O melhor time da NFL em que nos recusamos a acreditar

22/ago/16


O general manager Mike Maccagnan conseguiu o que muitos consideravam perdido: trouxe de volta o QB Ryan Fitzpatrick (3905 jardas, 31 TDs em 2015) e pelo preço que ele queria pagar, afinal, em um mundo em que Brock Osweiler ganhará 18 milhões por ano, 12 milhões para um quarterback que produziu uma campanha de 10 vitórias e dois WRs com mais de 1000 jardas é uma barganha – considerando que sua outra alternativa era Geno Smith, que aparentemente prefere ouvir sua banda favorita, Nickelback, a ser um jogador profissional.

Além de Geno Smith, com quem ninguém mais conta como futuro QB titular em um time sério da NFL (excluindo o GM dos Jets para usá-lo como forma de pressão em Fitzpatrick), New York também terá como quarterback o rookie Christian Hackenberg, vindo da eternamente polêmica universidade de Penn St.

geno-smith

“Curto Nickelback sim, você vai fazer o quê? Me dar um soco na cara?”

Hackenberg teve uma grande temporada no seu ano de calouro em conjunto com o hoje HC dos Texans Bill O’Brien, mas regrediu muito nos dois anos seguintes com a troca no comando do time e, de acordo com ele próprio, pelo baixo nível de seus colegas, especialmente da linha ofensiva (o que é confirmado pelo que se viu nos jogos) – mas esse foi um dos grandes motivos que lhe levaram de provável escolhido no top 10 para a 51ª posição do draft de 2016.

O grande nome do ataque não está em campo

A temporada de 2016 também marcará o segundo ano do head coach Todd Bowles após cinco anos do falastrão Rex Ryan. Junto com Bowles, que recebeu a oportunidade pelo seu grande trabalho como coordenador defensivo em Arizona, também voltará uma grande mente ofensiva: Chan Gailey, apontado como o verdadeiro responsável pelo surpreendente sucesso do ataque nova-iorquino em 2015. O OC é o desenhista das jogadas que potencializam a inteligência de Ryan Fitzpatrick (interessante: o QB é formado em matemática em Harvard e acertou 100% do Wonderlic Test) e minimizam os efeitos do seu fraco braço, sempre possibilitando que pelo menos um dos WRs tenha um bom matchup.

Wide receivers que também têm grande participação nesse 12 milhões ganhados por Fitzpatrick. Brandon Marshall e Eric Decker (que pediram publicamente o retorno do seu quarterback) somaram 189 recepções, 2529 jardas e incríveis 26 touchdowns na temporada de 2015, dominando cornerbacks, impondo seu tamanho (ambos têm mais de 1.90m) e mostrando ter um grande catch radius – ou seja, ainda que as bolas não chegassem de maneira ideal, tinham capacidade de adaptar-se e se atirar até elas.

Além dos dois gigantes como alvo fora, Fitzpatrick contará com nova companhia no backfield, um RB que já demonstrou capacidade para ser um bom corredor e um incrível alvo no jogo aéreo (102 recepções em 2014), outra barganha do GM Maccagnan: Matt Forte, que assinou por 12 milhões de dólares e 3 anos – apenas para comparação, Chris Ivory saiu dos Jets para os Jaguars por 32 milhões em 5 anos.

A linha ofensiva, por outro lado, é a grande incógnita desse ataque, apesar do estilo de jogo de Chan Gailey também diminuir seu impacto acelerando as jogadas (os Jets sofreram apenas 22 sacks na temporada de 2015). A grande esperança está na recuperação do joelho sempre baleado do LT Ryan Clady (mais uma barganha do chefão da equipe), que é um dos melhores da posição quando saudável (mas perdeu absurdos 30 jogos nas últimas três temporadas). O eterno C Nick Mangold e o LG James Carpenter devem garantir estabilidade interior e boas chances no jogo corrido, mas o lado direito da linha deve sofrer mudanças em relação a 2015 após testes e competições na pré-temporada.

Chan Gaile

Tiozinho simpático? Ele ainda fará Geno Smith estuprar sua defesa.

A tradição defensiva tem que continuar

Desde os tempos de Mark Sanchez é a defesa a principal responsável por levar os Jets a grandes resultados. Por mais que a campanha de 2015 tenha chamado muito a atenção pelo surpreendente ataque, a defesa foi quem sofreu menos de 20 pontos por partida e facilitou muito as coisas para o outro lado. Entretanto, ao contrário do ataque, ela terá mais perguntas a responder antes de repetir o belo desempenho do ano passado.

Um grande (!) buraco se abre com a saída do nose tackle Damon Harrison (160kg) para os roommates (stadiummates?) New York Giants, já que Steve McLendon (140kg) não parece ter nem o tamanho ou habilidade suficiente para substituí-lo. Para sua sorte, ao menos terá aos seus lados uma rotação constante de três escolhas de primeiro round nas posições de defensive end, que deverão aterrorizar todas as linhas ofensivas e quarterbacks que o time enfrente: Muhamad Wilkerson (12 sacks em 2015), Sheldon Richardson (jogando por um novo contrato após receber a franchise tag) e Leonard Williams (63 tackles e muito potencial demonstrado como rookie).

Jets D

Não vão matar seu QB, só vão machucá-lo bastante.

A outra grande dúvida na defesa está na secundária: quanto tempo mais Darrelle Revis será “a ilha” que lhe deu fama? Após dois anos e um Super Bowl conquistado fora dos Jets, Revis voltou dando sinais de que, apesar de ainda ser um bom cornerback, já não é mais impossível lançar contra ele. Para piorar as coisas, com a dispensa do “Mr Catra da NFL”, Antonio Cromartie, os Jets não parecem ter alguém para ajudar Revis, já que entre Buster Skrine, o desconhecido Marcus Williams e o bust Dee Milliner o time não parece capaz de encontrar um bom CB – nem que combinasse os três. Pelo menos os safeties Gilchrist e Pryor são bons o suficiente na cobertura para tentar compensar a mediocridade dos companheiros.

Como adição interessante, New York contará com o atlético linebacker de Ohio St Darron Lee, que ganhou notoriedade no processo pré-draft por ter jogado como nickel CB em algumas jogadas na universidade devido a sua grande velocidade (uma característica importante para cobrir TEs como Rob Gronkowski). Outro rookie que deve se importante já esse ano nessa defesa é Jordan Jenkins, que deverá chegar já colocando pressão nos QBs a partir dessa segunda linha da defesa e permitindo que Sheldon Richardson se mantenha na sua posição original, sem ser improvisado. O veterano David Harris também deve estar de volta para seguir cumprindo um bom trabalho contra o jogo corrido, apesar do seu declínio parecer iminente.

Palpite: Nem comecem com “Brady suspenso dará a oportunidade para os Jets ganharem a divisão esse ano”. Essa divisão é dos Patriots mais uma vez. Pior, um início em 0-6 ou 1-5 não seria a coisa mais surpreendente da liga. Com uma campanha de recuperação, os Jets deverão acabar o ano entre 7-9 e 9-7, mas não devem sonhar com playoffs. De qualquer forma, o time não é melhor nem que Jaguars, nem que Raiders – o que por si só já diz muito.

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