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Resta acreditar em Sam Bradford (e sabemos como isso acaba em Minnesota)

A história já é conhecida em todo o mundo. Começo lembrando aos leitores do preview dos Vikings: cremos que eles tem todas as peças que um time pode conseguir juntar para ir em busca de um Super Bowl, o único elemento que faltava era o quarterback: Teddy faria o suficiente para ser carregado pela defesa e Adrian Peterson ou, melhor ainda, Teddy finalmente começaria a produzir como um QB de alto escalão?

Obviamente o desastre foi anunciado: Bridgewater se machucou sozinho em um treinamento, com sua exclusão da temporada se tornando clara momentos depois com ambulâncias chegando no CT e tudo mais (em outras palavras: O JOELHO DO CARA EX-PLO-DIU!). Tudo leva a crer que ficar um ano fora dos gramados foi uma previsão otimista – houveram notícias até de que ele poderia ter morrido de hemorragia se os treinadores não tivessem agido rapidamente.

Com isso, Minnesota ficou com um dilema nas mãos: Shaun Hill é um QB razoável para entrar e jogar 10 snaps em um jogo e não atrapalhar muito, mas com certeza não o suficiente para levar um time ao grande título, tendo um decrépito Peyton Manning conseguido isso ou não. A outra opção seria Taylor Heinicke, undrafted que fez uma boa pré-temporada em 2015, mas perdeu a de 2016 (deve voltar lá pela terceira ou quarta semana) porque machucou a perna metendo o pé na porta de vidro de um colega. Sério. Estamos a esse ponto de sorte.

DENVER, CO - OCTOBER 4: Running back Adrian Peterson #28 of the Minnesota Vikings walks the field during player warm ups before a game against the Denver Broncos at Sports Authority Field at Mile High on October 4, 2015 in Denver, Colorado. (Photo by Dustin Bradford/Getty Images)

Novos super amigos a caminho!

Um pouco de história: The Herschel Walker trade

Que os Cowboys foram uma grande potência da NFL nos anos 90 você já deve ter ouvido falar. O que pode ter passado despercebido é uma das grandes razões pela qual o treinador Jimmy Johnson e companhia chegaram a isso: estuprando os Vikings (uma daquelas trocas que seu comissário proibiria até mesmo em sua liga de fantasy), que estavam em busca (como agora) da última peça necessária para chegar e ganhar finalmente o Lombardi – na época, essa última peça respondia por Herschel Walker, um running back que fora monstruoso na universidade, inclusive ganhando um Heisman e vinha de uma temporada em que conseguira produzir mais de 2000 jardas.

Para resumir, a trade acabou rendendo 3 escolhas de primeira rodada e mais 3 de segunda (além de outras mais tardias e 4 jogadores) para Dallas, enquanto Minnesota recebeu duas temporadas e meia de um jogador mediano, que não conseguiu chegar às 3000 jardas totais nesse tempo – como se pode calcular, uma enorme decepção.

Por que não acreditar em Sam Bradford?

Já que já temos uma base de trocas assustadoras, vamos aos termos da realizada entre Minnesota Vikings e Philadelphia Eagles: em troca de Sam Bradford, os Eagles receberão a escolha de primeira rodada dos Vikings em 2017 e, de acordo com o desempenho do time, uma de quarta (desde que Bradford jogue 80% dos snaps) ou de terceira (80% + chegar à final da NFC) ou de segunda (80% + Super Bowl) em 2018. Não deve acabar com o time dos Vikings tanto quanto deve ajudar os Eagles – o que não a prova menos absurda.

Eu, até a chegada de Sam (obviamente mudei de opinião agora como um bom clubista), era um grande desacreditador do primeiro quarterback com descendência indígena da NFL, como prova meu próprio comentário (confesso, bem mais ameno do que meu pensamento habitual) no ranking que elaboramos:

“E fechamos o ranking falando de Sam Bradford. Ele tem pedigree de primeira escolha do draft e algumas boas atuações para dar esperança aos que querem acreditar nele – mesmo APESAR das lesões. De qualquer forma, se nem sequer o seu próprio time, os Eagles, acredita nele, como prova a troca para escolher Carson Wentz com a segunda escolha do draft de 2016, não será nesse ano nem ali na Filadélfia em que ele finalmente mostrará toda sua (teórica) capacidade. ”

Realmente, muita coisa joga contra Bradford. A primeira delas é a aparente incapacidade de se manter saudável ao longo de uma temporada inteira – feito conseguido apenas na sua temporada de novato e na terceira, em um total de 6 temporadas. Mesmo que não sejam lesões recorrentes, o que não indica um problema crônico, a susceptibilidade do jogador é sempre preocupante, especialmente com tanto investido.

Outro fator preocupante é que os Eagles simplesmente não acreditavam nele, mesmo depois de ter visto sua produção razoável ano passado e tendo investido uma escolha de segunda rodada em uma troca pelo jogador, como prova a contratação de Chase Daniel com o maior contrato de um backup da liga e a troca gigantesca que o time realizou para draftar Carson Wentz esse ano – deixando claro não acreditarem em um futuro com Sam.

