Jimmy, San Francisco e a procura pelo QB ideal

15/dez/17


Existe uma questão que praticamente todo time da NFL que passa por uma reconstrução precisa cedo ou tarde responder. E a resposta para essa pergunta, muitas vezes, pode determinar o sucesso ou fracasso de um período inteiro de reconstrução, e definir o futuro da franquia.

Como conseguir o seu quarterback para o futuro?

Querendo ou não, a posição de QB é de longe a mais importante do futebol americano, e muitas vezes o diferencial entre o sucesso e o fracasso. Existe um motivo pra que 90% dos vencedores do prêmio de MVP sejam quarterbacks. Então se você é um time ruim que quer ser bom, a melhor forma de atingir essa virada – e, talvez mais importante, de garantir que essa virada seja sustentável no médio e longo prazo – é conseguir acertar em cheio no jogador que você escolhe para comandar o ataque da sua franquia. Times como Jets e Texans tentaram se reconstruir muitas vezes nos últimos anos, mas sem achar uma solução para a posição, sempre dependeram de um sucesso pontual em meio a diversos anos decepcionantes (o Texans, claro, parece enfim ter encontrado seu QB). O Browns nunca conseguiu uma reconstrução em parte por nunca ter achado o seu quarterback. Times como o Jaguars – que deve finalmente voltar aos playoffs esse ano e está 9-4 – podem conseguir um bom ano atrás de uma dominante defesa apesar de ter Blake Bortles como titular. Mas pense em quantos anos de boas defesas não foram desperdiçados em Jacksonville, Chicago, Saint Louis (descanse em paz) e Minnesota devido à incerteza na principal posição do jogo.

Por isso times que estão em reconstrução precisam, em algum momento, encarar essa mesma questão e decidir de onde vão tirar um quarterback para chamar de seu. E, como todo jogador, existem três formas de se adquirir um: por troca, pelo Draft, ou contratando um agente livre. E o pior, ou talvez mais interessante, é que não existe uma resposta certa. Todos os três meios têm seus prós e contras, e não existe uma maneira segura de garantir que seu time vai encontrar uma solução para os próximos 10 anos. GMs inteligentes em reconstruções são os que mantém as três vias abertas e manipulam seus ativos de forma a maximizar suas chances, e se colocam assim em uma boa situação para aproveitar as oportunidades que aparecem.

O Draft costuma ser a via mais utilizada por tais times em busca de um franchise QB, o que faz bastante sentido. Times em reconstrução costumam ser ruins e ganhar poucos jogos, o que significa que escolhem perto do topo do Draft com frequência – o lugar onde costumam se encontrar os melhores QBs. Dos 32 QBs titulares “ideais” nesse ano na NFL, 20 deles foram selecionados na primeira rodada, e 5 outros na segunda rodada. Uma escolha alta no Draft é, em tese, a melhor maneira de garantir que esses jogadores estejam no seu time.

Outro benefício de encontrar esse jogador no Draft é que isso garante a você 5 anos baratos (no caso da primeira rodada, ou 4, no caso de outras rodadas e, por fim, se você for um mago do scouting, 3 anos no caso de jogadores Undrafted) para a posição mais cara do time, economizando assim um valioso dinheiro que pode ser usado em outras posições importantes (Russell Wilson, escolha de 3ª rodada, é o melhor exemplo disso: durante 4 anos o Seahawks teve seu Franchise QB ganhando 1 milhão por ano, e pôde gastar esse dinheiro para ir na free agency contratar estrelas e renovar com seus melhores jogadores, montando assim a espinha dorsal do time campeão em 2013).

Mas o Draft também é de certa forma uma loteria. O índice de acertos não é grande o suficiente para essa ser uma opção de baixo risco, e escolher o QB errado no topo do Draft é uma coisa que pode atrasar sua reconstrução em anos enquanto a franquia fica comprometida com um jogador ruim. O Rams escolheu Sam Bradford, não deu certo, e demorou 8 anos até voltar a ser um time competitivo (embora Jeff Fisher tenha lá sua parcela de culpa). Titans, Jaguars e Vikings escolheram, respectivamente, Jake Locker, Blaine Gabbert e Christian Ponder no mesmo Draft, e demoraram anos para se recuperar da decisão. O Broncos parece ter errado feio com Paxton Lynch, e agora tem talvez a pior situação de QBs da NFL segurando o que deveria ser um ótimo time. E, para para piorar o problema, muito do sucesso no Draft envolve a forma como os times desenvolvem os jovens talentos que adquiriram, e um time em reconstrução normalmente não tem grandes peças para colocar em volta de um jovem QB e auxiliar seu desenvolvimento (pense em Alex Smith, escolha #1 de 2005, com os 49ers), o que pode diminuir as chances de sucesso de uma escolha desse tipo. É uma opção de alto risco.

