E se não déssemos tanto valor ao QB? (É o que querem que você pense)

29/ago/16


Comecemos com as boas notícias, torcedores do Bears. Parece que finalmente a difícil mudança iniciada pelo coordenador defensivo Vic Fangio, de um 4-3 que já foi dominante na liga para um 3-4, para o qual o time não tinha o elenco adequado, será completada. Perceba, a seguir, que mais da metade dos jogadores do front seven chegaram no ano passado ou mudaram de posição, ou ainda como os inside linebackers Jerrell Freeman e Danny Trevathan, peças importantes no ano passado para as defesas de Colts e Denver (primeira em jardas totais), respectivamente.

A pior notícia da offseason também envolve um coordenador. A saída de Adam Gase, o coordenador ofensivo, um dos grandes quarterbacks gurus da liga (era o treinador de QBs em Denver de Tim Tebow) para ser treinador em Miami é má notícia para os que ainda acreditam que Jay Cutler pode ser um jogador de elite. Ele era considerado o principal responsável pela grande temporada de 2015, em que o eternamente desanimado conseguiu o melhor rating e o menor número de interceptações de sua carreira.

Além disso, à primeira vista, o time hoje pareceria bem adequado para pelo menos lutar para chegar aos playoffs – desde que não estivesse em uma das divisões mais complicadas da NFL. A NFC North é uma das poucas em que não há apontado um claro saco de pancadas (Bears e Lions seriam os candidatos, mas não estão ao nível de Titans ou 49ers por exemplo) e a briga pelo wildcard parece ficar cada ano mais complicada. Se estivessem na NFC East ou na AFC North, por exemplo, os Bears seriam sérios candidatos. Na atual, as esperanças são bem menores.

Freeman e Trevathan, prontos para resolverem seus problemas.

A necessidade de uma defesa dominante

Falando em divisão, considerando os potentes ataques nela, especialmente quando se tem o propenso a interceptações Jay Cutler no comando do ataque, uma boa defesa é essencial para mantê-lo em uma situação confortável em que possa desenvolver seu jogo. Os Bears têm como tradição uma defesa forte (a melhor da história é dos Bears campeões do Super Bowl em 85) e há razões para acreditar na volta de tempos melhores depois de um 2015 difícil, cedendo quase 25 pontos por jogo.

Na linha defensiva, o único que retornará à titularidade é o rookie NT em 2015 Eddie Goldman. Ao seu lado, ele provavelmente terá dois novos reforços: Akiem Hicks, vindo da defesa de Bill Belichik, e o novato Jonathan Bullard, que chegou a ser cotado para a primeira rodada do draft depois de acabar escolhido na terceira.

O grupo de linebackers deve ser o melhor e mais cobrado da defesa. Além de Freeman e Trevathan, que principalmente servirão para melhorar o número de 121 jardas corridas cedidas por jogo, os ursos deverão ter uma equipe de OLBs interessantes responsáveis pelo pass-rush: Pernell McPhee (18 hits no QB), Lamarr Houston (8 sacks) e o rookie selecionado na primeira rodada Leonard Floyd, que serão os grandes responsáveis para tentar dificultar a vida dos ataques aéreos adversários.

Isso porque a secundária não está cheia de grandes jogadores. O melhor CB é Kyle Fuller, mas ele não foi além de mediano durante a temporada passada (apesar de ainda haver esperanças de que, em seu terceiro ano, finalmente encontre todo seu potencial), enquanto Tracy Porter, famoso pela interceptação contra Brett Favre em 2010, começou bem, mas caiu em 2015. A saída de Antrel Rolle deverá fazer falta ao lado do safety Adrian Amos (que também deverá melhorar em seu segundo ano), já que o resto da secundária deverá acabar completada por dois rookies de quarta rodada – o reforço CB Brandon Boykin se machucou durante a pré-temporada.

O caso Jay Cutler (e onde os Bears não chegará por isso)

Por mais que a defesa esteja evoluindo e prometa fazer uma campanha melhor que em 2015, ela não será nenhuma defesa de Denver e necessitará de bastante apoio do ataque, mantendo longos drives e dando boas posições de campo para facilitar o trabalho e assim levar o time aos playoffs, onde não chegam desde a final da NFC em 2011. E o líder desse ataque, gostem ou não, é o inconstante e dado às interceptações, que pipocou contra Green Bay nessa mesma final de 2011, Jay Cutler (e seu contrato vai até 2020).

Pouco se pode fazer em relação ao seu jeito desinteressado e possíveis pipocadas futuras, mas Adam Gase parecia ter encontrado o caminho para a consistência e melhor proteção da bola por parte do QB, como mostram suas apenas 11 interceptações – entretanto, como já dito, caberá agora ao treinador de QBs em 2015 Dowell Loggains seguir com esse bom trabalho.

Um dos grandes motivos para ser cético quanto a isso é a perda do RB Matt Forte para os Jets, por mais que sua idade estivesse começando a pesar. Seu substituto, Jeremy Langford, por mais que tenha potencial como corredor, não chegará nem perto das 220 recepções que Forte teve com Cutler nos últimos três anos (seu alvo favorito).

A situação da linha ofensiva também é deplorável. Depois do fracasso de Jermon Bushrod ano passado, não sendo um especialista fanático pelos Bears, é difícil acreditar que Charles Leno deverá ser o protetor do lado cego do quarterback. Pelo menos, por dentro a situação é melhor: com a chegada de Bobby Massie para jogar como RT, Kyle Long poderá voltar a ser guard e fará trio com dois jogadores inexperientes: Cody Whitehair, da segunda rodada de 2016, e Hroniss Grassu, da terceira de 2015.

Pelo menos, a promessa é de que, quando tiver tempo suficiente para as jogadas acontecerem, Jay Cutler terá dois alvos monstruosos (grandes e rápidos) para lançar, finalmente saudáveis: os WRs Alshon Jeffery (1133 jardas, 10 TDs em 2014) e Kevin White, que não jogou na sua temporada como rookie. Além disso, deve contar com Eddie Royal como slot receiver e os TEs Zach Miller e Tony Moeaki como alvos para os passes curtos e rápidos, como tentativa de desafogar a antiga responsabilidade de Matt Forte.

Que a linha ofensiva siga ruim, porque gostamos de ver Cutler sofrer.

Que a linha ofensiva siga ruim, porque gostamos de ver Cutler sofrer.

Palpite: No fundo, talvez exista alguma chance dos Bears surpreenderem. Muito disso estará num papel improvável que desempenhariam suas linhas, tanto ofensiva como defensiva, além de obviamente um Jay Cutler que siga com os ensinamentos de Adam Gase. Também nisso, um possível caminho aos playoffs passaria obrigatoriamente por uma queda de produção inesperada de Green Bay e Minnesota. O resultado mais provável é o tradicional 8-8 e, como mais alguns ajustes, pensar em fazer barulho em 2017.

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