Entre o presente e o futuro

13/ago/17


Ao contrário da visão que muitos veículos da mídia especializada brasileira passam, o Kansas City Chiefs é muito mais que apenas o seu kicker tupiniquim Cairo Santos. Claro, Cairo tem um importante papel como embaixador do esporte no país e é uma atração à parte para nós brasileiros. Mas os Chiefs não são só Santos, muito pelo contrário: o time tem sido um dos mais interessantes de se assistir na NFL – ao menos durante a temporada regular. E a própria NFL concorda: KC jogará seis jogos de horário nobre em 2017 – mais que qualquer outro time da liga.

O hype em torno dos Chiefs pode ser atribuído ao desempenho nas últimas duas temporadas: em 2015 a equipe emplacou uma sequência de 10 vitórias consecutivas nos últimos 10 jogos, saindo de uma campanha 1-5 para 11-5 e chegando até o Divisional Round dos playoffs, onde foi derrotada pelo New England Patriots. Já em 2016, a segunda posição na classificação da AFC garantiu acesso direto à mesma rodada do Divisional, dessa vez em casa. A vantagem de jogar diante da torcida mais barulhenta do mundo não se fez valer, e os Chiefs acabaram apanhando do Pittsburgh Steelers, em derrota muito doída pela torcida.

Confie seu futuro nas mãos deste ser.

Recomeço

E é dessa derrota que partimos para explicar o ano de 2017 em Kansas City. Após mais uma eliminação nos playoffs, a percepção ao redor da liga – e dentro da franquia – era de que o time comandado por Alex Smith dava conta da temporada regular, mas não tinha forças para vencer em janeiro. Pensando nisso, os Chiefs subiram no último Draft para escolher o QB Patrick Mahomes.

Mahomes é um prospecto notadamente cru, que ainda não tem todos os conhecimentos para jogar na NFL devido ao sistema de jogo em que estava inserido na faculdade. Porém, o talento, o braço e a promessa estão lá, e acredita-se que em pelo menos um ano ele estará pronto para ser titular; de qualquer forma Alex Smith ainda está lá para segurar a posição enquanto Patrick não está pronto.

No papel, a ideia é excelente – concordamos que Alex Smith não vai te levar muito longe nem que ele compre uma companhia aérea chinesa -, mas talvez o elenco dos Chiefs não consiga esperar o desenvolvimento de Mahomes para atuar com ele. Especialmente na defesa, alguns veteranos (óbvio) estão cada vez mais velhos, e não podemos cravar que manterão o desempenho de outros tempos.

O lado bom

Derrick Johnson e Tamba Hali já estão organizando os papéis da aposentadoria; e Justin Houston, que após anos estelares, não foi o mesmo depois da lesão que sofreu em 2015. Recuperado, Houston talvez retome o auge da sua forma, mas não seria surpresa se, após mais uma temporada decepcionante, ele sequer esteja no roster em 2018. A ascensão de Dee Ford pode ajudar nessas posições, mas, se você fez a matemática, ela não bate: são três jogadores em baixa contra um em alta.

Além disso, Dontari Poe, que era uma força no meio da linha defensiva, já não está mais na cidade. Para o seu lugar chega Bennie Logan, e podemos acreditar que não haverá uma perda de qualidade, pois Chris Jones, que se destacou como calouro, está mais experiente em seu segundo ano na liga. E, para piorar, caso o front 7 mostre uma notável regressão, é importante lembrar que KC não tem a escolha de primeira rodada do ano que vem, visto que ela foi utilizada em troca para selecionar Patrick Mahomes.

A secundária, por sua vez, será o ponto forte do grupo: Eric Berry é capaz de ganhar jogos que já estejam perdidos, e Marcus Peters já se consolidou como um dos principais Cornerbacks da NFL. Fecham o grupo o Safety Ron Parker e o CB Steven Nelson.

A verdadeira esperança.

Um grande tristeza

No ataque, pouca coisa muda. O esquema do bom técnico Andy Reid será mantido, assim como o péssimo trabalho controlando o relógio ao final das partidas. Já Alex Smith será aquele QB que não estraga tudo, mas é incapaz de lançar a bola por mais de 15 jardas – mesmo que ele tenha um recebedor livre na 3rd and 17.

A linha ofensiva, que em 2016 não comprometeu, mas também não encheu os olhos, será a mesma (lesões à parte, como sempre): os Chiefs não perderão nenhum jogo porque a OL não conseguiu jogar, e isso já pode ser considerada um vitória em uma liga onde jogam Indianapolis Colts, Minnesota Vikings e Seattle Seahawks.

Já na posição de RB, Jamaal Charles deixa o departamento médico da equipe, mas Charcandrick West e Spencer Ware, que já se mostraram confiáveis, seguem no elenco. Além deles, Kareem Hunt, que chegou no draft com expectativas em torno de seu nome, e CJ Spiller, completam o versátil grupo, que ainda deve contar com algumas jogadas de Tyreek Hill.

Hill, por sua vez, adquire a posição de WR1, que ficou vaga após a saída de Jeremy Maclin pela porta dos fundos. Os outros WRs dos Chiefs são desconhecidos pelo fã-médio do esporte, então não vale nem a pena citá-los. Travis Kelce, por outro lado, é bastante conhecido e, quando Rob Gronkowski não está em campo (aproximadamente 63% do tempo, de acordo com estatísticas oficiais), é considerado por muitos o melhor TE da NFL.

Normalmente não apontamos para os Special Teams das equipes ao fazer nossas previsões, mas em Kansas City a história é um pouco diferente. Tyreek Hill anotou dois TDs em retorno de Punts e um retornando Kickoffs. Cairo Santos, com exceção de um início de carreira errante, não decepciona quando é chamado. Logo, os ST dão aos Chiefs uma dimensão que muitas equipes da liga não sonham.

Palpite: Podemos ir junto com a corrente e falar que os Chiefs terão mais um bom ano, mas a verdade é que o cenário está desenhado para uma catástrofe. A torcida já não aguenta mais Alex Smith e, após uma atuação questionável em uma derrota no Primetime, sua cabeça estará em jogo. Ele sucumbirá a pressão e, eventualmente, perderá a posição para um Patrick Mahomes despreparado. Jogando em uma divisão complicada como a AFC West, o time ficará de fora dos playoffs e Alex Smith irá levar sua mediocridade para outra franquia em 2018. Vocês viram aqui primeiro.

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