Há times que não nasceram para vencer: cedo ou tarde algo dará errado

09/set/16


Maior número de vitórias na história da franquia, 7 jogadores no Pro Bowl, um quarterback que lançou para 4671 jardas e 35 TDs e muitas outras grandes marcas individuais. Ainda assim, a impressão que fica quando se lembra do time de Bruce Arians em 2015 é estranha, é de fracasso – obviamente, o 49-15 com direito a sete turnovers na final da NFC para os Panthers (a segunda derrota em dois anos seguidos para Carolina nos playoffs) não faz nenhum favor à história.

Mais do que isso, talvez a grande razão para decepção seja a impressão de que Carson Palmer gastou todas as suas últimas forças até o penúltimo jogo da temporada passada e a sua última oportunidade de chegar (sempre bom lembrar: seria a segunda vez que um idoso seria o QB dos Cardinals no grande jogo) e ganhar o título foi desperdiçada – ele se machucar e sermos obrigados a curtir alguns jogos com Drew Stanton parece uma questão de “quando” e não de “se”.

E ainda assim, Arizona parece disposto a seguir tentando com Palmer – por mais preocupante que isso seja para o futuro da franquia, já que aos 37 anos Carson pode implodir a qualquer momento (vide Manning, Peyton) e Bruce Arians terá como melhor plano “dar oportunidades a Drew f***ing Staton” ou desenvolver Zac Dysert e Aaron Murray, do practice squad, ou ainda assinar alguém como Brock Osweiller ou Tyrod Taylor, com sorte.

De qualquer forma, mais importante, isso deverá manter o ídolo-mor da franquia, Larry Fitzgerald, feliz. Larry, aliás, que anunciou que se aposentará quando os Cardinals não tenham mais um QB decente; ele confirmou ainda ter pesadelos com John Skelton, Ryan Lindley e Kevin Kolb, e que seu grande sonho é ir viver em uma fazenda com Carson e um Lombardi Trophy. E ele com certeza não é a única pessoa em Phoenix que tem esse sonho.

Vou decepcioná-los.

Vou decepcioná-los.

Falando em Fitzgerald…

Já que mencionamos o ídolo do time, comecemos pelo ataque. Enquanto Palmer se mantiver saudável e jogando o que sabe, provavelmente o único ataque que pode fazer frente ao do Cardinals é o do Pittsburgh Steelers; e ainda assim, Big Ben não tem tantas armas. A começar por Larry, que parecia estar sentindo a idade entre 2012-14, mas suas 109 recepções e 1215 jardas em 2015 parecem divergir dessa impressão – mesmo que não se repita em 2016 ele ainda será um alvo muito sólido.

John Brown também superou as 1000 jardas no ano passado em apenas seu segundo ano na NFL e deverá cada vez mais ganhar status de alvo principal do time; Michael Floyd, que perdeu um pouco de espaço com o crescimento de Brown, está no último ano de seu contrato de rookie, e tipicamente a produção de qualquer jogador da liga cresce nesse tipo de situação. Para finalizar o quarteto (!) (provavelmente são poucos os outros quarterbacks na NFL que têm mais de três bons alvos),         Arizona ainda tem Jaron Brown, um jogador que entrou na liga sem ser draftado em 2013, mas que Bruce Arians, falastrão, chamou de “melhor WR dos Cardinals” em uma entrevista durante a pré-temporada.

E, na verdade, ainda há um quinto grande alvo para Carson: David Johnson, novato que surgiu no final da temporada (mais exatamente na semana 13, bem a tempo dos playoffs do fantasy), bom em todos os aspectos do jogo: correndo, recebendo, e até colaborando na proteção ao QB. Válido lembrar que David só surgiu após a lesão de outro Johnson, Chris, o famoso CJ2K, que vinha fazendo um grande 2015, mas deverá assumir a condição de veterano secundário enquanto o garoto em seu segundo ano, como titular, deverá ser um dos melhores running backs da liga.

