Esqueçam Tony e Jimmy: tudo o que o Bills precisa está em Tyrod Taylor

12/fev/17


A temporada de 2016 chegou ao fim da maneira mais eletrizante possível, com um dos melhores Super Bowls dos últimos tempos. Infelizmente, junto com ele vem a depressão que chamamos de inter ou pré-temporada, afinal, como já disse Belichick, o trabalho para 2017 já começou na segunda feira passada: o show não para.

Mas como preencher o grande vazio em nossos corações. Explorar outros esportes? Priorizar outras partes importantes da vida? Obviamente não. Vamos especular fatos que podem acabar não acontecendo, criticar decisões que podem acabar sendo as corretas e tudo isso envolvendo a principal peça de cada time: o quarterback.

Logicamente, se já nessa época da temporada seu time não tem definido quem será o titular que o levará aos playoffs, saiba que tudo começará mal. Pare de ler um instante e confira os participantes dos últimos SBs: nos últimos 30 anos, somente Trent Dilfer, que venceu o SB XXXV pelo Baltimore Ravens, chegou no time e no mesmo ano disputou (e no caso dele, ganhou) o grande jogo. Para colaborar com a história, ele foi dispensado no ano seguinte, o que prova que ele mais “não atrapalhou” do que realmente ajudou aquela incrível defesa campeã.

Entretanto, existem times que acham que podem repetir o feito dos Ravens – e, inevitavelmente, irão quebrar a cara tentando. Com vocês, a participação especial do Buffalo Bills, que sequer chegou aos playoffs nas últimas 17 temporadas, pior marca da NFL, querendo se livrar de Tyrod Taylor – o QB que, provaremos, é melhor do que as demais opções.

Além de tudo, com o salário “mixaria” que deverá ter: US$ 27.5 milhões garantidos apenas por quatro anos. Lembra do salário do Osweiler? Não olharei porque não quero me deprimir. Enfim, tudo o que Bills deveria fazer era nada e deixar o contrato ativar-se no dia 12 de março de 2017. Mas parece que Buffalo resolverá “tomar uma atitude”.

Spoiler: será uma grande besteira.

“Confiem em mim, porra!”

Por que optar pela imobilidade

E quando falo em imobilidade, quero dizer que os Bills não deveriam fazer nada e não que eles deveriam trocar o veloz Tyrod Taylor pelos pocket passers que estão como opção no mercado. Primeiramente, vamos ter claras as opções: Jay Cutler deve ser dispensado, mas não seríamos loucos de propor um absurdo desses a qualquer time, o tempo de Cutler já passou e ele fracassou. Já Kirk Cousins também pode acabar sem contrato, mas os Redskins serão obrigados a dar os 20 e poucos milhões de dólares que ele peça simplesmente porque é assim que a vida funciona.

Também temos a classe de rookies, que pode ser resumida em um “talvez um ou outro se torne um bom jogador, mas certamente não será em 2017”.

Isso tudo acabará restringindo nossa discussão a dois QBs de mesma origem: Eastern Illinois, universidade que basicamente tudo o que produziu de útil para o mundo da NFL dentro das quatro linhas possivelmente estará restrito a estes nomes: Tony Romo, quarterback de melhor rating e pior ombro da história da NFL, e Jimmy Garoppolo, mais um rostinho bonito, desses que estão em falta na liga. Mas entre estes nomes, a decisão sábia seria manter Taylor.

Primeiro, porque os dois devem custar escolhas do draft para consegui-los. Jerry Jones pode até ser amigável e imitar o que Indianapolis fez com Peyton Manning, dispensando Romo por gratidão para que ele possa estender um pouco mais sua carreira (ainda que declare o contrário, já que “Romo ainda pode ser útil”, “me doeria muito vê-lo com outra camisa” e blablabla). Mas Garoppolo certamente não sairá de graça. Sequer barato. Porque quem manda em Garoppolo é Belichick e “it’s all business”.

