Free Agency: muitos erros, alguns acertos e uma dúzia de injustiças

28/nov/16


A época de free agency na NFL não é nem de longe a mais emocionante entre as ligas americanas no sentido de leilões entre equipes e entrevistas coletivas anunciando destinos em cadeia nacional (não temos um “I’m going to take my talents to South Beach” desde Peyton Manning, que até já se aposentou). Mas o dinheiro, como em qualquer esporte, rola solto.

E, o melhor de tudo, temos times burros com dinheiro demais fazendo o que times burros fazem: dando dinheiro demais para jogadores que não valem tudo aquilo, ao invés de seguir o que fazem as grandes equipes e construir seus rosters pelo draft, para no final acabarem se arrependendo e se afundando em salary caps incontroláveis. O que fazemos nós em relação a isso? Rimos dos trouxas e elogiamos os sábios; trazemos uma lista com os principais assaltos desse ano!

Mas é importante lembrar: é apenas o primeiro ano dos contratos listados, então a chance de estarmos errados é bem grande. Confira:

Como ficar rico enganando desesperados

Ladarius Green, TE, San Diego a Pittsburgh; 4 anos, 20 milhões

Quando Antonio Gates foi suspenso (ou simplesmente perdeu partidas por lesão) por alguns jogos na temporada passada, Ladarius Green parecia seu sucessor: mais do que isso, seria o cara que enterraria a carreira do veterano, o que culminaria na sua aposentadoria (que já esperamos há muitos anos). Green recebeu uma chance melhor ainda (e mais rica) com os Steelers: 20 milhões de dólares para ocupar o posto de Heath Miller, um histórico jogador da franquia e um dos principais alvos de Big Ben por muitos anos.

Como isso acabou? Em meio a especulações sobre como as várias concussões em San Diego poderiam acabar com sua carreira, uma lesão no tornozelo lhe deixou fora das nove primeiras partidas da temporada. Voltou, agora, mas dá sinais de que as esperanças ficarão para 2017.

Como faz uma recepção?

Como faz uma recepção?

Brock Osweiler, QB, Denver a Houston; 4 anos, 72 milhões

Talvez o grande free agent de 2016. Fez o seu nome colocando Peyton Manning no banco (porque o time já não aguentava mais o seu braço molenga e achava que o velho ia acabar morrendo em campo se continuasse ali – mesmo que tenham dito que foi por lesão), sendo levado pela defesa e o jogo corrido aos playoffs, apenas para acabar esquentando banco para o veterano na hora em que a coisa ficou séria. Para ajudar, John Elway, o general manager do seu time original, decidiu que ele não valia mais do que um QB de baixo nível, oferecendo salários ao redor dos 10 milhões anuais.

Obviamente haveria algum time mais desesperado para comprar a história de Brock: no caso, o Houston Texans – que, a essas horas, já deve estar se perguntando que diabos fizeram. A inconstância é de um rookie e, apesar de as vitórias estarem vindo (e que os playoffs sejam uma realidade na fraca NFC South), são muito mais apesar de Osweiler do que por causa dele, como mostram o seu rating de 74.1 e, por exemplo, as 99 jardas lançadas (!) contra Jacksonville.

Coby Fleener, Indianapolis a New Orleans; 5 anos, 36 milhões

Nada como construir uma carreira baseado em “que grande ele poderia ter sido” (não é, Kyle Rudolph?). E Coby Fleener é mais um desses. Selecionado junto com Andrew Luck, a sensação que passava era de que sempre estava faltando algum detalhe para que ele se encontrasse e se tornasse mais um Rob Gronkowski ao lado de seu grande QB. Não aconteceu nos primeiros quatro anos de sua carreira (ainda que em 2014 ele tenha dado esperanças).

Os Saints, com um Drew Brees que parecia estar começando a sentir o peso da idade e a falta de seu grande amor Jimmy Graham, trocado para os Seahawks, resolveram que Fleener seria a solução buscada. Obviamente, o fato de que ele nem sequer conseguiu ser titular absoluto do time por si só fala o quãocaro sairá cada recepção, jarda e TD conquistados pelo cabeludo.

Roubando a própria casa

Às vezes, os enganadores são criados dentro do próprio time. Sempre há aquele jogador que, por alguma razão, convence o GM que é uma bomba de potencial que precisa de só mais um ano para explodir. Ou então jogadores que só produzem dentro do sistema e, saindo dele, não são mais tudo aquilo, sendo substituídos facilmente. Como sempre, isso pode nos trazer grandes cagadas:

Doug Martin, Tampa Bay; 5 anos, 37.5 milhões

Quando o Muscle Hamster chegou à liga, todos vimos um first round pick de muito respeito. Infelizmente, ele também acreditou que não precisava de mais nenhum esforço para seguir sendo bom e, nos dois anos seguintes, não conseguiu sequer igualar as jardas da sua primeira temporada, sendo travado por problemas físicos. No seu quarto ano, o mágico contract year, ele voltou a forma inicial. Coincidência? Bastante discutível. Como reagir a isso? Provavelmente não lhe dando estabilidade e conforto para os próximos cinco anos com 40 milhões. Existem jogadores que não sabem lidar com a falta de pressão.

