mexeu e foi atrás da melhor opção para Tom Brady desde Randy Moss: por uma escolha de primeiro round, o time contratou Brandin Cooks.

Apesar das nossas ressalvas pessoais (não gostamos dele, basicamente e não precisamos explicar os motivos), e de provavelmente ser o terceiro melhor WR em New Orleans, Cooks produziu mais de 1100 jardas nas duas últimas temporadas. Melhor ainda: ele representa uma ameaça as defesas adversárias em passes longos, o que abrirá espaço para as jogadas intermediárias com o próprio Edelman, Chris Hogan e um dos 300 mil RBs da equipe.

Sim, porque empenhado em encontrar a combinação ideal, o time tem 10 jogadores para a posição no elenco. A opção mais interessante ainda deverá ser Dion Lewis, ao menos durante os seis ou oito jogos em que ele participará antes (ou depois) de se machucar. As novas contratações Rex Burkhead e Mike Gillislee (respire fundo e repita comigo: QUEM? 1116 jardas, os dois somados em 2016) deverão brigar por espaço com James White (139 jardas, 3 TDs em 20 toques no Super Bowl, incluindo 14 recepções) – o primeiro mais como receiver, o segundo como trombador. Entretanto, pensando no fantasy, lembre: lá pela 9ª rodada, o RB titular dos Patriots será alguém que hoje provavelmente é o quarto reserva em Dallas ou Minnesota.

Esse dia foi louco.

Quanto a linha ofensiva, sério, torcedor dos Patriots, não tem com o que se preocupar. Os inexperientes, porém seguros, do interior da linha de 2016 estão um ano mais maduros, e enquanto Nate Solder e Marcus Cannon se mantiverem saudáveis, os corredores terão espaço e Brady terá tempo.

Não é delicioso esquecer que Jimmy Garoppolo existe?

É sim, bastante. Se deus quiser ele ficará no banco sem dar as caras esse ano (porque ninguém aguenta mais historinhas Jimmy x Brady sem sentido). Em 2018, Garoppolo será problema do texto sobre algum outro time, que pagará 400 bilhões de dólares para descobrir que ele nem é tudo isso (oi, Jaguars, estamos olhando para vocês).

A magia do tio Bill

Talvez o leitor se deixe enganar por esse ataque, seria compreensível. Mas as coisas que acontecem nessa defesa só dão certo porque, bom, têm que dar. A magia negra obriga que funcionem.

O S Patrick Chung, por exemplo, é a cara do que estamos falando: absolutamente inútil quando saiu de Boston, bastou voltar para formar uma bela dupla com Devin McCourty. O undrafted Malcolm Butler, que surgiu para o mundo no Super Bowl XLIX com a interceptação mais inesperada da história, se tornou um CB mais do que sólido – mas não o suficiente para receber um grande contrato do tio Bill.

Aproveitando-se do espaço no cap, New England roubou Stephon Gilmore do rival Buffalo com um mega-contrato de 5 anos e 65 milhões (mesmo que, pra gente, ele não está nem entre os 15 melhores Corners da NFL); para completar a secundária, NE conta também com o retorno de Eric Rowe, que deve trabalhar principalmente no slot.

No front seven, ano passado o time deixou ir (na verdade, trocou) seus até então dois melhores jogadores: Chandler Jones (pass rusher) e Jamie Collins (linebacker puro). Somente Dont’a Hightower (aparente crush de Belichick) teve seu contrato renovado: 35,5 milhões em 4 anos. Como LB típico para marcar a corrida, o time trouxe o veterano David Harris (dispensado pelo Jets!), que mesmo aos 33 anos se sentirá renovado saindo de um time medíocre para sonhar com um Super Bowl no maior rival.

Se juntas já causa, imagina juntas.

A linha defensiva sim deveria ser motivo para preocupação – supondo que fosse um time normal. Alan Branch e Malcom Brown até deverão manter a solidez no interior, e a escolha de quarta rodada de 2015, Trey Flowers, produziu sete sacks em apenas oito partidas como titular em 2016.

Entretanto, a grande aposta para correr atrás dos QBs adversários fica por conta de Kony Ealy, que mesmo tendo muito hype no draft de 2014, acabou não conseguindo se estabelecer como titular em Carolina (com exceção do seu desempenho nos playoffs de 2015, na verdade, ele tem sido bem merd*) – fica a curiosidade pelo que, em seu último ano de contrato rookie, as mãos de Bill Belichick e Matt Patricia conseguirão tirar dele.

Previsão: 13-3, para ser humilde. Brady deverá começar voando, mas administrará o braço, estratégias e um tropeço em Tampa é bem possível. Com nove vitórias até a décima rodada, a divisão já estará garantida antes mesmo do time encontrar-se com Miami ou Buffalo. Jogar em Denver, no México (contra Oakland) ou em Pittsburgh não deverão ser tarefas fáceis, mas obter duas vitórias nesses três jogos é possível, o que até permitiria que Jimmy Garoppolo jogasse bem as duas últimas semanas (em casa contra Bills e Jets) para deixar Brady fresquinho. Polêmica para os playoffs!

