O Heinz Field sentirá muita saudade da sua própria cortina de ferro

17/ago/16


“Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”, a mais antiga verdade da NFL (junto com “on any given Sunday…”) provavelmente será a grande responsável pelo fracasso dos Steelers essa temporada – sim, esse texto já começa com conclusões precipitadas.

O fato é que esse time dos Steelers lembra muito aquele Colts dos bons anos desperdiçados de Peyton Manning: um ataque incrível que encantará a NFL durante a temporada regular e uma defesa cujos dois únicos dois bons jogadores são os defensive ends, inevitavelmente pipocando na hora da verdade dos playoffs – vide a derrota para os Broncos na temporada passada, que fez o head coach Mike Tomlin chorar.

Tomlin que tem grande culpa na decadência da sua defesa, pela dispensa do antigo (ênfase em antigo) coordenador defensivo Dick LeBeau, que apesar de realmente já não ser mais o mesmo, bem, não precisou mais que um jogo para que se notasse sua falta: impossível esquecer o papel ridículo que fez a defesa de Pittsburgh no jogo de abertura de 2015.

Para a sorte (ou azar) de uma das maiores torcidas da NFL, o outro lado do time é mais do que capaz de iludi-la durante a temporada regular e carregar esse peso morto que chamam de defesa). Ben Roethlisberger e Antonio Brown (1834 jardas, 10 TDs somente na temporada regular) são provavelmente a melhor dupla QB-WR da NFL no momento (Eli-Beckham podem querer disputar, mas como eles não vão aos playoffs não importam muito) e dói pensar em quão melhores eles poderiam ser não fosse a dupla de idiotas formada por Martavis Bryant e Le’Veon Bell.

1BellBrown juntos

Bell, Brown e Big Ben. O ataque dos sonhos nunca jogou um jogo inteiro junto.

Primeiro a notícia boa

Começamos lembrando que Big Ben lançou para 3938 jardas em 2015, ficando na 14ª colocação na NFL, em apenas 469 tentativas e 12 jogos (11 como titular). Se igualássemos suas tentativas às 661 de Philip Rivers (2º na NFL em número de jardas lançadas), Roethlisberger lançaria para incríveis 5550 jardas, que bateriam o recorde da NFL. Sem um bom running back para os quatro primeiros jogos nem uma boa defesa para os 16, desde que se mantenha medianamente saudável (jogar machucado é bastante rotineiro para ele), talvez o recorde de jardas lançadas não seja uma proposta irreal para o quarterback.

E falando em ter pouco apoio no backfield, não cansaremos de repetir que Le’Veon Bell é um idiota determinado a atrapalhar todos no fantasy football. Após uma temporada de mais de 2000 jardas totais em 2014, Bell foi suspenso pelas duas primeiras partidas de 2015 após ser preso por posse de maconha. Em 2016, ele perderá quatro por não ter se apresentado a um teste de drogas – procedimento padrão da NFL para controlar infratores.

De qualquer forma, Bell é um sério candidato (ou talvez já seja) a melhor RB da NFL e de voltar a produzir as mesmas 2000+ jardas, já que é capaz de participar do jogo aéreo, ao contrário do principal concorrente Adrian Peterson; tudo o que tem que fazer é deixar de idiotices e prejudicar o seu time com jogos de DeAngelo Williams como titular (907 jardas e 11TDs ano passado entre suspensão e lesão de Bell, mas já com 33 anos e provavelmente perto de parar de produzir).

E entre talentosos e idiotas, também impossível deixar de observar o que faz (ou deixa de fazer por “abuso de substâncias”) o WR Martavis Bryant, 154 jardas contra Denver nos playoffs após voltar da suspensão de quatro jogos. Entretanto, como reincidente, recebeu uma punição de no mínimo uma temporada para 2016 (e a ameaça de nunca mais jogador futebol americano profissional se não andar na linha).