Estabelecidos custos, ainda há mais motivos para não ir atrás de Romo. Com Romo, o seu time deve estar pronto para tentar o Super Bowl por dois ou três anos, para em seguida começar todo o processo de buscar uma solução na posição novamente (ou ficar preso com um QB que nunca se sabe quando te deixará na mão, não é mesmo, Arizona Cardinals?).

Mais do que isso: uma pancada bem dada e você acaba na mão de um reserva medíocre como estava em março. Tudo bem, você pode até acreditar que o próximo ano será saudável para Romo, mas 2016 também deveria ter sido. E melhor ainda: os números de Dak Prescott, que mantiveram Romo no banco em 2016, foram os seguintes: 1,8 TDs, 0,5 turnovers e 247 jardas por jogo. Os de Tyrod Taylor? 1,5 TDs, 0,5 turnovers e 240 jardas por jogo, sem o seu melhor alvo e sem a melhor OL da liga – aliás, muito longe disso.

Jimmy Garoppolo tem um asterisco ainda maior ao lado do seu nome. Em apenas duas partidas, ele certamente pareceu muito bom, dominante, seguro. Mas extrapolar de 2 a 16 é sempre temerário, como aprendemos todos os anos na NFL. Essencialmente, Garoppolo ainda é um rookie em termos de tempo de jogo, o que clama por erros estúpidos até ele se acostumar com a vida real.

A lógica também diz que quarterbacks de segunda rodada não chegam prontos à liga e precisam sofrer para crescer. Somados a isso, voltemos a Belichick: se talvez nem Tom Brady seria Tom Brady não fosse o trabalho de Bill, por que vamos nos deixar levar pela mesma situação que produziu pérolas como Matt Cassel e Brian Hoyer?

Por que Tyrod Taylor?

Seguindo o raciocínio aplicado a Garoppolo, Tyrod Taylor está entrando em seu terceiro ano prático de NFL. Obviamente, seus quatro anos em Baltimore após ser escolhido na sexta rodada do draft de 2011 (aquele maravilhoso, de Locker, Gabbert e Ponder) lhe ajudaram a se acostumar à velocidade do football profissional, mas observando sua produção nesses anos anteriores, percebe-se que ele também não teve snaps significativos na posição, algumas vezes até sendo utilizado como running back ou em trick plays. Desta forma, sua carreira começou com Rex Ryan em 2015, após assinar um contrato de apenas três milhões de dólares em 2 anos e ainda assim vencendo uma disputa contra E.J. Manuel e Matt Cassel pela titularidade.

Com boas atuações enquanto efetivamente “aprendia” a ser um QB titular, especialmente protegendo a bola e não se “auto-destruindo” em nenhum jogo, elevando o nível da estrela do ataque, Sammy Watkins, ao final da temporada de 2015 Taylor recebeu um novo contrato, de possíveis 6 anos/92 milhões de dólares (15,3 ao ano, 16º na NFL), com letras pequenas que diziam: “esse contrato só valerá após o final de 2016, caso os Bills não decidam dispensá-lo e ir atrás de outro QB”.

Bora lá, caras…

2016 veio e, não surpreendentemente, sua produção foi praticamente a mesma. Entretanto, tudo o que deu errado para o time (como acabar a temporada com apenas 7 vitórias) acabou caindo na conta do jogador – que cometeu mais de um turnover apenas uma vez, enquanto a defesa de Rex Ryan definhava (19ª em jardas, 16ª em número de pontos) ou Greg Roman, seu coordenador ofensivo, era demitido após a segunda semana de temporada. Também é válido lembrar que Tyrod manteve sua produção tendo como principais alvos disponíveis o TE Charles Clay e o RB LeSean McCoy, já que Robert Woods e Sammy Watkins somaram “18 starts” e 79 recepções apenas, números que deveriam ter individualmente.