No meio do caminho tinha uma pedra

Durante boa parte do século o Miami Dolphins foi um dos principais representantes da palavra mediocridade na NFL. Após chegar aos playoffs em 2000 e 2001 a equipe ficou seis temporadas longe da pós-temporada, voltando para lá só em 2008. Depois disso foram mais sete longas temporadas sem jogar em janeiro, passando por anos sombrios de Joe Philbin como Head Coach.

2016 começou como um ano normal para o torcedor dos Dolphins. O ínicio de temporada 1-4, e o iminente duelo contra os Steelers praticamente sepultaram qualquer sonho do time de ser pelo menos razoável. Mas, naquele jogo, a realidade começou a mudar em Miami. Jay Ajayi correu para mais de 200 jardas – naquela que seria a primeira de três vezes que isso aconteceria no ano – e os torcedores puderam comemorar a primeira vitória sobre um time de verdade (claro, o Cleveland Browns não conta) na temporada.

Nas 5 rodadas subsequentes, as boas atuações da equipe – e de Ajayi – continuaram vindo, e os Dolphins se viram de volta na briga pelos playoffs. Nem a derrota contra os Ravens desanimou os ânimos de um time embalado, que voltaria a vencer logo na semana seguinte, contra os Cardinals.

Nesse jogo, porém, a sorte foi embora. Apesar da vitória, Miami viu seu QB sair de campo com uma lesão grave. Ryan Tannehill havia parcialmente rompido o ligamento cruzado anterior, e não jogaria mais naquele ano. Tal fato não impediu a classificação para a pós-temporada, já que o backup Matt Moore foi capaz de derrotar os poderosíssimos Jets e Bills. Se vencer um jogo de playoff em Pittsburgh com Tannehill já seria difícil, sem ele se mostrou uma missão impossível. Moore fez o que pode, mas o time foi facilmente derrotado: 30-12.

Apesar da eliminação em janeiro, os Dolphins chegaram em 2017 de cabeça erguida. No primeiro ano de Adam Gase a equipe finalmente mostrou estar em um caminho promissor, tanto por parte da comissão técnica quanto dos jogadores dentro de campo. O bom Draft ajudou a alavancar as expectativas ainda mais, e Miami chegou ao seu Training Camp mais otimista do século cheio de confiança.

Porém, como dizem os torcedores de qualquer equipe, inclusive parem com isso, se não é sofrido, não é Dolphins. Logo no início dos treinos Ryan Tannehill voltou a sentir o mesmo joelho que havia lesionado anteriormente, e foi constatado que ele não jogaria a temporada. Poderiamos criticar o amadorismo da equipe diante da situação, já que a escolha de não realizar uma cirurgia no franchise QB foi bastante questionável, mas vamos deixar essa passar, afinal Miami nos deu uma grande alegria: o retorno de Jay Cutler. Contratado para salvar o ano, Jay voltou a NFL da mesma forma que saiu: nem aí.

“Cutler não sabia onde estava quando acordou no hotel”, foi a sua primeira manchete como QB dos Dolphins.

E é assim que os Dolphins chegam na temporada: se por um lado a expectativa é alta, por outro alguns problemas surgem no meio do caminho – e dessa vez eles não atendem pelo nome de Tom Brady e Bill Belichick.

Jay Cutler presents: o ataque dos Dolphins

Já citamos Jay Ajayi como uma das principais peças do ataque, e agora em seu segundo ano como titular, segundo ano saudável, e segundo ano no ataque de Adam Gase, ele tem tudo para jogar ainda mais bola. Além dele, Kenyan Drake, que teve bons momentos em 2016, retorna para ajudar no backfield.

Os recebedores também são os mesmos do ano passado: o excelente slot receiver Jarvis Landry; DeVante Parker, que (dizem) está preparado para ter um ano monstruoso depois de duas primeiras temporadas medianas; Kenny Stills, que agradou o suficiente para receber um contrato novo; e os segundo-anistas Leonte Carroo e Jakeem Grant, que esperam ter uma contribuição maior que na última temporada. O time ainda conta com a chegada do TE Julius Thomas, que teve seus melhores anos sob a batuta de Adam Gase, mas esteve de férias em Jacksonville nos últimos anos.

A linha ofensiva tem tudo para continuar progredindo, mesmo com a saída de Branden Albert. Laremy Tunsil agora jogará como Left Tackle; Mike Pouncey, se conseguir se manter saudável – um baita desafio para ele -, retorna como Center. O grupo ainda tem Ja’Wuan James, antiga escolha de primeira rodada, como Right Tackle; e o calouro Isaac Asiata podendo assumir a titularidade como Guard ao longo do ano. Como você já sabe, esse site preza por não encher liguiça citando nomes de jogadores que o fã-médio não conhece, logo não estranhe se a matemática da OL não fechou: não nos importamos.

