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Homens trabalhando em reconstrução

Na offseason, todos os times são bons. Afinal, é durante ela que você pode acreditar que Sam Bradford não se machucará (estatística: ele jogou mais de 14 jogos em quatro de suas oito temporadas na liga; exato, trabalhamos com 50% de probabilidade), que Tyrann Mathieu era muito mais mídia do que bola, que David Johnson se recuperará de uma lesão como um X-Men e, como em qualquer esporte que não faz sentido, um novo técnico trará uma nova filosofia que fará perebas verdadeiros craques.

Entretanto, parafraseando algum porco (acho) daquele livro do George Orwell (não li), alguns times são melhores do que os outros. Carson Palmer era um QB sólido e injustiçado, que, mesmo com problemas na hora da verdade como qualquer quarterback de USC (alô Sam Darnold), ao menos era confiável para executar o ataque de Bruce Arians até um braço quebrado ser a última cena de sua carreira na semana 7 de 2017; uma lesão que tira um jogador de toda a temporada sempre é perigosa (e David Johnson tem apenas uma boa temporada na carreira); e, bem, Steve Wilks pode ter operado verdadeiros milagres com a secundária dos Panthers sem um grande nome sequer, mas a dos Cardinals está reduzida a reservas de jogadores medianos.

E, não, torcedores, não há como a 15ª temporada de Fitzgerald não pesar, mesmo que as 109 recepções para 1156 jardas e 6 TDs de 2017 insistam em dizer o contrário.

Quem leva a bola ao craque

Já mencionamos Carson Palmer e hoje ele, talvez, é apenas história. Apesar de parecer estar na liga há 30 anos (chegou em 2003), infelizmente não há jogadas muito memoráveis, tampouco títulos, então seus bons números serão encontrados por nerds daqui a 15 anos e todos diremos “nossa, Carson Palmer, nem lembrava que ele existia”. Bom, que Palmer tenha uma feliz aposentadoria.

Arizona trouxe três candidatos para substituí-lo. Ou melhor, um para substituí-lo e dois para dar tempo ao garoto: Mike Glennon vem de Chicago, após ter feito parte de uma experiência estranha com Mitch Trubisky, e dispensa comentários em relação a potencial futuro; já Sam Bradford é o Mike Glennon desse ano, com impensáveis 20 milhões de salário, fruto de um excelente trabalho de seu empresário.

Quebrando a banca.

É inegável que Bradford pode fazer boas temporadas, como conseguiu nos Vikings em 2016, mas sua incapacidade em manter-se saudável lhe permitirá apenas seguir como uma opção secundária. Convenhamos: nem mesmo Arizona espera que Bradford se mantenha saudável e vista vermelho por anos a fio, vide seu contrato curto e, bem, o QB do futuro já definido.

Josh Rosen, que passou pela montanha-russa típica do draft, indo de melhor jogador para quarto melhor QB em poucos meses, mesmo depois de anos (dizem) sendo estudado por olheiros das 32 equipes, é o primeiro QB de 1st round em Phoenix desde Matt Leinart (USC, 2006) e terá a responsabilidade de ser a cara dos Cardinals pelos próximos anos.

Palpite: Cinco jogos serão suficientes para que Rosen aprenda o que, hoje, é um ataque super complexo (mesmo que ele já operasse um ataque complexo em UCLA) desenhado por Mike McCoy, já que os quatro meses de pré-temporada, acreditem, duram menos que as cinco semanas iniciais da NFL.

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Esperamos também que Rosen se torne logo uma estrela na liga; afinal é um jogador que não evita dar a sua opinião, ou pelo menos não evitou quando estava na faculdade. Infelizmente, como rookie, ele deve se comportar para aumentar suas chances de efetivamente jogar. Quando se estabelecer, ficamos na expectativa de ter um bom QB que não tenha receio em falar.

Fitzgerald, Johnson e pouco mais

Assim como veremos na defesa, o núcleo de bons jogadores no ataque de Arizona é limitado. Larry Fitzgerald é eterno enquanto dure (parafraseando aquele poema que só sabemos algumas estrofes) e David Johnson deverá voltar no ritmo de 2016, pelo bem da sanidade dos analistas de plantão; Justin Pugh, G que vem dos Giants, também deverá ajudar a fortalecer a linha ofensiva e abrir espaços para o RB. Fora esses, a equipe de suporte que Rosen receberá é duvidosa.

