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Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas. Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os times especial do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte pra @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

 

Semana #2: os melhores piores momentos

Mais uma semana se passou. Infelizmente Blake Bortles ainda não lançou nenhuma Pick Six, mas mesmo assim temos muita coisa ruim para comentar. Afinal, a rodada foi um show de horrores e já estamos nos questionando se futebol americano é tão legal assim.

1 – Começando com o pé esquerdo – Houston Texans @ Cincinnati Bengals*

Já sabemos que os jogos de quinta-feira a noite são horríveis, e não seria esse em específico que mudaria isso. A expectativa já não era alta e, mesmo assim, podemos dizer que a partida ficou abaixo das expectativas. Falando em bom português: foi uma merda.

Andy Dalton continuou inerte, enquanto seu ataque batia um recorde histórico: os Bengals são o primeiro time desde 1939 a começar o ano com dois jogos em casa e conseguir não marcar nenhum TD.

Esperamos que o jogo sirva de lição para que a NFL nunca mais permita que essas duas equipes se enfrentem e, se for pra deixar acontecer, que pelo menos não seja em um jogo de horário nobre.

*Em respeito ao amigo leitor, não vamos colocar o link dos melhores momentos.

2 – Calvários eternos: porque times ruins não podem ter coisas legais.

2.1 – New Orleans Saints

Todos sabíamos que o bando de jogadores que o time tem e que não jogam no ataque não podia ser chamado de defesa. Aparentemente, eles não sabiam. Ao invés de investir no grupo no draft e na free agency, a equipe foi atrás de alguns acessórios de luxo, como Adrian Peterson.

Resultado: a defesa de New Orleans fez Sam Bradford parecer Tom Brady, e Tom Brady parecer Peyton Manning na temporada regular. Enquanto os defensores passavam vergonha (veja aqui e aqui), Peterson estava se adaptando muito bem a nova função de esquentador-de-banco.

Tenhamos piedade de Drew Brees.

2.2 – San Diego Los Angeles Chargers

Tal qual os Saints, a desgraça dos Chargers vem de outros tempos. Se alguns torcedores (os que sobraram) imaginavam que o azar no final das partidas ficaria em San Diego, já sabemos que não é o caso.

Depois de perder em Denver com um Field Goal bloqueado, a equipe se viu novamente em posição de anotar um FG, dessa vez não para empatar, mas para vencer o jogo. Você já sabe o que aconteceu e, quando Younghoe Koo errou o chute, o estádio explodiu de alegria. Nunca mais acreditaremos que esse time pode vencer algo.

2.3 – New York Jets

Era bem provável que os Jets tomariam uma tamancada dos Raiders – e realmente aconteceu. Mas, em determinado ponto do jogo, a equipe de Nova Iorque havia feito dez pontos, cortado a vantagem de Oakland pra 14-10 e forçado um punt.

A esperança durou pouco: o guerreiro #84 não conseguiu segurar a bola, que foi recuperada pelos Raiders. Dali, Marshawn Lynch anotou o TD e a coisa degringolou de vez.

“A bola tá vindo, o que eu faço?”

A briga pela primeira escolha do draft continua.

3 – Imagens que trazem PAZ.

3.1 – Talvez Jared Goff não seja mesmo um bust, mas ele não precisa acertar o árbitro da sideline para provar isso. Talvez seja apenas uma estratégia ousada que vai muito além da nossa compreensão.

3.2 – Adoramos os fake punts do Los Angeles Rams, mas é inconcebível que, em 2017, ainda tenha gente que caia nisso.

3.3 – Uma discussão frequente que temos aqui no site é se “Deus lança touchdowns com passes merda“? Em mais uma edição de ‘Só joga na defesa porque não consegue segurar a bola’, vemos que é quase isso.

3.4 – Porque, nesse caso, a imagem vale mais que mil palavras. Esperamos que esteja tudo bem.

4 – O retorno de Garbage Time Bortles

Blake Bortles foi o vencedor do primeiro troféu Blake Bortles, o único prêmio que premia a melhor atuação durante o Garbage Time (aqueles minutos finais em que o resultado já está definido, e você nem sabe mais porque está assistindo o jogo).

Não precisamos esperar muito para que Bortles voltasse a mostrar porque é o principal gênio dessa arte. Blake entrou no último período, quando a partida já estava decidida, com 11 de 25 passes completos, 89 jardas e duas interceptações. Nesse último quarto, Bortles completou seus 9 passes, para 134 jardas e um touchdown. Aguardamos ansiosamente os novos capítulos dessa saga.

5 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Sabemos que ele não existiu na semana 1, afinal, só pensamos na ideia agora. O Prêmio Dez Bryant será semanalmente dado àquele jogador de muito nome e muita mídia, mas que não jogou nada na rodada. A inspiração? O jogador que empresta seu nome ao prêmio: quando você mais precisa dele, Dez Bryant não estará lá.

O primeiro vencedor do Prêmio Dez Bryant da semana é Ezekiel Elliott, seu companheiro de equipe. Zeke terminou o jogo contra os Broncos com memoráveis 9 carregadas para um total de 8 jardas. Parabéns!

Magoou.

A semana que vem prometeVocê pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

E se colocássemos a culpa de tudo em Drew Brees?

Bom dia, torcedor dos Saints. Se eu te dissesse que vocês têm um jogador que pode simplesmente largar o time ano que vem e, ainda assim, custar 10 milhões, quanto vocês amariam esse cara? E se esse ser fosse a mesma única fonte de esperança da equipe, com uma média de quase 5000 jardas e garantidos mais de 35 TDs, qual cabeça deveria rolar? A dele ou de Mickey Loomis, o GM que produziu esse contrato?

Histórias de descontrole do salary cap não são raras na NFL, mas talvez o New Orleans Saints seja o melhor exemplo disso; não que Brees não merecesse muito mais, mas em um contexto de dinheiro limitado, seu salário é extremamente proibitivo para a equipe – prejudicando, especialmente, a defesa.

E, por isso, vemos que o grande problema da equipe reside exatamente nesse lado do time (que não tem uma boa campanha desde aquele 2009 incrível em que produziu 39 turnovers), e o próprio Sean Payton já está cansado dessa palhaçada: “Eu só sei que já tivemos jogos que acabam 48-40 suficientes e isso é algo que precisa mudar”.

Considerando que Drew Brees chega aos 39 anos no dia 15 de janeiro, provavelmente assistindo aos playoffs tranquilamente de sua casa, a janela de oportunidade para a equipe vai tornando-se cada vez menor. Especialmente quando o jogador já afirmou que está levando as coisas “ano a ano” – sem falar, entretanto, em aposentadoria. Quem sabe ele só esteja cansado da Louisiana.

Vovô e sua netinha.

Precisamos proteger o nosso dinheiro

Para tirar a pressão do lançador, sabemos que é essencial protegê-lo; não à toa, o time investiu pesado na sua linha ofensiva, substituindo o envelhecido Jahri Evans pelo bom G Larry Warford, vindo de Detroit, e escolhendo o tackle Ryan Ramczyk no final do primeiro round do draft.