Bradford também chega ao time tendo realizado a pré-temporada na Filadélfia, ou seja, ele estava desenvolvendo “química” com outros jogadores e estudando outras jogadas – sendo assim, oito dias dificilmente serão suficientes para que ele tenha conhecimento suficiente para entrar e ganhar jogos já na primeira semana (e os Vikings sabem como é isso, basta lembrar da experiência com Josh Freeman e seus 20 passes completos em 53 contra os Giants em 2013), especialmente considerando que já passou por vários tipos de ataques diferentes.

Por último e mais óbvio, Sam Bradford ainda não produziu tanto quanto seria esperado. O máximo de TDs que ele já conseguiu em uma temporada foi 22, o mínimo de turnovers foi 13 (considerando a temporada em que ele jogou apenas 10 jogos), também sem nunca conseguir mais de 7 vitórias, números abaixo da média para quarterbacks sérios.

Existem infinitos argumentos sobre os times em que Bradford jogou e o apoio que recebeu (mais sobre a seguir), além do óbvio retardo em seu desenvolvimento que tantas lesões lhe causaram, mas olhando por cima e sendo bastante objetivo, o prognóstico não é bom para os grandes sonhos dos Vikings.

In Rick we trust

Agora um pouco de história para gerar otimismo, sobre as loucuras do (atualmente) general manager dos Vikings, desde a sua chegada em 2006 – e, percebemos, encontramos mais erros que acertos. E mesmo depois de suas declarações de que os times estavam “pedindo muito por trocas em quarterbacks” nos últimos dias, o fato de ele ter optado por Sam Bradford merece crédito.

Obviamente Randy Moss, Christian Ponder e Cordarrelle Patterson servem para dar um pouco de equilíbrio, mas vamos lembrar dos acertos, desde escolher um running back voltando de lesão em 2007 (Adrian Peterson) mesmo tendo o razoável Chester Taylor; apostar no maloqueiro Percy Harvin em 2009; realizar uma de suas grandes trocas de volta a primeira rodada do draft para escolher Harrison Smith; ou até mesmo ser paciente e esperar o próprio Teddy Bridgewater até a escolha 32.

Mais efetivas ainda são suas manobras com jogadores veteranos. Ele fez parte da troca pelo (na época) problemático Jared Allen também por uma escolha de primeira rodada, que ganhou status de hall of famer no time; ele apostou em Brett Favre, grande ídolo do maior rival dos Vikings, que produziu a melhor temporada de sua carreira em Minnesota; e também trocou Percy Harvin por uma escolha de primeira rodada quando ele começou a dar trabalho demais – para vê-lo falhar em todos os próximos times em que jogou.

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E vocês ainda vão ter que me aplaudir.

Por que acreditar em Sam Bradford?

Sendo assim, por que alguém duvidaria de alguma decisão de um meio GM meio mago? Essa é uma boa primeira razão para sentar e ver o que vai acontecer, ao menos Spielman recebeu o direito à dúvida.

O primeiro motivo real para se acreditar em Bradford é bem simples: gostando ou não, ele traz chances reais de os Vikings ter um bom QB, coisa que Shaun Hill jamais poderia fazer – especialmente porque seu braço não lhe permite realizar nem metade dos passes que Norv Turner necessita em seu ataque de passes longos e 7-step-drop.

E esse é um ponto importante sobre Sam: ele tem mais braço, inclusive, que Teddy Bridgewater (o que, provavelmente, o torna até mais adequado ao ataque hoje instalado nos Vikings). Sua precisão em passes longos é top10 na NFL, lançando corretamente 25 de 48 passes que voaram mais de 20 jardas (de acordo com Cian Fahey do PreSnapReads) – números bastante significativos. Entretanto, esses números não aparecem tanto, o que o torna o queridinho somente dos analistas (como ProFootballFocus) e não tanto daqueles que simplesmente julgam pelo que veem uma vez e só.

Em 2015, por exemplo, Bradford teve, de acordo com o já citado PFF, o pior grupo de recebedores e ainda assim acabou a temporada como 12º melhor QB da liga, inclusive a frente de Bridgewater. Mais do que isso, vale sempre lembrar que em seus quatro anos de Rams e seu ano de Eagles seu melhores recebedor foram Jordan Matthews e Danny Amendola – pode não parecer, mas se a produção em 2014 e 2015, respectivamente, é indicação, Charles Johnson e Stefon Diggs são grandes upgrades a esses dois (para não mencionar Laquon Treadwell e Cordarrelle Patterson, que deverão ter oportunidades de entrosar com o novo QB também).

Além disso, o melhor running back que ele teve no backfield até hoje foi Steven Jackson (Chip Kelly trocou LeSean McCoy quando Bradford chegou), que apesar de ser considerado sólido, nunca intimidou defesas como Adrian Peterson. Peterson que, inclusive, Bradford foi contemporâneo em Oklahoma – apesar de nunca terem jogado uma partida juntos.

Sam também nunca teve uma grande defesa para apoiá-lo do outro lado da bola, ou seja, esteve sempre jogando correndo atrás do placar, não podendo ser tão conservador – coisa que ele poderá agora, já que a defesa deve ser o carro forte de Minnesota esse ano.