Pelo menos os Steelers terão opções e competição para seu lugar: Markus Wheaton e a estrela da pré-temporada Sammie Coates, depois de uma temporada inicial de mais aprendizado que jogo. E esses dois ainda disputarão a condição de “segundo alvo favorito” com o novo TE Ladarius Green, que fez grandes apresentações substituindo Antonio Gates em San Diego e foi trazido para substituir o eterno alvo de segurança de Roethlisberger, o agora aposentado Heath Miller.

Por fim, como mais da metade de times da NFL, Pittsburgh tem problemas na sua linha ofensiva. O LT Kelvin Beachum trocou o time por um clima melhor em Jacksonville e seu substituto é o pouco confiável, veterano da Guerra do Afeganistão, Alejandro Villanueva – que já demonstrou dificuldades na tarefa de proteger o lado cego de Big Ben em 2015.

Além disso, apesar de contar com uma boa proteção anterior, inclusive com o Pro Bowler David DeCastro, o time precisa rezar na esperança de que o C Maurkice Pouncey, um dos melhores da posição, consiga voltar a ter uma temporada saudável.

E agora a notícia ruim

Os DEs Cameron Heyward e Stephon Tuitt (14 sacks entre os dois) e os LBs Ryan Shazier e Bud Dupree. Aí acaba a lista de jogadores que seriam titulares absolutos em mais da metade das defesas da NFL, isso quando não estiverem desajeitados ou executando uma jogada mal planejada pelo coordenador defensivo. Para um time que já foi respeitado como uma defesa intransponível, é muito pouco.

Inclusive, parte daquela temida defesa dos anos 2000 ainda está no elenco. James Harrison (5 sacks em 2015) parece eterno do alto dos seus 38 anos, e ainda é importante para o time especialmente porque Jarvis Jones não justificou todo o hype recebido no draft de 2013 e não consegue assumir a titularidade como pass rusher oposto a Bud Dupree. Outro eterno dos “bons tempos”, que completa esse grupo de linebackers, é Lawrence Timmons (77 tackles e mais 5 sacks em 2015).

Cincinnati Bengals v Pittsburgh Steelers

38 anos e aquela vontade de garoto de agredir adversários.

A situação da defesa é complicada, mas ao contrário dos Colts de Manning (e provavelmente o de Luck também), não podemos culpar o GM Kevin Colbert por não tentar, como mostram suas três primeiras escolhas no draft de 2016 (inclusive, Colbert só escolheu jogadores ofensivos na primeira rodada em 2010 e 2012, e foram dois OLs).

Agora, Javon Hargrave (na terceira rodada) foi trazido para ocupar de imediato a posição de nose tackle entre Tuitt e Heyward, substituindo Steve McLendon, que tampouco teve um bom 2015.

Já o CB Artie Burns e o S Sean Davis foram as duas primeiras escolhas, em uma tentativa de melhorar uma secundária que cedeu 4661 jardas (30ª na NFL) no ano passado. O problema é que, enquanto Davis deve ser imediatamente titular ao lado de Mike Mitchell, Burns foi escolhido mais pelo seu potencial físico e deve passar por um período de adaptação antes de ser confiável (pense em Trae Waynes nos Vikings ano passado). Enquanto isso, o time dependerá de Ross Cockrell, que tem dificuldades nos tackles apesar de cobrir bem, e do também veterano e decadente William Gay para cobrir os WRs adversários. Enfim, estamos diante do roteiro de um pesadelo.

Palpite: Esse ataque é maravilhoso, não há dúvidas. O problema é que a NFL também está cheia de grandes ataques e muitos deles estão no caminho dos Steelers. Se ganhar TODAS as partidas dentro da medíocre divisão (Andy Dalton vai acabar ganhando ela de novo) poderá sonhar com os playoffs, mas acho um 8-8 mais provável. De qualquer forma, como título moral, este ataque ainda será uma bela fonte de opções no fantasy.

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