O caminho até aqui, parte 2: já chegamos à metade da temporada

04/nov/16


E já chegamos à metade da temporada. Passando rápido, não é? E nunca parece que dá tempo de acompanhar tudo o que está acontecendo, nem como a divisão do outro lado do país, da outra conferência do seu time, está jogando. Mas para isso existe o resumão do PickSix: tentamos recuperar tudo o que está acontecendo de principal nesse grande circo que é a NFL.

Previsões infalíveis

Até agora, podemos garantir que os times que disse anteriormente que não iam aos playoffs realmente não foram (não importando o fato de que eles não chegaram ainda). Por isso, as apostas seguem, com os times adicionados em negrito. E, novamente, melhores justificativas no resumo por divisões.

Times garantidos: Patriots, Broncos, Raiders (AFC); Vikings, Cowboys, Seahawks (NFC).

Times fora: Browns, Colts, Dolphins, Jaguars, Ravens (AFC); 49ers, Bears, Lions, Bucs, Rams (NFC).

AFC South

Confesso que Andrew Luck, às vezes, me dá medo. Ele teria capacidade de levar um time mediano (como os Chargers, Lions ou Redskins) muito longe, como seu jogo contra os Titans prova. Entretanto, a exemplo daquele seu amigo ruim de bola que às vezes acerta um lance maravilhoso, de Indianapolis você pode esperar que a natureza (no caso, o resto do time montado por Ryan Grigson) cuida. Parecido com eles, temos os Jaguars, outra grande decepção da temporada, inclusive culminando com a demissão do guru que ia levar Bortles à elite, Greg Olson (sorte do time que contratá-lo para o ano que vem).

A disputa pela divisão não é entre times muito menos medíocres que os dois primeiros. De um lado temos um Houston que carrega Brock Osweiler (“praticamente um rookie”, diz o head coach) com a quinta melhor defesa da liga e usando Lamar Miller até o seu limite (finalmente alguém!), contra Tennessee que está no top 10 de jardas de ataque e de defesa, tem um ataque corrido potente com o retorno de DeMarco Murray a boa fase, mas que conta com um treinador medíocre que pode acabar sendo o diferencial para deixar o time como a eterna “potência para o ano que vem”.

AFC North

Cleveland é o primeiro time a ser totalmente eliminado das chances de playoffs esse ano e fortíssimo candidato a acabar 0-16. Como ponto interessante, é de se observar que apesar da fase horrível, metade das partidas foram perdidas por menos de um touchdown e que a defesa é, de longe, o problema do time – já que o ataque de Terrelle Pryor e companhia parece estar no caminho correto para receber um QB que lhe dê forma. Junto com eles na metade de baixo vêm os Ravens, que apesar de sofrerem menos de 20 pontos por partida, não conseguem produzir o suficiente com um ataque composto por Mike Wallace e Terrance West, além de ir acumulando lesões – se ajustando muito mais ao que esperávamos antes da temporada (como a derrota para o Jets sem QB indica).

Ainda na briga, temos os Bengals que conseguiram empatar em Londres – dando exatamente aos ingleses o que eles merecem: um time que não empolga nada e que no fundo torcemos para que finalmente fiquem fora dos playoffs um ano, para que quem sabe assim mudar algo para sair da rotina dos últimos anos. E por fim, como líder por exclusão, vem Pittsburgh, que sente falta de Big Ben e cuja defesa não consegue sustentar e vencer jogos com Landry Jones – sob o risco ainda pior de Roethlisberger querer acelerar a sua volta, piorar a lesão e enfiar toda a temporada no lixo.

FILE - This is a 2015 file photo showing Terrelle Pryor of the Cleveland Browns NFL football team. Terrelle Pryor may be down to his last chance to make Cleveland's roster. The former Raiders quarterback trying to switch to wide receiver and prolong his NFL career is expected to finally take the field in an exhibition game on Thursday night, Sept. 3, 2015, when the Browns visit the Chicago Bears. (AP Photo/File)

Por trás desse sorriso há um coração sofrendo.