Buscar esse QB na free agency não tem o mesmo risco, mas também é uma oportunidade infinitamente mais limitada por um simples motivo: franchise QBs simplesmente não chegam no mercado. A estrutura de salários da NFL – em especial a Franchise Tag – gera incentivos muito maiores para os times manterem suas grandes estrelas, e como QB é a posição mais importante do time, esses são os jogadores que as equipes concentram esforços para manter. Situações como as de Drew Brees e Peyton Manning são enormes outliers – contextos muito únicos com questões complicadas de lesões para adicionar – que times em reconstrução dificilmente podem prever ou se apoiar como uma estratégia confiável. Os QBs que normalmente se encontram no mercado são os medianos , os Tyrod Taylors e Jay Cutlers da vida, que podem até servir em um situação favorável, mas estão longe de serem uma garantia – caso contrário não estariam disponíveis. Certo, Brock Osweiler?

O que o desespero não faz com as pessoas.

Geralmente os melhores resultados na free agency vêm para times que fazem compras baratas e apostam em um jogador que floresce em um contexto favorável e específico, com o Vikings encontrou esse ano com Case Keenum ou o Cardinals com Carson Palmer. Mas esses casos são minoria, e ambos tiveram sucesso em parte porque encontraram uma situação muito favorável e um time extremamente completo e bem montado ao seu redor, situação que um time ruim em reconstrução dificilmente pode proporcionar. Além disso, não é como se fossem apostas feitas com convicção: Keenum foi contratado para ser a terceira opção atrás de Bradford e um Teddy Bridgewater em recuperação, e se o Vikings tivesse a menor ideia de que Keenum iria explodir em Minnesota, com certeza teria oferecido a ele um contrato mais longo que mantivesse-o sob controle da franquia por mais tempo (e a um baixo custo).

Por fim, as trocas são as situações mais imprevisíveis das três. Franchise QBs raramente ficam disponíveis para troca, e os jogadores que ficam muitas vezes são os que enfrentam muitas dúvidas ou que dependiam muito de um esquema tático específico. A melhor situação é algo como o que  aconteceu com Alex Smith – um bom QB “forçado” ao banco por uma opção melhor – e ainda assim são situações que costumam envolver um alto preço, muitas vezes em escolhas de Draft, que um time em reconstrução pode hesitar em pagar, a menos que o interesse seja muito grande – ou a janela esteja fechando. É talvez a opção mais interessante por oferecer maior variedade de situações, e a que os GMs mais precisam estar alertas para aproveitar quando aparece, mas também é uma via bastante escassa.

Então considerando a imprevisibilidade e alto custo da primeira opção, e a baixa oferta das últimas duas, não é de se espantar que tantos times esbarrem na dificuldade de achar um bom quarterback para seu time, especialmente um que faça sentido com a timeline do resto do seu elenco. Cometa um erro com a opção errada, e seu time pode se atrasar em anos até voltar a ser competitivo. Deixe passar uma boa opção, e seu emprego estará em xeque com sua cabeça sendo pedida por boa parte da mídia e dos torcedores (como aconteceu com o Browns, por exemplo). É uma situação delicada, uma fina linha entre explorar o máximo de vias possíveis enquanto não compromete os recursos de forma apressada, e saber exatamente a hora (e o custo) certo para se fazer uma aposta. Paciência, pensamento de longo prazo e – sejamos sinceros – uma boa dose de sorte costumam fazer a diferença nessas horas.

A reconstrução do 49ers

O 49ers era um dos times que estava nessa situação no ano passado. Com Jed York finalmente admitindo o erro passado e aceitando que a franquia precisava recomeçar quase do zero, San Francisco dispensou os resquícios da antiga gestão (incluindo seu QB titular, Colin Kaepernick), trouxe um novo técnico e um novo GM, e anunciou sua intenção em enfim focar no longo prazo (a decisão correta, com dois anos de atraso). E, claro, parte importante desse processo (especialmente tendo dispensado um QB que te levou ao Super Bowl quatro anos antes) era descobrir quem seria o novo quarterback de uma franquia com uma longa tradição na posição.

