Elite é só uma questão de ser

01/set/17


O que você pensa quando pensa no Baltimore Ravens? Talvez venha a memória a vitória no Super Bowl XLVII, talvez você se lembre que o time tem sido deveras medíocre desde então, ou talvez você simplesmente dê uma risadinha ao pensar nas piadas “Is Joe Flacco Elite?

A verdade é que ninguém sabe o que esperar dos Ravens. Se em 2014/2015 eles quase derrotaram os Patriots em New England, no ano seguinte a campanha foi de 5-11. Já no ano passado, um meio-termo: 8-8, e a não-ida aos playoffs foi decidida por um touchdown de Antonio Brown no apagar das luzes.

Antes desse intervalo, temos uma temporada de 8-8 e, um ano antes, o título do Super Bowl em 2012, que já citamos. Voltando ainda mais no tempo, entre 2008 e 2012 Baltimore venceu pelo menos um jogo de pós-temporada em todas as temporadas, perdendo duas finais da AFC no meio do caminho.

Mas o que mudou? Por que a franquia perdeu a consistência de outrora para se tornar, hoje, um time medíocre (na plena acepção da palavra)? Afinal, não sabemos se o time escolherá no Top 10 do draft ou brigará de igual para igual contra Pittsburgh ou New England nos playoffs.

Uma das causas do declínio de Baltimore pode ser o salário de Joe Flacco. Desde que teve seu vínculo renovado, Flacco passou a ocupar uma parte considerável do Salary Cap, o que impediu o time de trazer reforços, ou manter quem era da casa – veja Kelechi Osemele, um dos melhores Guards da liga, hoje em Oakland, como um bom exemplo deste paradoxo. Ao mesmo tempo que expulsava outros talentos do time, Joe se mostrou incapaz de ser o carregador de piano que se espera de um QB Elite (sim, é uma piadinha infame).

Outra provável causa é a perda de jogadores que foram peças importantes durante a boa fase da equipe. Ray Lewis e Ed Reed se aposentaram depois do Super Bowl XLVII, e talvez nunca serão substituídos a altura – tratam-se de dois Hall of Famers. Além deles, os Ravens também não contam mais com Haloti Ngata, peça importante da linha defensiva campeã da liga. Já Terrell Suggs, a última âncora daquela defesa que continua na cidade, tem envelhecido e sua produção não é mais a mesma.

Squad goals.

Do outro lado da bola, Baltimore também viu algumas peças que davam identidade ao ataque deixarem a equipe. Desde a saída de Ray Rice, o time só teve um bom ano correndo com a bola – em 2014, justamente aquele que voltou aos playoffs. Além dele, Anquan Boldin também foi embora e, com as lesões de Denis Pitta, Joe Flacco não teve mais a mesma consistência de seus recebedores (sabemos que Steve Smith Sr jogou bem, mas sofreu com algumas lesões e, quando estava em campo, era praticamente a única peça confiável recebendo a bola).

Concluindo: a perda de peças importantes e a confiança em um quarterback razoável fizeram com que os Ravens se tornassem uma franquia extremamente irregular. Será a missão de John Harbaugh evitar que seu time continue navegando rumo a ilha da insignificância, onde habita o Cincinnati Bengals.

O único lugar do mundo em que Joe Flacco é rei

O ataque dos Ravens não foi bem em 2016 (vigésima quarta posição em DVOA). E em 2017, para piorar, contará com um Joe Flacco baleado e que corre o risco de não começar a temporada jogando, apesar do que diz a comissão técnica. Logo, a expectativa não é a maior do mundo.

Considerando que Joe esteja saudável, não acreditamos que isso fará muita diferença. Se você o assistiu jogando recentemente, sabe que ele não é o cara que vai inspirar um ataque. Flacco fará o suficiente para que seu time vença algo em torno de 6 jogos – qualquer record acima disso será fruto do time ao redor dele.

Nunca mais.

