Deixando o fantasma de Jeff Fisher para trás

17/ago/17


Existem grandes momentos. E existem momentos que nós não vamos esquecer. A demissão de Jeff Fisher é um deles. Após empatar o recorde de maior número de derrotas de um head coach na história da NFL, Fisher foi chutado do Los Angeles Rams. O momento da demissão e o discurso final foram gravados pela HBO em sua série All or Nothing, que acompanha a temporada de algum time da liga e, em 2016, deu o azar de acompanhar os Rams.

Resolver os problemas que cinco anos de Fisher trouxeram não será fácil. O time ainda colhe frutos das decisões tomadas por seu antigo técnico, mas não podemos deixar de apontar também para o GM Les Snead. À seu favor consta que o histórico no draft não é dos piores – vejam Ryan Grigson, por exemplo.

Claro, algumas escolhas deram muito errado, outras deram muito certo, é assim em toda NFL. Porém Snead falhou completamente em um lado da bola: o ataque. Seleções como as de Tavon Austin e Greg Robinson não vingaram e o dispêndio de escolhas altas nesses jogadores criou buracos no elenco, pois acreditava-se que eles resolveriam problemas existentes nas suas posições. Além deles, nenhum WR escolhido pelos Rams desde a chegada de Snead, seja em St. Louis ou em LA, vingou na liga.

Para piorar, esse exemplo de modelo de “gestão” tem outra dificuldade: superar seus erros. A demora para demitir Fisher demonstra isso claramente. Além disso, renovar com jogadores como  Austin por quantias absurdas fez com que os Rams se tornassem, hoje, a equipe com menos espaço disponível no Salary Cap (Sério, já pararam pra pensar no quão absurdo isso é? Existem elencos muito mais talentosos ao redor da liga com muito mais espaço para gastar com salários.). E esse feito foi conquistado sem ao menos ter sido realizada a astronômica renovação de contrato do DT Aaron Donald. Concomitantemente, a franquia deixou o CB Janoris Jenkins partir em favor do CB Trumaine Johnson. Jenkins teve uma temporada de destaque em Nova York, enquanto Johnson está em sua sua segunda franchise tag: além de optarem pelo cara errado, os Rams ainda não sabem o que fazer com Trumaine e seu contrato.

Virando a página

O homem encarregado de resolver as cagadas supracitadas atende pelo nome de Sean McVay. Sean chega a Los Angeles principalmente para resolver os problemas do ataque. Para isso, ele terá que fazer mágica, tendo em vista que Jared Goff, quando jogou, pareceu qualquer coisa, menos um QB titular da NFL.  Não acreditamos que Goff tenha um futuro promissor, mas é preciso ser justo com ele: todos sabiam que Jared era um jogador cru, e ter seu primeiro ano no sistema de Jeff Fisher não ajudou em nada o seu desenvolvimento. Podemos até taxá-lo como bust, mas Goff ainda pode mostrar resultados.

Ainda no ataque, McVay terá o trabalho de reencontrar o futebol de Todd Gurley, perdido no meio dos buracos que a OL de Los Angeles abre – para os defensores adversários. Gurley estava claramente insatisfeito com a comissão técnica anterior, afirmando inclusive que o sistema parecia um “ataque de escola”. Essa talvez seja a missão mais fácil que o novo técnico encontrará: Todd tem muito talento e, a situação, pior que estava, dificilmente ficará.

Ele arruinou o Fantasy de milhões de pessoas.

E falando em linha ofensiva, ela terá algumas mudanças importantes: Andrew Whitworth, um dos melhores LTs da NFL, chega para o lugar de Greg Robinson, que foi trocado para Detroit por um saco de bolas vazias e um pirulito. O resto do grupo deve se manter o mesmo e, agora em um novo sistema, os jogadores terão chances de mostrar mais resultado. Intriga um pouco, porém, a inércia da equipe no draft em relação a OL, já que nenhum jogador da posição foi escolhido.

