Não precisamos de Peyton Manning, afinal temos Von Miller

24/ago/16


Quando entrar em campo em 2016, o Denver Broncos não verá a camisa 18 e a testa gigantesca de um dos maiores jogadores de todos os tempos. Peyton Manning está aposentado e nesse momento deve estar em algum lugar do sul dos EUA extremamente ocupado regando plantas, jogando dominó e gravando comerciais bizarros. Pode parecer estranho, mas a aposentadoria do QB detentor de grande parte dos recordes da NFL será o grande reforço do Denver Broncos para 2016. Essa afirmação soa ainda mais absurda quando lembramos que existe uma grande possibilidade de que Mark Sanchez seja o quarterback titular do time. Seria a transição do que muitos consideram o maior QB de todos os tempos para um dos jogadores mais risíveis que já pisaram em um gramado.

E como isso pode ser bom para o Broncos? Peyton Manning foi um dos piores QBs da NFL em 2015. Se hoje é considerado um gênio que revolucionou a posição, não foi pelo que fez na temporada passada. É conveniente esquecer estatísticas horrorosas quando o jogador está segurando o Lombardy Trophy em Fevereiro, mas o que Peyton fez em 2015 é tão ruim que merece (e deve) ser lembrado. Foram apenas 9 TDs, 17 INTs e um passer rating de 67,9, o pior da liga. Manning foi tão ruim que virtualmente qualquer QB que vista a camisa do Broncos em 2016 será um reforço, inclusive Mark Sanchez. Estamos falando de um time que venceu um Super Bowl desafiando a lógica da NFL atual, em que QBs são os principais responsáveis pelos sucessos e pelos fracassos. Até mesmo Brock Osweiller, que substituiu Manning em alguns jogos e que acabou recebendo um contrato absurdo no Houston Texans, foi apenas medíocre em 2015. O Broncos conseguiu vencer e se tornar à prova de QBs ruins.

Ok, mas o que isso tudo significa para a temporada 2016 do Denver Broncos? Não vai ser agradável, mas quer dizer que a torcida não precisa entrar em pânico caso Mark Sanchez receba o primeiro snap na revanche contra o Carolina Panthers. Também não precisa ter um colapso nervoso caso o escolhido seja o rookie Paxton Lynch. Até mesmo o desconhecido Trevor Siemian parece ter chance de ganhar a vaga de titular. A verdade é que o Broncos só precisa de um QB que não comprometa. O resto do time resolverá tudo.

Amemos John Elway sobre todas as coisas

John Elway não fez um grande esforço para renovar o contrato de Brock Osweiller, que estava em Denver há quatro anos e deveria ser o sucessor natural de Manning. Elway parece concordar com a tese de que qualquer um pode ter sucesso em Denver e não estava disposto a pagar nada próximo aos US$ 37 milhões garantidos em dois anos que Osweiller recebeu do Houston Texans. Sem opções viáveis no mercado, preferiu contratar um veterano barato para quebrar um galho durante a transição do rookie que escolheu no primeiro round do draft.

O veterano Mark Sanchez e o rookie Paxton Lynch parecem ser os favoritos a vencer a batalha pela titularidade, mas Trevor Siemian (quem?) vem ganhando hype e terá a chance de começar como titular o jogo contra o Los Angeles Rams pela semana 3 da pré-temporada. A não ser que consiga impressionar os técnicos com uma atuação muito acima da média, Siemian não deve passar de um jogador que se destaca nos treinos e que serve para deixar os outros QBs com a pulga atrás da orelha. De qualquer forma, são três jogadores em uma disputa franca pela titularidade.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Mark Sanchez vença a disputa e seja titular até um pouco antes da metade da temporada, quando começará a fazer muita bosta e será substituído por Lynch, já um pouco mais amadurecido. Nenhum deles terá números astronômicos, mas também não estarão entre os piores da liga: o sistema ofensivo do head coach Gary Kubiak costuma mascarar defeitos dos QBs. Com ênfase no jogo corrido e com muitas play actions, Kubiak conseguiu produzir números razoáveis com QBs abaixo da média em Houston, por exemplo.

