Eterno retorno: entre o limbo, o nada e lugar nenhum

11/ago/16


Quando a temporada de 2015 começou, Marcus Mariota parecia a reencarnação de Steve Young (não que ele já tenha morrido); quando ela chegou ao final, estava mais para um RGIII a partir do seu segundo ano. Em resumo, podemos afirmar que suas 2818 jardas, 21 TDs e 16 turnovers (Mariota sofreu tantos fumbles quanto Adrian Peterson, 6, para liderar a NFL) em 12 jogos como um rookie demonstram potencial em alguns momentos, mas também deixava claro que ele ainda estava passando por um processo de crescimento em diversos aspectos.

Uma pessoa que não deve ter ficado muito feliz com as growing pains de Mariota é o agora ex-head coach Ken Wisenhunt, que foi demitido após vencer apenas 3 de 23 jogos em um ano e meio no time. Importante notar o imediatismo quase brasileiro da diretoria dos Titans, já que o time era basicamente um deserto de talento na chegada de Wisenhunt (treinador dos Cardinals de Kurt Warner que chegaram ao Super Bowl XLIII) e era sabido que provavelmente Marcus Mariota precisaria de mais de um ano para desenvolver seu talento.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

Agora, não é como se o novo treinador, antes técnico de tight ends do time, Mike Mularkey (somente uma campanha vitoriosa como head coach em quatro anos) fosse uma grande opção ou mudança, especialmente porque grande parte da comissão técnica foi mantida. Como coordenadores, Mularkey trouxe Terry Robiskie, antigo treinador de WRs nos Falcons (que tiveram os bons WRs Roddy White e Julio Jones nos últimos oito anos), e o eterno Dick LeBeau, que foi “aposentado” pelos Steelers porque suas ideias já foram um pouco ultrapassadas na NF – Pittsburgh acabou sentindo sua falta, mas isso é mais problema deles que vantagem para Tennessee.

A troca do século (o retorno)

Apesar de 2016 não ter o melhor dos prognósticos – o time de Music City empolga tão pouco que o único jogo de destaque que terá é o Thursday Night Football, em que obrigatoriamente jogam todas as equipes da NFL -, o draft desse ano parece que dará todas as oportunidades para que, caso os Titans trabalhem bem, o time seja uma força na NFL nos próximos anos. Após ter a pior campanha da NFL pelo segundo ano seguido, Tennessee recebeu a primeira escolha do draft. Após muita especulação, ela foi passada para os Rams, que a utilizaram para selecionar seu futuro QB Jared Goff. 

Em troca, o time acabou um caminhão de escolhas em altas posições no draft (especialmente porque o desempenho de Los Angeles não deverá ser muito bom nesse ano): duas de primeira rodada, duas de segunda e duas de terceiro, que somadas às suas próprias escolhas, deve servir para uma grande infusão de talento no time nos próximos anos. O que era desesperadamente necessário.

Temos o pass rush, mas nada muito além disso

Nos tempos de Peyton Manning, por muitos anos pareceu que tudo o que um time precisava para vencer a AFC South era ter um bom quarterback. Esses tempos acabaram – hoje, os quatro times da divisão têm (aparentemente) bons jogadores liderando seus ataques (incluindo Andrew Luck nos Colts) e, especialmente Texans e Jaguars, parecem ter todas as peças para boas defesas. Nessa batalha, os Titans parecem largar como claro último time.

No entanto, caso isso aconteça, não será por falta de pressão nos QBs adversários. O OLB Brian Orakpo conseguiu finalmente uma temporada saudável após sofrer para manter-se em campo nos seus últimos três anos em Washington, produzindo 7 sacks, mesmo número do DE Jurrell Casey, provavelmente o melhor jogador dessa defesa e único que presta na linha defensiva. Eles terão ainda a companhia do OLB Derrick Morgan, que muitos colocavam como futura estrela após o contrato de quatro anos e 30 milhões assinado no começo da temporada de 2015, mas que acabou muito limitado por uma lesão no ombro; e do rookie Kevin Dodd, enquanto este também se recupera de uma lesão no pé. Se todos se mantiverem saudáveis, muitos quarterbacks estarão correndo por suas vidas contra essa defesa.