E assim como seria com Bridgewater, muito da temporada dos Vikings ainda está dependente da atuação da repaginada linha ofensiva – se ela der tempo suficiente para o quarterback trabalhar, Bradford conseguirá causar problemas para as defesas adversárias (luxo que ele também não teve ainda em sua carreira na liga).

E ainda sobre a linha ofensiva, ela será a grande responsável por evitar que Sam apanhe tanto que lhe cause lesões. Obviamente ele tem a marca de “é inevitável que ele irá se machucar em algum ponto da temporada”, mas não há explicação científica para isso – como dito, ele não tem nenhum problema crônico. Com sorte, todos os problemas que ele teve antes (joelho, concussão, clavícula, etc) não passaram de má sorte que pode não se repetir.

O que isso significa para o Philadelphia Eagles

Provavelmente nada. Não que eu realmente me importe, mas não é como se esse time já não estivesse se reconstruindo – se algo, essa troca deve ajudá-los nessa reconstrução. Para essa temporada, obviamente, o fracasso é eminente a menos que algo bizarro aconteça. Mas desde que Carson Wentz se desenvolva, o futuro parece no mínimo interessante.

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O menino já tem camisa nova e tudo.

Palpite: Por mais que eu não goste da ideia, Shaun Hill inicia a temporada contra os Titans e vence graças a um grande jogo da defesa e Peterson, dando caminho para que Sam Bradford inaugure o US Bank Stadium contra os Packers na semana 2. No final da temporada, Sam jogará 14 partidas, lançará para 3600 jardas e o dobro de TDs que interceptações – levando os Vikings aos playoffs pelo segundo ano seguido, os quais prefiro não tentar prever porque nunca se sabe o que Blair Walsh ou alguém aleatório fará.

Despontando para o anonimato: ascensão e queda de Chip Kelly

Charles Edward “Chip” Kelly chegou à NFL com status de gênio revolucionário. Contratado em janeiro de 2013 para ser o 21º head coach do Philadelphia Eagles, exibia um currículo recheado de vitórias e recordes pela Universidade de Oregon. De 2010 a 2013, quando ocupou o mesmo cargo na Universidade, Kelly chegou a três BCS Bowls e a um BCS National Championship Game, a final do torneio universitário; ganhou dois Bowls e perdeu o BCS National Championship Game para a Universidade de Auburn, do então ganhador do prêmio Heisman, Cam Newton. Mais do que vitórias, títulos e estatísticas inflamadas, adquiriu a fama de guru ofensivo, comandando um dos ataques mais rápidos, explosivos e inovadores que a NCAA já viu.

Ao ser contratado pelo Philadelphia Eagles, Kelly trouxe as mesmas filosofias que usava na NCAA para a NFL. Como era algo que até então não havia sido tentado — pelo menos não com a mesma convicção —, muitos dos analistas que acompanharam sua transição acreditavam que poderia haver uma revolução na forma com que o football era jogado. Lá no fundo, todos os amantes de ataques alucinantes e pontuações altas esperavam a chegada do messias que revolucionaria o jogo. Havia uma torcida para que ele fosse bem sucedido. E, ao menos no início, ele foi.

Amigo é coisa pra se guardar...

Amigo é coisa pra se guardar…

Primeiros passos

Em seus dois primeiros anos no comando do Philadelphia Eagles, Chip Kelly parecia o mesmo guru ofensivo que fez o Oregon Ducks ter médias sempre superiores a 45 pontos por jogo. Na temporada 2013, o Eagles terminou com 10 vitórias e 6 derrotas e foi campeão da NFC East. Perdeu em casa para o New Orleans Saints no Wild Card Round, com um field goal nos últimos segundos. Mesmo com a derrota em sua primeira — e única — partida de playoffs, Chip conduziu o Eagles a uma clara evolução em relação à temporada de 2012, quando a equipe terminou com 4 vitórias e 12 derrotas e culminou na demissão do lendário técnico Andy Reid.

A evolução era percebida em campo e também nos números. Logo em seu primeiro jogo, o ataque de Kelly já deu sinais de que seria explosivo. Apenas no primeiro tempo da vitória por 33 a 27 contra o Washington Redskins, o Eagles conseguiu 322 jardas, contra apenas 75 de Washington. Na temporada 2013, o Eagles terminaria como segundo ataque mais prolífico da liga, com 6676 jardas totais, ficando atrás apenas da temporada histórica de Peyton Manning pelo Denver Broncos. O running back LeSean McCoy liderou a NFL em jardas corridas, com 1607 e média de 100 por jogo. McCoy estabeleceu o novo recorde da franquia para jardas corridas em uma partida: 217, no meio de uma tempestade de neve, contra o Detroit Lions.

Nick Foles, quarterback muito abaixo da média que substituiu o contundido Michael Vick após a semana 5, completou a boa marca de 64% de acerto nos passes, lançando para 26 touchdowns e apenas 2 interceptações. Foles chegou a empatar o recorde da NFL de 7 passes para TDs no mesmo jogo, na vitória por 49 a 20 contra o Oakland Raiders.