Não obstante, nada disso será suficiente se os dois melhores e mais importantes jogadores da linha ofensiva, o LT Armstead e o C Unger (para ajudar ainda mais o time, só entre esses dois há 15M do salary cap parado), não voltarem de suas lesões logo. Por exemplo, Ramczyk, que foi escolhido para ser RT, agora parece ser o substituto do grande Terron Armstead, e sabemos bem como esse tipo de improvisação, ainda mais com rookies, acaba.

Adeus, Cooks; olá, Peterson

A chegada de Ryan Ramczyk, inclusive, é fruto de uma outra movimentação ousada da offseason dos Saints. Brandin Cooks (que é carinhosamente conhecido na melhor liga de fantasy do Brasil, a nossa, como “enganação”) foi repassado ao New England Patriots por duas escolhas desse último draft (Ramczyk, 32º escolhido, e o pass rusher Trey Hendrickson, o 103º escolhido).

A troca aconteceu pelo excesso de talento dos Saints na posição de WR (ou, como já dito, pela capacidade de Brees de transformar medianos em excepcionas), já que Michael Thomas (92 recepções, 1137 jardas, 9 TDs mesmo sendo apenas o quinto WR escolhido no draft de 2016), Willie Snead e os recém-chegados Ted Ginn Jr, que brilhou como opção secundária para Cam Newton, e Coby Fleener – que, esperamos, finalmente alcançará seu potencial em New Orleans se conseguir manter-se saudável – devem sobrar como opções para Brees.

“Cês me odeiam muito pra trazer tanto substituto, né?”

E se as movimentações no grupo de recebedores foram concisas, no grupo de corredores ocorreu exatamente o oposto. Mark Ingram vem da melhor temporada de sua carreira, finalmente ultrapassando as mil jardas e a média de 5 por tentavia, e parecia finalmente pronto para se tornar mais uma opção segura; Sean Payton e cia, obviamente, pensaram exatamente o oposto, investindo recursos que poderiam ser melhor aproveitados em outras áreas (mais sobre a seguir) na posição.

O lendário Adrian Peterson foi contratado (2 anos, 7 milhões, barato para 90% dos times da liga, mas não para alguém com um cap tão apertado), mas sua capacidade de repetir suas históricas atuações já é questionada – e, bem, ele provavelmente só assinou com os Saints porque o primeiro jogo da equipe é justamente em Minnesota.

Mais questionável ainda foi a seleção de Alvin Kamara no terceiro round do draft; apesar de bom jogador, supõe-se que a defesa precisa receber o talento possível, e um jovem RB atrás de dois veteranos no banco não deverá colaborar com isso.

A defesa (supondo que ela existe)

Está claro que a defesa precisa de ajuda (454 pontos cedidos foram o 2º maior da NFL); não há como culpar diretamente esse ataque liderado por Drew, e tudo indica que esse ano tampouco será possível; mas comecemos com uma boa notícia (prometo, deverá ser a única): Cameron Jordan, DE caso você não conheça esse mito, é um dos melhores pass rusher da NFL mesmo tendo conseguido apenas 7.5 sacks em 2016. Sua média de pressão colocada no QB só é inferior a Von Miller e JJ Watt, de acordo com dados do site PFF, ou seja, podemos estabelecer ao menos um não-culpado.

Mas Cam não deverá ter muita ajuda: o time trouxe Alex Okafor de Arizona porque ele é amigo de Kenny Vaccaro – mas em seus quatro anos pelos Cardinals ele não conseguiu 15 sacks totais. O LB Hau’oli Kikaha vem de uma lesão no joelho, sempre complicada para os grandalhões e o já comentado Trey Hendrickson deverá precisar de um tempo para adaptar-se à velocidade da NFL.

Para piorar os problemas no front-seven, o DT Nick Fairley, titular em todas as partidas de 2016, teve um problema de coração detectado e dificilmente jogará essa temporada. Ao menos outro rookie, o LB Alex Anzalone, tem aproveitado bem as oportunidades que recebeu na pré-temporada e já é considerado titular no depth chart.

“Palmas pra vocês… Vocês merecem o título de pior defesa do mundo.”

Para finalizar o assunto de rookies, o CB Marshon Lattimore, primeira escolha do draft do time, não deverá encontrar seu antigo companheiro de secundária de Ohio State Vonn Bell para tentar ao menos não ser a pior defesa contra o passe da liga; outra grande razão para isso foram as lesões do bom safety Kenny Vaccaro e do melhor jogador defensivo do time em 2015, o CB Delvin Breaux. Se os quatro conseguirem estar juntos em campo, as coisas ao menos não serão tão deprimentes – mas talvez estejamos sendo muito otimistas, especialmente considerando que os dois cornerbacks já não têm sido presença constante nem mesmo no training camp.

Palpite: 7-9. Normalmente olhamos jogo a jogo e tentamos fazer uma previsão de quais partidas a equipe pode vencer para dar um palpite mais aproximado da realidade, mas o New Orleans Saints é especial pelo simples fato de que essa é a campanha desde 2014 e não parece que as coisas tenham mudado o suficiente, especialmente com a quantidade de lesões que perturbam o training camp da franquia, sejam elas mais ou menos graves. Com sorte, ano que vem Drew Brees larga essa zona e a campanha poderá mudar (para pior).

Divagações de offseason: uma eterna luta contra o tédio

Ao traçar estas linhas, adianto: como é visível o grande interesse que a NBA parece ter tomado no Twitter (NBA!!! Estive até me preocupando com a saída de Ricky Rubio ou a chegada de Jimmy Butler em Minnesota), esse é provavelmente o mês mais tedioso de nossa amada liga.

Para nossa sorte, porém, dentro de poucas semanas devem começar os training camps e, com eles, o contrato de 7 bilhões ao longo de 18 anos de algum suposto astro do basquetebol (sério, os contratos da bola laranja são ridículos) será substituído na escala de relevância do noticiário esportivo pela lesão no dedão do pé do WR4 dos Jets – se Deus (Tebow) permitir.

E como tal, tentemos colocar nossas cabeças para trabalhar e comecemos com suposições. Nem que seja para aparecer logo no início da retrospectiva do ano que vem sobre “percebam como começamos o ano já falando merda”. Pensando nisso, apresentamos nove situações que deveriam acontecer em julho, mas provavelmente não passarão de mera ilusão até meados de setembro:

1 – Kyle Shanahan descolando uma troca por Kirk Cousins

Quem sabe se ele mandasse um 1st round top-10 protected para os Redskins, além de dois core players, Washington desistisse de tanta briga por um novo contrato que nunca acontecerá e aceitasse liberá-lo para o lugar em que Cousins finalmente será feliz. E, inevitavelmente, decepcionará devido à mediocridade que lhe cercará em San Francisco.

Na verdade, adoraríamos sugerir a troca de Philip Rivers ou Eli Manning – vem Davis Webb! – ou algum veteraníssimo, mas como esse é uma época de esperanças, não encontramos nenhuma situação em que poderíamos ser criativos o suficiente – mas imagina que doido Rivers no Broncos, hein?

