Los Angeles Rams: ao infinito e além

30/jan/19


É um roteiro batido. Você já está cansado de ver em filmes, livros e séries narrativas que mostram uma nova mente brilhante enfrentando uma mente brilhante experiente – geralmente uma quer tomar o lugar da outra.

É impossível não traçar o paralelo dessas narrativas com o que veremos no Super Bowl LIII. De um lado a mente ofensiva e inovadora de Sean McVay, do outro a experiência e a maestria de Bill Belichick. Esse último já enfrentou todo tipo de adversário, vencendo a maioria deles. Já o novato está apenas no início de sua jornada, e o desafio de agora provavelmente servirá como termômetro para o resto de sua carreira.

“Não conseguiu vencer um técnico mais experiente.” vs “Não conseguiu superar as inovações de quem é o futuro da liga.”

Independentemente do resultado, as narrativas e os desdobramentos são até mesmo previsíveis.

Chegando até aqui

Há dois anos, quando o New England Patriots enfrentava o Atlanta Falcons, Sean McVay não era conhecido como é hoje. Recém contratado pelos Rams, McVay tinha como destaque o simples fato de ser novo. Dois anos depois, Sean é discutivelmente o técnico ativo com maior influência na liga e no pensamento coletivo do futebol americano. Treinadores que trabalharam com ele viraram HCs, e a tendência na NFL é de contratar jovens mentes capazes de trabalhar com o franchise QB – nenhum deles necessariamente provado. Se Sean McVay foi uma aposta, outros times tentam usar mercados diferentes para obter o mesmo resultado.

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2017 foi a temporada de apresentação das capacidades de McVay. Após assumir um time marcado pela mediocridade dos anos de Jeff Fisher, Sean levou a franquia a uma temporada com record 11-5 e o primeiro título de divisão desde que você assiste a NFL (com exceção de meia dúzia de malucos).

O trabalho mostrou resultado em números e no “teste do olho”. O Rams deixou a areia movediça da apatia para se tornar uma das equipes mais legais de se assistir. Jared Goff, que até então parecia destinado a estampar listas em que é citado junto com JaMarcus Russell e insira aqui também um QB escolhido na primeira escolha do draft que você desgosta. Em uma tacada só Los Angeles percebeu que tinha o seu quarterback e o HC do futuro. Resultado difícil de ter acontecido se o contratado tivesse sido Vance Joseph (in memorian), por exemplo.

Tirando as rodinhas

Como todo super-herói (e o Venom) em sua história de origem, a franquia da Califórnia precisou de um período para descobrir do que era capaz. Terminado o laboratório em 2017, a diretoria decidiu dar o próximo passo. Ou, se preferir, o famoso all in. Ndamukong Suh, Aqib Talib, Marcus Peters e Dante Fowler Jr foram adquiridos na defesa, e Brandin Cooks foi a peça escolhida para completar o ataque.

O resultado não foi diferente do esperado. Durante toda temporada o Rams era apontado como, se não a melhor, uma das melhores equipes da NFL. Podemos até mesmo discutir se, mesmo nesse patamar, o time já havia atingido todo seu potencial – dependendo de como encaramos a situação, pode ser uma falha ou sucesso, afinal você deve estar preparado para vencer seus desafios mesmo quando não está 100%.

E, tal qual em um filme de super-herói, a primeira batalha pareceu apenas o prelúdio do terceiro e último ato. A derrota em New Orleans na temporada regular custou a LA a oportunidade de ter mando de campo nos playoffs. Mas, tal qual os roteiros de Hollywood já nos ensinaram, o que importa é o final da história. É como as histórias acontecem o que nos faz nos apaixonarmos pelos personagens, mas sempre lembramos do final.

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Assim, o Rams mostrou que poderia aumentar ainda mais seus poderes para vencer os Saints no Superdome – a primeira derrota de Drew Brees em casa na pós-temporada. Pouco importa se pareceu truque de roteiro, a história só se lembra dos vencedores.

O mundo está assistindo

O Super Bowl é um evento atípico. É quando muitas pessoas param para assistir a um jogo que às vezes nem entendem. A NFL é composta por 32 times, e apenas dois podem ter os olhos do mundo no início de fevereiro. Estar lá já é uma pequena grande vitória.

Porém, como a história nos mostra, os vencedores estão em outro patamar. Jogadores são alçados ao status de lendas simplesmente porque centímetros jogaram a seu favor. O mérito é estar lá para ter os detalhes jogando ao seu lado. Com apenas duas temporadas, alguém duvida que essa será a única chance do Los Angeles Rams de chegar nessa posição novamente? O resultado final vale tudo e não vale nada.

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