E o interessante é que o novo GM John Lynch tinha à sua frente múltiplas opções para tomar na busca pelo novo QB do futuro da franquia, e sendo seu primeiro cargo executivo na NFL, muitas pessoas especulavam se essa falta de experiência levaria Lynch a querer ir para o Home Run logo de cara com alguma grande movimentação nesse sentido. No entanto, Lynch fez aquilo que, a meu ver, foi a decisão mais correta no momento: ele não fez nada.

Com a escolha #2 do Draft, San Francisco estava em boas condições de ir atrás de um QB como Mitch Trubsky ou Deshaun Watson, consideradas as duas melhores opções do ano na posição. No entanto, a avaliação de Lynch era de que nenhum dos dois valeria essa escolha – uma avaliação partilhada por mim e grande parte dos analistas – então Lynch inteligentemente foi na direção oposta, trocando suas escolhas para descer no Draft e acumular seleções extras (como times em reconstrução deveriam fazer). Ajudou também o fato que o Chicago Bears aparentemente não tem a menor ideia do que está fazendo. 

O que o desespero não faz com as pessoas.

Enxergando (novamente de forma correta) que não teria à sua disposição como adereçar a questão do QB de forma satisfatória e ao preço certo no momento (e, talvez, que não fosse a hora para isso), o GM do Niners se preocupou em manter as opções em aberto para o ano seguinte. A classe de QBs de 2018 prometia ser bastante intrigante com Josh Rosen e Sam Darnold. As escolhas de Draft extras que Lynch acumulou no seu primeiro recrutamento como GM deram ao 49ers um rico baú de ativos que poderia usar caso quisesse entrar em alguma negociação de troca, ou até para subir no próximo Draft. E, no horizonte, Kirk Cousins estava ameaçando virar free agent depois de dois anos jogando sob a Franchise Tag e múltiplos dissabores com a diretoria de Washington. O Chicago Bears é, novamente, o exemplo de quem não sabia o que estava fazendo. Mike Glennon, gente. Mike Glennon. 

Ao invés de tentar resolver tudo de uma vez só, Lynch enxergou no horizonte possibilidades muito melhores se desenhando para ano que vem, e posicionou o time de forma a explorar todas elas conforme fossem aparecendo. Enquanto isso, manteve a pólvora seca: trouxe Brian Hoyer na free agency, um QB veterano que já tinha trabalhado com Kyle Shanahan e iria ajudar a implementar seu esquema tático, e usou uma escolha de terceira rodada (luxo que poderia se dar com tantas escolhas adicionais) em CJ Beathard. Nenhuma das duas era um movimento que fosse provável resolver a posição para o futuro, mas foram dois movimentos de baixo custo que poderiam dar resultados modestos no médio prazo, apostas inteligentes de baixa probabilidade, mas baixo custo – e, afinal, ALGUÉM precisava jogar de QB para esse time.

Lynch faz o seu movimento

Agora todos já sabemos como essa história terminou. Depois de passar boa parte do ano esperando o mercado se desenhar enquanto Beathard e Hoyer não funcionaram como titulares (quem poderia imaginar, QUEM?), o 49ers eventualmente acabou enviando sua escolha de segunda rodada de 2018 (um preço bastante em conta considerando que San Francisco tem escolhas extras de segunda e terceira rodada em 2018, rodada graças às trocas do Draft passado) para New England em troca de Jimmy Garoppolo, o promissor QB que não encontrou espaço para jogar graças a um tal de Tom Brady.

O preço de uma escolha de segunda rodada por Jimmy G é bastante modesto comparado ao que New England supostamente estava pedindo ano passado e até no Draft desse ano, que variava entre múltiplas escolhas de primeira rodada ou uma escolha alta de primeira rodada. E isso é um testamento ao quão bem o 49ers jogou o jogo da paciência. A impressão que dá, entre tudo que é era reportado vindo de Foxborough, é que a vontade de Bill Belichick sempre foi manter Brady E Garoppolo (o que, de certa forma, já é um elogio imenso à capacidade do camisa 10) no time. Belichick tentou caminhar a linha de manter os dois jogadores até que concluiu que não seria possível, e acabou aceitando a proposta do 49ers.

Tente não se apaixonar.

