Não acredite em Ryan Tannehill e Arian Foster; aproveite seu dia na praia!

19/ago/16


Adoramos números e estatísticas. Na verdade, eles são um grande escudo para qualquer fã de esportes americanos. Mas, ao mesmo tempo em que podem embasar teses e ajudar a provar que estamos falando de grandes jogadores ou equipes, muitas vezes também podem esconder atletas abaixo da linha da mediocridade. Como este é um texto sobre o Miami Dolphins, está claro que estamos falando de Ryan Tannehill, não é?

A verdade é que mesmo superando as quatro mil jardas pelo segundo ano consecutivo, Ryan foi uma grande decepção na maior parte da última temporada; seu percentual de passes completos não chegou a 65%, isto aliado a uma média menor que 8 jardas por passe. Com estes números não surpreende constatar que o Dolphins terminou com média inferior a 20 pontos por partida.

A última chance de Tannehill

Por mais estranho que possa parecer, há alguns motivos para (tentar) acreditar que o destino do Dolphins em 2016-2017 será diferente e um deles é o head coach Adam Gase. Todos concordamos que Joe Philbin foi demitido com um ano de atraso – na verdade um ano e quatro jogos, já que Stephen Ross, proprietário da equipe, é tão teimoso quanto uma mula empacada. E, apesar do significativo apoio do elenco para manter Dan Campbell, Ross fez a escolha correta ao contratar Gase.

Um dos trunfos de Adam na NFL é obter o máximo de quarterbacks em diferentes estágios de sua carreira. Foi assim ao, digamos, “recuperar” Peyton Manning no Denver Broncos; ao potencializar bons momentos do também medíocre Jay Cutler ano passado quando ocupou o cargo de coordenador ofensivo em Chicago e, bem, vocês lembram de Tim Tebow no início de sua carreira, não é mesmo?

De todo modo, o currículo de Gase já elimina qualquer desculpa para, daqui em diante, Ryan Tannehill estar abaixo da mediocridade. Pesa ainda fato de que o QB tem a sua disposição um sólido corpo de recebedores: Jarvis Landry vem se consolidado como um dos melhores WRs da NFL (110 recepções para 1157 jardas e 4 touchdowns – além de um TD corrido – em 2015) e DeVante Parker, mesmo não tendo um primeiro ano de encher os olhos, demonstrou talento (quatro jogos com mais de 80 jardas nas últimas seis partidas da temporada; ao todo foram 26 recepções, para pouco menos de 500 jardas e 3 touchdowns).

Há, ainda, a chance de Jordan Cameron responder após um ano tenebroso – Gase, sobretudo, acredita que ele não foi utilizado corretamente na temporada que passou.

QBs medíocres também precisam de proteção

É evidente que questionamos o talento e não somos grandes fãs de Ryan Tannehill, mas qualquer QB precisa do mínimo de proteção para mostrar algo e, por muito tempo, a linha ofensiva do Dolphins simplesmente fedeu. Apenas para ficar com Tannehill: desde 2012, ele sofreu 184 sacks.

Agora a pressão está ali: Ryan sabe que se não mostrar alguma evolução em seu quinto ano na liga, provavelmente não haverá para ele uma sexta temporada. Mas para isso ele precisa de ajuda. A temporada que passou beirou o caos; quando o OT Ja’Wuan James e o C Mike Pouncey se lesionaram, simplesmente não havia profundidade no elenco para manter um nível sequer próximo ao proporcionado pelos titulares.

Com ambos saudáveis, espera-se que a história seja diferente. Some-se a eles as adições dos OTs Jermon Bushrod, que veio de Chicago, e do rookie Laremy Tunsil. Tunsil, aliás, tem uma das histórias mais curiosas do último draft. E é preciso parabenizar o Dolphins por escolhê-lo (e este é o Pick Six elogiando o Dolphins; definitivamente não temos nenhuma credibilidade).

Bem, Laremy era cotado para ser uma das primeiras escolhas da última seleção, mas no dia do draft, um vídeo do atleta inocentemente curtindo seu bong de maconha acabou viralizando nas redes sociais.

O OT caiu no colo de Miami e a verdade é que se trata de um atleta pronto para a NFL, com capacidade atlética e velocidade proporcionalmente assustadoras. É um protetor sólido contra o pass rush e deve resolver problemas históricos e constantes na OL de Miami, que pode ser construída ao seu redor: Ja’Wuan James e Mike Pouncey podem se focar no centro da defesa adversária e Branden Albert, se saudável, pode render como RT – Albert tem talento, mas perdeu 16 jogos nas últimas quatro temporadas.

De qualquer forma a empolgação com o novato é tanta que o G Billy Turner declarou que a equipe tem “potencial para ser a melhor linha ofensiva da NFL”. Calma, Turner: não feder e estar acima da 15ª colocação já será surpreendente e deixará os torcedores felizes.