2 – Alex Smith, Mike Glennon pro banco

Pensamos em adicionar Tom Savage à lista, mas até para essa dupla de medianos, comparar com Savage é muita humilhação – e talvez os Texans sejam sábios o suficiente para colocar o Tom ruim no banco em julho mesmo. Mas, sério: alguém tem alguma dúvida que, mais cedo ou mais tarde, Mahomes e Mitch serão os titulares de Chiefs e Bears?

Alex Smith teria que se transformar no Tom Brady do Oeste para evitar que o novo Brett Favre (a cada passe fué de Smith, Reid olhará para o banco e lembrará que Pat está ali, completamente cru, mas com o canhão que todos amam na liga) tome a sua posição mesmo com uma campanha vitoriosa.

“Alex Smith sentiu um desconforto na alma, precisa meditar e, portanto, vai ficar fora tempo suficiente para Mahomes assumir”, será a manchete que encontraremos.

O veterano tem ainda menos esperança no duelo Mike x Mitch. Entretanto, é válido lembrar: o último time que apostou pesado duplamente em QBs (os Redskins, em 2012, draftando Cousins no quarto round ao invés de apostar em alguma outra posição em que poderia encontrar um titular) acabou se dando bem justo com a opção “secundária”.

Passa credibilidade?

3 – Algum RB admitindo que não correrá para mais de mil jardas na temporada

“É, sabe como é, na verdade estaremos em um grande comitê, vou dividir carregadas com outros dois jogadores medianos como eu e, no final das contas, não vou produzir o suficiente para ser draftado com qualquer das suas três primeiras escolha no fantasy.”

Era só o que queríamos ouvir: um pouco de realidade para variar e poder, assim, evitar as dicas do Michael Fabiano. É claro que em uma época do ano em que todos os times esperam vencer todas as  partidas (menos os Jets, na AFC, e os Rams, na NFC), talvez esperar ouvir verdades de jogadores do grupo de Adrian Peterson e Marshawn Lynch seja excesso de esperança.

4 – Pete Carroll admitindo que tentará matar Russel Wilson

A ideia era começar o tópico listando os titulares possíveis. A verdade: é impossível adivinhar quem serão. Luke Joeckel (daquele maravilhoso draft de 2013) e Ethan Pocic (rookie) são nomes reconhecíveis, mas tampouco passam segurança.

Senhoras e senhores, a OL dos Seahawks. Além disso, Carroll se diz “animado com a evolução da linha”, que cedeu 42 sacks em um jogador liso como Russell Wilson, que também acabou sofrendo com lesões em 2016. Também, com o novo contrato do QB, a janela para a incrível Legion of Boom está se fechando: Kam Chancellor, por exemplo, tem seu contrato acabando esse ano e Michael Bennett e Cliff Avril não estão ficando mais novos.

Se o responsável por manter os bons resultados em Seattle será o marido da Ciara (e seus US$ 20 milhões anuais), é bom que seu head coach e o grande “especialista em linha ofensiva” Tom Cable parem de tentar assassiná-lo.

“Vou te matar”

5 – Jogador reconhecendo que não está totalmente saudável ou em plena forma física

Acontece todo ano. Todo mundo chega das férias voando, melhor forma da carreira e blablabla independente de raça, posição ou idade. Chega o final de setembro, o mesmo craque sente o quadril, o tornozelo, o joelho e admite que “não era bem assim”.

Um belo exemplo, como torcedor dos Vikings, será observar o retorno de Teddy Bridgewater. Por mais emocionante que seja, uma lesão que levaria dois anos para uma boa recuperação está se tornando uma lesão que permitirá que ele volte para competir diretamente pela titularidade com Bradford. Atenção às mentiras: não é bem assim.

6 – Os Chargers encontrarem um estádio de verdade

Ataque gratuito: mas, sério, com um esporte que tem de média 60-70 mil espectadores tanto a nível profissional como a nível universitário, jogar em um estádio que não poderia receber uma final de Libertadores, é uma piada.

7 – Josh Gordon liberado

Maconha: essa droga que destrói famílias na liga e faz as pessoas sofrerem ao redor do mundo. De qualquer forma, especialmente com o aumento de estados americanos que permitem o uso da erva, é uma questão de tempo até que a NFL inevitavelmente supere suas regras de Arábia Saudita e permita que, ao menos, se teste os benefícios que ela pode ter para seus funcionários.

Enquanto isso, já passou da hora de perdermos talentos do nível de Gordon (87 catches, 1646 jardas em 2013 com Brian Hoyer ou algo equivalente) simplesmente por serem maconheiros. Legaliza, Goodell.

8 – Parar de ler esse tipo de texto quando bate a saudades e damos aquela passadinha no site da NFL

Sério? Calma, caras! E, pior, até faria sentido trabalhar com nomes do nível de Odell Beckham, que tem destruído a liga já há algumas temporadas. Mas colocar Carson Wentz como HOFer em potencial é apostar muito, mas muito alto; inclusive, apostamos que Schein não botou nem 10zão em Vegas esperando que Wentz chegue em Canton lá por 2040.

E para não dizer que batemos só em casos fáceis, Jameis Winston e Amari Cooper? Eles têm potencial, lógico, mas tanto quanto, sei lá, Jarvis Landry. Sério, uma média de 1 INT/jogo e ser o WR1a do WR1b Michael Crabtree não são exatamente o que esperamos ver como Hall of Famer em 20 anos.

Mal dá para esperar que cheguem finalmente aqueles reports maravilhosos de Training Camp sobre lesões irrelevantes ou pequenas cenas lamentáveis rapidamente solucionadas.

9 – Um QB machucado sendo substituído por ELE: Colin Kaepernick

Vocês sabiam, quando começaram a ler esse texto, que chegaríamos inevitavelmente aqui. Os mais desiludidos já dizem que Kaep jamais voltará a liga; a regra geral diz que é questão de tempo. Por exemplo, sabemos que, no caso de lesão de Flacco ou Wilson, John Harbaugh e Pete Carroll sabem onde encontrar um quarterback titular.

No resto da liga, será ao menos curioso ver o que acontece quando o inevitável fantasma das lesões atacar e deixar algum time pronto refém de Case Keenum ou Matt Cassel para chegar aos playoffs.

Como dissemos lá no início: talvez não aconteça em julho, mas setembro. E com ele nossa liga favorita, (ansiosos esperamos) sempre chega.

Marshawn Lynch, Oakland e uma mudança para Las Vegas

Sobre o que realmente estamos falando quando dizemos que o Oakland Raiders, tradicional franquia californiana, está se mudando para a cidade de Las Vegas para aproveitar um “melhor mercado para a NFL”? A resposta é simples: falamos da realidade impiedosa dos números. E não nos referimos a números de vitórias, pontos por jogo e outras estatísticas caras ao football. Na maior parte das decisões da liga, números significam dinheiro, balanço de contas, venda de ingressos e merchandising.

De qualquer forma, o primeiro número que podemos considerar nessas contas da NFL é a população das cidades de Oakland, com aproximadamente 400 mil habitantes, e Las Vegas, já na casa dos 620 mil. A liga se baseia nesse argumento para dizer que a franquia se sustenta melhor em um mercado mais amplo de mídia (direitos de transmissão televisiva) e venda de ingressos, incluindo nesse caso a presença massiva de turistas na “capital do pecado”. Bem, esse argumento cai com um sopro quando pensamos que várias cidades de população menor que Oakland, como New Orleans, Minneapolis, Cleveland, Tampa, Pittsburgh, Cincinnati e Buffalo, possuem franquias da NFL e não circulam boatos relativos à mudança de endereço dessas equipes.