Apesar disso, o resto da defesa se limita a mediano. Na secundária, o melhor jogador é o S Da’Norris Searcy – que se destaca mais pelo contexto que por sua própria habilidade. Ao seu lado, Searcy terá provavelmente Rashad Johnson, trazido dos Cardinals. Para completar a secundária, os Titans terão Jason McCourty, irmão gêmeo de Devin McCourty dos Patriots e o menos talentoso dos dois, além uma competição entre vários cornerbacks que não deveriam ser titulares do outro lado: Perrish Cox ou os recém contratados Brice McCain ou Antwon Blake, ambos pouco confiáveis em Dolphins e Steelers, respectivamente.

Marcus Mariota e (poucos) amigos

Ou ainda nenhum amigo. Outra razão pela produção duvidosa e quatro jogos perdidos de Mariota em 2015 foi o grupo ao seu redor. Pelo menos a impressão que ficou nessa offseason é de que o novo GM Jon Robinson fez muito para melhorá-lo, a começar pela linha ofensiva. Além do left tackle Taylor Lewan, que tem sido o ponto forte da proteção, o guard escolhido na primeira rodada de 2013 Chace Warmack deve receber mais uma (e provavelmente última) chance de provar que não é mais um bust – mas o time deve ter novos jogadores nas outras três posições.

Jack Conklin, de Michigan St, foi a primeira escolha do time no draft desse ano (antes dos provavelmente superiores Laremy Tunsil e Taylor Lewan) e já deverá tomar a posição de RT para si. O center Ben Jones, trazido dos Texans, e Jeremiah Pouatasi, rookie RT em 2015, deverá mover-se para right guard, que parece ser sua posição ideal.

Na questão “alvos” a situação não é tão boa. Primeiro, porque Mariota não parece ter no grupo atual um WR1 indiscutível. Kendall Wright é um bom alvo de segurança no estilo Wes Welker e deverá ser importante, mas não pode ser o foco do ataque. Rishard Matthews (662 jardas em 11 jogos) e Harry Douglas também não são maus jogadores, mas rendem melhor como complemento. Restará a esperança de que um dos grandalhões Dorial Green-Beckham ou Justin Hunter aprenda a segurar os passes lançados para eles, já que o potencial físico já têm – ou ainda o rookie Tajae Sharpe, que tem feito uma boa pré-temporada.

Os Titans ainda trouxeram o veterano WR Andre Johnson para o training camp, mas considerando a decepção que ele foi pelos Colts no ano passado (503 jardas, 4 TDs), não será nenhuma surpresa se ele acabe servindo mais como mentor durante a preparação e cortado quando o time tenha que decidir seus 53 jogadores para a temporada.

Não lembro como segura.

Não lembro como segura.

Também por essa mediocridade, Tennessee deve ser um time prioritariamente corredor em 2016. Mais do que isso, um time dedicado a atropelar defesas na força bruta. O time enviou uma escolha de quarta rodada para os Eagles em troca da decepção de 2015 DeMarco Murray, que não se adaptou bem ao estilo de jogo de Chip Kelly, e ainda investiu uma escolha de segunda rodada em Derrick Henry, que detém agora o maior número de jardas corridas da história de Alabama, uma universidade conhecida por produzir grande running backs (incluindo Forrest Gump). Com essa dupla Thunder & Thunder, qualquer defesa mais leve sofrerá para parar o ataque corrido dos Titans.

Palpite: O único elemento que pode empolgar nesse time é o jogo corrido (combinado com Mariota), mas para esse estilo funcionar seria preciso uma boa defesa, que não existe. Os Titans são um time em formação e disputando uma divisão difícil, o que lhes acabará garantindo um novo recorde entre 3-13 e 5-11. Mike Mularkey acabará demitido e Nashville poderá ter um time bom, mas terá de esperar até, mais ou menos, 2019.

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