Confiamos em John Harbaugh (e temos Justin Tucker)

14/ago/16


É difícil duvidar de certos times, sobretudo quando comandados por determinados treinadores; mesmo com um deprimente 5-11 na temporada que passou, foi a primeira campanha negativa de Baltimore em oito anos sob o comando de John Harbaugh: o Ravens nunca teve duas temporadas com aproveitamento inferior a 50% neste século – aliás, 2015 foi apenas a quarta vez, desde 1998, com mais derrotas do que vitórias. E a equipe sempre reagiu na temporada seguinte (10, 13 e 11 vitórias).

Vale lembrar que o 2015 do Baltimore Ravens foi marcado por lesões, tornando complexo analisar a temporada sem considerá-las determinantes: em dado momento 20 jogadores estavam no IR – eles ainda precisaram movimentar seu roster 100 vezes durante o ano, um número fora de qualquer padrão lógico.

Não é fácil perder seu QB1 (Joe Flacco), seu principal RB (Justin Forsett), seu melhor WR (Steve Smith), sua escolha de primeira rodada (o também WR Breshad Perriman) e seu melhor pass rusher (Deus, como sentimos saudade de Terrell Sugs). Perdas estas que resultaram basicamente em uma secundária que ocupou o último lugar em interceptações, um pass rush que passaria vergonha na CFL e um ataque com profundidade tão densa quanto a do Tietê.

Nada será como antes: esqueçamos 2015!

De toda a infinidade de lesões sofridas pelo Ravens na temporada passada, a de Flacco foi a mais significativa; é ele quem move o ataque e, bem, ruim com Joe Flacco, pior com Matt Schaub e Jimmy Clausen – mesmo que Flacco tenha tido números semelhantes aos de um Nick Foles com incontinência urinária.

Para 2016, proteger o lado cego (e consequentemente o joelho esquerdo recentemente reconstruído) de seu QB será fundamental. Aliás, o próprio Flacco assumiu que não sabe como reagirá a sua primeira pancada – algo natural, claro.

Agora, o responsável por protegê-lo será o OT Ronnie Stanley, vindo de Notre Dame e escolhido na primeira rodada do draft. Stanley tem potencial para se tornar um bom left tackle, contando com seu físico para manter a pressão longe do pocket. De qualquer forma, até Stanley passar pelo processo natural de adaptação à NFL, é bem provável que Flacco sofra. Aliás, se Ronnie Stanley possuir coordenação motora para parar em pé sem tropeçar em suas próprias pernas, ninguém sentirá saudades dos últimos momentos do antigo dono da posição e recém aposentado Eugene Moore.

Mas a grande perda linha ofensiva será Kelechi Osmele, que assinou com o Oakland Raiders – Ryan Jensen deve ocupar seu lugar, mas a verdade é que eficiência é uma palavra que nunca pareceu fazer parte de seu vocabulário.

Acabei de ver meu saldo.

Acabei de ver meu saldo bancário.

Busca pelo equilíbrio

O envelhecimento do setor ofensivo é outra questão chave para Baltimore: Steve Smith já está com 37 anos, o G Marshall Yanda completou 31 recentemente e Justin Forsett é um running back com 30 primaveras completas e voltando de lesão. É um time construído para vencer imediatamente: não há tempo a perder.

Porém, para ajudar os já citados Forsett e Smith, Baltimore achou uma boa ideia trazer uma dupla composta pelo WR Mike Wallace (que reprovou no teste físico pré training camp; um atleta profissional reprovar no training camp equivale a um motorista reprovar no exame psicotécnico na busca por sua CNH) e pelo RB Trent Richardson. Dois cidadãos que somados tem o valor semelhante a um saco de bosta (o que só valida nossa teoria do absurdo que é tantos não-jogadores recebendo inúmeras oportunidades enquanto Tim Tebow segue, literalmente, esperando). Richardson, porém, durou apenas dez dias e já não está mais entre nós – porém o simples fato de um time ainda cogitá-lo para qualquer função que não seja segurar Gatorade na sideline, é assustador.