E, claro, deixamos o melhor para o final. Jay Cutler. O homem que levou o editor desse site a passar uma madrugada destilando todo seu ódio contra ele – mesmo sendo um torcedor dos Packers. Cutler saiu da aposentadoria porque Adam Gase ligou desesperado procurando ajuda após a re-lesão de Tannehill. Como eles já haviam trabalhado juntos em Chicago, Jay achou interessante a ideia de uma reunião. Se olharmos os stats, veremos que Cutler e Tannehill tiveram números parecidos no esquema de Gase. Podemos, assim, confiar que ele comandará o ataque sem maiores problemas.

Aqui a bruxa também come solta: a defesa dos Dolphins

Miami se reforçou na defesa durante a offseason. Os reforços eram necessários, mas a linha defensiva é tão boa que, pelo menos inicialmente, não terá nenhum novo titular. Cameron Wake e Ndamukong Suh continuarão fazendo o que fazem de melhor – embora em alguns estados isso não seja permitido. Jordan Phillips e Andre Branch compõe o resto do grupo. Participarão da rotação Charlie Harris, escolha de primeira rodada, e William Hayes – que não poderíamos deixar de citar, afinal ele não acredita em dinossauros, mas acredita em sereias.

Suh e Cameron caçando QBs.jpg

O corpo de LBs estava fechado: Kiko Alonso, que foi muito bem, obrigado, no ano passado; Lawrence Timmons, recém-chegado de Pittsburgh; e Raekwon McMillan, escolha de segunda rodada. Infelizmente Raekwon também sofreu uma lesão e não jogará a temporada, então os Dolphins ainda estão por definir quem será o titular na sua posição. Não se assuste se um free agent for contratado, mas é bem provável que o titular acabe sendo alguém que você não conhece.

Na secundária Miami também já teve outra grande perda: o CB Tony Lippett, que não seria titular, mas provavelmente o reserva imediato de Byron Maxwell e Xavien Howard. Maxwell e Howard foram bem em 2016, e esse ano a expectativa em torno deles é alta. Reshad Jones, um dos melhores safeties da NFL volta de lesão e jogará ao lado de Nate Allen, que substituirá Isa Abdul-Quddus, outro fora por de conta lesão.

Palpite: A corrida por Wild Card na AFC esse ano está complicada, mas, jogando em uma divisão em que apenas dois times podem vencer, os Dolphins tem boas chances de retornar aos playoffs. Resta saber se dessa vez eles terão forças para chegar mais longe esse ano – acreditamos que seja possível, mas o time não deve conseguir passar de Steelers ou Patriots quando enfrentar um deles.

Quando derrotas chegam mais cedo que o esperado

Como o leitor já deve ter visto no texto sobre Tampa Bay, cada membro do site escolheu os times sobre os quais queria escrever. Quando escolhi os Bills, acreditando que eles tinham feito a escolha certa com Tyrod Taylor, esperava um time que finalmente fosse dar um passo extra e se firmaria como um desses candidatos anuais de wild card por algum tempo e finalmente romperia a sequência de 17 temporadas sem playoffs (o único time que ainda não chegou lá no século XXI).

Entretanto, as ideias começaram a desandar quando o GM que se dispôs a dar um novo contrato para o novo potencial franchise quarterback e tinha acabado de escolher novos jogadores no draft de 2017, Doug Whaley, foi demitido no dia seguinte, junto com toda a sua equipe de olheiros (ou seja, os caras que deram as informações que motivaram as escolhas de seis novos jogadores – três deles nos dois primeiros rounds – que, teoricamente, serão a base do time nos próximos anos).

Além disso, é válido lembrar que Whaley com certeza esteve envolvido na escolha de um novo HC: Sean McDermott, antigo coordenador defensivo do Carolina Panthers – onde conseguiu ter uma defesa top 10 em quatro (2012-2015) dos seus seis anos ali -, que recebe sua primeira oportunidade como treinador principal de alguma equipe na sua carreira. Ao menos não deverá faltar entrosamento entre ele e o novo GM, Brandon Beane, que também era funcionário dos Panthers e foi ganhando importância e valor com o decorrer dos anos na Carolina do Norte.

A troca de Sammy Watkins

O novo comandante do pedaço chegou determinado a estabelecer uma mentalidade vencedora. No entanto, algumas das principais peças do regime anterior não pareciam cumprir as condições desejadas: inclusive o craque do ataque (sério, fale com alguém pouco viciado em NFL, que jogue aquele fantasy casual, e provavelmente os dois únicos nomes conhecidos de Buffalo serão McCoy e Watkins). E, no passado 11 de agosto, trocas aconteceram, dando aquela tradicional chacoalhada no twitter.