AFC East

Rei dos power rankings, lorde das trevas, grande pedra no sapato do comissário, melhor time da NFL. Essa é a divisão do nosso querido New England Patriots, que dispensa mais comentários; pior, se Jamie Collins (provavelmente um dos 10 melhores linebackers da NFL) foi trocado por Bill Belichik para os Browns, por mais bizarro que isso seja, sabemos que as chances de descobrirem drogas em seu carro, ou que ele é um espião russo ou ainda um eleitor de Donald Trump, são maiores do que cogitar que os Patriots saiam perdendo nesse rolê.

Os outros três times não merecem muita menção. Os Dolphins vêm de uma bye depois de duas vitórias consecutivas e grande partidas de Jay Ajayi – nas quais não convenceram nada além de sua eterna razoável mediocridade. Buffalo, por outro lado, se prova absurdamente dependentes de McCoy, ainda que isso possa indicar que o time brigará por uma vaga de wildcard se o running back se mantiver saudável. Por último, o Jets é o time em que mais confio dessas três porcarias: o ataque pode voltar à velha forma e a sequência de jogos é benéfica. Olho nesses verdinhos.

AFC West

Depois dos Patriots, vem a divisão oeste. É basicamente a isso que se resume o bom da AFC: basta observar e, em uma suposta classificação de toda a conferência americana, as posições 2-4 seriam ocupadas por essa divisão. E por mais que me doa admitir, se tivesse Joey Bosa desde o começo, é provável que os Chargers fossem os quintos – o que é uma pena, especialmente para Philip Rivers. Na parte de cima, inclusive, outro QB se destaca: Derek Carr lidera o quinto melhor ataque da liga e sonha, graças a partidas como 513 jardas e 4 TDs contra os Bucs, com o título de MVP (tem 17 TDs totais para apenas 5 turnovers), especialmente porque compensa a segunda pior defesa (no caso, a pior defesa de jogadores profissionais).

Denver também, com sua defesa assustadora (26 sacks, 8,5 só por Von Miller) e Booker substituindo C.J. Anderson como se este nunca houvesse existido, é outro time que está praticamente garantido para brigar nos playoffs e se plantear como maior rival a New England (Trevor Siemian x Tom Brady? Queremos). Por último, o ignorado Kansas City Chiefs: calmamente, sem alardes, por pouco (14ª e 15ª posições) na parte de cima em número de jardas no ataque e na defesa, nem sequer sofreu riscos desde o massacre que lhes aplicou Pittsburgh e também deve levar Alex Smith a mais uma oportunidade de tentar algo nos playoffs. E perder logo na primeira rodada.

NFC North

Do ataque de Sam Bradford já sabíamos: tinha prazo de validade. Tanto foi que, após duas derrotas seguidas, Norv Turner, o coordenador ofensivo, decidiu que realmente não tinha solução e pediu o boné. Para piorar, a defesa tampouco está conseguindo manter o nível de outrora, especialmente contra Chicago e Jay Cutler – que deveriam ter servido de reabilitação, não criação de crise. Para piorar (para os Vikings, claro), Aaron Rodgers dá sinais de estar voltando ao normal (7 touchdowns nas últimas duas semanas) e de que por isso os Packers e sua defesa também top10 deverão brigar pelo título da divisão.

Azar, obviamente, de Lions e Bears. Os fãs dos ursos, especialmente, deveriam aproveitar e comemorar o título dos Cubs e esquecerem do football pelo menos por 2016: a vitória sobre os Vikings diz muito mais sobre tradição e problemas em Minnesota do que sobre uma reviravolta que esteja acontecendo em Chicago. Ao contrário deles, Detroit já até poderia ter um pouco mais de esperança: o segundo quarto de temporada tem feito bem a Matthew Stafford, a defesa de Teryl Austin cede muitas jardas, mas não tantos pontos e uma vitória (ainda que improvável) em Minneapolis poderia criar uma situação muito interessante na divisão norte.

12-13-2009---Chicago Bears host the Green Bay Packers---Bears quarterback Jay Cutler waits for a challange call regarding a possible Bears TD in the 2nd quarter--Sun-Times photo by Tom Cruze

“Te iludi? Porque eu já estou aceitando o fracasso.”