Talvez o número mais importante a ser considerado é 17.0%. Essa é a porcentagem de habitantes de Oakland abaixo da linha da pobreza, enquanto a mesma estatística em Las Vegas traz um índice inferior a 7%. Em resumo, Oakland não teve o dinheiro para manter seu popular time de football. Mas porque isso é um grande problema?

Senso de comunidade

A única pessoa a votar contra a mudança dos Raiders de cidade foi o proprietário do Miami Dolphins, Stephen Ross: “Minha posição hoje foi que nós, como donos e como uma liga, devemos aos fãs nossos esforços para fazermos tudo que pudermos para ficar nas comunidades que nos apoiaram, até todas nossas opções forem esgotadas“.

Como Ross disse, é uma questão de comunidade. A Raider Nation, torcida oficial do time, é uma tradição completamente embrenhada nas raízes das comunidades em Oakland – e foi a cidade e seu povo que emprestou ao time uma identidade imediatamente reconhecida em todo o planeta. Adotado como time oficial de uma cena de hip-hop de Compton, um dia centrada na N.W.A., cujo membro Ice Cube usava o boné com o escudo dos piratas do futebol americano com orgulho em todas as suas aparições, hoje centrada em Kendrick Lamar, os Raiders se tornaram parte da identidade das comunidades afro-americanas de baixa renda na Califórnia e além. E a recusa do time, motivado por dinheiro, a permanecer com seu público, é brutal.

Outro motivo apontado por muita boataria para a mudança de endereço dos Raiders é uma possível renovação nas políticas da NFL em relação às apostas e jogos de azar. Atualmente, jogadores da liga não podem nem mesmo visitar a cidade de Nevada por causa desses regulamentos estritos, e a cidade é vista como uma enorme distração para jovens com milhões de dólares no bolso e, claro, potenciais problemas com a lei. Mas se Roger Goodell está mirando o modelo britânico da Premier League, com apostas legalizadas, talvez esse seja o caminho que a liga esteja trilhando.

Terremotos em Oakland.

O bom filho a casa torna

A parte mais peculiar de toda essa história? Bem, os Raiders terão que permanecer dois anos, mesmo após o anúncio oficial da mudança, em sua cidade de origem. E para reverter esse caos de relações públicas, eles conseguiram uma peça importante para a narrativa do time: tiraram da aposentadoria um dos filhos mais célebres da cidade de Oakland, o running back Marshawn Lynch, ex-estudante do mesmo Colégio em Oakland que gerou Huey Newton, ícone do movimento negro pelos direitos civis nos EUA.

Já sobre Marshawn, uma de suas muitas histórias conhecidas, aconteceu na offseason de 2015. Durante um Youth Camp, Lynch correu ao lado de um jovem. “Essa interação de dois minutos pode mudar a vida dele”, disse Yossef Azim, oficial do departamento de Polícia de San Francisco, que levara ao camp três jovens, casos considerados graves de delinquência juvenil. Ali, na Oakland Tech High School, eles foram orientados por uma estrela da NFL.

“Marshawn está fazendo com que vejam a vida de uma nova perspectiva. Ele está realmente atingindo um grupo e os influenciando de uma maneira que ninguém mais poderia“, completou Yossef. Mais do que touchdowns ou nomeações ao Pro Bowl, Lynch estava construindo seu legado através de ações diárias na região de Oakland.

Há pouco mais de um ano, Lynch inaugurou sua loja na 811 Broadway, coração de Oakland. As sete pessoas que ali trabalham, estão ligadas a sua infância. As confecções são quase em sua exclusividade locais; Marshawn faz alguns projetos por conta própria, outros em parceria com o designer local Hingeto. Por todos estes fatores, o apelo populista dessa contratação é inegável, mas será suficiente para encobrir a traição inicial?

Vai dar boa.

Dentro de campo

Inegavelmente há certa melancolia ao redor de um retorno que, talvez, esteja acontecendo apenas para atenuar uma perda. Mas vamos levantar também outra questão: Lynch no Raiders pode ser muito, muito divertido.

Marshawn já é uma lenda nos arredores; há camisas penduradas por toda a costa. E, como já dissemos, ele sempre permaneceu ligado à comunidade. Agora, dentro das quatro linhas, o Raiders de 2017 contará com um ataque comandado por Derek Carr, um jovem e talentoso quarteback; Khalil Mack, um dos defensores mais dominantes da liga e, bem, a última temporada já nos prova que, sob o comando de Jack Del Rio, eles estão preparados para a grandeza.

Agora adicione Marshawn Lynch que, mesmo com 30 anos de idade e após um ano aposentado, ainda é um RB que impõe respeito: é uma aposta muito mais seguro que as que Saints e Broncos fizeram com Adrian Peterson e Jamaal Charles, por exemplo.

Mesmo assim, o Oakland Coliseum nunca teve um nome tão simbólico como em 2017. O que o fã verá lá é a luta de uma cidade contra sua desvalorização, de um fã contra o impulso de abandonar sua paixão, de um time que finalmente tem chances de trazer para seus torcedores um título, mas resolveu buscar novos ares. Verá o passado e o futuro da liga, dois gladiadores em campo em um embate que, invariavelmente, só acabará com a morte de um símbolo americano.

*Ana Clara torce para os Patriots, morreu no intervalo do último SB, mas passa bem.

O que foi, o que poderia ter sido e o que certamente não será

I feel, after what I’ve done in my career, I deserve to be paid $18M next year

Ah, isso é um site sobre NFL em português, traduz

Melhor ainda: vamos à história. Do porquê Peterson é um hall of famer e, ao mesmo tempo, uma das figuras que você não desejaria ter no seu time no próximo ano. Em 2004, como calouro em Oklahoma, ele já se tornou, na época, o novato melhor posicionado em um Heisman Trophy (perdeu para o saudoso QB Matt Leinart, de USC). Em 2006, ele resolveu se jogar de cabeça na endzone e quebrou uma clavícula (história que já contamos aqui), sendo que nos anos anteriores a “saúde do seu ombro” já tinha levantado dúvidas.

Mesmo sendo considerado um dos melhores jogadores daquele draft (ali, ao lado de Joe Thomas e Calvin Johnson), tendo participado do Combine um dia após ter o meio-irmão assassinado, seis times decidiram que Adrian não valia o risco. Até que o Minnesota Vikings, mesmo contando com o útil Chester Taylor (1504 jardas em 2006), se apaixonou por ele e não deixou a oportunidade passar. Lembrancinha para o draft, também, crianças: só é necessário que um time se apaixone por você.