Para resumir tudo, Beane trocou o seu WR 1, o já citado Sammy, e o seu CB1 bastante razoável, Ronald Darby (que deveria ocupar o espaço deixado por Stephon Gilmore, agora em Boston), pelos medíocres EJ Gaines e Jordan Matthews (um slot receiver defeituoso, considerando que o time já tinha o seguro veterano Anquan Boldin), além do mais importante: escolhas de segundo e terceiro round no draft de 2018, para iniciar uma outra reconstrução com essa “cara vencedora” (leia: jogadores que serão chutados da cidade daqui 3 anos, quando a diretoria mudar de novo).

Que porra tá acontecendo?

Ainda que a questão do contrato de Sammy seja relevante (ele só tinha mais um ano jogando com os Bills), ele seria peça crucial para este ataque funcionar, especialmente levando em conta a mudança do antigo-WR2 Robert Woods para Los Angeles. Seu substituto, Matthews, se lesionou no primeiro treino com a nova equipe, assim como o importante LT titular, Cordy Glenn (que pode acabar na IR). Já Boldin, que chegou ao norte de Nova York sonhando com o Super Bowl, pediu a aposentadoria depois de poucos dias de contrato “para se dedicar a trabalhos sociais”.

De qualquer forma, a mensagem que foi passada é que a temporada está largada e, ainda na segunda semana da pré-temporada, o clima ali é de fim de feira. Assim, tentar prever como funcionará o grupo em Buffalo em 2017 é impossível. Mais do que isso: é irrelevante. Portanto, façamos um favor para a NFL e abramos o balcão de negócios do senhor Beane: venham e peguem!

Valores da defesa

O craque dessa defesa é o DT Marcell Dareus, mas, com um cap hit anual de 16M, ele não sairá de Buffalo tão cedo (coitado), assim como Micah Hyde, que ainda em março assinou com Doug Whaley um contrato de 5 anos e 30 milhões de dólares. Além deles, são poucos os valores que poderiam fazer uma diferença real por aí:

  • Shaq Lawson: escolha de primeira rodada de 2016 (12 sacks e meio por Clemson em 2015), jogou 10 jogos meio baleado na temporada passada depois de piorar uma lesão no ombro ainda da época da universidade. Como a sua saúde está em dúvida, tem o seu valor prejudicado para que apareça algum time atrás dele com uma oferta decente, de maneira que talvez McDermott tenha que tentar tirar algo dele;
  • Jerry Hughes: desde que foi trocado pelos Colts, se encontrou com os Bills e é o principal pass rusher da equipe (o número de sacks diminuiu, mas mais por falta de ajuda que por queda nas capacidades). Um bom pass rusher com um cap hit de 10M poderia resolver problemas em defesas especialmente pobres no tema, como a do Dallas Cowboys;
  • Lorenzo Alexander: aos 34 anos, teve em sua 12ª temporada o seu breakout year, sendo finalmente titular em todos os 16 jogos (o máximo que já tinha conseguido era 12, em 2010 em Washington, e com 6 temporadas sem ser starter mesmo jogando os 16 jogos) e produzindo 12.5 sacks. Se algum time que joga num 3-4 quiser apostar em um veterano, que certamente sairia por troco de bala, valeria a pena tentar busca.

Valores do ataque

Por outro lado, no ataque Brandon Beane poderia sim mudar temporadas da NFL. Os únicos jogadores que certamente não serão trocados desse lado são Cordy Glenn, porque está machucado, e o FB Patrick DiMarco, porque assinou recentemente por 4 anos (outro coitado). No mais, separamos aqui alguns grandes jogadores que os times deveriam vir buscar em Buffalo e livrá-los do sofrimento:

Corre, cara!

  • G Richie Incognito: mais famoso pelo episódio de bullying contra Jonathan Martin em Miami (lembra? Válido lembrar que Martin já está aposentado), que fez ele ser despachado para o norte, o bom guard tem sido bastante sólido protegendo o QB e especialmente chato abrindo espaço para os RBs. Precisando de uma ajudinha na OL, vem com uma escolha de 5º round e leve esse poço de simpatia para casa;
  • RB LeSean McCoy: chegando aos 30 anos, McCoy vem de uma temporada em que conseguiu 5.4 jardas por corrida e 14 TDs totais, sendo que teve apenas 284 toques na bola, longe daqueles 350 do tempo de Chip Kelly. Se o objetivo dos Bills é perder a temporada, McCoy provavelmente é a maior ameaça que encontrarão. Também para o bem do fantasy, esperamos que ele vá para um time que queira ver ele correndo contente por aí aproveitando seu potencial enquanto ainda tem idade para aguentar carregar um ataque. LeSean vale uma escolha de segundo round, mas provavelmente sairia por uma de quarto;
  • QB Tyrod Taylor: já demos argumentos suficientes pró-Tyrod, mas, quando acreditamos que Buffalo havia entendido, essa reviravolta acontece. Existem times que já estão cansados de perder e têm mais estrutura para chegar aos playoffs com esse bom QB – só falta tê-lo. Siemian parece ter sido confirmado como titular em Denver, mas Blake Bortles está balançando. Vamos lá, Shahid Khan! Joga pra frente, paga aquela escolha de terceira rodada que vocês desperdiçam em punter em Jacksonville e leva o menino Tyrod para o Super Bowl!