Defender é para os fracos

É fácil prever que o sistema defensivo do Dolphins irá implodir, afinal, eles contrataram o defensive end Mario Williams. Será um fracasso: Mario está com 31 anos e há muito tempo não é o jogador que chegou a impressionar no Houston Texans. Na última temporada, com os Bills, ele mal conseguiu fingir algum interesse.

Para piorar, Williams estará ao lado de Cameron Wake, um DE de 34 primaveras que não possui sequer uma fibra muscular saudável em seu corpo, o que nos leva a crer que dificilmente voltará a ser o atleta que um dia foi. Cenário este que torna pouco provável que o Dolphins pressione o quarterback adversário.

Resta confiar em Ndamukong Suh. E para confiar em Suh é preciso olhar além de sua temporada passada dos Dolphins. O fato é que ele não teve um primeiro ano ruim na Flórida – porém também é verdade que, pelo que Miami paga por ele, qualquer coisa diferente de “incrível” seria criticada. Mas precisamos ser justos: nada funcionava e, além do seu trabalho, Ndamukong precisava compensar as deficiências de três ou quatro colegas de equipe.

SUUUUUH

Que crime cometerá Suh em campo nessa temporada?

Fedemos, não sabemos contratar e mesmo assim fazemos trocas estúpidas

O inexplicável paira sob o Dolphins e eles foram atrás de dois jogadores que certamente gostariam de apagar 2015-2016 de seus currículos. Em uma troca até agora difícil de compreender com o Eagles, Miami adquiriu o LB Kiko Alonso, que teve um ano terrível – embora seja preciso considerar que Alonso vinha de uma lesão no joelho que o fez perder toda a temporada em 2014. Não contentes com Alonso, os Dolphins ainda trouxeram o cornerback Byron Maxwell, possivelmente uma das maiores enganações que já pisou em um campo de football.

Vamos reconhecer que nos Eagles, pela primeira vez na carreira, Byron foi responsável por marcar o WR1 dos adversários. E falhou miseravelmente. Agora Maxwell deve ter o mesmo papel em Miami, que conta com uma das piores secundárias da NFL: no ano passado, a defesa contra o passe do Dolphins cedeu um percentual de conclusão superior a 65% e um passer rating de 97,4. Além disso, terminou na 28ª colocação em terceiras descidas (43,4% de conversão). Está longe de ser animador.

Só para completar os “bons” números, vamos a mais dois: Miami também ocupou a 28ª colocação em jardas corridas cedidas (126,2) por partida e a 21ª em jardas por jogada (5,6).

Você sentirá saudades de Lamar Miller

Acreditem: Lamar Miller será uma perda difícil de superar. Sem dúvida ele terá ótimos jogos em Houston e o torcedor do Dolphins sofrerá ao ver os touchdowns anotados por ele em alguma tarde quente de domingo.

Para Miami, restou Jay Ajayi, mas é provável que nem os pais de Ajayi confiem em seu talento como RB. Já do draft veio Kenyan Drake, que demonstrou potencial em Alabama, mas devido a sua fragilidade está longe de ser uma aposta confiável: no college football sofreu com diversas lesões, sobretudo no tornozelo.

Da free agency vem a maior (ou única) esperança e ela está em Arian Foster, que em 2010 liderou a NFL com 1616 jardas quando jogava em Houston – e por mais três vezes (2011, 2012 e 2014) Foster superou a marca das 1000 jardas. Mas as lesões o perseguem e aos 29 anos é pouco provável que um RB sem um tendão confiável recupere a velha forma: é uma lesão muitas vezes definitiva para atletas da posição, potencializada naqueles que beiram os 30 anos e terrível para quem perdeu praticamente metade das últimas três temporadas combinando diferentes lesões.

De qualquer forma, não podemos negar que Foster está no melhor lugar que poderia imaginar para recuperar seu prestígio: um time com um quarterback que nunca se mostrou efetivamente confiável e que precisará desesperadamente correr. É um caminho longo a ser percorrido e, no meio do percurso, Foster precisará convencer uma franquia que está saudável o suficiente para, aos poucos, se tornar protagonista. Spoiler: não vai acontecer.

Em um mundo perfeito ele teria auxílio de Jay Ajayi. Mas, como já foi dito, ninguém em sã consciência confiaria em Ajayi. Resta ao Dolphins confiar nos tendões de Arian Foster. Não é o melhor dos cenários, mas talvez fosse ainda pior se a franquia tivesse um QB horrível.

Palpite: Garoppolo é melhor que Tanehill e anotará 6 TDs contra Miami. Na semana 5, Foster desistirá da carreira, Suh será suspenso por tentar matar Mariota e Adam Gase lembrará de seus dias treinando Tebow. Na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar.

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