Os recebedores, além dos já citados, serão o rookie Christian Kirk, que vem bem cotado do Texas, Brice Butler, um daqueles nomes aleatórios de Dallas, e Jermaine Gresham, que já está há alguns anos nos Cardinals sem superar as 400 jardas sequer. Faça sua mágica, Rosen (ou Bradford, com seus passes curtos precisos).

A linha ofensiva troca Jared Veldheer por Andre Smith que, saudáveis, estão hoje no mesmo nível. O lado esquerdo se mantém com os mesmos nomes que seguraram Palmer em pé e saudável em 2016, e conseguiram criar espaços para sub-RBs em 2017, ou seja, DJ Humphries e Mike Iupati seguem confiáveis – elementos importantes para desenvolvimento de um jovem lançador.

“Veja bem, Wilks, aqui você tem Patrick Peterson”

Deve ter sido o argumento da diretoria de Arizona enquanto viam Tyrann Mathieu, Justin Bethel e Tramon Williams deixarem a equipe. Com Peterson e Budda Baker, eles formaram os cinco jogadores da secundária titular dos Cardinals em 2017, que já foi 14ª em número de jardas aéreas cedidas, um número (no máximo) razoável.

Budda Baker, válido lembrar, rookie de segunda rodada que aproveitou a oportunidade em 2017 (até jogou o Pro Bowl e foi votado All-Pro), pode e deve ser o outro ponto de alívio no back-seven, que também perdeu o LB eterno Karlos Dansby.

Bethel já não é grande coisa e Williams está velho, mas devem ser substituídos apenas pelo velho S Antoine Bethea, o CB Jamar Taylor que veio do Browns e o S Tre Boston, que já trabalhou com Wilks em 2016; como CB2, deverão contar com Brandon Williams, o CB4 de 2017.

Não se vá.

Mas Tyrann Mathieu, como ele mesmo apontou no Twitter, é considerado o 5º melhor Safety da liga até no Madden, e ter sido cortado por não querer reduzir o salário acordado apenas dois anos antes é absurdo – especialmente em um time com tão pouca profundidade, Mathieu é insubstituível, maloqueiro ou não.

Na linha defensiva, Chandler Jones segue como a âncora assustadora com 17 sacks em 2017, mesmo sem muito mais apoio ao longo dela. E, bom, falando em estrelas na defesa sempre haverá Patrick Peterson. Exceto quando o time enfrente mais de um WR.

Palpite

Muito mais para Seattle que San Francisco. É difícil visualizar os Cardinals melhorando a campanha 8-8 de 2017, especialmente considerando que duas dessas vitórias vieram contra os 49ers pré-Garoppolo (existiu mesmo? Graças a deus não precisamos lembrar mais) e outras três contra uma fraca AFC South (claro, Titans e Jaguars caíram em Phoenix e foram para os playoffs. Mas ainda são Titans e Jaguars). 2018 traz enfrentamentos contra a NFC North e AFC West, além de 49ers e Rams muito mais fortalecidos dentro da divisão – enquanto Arizona enfraqueceu através de toda a lista já citada. Dessa forma, não dá para esperar mais do que um ano de reconstrução para os Cardinals.

Tudo depende do desenvolvimento de Josh Rosen e uma campanha ruim o suficiente para garantir uma boa escolha no ano que vem para continuar montando um novo time – se Wilks também fizer um pouco mais de sua mágica e com isso acabar encontrando dois ou três jovens valores defensivos, 2018 já terá sido um sucesso.

Entre 2014 e o futuro, 1998

Se você começou a assistir futebol americano este século (o que é muito provável, e também o nosso caso), dificilmente viu o Oakland Raiders com um desempenho satisfatório – pior: a franquia foi por muito tempo motivo de piada e, ao pensar em organizações avacalhadas, era o nome que vinha em mente junto com o Cleveland Browns.