Os números eram espetaculares, especialmente por se tratar da primeira temporada na NFL de um sistema inovador que rompia com muitas das crenças mais básicas sobre como operar um ataque na NFL. O sentimento em Philly era de crença, no sentido mais devoto da palavra, e de completo entusiasmo.

Um dia também escreveremos sobre ascensão e queda de Nick Foles.

Um dia também escreveremos sobre ascensão e queda de Nick Foles.

O início do fim

Antes do início da temporada 2014, o wide receiver DeSean Jackson, que havia terminado no top 10 da liga em jardas recebidas na temporada anterior, foi dispensado e assinou com o Washington Redskins. Foi a primeira das estrelas que construíram a excelente temporada de 2013 a deixar o Eagles. Sua ausência não foi sentida, pelo menos no início. Jeremy Maclin, WR que havia ficado fora da temporada 2013 com os ligamentos do joelho rompidos, conseguiu números semelhantes aos de DJax, também terminando no top 10 da liga em jardas recebidas. O ataque continuava funcionando: o combo Nick Foles e Mark Sanchez foi responsável por 4356 jardas aéreas, 27 TD e 21 INT. LeSean McCoy foi o terceiro RB da liga em jardas terrestres, com 1319. O bom desempenho ofensivo rendeu o mesmo número de vitórias da temporada de 2013, 10, porém o Eagles não conseguiu a classificação aos playoffs, já que ficou atrás do Dallas Cowboys na NFC East e não teve vitórias suficientes para conseguir uma vaga de Wild Card.

Se o resultado não podia ser comemorado, era difícil também que fosse lamentado. O desempenho em campo ainda era bom e acreditava-se que, com algumas contratações pontuais, especialmente de jogadores de defesa, somadas a um bom draft, o Eagles poderia ser um dos melhores times da NFL. O que aconteceu, porém, foi exatamente o oposto.

No início de 2015, Howie Roseman deixou o cargo de general manager do Eagles para assumir funções de menor importância na organização. Na reestruturação do time, Chip Kelly recebeu o pomposo título de “head of football operations”. Junto com o cargo, adquiriu o poder de ter a palavra final em todas as transações que envolviam jogadores. Poderia contratar trocar e dispensar sem ter que responder a ninguém. E foi aí que tudo começou a dar errado.

Dois meses após receber o poder absoluto, em um período de 10 dias, Kelly fez transações que selariam o seu destino. Pelo segundo ano seguido, permitiu que seu principal WR deixasse o time sem nenhuma dificuldade. Jeremy Maclin assinou com o Kansas City Chiefs de Andy Reid e deixou um vazio que não conseguiu ser ocupado por nenhum dos WRs que restaram no elenco. Em uma troca que chocou a NFL, enviou LeSean McCoy, um dos RBs mais talentosos de sua geração, para o Buffalo Bills em troca do linebacker Kiko Alonso, que teve momentos promissores em Buffalo, mas sempre foi propenso a contusões. Para suprir a ausência de McCoy, contratou os RBs DeMarco Murray e Ryan Matthews, que junto com Darren Sproles formavam um dos grupos de RBs mais completos da liga. Em outro movimento surpreendente, trocou o QB Nick Foles e uma escolha de segundo round do draft pelo também frequentemente contundido QB Sam Bradford, primeira escolha do Saint Louis Rams no draft de 2010. As escolhas eram duvidosas, mas Chip recebeu o benefício da dúvida, ainda aproveitando a aura de gênio adquirida em seus dois primeiros anos. Assim como em sua chegada à NFL, o desejo geral era de que tudo desse certo, de que o espetáculo exibido nas primeiras temporadas permanecesse em pleno funcionamento.

Ensinando a fazer a escolha errada

O problema é que nada deu certo. Sam Bradford mostrou continuar sendo o QB inseguro e inconsistente que não fez sucesso no Saint Louis Rams. Os recebedores mostraram estar à altura da mediocridade do quarterback: enquanto Jordan Matthews dropava passes, Nelson Agholor, rookie selecionado por Chip no primeiro round do draft, mostrava que estava longe de estar pronto para vestir o uniforme de um time profissional. Talvez o caso mais bizarro do Eagles de 2015 seja DeMarco Murray. Em 2014, ainda pelo Dallas Cowboys, Murray foi o melhor RB da liga e correu para quase 2000 jardas. Não se sabe, porém, se os números em Dallas aconteceram devido ao talento de Murray ou pela ajuda da excelente linha ofensiva do Cowboys. O que se sabe é que o RB estava longe de ser o protótipo de jogador que faria sucesso no sistema de Kelly: RBs velozes que aproveitam o espaço para conseguir ganhos expressivos de jardas. DeMarco Murray é um jogador de força, que corre pelo meio da linha ofensiva e que precisa de bons bloqueios para ter sucesso. Isso era provado jogo a jogo quando Chip continuava chamando o mesmo estilo de jogada: corridas para o lado do campo para as quais Murray mostrava seguidamente não possuir aptidão. Ryan Mathews, RB mais veloz e ágil, conseguiu muito mais sucesso que Murray, mesmo com uma quantidade muito menor de carregadas.