Como rookie, All-Day fez chover, inclusive batendo o recorde de maior número de jardas corridas em um só jogo contra os pobres Chargers, com 296 jardas em 30 tentativas (SIM ISSO É UMA MÉDIA DE 10 POR CORRIDA). Em 2008, ele já chegava à temporada prometendo que, mais cedo ou mais tarde, correria para 2000 jardas e seria MVP da NFL; conseguiu 1760 em seu primeiro ano como titular absoluto do time, liderando a liga, carregando o time de Tarvaris Jackson aos playoffs (e morrendo na praia rapidinho em duas ou três big plays de Donovan McNabb).

Após dois anos carregando o time nas costas e tendo que receber bolas do medíocre Tarvaris (que futuramente seria campeão do Super Bowl 48 com os Seahawks, rs), em 2009, os Vikings finalmente trouxeram um QB de verdade para liderar o ataque: a lenda do maior rival, Brett Favre. E talvez nada pudesse ser mais mágico.

Mas, obviamente, morrer na praia é, ironicamente, a cara dos Vikings.Contra o New Orleans Bountygaters, todos nos lembramos daquela jogada crucial em que Brett Favre não quis (ou não pôde?) correr: alerta a qualquer pessoa que tem coração: dói.

O sorriso de 18 milhões de dólares.

A criação da lenda

2010 foi um ano merda porque os Vikings não souberam aceitar a aposentadoria de Favre. 2011 foi ainda pior com toda a greve da liga, seguida da mediocridade de McNabb e logo a do rookie Christian Ponder. Se já parecia ruim, 2011 acabou pior ainda: contra Washington, em um tackle normal, daqueles baixos nas pernas (única maneira de derrubar Adrian), ele sentiu o joelho. Rompeu os ligamentos, o tipo de lesão que, se já é difícil para um jogador normal voltar, para um que vive de encarar pancadas parecia praticamente impossível.

Mas 2012 não era um ano qualquer para a história. Lembro tão claramente quanto lembro dos dias seguintes à lesão no joelho, em que ainda tínhamos esperança de que não fosse tão grave quanto um rompimento. O gênio do começo daquele ano se chamava Percy Harvin, não Adrian. Toda vez em que ele recebia a bola do eficiente Ponder, bonitas coisas aconteciam. All-Day, para fechar o trio, era trazido de volta ao seu jogo com um snap count bem administrado.

Entretanto, na metade da temporada, Harvin voltou ao seu antigo problema com lesões (agora com uma lesão no tornozelo e, conta a história, sem a vontade necessária para retornar ao time, o que o fez ser trocado no ano seguinte para o fim da sua carreira). Foi aí SAIU DA JAULA O MONSTRO™. Com uma média superior a 6 jardas por corrida e mesmo sendo o ponto focal do ataque, Adrian carregou Ponder e o time inteiro, novamente, nas costas à última rodada. All-Day tinha 1897 jardas corridas em 15 jogos.

Ali, precisando de uma vitória contra o time de Aaron Rodgers, claramente superior, a mágica que é esperada daquele que foi conhecido como MVP e jogador ofensivo do ano de 2012, aconteceu: 199 jardas, 2 TDs e o recorde de Eric Dickerson mantido por apenas 8 jardas; a vitória que levou o time aos playoffs veio e com ela toda a consagração necessária. Desnecessário lembrar que, no final das contas, o então sólido Ponder machucou o braço e Joe Webb acabou insuficiente para aprontar alguma coisa em Green Bay. E que Peterson só perdeu o “comeback player of the year” porque, bom, Peyton Manning tinha que ganhar algo.

A culpa é sempre dos Vikings?

Não vamos negar: o time roxo do centro-norte dos Estados Unidos tem uma forte tendência ao fracasso. Não tenho nem 10 anos como torcedor deles e já tive decepções para uma vida. E Adrian faz parte delas.

Que ele é um monstro com a bola nas mãos, tem uma visão de jogo invejável e uma combinação de velocidade-força inigualável, ninguém poderá negar. Mas isso não o torna um jogador capaz de ser útil em todas as fases do jogo. Mesmo após prometer ano após ano, em cada training camp, que aprendeu a bloquear e receber passes, são necessárias apenas duas ou três rodadas para saber que, mais um ano, ele falhará nisso. Provavelmente com um fumble crucial aqui e ali.

Além disso, ele não será feliz sendo apenas um auxiliar em algum ataque – hey, pode parecer que já não dá mais, mas Adrian provavelmente ainda acredita que alcançará o recorde de Emmitt Smith (18355 jardas na carreira, em comparação às atuais 11747 de Peterson) e vai querer receber as oportunidades para isso. Mais do que isso, como diz a primeira frase desse texto, ele vai querer ser pago como tal.

E ele pode falar o quanto quiser de Super Bowl, mas não acredito que seja essa a sua grande prioridade. Futuros empregadores: cuidem com os detalhes.

O polêmico Adrian Peterson

O Deus estava criado, mas as conquistas coletivas não haviam chegado. 2013 veio e se foi e, em meio ao fracasso de Christian Ponder, Josh Freeman, Leslie Frazier, Bill Musgrave (sim, o atual mago dos Raiders) e alguns demitidos mais, a temporada passou rápido. Também em 2013, um filho que Peterson não conhecia, aproximadamente da mesma idade de Adrian Peterson Jr (o filho que ele tem com sua esposa), foi assassinado pelo padrasto.

A exemplo de 2011, lembro bem do drama de 2014. Os Vikings tinham novamente um QB novato, muita esperança e vontade de contar com seu HOFer para facilitar as coisas para Teddy Bridgewater. Depois de uma bela estreia do time de Mike Zimmer, surrando os então St Louis Rams, Peterson não apareceu no treino na semana seguinte; poucas horas depois, foi anunciado que Adrian estava sendo indiciado por maltrato de menor e não jogaria a segunda semana. No fim das contas, ele não voltaria mais em 2014.

Em uma comunidade já revoltada com as atitudes de Ray Rice e o seu vídeo no elevador, o mesmo TMZ conseguiu e postou fotos do que Adrian, conhecido por ter o aperto de mãos mais forte da NFL e fazer coisas como isso, fez com um de seus filhos quando este foi visitá-lo por alguns dias em Minnesota. Para tentar ser o mais breve possível, uma surra com vara por todo o corpo do garoto – de acordo com ele, o mesmo que ele sofria quando não se comportava de criança.

Como essa história acabou? Com um aumento. Depois de ficar um ano inteiro sem jogar, suspenso ao lado de figuras como Rice e Greg Hardy (na “lista de exceção do Comissário da NFL”), tudo o que Peterson tinha a dizer era que se sentiu traído porque os Vikings não ficaram ao seu lado naquele momento complicado.

Após declarações do nível “a NFL na verdade é um modo de escravidão moderno” em referência ao poder que os times têm em relação a contratos garantidos/não garantidos, como pedido de desculpas, Rick Spielman e Mike Zimmer foram buscar Adrian Peterson em sua casa, no Texas, pedir para que ele voltasse e “corrigindo” seu contrato, adicionando dois anos mais de salários garantidos (um total de 27.4 milhões de dólares), com os quais All-Day voltou feliz a ser um Viking – talvez sempre tivesse sido sempre sobre dinheiro?

Just another day.

Voltando ao “normal”?

