E se colocássemos a culpa de tudo em Drew Brees?

09/ago/17


Bom dia, torcedor dos Saints. Se eu te dissesse que vocês têm um jogador que pode simplesmente largar o time ano que vem e, ainda assim, custar 10 milhões, quanto vocês amariam esse cara? E se esse ser fosse a mesma única fonte de esperança da equipe, com uma média de quase 5000 jardas e garantidos mais de 35 TDs, qual cabeça deveria rolar? A dele ou de Mickey Loomis, o GM que produziu esse contrato?

Histórias de descontrole do salary cap não são raras na NFL, mas talvez o New Orleans Saints seja o melhor exemplo disso; não que Brees não merecesse muito mais, mas em um contexto de dinheiro limitado, seu salário é extremamente proibitivo para a equipe – prejudicando, especialmente, a defesa.

E, por isso, vemos que o grande problema da equipe reside exatamente nesse lado do time (que não tem uma boa campanha desde aquele 2009 incrível em que produziu 39 turnovers), e o próprio Sean Payton já está cansado dessa palhaçada: “Eu só sei que já tivemos jogos que acabam 48-40 suficientes e isso é algo que precisa mudar”.

Considerando que Drew Brees chega aos 39 anos no dia 15 de janeiro, provavelmente assistindo aos playoffs tranquilamente de sua casa, a janela de oportunidade para a equipe vai tornando-se cada vez menor. Especialmente quando o jogador já afirmou que está levando as coisas “ano a ano” – sem falar, entretanto, em aposentadoria. Quem sabe ele só esteja cansado da Louisiana.

Vovô e sua netinha.

Precisamos proteger o nosso dinheiro

Para tirar a pressão do lançador, sabemos que é essencial protegê-lo; não à toa, o time investiu pesado na sua linha ofensiva, substituindo o envelhecido Jahri Evans pelo bom G Larry Warford, vindo de Detroit, e escolhendo o tackle Ryan Ramczyk no final do primeiro round do draft.

Não obstante, nada disso será suficiente se os dois melhores e mais importantes jogadores da linha ofensiva, o LT Armstead e o C Unger (para ajudar ainda mais o time, só entre esses dois há 15M do salary cap parado), não voltarem de suas lesões logo. Por exemplo, Ramczyk, que foi escolhido para ser RT, agora parece ser o substituto do grande Terron Armstead, e sabemos bem como esse tipo de improvisação, ainda mais com rookies, acaba.

Adeus, Cooks; olá, Peterson

A chegada de Ryan Ramczyk, inclusive, é fruto de uma outra movimentação ousada da offseason dos Saints. Brandin Cooks (que é carinhosamente conhecido na melhor liga de fantasy do Brasil, a nossa, como “enganação”) foi repassado ao New England Patriots por duas escolhas desse último draft (Ramczyk, 32º escolhido, e o pass rusher Trey Hendrickson, o 103º escolhido).

A troca aconteceu pelo excesso de talento dos Saints na posição de WR (ou, como já dito, pela capacidade de Brees de transformar medianos em excepcionas), já que Michael Thomas (92 recepções, 1137 jardas, 9 TDs mesmo sendo apenas o quinto WR escolhido no draft de 2016), Willie Snead e os recém-chegados Ted Ginn Jr, que brilhou como opção secundária para Cam Newton, e Coby Fleener – que, esperamos, finalmente alcançará seu potencial em New Orleans se conseguir manter-se saudável – devem sobrar como opções para Brees.

“Cês me odeiam muito pra trazer tanto substituto, né?”

E se as movimentações no grupo de recebedores foram concisas, no grupo de corredores ocorreu exatamente o oposto. Mark Ingram vem da melhor temporada de sua carreira, finalmente ultrapassando as mil jardas e a média de 5 por tentavia, e parecia finalmente pronto para se tornar mais uma opção segura; Sean Payton e cia, obviamente, pensaram exatamente o oposto, investindo recursos que poderiam ser melhor aproveitados em outras áreas (mais sobre a seguir) na posição.

O lendário Adrian Peterson foi contratado (2 anos, 7 milhões, barato para 90% dos times da liga, mas não para alguém com um cap tão apertado), mas sua capacidade de repetir suas históricas atuações já é questionada – e, bem, ele provavelmente só assinou com os Saints porque o primeiro jogo da equipe é justamente em Minnesota.

Mais questionável ainda foi a seleção de Alvin Kamara no terceiro round do draft; apesar de bom jogador, supõe-se que a defesa precisa receber o talento possível, e um jovem RB atrás de dois veteranos no banco não deverá colaborar com isso.

A defesa (supondo que ela existe)

Está claro que a defesa precisa de ajuda (454 pontos cedidos foram o 2º maior da NFL); não há como culpar diretamente esse ataque liderado por Drew, e tudo indica que esse ano tampouco será possível; mas comecemos com uma boa notícia (prometo, deverá ser a única): Cameron Jordan, DE caso você não conheça esse mito, é um dos melhores pass rusher da NFL mesmo tendo conseguido apenas 7.5 sacks em 2016. Sua média de pressão colocada no QB só é inferior a Von Miller e JJ Watt, de acordo com dados do site PFF, ou seja, podemos estabelecer ao menos um não-culpado.

Mas Cam não deverá ter muita ajuda: o time trouxe Alex Okafor de Arizona porque ele é amigo de Kenny Vaccaro – mas em seus quatro anos pelos Cardinals ele não conseguiu 15 sacks totais. O LB Hau’oli Kikaha vem de uma lesão no joelho, sempre complicada para os grandalhões e o já comentado Trey Hendrickson deverá precisar de um tempo para adaptar-se à velocidade da NFL.

Para piorar os problemas no front-seven, o DT Nick Fairley, titular em todas as partidas de 2016, teve um problema de coração detectado e dificilmente jogará essa temporada. Ao menos outro rookie, o LB Alex Anzalone, tem aproveitado bem as oportunidades que recebeu na pré-temporada e já é considerado titular no depth chart.

“Palmas pra vocês… Vocês merecem o título de pior defesa do mundo.”

Para finalizar o assunto de rookies, o CB Marshon Lattimore, primeira escolha do draft do time, não deverá encontrar seu antigo companheiro de secundária de Ohio State Vonn Bell para tentar ao menos não ser a pior defesa contra o passe da liga; outra grande razão para isso foram as lesões do bom safety Kenny Vaccaro e do melhor jogador defensivo do time em 2015, o CB Delvin Breaux. Se os quatro conseguirem estar juntos em campo, as coisas ao menos não serão tão deprimentes – mas talvez estejamos sendo muito otimistas, especialmente considerando que os dois cornerbacks já não têm sido presença constante nem mesmo no training camp.

Palpite: 7-9. Normalmente olhamos jogo a jogo e tentamos fazer uma previsão de quais partidas a equipe pode vencer para dar um palpite mais aproximado da realidade, mas o New Orleans Saints é especial pelo simples fato de que essa é a campanha desde 2014 e não parece que as coisas tenham mudado o suficiente, especialmente com a quantidade de lesões que perturbam o training camp da franquia, sejam elas mais ou menos graves. Com sorte, ano que vem Drew Brees larga essa zona e a campanha poderá mudar (para pior).

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