Status: em um relacionamento sério com a mediocridade

09/set/16


Pela primeira vez desde 2002 (quando foi criado o Texans, devolvendo uma franquia da NFL a Houston), temos um “novo” nome na liga. Aspas porque, na verdade, 2016 marcará a o retorno dos Rams a Los Angeles, cidade que deixaram em 1994 e que, na época, dividiam com os Raiders.

Em St. Louis, a franquia conquistou seu primeiro Super Bowl (em um jogo contra os Titans que acabou com The Tackle), com o “The Greatest Show on Turf”, um dos ataques históricos da NFL, liderado por Kurt Warner, duas vezes MVP da liga em St. Louis. Entretanto, nos últimos 10 anos pelo menos, a franquia já não conseguia o mesmo sucesso de outrora, o que só diminuía o interesse da torcida.

Além disso, dois nomes foram muito importantes para esta mudança (ou retorno) do time: Edward Jones e Stan Kroenke. O primeiro é o estádio, de propriedade da cidade de St. Louis, que já não cumpria os requisitos para manter-se como um dos melhores da liga, o que abriu a possibilidade da quebra de contrato de aluguel. Já o segundo é o homem que se tornou dono majoritário do time em 2010, um grande empresário da área de construção e especulação imobiliária, que em 2014 comprou um terreno em Los Angeles com planos de construir um novo estádio – tendo time ou não.

O único grande problema da nova velha cidade é o batido motivo pelo qual Raiders e Rams a abandonaram em um primeiro momento: se saíram de St. Louis porque o povo já não estava tão interessado na equipe, tudo leva a crer que esse não será um problema resolvido em LA.

A cidade já está dividida entre os outros três times da Califórnia e é tão cosmopolita que tem torcedores de provavelmente todos os times do país vivendo nela – tanto é que os verdadeiros torcedores do Rams já devem estar preparados para disputar ingressos e gritos contra os adversários.

Sobre chegar causando impacto

Jared Goff será um dos maiores busts da história da NFL e não consigo escrever isso sem cogitar quebrar a tela do notebook com minha própria testa. Pese ainda o fato de que o Los Angeles Rams gastou meia dúzia de escolhas para selecioná-lo, o que só torna tudo ainda mais absurdo – você até pode tentar justificar a decisão, alegando que não é possível chegar em uma nova cidade com Nick Foles como seu quarterback, mas convenhamos: Jared Goff está longe de ser a resposta.

De qualquer forma, aclamado como o QB do futuro dos Rams, estabeleceu-se que Jared iria ser o ponto do crescimento do Rams em algum momento da temporada – nunca no início. É, claro, preciso dar o benefício da dúvida, mas infelizmente já vimos Goff em campo, mesmo que durante a pré-temporada, este período tão relevante quanto o elenco de apoio da nova novela das seis.

Mesmo assim, dos três QBs do Los Angeles Rams, Goff foi de longe o pior. Foi pior que Case Keenum e outro cidadão que mal lembramos o nome. E não nos referimos apenas a questões técnicas, mas, sobretudo, inteligência e tomada de decisões: além de tudo, Goff parece extremamente burro.

Podemos estar sendo exigentes e até certo ponto cruéis demais, afinal, se adaptar à NFL é algo extremamente complexo – e você precisa fazer isso enquanto um projétil humano de 180kg mira seu tórax. Sim, adaptação é sempre uma questão tensa para quarterbacks rookies mas, bem, nem todos eles custam seis escolhas de draft para sua equipe.

Por que cês fizeram isso, caras?

Por que cês fizeram isso, caras?

Vamos supor que Jared Goff não feda

Até aqui é nítido que Case Keenum iniciará a temporada como QB titular dos Rams, mas assumir que Keenum é um projeto a longo prazo seria o mesmo que casar com a mediocridade. E não se investe tanto em uma escolha se não se pretende usá-la, não é? Então vamos supor que Goff consiga se adaptar com certa velocidade, apesar das dificuldades habituais: seu melhor wide receiver será… Tavon “30 milhões” Austin.

Os Rams, aliás, tiveram um dos piores núcleos de recebedores da NFL em 2015. O próprio Austin tem sido uma decepção, considerando que foi uma escolha top 10 em 2013. E, bem, se você vê algum valor em Kenny Britt ou tem um excelente coração ou está alucinado (ou ambos).

