O MVP da defesa se foi, mas MVP do ataque (e da liga) deve voltar ainda melhor

31/ago/16


Os Panthers tiveram uma temporada mágica em 2015. Realizaram a melhor campanha da NFL (15 vitórias, e porque tiraram o pé) e ganharam pelo terceiro ano seguido a divisão, estabelecendo o domínio sobre times que pareceram muito abaixo do nível da equipe de Carolina. Josh Norman surgiu de vez, depois de uma boa campanha no final de 2014, para a NFL como sério candidato a melhor CB da liga e o principal personagem (ainda que tenham muitos craques ali) da 6ª melhor defesa da liga.

Além disso, Cam Newton e suas comemorações ousadas (às vezes consideradas desrespeitosas; produzindo até cartas de mães indignadas) finalmente pôs em prática todo o potencial como ameaça desde o pocket e também no jogo corrido – aquele, que permitiu que jogadores como Kaepernick e RG3 tivessem abertura para trazer de volta esse estilo de jogo misto à liga -, que parecia ter desde a sua temporada de novato, ganhando o prêmio de jogador mais valioso da NFL.

Obviamente, quando já pareciam destinados à glória depois de uma vitória absoluta sobre Arizona, Von Miller e amigos botaram um fim a esse conto de fadas simplesmente acabando com o ataque que aparentava ser imbatível até então, expondo todas as suas pequenas falhas, como os wide receivers claramente abaixo da média da NFL e a linha ofensiva que se limitava a não atrapalhar muito o trabalho de Cam – e acabou destruída pelo MVP do Super Bowl.

Fabricando um MVP

Cam Newton chegou à NFL cercado de dúvidas, especialmente porque, tivesse Andrew Luck tomado a decisão normal e saído da universidade um ano antes como é esperado de jogadores garantidos para ser escolhidos na primeira posição do draft, Cam Newton seria o segundo melhor quarterback a ser escolhido em 2011, e sabemos como isso acaba normalmente (ver: Leaf, Ryan para uma história dramática). De qualquer forma, Luck esperou e o QB de Auburn caiu como opção óbvia e única para os Panthers.

Importante lembrar que Newton chegava a NFL totalmente cru, pois ele foi titular em apenas dois anos na universidade, um em uma universidade relevante, e seu estilo de jogo dependia muito das corridas que ele tirava da cartola (lembrando um já fracassado Vince Young e bastante diferente dos seus quatro primeiros quarterbacks escolhidos precedentes: Russell, Ryan, Stafford e Bradford, todos pocket passers), ainda que se imaginasse que o mesmo não poderia ser feito em uma liga profissional.

Ainda que ele tenha tomado a liga por assombro com 14 TDs corridos como novato e mais de 4000 jardas lançadas (destruindo recordes, em sua maioria de Peyton Manning), assim inclusive abrindo espaço para o retorno de quarterbacks corredores como RG3, Russell Wilson e Colin Kaepernick, que voltaram a ganhar espaço na NFL, logo as defesas também se adaptaram e Newton sofreu as famosas dores de crescimento, além de lesões pelo seu estilo de jogo, com muitos acreditando que seu primeiro ano não passaria de uma grande coincidência.

Entretanto, com o apoio de Mike Shula, Cam continuou trabalhando para poder depender menos das suas pernas (mantendo como arma importante e ameaça que fará as defesas pagarem caro em caso de descuido) e poder se tornar um QB que realmente jogue utilizando o máximo de suas (limitadas) opções com a sua cabeça e braço. O resultado óbvio disso, aliado ao seu talento, foi uma campanha de 45 TDs para apenas 14 turnovers na temporada regular o que lhe levou a tornar-se o jogador mais valioso da liga – além de garantir um prêmio de melhor coordenador ofensivo da liga para o já citado Mike Shula, que acompanha Newton desde sua temporada de novato (na época, ele ainda era treinador de quarterbacks).

camkelvin

Sim, Cam e Kelvin juntos não melhoram só a vida dos Panthers.

Os fabricados pelo MVP

Ainda que os stats de 2014 não mostrassem, a evolução de Cam era clara, mas a demonstração acabou limitada por lesões, especialmente um problema no tornozelo que incomodou durante toda a pré-temporada e uma lesão nas costelas, que sofreu nos jogos preparatórios. Em 2015, finalmente saudável, outro problema com lesões: Kelvin Benjamin, que havia tido uma bela campanha de rookie na NFL, sofre uma lesão no joelho e ficaria fora da temporada.