Desde 2002, ano em que chegou ao Super Bowl, o Raiders acumulou campanhas que variavam entre o 4-12 e o 5-11, com um 2-14 e um 3-13 nesse meio. Pior do que esses records medonhos, era a inércia do time: mesmo com escolhas altas no Draft, Oakland não conseguia retomar os dias de sucesso do século XX.

Em 2014, porém, isso começou a mudar. Após ameaçar até mesmo terminar o ano 0-16, o Raiders começou a dar sinais de melhora. O time ainda não era bom, mas havia encontrado em Khalil Mack uma futura estrela e em Derek Carr um QB com capacidade de liderança e que parecia ser o cara para tirar a franquia do limbo.

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2015 foi um ano de afirmação. Embora vejamos muitos exemplos de times que saem de campanhas catastróficas para os playoffs nos anos seguintes, o Raiders passou pelo processo de natural de maturação. O record final de 7-9 confirmava a boa impressão do ano anterior, e fez com que as expectativas para 2016 fossem pelo teto.

Dias de luta, dias de glória

A temporada regular de 2016 conseguiu superar essas expectativas. Se em setembro o torcedor esperava que a equipe brigaria pelos playoffs, em dezembro o sonho do Super Bowl tinha deixado de ser uma alucinação para se tornar uma possibilidade.

Amari Cooper e Michael Crabtree faziam provavelmente a melhor dupla de Wide Receivers da liga; Derek Carr despontava como candidato a MVP; Khalil Mack jogou como o Defensive Player of The Year; a linha ofensiva era, se não a melhor, a segunda melhor da liga e Jack del Rio aparecia como possível Coach of The Year.

Mais que amigos: friends.

Tudo isso durou até a semana 16, quando Derek Carr quebrou a perna no jogo contra o Indianapolis Colts. Por mais sólida que fosse a equipe, a perda de seu Quarterback acabou com qualquer chances do time de ir longe na pós-temporada (não vamos linkar a atuação de Connor Cook contra os Texans em respeito à saúde do amigo leitor).

Apesar do final ruim, o saldo de 2016 parecia extremamente positivo. Esperava-se que Oakland fosse uma força dentro da AFC pelos próximos anos.

Tudo que sobe, desce

Como você sabe (ou deveria saber), a realidade pode ser dura. Se o 7-9 de 2015 parecia promissor, o 6-10 de 2017 foi visto como catástrofe. Derek Carr, de contrato novo, começou a ser questionado; Crabtree, que acabou sendo cortado, e Cooper tiveram anos abaixo do esperado e Jack del Rio acabou demitido. Khalil Mack ainda foi bem, mas a defesa dos Raiders era tão eficaz quanto um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Além disso, se antes os jovens talentos eram motivo de esperança para a franquia, os jovens de agora não eram nem talentos nem davam esperanças. Amari Cooper foi a única boa escolha do Draft de 2015; nem mesmo a primeira escolha de 2016, Karl Joseph, passou muita confiança; e a classe de 2017 não teve um grande impacto positivo.

Draftar muito bem (Khalil Mack, Derek Carr e Gabe Jackson em 2014) lhe rende alguns anos de tranquilidade, mas, se o sucesso das seleções não se repetir com o tempo, os times acabam com alguns jogadores muito bons porém caros, mas muitos buracos no elenco. O Raiders sentiu isso na pele.

Apertando o reset  (ou o botão do pânico, vai de cada um)

Após a demissão (e até antes de acordo com algumas fontes) de Jack del Rio, Oakland foi atrás de Jon Gruden, o técnico que derrotou o próprio Raiders no Super Bowl da temporada 2002. Gruden, como você provavelmente já sabe, foi o comentarista dos Monday Night Football nos últimos 10 anos.

De volta.

A contratação divide opiniões. Se por um lado é um técnico vencedor do Super Bowl e que ajudou a montar o último time dos Raiders que chegou lá, por outro ele está há 10 anos afastado do cargo de Head Coach, e há quem afirme que ele nunca foi um grande técnico pra início de conversa.

A única certeza que temos é que Jon não vai ser só mais um entre os 32 treinadores da liga. Se vai dar certo ou errado, ele já mostrou que vai fazer as coisas do seu jeito, querendo jogar um futebol americano como o praticado em 1998. 