No corpo de recebedores, a aposentadoria de Steve Smith deixou um buraco. Sem ele, Baltimore ficou sem um autêntico WR 1. Mike Wallace já provou que não é capaz de cumprir a função; e Breshad Perriman, escolha de primeira rodada em 2015, tem lutado contra lesões e é uma incógnita. Jeremy Maclin foi contratado e poderá assumir o posto, considerando que já fez esse papel em Kansas City e na Philadelphia com algum sucesso. Vindo de um ano de lesão, porém, não sabemos se ele conseguirá. Por fim, Griff Whalen, talvez o gênio mais incompreendido de toda a NFL, fecha o grupo.

Nota do Editor: Houve uma briga muito grande sobre citar ou não Griff Whalen no texto, já que ele está enterrado no fundo do Dept Chart. Após ameaças de demissão, decidimos ceder.

Os RBs serão Terrance West e Danny Woodhead. Woodhead talvez seja o que inspire mais confiança, mas, além de ter dificuldades em se manter saudável, ele é mais eficiente recebendo passes do que carregando a bola. Já West teve no ano passado o seu melhor ano carregando a bola, com 4 jardas por tentativa. Conclusão: ele também não é a solução para o jogo corrido, mas é o que o time tem.

Dentre os TEs, podemos citar dois fatos: o primeiro é que você provavelmente nem conhece os caras. O segundo é que está todo mundo machucado. Maxx Williams e Benjamin Watson, que devem ser os titulares, são incertezas, já que voltam de lesões.

Por fim, a linha ofensiva, que não é um dos problemas da equipe, mas não conta com jogadores muito conhecidos – somos fiéis ao ideal de não encher linguiça com nomes que o amigo leitor nunca ouviu falar. Ronnie Stanley, escolha de primeira rodada em 2016, e Marshal Yanda, um dos melhores Guards da NFL devem ser os destaques do grupo. Além deles, os Ravens escolheram Nico Saragusa (quarta rodada) e Jermaine Eluemunor (quinta rodada) no último draft.

Os verdadeiros responsáveis por levar Joe Flacco longe

Baltimore resolveu reforçar a defesa durante a offseason. Tanto na free agency quanto no draft. Talvez Ozzie Newsome tenha finalmente percebido que não dá pra esperar que Joe Flacco seja o responsável por levar o time às vitórias.

A linha defensiva terá a volta de Brandon Williams, que renovou seu contrato e é um sólido DT, e Terrell Suggs, que já citamos, e, mesmo com a idade, ainda é um bom jogador. Para ajudá-los , foram escolhidos o DT Chris Wormley e o OLB Tim Williams. O grupo tem tudo para ser uma força essa temporada.

Já dentre os LBs, o excelente CJ Mosley será o comandante da unidade, que contará também com o rookie Tyus Bowser e o segundo-anista Kamalei Correa, de quem se espera uma evolução em relação ao seu ano de calouro. 

Ainda dói.

Na secundária, Brandon Carr, recém-chegado de Dallas, e Marlon Humprey, escolha de primeira rodada, chegam para acabar com os problemas da posição de CB 2. O bom Jimmy Smith será o CB 1. Por fim, os safeties titulares serão Eric Weddle, que foi muito bem em seu primeiro ano em Baltimore, e Tony Jefferson, jogador bastante underrated e que chega de Arizona.

O melhor para o final.

Não nos esquecemos de Justin Tucker, o melhor kicker da NFL. É o que diz a máxima: “quem tem Tucker pode sonhar.” Com ele em campo, os Ravens não precisam chegar muito perto da endzone para garantir alguns pontinhos – basta chegar ao meio do campo.

Palpite: Baltimore focou nos problemas da defesa durante a offseason, mas deixou o ataque com muitos buracos. John Harbaugh é um excelente técnico (o editor deste site aparentemente o ama), mas o time não conseguirá chegar aos playoffs, já que existem times melhores na AFC. Um 6-10 da vida é o que podemos esperar em 2017.

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