Um ranking de quarterbacks para cornetar seu jogador favorito

23/ago/16


Por mais que especialmente nós que torcemos para times sem um grande quarterback lutemos contra, e ainda que a defesa dos Broncos tenha sido a principal (talvez única) responsável por ganhar o Super Bowl 50, uma das poucas verdades absoluta da NFL nos últimos anos é que é muito difícil alcançar qualquer coisa sem um bom QB. Por isso, um dos grandes desafios é entender o que quer dizer ter um grande jogador na posição.

Como só estamos aqui para palpitar em tudo que seja relacionado a liga de futebol americano, reunimos a opinião dos cincos fundadores do site para criar um ranking completo e definitivo* que, apostamos definirá perfeitamente os playoffs desse ano**. E antes de apresentar os rankings, algumas observações:

  • Ao lado de cada jogador, para saber como cada um ranqueou o seu QB favorito (e por que, inexplicavelmente, ele acabou em 23º), estará a posição dele no respectivo ranking, na seguinte ordem: (Digo, Cadu, Murilo, Xermi, Ivo) – aí fica fácil saber quem xingar!
  • Entre o 2º e o 26º, todos os jogadores tiveram pelo menos uma diferença de 3 posições entre os vários rankings – ou seja, tudo aqui é muito discutível. A gente realmente não conseguiria decidir se não fosse por média;
  • A lista se foca nos QBs titulares de cada time. Sabemos que provavelmente existem uns 10 backups melhores que Sanchez, mas não é culpa nossa se os Broncos apostam nele;
  • Até por isso, menção honrosa do ranking ficará para Colin Kaepernick (reserva de Blaine Gabbert), que o Xermi achou por bem ranquear como o 18º melhor QB da liga, por alguma razão. Por isso, o ranking dele não tem 18º colocado e tem dois 31ºs;
  • Case Keenum deverá começar a temporada pelos Rams, mas é impossível que eles não acabem a temporada com Jared Goff. Por isso, é Goff quem aparece no ranking final. Spoiler: em último. Vai ser um ano difícil para o novo time de Los Angeles.

*não tem nada de definitivo. Provavelmente a opinião será outra antes da metade da temporada.

**dificilmente definirá. Um QB é importante, mas defesas ainda tem seu poder de definição, especialmente quando se fala de duelos entre QBs de valores aproximados.

A unanimidade

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O sorriso tranquilo do melhor da liga.

  1. Aaron Rodgers, Green Bay Packers (2, 1, 1, 1, 1)

Começamos sem surpresas, esse é unanimidade provavelmente em todos os rankings da internet. Fui o único a colocar Rodgers em segundo lugar (mais sobre em Newton, Cam) e ainda assim sob dúvidas (e clubismo). Enquanto ele estiver saudável, aconteça o que acontecer com o resto do time dos Packers, eles estarão nos playoffs, vide sua consistência ao longo dos últimos anos e o tipo de jogadas que ele consegue tirar da cartola. Com a volta de Jordy Nelson, seu alvo preferido e amante, só se espera que siga dominante por mais uns 10 anos.

Os indubitáveis

  1. Tom Brady, New England Patriots (5, 4, 2, 3, 2)
  2. Cam Newton, Carolina Panthers (1, 3, 5, 2, 6)
  3. Andrew Luck, Indianapolis Colts (6, 2, 4, 5, 3)
  4. Russel Wilson, Seattle Seahawks (4, 5, 7, 4, 7)
  5. Drew Brees, New Orleans Saints (8, 6, 3, 6, 4)
  6. Ben Roethlisberger, Pittsburgh Steelers (3, 7, 6, 7, 5)

Exceto Russel Wilson, todos eles tiveram pelo menos um “voto” para estar no top 3 – e, sem dúvidas, qualquer time da NFL não se preocuparia se tivesse qualquer um deles como líder do seu ataque. Brady, mesmo perdendo os quatro primeiros jogos dessa temporada, é virtual garantia para vencer a AFC East mais uma vez – e, com o estilo de jogo envolvente de passes rápidos criado para ele em New England, ninguém duvida que ele seguirá dominando até os 45 anos.