O fato é que tudo leva a crer que em vez do futuro de uma franquia, o Rams encontrou, na verdade, um novo Sam Bradford – uma figura já quase terna, encoberta em um passado que, embora se negue, eles devem sentir muita saudade. O que basicamente resume a situação atual.

O que realmente importa neste ataque

Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley.

Só eu presto.

Só eu presto.

Jeff Fisher e a mediocridade

Jeff Fisher é medíocre. Fisher já teria sido demitido de 30 times da NFL. Talvez tivesse muletas para sobreviver nos Browns e, sabe Deus como, ainda sobrevive no Rams.

Há duas verdades inexoráveis sobre o Rams de Fisher: eles irão terminar a temporada com um 8-8 ou, na pior das hipóteses, um 7-9. Eternamente, enquanto Jeff Fisher for seu head coach. E irão vencer o Seatlle ou Arizona, em algum jogo completamente sem sentido, que lhes dará alguma falsa esperança em algum momento aleatório da temporada.

De todo modo, quando olhamos para o que foi este ataque na temporada passada, compreendemos o tamanho da desgraça. Era um time que não tinha a menor ideia do que estava fazendo ou buscando. O que torna tudo ainda mais triste é que temos certeza que, um par de anos atrás, o Rams teve a chance de se tornar relevante. Houve esta janela de tempo, onde eles tinham algum talento, uma boa defesa e inúmeras escolhas: Fisher então pautou a reformulação da equipe através da negociação de Robert Griffin III, que abasteceu o Rams com as ótimas escolhas de draft por três ou quatro anos.

Mas nada minimamente decente aconteceu e todas estas escolhas, somadas a movimentos “certeiros” na free agency, conduziram o Rams exatamente a uma média de zero vitórias a mais do que antes da clássica negociação.

O currículo de Jeff Fisher apenas corrobora nossa tese: são 20 temporadas completas como head coach e, se em apenas duas delas, equipes sob seu comando terminaram com menos de seis vitórias, também vale lembrar que em 12 delas os pupilos de Jeff acabaram com recorde entre seis e nove vitórias.

Jeff Fisher é isto, amigos: se lhe dá a certeza que raramente você será péssimo, também está no contrato que você nunca deixará de ser medíocre.

O lado não tão ruim

Se a situação do ataque é desanimadora e soa compreensível que o Rams entregue a bola para Gurley (provavelmente o melhor RB desde… Adrian Peterson?) e confie em sua defesa. O porém é que se um dia ela flertou com as melhores da liga, hoje o futuro é incerto.

O CB Janoris Jenkins rumou para os Giants com um contrato de mais de US$60 milhões, então agora será preciso encontrar alguém que preencha este espaço para atuar ao lado de Trumaine Johnson. E. J. Gaines, selecionado na sexta rodada de 2014 e que impressionou em seu primeiro ano, deve ocupar esta lacuna – ele, porém, perdeu toda a temporada de 2015 devido a uma lesão.

Outra perda na secundária será Rodney McLeod, que assinou com o Eagles. Ainda não se sabe quem atuará ao lado do S T. J. McDonald, possivelmente um dos melhores nomes da posição.

A saúde do DE Chris Long, que perdeu 14 jogos nas últimas duas temporadas, é outro ponto incerto para colaborar no pass rush ao lado do monstro Aaron Donald, o único que parece capaz de fazer frente à JJ Watt na disputa por melhor jogador defensivo da atualidade (e ele está apenas em seu terceiro ano!), especialmente em relação às famosas avaliações dos caras da PFF.

Em um cenário ideal, as peças de reposição irão se encaixar naturalmente em um sistema já consolidado, mas sabemos que isso é difícil de acontecer. Ao menos a boa notícia é que James Laurinaitis, um dos piores linebackers que já pisou em um campo de football, não está mais entre eles – que Deus o tenha.

Palpite: o importante é ser fiel aos compromissos que um dia você assumiu e ao assinar com Jeff Fisher o Rams se comprometeu a terminar 7-9 ou 8-8 e iludir seus fãs com uma atuação espetacular aleatória contra Cardinals ou Seahawks. De qualquer forma, quanto antes aceitarem que Jared Goff é absurdamente burro, antes poderão planejar a próxima grande besteira que farão em um futuro não tão distante.

 

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