E não parece ser da boca pra fora, já que as contratações indicam isso: os Raiders foram atrás de jogadores que eram destaques das suas equipes, mas em 1998. São os casos de Jordy Nelson, Doug Martin e Breno Giacomini (sim, aquele. E sim, ainda existe).

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Além deles, Gruden buscou Ryan Switzer e Martavis Bryant via troca. Estes nem nascidos eram em 1998, mas estão longe de serem certezas na posição. Bryant pode inclusive perder a temporada toda por suspensão. Ainda estão estourando champanhe em Pittsburgh.

O draft também foi um pouco suspeito. As duas melhores escolhas, Arden Key e Maurice Hurst, estavam disponíveis no terceiro e no quinto round por um motivo, e é mais fácil achar um torcedor do Titans que um torcedor do Raiders satisfeito com Kolton Miller na #15. Por fim, Marquette King foi cortado e era tão bom que merecia seu próprio parágrafo. Como se trata de um punter, o parágrafo é curto. Sim, ele já acabou.

Os convocados de Felipão

Passear pelo Depth Chart dos Raiders é como visitar um museu. Para cada Amari Cooper, temos um Marshawn Lynch e um Donald Penn. Para cada Khalil Mack, temos um Leon Hall e um Reggie Nelson. O elenco de Oakland está repleto de nomes conhecidos, de forma que pode pegar o fã casual desprevenido.

Porém talvez a única certeza no time hoje seja Khalil Mack. Derek Carr precisa provar que merece o dinheiro que recebeu em 2017, e Amari Cooper precisa se recuperar do ano aquém que teve. A linha ofensiva, apesar de boa, está cada vez mais velha e pode não ter a mesma força dos últimos anos. Resta saber se Lynch ainda tem gasolina no tanque e se Jared Cook vai se consolidar como boa opção – se você realmente acredita nisso, sentimos muito.

A defesa, porém, dificilmente será pior que a de 2017. Espera-se uma colaboração maior dos jogadores selecionados no ano passado, especialmente de Gareon Conley, além da melhora de Bruce Irvin, que não foi tão bem pelas bandas da Califórnia. Por outro lado, Tahir Whitehead e Derrick Johnson chegam para ocupar o posto de LB mediano deixado por NaVorro Bowman já em fim de carreira.

Palpite

Derek Carr não é o Quarterback que muita gente imaginava, mas também não é o desastre que vimos em 2017. Suas atuações, porém, não serão o suficiente para salvar o time de uma campanha medíocre como a do ano passado. O elenco está mais velho e não terá muita renovação. E, em uma liga como a de hoje, em que Sean McVays e Doug Pedersons são reis, a visão de jogo de Jon Gruden tem tudo para dar errado. Sério, vai dar merda. Não espantaria se o time repetisse o 6-10 do ano passado, mas, enfim, caso chegue aos playoffs, não será um feito tão absurdo. A NFL, como sabemos, é uma caixinha de surpresas #analise #acertada.

O homem de ferro cercado por homens de vidro

É o terceiro ano de prévias da temporada no PickSix e pelo terceiro ano sou responsável por San Diego (ou Los Angeles, se você consegue lidar com essa bizarrice) Chargers. Pelo terceiro ano seguido, a lógica de que esse time é fadado ao fracasso e às lesões diz uma coisa, mas a análise fria diz outra – obviamente, em julho, todo time é destinado ao Super Bowl, mas os Chargers contam, de fato, com boas peças (mais sobre isso a frente).

Como é um time sobre o qual falamos apenas uma vez por ano, é preciso comentar certos pontos da temporada de 2017: a depressão da chegada em Los Angeles já parece clara, como mostra a incapacidade de lotar um estádio de futebol-futebol com capacidade para 30 mil pessoas apenas com torcedores do próprio time (que, só nos resta concluir, não existem). Há também a comparação com os Rams, talvez a equipe mais empolgante de 2017 mesmo sendo o terceiro melhor time da conferência, o que já coloca os Chargers com menos de 365 dias de nova casa na condição de Clippers, Mets, Atlético de Madrid ou, pior, algo como um Botafogo da NFL.