Cam Newton, atual MVP da temporada, já se provou capaz de fabricar WRs (olá, Ted Ginn Jr) ao melhor estilo Drew Brees – que, infelizmente continuará sendo o único ponto de salvação dos Saints em virtude do seu contrato, e único desses seis a receber uma 8ª colocação -, além de seguir causando medo com suas pernas. Luck e Wilson também são um perigo correndo e passando, mas tem batalhado contra linhas ofensivas extremamente ruins para tentar seguir produzindo efetivamente.

Por último, Big Ben é o líder do que é hoje o mais perigoso ataque da NFL, forte candidato ao maior número de pontos e jardas, ainda que sua defesa (assim como a de Luck e Brees, por exemplo) não deva cooperar. De qualquer forma, qualquer um dos seis são apostas seguras tanto no fantasy quanto para, no seu melhor, levarem qualquer time ao Super Bowl e se colocarem ao mesmo nível da unanimidade Rodgers ou, assim como Newton, ganharem o MVP da temporada.

Os experientes

1Romao

“Doeu, doeu. Alguém entra substituir o tio aqui, por favor!”

  1. Carson Palmer, Arizona Cardinals (11, 10, 8, 8, 8)
  2. Tony Romo, Dallas Cowboys (9, 12, 11, 13, 9)
  3. Eli Manning, New York Giants (10, 8, 13, 9, 15)
  4. Philip Rivers, San Diego Chargers (7, 9, 12, 14, 13)

Nessa categoria acabaram entrando, curiosamente bem separados dos de acima pela “média de posições”, os jogadores experientes e comprovadamente (muito) capazes, mas que, por alguma razão, não conseguem ser unanimidades, como são Brady e Brees. Rivers parece o mais injustiçado, porque sua falta de produção está principalmente condicionada aos times constantemente ruins de San Diego.

Enquanto isso, Palmer e Romo são dúvidas sérias para jogarem os 16 jogos – e especialistas em pipocadas inesperadas -, enquanto Eli Manning é praticamente uma presença garantida (é o jogador ativo com a maior sequência sem perder jogos) e será provavelmente o que mais cometerá erros (não comete menos de 16 turnovers numa temporada desde 2008). De qualquer forma, todos parecem plenamente capazes de levar times razoáveis aos playoffs – e tem experiência suficiente para guiá-los ao Super Bowl (ainda que Manning tenha sido o único que conseguiu).

O próximo passo

  1. Matt Ryan, Atlanta Falcons (15, 11, 9, 15, 12)
  2. Blake Bortles, Jacksonville Jaguars (17, 15, 10, 10, 10)
  3. Derek Carr, Oakland Raiders (13, 16, 14, 16, 11)
  4. Matthew Stafford, Detroit Lions (20, 13, 19, 19, 14)
  5. Jameis Winston, Tampa Bay Buccaneers (12, 19, 21, 17, 17)

O que esses cinco tem em comum, além de não terem participado dos playoffs de 2015? Todos os cinco terão, em análises sobre eles, apontados que 2016 é o ano do “AGORA VAI”. Claro que alguns em situações diferentes das de outros, já que os dois Matts já estão há mais tempo na liga e, na verdade, já deveriam ter passado dessa fase – para piorar, Stafford perdeu seu principal alvo e, por mais que os Lions tentem se iludir, é impossível que ele melhore sem Megatron. Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.

Os outros três, em compensação, serão provavelmente parte importante do futuro da liga. Carr e Bortles, em seus segundos anos, e Winston, como novato, tiveram boas temporadas em 2015, apesar de não conseguirem traduzir bons números em vitórias – ainda. Seu principal defeito foi o número de turnovers, mas a experiência (e o auxílio dos bons treinadores que possuem) só lhes levará a reduzi-los e, com isso, chegar ao nosso top 10 e aos playoffs será questão de tempo.