Para fechar, como com qualquer QB e especialmente um de tanto valor e com risco como Palmer, a proteção é fundamental. Por isso, é sorte dos Cardinals poder contar com o LT Jared Veldheer e com os guards Mike Iupati e Evan Mathis, roubado dos Broncos, três jogadores de altíssimo nível (prova de que Jonathan Cooper, trocado, não fará falta). As dúvidas ficarão por conta do center A. Q. Shipley, que não foi grande coisa em 2015, e no basicamente novato D. J. Humphries, draftado na primeira rodada do ano passado, mas que não jogou nenhum snap. Teremos o veredicto agora se o ano de transição foi bem utilizado.

Não aprendi dizer adeus.

Não aprendi dizer adeus.

Melhorando o que já era bom

Falando em Cooper, desconsiderando a possível mágica que Bill Belichik poderá operar para torná-lo o melhor guard da NFL, ele foi envolvido em uma troca (somado a uma escolha de segunda rodada) que, em uma primeira impressão, parece um grande ganho para os Cardinals ao adicionar um grande pass rusher ao time em Chandler Jones (12.5 sacks em 2015). Oposto a ele, deverão aparecer Alex Okafor e principalmente Markus Golden, que fechou bem seu ano rookie com 3 sacks nos últimos seis jogos (que, sim, não são grandes números, para ver como Arizona chegou pouco ao QB).

A frente deles estará o grande DE Calais Campbell, também colaborando especialmente em exercer pressão no QB. Com ele, na linha defensiva também estarão Corey Peters, que é provavelmente o jogador com o maior *asterisco* dessa defesa por estar voltando de uma lesão no tendão de Aquiles do alto de seus 138kg, e Frostee Rucker, especialmente responsáveis por ocupar espaços e bloqueadores.

Rucker, entretanto, deverá ceder espaço ao longo da temporada para a escolha de primeira rodada, o talentoso Robert Nkemdiche, que só chegou aos Cardinals pelos tradicionais problemas fora de campo (em seu caso, um irmão mala e uma atitude muito cool para os padrões apreciados pela NFL).

Por último, o ponto forte da defesa, uma raridade na NFL moderna, a secundária. O safety Tyrann Mathieu, que recebeu um contrato de 5 anos, 62.5 milhões, mesmo voltando de uma lesão no joelho (que o tirou do fim da sua incrível temporada passada, em que conseguiu 5 INTs, fazendo muita falta nos playoffs) e o cornerback Patrick Peterson dispensam maiores comentários. Ambos estarão considerados entre os melhores de suas respectivas posições e deverão ser evitados pelos adversários.

Pelo depth chart atual, a dupla de Mathieu será Tony Jefferson, que venceu Tyvon Branch na disputa por posição da pré-temporada. O time ainda conta com Deone Buccanon fazendo a (agora) famosa posição híbrida de LB/S apoiando a secundária (e fazendo dupla com Kevin Minter como LB, esse mais responsável por parar o jogo corrido).

E oposto a Patrick Peterson deverá jogar Brandon Williams, um novato de segunda rodada, que ganhou a posição por pura falta de competição (Justin Bethel teve problemas com uma lesão no pé na preseason e não conseguiu vencer o rookie). Válido lembrar que Williams só jogou uma temporada como CB na universidade e cornerbacks, por mais brilhantes que sejam, levam tempo para se adaptar à liga – sendo que lançar contra Peterson não é uma opção, pode ser que Williams sofra bastante já em seu primeiro ano.

Palpite: um caminhão de vitórias na temporada regular, título da divisão e a decepção inevitável nos playoffs, seja por uma lesão de Carson Palmer e a necessidade de utilizar um cone como quarterback, ou por alguma pipocada do mesmo Palmer na hora “h”. Aceitemos: há times que não nasceram para vencer.

Tags: , , , , ,

COMPARTILHE