O ataque veloz, sem huddle, que estrangulava as defesas adversárias, não funcionava mais. O que antes era um trunfo se tornou uma desvantagem. Foram vários os reports de reclamação dos jogadores de defesa do Eagles, já que eles eram obrigados a retornar a campo apenas com o mínimo descanso proporcionado pelo rápido three and out “conseguido” pelo ataque. O resultado dessa falta de balanço foram duas partidas consecutivas em que o Eagles tomou 45 pontos, contra Tampa Bay e Detroit.

Se antes o Philadelphia Eagles tinha números coletivos e individuais que ocupavam os primeiros lugares da liga, em 2015 tudo falhou. O time foi o ataque número 12 da liga, com muitos dos números conquistados quando a defesa já tinha tomado muitos pontos e o jogo já tinha se tornado irrelevante. Não houve nenhum destaque individual. Com a defesa sendo a trigésima melhor da NFL, superior apenas as horrorosas defesas de New Orleans Saints e New York Giants, o Eagles terminou com sete vitórias e nove derrotas, em um retumbante fracasso que levaria à demissão de Chip Kelly antes mesmo do fim da temporada regular.

Além das decisões questionáveis envolvendo as contratações de jogadores e do fraco desempenho em campo, outros aspectos colaboraram diretamente para a demissão de Chip antes mesmo do fim da temporada 2015. De acordo com um artigo de Jason La Canfora, com o Eagles fora da briga pelos playoffs e com o ambiente cada vez mais pesado, o dono Jeffrey Lurie decidiu buscar informações com os funcionários do time sobre o modo de agir de Kelly. E o que descobriu foi, no mínimo, alarmante: além de um retorno negativo quase unânime, Lurie percebeu que Chip era incapaz de estabelecer o mais básico relacionamento humano com seus companheiros de trabalho. Tudo se limitava a football.

De acordo com La Canfora, o que parece ter sido um dos motivadores da demissão de Kelly foi um episódio envolvendo uma tradicional festa de fim de ano promovida pelo Eagles para seus funcionários. Motivo de muito orgulho para Jeffrey Lurie, a festa tradicionalmente acontecia em uma noite de segunda feira próxima ao Natal. Chip Kelly, que mantinha as rédeas da franquia em suas mãos, se recusou a participar, alegando que a preparação dos técnicos para o próximo jogo seria prejudicada. Era apenas uma festa, que acabou transferida para uma sexta feira, mas exemplifica a indiferença de Kelly com aspectos culturais da organização e o abismo que existia entre o que ele estava construindo e o que Lurie gostaria para seu time.

Fica claro é que a demissão de Chip Kelly não aconteceu porque ele falhou como head coach. Apenas uma temporada negativa, após vários recordes quebrados e estatísticas que lideraram a liga, não é suficiente para derrubar um técnico. Jeff Fisher, técnico do Los Angeles Rams, vem colecionando resultados medíocres e times totalmente sem inspiração desde os tempos de Tennessee Titans e ainda está empregado. Kelly falhou como líder. Falhou como gestor de pessoas. Falhou ao colocar seu ego acima da cultura da organização. Falhou em ser minimamente político. Falhou ao considerar que seu sistema poderia superar a completa ausência de talentos individuais.

Um dia antes de sua demissão, pressionado pelos repórteres de Philadelphia, Chip Kelly disse, ironicamente, que não era o general manager do time. Você não era mesmo, Chip.

Jed York (CEO), Chip Kelly (HC) e Trent Baalke (GM). O triângulo das Bermudas da NFL.

Jed York (CEO), Chip Kelly (HC) e Trent Baalke (GM). O triângulo das Bermudas da NFL.

Recomeço?

Se a filosofia é colocar seu sistema acima dos talentos individuais, Kelly não poderia ter escolhido time melhor para continuar sua carreira na NFL. É possível que ao fim da temporada que se aproxima o San Francisco 49ers possua a primeira escolha do draft de 2017. O tão aclamado sistema de Chip será posto à prova em um dos piores rosters da NFL no momento, já que jogadores como Torrey Smith, Carlos Hyde, Colin Kaepernick e Blaine Gabbert estão longe de serem unanimidades quando o assunto é talento individual. Como gestor de pessoas, Kelly ainda terá que lidar com a vaidade de Kaepernick, que tem se mostrado sem vontade de continuar no 49ers. Se for bem sucedido, pode ser o recomeço da saga do gênio revolucionário. Já o contrário provavelmente decretará como único caminho restante um retorno à Oregon – por aqui, apostaremos na segunda opção.