Preview: “Tão longe dos playoffs, mas tão perto do New England Patriots” – poderia ser a grande frase para contar a história dos Bills. Como leio sempre no Twitter, se eles não tentarão fazer algo nessa temporada, não sei porque deveríamos tentar prever algo também. Entretanto, fica uma previsão ousada: Bills conseguirá mais vitórias que o New York Jets (2, porque eles têm obrigatoriamente que se enfrentar e New York está muito determinado em ser rebaixado para empatarem).

O complicado conto de fadas do quarterback e seu treinador

Quando assumiu o comando do Buffalo Bills, no início de 2015, Rex Ryan foi logo garantindo que o time conseguiria a classificação aos playoffs. É o tipo de declaração ousada e irresponsável, especialmente para o novo técnico de um time que há anos não faz nada digno de ser lembrado e que sustenta a indesejável marca de mais tempo sem disputar uma partida de pós-temporada – aliás, a última aparição do Bills lá foi há 16 longos anos. Desde então, foram apenas duas temporadas com mais vitórias do que derrotas e uma série de vexames dentro da divisão: entre 2008 e 2013, por exemplo, foram seis temporadas consecutivas terminando em último lugar na AFC East.

Se o passado precisa ser esquecido, tudo que resta ao torcedor do Buffalo Bills é a esperança de um futuro melhor. E quando surge um técnico que vem logo garantindo glórias, alguns desavisados podem acabar acreditando. O problema é que todo mundo sabe que Rex Ryan é um grande fanfarrão. Nunca esqueceremos que, quando era o head coach do New York Jets, chegou a garantir que o time ganharia um Super Bowl. A confiança na transcendência daquele Jets que ele ajudou a construir era tanta que Rex tatuou uma imagem de sua esposa vestindo a inesquecível camisa 6 de Mark Sanchez. Você provavelmente não acredita que algo tão bizarro e doentio possa ser verdade, mas temos provas do crime.

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A imagem mais incrível que a NFL pode nos proporcionar.

Rex chegou muito perto de cumprir sua promessa, é verdade – o Jets perdeu dois AFC Championship Games consecutivos, logo em seus dois primeiros anos. Se tivesse vencido pelo menos um Super Bowl, provavelmente ainda estaria no Jets e a tatuagem de Sanchez talvez não nos parecesse um sinal de algum transtorno psiquiátrico ainda desconhecido. Mas não venceu, assim como o Buffalo Bills não foi aos playoffs em 2015. As promessas foram em vão.

Quando se trata do Buffalo Bills– ou de qualquer outro time que coleciona fracassos recentes– não podemos nos ater muito ao que passou. Se Rex não cumpriu sua promessa, ao menos conseguiu desenvolver uma base sólida para os próximos anos, especialmente no ataque. O Bills, depois de muito tempo, tem estrelas: LeSean McCoy e Sammy Watkins, quando saudáveis, estão entre o top 5 de suas posições em termos de talento. Tyrod Taylor ainda não alcançou o mesmo status, mas é um quarterback que dá sinais de que talvez possa evoluir ao nível de um titular acima da média.

Se juntarmos esse ataque talentoso a uma defesa sólida, que vem evitando vexames ainda maiores, podemos criar a ilusão de que o Bills chegará a algum lugar em 2016. Porém, ao contrário de Rex Ryan, não vamos prometer nada. Afinal, trata-se de um time que conseguiu perder quatro Super Bowls consecutivos na década de 90 e que, simplesmente, não consegue dar o próximo passo.

Tyrod Taylor, o semideus

Tyrod Taylor talvez tenha sido o QB mais improvável de 2015. Venceu a disputa pela titularidade em uma batalha com o veterano Matt Cassel e com E.J. Manuel, uma das escolhas de primeiro rodada mais absurdas de todos os tempos e que ainda permanece no elenco do Bills. Como titular, teve uma temporada de um sucesso que no máximo pode ser classificado como moderado. Porém, em um time que já dependeu de E.J. Manuel, foi logo colocado em um pedestal e recebeu o exagerado apelido de TyGOD Taylor. A admiração da torcida e a temporada razoável em 2015 renderam uma extensão contratual de cinco anos valendo US$ 92 milhões.