Sinceramente não sabemos como classificar esse povo

1Kirk-Cousins

Relacionamento que aparece depois de quebrar a cara feio com o grande amor da sua vida.

  1. Joe Flacco, Baltimore Ravens (23, 14, 15, 20, 22)
  2. Kirk Cousins, Washington Redskins (22, 20, 20, 12, 21)
  3. Tyrod Taylor, Buffalo Bills (19, 23, 17, 23, 16)
  4. Alex Smith, Kansas City Chiefs (25, 17, 16, 21, 20)

Começando a metade de baixo da lista, quatro jogadores que são complicados de classificar – principalmente porque três deles tem uma variação de pelo menos 9 posições entre os rankings. Uma coisa é fato: nenhum dos quatro estará na capa da Sport Illustrated segurando o Lombardi Trophy no começo de 2017. Flacco, o único que já conquistou o feito, afundou o seu próprio time (e com ele sua produção) com um contrato mais caro que o de Aaron Rodgers – sem ter metade da sua qualidade.

Cousins – que inexplicavelmente aparece como o 12º melhor QB da liga no ranking elaborado pelo Xermi – e Taylor (que começou a carreira como reserva em Baltimore) tiveram em 2015 temporadas melhores do que Flacco teve em toda sua carreira, mas ainda tem um “asterisco” ao lado de seus nomes porque, até agora, tudo o que fizeram foi isso – e existem sérias dúvidas de que conseguirão repetir seus ratings próximos a 100.

Iniciando a casa dos vigésimos, entra Alex Smith. Ele será constante e protegerá bem a bola, mas a única maneira de chegar mais longe nos playoffs será se levado pela sua defesa, já que o seu estilo conservador dificulta que ele consiga “tirar vitórias da cartola” como fazem grandes quarterbacks (pelo que ele deverá estar perenemente por aqui).

A linha da mediocridade

  1. Marcus Mariota, Tennessee Titans (18, 21, 22, 24, 18)
  2. Andy Dalton, Cincinatti Bengals (21, 18, 18, 25, 23)

Gregg Rosenthal, que escreve na NFL.com, criou a chamada “escala Dalton”, que utiliza o quarterback dos Bengals como último QB respeitável da liga. De acordo com sua temporada passada, em que conseguiu 25 TDs para somente 7 interceptações, o seu lugar já seria bem mais acima do que aqui – entretanto, me arrisco a dizer que, mesmo que a última eliminação tenha sido culpa dos maloqueiros do seu time, enquanto ele não conseguir um mínimo sucesso nos playoffs, seu lugar seguirá sendo esse.

E Marcus Mariota poderia estar tanto entre os jogadores do “próximo passo” quanto os da categoria seguinte. Infelizmente, ele acaba tão injustiçado quanto Philip Rivers, já que os treinadores e o time de Tennessee são medíocres, o que certamente atrapalhará a transformação do seu claro potencial em resultados – motivo pelo qual ele se encontra aqui, introduzindo os medíocres.

Os impressionantemente discutíveis

1Teddy

Amo Teddy e irei protegê-lo (enquanto puder).

  1. Teddy Bridgewater, Minnesota Vikings (14, 22, 24, 28, 19)
  2. Ryan Fitzpatrick, New York Jets (26, 26, 23, 11, 24)
  3. Ryan Tannehill, Miami Dolphins (24, 24, 25, 22, 25)
  4. Jay Cutler, Chicago Bears (16, 25, 27, 27, 27)

Teoricamente, a partir daqui os jogadores já não prestariam mais. Por força de potencial, (surpreendente) produção ou puramente questão de contrato, cada um dos quatro está fortemente ligado aos seus times. O que mais chama a atenção nessa categoria é que, excetuando Tannehill (que de qualquer forma, com Adam Gase agora, deve melhorar e talvez também merecesse mais respeito), tem uma disparidade entre rankings de pelo menos 11 posições.