Robert Griffin III: do céu ao inferno, com escala em Cleveland

No dia 5 de Fevereiro de 2013, logo depois de uma das mais eletrizantes temporadas de um quarterback estreante na história da NFL, que inclusive lhe rendeu o prêmio de Offensive Rookie Of The Year, Robert Lee Griffin III convocou os técnicos do Washington Redskins para uma reunião. Griffin disse que era importante, mas se recusou a revelar o assunto. Compareceram à reunião o então head coach do Redskins, Mike Shanaham, seu filho e coordenador ofensivo, Kyle Shanahan, e o técnico de quarterbacks, Matt LaFleur. Com os técnicos na sala de reuniões do ataque, na sede do time, em Ashburn, Virginia, RGIII se dirigiu a um quadro negro e pediu que não fosse interrompido enquanto falava. No quadro, escreveu quatro tópicos:

“1 – Mudanças

2 – Mudanças na proteção (da linha ofensiva)

3 – Inaceitável

4 – Conclusão”

Griffin então passou a fazer diversas reclamações, apontando mudanças que considerava necessárias desde no esquema de proteção da linha ofensiva a jogadas que, de acordo com ele, deveriam ser excluídas do playbook, tudo com o apoio de vídeos que ilustravam seu ponto de vista. Quando chegou ao último tópico do quadro negro, RGIII disse que a conclusão era que ele era um pocket passer e não um quarterback corredor.

You like that, Robert?

You like that, Robert?

A cena, que foi relatada por Mike Shanahan e publicada em um artigo de Jason Reid, para o site The Undefeated, é tão surreal que é difícil acreditar que realmente aconteceu, principalmente por se tratar de um QB que tinha acabado de terminar sua primeira temporada.

Shanahan acreditava que a petulância de Griffin tinha apoio do dono do Washington Redskins, Dan Snyder, já que palavras usadas por Griffin na reunião, como “inaceitável”, eram usadas frequentemente por Snyder, que investiu muito alto em Griffin e pode ter se rendido aos seus caprichos. O possível apoio do dono não limita a incapacidade de Griffin de lidar com hierarquia e, muito menos, diminui a petulância do episódio. É importante lembrar que se trata da versão contada por Shanahan, que saiu de Washington depois do fracasso da segunda temporada de Griffin e pode ter manipulado os fatos para aliviar para o seu lado. De qualquer forma, aumentada ou não, a história revela o princípio do fim de um conto de fadas que durou pouco ou quase nada.

O início

Draftado na segunda posição geral do draft de 2012, através de escolha adquirida do Saint Louis Rams, Robert Griffin III teve números maravilhosos logo em sua primeira temporada na NFL; da mesma classe de Andrew Luck e Russel Wilson, Griffin foi o melhor dos três. Passou para 3200 jardas, 20 TDs e apenas 5 INTs, estatísticas de passe apenas medianas e que lhe renderam apenas a posição número 22 da liga em jardas passadas. Se os passes não saltavam aos olhos, as corridas traziam outra dimensão ao ataque do Redskins — e à NFL. Em 2012, RGIII correu para 815 jardas e anotou 7 TDs, números que foram suficientes para colocá-lo na posição 20 em jardas corridas, apenas 25 jardas atrás do RB LeSean McCoy, por exemplo. Tudo deu tão certo que o Washington Redskins conseguiu um recorde de 10-6, venceu a NFC East e foi aos playoffs, quando foi derrotado em casa, logo partida de Wild Card, para o Seattle Seahawks, do também rookie QB Russel Wilson.

Então por que algo que estava dando tão certo afundou de maneira catastrófica a partir da fatídica reunião, em 2013? Um dos aspectos que deve ser considerado foi a contusão que Griffin sofreu no jogo contra o próprio Seahawks — rompimento dos ligamentos do joelho, ao que muitos creditam a dificuldade que RGIII teve para correr desde então. Seu sucesso dependia muito de sua mobilidade, mesmo que ele não quisesse acreditar nisso e quisesse se tornar um pocket passer. Não se sabe, até hoje, se o sucesso do Washington Redskins de 2012 aconteceu pelas qualidades de Griffin ou por um sistema de jogo inovador para os padrões da NFL. Baseado na read option (em que o QB faz a leitura do movimento do linebacker e decide se mantém a bola ou se a entrega para o RB), o sistema ofensivo limitava os defeitos de RGIII como pocket passer, potencializava suas qualidades de corredor e era muito difícil de ser defendido. O que antes era uma novidade complexa para os adversários lidarem se tornou obsoleta com a falta de mobilidade do RGIII pós-contusão e com a natural adaptação das defesas.

Fu-deu.

Fu-deu.

Na temporada 2013, RGIII disputou apenas 13 partidas, dois jogos a menos que na sua temporada de estreia. Mesmo assim, seus números como passador se mantiveram constantes: 3203 jardas, 16 TDs e 12 INTs. O que despencou profundamente foram seus números como corredor: foram apenas 489 jardas corridas e nenhum TD.

Duas explicações podem ser encontradas para os números: Shanahan, pressionado por sua jovem estrela, permitiu que Griffin passasse mais e corresse menos; ao mesmo tempo, Griffin, com a mobilidade reduzida, não conseguia correr mais. De qualquer forma, o Washington Redskins terminou a temporada com apenas três vitórias e Shanahan foi demitido.

Recomeço?