Você deve estar pensando que um QB mediano, abaixo da média de peso e altura e que teve apenas uma temporada razoável como titular não valha tudo isso. E não vale mesmo. Assim como Rex Ryan, o salário de Taylor promete algo que provavelmente não vai cumprir. O Bills se cercou de cuidados e acrescentou cláusulas que proporcionam total flexibilidade, permitindo que o time se livre de Tyrod a partir de 2017 sem grandes consequências no salary cap. Basicamente, trata-se de um contrato de um ano que vale apenas US$ 9,5 milhões.

É um excelente negócio para o Bills, que dá mais uma oportunidade de crescimento para um QB promissor sem colocar em risco o futuro do time. Para Taylor, é a oportunidade de jogar em um nível muito mais alto do que já jogou para fazer com que o contrato seja cumprido até o fim.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Tyrod mantenha o que mostrou em 2015, o que pode ser difícil para um QB que depende muito das pernas para ganhar jardas. Nos últimos anos vimos Colin Kaepernick, Robert Griffin III e Michael Vick conseguirem bastante sucesso correndo com a bola e logo em seguida desaparecerem completamente. As defesas da NFL se adaptam muito rapidamente às novidades e Tyrod já não é mais o desconhecido que até pouco tempo esquentava o banco de Joe Flacco no Baltimore Ravens. Taylor terá que melhorar, principalmente, em passes de curta e média distâncias, já que em 2015 foi um dos QBs mais eficientes da liga em passes longos. Quando não corria com a bola, lançava passes longos em play actions, o que é muito pouco para quem quer ser um franchise quarterback. Ele precisa aprimorar sua capacidade de leitura rápida em jogadas com rotas curtas/médias. Precisa, resumidamente, ser um pouco mais pocket passer.

Sammy Watkins, LeSean McCoy e quem mais?

O sucesso de Tyrod Taylor – e de qualquer QB mediano – passa, em grande parte, pelo desempenho de seus recebedores. WRs acima da média, como Calvin Johnson e Odell Beckham Jr., conseguem potencializar o jogo de seus QBs.

Sammy Watkins é, sem dúvida, um dos melhores recebedores da NFL atualmente. Mas para que seu potencial seja plenamente atendido, ele precisa se manter saudável, o que parece ser um grande desafio se levarmos em conta seus dois anos como profissional. Ainda se recuperando de uma cirurgia para corrigir um osso quebrado no pé, Watkins começa a temporada de 2016 como a grande chave para o sucesso ofensivo do Bills. Se conseguir participar de pelo menos 12 jogos na temporada, é praticamente certo que passará de 1000 jardas recebidas e se aproximará de 10 TDs.

Se olharmos para o grupo de recebedores do Buffalo entenderemos por que Sammy Watkins é tão importante. Tirando o WR Robert Woods e o TE Charles Clay, que já tiveram alguns momentos produtivos, o restante dos jogadores faz parte de um grupo de desconhecidos que poderiam estar fritando hamburger em um fast food qualquer.

Talvez o Buffalo Bills nem precise de muitas opções em seu ataque aéreo. Além de falar bastante, Rex Ryan gosta muito de ver seu ataque correndo com a bola: Buffalo liderou a NFL em jardas terrestres e foi o segundo em tentativas de corrida em 2015.

LeSean McCoy já foi o melhor RB da liga e só não permaneceu no posto devido a contusões e a um comportamento questionável fora de campo, que inclusive colaboraram com a troca que o mandou para Buffalo pelo LB Kiko Alonso, que foi para o Philadelphia Eagles. Assim como Watkins, a questão para McCoy é a saúde. Se conseguir permanecer saudável, com o volume de carregadas que receberá, é difícil imaginar um cenário em que não termine no top 10 da liga em jardas e TDs.

Karlos Williams, o reserva de McCoy que foi uma das revelações de 2015, quando marcou 7 TDs, está suspenso por quatro jogos pelo uso de substâncias proibidas. Além da suspensão, Williams já tinha aparecido para treinar muito acima do peso. Segundo ele, a culpa dos quilos a mais era da gravidez de sua namorada, já que ele não podia deixar que ela atendesse aos desejos de grávida sozinha. Bizarrices à parte, pelo menos durante a sua suspensão, não há nenhuma opção além de LeSean McCoy. Com o histórico de contusões do titular, o jogo corrido do Bills pode se tornar rapidamente uma grande bagunça.

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Destrói lá, Tyrod. Mas sem pressão, tá?

Uma defesa desfigurada

Com esquemas complexos, que envolvem muito movimento e blitz exóticas, Rex Ryan criou a fama de ser um especialista em defesa. Nos anos em que levou o NY Jets à final da AFC, sua defesa foi a número dois da liga. Porém, como já vimos antes, Rex também é especialista em falar demais. Logo que assumiu o comando do Bills, além de prever a classificação aos playoffs, afirmou também que sua defesa seria a melhor da NFL em 2015. Como todas as suas promessas, essa também não se realizou. Muito pelo contrário: o Bills foi a quarta melhor defesa da liga em 2014, enquanto em 2015, o primeiro ano da era Rex, a defesa foi apenas a número 19. Uma queda vertiginosa.