2015 foi novamente um ano típico para Adrian (liderando o ataque de Minnesota e a liga em jardas e TDs), voltando aos playoffs ao lado de Bridgewater – e, não fosse por Blair Walsh (e, ADIVINHA, um fumble crucial de Peterson), talvez o Vikings tivesse ido mais longe.

Já 2016, não foi típico de uma maneira boa. Após o time perder Teddy para a temporada em uma lesão bizarra nos treinamentos, novamente se contava com todo o poder do running back para que o ataque pudesse ajudar um pouco a poderosa defesa, foco do time.

Contra Tennessee, na primeira rodada, algo não encaixou e Adrian correu para uma média de 1.6 jardas por corrida. Contra os Packers, na inauguração do seu novo estádio, essa média se repetiu até que ele machucasse o joelho. Tudo bem que talvez a de 2016 tenha sido a pior linha ofensiva da história de Minnesota, mas já lhe vi fazendo coisas incríveis com Ryan Cook, Anthony Herrera e Vlad Ducasse “abrindo” espaços. Mesmo sem o craque do time, os Vikings tiveram o incrível começo que vimos; em seguida a ainda mais surpreendente decadência.

Então, sem que o time tivesse chances de playoffs, Adrian mostrou toda a sua competitividade e comprometimento com os companheiros e deu o tradicional “migué”, mesmo recuperado da lesão: voltou contra os Colts, na rodada 16, correu para 22 jardas em 6 corridas e voltou a sentir o joelho. Naquele que provavelmente foi seu último jogo vestindo roxo.

É preciso especular

Com tudo isso resumido, como vai o desejo em ter Adrian no seu time? Ainda que a idade possa bater a qualquer momento (ou talvez já tenha batido, não temos certeza), o seu corpo biônico também pode simplesmente voltar e produzir mais algumas temporadas de 1000 e poucas jardas. Ele já não é mais o MVP ou o melhor RB da liga como foi outrora (especialmente em meio a jogadores completos como LeVeon Bell e David Johnson).

Seu desejo original seria voltar ao Texas, como repetiu e flertou tantas vezes com Jerry Jones. Entretanto, com Lamar Miller e Zeke Elliot com opções por ali, lhe faltaria o espaço necessário. Giants e Raiders são opções faladas, mas estas têm um problema grave: Peterson não sabe correr da formação shotgun (3 WRs; QB posicionado ao lado do RB), muito utilizada por estes dois times em que o passe é prioridade.

Entre os times em que a formação seria mais adequada a ele, estariam Patriots e Packers, acostumados aos trombadores Lacy e Blount. Entretanto, estes são times que certamente não abrirão os cofres da maneira que ele gostaria, o que dificulta as negociações.

É inegável que, mesmo que decadente, Peterson ainda seria um upgrade para metade da NFL; entretanto, o draft também tem uma quantidade absurda de opções muito mais baratas. E, apesar de que a sua prioridade seja inflar números e solidificar-se como a lenda que é, é difícil imaginá-lo jogando em Cleveland ou San Francisco.

Então talvez, no final da história, Adrian volte e encerre a carreira nos Vikings, por duas razões: no final das contas, Minnesota será o time que aceitará pagar uns 8,5 milhões de dólares anuais para ele e, como uma velha ex-namorada, o único a aguentar toda sua chatice. Com sorte, ele também volte grato e disposto a dividir oportunidades com McKinnon e algum outro jovem – obviamente há de se duvidar, mas um torcedor pode ter esperanças, certo?

A dura realidade daqueles que não são facilmente iludidos

Começo a escrever no momento do segundo TD lançado pelo rookie Carson Wentz, em um jogo horroroso dos dois ataques (ou incrível das duas defesas, como você preferir), com trezentos turnovers para cada lado. Espero que, quando estiver chegando ao fim, possa comentar sobre uma virada incrível. Enfim, parece cada vez mais difícil, então falemos um pouco mais sobre de onde esse time saiu e perceberemos que a simples existência do 5-0 atual já é algo incrível.

Lembro bem quando conheci o Minnesota Vikings: aquela derrota deprimente para o New Orleans Saints – estaria torcendo contra qualquer time que jogassem contra eles, estava cansado de todo o hype em volta do time. Mas entre Brett Favre mito (mesmo que ele tenha lançado aquela interceptação na qual DEVERIA TER CORRIDO) e um nome legal (além de eu ser um tradicionalmente trouxa em escolher times para torcer) e mesmo após ter flertado com alguns times na intertemporada de 2010 (minha campanha no Madden no PC com o Detroit Lions foi espetacular), lá no fundo foi amor a segunda ou terceira vista.

Lembro também de ter acompanhado ansioso a visita de Jared Allen, Ryan Longwell e Steve Hutchinson a Favre em alguma fazenda no Mississippi (é fácil imaginar os três chegando a cavalo em uma daquelas plantations de filme) para convencê-lo a voltar – pior, torcendo muito que ele voltasse logo. Certo mesmo estava Allen que, recentemente, junto com sua também recente aposentadoria, aproveitou para contar que, na verdade, ele foi ao Mississippi para aconselhar Brett a não voltar a jogar – o que o quarterback infelizmente não seguiu, voltando para uma última temporada fracassada, que teve como seu ponto alto uma partida de terça-feira com Joe Webb. Contra o Eagles. O mesmo Eagles que estã chegando na redzone novamente e, bem, acho que hoje não vai dar.

De qualquer forma, o período pós-Favre trouxe, como a cartilha da NFL manda, novo head coach (Leslie Frazier) e novo quarterback (Christian Ponder). Foram três anos de, como manda a cartilha dos Vikings, novas decepções. Até houve uma época que tivemos um tal running back que foi MVP da liga, antes de voltarmos a Joe Webb nos playoffs (nunca esqueçamos) e perdermos. Foi a única vez que o time chegou nas fases finais da liga entre 2010 e a chegada de Mike Zimmer.

Mestre dos magos.

Mestre dos magos.

Um pouco sobre Mike Zimmer

Zimmer é uma das grandes histórias de injustiças que a NFL produziu. Se diz que, mesmo após ter produzido grandes defesas nos Cowboys, onde se tornou discípulo de Bill Parcells, sempre pedindo conselhos ao lendário treinador, e nos Bengals (além de uma grande entrevista no seu breve tempo de Falcons, em meio a polêmicas com Michael Vick preso e Bobby Petrino, o treinador chamado de “gutless motherfucker”, abandonando o barco), ele nunca recebeu uma oportunidade como head coach porque era sincero demais nas entrevistas – sua participação no Hard Knocks é um show à parte.

Até que Rick Spielman, o GM do time, resolveu dar uma chance e tentar mudar a cultura do time, que teve uma das piores defesas do ano de 2013 e, além disso, tinha problemas disciplinares a cada semana (ou pelo menos parecia assim) – aqui incluímos todo o drama de Adrian Peterson e seu filho que atrapalhou muito o time logo no começo de 2014. E funcionou.

A defesa de Zimmer

Anthony Barr, Harrison Smith, Linval Joseph, Everson Griffen, Xavier Rhodes e muitos mais que facilmente seriam titulares em qualquer equipe da NFL. Todos são grandes nomes por si só, já mais ou menos estabelecidos, e merecem crédito por serem simplesmente craques. Mas mais do que isso, seu denominador comum é: são frutos da espetacular parceria entre Mike Zimmer e Rick Spielman na sua aquisição.