NFC South

O ataque de Atlanta é uma das coisas mais bonitas da NFL em 2016. Matt Ryan sonhando com o MVP (já percebeu como a lista de candidatos desse ano é meio merda? Ainda bem que Tom Brady vai acabar ganhando de novo), com seus coadjuvantes Julio Jones e a dupla de RBs chatos trabalhando bem para produzir mais de 420 jardas por jogo orquestrados por Kyle Shanahan, futuro head coach do seu time.

Porém seria uma pena se a defesa estivesse disposta a destruir tudo, como conseguiu contra os Chargers, por exemplo. Coincidentemente, o segundo melhor ataque é de Drew Brees, mas este é acompanhado de uma defesa ainda mais determinado em afundá-lo.

Na segunda metade, dois times sem grandes aspirações a não ser lutar por respeito. Jameis Winston conseguiu diminuir o número de interceptações nesse segundo quarto de temporada, mas junto com sua melhora, parece que a defesa dos Bucs piorou (que bela coleção de defesas tem a divisão sul da NFC!). E continuamos batendo na tecla de que quem tem Roberto Aguayo (7/12 chutes apenas)…

Enquanto isso, os Panthers seriam nossa escolha de time da parte de baixo da tabela para uma recuperação bonita e histórica, mas sonhar com playoffs com a schedule que vem por aí já parece ousado demais.

NFC East

Como acontece sempre, a costa leste (e Dallas?) da conferência gosta de criar boas histórias, especialmente porque os quatro times tem campanhas com mais vitórias que derrotas. Primeiramente, os Cowboys que têm a disputa mais interessante (já que sua posição como líderes da divisão parece que se manterá até o final): Dak Prescott, o rookie maravilha, contra o possível retorno do veterano Tony Romo – que, apostaria, nunca melhorará da lesão que lhe tirou de atividade.

Logo em seguida, temos outro rookie: Carson Wentz, que lidera os Eagles e flutua junto com o time, como corresponde a um novato, ainda assim se mantendo no páreo (e ganhando de times como o até então imbatível Minnesota Vikings).

New York é o Kansas City Chiefs da NFC. Silenciosamente, medianamente, ganhando os jogos que tem que ganhar, especialmente contando com seus (grandes) talentos individuais, está ali beliscando uma vaga nos playoffs, como a grande esperança de parar Bill Belichik no Super Bowl (LEMBRE-SE: você leu aqui primeiro). Por último, o time de Kirk Cousins – que, também como breaking news, certamente será um dos FAs mais disputados de 2017 e um dos mais novos ricos (de maneira discutivelmente merecida). Kirk, aliás, tem o terceiro melhor ataque da liga em número de jardas, mesmo que infelizmente não consiga as traduzir em pontos e vitórias, especialmente por causa dos turnovers.

NFC West

A divisão de Chandler Catanzaro e Steven Hauschka, o que já indica onde queremos chegar falando dela. Mas, para começar, vale lembrar que essa também é a divisão de San Francisco, que ao contrário dos Browns, não tem mostrado absolutamente nada de valor para se pensar em anos seguintes mais felizes que o atual, e de Jeff Fisher, que após um começo escandaloso, estabilizou e trouxe Los Angeles ao lugar que lhe corresponde enquanto ele for o treinador: a busca sagrada pelo 8-8 enquanto é liderado bravamente por um Case Keenum que sabe que Jared Goff tomará seu lugar (mais cedo que tarde, já que ele tem tido cada vez mais chances nos treinos).

A defesa dos Cardinals é a que menos cede jardas aos adversários, o ataque conta com o brilhante David Johnson, que será uma estrela em breve, mas o time tem uma campanha de 3-4-1 (o tal empate em 6-6 com Seattle, que poderia levá-los à uma briga séria por playoffs) e não parece que chegará a lugar nenhum. Assim, por eliminação, a defesa dos Seahawks e o sempre capaz, ainda que baleado, Russel Wilson deverão vencer a divisão por simples incompetência dos rivais – quer você goste ou não.

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