O péssimo desempenho pode ser explicado pela ausência de pass rush. O Bills foi o segundo pior time da liga em 2015 em sacks, com apenas 21. Para efeito de comparação, o Denver Broncos, vencedor do Super Bowl, conseguiu 52.

O Bills até tentou melhorar nesse aspecto e procurou suprir as necessidades defensivas no draft. As três primeiras escolhas do time foram defensores. No primeiro round, draftou o DE Shaq Lawson, que acabou tendo que fazer uma cirurgia no ombro e não deve fazer sua estréia até  sexta semana. A escolha de segundo round, LB Reggie Ragland, que deveria ser titular, deve perder toda a temporada com os ligamentos do joelho rompidos.

Além dos calouros, o Bills perdeu também o DT Marcell Dareus, suspenso por quatro jogos por uso de substâncias ilícitas. A perda de Dareus, que no início da temporada de 2015 assinou um contrato de seis anos com US$ 60 milhões garantidos, deve colaborar com a piora tanto da defesa contra o jogo corrido quanto da pressão no quarterback adversário.

Outra perda, que não deve ser tão sentida quanto a de Dareus, foi a do LB IK Enemkpali, famoso por ser o responsável pelo soco que tirou Geno Smith dos primeiros jogos do Jets em 2015, que rompeu os ligamentos do joelho no jogo contra o Indianapolis Colts pela pré-temporada.

Como não consegue se conter, Rex Ryan já foi avisando que, mesmo com as contusões e suspensões, a defesa do Bills em 2016 será melhor do que a da temporada passada. Já não acreditamos mais, Rex.

Palpite: LeSean McCoy e/ou Sammy Watkins perderão vários jogos com contusões, Tyrod Taylor mostrará que não passa de um bom reserva e o Bills não irá aos playoffs. Rex Ryan será demitido e terá que se reinventar na arte de confeccionar promessas inviáveis como coordenador defensivo de um time ainda mais irrelevante.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (*e o Cleveland Browns)

Na pré-temporada, sempre parece claro que todo time na NFL terá 100% dos jogadores saudáveis e que todos são top 5 em suas posições e os que não são, fizeram o melhor para chegar a essa condição durante o período longe dos treinadores. Pensando assim, parece óbvio que todos os times, menos o Browns, terminarão 19-0 na temporada, atropelando todos os adversários com vitórias por 30-0 – porque o head coach, em um ato de humildade, pede para o time tirar o pé:

Classificação

Para a sorte de nossos leitores, nós do PickSix não nos deixamos enganar. Sabemos perfeitamente que, se no final das contas, um time ganha o Super Bowl, é mais por culpa dos outros 31 do que por méritos próprios.

Obviamente, para um melhor entendimento, escreveremos elaborados previews sobre cada uma das equipes (não se deixe enganar pelas otimistas), mas a lista seguir deve servir como resumo suficiente como a principal razão do por que seu time não vai ganhar o Super Bowl LI:

AFC North: provavelmente a divisão mais furada da NFL e a com maiores possibilidades de que um dos times só chegue aos playoffs porque conseguiu uma campanha perfeita nos confrontos internos.

Baltimore Ravens – O contrato de Joe Flacco está matando um time que chegou e ganhou duas vezes o Super Bowl em belos esforços coletivos.

Cincinatti Bengals – Depois de 2015, acho que está mais do que claro que Andy Dalton nunca vai ganhar um jogo de playoff, seja por culpa própria ou não.

Pittsburgh Steelers – O ataque mais incrível e a defesa mais bosta da NFL. Talvez não cheguem nem nos playoffs.

NFC North: a divisão das desculpas esfarrapadas. Todos os times parecem prontos para ganhar o Super Bowl, mas sempre no ano seguinte quando tudo magicamente irá dar certo.

Chicago Bears – Jay Cutler é o QB mais deprimente em uma divisão ganha por um Teddy Bridgewater que não consegue lançar para mais de 15 jardas.

Detroit Lions – Um time que recém terminou uma temporada com um 7-9 após uma campanha de recuperação e perde o melhor jogador do seu ataque. Não é exatamente a receita para chegar ao título.

Green Bay Packers – O time sempre tem alguma lesão para botar a culpa dos seus fracassos, seja de Aaron Rodgers ou de um linebacker reserva. Esse ano não será diferente.

Minnesota Vikings – E quando tudo parecer que vai dar certo para os Vikings, algo completamente inexplicável acontecerá. Pode ser uma lesão ou um FG de menos de 30 jardas errado a 10 segundos do fim.

Tem coisas que só acontecem com o Lions...

