Será que ainda restam esperanças sem Calvin Johnson?

29/ago/16


A verdade é que quando há uma pergunta no título inicial de um texto, a resposta dela é normalmente um grande e definitivo não. Entretanto, a resposta para a pergunta destas linhas mal escritas é: pô, não havia vida nem com ele – ao menos não muita.

Matt Stafford parece destinado a ser um quarterback eternamente razoável com um braço incrível, Jim Caldwell fez o seu nome na NFL graças ao brilhantismo de Peyton Manning e a defesa não é capaz de parar uma Hail Mary de 63 jardas no último lance de um jogo que garantiria um sweep sobre o Green Bay Packers pela primeira vez em aparentemente nunca.

Além disso, Martha Firestone Ford (neta dos fundadores da Firestone, casada com um descendente do próprio Henry Ford), a dona de 90 anos do time, demitiu o presidente e o GM no meio da temporada, quando o time chegou a uma campanha de 1-7, a pior da NFL, com direito a um discurso apaixonado falando da necessidade de mudança de cultura dentro do time, que nunca sequer chegou a um Super Bowl (e à final da NFC somente uma vez, há 25 anos).

E já que estamos falando da cultura de derrota impregnada no time de Detroit, é válido lembrar que o caso de Calvin Johnson não é exatamente inédito para os leões. Barry Sanders, provavelmente o melhor running back da sua geração, um dos sete únicos na história a correr para mais de 2000 jardas (em 1997), se aposentou aos 31 anos com quatro anos restantes de um contrato de 35 milhões de dólares, possivelmente porque estava cansado de jogar em um time que não tinha grandes ambições ou capacidades; os Lions ganharam apenas um jogo de playoff durante sua carreira – inclusive, o único jogo de pós-temporada ganho pelo time na NFL moderna. Não valia a pena arriscar sua saúde por tão pouco.

O copo meio cheio

A segunda metade da temporada, com uma campanha de 6-2 (sendo uma das derrotas aquela bizarrice contra Green Bay), dá razão a qualquer torcedor que queira ter esperança nesse time; pelo menos mostra que talvez Jim Caldwell e Matt Stafford tenham capacidade de liderar e se motivar mesmo quando jogando “por nada”.

Além disso, o time ainda tem bons jogadores dos dois lados da bola. O genioso Golden Tate (lembre-se, ele e Percy Harvin brigaram no vestiário do Super Bowl 48) continuará sendo o alvo de segurança para o quarterback (189 recepções nos últimos dois anos), enquanto Ahmeer Abdullah (maior número de jardas em retornos de kickoff em 2015) mostrou potencial suficiente para ser o dono do backfield do time essa temporada. A linha ofensiva também promete ser melhor, com o novo draftado Taylor Decker cobrindo o lado cego de Stafford, enquanto o G Larry Warford deve voltar a seu desempenho de 2014.

Do outro lado, Detroit tem alguns candidatos a All-Pro. Ziggy Ansah segue sua evolução enquanto aprende cada vez mais sobre a posição de defensive end, demonstrada pelos seus 14.5 sacks no ano passado, que só prometem aumentar; Darius Slay, depois de uma campanha fraca como rookie, jogou como um legítimo shutdown corner em 2015; e o linebacker DeAndre Levy estará de volta nessa temporada depois de perder 15 jogos da passada.

Acima disso, essa defesa é comandada pelo coordenador defensivo Teryl Austin, provavelmente um dos melhores da liga, inclusive parecendo destinado a um trabalho como head coach em breve.

lions defense

A grande razão de esperança é maltratar os QBs adversários até eles ficarem piores que Stafford.

Quem sabe um copo não tão cheio assim

Apesar de alguns bons pontos, a situação não é nada boa. A primeira dúvida facilmente apontada é se Matthew Stafford capaz de continuar produzindo sem o seu principal alvo. Claro, o rating próximo a 100 do quarterback na temporada pode parecer uma clara indicação de que ele está finalmente chegando ao alto nível na posição, mas se o próprio Aaron Rodgers sofreu na temporada passada sem Jordy Nelson (que não chega perto do nível hall of famer de Calvin Johnson), parece nebuloso o futuro do ataque aéreo de Detroit, por mais que Matthew siga lá produzindo suas 4500 jardas e 25 TDs – em contrapartida, podem aumentar o número de turnovers e ampliar a pressão sobre a defesa, já que o ataque fica menos tempo em campo. E não, por mais que seu contrato de 40 milhões de dólares pareça indicar o contrário, Marvin Jones não tem qualidade suficiente para substituir Calvin à altura.

Ainda como opção para a saída do Megatron, os leões trouxeram o veteraníssimo e sempre confiável Anquan Boldin (apesar dos 35 anos, 371 targets e 3026 jardas recebidas nos últimos três anos pelos 49ers), mas que também já parece destinado a fazer a curva e tornar-se apenas mais uma lenda que se arrasta em campo há alguns anos (pode continuar surpreendendo, mas mais cedo que tarde sua hora deve chegar).

A linha ofensiva, apesar da promessa de melhora, foi especialmente problemática em 2015. Os jogadores Riley Riff e Laken Tomlinson, ambos escolhidos no primeiro round do draft, além do center Travis Swanson, jogaram muito mal no ano passado, e não há exatamente um prospecto de grande melhora entre eles – e o único reforço trazido para a área foi Geoff Schwartz que, apesar de talentoso, tem passado mais tempo no departamento médico do que em campo.

Além disso, a defesa continua a perder peças importantes sem conseguir repô-las. Desde a dupla Suh e Fairley, dois monstros do interior da linha defensiva, que se foram e não foram repostos, criando um vazio no meio, até jogadores complementares importantes como Jason Jones, que jogava do outro lado da linha e aproveitava as oportunidades abertas por Ansah, e Abdul-Quddus, que fazia um bom trabalho na parte traseira da secundária, não houve reposição no mesmo nível.

Megatron fazendo milagres para ajudar Stafford? Não mais.

Megatron fazendo milagres para ajudar Stafford? Não mais.

Talvez o copo esteja vazio

Quando se quer analisar as expectativas para a temporada de um time, além dos 22 titulares, é inevitável observar os principais adversários do time no caminho para os playoffs. E os Lions estão na divisão mais difícil da conferência nacional, quiçá da NFL. Vikings e Packers foram aos playoffs na temporada passada e parecem destinados a jogá-los novamente esse ano; além disso, os Bears se reforçaram muito e também parecem candidatos a ter mais vitórias do que derrotas. O time também terá em seu calendário a cada dia mais forte AFC South, que deverá criar grandes dificuldades.

Palpite: 5-11, Jim Caldwell na corda bamba (talvez demitido; se não, vai ser apenas uma preparação para ser demitido em 2017) e Marvin Jones com o título de bust dado pela imprensa antes da metade da temporada. Vitórias contra Eagles e Rams darão uma sensação de AGORA VAI, mas daí para frente restará aquele sofrimento tradicional.

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