Lynch lidou com a situação de forma perfeita. Se essa troca fosse feita no começo do ano, teria custado bem mais ao 49ers, pois o Patriots ainda estava com a força das negociações e tentando manter os dois QBs. Ao invés disso, Lynch esperou até o momento que o Patriots enfraqueceu sua posição e chegou a um bom acordo com um dos GMs mais difíceis de negociar da NFL.

Claro que o Niners poderia ter simplesmente esperado acabar o ano e tentar pegar Garoppolo então, mas isso também envolveria muitos riscos. New England ainda poderia usar a Franchise Tag (e nesse caso dificilmente o preço cairia mais), e mesmo se ele chegasse ao mercado, isso significaria que o 49ers teria que entrar em uma provável batalha financeira com outros times interessados, o que aumentaria consideravelmente o preço financeiro do negócio, e aumentaria também as chances do Niners NÃO conseguir o jogador. E, se conseguisse, provavelmente seria em um contrato longo e muito custoso, para um jogador que o 49ers teria  tido apenas DOIS jogos como titular em New England (ambos ano passado, em um esquema tático diferente e conhecido por “proteger” seu QBs e fazer jogadores medianos parecerem muito melhores) para avaliar. É o tipo de jogada all-in de altíssimo risco que o 49ers deveria evitar (e vem evitando), e trocando por Garoppolo agora não só San Francisco se colocou com todas as cartas para manter o jogador no time no longo prazo por um contrato menor do que daria no mercado, como também ganhou meia temporada para avaliá-lo, seja jogando como titular, seja nos treinos e como se relaciona com a comissão técnica, antes de tomar a decisão se quer apostar seu futuro no jogador.

E o mais interessante é o seguinte: com o contrato expirante de Jimmy, essa troca em nenhum momento compromete as outras possibilidades para o 49ers de conseguir um QB. Se Garoppolo não fosse/for bem ou o time avaliasse/avaliar que não valeria a pena seguir investindo no jogador, San Francisco poderia simplesmente deixá-lo ir embora, aceitar a escolha compensatória pelo jogador (inferior à que o time pagou por ele, sem dúvida, mas um preço que o time pode se dar o luxo de pagar), e voltar sua atenção para as opções no topo do Draft ou para Kirk Cousins. Isso teria um custo, mas a informação e a posição de força nas negociações adquirida teriam valido a pena, e a franquia poderia não se comprometer com uma opção sub-ótima, mantendo ainda as opções muito abertas.

Mas, claro, até aqui parece muito improvável que vá chegar a isso.

Jimmy Garoppolo em campo

Dois jogos não fazem uma carreira, sem dúvida. É impossível avaliar um jogador com tão pouco, e mesmo em cinco jogos (a quantidade de jogos que Garoppolo pode ter de titular antes de virar free agent) muita coisa ainda será um mistério. Quase qualquer QB ruim (menos Paxton Lynch) da NFL pode pegar dois jogos da carreira e apontar para eles como sendo uma amostra de que é um bom jogador. Então sempre temos que tomar cuidado para não ler demais em informações de menos.

Mas é humanamente impossível não se empolgar com o que Jimmy Garoppolo está mostrando em suas duas primeiras partidas como titular. Não é a questão da sua produção, embora essa também esteja sendo ótima: 66,7%, 9.0 Y/A, 8,3 AY/A, 645 jardas, 2 TDs, 2 INTs. Seu QBR seria 6º na NFL inteira, e seu DVOA seria #2, logo na frente de Tom Brady. Mas vocês não vão me ver referenciando esses números de novo nessa coluna, simplesmente porque eles não importam. 2 jogos é uma amostra pequena demais, e nenhuma estatística tem valor com uma amostra insignificante dessas. Não são os números que estão enchendo os olhos. É como Jimmy está jogando.

O 49ers teve uma abordagem cautelosa com seu novo QB. Ao invés de jogar Garoppolo no fogo de cara, mantiveram o camisa 10 no banco enquanto ele aprendia o playbook e o Niners esperava sua boa dupla de tackles (Trent Brown e Joe Staley) voltarem do departamento médico. Ainda assim, Jimmy entrou em uma situação bastante complicada após a lesão de Beathard, conhecendo apenas uma parte pequena do playbook, e com um elenco de apoio bem abaixo da média em termos de alvos e linha ofensiva.

