Em busca da direção certa

30/ago/17


O desempenho do QB Carson Wentz em sua temporada de rookie está longe de ser um primor. Foram 3782 jardas aéreas conquistadas, apenas 16 TDs e 14 INTs, números que são suficientes para colocá-lo, no máximo, próximo da linha da mediocridade. A NFL, felizmente, não é feita apenas de estatísticas. Assistir um QB em ação muitas vezes nos diz muito mais do que analisar friamente os números que ele produziu.

Desde que pisou no gramado para enfrentar o Cleveland Browns, na primeira semana da temporada de 2016, Wentz aparenta ser o que uma franquia espera de um QB. Os erros, é claro, estão lá, como estão para todos os rookie QBs, mas aparentam ter origem mais na inexperiência do que em uma eventual deficiência o que, claro, seria mais difícil de ser corrigido.

Wentz errou bastante em 2016, mas também acertou. O controle e a liderança que ele tinha no ataque do Philadelphia Eagles são raros para um calouro. Sua capacidade de leitura das defesas, antes mesmo do snap, também chama a atenção. O que mostrou em campo comprova o que muitos especialistas diziam antes mesmo do draft: Wentz é um grande amante e estudioso do football, algo semelhante a Peyton Manning, guardadas as devidas proporções.

Matou no peito.wentz

As armas

Não é à toa que o Eagles decidiu que Carson Wentz é o franchise QB que o time aguardava desde a saída de Donavan McNabb e decidiu construir o futuro ao redor dele. O primeiro passo foi reformular o grupo de recebedores, que em 2016 foi um grande problema para o ataque. O time mandou o inconstante Jordan Matthews para o Buffalo Bills em uma troca e contratou os veteranos Alshon Jeffery e Torrey Smith.

Jeffery tem o talento necessário para ser um dos melhores WRs da liga, sem dúvidas, mas precisa permanecer saudável, o que não era rotina em seus tempos de Chicago Bears. Em cinco anos em Chicago, foram apenas duas temporadas sem perder jogos por contusão. Nos dois anos em que ficou saudável, Jeffery recebeu mais de 1000 jardas aéreas e, em 2013, anotou 10 TDs. Seu talento nunca foi questionado e, se conseguir ficar longe das contusões, Alshon deve ser o principal jogador do ataque do Eagles em 2017.

Torrey Smith, outro contratado na free agency, ficou escondido por dois anos no horroroso San Francisco 49ers, mas em seus três anos de Baltimore Ravens mostrou que pode ser um jogador bastante útil e que adiciona o elemento do passe em profundidade ao ataque. Jeffery e Smith são uma versão um pouco mais pobre do que o Tampa Bay Buccaneers tem em Mike Evans e DeSean Jackson, por exemplo, mas têm a capacidade de complementar um ao outro e oferecer opções que Carson Wentz simplesmente não tinha em 2016.

Além de Jeffery e Simith, Wentz terá à disposição o bom TE Zack Ertz, que merece ser mais acionado, e o WR Nelson Agholor que, segundo os repórteres que acompanham o time, é um dos jogadores que mais evoluiu nessa offseason depois de um turbulento 2016.

Com esse grupo de recebedores e com uma linha ofensiva que tem Jason Peters, Jason Kelce e Lane Johnson, considerada a melhor da NFL pelo site Pro Football Focus, o Philadelphia Eagles pode ter um ataque bem interessante em 2017.

O ponto de interrogação

A dúvida fica para o grupo de RBs: Ryan Mathews, principal corredor do time em 2016, foi dispensado. Para o seu lugar, o Eagles contratou LeGarrette Blount, que deve ser responsável pelo trabalho sujo entre os tackles. As informações sobre Blount, porém, não têm sido boas durante o training camp e chegou, inclusive, a surgir a especulação de que ele poderia ser dispensado.

Além de Blount, o Eagles tem o segundo anista Wendell Smallwood, que teve oportunidades no ano passado e não mostrou muito serviço, e o especialista em receber passes e já idoso Darren Sproles. Em teoria, é um grupo que traz habilidades diversas e que pode se complementar bem, mas algo parece que vai dar errado.

As contratações ofensivas feitas pelo Eagles criaram um ataque com mais talento e mais alternativas, portanto é justo esperar uma performance melhor de Wentz e seus alvos em 2017.

O dono da bola.

O copo meio cheio

A defesa do Philadelphia Eagles em 2016 não teve uma performance horrível. A unidade terminou a temporada em 12º em pontos cedidos e 13º em jardas permitidas, por exemplo. Mas as deficiências de defesa são óbvias e talvez a principal delas seja na posição de cornerback.

Na temporada passada, os defensores do Eagles permitiram que os QBs adversários completassem 60% dos passes. Nolan Carroll e Leodis McKelvin deixaram o time, para a felicidade dos torcedores de Philly. O problema é que quem ficou não inspira confiança e talvez isso tenha motivado a troca com o Buffalo Bills, em que o Eagles enviou Jordan Matthews e recebeu o CB Ronald Darby, que chega e automaticamente entra no time titular. O grupo de linebackers também é uma preocupação. Além do dinâmico Jordan Hicks, não há muita certeza.

A força da defesa talvez esteja na linha defensiva. Fletcher Cox é um dos melhores DTs da NFL e vence constantemente as coberturas duplas que recebe. Além de Cox, o Eagles conta com jogadores de pedigree que ainda não conseguiram atingir todo o potencial que têm, como Brandon Graham, escolha de primeiro round do draft de 2010, e Vinny Curry, que assinou uma extensão contratual de 47,5 milhões de dólares que alguns classificam como o pior contrato de um DL da NFL.  Chris Long e Timmy Jernigan chegam via free agency com a expectativa de adicionar elementos a mais no pass rush, que será fundamental para o sucesso da defesa.

Palpite: A evolução, principalmente ofensiva, acontecerá, mas é difícil enxergar esse time ganhando mais do que oito jogos. Um recorde de 8-8 não seria surpreendente. Um 9-7 seria um sucesso absoluto. Mas, como mencionado no início do texto, a NFL não é feita apenas de números. O que o Philadelphia Eagles precisa em 2017 é ter a certeza que encontrou seu QB e que a franquia está no caminho certo.

Tags: , , , , , , , , , , ,

COMPARTILHE