Outro tema agridoce que viverá a torcida (inexistente) dos Chargers versa sobre a posição de Tight End. Pela primeira vez em 15 anos, Antonio Gates não será o sexto homem complementando a linha ofensiva, nem o gigantesco ex-jogador de basquete pulando mais alto que linebackers e fazendo safeties questionarem se é o que querem para sua vida é mesmo jogar football.

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Teoricamente, para a sorte da equipe de Los Angeles, eles pareciam já ter encontrado o substituto ideal para Gates em Hunter Henry que, quando saudável, produziu muito como alvo seguro de Philip Rivers.

Infelizmente, seu joelho não aguentou o peso do uniforme azul bebê e explodiu ainda em maio. E isso pode ser um prenúncio de um ano como todos os outros, porque poucos times parecem apostar tanto que “lesões passadas não são indicativos de lesões futuras”.

*Muito bom, se estiver saudável

Se apenas a lesão de Hunter Henry já parece ruim, a lista de candidatos a substitutos de Gates sofre com a maldição: o jovem Austin Roberts, ainda que apenas mais um undrafted free agent (assim como o velho Antonio) buscando seu lugar ao sol, também teve seu joelho saindo fora do lugar. Virgil Green, que teve 71 recepções em sete anos com os Broncos, é o nome mais conhecido do grupo e não é nada mais que um sexto bloqueador razoavelmente útil – o que pode, inclusive, até motivar um último retorno de Gates* ao time (mera especulação, mas se rolar vocês viram primeiro aqui).

Para a sorte do velho Philip, por outro lado, o seu grupo de WR está em melhor estado. Ao menos por enquanto. Keenan Allen*, vencedor do prêmio de Comeback Player Of the Year (que por si só já mostra o histórico de problemas de saúde) em 2017, jogou pela primeira vez, em cinco anos de carreira, os 16 jogos da temporada e, até surpreendendo os que já haviam desistido, chegou próximo das 1400 jardas recebidas, atrás apenas dos irreais Julio Jones e Antonio Brown. Com múltiplos jogos de mais de 10 recepções e de 100 jardas – inclusive contra a forte secundária dos Bills -, não há razão para não repetir números do tipo.

Outro que conseguiu excelentes números combinados com participação em todos os jogos pela primeira vez na carreira foi o RB Melvin Gordon* – nada espetacular no jogo corrido, mas sólido, e especialmente importante como alvo seguro no jogo aéreo, sendo suas 54 recepções um número maior do que qualquer outro WR além de Keenan Allen.

Para suprir esse vazio como segunda opção de recebedor, especialmente agora sem TE, o nome ideal seria Mike Williams* (e não só porque esse é um nome extremamente comum para WR na NFL). Uma curiosidade interessante sobre o início da temporada de 2018 é que a equipe comandada por Anthony Lynn e gerenciada por Tom Telesco não escolheu nos quatro primeiros rounds um jogador ofensivo sequer; o que, além de confiança no que tem, pode indicar que o time acredita que poderá aproveitar suas duas primeiras escolhas de 2017 finalmente.

O primeiro foi Williams, que perdeu a pré-temporada e os seis primeiros jogos com problemas nas costas, simplesmente fatal para seu desenvolvimento e limitando-o a 11 recepções. Certamente Rivers visualiza tirar mais dele, devido ao seu pedigree que gerou 1361 jardas na última temporada, como alvo de Deshaun Watson. Já os WR Tyrell Williams e Travis Benjamin não são maus jogadores, e tê-los como opções complementares apenas pode tornar esse ataque em um dos (ainda) melhores da liga.

O segundo jogador ofensivo que é praticamente um rookie é o G Forrest Lamp*, que (adivinhem) também se machucou na pré-temporada e nunca voltou. É fácil assumir que ele deverá ser muito bom para além do hype do draft: o próprio Chargers selecionou o G Dan Feeney uma rodada depois e ele acabou eleito um dos melhores rookies do ano.

Completam a linha ofensiva o LT Russell Okung*, que justificou a aposta em si mesmo após assinar um contrato cheio de incentivos, sem orientação de empresário, e chegou ao segundo Pro Bowl da vida; o Center Mike Pouncey*, que vem de Miami e acumula três Pro Bowls da época em que esteve saudável; e Joe Barksdale*, que perdeu cinco jogos na última temporada, mas mantém o alto nível quando está presente.

