Não vamos a lugar nenhum (e não temos vergonha disso)

31/ago/16


Por um breve espaço de tempo, aquele lapso entre nada e coisa alguma, o Atlanta Falcons foi o melhor time da NFL em 2015. Por um instante, Matt Ryan era o melhor QB da liga, Devonta Freeman conquistava corações órfãos e Julio Jones… Bem, Julio Jones sempre foi Julio Jones. Essa combinação explosiva rendeu vitórias contra Redskins, Giants, Eagles, Dallas e Houston. O Texans, aliás, levava 42-0 após três quartos. O futuro parecia brilhante e o céu (Super Bowl) era o limite!

A verdade, porém, é que ele foi cruel – não que nos importemos com o Falcons, sabemos que ninguém se importa com o Falcons. Como sentir alguma compaixão de um time que sai de um 5-0 para um 3-8, passando por uma sequência em que o único triunfo em oito partidas foi sob um Tennessee Titans que tinha Zach Mettenberg como quarterback titular? Nossos avós já nos avisaram que é feio bater em bêbado.

O fato é que, em um primeiro momento, o HC Dan Quinn fez tudo parecer fácil. Ele começou corrigindo minimamente a defesa, sua especialidade, até que nada mais deu certo. E se o início foi arrasador, no final ninguém se salvou. O próprio Matt Ryan, referência da equipe, parecia inerte e incapaz de reagir. Seus números finais ajudam a demonstrar a catástrofe: foram apenas 21 touchdowns, 16 interceptações e um rating de 89.

Mas enquanto QBs tradicionalmente são os maiores culpados por todo e qualquer fracasso, seria injusto dar a Ryan a maior carga deste fardo quando seu ataque teve 37 drops, a quarta maior marca da liga.

De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan?

[Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]

Há luz no fim do túnel?

Dan Quinn foi contratado para dar um pouco de credibilidade aquela que até então era umas das piores defesas da NFL. Não podemos negar que houve uma certa evolução, mas a verdade é que o cenário anterior era tão deprimente que parar em pé já seria considerado positivo.

Mesmo assim, esse leve crescimento influenciou positivamente no ataque dos Falcons, já sob responsabilidade do coordenador ofensivo Kyle Shanahan. Shanahan começou o trabalho pela linha ofensiva, moldando-a à mesma forma que seu pai, Mike Shanahan, consagrou em Denver. O resultado foi um Falcons dominante pelo chão, liderados por um Devonta Freeman ensandecido (1056 jardas e 11 TDs) que provavelmente nunca mais veremos.

Os números citado acima, claro, estão inflados pelo começo arrasador, já que na reta final Freeman ganhou pouco mais de 3 jardas por tentativa. 2016 deve lhe render uma nova chance, ao menos no início da temporada porque, aos poucos, Tevin Coleman, em sua segunda temporada, deve ter mais oportunidades – sua média de 4,5 jardas por tentativa em 2015 reforça esta impressão, porém também é verdade que ele teve apenas duas recepções, número insignificante quando comparado a Devonta.

De qualquer forma, o grande reforço para a nova temporada também está nas trincheiras: qualquer RB agradeceria por ter o C Alex Mack a sua frente, abrindo espaços. E por isso Atlanta despejou um caminhão de dinheiro no ex-jogador do Browns.

“VOU PARA UM TIME DE VERDADE AGORA!!!” (inocente)

Talvez o túnel não tenha fim

Se Matt Ryan teve apenas quatro interceptações nos primeiros cinco jogos, depois a carroça desandou: foram 12 nas 11 partidas restantes. O Falcons ainda perdeu cinco partidas por 4 pontos ou menos e três delas (Saints, Bucs e Colts) acabaram em interceptações de Matt Ryan.

Há quem justifique o excesso de turnovers por um certo desconforto com o novo sistema implantado, mas, quando analisados as jogadas isoladamente, vemos que boa parte deles vieram de passes forçados ou decisões estúpidas.

Aqui, mesmo que sejamos um pouco condescendentes com Matt Ryan, começamos a perceber que no fundo Atlanta não tem acompanhado seu potencial ofensivo nos últimos anos; o jogo corrido se reencontrou apenas na última temporada, enquanto o jogo aéreo insiste em se resumir a um homem só. Julio Jones é um dos melhores WRs da NFL e inquestionavelmente o principal alvo de Ryan. Principal? Sejamos sinceros: hoje Jones é o único alvo de Ryan.

Em seus melhores momentos, assim como qualquer mortal, Ryan teve opções. Por um período de tempo, teve Tony Gonzalez ou ainda Roddy White – antes de se tornarem zumbis, claro.  E nenhum dos dois foi substituído à altura.

A esperança agora está no rookie Austin Hooper, que possui porte atlético, mas provavelmente não estará pronto para contribuir imediatamente (como a maioria dos WRs novatos). Por isso, é bem provável que Jones precise continuar fazendo tudo sozinho, já que para substituir o que restou de White, o Falcons trouxe Mohamed Sanu – mas seria melhor ter gasto menos dinheiro com os restos mortais de Roddy do que com Sanu.

Bom, vamos parar de falar de Mohamed Sanu, nos entristece lembrar que ele ganhará US$32 milhões enquanto estamos aqui cagando regra de graça.

Um túnel longo e escuro

Se há inúmeros problemas no ataque, não há nada comparado a esta defesa. Mas vamos começar pelo lado positivo [spoiler II: será um conversa curta]: há um ótimo cornerback em Robert Alford e Desmond Trufant é mais do que isso, se solidificando cada dia como um dos melhores da posição – ele permitiu uma porcentagem de conclusão inferior a 60% pelo terceiro ano consecutivo. Também é preciso ressaltar que a bola foi lançada sob sua cobertura apenas 56 vezes, contra uma média superior a 90 lançamentos em suas duas primeiras temporadas; o que só prova como os coordenadores ofensivos o enxergam. E, bem, acabaram as boas notícias.

O restante é uma tristeza sem fim: a defesa contra o jogo corrido dependerá do velho Johnathan Babineaux pelo interior da linha defensiva e de dois rookies que ainda tem que se adaptar à velocidade da NFL em Deion Jones e De’Vondre Campbell, já que os velhos linebackers como Philip Wheeler e Sean Wheatherspoon não se mostraram capazes de cumprir bem os seus papéis.

Enquanto isso, para tentar colaborar com o trabalho de Trufant e Alford, Jalen Collins, escolha de segunda rodada em 2015, simplesmente fedeu em seu primeiro ano, enquanto Vic Beasley, escolha de primeira rodada no mesmo ano, ganhou o título de bust antes da metade da temporada. Como resultado, Atlanta conseguiu apenas 19 sacks em 2015. Para tentar melhorar o pass rush, que não funciona desde a saída de John Abraham, o Falcons ainda trouxe Courtney Upshaw (5 sacks… em 4 anos na liga) – para ajudar o Baltimore Ravens, obviamente, que se livrou desta desgraça.

Uma das melhores duplas de CBs da liga. Jogando sozinhos.

Uma das melhores duplas de CBs da liga. Jogando sozinhos.

Palpite: a grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.

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