Já para auxiliar o que restou do TE Dennis Pitta, o escolhido foi Benjamin Watson, que veio de New Orleans e, se for um ser humano digno, tem um acordo com Drew Brees para encaminhar metade do salário para seu antigo QB pelo restante de sua carreira.

Alguém nos ajude

É difícil prever como Steve Smith irá retornar, afinal ele já está com 37 anos e lesões no tendão de Aquiles costumam ser cruéis – mas também já aprendemos a nunca duvidar de Steve Smith. Outra incógnita é o quanto Breshad Perriman pode render. E já que Mike Wallace tem tanta credibilidade quanto uma nota de US$3 e Dennis Pitta não possui uma célula saudável em seu corpo, é provável que Kamar Aiken (75 recepções para 944 jardas em 2015) se torne a principal válvula de escape de Joe Flacco.

Restará a Baltimore torcer para um maior protagonismo ao seu jogo corrido; mas vale lembrar que Forsett não foi eficaz no ano que passou (média de 4,2 jardas por tentativa, compensadas pelas mais de 30 recepções). Dessa forma espera-se que o rookie Kenneth Dixon, que teve uma boa passagem por Louisiana Tech e surpreendeu no combine, possa preencher esta lacuna.

E se ofensivamente nada der certo, sempre será possível chegar pouco além do meio campo e confiar em Justin Tucker – possivelmente um dos únicos kickers, essa raça desnecessária, que possa ser considerado gente.

Sou kicker mas sou legal.

“Sou kicker mas sou legal”.

Retornando das cinzas

O Ravens de 2015 começou a ruir quando o tendão de Aquiles de Terrell Suggs rompeu, logo na primeira partida da temporada. Era o sinal de que, bem, não seria um bom ano. Como já citamos, a lesão de Suggs somada, claro, a outros fatores, levou todo o sistema defensivo de Baltimore a um colapso.

Aos 33 anos, Terrell pode não retornar 100% fisicamente, mas com metade de seu potencial a situação melhorará significativamente – o que só reitera a tragédia ocorrida na última temporada, quando exceto Elvis Dumervil nenhuma alma se salvou e pressionou minimamente o quarterback adversário.

A secundária é outra incógnita: o CB Jimmy Smith já demonstrou potencial, ao permitir apenas seis touchdowns em suas primeiras quatro temporadas (em 2015, porém, foram seis sob sua cobertura). Outro fator que pode ser fundamental para melhorar o setor é a presença do FS Eric Weedle, contratado na free agency após deixar San Diego. Eric tende a aliviar a carga de trabalho tanto de Smith, como de Lardarius Webb e com certeza preencherá o buraco deixado desde a partida de Ed Reed, em 2012.

Ser hater é um hobby

É legal odiar Flacco, podemos tornar isto público sem maiores ressentimentos. Mas faremos isso se o Ravens assumir que comprometeu seu futuro ao renovar o contrato do QB por valores absurdos. Ok, Flacco lhes deu um Super Bowl, o que não é pouco e gratidão é algo em falta da humanidade, mas depois disso… Aceitemos: Flacco é um bom quarterback, mas ganha como MVP. Só essa temporada irá custar US$22,5 milhões – e em 2020 ganhará quase US$30 milhões. Ele será o QB do Ravens por mais quatro ou cinco anos: até lá Flacco segue jogando e eu continuo com raiva. E assim persistimos com esse impasse.

Palpite: John Harbaugh é um grande head coah e não precisa provar nada a ninguém: algum milagre ele fará se o asilo dos Ravens se mantiver minimamente saudável – o que significa que Harbaugh precisa que basicamente eles permaneçam em pé. Jogar contra o Browns duas vezes é uma benção, a tabela parece razoável e oito vitórias não soa como nenhum absurdo. Elas virão, mas também não irão levar Baltimore aos playoffs (Tom Brady agradece). Não será agradável de assistir, mas ao menos não fará nossos olhos sangrarem.

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