Em 2016, Martin voltou à velha forma de 2013-14, com uma lesão na coxa que lhe tirou de seis jogos, depois de já não ter conseguido uma média de mais de 3.4 jardas nas duas primeiras partidas. Obviamente, com Doug, já chegamos ao ponto de que tudo se encaixa tão perfeitamente que duvidamos dele: infelizmente, para render, o Hamster só servirá em contratinhos de um ano, pulando de time em time ao redor da NFL (ou seguir enganando e decepcionado, sempre uma possibilidade com a quantidade de idiotas por aí).

Mentira: s.f. Ação ou efeito de mentir. Ludíbrio; falsidade; ilusão....

Mentira: s.f. Ação ou efeito de mentir. Ludíbrio; falsidade; ilusão….

Vinny Curry, Philadelphia; 5 anos, 47,5 milhões

Talvez ainda seja (é) cedo para julgar, mas essa aposta no potencial de que Curry ia tomar a liga por assalto (é o quinto DE mais bem pago) parece que não dará muito certo. Antes de receber o novo contrato, o jogador tinha sido titular em exatamente (sem margem de erro) 0 partidas – obviamente ele fazia parte da rotação (vide seus 9 sacks em 2014), mas ele NUNCA esteve ali para iniciar o jogo. O que o GM achou que ele merecia? Isso mesmo, quase 50 milhões de dólares.

E, como só a NFL pode nos proporcionar, Vinny Curry segue sem nunca ter começado um jogo. Pior: até o momento, em uma defesa que teoricamente lhe serve bem (um 4-3), o jogador conseguiu apenas um sack e meio. Como disse, talvez chegará o momento ao longo desses cinco anos do click em que tudo encaixará e esse contrato parecerá até barato, mas até agora parece que Howie Roseman viu bem mais em Curry do que existia.

Clubes que roubaram jogadores

Obviamente não são apenas os contratantes que sofrem. Às vezes, jogadores também recebem muito menos do que mereciam para sua produção o que certamente criará boas discussões na inter-temporada. Às vezes, times que deixam o jogador ir ficam pensando “talvez ele realmente valesse o que tinha pedido”. De qualquer forma, é sempre legal listar vacilos:

DeMarco Murray, Philadelphia a Tennessee; 4 anos, 25 milhões

Confesso: estou roubando um pouco aqui para contar boas histórias nessa lista. Teoricamente, Murray não era um free agent em 2016, já que tinha um contrato de quatro anos com os Eagles; entretanto, como o time queria muito livrar-se dele, ele basicamente estava no mercado como um. E, como além disso os termos de seu contrato mudaram com os Titãs, ele tem seu lugarzinho aqui. A história é bem famosa: 5 anos, mais de 40 milhões para o melhor corredor de 2014 (1845 jardas), apenas para vê-lo fracassar em 2015 atrás de uma linha ofensiva mediana – Chip Kelly demitido, arrependimento e o time se livrou desse aparente peso morto.

Entretanto, em Tennessee, seu contrato foi negociado para termos muito mais medianos. Ainda que seja o sexto RB mais bem pago, 6 milhões ocupa o espaço merecido no salary cap. Melhor ainda: mesmo com a ameaça (quase certeza no começo da temporada, confessoamos) de ser ultrapassado pelo rookie Derrick Henry, Murray se estabeleceu no time e é titular absoluto, sendo o segundo em número de jardas corridas da liga, voltando aos velhos tempos (e, apesar de correr com uma boa OL, com certeza ele tem muitos méritos em suas 1000 jardinhas).

Casey Hayward, Green Bay a San Diego; 3 anos, 15,3 milhões

Nada como conseguir bons jogadores com problemas de lesões que acabam esnobados pelos seus times originais e assim, baratinhos, caem no seu colo. Em meio a tantos problemas que têm os Chargers (e parece que é sempre assim), Hayward tem sido constantemente seguro, especialmente considerando que ele teve que substituir Jason Verrett, o CB1 do time, que se machucou e não joga a temporada atual. Por um salário muito abaixo da média, o cornerback tem cumprido bem o seu papel, inclusive com cinco interceptações, no topo da NFL.

Pior do que isso: a cada vacilo da secundária, os Packers devem lembrar como alguns problemas poderiam ter sido facilmente solucionados se eles simplesmente tivessem se mantido à filosofia de manter os jogadores criados em casa. Como Ted Thompson dormiu no ponto, sorte de San Diego.

O que temos pra hoje é saudade.

O que temos pra hoje é saudade.

Lorenzo Alexander, Oakland a Buffalo; 1 ano, 885 mil

Rápido: quem tem o maior número de sacks da NFL nesse exato momento ganhando uma mxaria? Errou. O nome da fera é Lorenzo Alexander, o 80º outside linebacker em salário da NFL, e você provavelmente não o reconheceria se passasse por ele na rua. Um veterano que tem pulado de time em time ao redor da NFL, fazendo suas pontinhas como reserva aqui e ali, mas que, aos 33 anos, encaixou na defesa de Rex Ryan, produzindo 10 sacks até o momento (mais do que dobrando o que tinha nos últimos 10 anos de carreira). Sabe quanto Von Miller ganha por cada sack até o momento? Quase 2 milhões de dólares. Alexander? Menos de 100 mil. Pense em um bom negócio.

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