Dos hoje ‘14’ titulares (considerando nickel e rotações na linha defensiva) dessa defesa, somente Andrew Sendejo, que chegou em uma época que Spielman ainda não era o chefe-mor do time, e Chad Greenway e Brian Robinson não foram trazidos por Spielman, seja via draft (com sua tática sagrada de buscar 10 escolhas por ano), via free agency (como as aquisições de Linval Joseph, um monstro no miolo da defesa, ou Terrence Newman, que parece melhor a cada ano que passa) ou ainda via renovações duvidosas a princípio, mas que se confirmaram indiscutíveis, como Everson Griffen.

E ao que Rick Spielman traz, cabe a Mike Zimmer produzir. E o treinador, que já tinha feito isso em Cincinnati, continua tirando o máximo dos seus jogadores, como Xavier Rhodes e Trae Waynes, a quem lhes botavam dúvidas sobre serem muito dados às pass interference nos tempos de universidade e hoje têm anulado WRs como Kelvin Benjamin e Odell Beckham, ou Anthony Barr, que tinha apenas dois anos de experiência como LB, mas joga desde sua chegada como um veterano, produzindo em todas as fases do seu jogo.

Ponte para o futuro

Depois de anos difíceis com Christian Ponder, a lógica também apontava que Minnesota precisava de um franchise quarterback legítimo. Lembro bem também desse dia, já que desisti do primeiro round do draft quando Johnny Manziel foi selecionado, acreditando que os Vikings acabariam sem um QB de alto nível naquele ano. Para então, na madrugada, na última escolha, Rick Spielman fazer de suas mágicas e acabar com Teddy Bridgewater, que durante toda a temporada de 2013 era apontado como o melhor QB da classe, antes de acabar perdendo posições por não aparecer bem nos combines e afins pré-draft.

Obviamente, quando ele parecia o homem a dar o passo seguinte, superando as deficiências de rookie e se cimentando como um QB de alto nível, e assim dar uma ajudinha a essa defesa incrível montada (que apesar da derrota contra Wentz e companhia, continua se mostrando imbatível se o ataque colaborar), sofreu uma lesão bizarra, sozinho, em um lance normal de treino, para o desespero de todos.

Até que Sam Bradford entrou em seu lugar. Já falamos demais sobre Sam Bradford e, na verdade, até este domingo, ele estava indo além das melhores expectativas. Infelizmente, nenhum turnover, mesmo com a sua proteção destruída, não era algo que se manteria – e com a atuação horrível na última semana, não acho que ele esteja merecendo muitas palavras mais da minha parte. Pelo menos, considerando que os Bears ajudarão o time a voltar ao normal (curaram até Aaron Rodgers!), Bradford é a melhor opção para comandar o ataque dos Vikings e rezamos para que ele consiga seguir saudável – mesmo com essa proteção horrenda.

Lançando umas bolas enquanto aguardo um raio-x preventivo.

Lançando umas bolas enquanto aguardo um raio-x preventivo.

O que ainda podemos esperar

Já temos confirmada a primeira derrota dos Vikings. Inclusive, já temos também confirmadas as entrevistas REVOLTADAS do treinador Zimmer sobre a atuação do time – uma bosta completa, em resumo, especialmente a linha ofensiva, que ele chamou de “soft” e disse estar cansado de desculpas. Isso, lembrando, em entrevista à imprensa. Imagine que delícia deve ter sido o clima no vestiário.

Pelo menos a atitude de Zimmer dá a segurança de que o time dará a volta por cima (ano passado, depois de cada jogo complicado parecia vir um jogo de assertividade, como estava acontecendo entre o primeiro e segundo tempo esse ano). Mais do que isso, é importante atentar-se de que o grande questionamento está sobre o ataque (e algo sob os special teams, que não podem dar os vacilos que deram) – a alma do time, a defesa, continuou jogando bem contra os Eagles e cedeu somente 13 pontos (seguindo com a melhor média da NFL), mesmo estando pressionada o tempo inteiro pelos erros constantes do ataque.

O que o histórico aponta? O que podemos esperar para os próximos 10 jogos? Vamos listar, para depois sermos cobrados:

  • A defesa de Mike Zimmer seguirá dominante e ganhará pelo menos mais 6-8 jogos para Minnesota;
  • Sam Bradford ainda irá, infelizmente, se machucar (porque certamente não será Jake Long a solução para nossa odiável linha ofensiva) – nem que seja por excesso de raios-x preventivos;
  • Blair Walsh errará muito mais chutes do que deveria;

E os Vikings chegarão, apesar de todos os pesares, com moral aos playoffs, apenas para acontecer algo bizarro e, novamente, morrer na praia. Ou pior, ao Super Bowl, para que a dor e sofrimento sejam maiores ainda. Porque é isso que acontece quando se tem esperança com esse time: algo sempre dá muito errado.

Cheios de esperanças, mas sabemos como isso acaba em Minneapolis

Alerta: texto cheio de esperança clubista. O editor não pode me controlar. Esse time vai para o Super Bowl, queira Blair Walsh ou não.

Obviamente, a menos que você seja um torcedor dos Browns, nessa época da temporada qualquer um acredita que o seu próprio time irá fazer o que os Patriots de 2007 não foram capazes: ganhar todos os jogos e se consagrar campeão da NFL.

Com os Vikings, a história não seria diferente. É a terceira temporada do HC Mike Zimmer e do QB Theodore Edmond Bridgewater II no comando do time e eles vêm do primeiro título da NFC North desde o ano mágico propiciado por Brett Favre em 2009. Sim, lembro como ele acabou. Falemos de desgraças em breve.

Para somar a tudo isso, depois de dois anos jogando no frio estádio da Universidade de Minnesota, o time inaugurará sua nova e belíssima casa de vidro, sede do Super Bowl LII, no segundo Sunday Night Football da temporada já contra o maior rival e principal adversário pelo título da divisão, Green Bay. E o retorno a um estádio fechado como casa deve trazer benefício para as duas principais armas do ataque, o quarterback Bridgewater e o running back Adrian Peterson, que tem números bem melhores quando não estão expostos às intempéries.

O que realmente importa para o treinador: a defesa

Mike Zimmer foi coordenador defensivo por quase 20 anos antes de ter a sua primeira oportunidade como treinador principal de uma equipe e, até por isso, não deixou suas raízes no passado. Ele, em conjunto com bons drafts realizados pelo GM Rick Spielman, pegou uma defesa que era a última em pontos concedidos em 2013 e a transformou em uma defesa top 10 – com sérios argumentos para desafiar defesas como a dos Broncos ou dos Seahawks como melhor defesa da NFL.

E tudo começa com o domínio nas trincheiras. Everson Griffen tem valido cada centavo do contrato de 42.5 milhões de dólares assinado em 2014 e é presença constante na cara dos quarterbacks adversários, enquanto Danielle Hunter (6.5 sacks em tempo limitado como rookie) parece a alternativa do futuro para pressionar pelo outro lado. O meio da linha é ocupado por Linval Joseph e Sharrif Floyd, que estão acostumados a dominar dois bloqueadores sozinhos quando saudáveis (12 e 13 partidas jogadas ano passado respectivamente, e ainda assim figuraram entre os melhores da posição de acordo com o site PFF).

