O nascimento da lenda de Dak Prescott (ou 8 jogos com saudade de Romo)

01/set/16


O potencial para ser o melhor ataque da NFL está ali, dormente. A melhor proteção, um dos melhores recebedores, um dos QBs com melhor rating da história também. O problema é que todos esses elementos já estavam disponíveis no ano passado e o time de Jerry Jones parecia destinado a ir longe nos playoffs, mas parece que Tony Romo não suportou tanta pressão sobre seus ombros (mais exatamente, sobre sua clavícula esquerda, que ele já havia quebrado em 2010) e o sonho acabou já na terceira semana da temporada. Bem, ainda houveram alguns dias de esperança em Brandon Weeden e Matt Cassel, mas quando se nota que ambos não estão no time para essa temporada, nem precisamos relembrar como isso acabou. Na verdade, somos sádicos, então precisamos: de 2-0 para 2-7.

Em 2016, novamente, a maior torcida da NFL tinha grandes razões para ser otimista, pelo menos quando falamos de seu ataque. Apesar dos 36 anos, Tony Romo realizou uma cirurgia para tentar reforçar e evitar novas lesões na clavícula, a única que pareceu capaz de tirá-lo de mais de um jogo em uma temporada (ele esteve presente em pelo menos 15 em 7 das últimas 10) – até o momento em que, em uma jogada duvidosa da preseason (Romo precisava mesmo correr? O tackle foi exagerado?), uma vértebra quebrada e tudo caiu nas mãos do rookie Dak Prescott.

Por outro lado, quando falamos sobre o setor defensivo… bem, a estupidez de alguns jogadores e sua constante dificuldade em largar as drogas deve dificultar bastante os primeiros jogos da temporada.

O que Jerry Jones tem na cabeça? Explicamos.

O que Jerry Jones tem na cabeça? Explicamos.

Um draft interessante

Qualquer coisa em que Jerry Jones, dono e general manager dos Cowboys desde 1989, coloque a mão tende a se tornar mais divertida, ainda que discutível; vide o maior telão do mundo colocado no AT&T Stadium, que vai de redzone a redzone e é frequentemente atingida por punts e kickoffs. E apesar dos rumores de que seu filho está tomando as rédeas da equipe e tentando controlar suas excentricidades, o draft desse ano provou que ele não tem tanto poder assim – ou está aprendendo a seguir o mesmo caminho do veterano GM, produzindo escolhas que, no geral, tem potencial para serem as melhores do ano ou uma grande oportunidade perdida. Com o Cowboys, não há meio termo.

Depois de grandes movimentações nas primeiras picks pela escolha dos dois principais QBs da classe (os medianos e inexperientes Jared Goff e Carson Wentz) e da estranha seleção de Joey Bosa por parte dos Chargers, Dallas teve em seu colo Jalen Ramsey, CB e S de Florida St, provavelmente o melhor jogador do draft de 2016, e Ezekiel Elliot, RB de Ohio St. A decisão sábia seria escolher Ramsey sem olhar para trás; Jones, porém, preferiu ver Elliot correndo atrás de sua monstruosa linha ofensiva, na expectativa de ter ali o Offensive Rookie Of the Year e um Adrian Peterson (com quem sempre sonhou) pelos próximos anos – mas também seria prudente rezar desde já para que ele não acabe sendo mais um Trent Richardson.

Porém as decisões duvidosas não pararam por aí. Com a terceira escolha da segunda rodada, Jones escolheu o LB Jaylon Smith, de Notre Dame, que a exemplo de Jalen Ramsey poderia ser considerado uma escolha segura não fosse pela lesão gravíssima que sofreu em seu último jogo universitário. Além de romper todos os ligamentos possíveis de seu joelho (ou praticamente), Smith também sofreu danos no nervo, o que pode significar várias coisas além do longo período de recuperação (não é esperado que ele jogue em 2016): uma carreira mais curta do que se espera de um jogador de elite na NFL ou ainda que ele nunca mais alcance o mesmo nível de jogo que alcançou no college.

A lenda de Dak Prescott

O último destaque do draft fica para Dak Prescott, selecionado no fim do quarto round. Era considerado um sério candidato a terceiro ou quarto quarterback escolhido (especialmente pelos Broncos) antes de ser preso por dirigir alcoolizado poucas semanas antes do draft, o que lhe fez ser apenas o oitavo. De qualquer forma, seu nome foi chamado bem antes do esperado.

Romo inesperadamente se estourou em plena pré-temporada e, já que Dak estava se destacando na pré-temporada (78% de passes acertados, 5 TDs e nenhum turnover até o momento, com ratings quase perfeitos nos dois primeiros jogos), a imprensa e os treinadores lhe promoveram rapidamente à titularidade.