Assim, temos todas as razões para imaginar que Cam Newton deverá produzir ainda mais esse ano. Kelvin Benjamin teve um ano para se recuperar, o que é bastante para os padrões da NFL; e mesmo que algumas informações indiquem que ele não está na sua forma ideal, sua habilidade e capacidades físicas natas deverão ser mais do que suficientes para ele voltar a ser o alvo principal de Cam e repetir a sua campanha de 2014 em seu (verdadeiro) segundo ano de liga.

Também em seu segundo ano estará Devin Funchess, o grandalhão de Michigan que chegou a ser cotado para ser TE na NFL – com um ano a mais de experiência na liga, e jogando oposto a Kelvin Benjamin, assim recebendo a marcação do CB2 ou 3 do adversário, ele poderá produzir, especialmente na endzone e em bolas disputadas no alto. Com os grandalhões jogando por fora, Ted Ginn Jr poderá repetir suas absurdas 700 jardas esse ano (que mostram a grande capacidade de Newton em fabricar WRs), com bastante menos responsabilidade, após anos somente como retornador na liga.

Outros veteranos que deverão ter suas produções afetadas pelo retorno de Benjamin são os sempre sólidos Greg Olsen, que deverá perder o título de go-to guy de Cam Newton nas situações de risco (e assim, alerta para o fantasy, produzir menos jardas e touchdowns), e Jonathan Stewart, que enquanto se mantiver saudável, se aproveitará das defesas mais preocupadas com o jogo aéreo (e com as corridas de Newton) para produzir suas 1000 jardas corridas tradicionais.

Infelizmente, uma razão de pessimismo para os Panthers é o fato de que, apesar do interior da linha ser mantido no mesmo alto nível de 2015, os dois tackles que foram massacrados pelos Broncos também serão. Ou seja, Michael Oher (sim, aquele de The Blind Side, agora jogando pela direita) e Mike Remmers estarão de volta para atrapalhar a vida de Cam – existe esperança de que Daryl Williams, em seu segundo ano, ganhe uma das posições, mas mais por ruindade de Remmers que por própria qualidade.

A defesa de Josh Norman

A grande história de Carolina nesse período sem jogos, além da ressaca pós-derrota no Super Bowl foi a surpreendente saída de Josh Norman da equipe, apontado como um dos melhores cornerbacks da liga (não por Odell Beckham), após dificuldades na negociação de um novo contrato; aparentemente, Dave Gettleman e Ron Rivera julgam que, no estilo de jogo dos Panthers (defesa em que jogam em zona, ou seja, ele fica responsável por uma parte do campo e não por bloquear um jogador específico), fica fácil para qualquer cornerback razoável produzir.

De qualquer forma, a situação na secundária está, no mínimo, nebulosa. O jogador de maior destaque é Kurt Coleman, que passou por várias equipes antes de se firmar na equipe da Carolina do Norte, como mostram suas 7 interceptações em 16 jogos ano passado. Para jogar com ele, os Panthers contarão com 3 cornerbacks novatos (3 das 5 escolhas do time no draft desse ano foram CBs), rezando para que um deles sirva, disputando posição com veteranos desconhecidos.

Por outro lado, o front seven é provavelmente um dos melhores da liga. Kawann Short e Star Lotulelei são monstros no interior da linha defensiva, aplicando pressão no QB e bloqueando todos os espaços do jogo corrido adversário – some-se a eles o novato Vernon Butler (que tem gerado comparações com Wilkerson, dos Jets) e não há espaços por dentro dessa linha. Como end, Carolina contará principalmente com o veterano Charles Johnson, agora saudável após um 2015 cheio de problemas.

Para finalizar, o trio de LBs do time é simplesmente brilhante em todas as fases do jogo – corrida ou passe, eles estão lá. Luke Kuechly está sempre entre os principais jogadores defensivos da liga (teria algum DPOY não fosse por JJ Watt), e é flanqueado pelo inquebrável (teoricamente, pelo menos ele se quebra e volta melhor) Thomas Davis e Shaq Thompson, que chegou ao draft do ano passado cheio de hype (como o de ser quase um híbrido linebacker-safety), mas está tendo tempo para se adaptar ao jogo, ainda que aparecendo bem nas oportunidades que tem ao lado de Kuechly e Davis.

ESSE HOMEM.

ESSE HOMEM.

Palpite: A coisa na secundária e nos tackles é grave. Entretanto, há talento suficiente para compensá-los, especialmente durante a temporada regular. Não há um time na NFC South que tenha um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.

Tags: , , , , , , ,

COMPARTILHE