Bridgewater, e talvez haja um pouco de clubismo aqui, perde muitas posições por seus números insuficientes que são mais fruto do estilo de jogo (e companheiros) dos Vikings que culpa dele – e métricas mais elaboradas mostram que ele tem plena capacidade de chegar a ser um grande quarterback na liga.

Fitzpatrick e Cutler tem posições tão variáveis também em função de seus coordenadores. Fitzpatrick produziu grandes números em função de Chan Gailey, o que pode ter levado também o Xermi colocá-lo como 11º, mas os méritos são dificilmente dele – jogadores como Foles, Gabbert, Sanchez ou nosso querido Tebow produziriam de maneira parecida inseridos nesse esquema. Cutler, por outro lado, perde posições assim como perdeu Gase – mesmo que suas capacidades estejam acima dos demais, quando ele tem vontade de jogar.

EU ACREDITO (mas não deveria)

  1. Robert Griffin III, Cleveland Browns (27, 28, 26, 26, 26)
  2. Brock Osweiler, Houston Texans (29, 29, 28, 29, 28)

Como os dois poderiam aparecer tanto na categoria de acima como na de abaixo, resolvi separá-los do grupo. O drama desses dois é que, combinados, têm uma boa temporada desde que foram draftados (surpreendentemente, juntos) em 2012: a de novato de RG3, da que se ele conseguisse chegar perto já seria muito melhor do que os Browns tiveram em toda sua história (spoiler: infelizmente, para o jogo, como diz o nosso ranking, não repetirá).

Osweiler, por outro lado, apesar de ter entrado na liga no mesmo ano que Griffin, será efetivamente um rookie. Como o seu trabalho em Denver foi efetivamente dar a bola para o jogo corrido e minimizar erros enquanto a defesa carregava o time, mesmo que os Texans e seus quase 100 milhões de dólares queiram dizer algo diferente, é difícil imaginar que ele vá ser um QB capaz de fazer frente na sua divisão.

O fundo do poço

  1. Sam Bradford, Philadelphia Eagles (28, 27, 31, 31, 30)
  2. Blaine Gabbert, San Francisco 49ers (32, 30, 30, 32, 29)
  3. Mark Sanchez, Denver Broncos (30, 31, 32, 30, 31)
  4. Jared Goff, St Louis Rams (31, 32, 29, 31, 32)

Esses são os QBs que certamente acabarão o ano segurando pranchetas (ou tablets) no lado do campo – obviamente excetuando Jared Goff, que já é um adiantamento à inevitável retirada de Case Keenum do time titular. Esse deve ser, também, o principal motivo pela baixa variabilidade entre os rankings: os quatro últimos no ranking final apareciam entre os quatro últimos em 90% dos rankings (só Bradford deu uma escapadinha nos rankings do Cadu e do Murilo).

Blaine Gabbert e Mark Sanchez como titulares são apenas devaneios dos head coaches Kubiak e Kelly e, esperamos que, pelo bem de Broncos, 49ers (não que algo possa sair de bom dessa temporada em San Francisco) e especialmente nossos times no fantasy, eles deem um jeito de encontrar alternativas melhores como QB.

E fechamos o ranking falando de Sam Bradford. Ele tem pedigree de primeira escolha do draft e algumas boas atuações para dar esperança aos que querem acreditar nele – mesmo APESAR das lesões. De qualquer forma, se nem sequer o seu próprio time, os Eagles, acredita nele, como prova a troca para escolher Carson Wentz com a segunda escolha do draft de 2016, não será nesse ano nem ali na Filadélfia em que ele finalmente mostrará toda sua (teórica) capacidade.

1Buttfumble

Pra definir o último grupo, não deixe o Butt Fumble morrer.

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