No back seven o time conta com suas duas maiores estrelas: Anthony Barr (All-Pro de acordo com o mesmo PFF) e Harrison Smith (que assinou o contrato mais caro de um safety da NFL, valendo mais de 10 milhões por ano). Também é nessa área que se encontram três importantes dúvidas: Trae Waynes (uma interceptação como rookie, no jogo dos playoffs) precisa conquistar seu espaço e tomar a posição do veteraníssimo Terrence Newman; a competição pelo posto de terceiro linebacker, para acompanhar Barr e Eric Kendricks (que pode ser quase ignorada, considerando que o time está mais da metade do tempo na formação nickel, com 3 CBs e somente dois LBs); e a aparentemente eterna busca por uma dupla minimamente decente para Smith na posição de safety (o mais provável parece ser Michael Griffin, de 31 anos, pro bowler em 2010).

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Mike Zimmer feliz (ele nunca está feliz).

O treinador que pode estragar tudo: Norv Turner

No começo de 2015, muito se falou do quão importante seria esse time depender cada vez menos das capacidades de Adrian Peterson e deixar o jogo nas mãos de Teddy Bridgewater, já que ele é (e precisa provar ser) realmente o futuro desse time. Não foi o que se viu. Mais do que isso, o coordenador ofensivo Norv Turner, talvez o grande responsável pelo ataque que ficou na 29ª posição em jardas totais em 2015, seguiu limitando as jogadas ao tradicional run, run, pass (que frequentemente traz situações claras de passe no 3rd down e assim mais pressão) e insistindo em correr da formação shotgun, que não favorece as capacidades do MVP de 2012.

Com as oportunidades limitadas, as estatísticas de Bridgewater não saltam aos olhos. 17 TDs totais para 12 turnovers são números bem medíocres, especialmente se comparado aos seus dois principais companheiros de draft, Blake Bortles e David Carr, que lançaram mais de 30 touchdowns cada. Ainda assim, outras métricas trazem esperança para os fãs do ex-QB de Louisville como, por exemplo, seus quase 80% de passes completos ajustados (um cálculo da PFF que exclui drops e passes desviados na linha de scrimmage).

Outra razão para a baixa produtividade de Bridgewater também foi a proteção recebida por parte da linha ofensiva – ruim a ponto de o técnico de linha ofensiva Jeff Davidson ter sido demitido na segunda-feira seguinte à derrota nos playoffs. Para o seu lugar, Mike Zimmer trouxe o ex-head coach dos Dolphins, Tony Sparano. Também foram trazidos dois novos jogadores, o RT Andre Smith e o LG Alex Boone (o único com a titularidade assegurada pelo treinador), que já tiveram grandes temporadas apesar de não terem jogado seu melhor em 2015.

Além deles, Minnesota também espera contar com um Matt Kalil motivado pela busca por um novo contrato e pela primeira offseason sem cirurgias desde a sua primeira temporada (na qual jogou em alto nível) protegendo o lado cego de seu QB. Nas demais posições, a promessa é de uma competição intensa durante o training camp entre diversos jogadores (C Joe Berger, RG Brandon Fusco, RT Andre Smith – como palpite de vencedores) mesmo com o anúncio de aposentadoria do gigante RT Phil Loadholt, devido a uma lesão no tendão de Aquiles.

Teddy também contará pela primeira vez em sua carreira com uma grande gama de bons alvos no ataque aéreo: o retorno de Stefon Diggs (primeiro rookie a ter pelo menos 87 jardas em seus primeiros quatro jogos na NFL) à titularidade é garantido e o recém-draftado Laquon Treadwell deve causar impacto nas suas primeiras semanas na liga especialmente em rotas intermediárias, as favoritas de Bridgewater. Também fica a esperança de temporadas saudáveis para o TE Kyle Rudolph, um alvo importante especialmente na endzone, e para o WR Charles Johnson, alvo favorito de Teddy em sua época de rookie. Ainda há Cordarrelle Patterson como última incógnita, jogando por um contrato essa temporada (os Vikings optaram por não ativar a opção automática de um quinto ano a que teriam direito), que será muito maior se ele se mostrar uma opção no jogo aéreo além de um grande retornador.

Por último, no jogo corrido, além da presença óbvia e importante de Adrian Peterson, que dispensa apresentações, fica a curiosidade pelas oportunidades que pode receber o jovem running back Jerick McKinnon, que demonstrou qualidade quando teve a titularidade em 2014 (enquanto Peterson estava suspenso) e manteve uma média de 5.2 jardas por corrida nas poucas oportunidades que teve em 2015, talvez iniciando uma lenta transição no time, já que All-Day pode parecer eterno, mas fez 31 anos em março e tem 18 milhões de dólares a receber em 2017 – que talvez Rick Spielman acredite poder ser investido melhor em outras áreas no time.

Discutindo quem vai ser o dono do time em 2016.

Discutindo quem vai ser o dono do time em 2016.

Blair Walsh

Impossível querer fazer uma análise completa do time e ignorar os special teams. Blair Walsh, VAI TOMAR NO CU! ATÉ O IDIOTA DO CORDARRELLE PATTERSON ACERTAVA AQUELE CHUTE! E já passou da hora de você tomar o rumo para o buraco do qual você saiu, Jeff Locke (30º punter da NFL em jardas netas, holder que segurou a bola de maneira incorreta para aquele chute do Walsh). Seu corno.

Palpite: Teddy lança para 21 TDs, exatamente ¼ do que lançarão Carr, Bortles e Garoppolo somados, mas ele pelo menos vai para os playoffs. 13-3 e mais um título da NFC North para decorar o novo estádio, no qual o time vencerá todas as partidas. Alguma desgraça acontecerá pelo caminho porque é assim que as coisas funcionam para os Vikings, mas sinceramente não quero me esforçar para prevê-la e antecipar o sofrimento.

O desastre aconteceu

Como já deve ser conhecimento geral, aproximadamente uma hora após esse preview ser publicado, a temporada dos Vikings sofreu um forte golpe: Teddy Bridgewater se machucou sozinho num treinamento, deslocando o joelho e rompendo ligamentos. Apesar do susto das primeiras horas, em que sua carreira parecia ameaçada, as primeiras notícias indicam que Teddy não sofreu danos em nervos e artérias e, apesar de estar fora da temporada, estará de volta em 2017.

Seu substituto, a princípio, apesar das muitas especulações que deverão surgir nos próximos dias, será o veterano Shaun Hill. Ele dificilmente chegará próximo do desempenho de Teddy, mas terá o apoio do jogo corrido e conseguirá ajudar a defesa a ganhar partidas, especialmente enquanto proteger bem a bola. Obviamente as grandes expectativas de Super Bowl que o time tinha foram pelo ralo, mas uma boa campanha ainda parece possível nas costas de Peterson (palpite: no mínimo 400 corridas) e cia – e como disse Mike Zimmer, o sol voltará a nascer amanhã.