Tem coisas que só acontecem com o Lions…

AFC South: a divisão mais disputada da Conferência Americana. Infelizmente, qualquer um deles que chegue aos playoffs já terá gastado todo o fôlego e morrerá sem nem chegar na praia.

Houston Texans – Nunca um time da NFL jogou o Super Bowl em casa e não vai ser Brock Osweiller o responsável por conseguir tal façanha.

Indianapolis ColtsQuarterbacks são tudo na NFL. Mas não quando o único bom jogador do seu time é o quarterback.

Jacksonville JaguarsDream team da temporada de 2016. Não precisa entender muito de futebol americano para saber como isso vai acabar.

Tennessee Titans – Talvez o time mais triste da NFL, já que os Browns pelo menos não iludem o torcedor. Vão acabar com a carreira do Mariota.

NFC South: o QB que jogue bem ganhará essa divisão. Infelizmente nenhum dos times parece ter muito além disso.

Atlanta Falcons – Matty Ice fez o James Hunt e nunca mais voltou aos playoffs desde que ganhou uma partida lá.

Carolina Panthers – Kelvin Benjamin terá a desculpa de que está voltando de lesão e a defesa terá a desculpa de que perdeu Josh Norman.

New Orleans Saints – Drew Brees é muito melhor jogador do que Joe Flacco, mas seu contrato acabou igualmente com o time (e com o meu fantasy nessa necessidade de não ter um WR principal).

Tampa Bay Buccaneers – Como todo bom QB que não se chame Russell Wilson, Jameis Winston “precisará de mais um ano para se desenvolver”.

Agora assista aí de camarote.

Agora assista aí de camarote.

AFC West: se tem uma divisão da qual não sairá um campeão do Super Bowl é essa. A defesa dos Broncos operou um milagre em 2015, mas um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Denver Broncos – Mark Sanchez no time (e ele ainda acabará sendo titular) elimina automaticamente a chance de qualquer time chegar ao Super Bowl.

Kansas City Chiefs – Na AFC, Alex Smith só é mais QB que Mark Sanchez, o que no fundo não quer dizer porra nenhuma.

Oakland Raiders – O dono do time está mais interessado na mudança de cidade do que na temporada. Certo ele.

San Diego Chargers – Philip Rivers terá mais filhos do que TDs e Joey Bosa começará jogos como QB, já que foi draftado para jogar fora de posição mesmo.

NFC West: já foi indiscutivelmente a melhor divisão da liga. Hoje é apenas fonte de expectativas e decepções.

Arizona Cardinals – Quando não se machuca, Palmer pipoca na hora da verdade. Seriam meus favoritos ao Super Bowl se tivessem Tim Tebow.

Los Angeles Rams – Pode demorar algumas rodadas, mas logo o owner Stan Kroenke vai perceber que os estádios vazios em St Louis não eram mais culpa de Case Keenum que da cidade (Jared Goff é um bust).

San Francisco 49ers – Por mais que falemos de Titans ou Browns, a equipe de Chip Kelly é a mais bosta da NFL. Um RT ex-aposentado deve ser o melhor jogador do time (Anthony Davis).

Seattle Seahawks – Muito amados para um time que não tem linha ofensiva (e uma linha defensiva cheia de jogadores insatisfeitos).

AFC East: aquela eterna disputa pelas vagas de wild card atrás dos Patriots.

Buffalo Bills – Rex Ryan conseguiu estragar uma defesa que parecia pronta para carregar o time. Além disso, o melhor alvo do time, Sammy Watkins podia tentar parar de se estourar.

Miami Dolphins – Adam Gase vai ajudar Ryan Tannehill a melhorar, mas Suh recebeu 80 milhões para liderar essa defesa e não irá.

New England Patriots – Vão ganhar a divisão, mas Belichik e Brady não vão mais conseguir roubar para chegar à grande decisão. Talvez Garoppolo tenha novas ideias.

New York Jets – Geno Smith foi considerado como substituto de Ryan Fitzpatrick. O time poderia começar respeitando o próprio QB titular.

NFC East: divisão com mais hype da NFL. A imprensa americana ama todos eles, mas nós não nos deixamos enganar tão facilmente.

Dallas Cowboys – Tony Romo está do tamanho dos jogadores da melhor linha ofensiva da NFL. Além disso, todos nessa defesa são idiotas.

New York Giants – Pagarão mais de 25 milhões de dólares por ano para um gordo de linha defensiva e um DE com apenas 29 sacks na carreira.

Philadelphia Eagles – Um time que conseguirá ser pior sem Chip Kelly. E porque odiamos Sam Bradford.

Washington Redskins – Por mais que todos queiramos crer no contrário, Kirk Cousins vai acabar se provando pior do que Robert Griffin III.

*Cleveland Browns – excluído da lista original pelo simples fato de, bem, não podemos considerá-los um time de football.