E quais são os prognósticos, para além dos jogos amistosos? Ele foi titular por 3 anos em Miss St, onde bateu todos os recordes possíveis, inclusive cometendo somente 22 interceptações em 37 jogos. Seu estilo de jogo foi comparado ao de Tim Tebow na universidade, mas com um passe muito mais profissional. Obviamente é difícil de esperar que um novato não cometa erros graves que acabem atrapalhando a equipe em um jogo ou dois, mas Prescott parece capaz de criar vitórias em um jogo ou dois pelas suas próprias capacidades também.

“Sim, tenho contatos com o Tebow e todas as cagadas do draft foram pensadas. Vim para complementar a trindade.”

Todos nessa defesa são idiotas

Outra grande razão pela qual Jalen Ramsey seria a melhor opção no draft é a quantidade de vacilões e consequente falta de talento no lado defensivo desse time. A linha defensiva, por exemplo, não contará com nenhum pass rusher conhecido pelo menos até a semana 5, quando Demarcus Lawrence (8 sacks em seu segundo ano na NFL) volta de sua suspensão por uso de substâncias proibidas. Ou seja, nas quatro primeiras rodadas, os Cowboys dependerão dos poucos conhecidos DE Jack Crawford e DT Tyrone Crawford (nenhuma relação de parentesco apurada) para tentar exercer alguma pressão no QB.

Randy Gregory, que seria outra opção interessante para jogar do lado oposto de Lawrence após mostrar potencial como rookie, voltou a usar drogas mesmo após estar suspenso pelos quatro primeiros jogos de 2016, o que deverá levar a uma punição por tempo indefinido. Mais do que isso, o jogador se internou em uma clínica de reabilitação e não deve participar da pré-temporada com o time, apenas confirmando as dúvidas sobre seu caráter que lhe levaram a ser draftado somente no segundo round em 2015, mesmo sendo apontado como um dos melhores pass rushers de sua classe.

A situação no grupo de linebackers é ainda mais dramática. Teoricamente, os Cowboys contariam com uma dupla de respeito em Rolando McClain e Sean Lee. Teoricamente. O primeiro segue sendo pouco inteligente e punido pelo uso de substâncias ilícitas (ficará 10 jogos fora em 2016) e Sean Lee infelizmente não consegue se manter saudável – e sinceramente não sabemos quem irá substituí-los; uma competição interessante entre vários jogadores medíocres deve rolar durante a pré-temporada.

Pelo menos a secundária parece estar em razoável (para baixo) estado. Byron Jones foi bem como rookie na posição de safety no ano passado, e o CB Orlando Scandrick volta após uma lesão no joelho. Morris Claiborne (famoso por ter acertado 4/50 no teste de inteligência pré-draft) e Brandon Carr foram mal em 2015, mas pelo menos têm habilidade para mostrar mais e tentar tapar alguns buracos nessa temporada.

O ataque dos sonhos

Não há qualquer razão para imaginar que a linha ofensiva deixe de ser a monstruosidade que tem dominado a NFL nos últimos anos, especialmente com uma temporada de experiência de La’El Collins e a máquina repetindo a formação de sucesso do ano passado. Sabemos que continuidade e entrosamento são essenciais para uma linha ofensiva.

Atrás dela, Prescott e o coordenador ofensivo Scott Linehan terão muitas opções de corredores. Além do rookie Ezekiel Elliot, que deve ser o ponto focal do jogo corrido e uma opção importante no jogo aéreo, os Cowboys também roubaram Alfred Morris dos rivais Washington para complementar o talentoso, mas sempre machucado, Darren McFadden – que talvez se mantenha saudável sendo apenas um jogador complementar.

A única área em que os Cowboys podem parecer um pouco limitados é nas opções de alvos que Prescott terá. O TE Jason Witten ainda é uma opção segura, mas já dá sinais da idade; os WRs Cole Beasley e Terrance Williams (840 jardas e 3TDs em 2015, sendo o que parece demonstrar mais potencial nesse grupo) também serão importantes, mas não se espera muito de ambos. Pelo menos Dak contará com o gigante WR Dez Bryant, que recuperado da lesão do pé que lhe atrapalhou muito em 2015 e com o jogo corrido ganhando atenção, aliado a um QB de verdade lhe lançando bolas, é sério candidato a bater seu recorde pessoal de 1382 jardas conseguidas e igualar seus 16 TDs recebidos em 2014.

Ohio State’s Ezekiel Elliott poses for photos upon arriving for the first round of the 2016 NFL football draft at the Auditorium Theater of Roosevelt University, Thursday, April 28, 2016, in Chicago. (AP Photo/Nam Y. Huh)

Se tudo der errado na liga, Zeke virará estilista.

Palpite: Esse ataque irá eletrizar a NFL e a imprensa americana irá pirar com as 11 vitórias na temporada regular, comemorando o ano novo de 2017 como principal favorito ao Super Bowl. Da maneira mais cruel, nos playoffs, os Cowboys serão lembrados que defense wins championships e tomarão um massacre do Vikings ou do Seahawks (ou de seja lá quem os enfrente). Quem sabe para a temporada que vem Jerry Jones aprenda a lição.

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