De Cleveland ao Brasil: Joe Thomas fala sobre o futuro do Browns

10/maio/17


É difícil falar sobre tudo que torna Joe Thomas tão efetivo; ele é provavelmente um modelo perfeito do que é ser um offensive tackle: ninguém usa melhor as mãos, ninguém tem um poder reativo semelhante a ele na NFL atual.

E isolar os feitos individuais de Joe apenas faz com que vejamos o quão bom ele realmente é; desde sua estreia na liga em 2007, por muito tempo assistir a uma partida do Browns se resumiu a apreciar o jogo do OT: são 160 partidas (todas, desde sua seleção) e 10 idas ao Pro Bowl (todos).

Por outro lado, Joe também viu passarem por Cleveland 18 quarterbacks entre idas e vindas, oito coordenadores ofensivos e seis head coaches. Tudo isso resultou em apenas 48 vitórias, sendo que 10 delas logo no primeiro ano e, desde então, apenas uma temporada com mais de cinco (sete, em 2013).

A escolha

Joe foi selecionado logo após Calvin Johnson. Adrian Peterson veio quatro escolhas após o OT de Wisconsin. Já Patrick Willis, LB que fez história no San Francisco 49ers, e Marshawn Lynch, RB selecionado pelo Buffalo Bills, foram as escolhas 11 e 12 daquele ano. Darrele Revis foi o número 14 e gente como Eric Weedle e Ryan Kalil só saíram na segunda rodada.

Em meu primeiro ano no college, os treinadores questionaram se eu queria me inscrever na avaliação dos scouts, para ter uma noção de meu status para o draft”, relembra. “Até aquele dia, realmente nunca havia pensado em chegar a NFL, mesmo com vários anos de Badgers pela frente”.

O resultado dos scouts indicaram que ele sairia logo na primeira rodada e ampliaram a percepção de Joe: foi ali que ele percebeu que a NFL poderia se tornar uma realidade. Anos depois, na terceira escolha, o Browns selecionaria Thomas. E, mesmo que o draft seja uma ciência com mais erros do que acertos, é quase inquestionável afirmar que dentre os selecionados naquele ano, Joe construiu umas das carreiras mais sólidas até aqui.

Um cara legal!

Um longo inverno

Thomas chegou a Cleveland na mesma época em que o Cavs flertava com as finais da NBA e a cidade tentava expurgar suas maldições esportivas através de LeBron James, o filho prodígio de Akron. “Definitivamente há um zumbido diferente”, brincara Thomas em entrevista ao Grantland na época. “Mas sei que mesmo que as pessoas estejam felizes por ter uma ótima equipe de basquete, no fundo, Cleveland ainda é uma cidade sobre football”.

E mesmo que nem o Cavaliers, tampouco o Browns, tenham saído vencedores em 2007, havia uma nítida excitação em Ohio; Cleveland venceu 10 partidas no ano de estreia de Thomas. “Você ouvia sobre Believeland. As pessoas seguravam cartazes no estádio. Parecia que estava voltando. Mas no ano seguinte tivemos uma temporada ruim e desde então entramos em ‘modo reset’”.

O último “reset”

E a cada novo quarterback, a cada novo head coach, Joe percebia que isso também significava dois ou três anos de reconstrução, o que o afastava de seu objetivo: tornar o Browns um time vencedor. Após anos neste processo, as perspectivas são animadoras.

Os Browns vão ser muito melhores esse ano. Conseguimos bons talentos na free agency e mais recentemente no draft; Sashi Brown fez um trabalho excelente durante o draft, selecionando jogadores talentosos e ainda adicionando escolhas de draft para o futuro”, diz Joe, que promete ser um mentor para os rookies. “O que mais gosto de falar aos jovens jogadores é ‘seja pontual, preste atenção e trabalhe duro’. São três coisas simples, mas que são a chave para ter sucesso na NFL”.

Talvez pela primeira vez, ele não esconda a empolgação: em seu Twitter, já afirmou que Myles Garret, Jabrill Peppers e David Njoku irão todos para o Hall da Fama. E se o futuro reserva dias melhores para Cleveland, nada melhor do que tornar a franquia global.

Não vejo a hora de jogar em Londres esse ano e espero que a expansão continue no futuro, inclusive para o Brasil”, diz. “Essa internacionalização é uma das melhores coisas que a liga fez recentemente: é importante percebermos a quantidade enorme de fãs que temos em outros países e o quão ansiosos eles estão para curtir a NFL ao vivo”.

*Agradecemos aos amigos @ShikSundar e @EulerBropleh por tornar essa conversa possível.

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