Já no corpo de WRs, a principal mudança é a chegada de Sammy Watkins, trocado junto aos Bills. Todos conhecemos o potencial de Sammy – quando ele está em campo, embora essa seja sua maior dificuldade. Robert Woods também chega de Buffalo e, ainda falando em mudanças,  o time crê que Cooper Kupp e Josh Reynolds, escolhidos no último draft, possam ajudar a suprir a perda de Kenny Britt, líder da equipe em recepções na temporada passada. Por fim, espera-se que Tavon Austin consiga produzir no sistema de McVay; do contrário, ele dificilmente continuará em LA por muito tempo.

Na posição de Tight End, os Rams esperam ver uma evolução de Tyler Higbee, escolha de quarta rodada, agora em seu segundo ano na liga, além de boas atuações de Gerald Everett, escolha de segunda rodada neste draft, a primeira da equipe. Se eles conseguirem um bom desempenho – o que é de se esperar, visto que McVay fez um bom trabalho com TEs em Washington -, Los Angeles terá mais força tanto no ataque aéreo quanto terrestre.

Um novo xerife na cidade

Não, não estamos falando de Dan Orlovsky, mas sim do “novo” coordenador defensivo, Wade Phillips. Wade dispensa apresentações, mas, se você não sabe quem ele é, saiba que estamos falando do arquiteto da defesa dos Broncos que carregou aquilo-que-diziam-ser-Peyton-Manning para o Super Bowl. Phillips chega para o lugar de Gregg Williams – chamado por muitos de, simplesmente, “um babaca”.

Se com Williams a defesa já era forte, agora ela pode dar o próximo passo e se tornar uma das melhores da NFL. Aaron Donald é um dos cinco melhores jogadores da liga por apresentar capacidades que nenhum outro atleta da sua posição possui. Capaz de gerar pressão no QB adversário, além de parar as corridas, tudo isso pelo interior da DL, Donald é o melhor Defensive Lineman do país.

Paguem o homem!

Porém ele está em busca de um contrato novo, como já havíamos mencionado. Aaron ainda não se apresentou para os treinos, mas esperamos que ele não deixe de jogar durante a temporada regular, apesar dos rumores de que se trata de uma possibilidade real (seria muita burrice dos Rams se isso acontecesse).

O front 7 é a principal força dessa defesa, que conta, na linha defensiva, com o já citado Donald (que sozinho já vale mais que muitas defesas inteiras) e com o bom Michael Brockers, antiga escolha de primeira rodada. No corpo de LBs Alec Ogletree e Mark Barron formam uma dupla versátil; e agora o grupo também conta com Robert Quinn, que deixou de ser DE para se tornar um OLB no novo esquema tático. Além deles, Connor Barwin, recém-chegado da Philadelphia, promete ajudar, tanto com suas jogadas como com sua experiência.

No entanto, a secundária ainda é um ponto de interrogação. Trumaine Johnson e Maurice Alexander são os titulares da última temporada que retornam para uma nova aventura. Nas outras posições, brigam pela titularidade na posição de cornerback Nickell Robey-Coleman e Kayvon Webster. Já entre os safeties, John Johnson, escolha de terceira rodada no último draft, e Lamarcus Joyner, disputam a última vaga de titular.

Não é só isso

Assim como fizemos com Kansas City, é importante lembrar dos Special Teams dos Rams. Esse, que foi o grupo mais bem-sucedido da era-Jeff Fisher, segue inalterado: Greg “The Leg” Zuerlein continua como kicker, assim como Johnny Hekker como punter e Tavon Austin retornando chutes. O técnico John Fassel, que assumiu a equipe interinamente após a demissão de Fisher, retorna para o cargo de coordenador. Esperamos, assim, que Los Angeles continue com suas jogadas divertidas nos times especiais – especialmente aquelas que enganam Seattle.

Palpite: Os Rams ainda não são um time bem balanceado. O ataque precisa de playmakers, já que, hoje, não podemos confiar 100% em Sammy Watkins e Todd Gurley. A defesa fará o suficiente para vencer muitos jogos, mas, no final, o time esbarrará nas limitações técnicas de Jared Goff e da linha ofensiva. Após esse ano, o experimento com Goff terminará. E, quem sabe com a iminente campanha medíocre, Los Angeles possa escolher um verdadeiro franchise QB na suposta classe recheada de 2018.

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