O que poderia ser um recomeço para Griffin, pelo menos na relação com seu head coach, acabou sendo um pesadelo. Jay Gruden assumiu o comando no início de 2014. Logo percebeu que RGIII tinha muitas falhas e parecia acreditar ainda menos na sua capacidade de ser um QB na NFL. Foram apenas nove jogos disputados e números ridículos: 1694 jardas, 4 TDs , 6 INTs. Robert Griffin acabaria a temporada esquentando o banco para Kirk Cousins e nunca mais pisaria no campo com a camisa do Washington Redskins. Resignado, assistiu Cousins levar o time aos playoffs na temporada 2015 sem sequer vestir os pads.  

RGIII talvez apenas não seja um bom QB. Citado no artigo de Reid, um jogador da defesa do Washington Redskins, que preferiu permanecer anônimo, disse que Griffin tinha dificuldades inclusive nos treinos. “Ele não é muito bom no pocket. Quando você pede que ele leia defesas, dava pra perceber que era difícil pra ele. Nos treinos, quando ele era o quarterback contra a defesa titular, dava pra perceber que as jogadas ainda pareciam rápidas demais pra ele. Ele não sabia de onde o pass rush vinha, ele não tinha certeza de onde estavam os safeties. Era difícil pra ele”, afirmou o defensor.

Reid também menciona que, dentro do vestiário, a preferência dos jogadores era por Kirk Cousins, QB surpreendentemente draftado no mesmo ano que Griffin. Os jogadores acreditavam que Cousins era, simplesmente, melhor.

O comportamento de RGIII fora dos campos também parecia não ajudar. Além de não conseguir estabelecer um bom relacionamento com os técnicos, recusava a ajuda de qualquer um que tentasse se aproximar. Donavan McNabb e Doug Williams, vencedor do Super Bowl pelo Redskins, foram alguns dos que tentaram aconselhar RGIII, que nem sequer se deu ao trabalho de ouvi-los.

Vou voar é só eu querer

Vou voar é só eu querer.

Griffin parecia refém do próprio ego e preocupava-se mais em fazer publicidade para diversas marcas. Nas entrevistas coletivas, sempre falava demais. Era comum, nas derrotas, que não assumisse seus erros, colocando a culpa em seus colegas de time. Juntando todos os aspectos, Griffin era uma tragédia anunciada que foi mascarada por um primeiro ano maravilhoso. Nós só não conseguíamos enxergar.

Em 2016, Robert Griffin será o 25º QB do Cleveland Browns desde 1999. Cleveland é um ambiente tóxico para o desenvolvimento de QBs e é um time que está em estado de reconstrução permanente. Se Griffin aceitar que também está em estado de reconstrução, talvez consiga dar a volta por cima em sua carreira. Para isso, terá que ter a humildade de ouvir seus técnicos, melhorar como QB e perceber que o mundo não gira ao seu redor.

Em sua primeira coletiva como um Brown, Griffin disse: “Você ama muito fazer uma coisa. E quando ela é tirada de você, duas coisas podem acontecer: você pode afundar e permitir que te destrua ou pode deixar que te construa”. Veremos, Robert.

Uma carta para Deus (você também deveria sentir falta de Tim Tebow)

Caro Tebow, criador de emoção em jogos fáceis, padroeiro dos QBs medíocres, injustiçado por Rex Ryan e Chip Kelly e verdadeiro Messias nas horas vagas.

Lia esses dias uma reportagem em que você aparecia ressuscitando um homem em um voo comercial e fiquei grato de saber que continua operando milagres também fora dos gramados. Também me agradou ver você dando o bolo na convenção republicana de Donald Trump. Mas tudo isso me fez perceber a necessidade de dizer que sinto a sua falta. A minha saudade aumentou ainda mais hoje enquanto estudava a lista de quarterbacks previstos para serem titulares na semana 1 dessa temporada que se inicia em setembro de 2016.

Não é possível que todos estejam cegos e não vejam o mesmo que eu: que tipo de piada são Blaine Gabbert e Case Keenum (ainda que seja para que Jared Goff tenha tempo de se adaptar a liga – o que também não é o que se espera de uma primeira escolha de draft séria) comandando times que jogam na que era aparentemente a divisão mais forte da NFL? Geno “desbocado” Smith esteve lá por um bom tempo, aparentemente mantendo o assento de QB titular na sala de reuniões quente para Ryan Fitzpatrick, mas também pode ser que o general manager Mike Maccagnan tenha cansado de negociações e simplesmente decidido que Smith pode produzir como “fruto do sistema” do OC Chan Gailey.

Olhamos para essa imagem e só conseguimos lembrar dos dois dividindo o campo com Sanchez como WR...

Olhamos para essa imagem e só conseguimos lembrar dos dois dividindo o campo com Sanchez como WR…

Ou então Robert Griffin III e Sam Bradford (também só criando tempo para Carson Wentz, segunda escolha do draft), ali baseados em um suposto potencial que só apareceu em uma boa temporada para nunca mais voltar. Você também teve uma boa (incrível) temporada, antes de ser desprezado por um saco de batatas disfarçado de Peyton Manning, para quem a incrível defesa criada por Wade Phillips e liderada por Von Miller deu de presente o segundo Super Bowl da carreira – o segundo que ele ganhou (sempre válido lembrar: o primeiro, de 2006, pelos Colts, ele ganhou contra o incrível Rex “Sexy Rexy” Grossman). Com certeza o caminho teria sido bem mais divertido se John Elway e John Fox não tivessem lhe passado a perna.