Ainda assim, seus números foram acima da média (3 TDs para cada turnover é, insistimos, trabalho de alguém que merece ser titular na NFL), somados a flashes de que não é um mero QB medíocre, como contra a sempre assustadora defesa de Seattle. Inclusive o quarterback dos Seahawks, Russel Wilson, é facilmente uma das melhores comparações do potencial que Taylor pode alcançar, assim como RGIII ou Michael Vick que, coincidentemente, saiu da mesma universidade, Virginia Tech.

Observem: ainda que às vezes percam as jogadas mais fáceis, como aquele tight end livre entre os safeties e os linebackers (com uma leve insistência em lançar para os lados do campo), têm a capacidade de lançar bombas a 50 jardas (quando tem WR capaz de recebê-las) e são tão perigosos com os pés, tanto para escapar de sacks claros como para produzir corridas absurdas dignas de running back – o que, sabemos, é uma ameaça que sempre ajuda o verdadeiro corredor, vide as 5.4 jardas por corrida de LeSean McCoy.

Tudo isso de maneira frequente, não somente em situações esporádicas. Além disso, podemos notar dois problemas também comuns aos quatro: a altura abaixo do ideal (o que ainda, sabe-se lá os motivos, broxa muitos front-offices da NFL) e a necessidade de que o OC se adapte ao jogador que tem. Mas quando seu QB pode fazer isso qual a dificuldade em se adaptar?

Para mim, especialmente com o salário devido, Taylor é uma melhor opção que Kirk Cousins. Ele não se apoia em bons recebedores nem em uma grande proteção. A consistência que ele tem com suas habilidades mostra que você pode criar um bom ataque ao seu redor. Ele não é um Jay Cutler, é um cara que pode criar jogadas, estendê-las e melhorar os jogadores que tem no seu time”, declara Cian Fahey, colaborador do site Pre-Snap Reads e autor de um livro com estatísticas após observar cada snap de cada QB da liga.

Os coaches

Existe um problema a mais em relação a Tyrod ficar em Buffalo: por mais que saibamos que Rex Ryan era um estorvo, Taylor era um de seus homens, desde quando ganhou a posição em 2015. “Nós acreditamos que temos um grande jogador em Tyrod, mas também um líder”, enfatizava o antigo treinador, antes da última temporada, sobre a crença no jogador e em sua evolução.

Entretanto, uma das principais razões para a demissão de Rex antes do fim da temporada também foi sua fidelidade a Taylor, já que os Bills, sem chances de chegar aos playoffs, queriam que o jogador não disputasse o último jogo da temporada sob o risco de sofrer uma lesão (na verdade, agravar uma lesão já existente no seu ombro) que garantiria o seu contrato. Demitido o head coach, Tyrod esquentou o banco.

Sean McDermott, o novo treinador em Buffalo, por outro lado, chegou com declarações políticas sobre Taylor: “Tomemos o nosso tempo para tomar decisões em relação à uma posição tão crítica”. Apesar disso, Rick Dennison, novo coordenador ofensivo da equipe de McDermott, é conhecido por utilizar um ataque West Coast, que poderia servir bem para Taylor, ainda que o treinador tenha mais experiência em trabalhar com jogadores mais “tradicionais”, mesmo que de diferentes níveis, como Peyton Manning, Jay Cutler e a aposta em Trevor Siemian.

De qualquer forma, fica estabelecido que Taylor será uma boa opção e que fará algum time feliz em 2017, seu terceiro ano como titular, normalmente um período de breakout para muitos jogadores. Palpite? 4 mil jardas totais e um ratio de 5 TDs para cada turnover, além de finalmente aterrorizar nos playoffs. Resta saber se os Bills serão sábios o suficiente para serem os vencedores dessa brincadeira ou Tyrod levará seus talentos para algum outro lugar – que não seja Cleveland, que não seja Cleveland, que não seja Cleveland…

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