Quem quer que vença a batalha terá à disposição uma das melhores duplas de recebedores da liga. Demaryius Thomas e Emmanuel Sanders talvez já tenham passado do auge, mas ainda são WRs acima da média. Times como o Los Angeles Rams e o Tennessee Titans, por exemplo, dariam tudo para ter uma dupla desse calibre. Devido à natureza do ataque e à qualidade da defesa, é difícil imaginar qualquer um dos dois tendo números monstruosos. Demaryius parece ser o que tem mais chance de produzir estatísticas respeitáveis. Se lembrarmos novamente de Gary Kubiak em Houston, lembraremos de Andre Johnson tendo bons números – e mais ninguém. Além disso, como a defesa é muito boa, o ataque não tem a obrigação de marcar muitos pontos, o que limita o teto dos recebedores.

1MARKAUM

“É, torcida, acreditar nessa defesa, né?”

Não temos QB, então vamos correr

O jogo corrido deve ser o pilar de sustentação do ataque. Kubiak deve correr bastante com a bola para limitar as prováveis inconsistências de seus QBs. C.J. Anderson será o principal RB do time e terá que provar que vale o contrato de quatro anos e US$ 18 milhões, com US$ 5 milhões de bônus, assinado em março, quando o Broncos decidiu cobrir o salário oferecido ao jogador pelo Miami Dolphins. Se permanecer saudável, com o volume que poderá receber, deve melhorar os números medíocres de 2015: dividindo as carregadas quase igualmente com Ronnie Hillman, Anderson conseguiu apenas 720 jardas e 5 TDs. Com menos disputa por oportunidades de correr com a bola, já que alguns acreditam até que Hillman deva ser cortado, C.J. deve ultrapassar a marca de 1000 jardas e se aproximar dos 8 TDs. Devontae Booker, rookie escolhido no quarto round, deve servir como complemento e pode receber oportunidades caso Anderson não jogue bem.

Quem quer que esteja correndo com a bola para o Broncos terá que se adaptar a uma linha ofensiva completamente desfigurada. Do quinteto que iniciou o Super Bowl, restou apenas o C Matt Paradis. Como é uma unidade que depende muito do entrosamento, a linha ofensiva deve ter problemas pelo menos nos primeiros jogos e ocupa apenas a posição 28 no ranking do site Pro Football Focus.

Deus no céu e Von Miller na terra

O grande trunfo do Denver Broncos para 2016 é o mesmo que o levou à vitória no Super Bowl: uma defesa agressiva que aterroriza os ataques adversários. Mesmo com as perdas de Danny Trevathan e de Malik Jackson, que só não foi MVP do Super Bowl porque Von Miller existe, o front seven do Broncos deve continuar sendo um dos melhores da NFL. A linha defensiva deve continuar eficiente contra o jogo corrido e ajudar a colocar pressão no pass rush. Os linebackers, liderados por Von Miller e Brandon Marshall, são os melhores da liga pressionando o quarterback e também são extremamente capazes fazendo a cobertura do passe.

A receita da defesa (quase) perfeita fica completa com a melhor secundária da liga, que permanece intocada. Talvez Chris Harris, Aqib Talib e Bradley Roby individualmente não sejam os melhores jogadores da NFL na posição, mas formam o grupo de cornerbacks mais completo. Já os safeties T.J. Ward e Darian Stewart não são tão brilhantes quanto os cornerbacks, mas não chegam a comprometer.

Se conseguir manter a absurda pressão que colocou nos QBs adversários em 2015 (Cam Newton não consegue esquecer), e não há motivos para acreditar que haverá uma queda drástica, o Broncos continuará sendo a melhor defesa da NFL em 2016. E só ela basta para ter grandes planos.

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Sempre legal lembrar de Miller infernizando a vida de Cam Newton.

Palpite: em uma divisão que tem vários times em ascensão, o Denver Broncos terá dificuldades, mas conseguirá uma suada classificação aos playoffs, com o recorde de 10-6. Von Miller continuará comandando a melhor defesa da NFL, enquanto o ataque será razoável e não chegará a prejudicar o time. Entretanto, o desempenho na pós-temporada não será bom o suficiente e Denver acabará eliminado para um time obscuro logo na rodada de Wild Card. Nunca erramos uma previsão, acreditem – mas também ainda não acertamos!

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