E apesar disso, nesses dois jogos Garoppolo mostrou que estava mais do que pronto para o desafio. Apesar do conhecimento limitado do playbook e o pouco entrosamento com o resto do ataque, a simples presença de um QB capaz de ler e executar as jogadas já abriu muito esse ataque. Kyle Shanahan está conseguindo chamar mais jogadas e explorar mais jogadores e movimentações do que jamais conseguiu com Beathard e Hoyer, e o comando do ataque que Garoppolo já tem é surreal para alguém com tão pouco tempo de casa. Seu entendimento do jogo e da posição permitiu que isso fosse possível, e sua entrada já destravou mais o ataque do que poderíamos imaginar. 

Mas o que mais chama a atenção em Garoppolo é sua capacidade de lidar com a pressão. Na semana 14, desfalcado de seu RT e sofrendo pressão em incríveis 47% das jogadas de passe (maior marca da rodada), ele mostrou todo seu repertório depois de alguns passes ruins no começo do jogo. Em parte por sua força no braço, Jimmy tem no seu currículo o lançamento patenteado de Aaron Rodgers em movimento, que consegue lançar a bola com velocidade e precisão impressionantes só com o movimento do pulso, e o QB sabe usar isso muito bem. Ele espera até o último segundo para soltar a bola (e seu lançamento é incrivelmente rápido) e tem a combinação de conseguir sentir e lidar com o jogador de defesa no seu cangote enquanto mantém os olhos na secundária para continuar achando as jogadas, fazendo com que repetidamente vença a blitz em conversões cruciais e transforme situações negativas em ganhos. Nos seus dois jogos como titular (contra duas defesas acima da média) Garoppolo continuou mantendo campanhas vivas com conversões longas em terceiras descidas apesar de jogar com um defensor pendurado nele o tempo todo. Essa é uma das habilidades mais importantes de um QB no nível profissional, e Garoppolo está mostrando ser um dos melhores no negócio.

A verdade é que nesses dois jogos Jimmy mostrou todas as habilidades que você procura em um franchise QB. Sua inteligência em campo e sua leitura de jogo são excelentes. Ele consegue jogar em alto nível tanto dentro do pocket como saindo dele. Tem uma excelente precisão e ótima força no braço, e está se mostrando capaz de executar praticamente todos os passes que o ataque de Shanahan exige. Sua capacidade de lidar com a pressão é ainda mais impressionante. E se você acredita que para ser QB na NFL você precisa de uma certa qualidade quase “mística” de incentivar e motivar os companheiros, você não precisa ir muito longe para tropeçar em algum jogador do 49ers derramando elogios sobre seu novo signal caller. Até agora, Jimmy G parece ser o pacote completo. The real deal. 

Clowney who?

Novamente, é importante frisar o quanto dois jogos não servem para fazer uma avaliação exaustiva e completa de nenhum jogador. Nós só podemos avaliar o que nós vimos nesses dois jogos, mas não necessariamente Garoppolo será sempre o que foi neles. Nossa avaliação é limitada a esse respeito, graças a uma amostra pequena.

Mas também é importante lembrar que a avaliação do 49ers sobre Garoppolo não se limita apenas aos jogos. Além do que vemos em campo, o Niners tem Garoppolo nos treinos, aprendendo o playbook, lidando com jogadores e comissão técnica. Essa também é uma valiosa fonte de informações e muito maior e mais rica em qualidade do que nós, observadores externos, podemos captar. E é esse conhecimento agregado que só o Niners possui é o que vai fazer a diferença na hora do time decidir o que fazer com a situação do seu QB para 2018. Lembre-se: Belichick queria mantê-lo no elenco, e isso se deve muito ao fato de tê-lo observado nos treinos por anos.

Por enquanto, o que podemos dizer é que tudo indica que o 49ers achou o seu QB do futuro, e que ele é realmente muito bom – o tipo do jogador em torno do qual você constrói algo maior. O 49ers até aqui jogou todas as suas cartas com perfeição, maximizando suas avenidas para achar esse jogador, e os primeiros retornos indicam que o time conseguiu cumprir essa complicadíssima tarefa com bastante sucesso.

Ainda temos que ver como o 49ers vai dar os próximos passos nessa situação, e qual vai ser sua abordagem em 2018. Mas é difícil não se animar com o que estamos vendo do casamento entre Garoppolo e Kyle Shanahan, e com uma offseason inteira para se reforçar pela frente (na qual San Francisco deve ter mais salary cap do que qualquer organização da NFL tirando o Browns, ou seja, o time da NFL com mais espaço), esse ataque pode começar a fazer barulho muito antes do que o esperado. Dedos cruzados.

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