Também me dói lembrar que no mesmo 2011 em que você botou Tim Tebow na história da NFL foram draftados no primeiro round o já citado Blaine Gabbert (pelos Jaguars), Jake Locker (Titans) e Christian Ponder (Vikings), que continuaram tendo chances de mostrar o seu valor pelo menos até 2014, oportunidade que não lhe foi dada. Hoje, as três equipes já voltaram a gastar novas escolhas de primeiro round em outros quarterbacks (Bortles, Mariota, Bridgewater respectivamente), que poderiam ter investido melhor (junto com os anos desperdiçados) se dessem a oportunidade a quem realmente merece.

Dizem por aí que você é um mau quarterback porque lhe faltam bons números. A esses, eu lembro que Andy Dalton (25 TDs para 7 interceptações apenas) e Kirk Cousins (4166 jardas, rating de 101.6) não conseguiram vencer nenhum jogo de playoff mesmo depois da melhor temporada de suas carreiras. Pior ainda, Ryan Tannehill, Philip Rivers e Matthew Stafford podem lançar para 4000 jardas aparentemente toda temporada e nunca nem pisar na pós-temporada. Quão melhor podem ser esses QBs quando um com 46.5% de passes completos e 1729 jardas em 11 jogos é quem realmente consegue levar seu time em frente?

Ou ainda, caro Tebow, podemos ser mais humildes e aceitar que você não seja adequado a todo tipo de sistema e por isso nem todos os times possam ter você como primeira opção. Mas eu tenho certeza que Bruce Arians poderia ser criativo e que você ganharia mais jogos do que Drew Stanton ou aquele desfile de QBs da CFL que os Cardinals têm guardado para quando Carson Palmer inevitavelmente se machucar.

Tebowing eterno.

Tebowing eterno.

A situação no Texas não é diferente. Brandon Weeden, do alto da sua velhice combinada com inexperiência, jogou tanto por Dallas (quando Tony Romo também inevitavelmente quebrou algo) quanto por Houston – que não satisfeitos, deram quase 20 milhões por ano para o pouco testado Brock Osweiller. E nada é mais deprimente que ter Brandon Weeden como titular no seu time, a não ser, talvez: ver seu salary cap todo preso a Drew Brees e Joe Flacco e o resto do time complementado com jogadores medíocres; sonhar que um dia Alex Smith chegará a mostrar-se capaz de fazer grandes jogadas e ganhar títulos; ou ainda ter que imaginar mais um ano com Jay Cutler e todo o seu espírito de liderança e motivação pela vitória.

Mas talvez não possa me indignar com times que nunca tiveram a oportunidade de te ter vencido em campo, e por isso lhe confesso que a real motivação dessa carta indignada foi ter percebido que o bizarro Mark Sanchez, o mesmo que Rex Ryan insistiu em manter na titularidade dos Jets a sua frente porque “você não era bom o suficiente nos treinamentos”, será responsável por comandar o seu mesmo Denver Broncos, da defesa magnífica atual campeã do Super Bowl, e saber que ele é capaz de ser levado a disputar o título da AFC como fez em 2009 e 2010 com uma outra grande defesa, do New York Jets. E que, novamente, falhará, porque lhe faltará a estrela que reserva Deus aos campeões.

E essa, qualquer um que tenha um mínimo de coração e memória, se arrepiará lembrando que você tem*. Porque parece que foi ontem que todos nos maravilhamos naquele final de jogo em Denver contra os Steelers de Big Ben Roethlisberger (um QB de verdade, 4000+ jardas 30 TDs blablabla), no ano de 2012, devido aquele passe de pura iluminação para o escolhido WR Demaryius Thomas, que o carregou para marcar um TD de 80 jardas encerrando uma das prorrogações mais rápidas, mas não menos emocionante, da história dos playoffs da NFL.

E aqui um fã registrou Tebow realizando seu milagre dentro de um avião.

E aqui um fã registrou Tebow realizando seu milagre dentro de um avião.

Por último, válido lembrar também todos os sinais deixados em seus stats daquele seu último grande jogo: 316 jardas passadas, 31.6 jardas por passe completo (um recorde da NFL) e os níveis de audiência máximos nos EUA de 31.6, remetendo diretamente à passagem bíblica João 3:16:

“Porque Deus amou tanto o mundo que nos deu seu único Filho, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas alcance a vida eterna. ”

Eu seguirei acreditando e esperando seu retorno.

Amém.

*a derrota por 45-7 para os Patriots que seguiu a esse jogo histórico pode ser muito bem atribuída a uma defesa inexperiente, em que Von Miller era apenas um rookie. Hoje, certamente, isso não se repetiria. Especialmente porque o próprio Tebow teria muito mais rodagem do que tinha em seu apenas segundo jogo de playoff.