*para entender tantos asteriscos, basta olhar o título. Sério, vai ser muito incrível se todos aguentarem toda a temporada – e muito bom para os Chargers também.

Sobre Iron Man e Geno Smith

Philip Rivers dispensa muitas apresentações e comentários. Suas 4500 jardas e 28 TDs são números dos sonhos para equipes sem QB e, com a riqueza de talento ao seu redor, não há razão para esperar que ele vá decair com apenas (para os padrões Tom Brady de ser) 37 anos a serem comemorados com seus 15 filhos (ou algo assim) em dezembro – especialmente como detentor do título de Iron Man da liga, com 192 jogos de temporada regular seguidos, conquistando a simbólica medalha após o episódio estranho com Eli em Nova York.

Entretanto, para aqueles que duvidam de coincidências, é válido relembrar: para a descrença de todos, um Manning que parecia destinado a uma última oportunidade foi substituído pelo eternamente desacreditado Geno Smith. E adivinha quem foi contratado para ser o QB reserva em Los Angeles em 2018? Pelo bem de Rivers, vamos torcer que Cardale Jones ganhe a disputa de posição.

É saudades que chama.

A defesa de Joey Bosa

Não vamos aqui fingir que entendemos tanto da defesa dos Chargers quanto seria possível. De qualquer forma, é interessante notar que a equipe foi número 3 da liga em 2017 em pontos cedidos e não perdeu nenhum jogador notável: pelo contrário, o draft soma ao grupo que tem como coluna vertebral os craques Bosa, Ingram e Hayward.

Joey Bosa é uma máquina e concorrente perene a DPOY, especialmente enquanto ajudar a equipe dominando a linha ofensiva tanto no passe quanto no jogo corrido e a abrir espaços para Melvin Ingram, outro terror de QBs, que finalmente chegou ao seu primeiro Pro Bowl após anos como único ponto bom da defesa em San Diego.

Brandon Mebane e Corey Liuget vêm de um 2017 ruim e, caso consigam produzir pressão interior aproveitando os espaços de Bosa e Ingram, poderão se aproximar da pressão do irmão rico de Los Angeles.

No back-seven, a estrela óbvia é Case Hayward, que dispensa mais comentários, qualificando-se como um dos Cornerbacks mais underrated da NFL (ainda que tenha ido ao Pro Bowl nos últimos dois anos), enfrentando WR1 adversários do alto de seus 1,80m é produzindo 11 interceptações nos últimos dois anos. Seu complemente ideal seria Jason Verrett, mas o que não era incomum em San Diego segue usual em Los Angeles: ele já está lesionado e fora da temporada de novo.

Nunca duvidamos.

Para a sorte dos Chargers, jovens devem continuar colaborando na defesa. Trevor Williams, undrafted em 2016 e sem parentesco com Tyrell, assumiu a posição com outra lesão de Verrett em 2017 e foi apontado como 10º melhor CB da liga no ano passado. Outro jovem que tem o objetivo de dificultar a vida dos ataques aéreos é o rookie Derwin James, Safety escolhido na metade da primeira rodada para já chegar jogando.

Palpite

Dá para acreditar? Se a medicina continuar evoluindo e segurar tantos jogadores duvidosos de pé, com certeza. Em 2017, a equipe perdeu apenas para dois times que não foram para os playoffs: para os Broncos na altitude e para os Dolphins graças ao FG desperdiçado pelo jovem Koo (citação obrigatória, especialmente agora que ele já não está na liga). Após um desastroso início 0-4, Anthony Lynn conduziu a equipe a nove vitórias e apenas três derrotas, com a mesma campanha de Titans e Bills, que foram aos playoffs.

Com Oakland e Denver em situação sempre duvidosa, além de Kansas City com um QB essencialmente rookie, os Chargers têm uma oportunidade de voltar a vencer a divisão, o que ajudaria a construir algo de torcida em Los Angeles. Um 10-6 e eliminação na segunda rodada dos playoffs para um time com mais camisa depois de tirar alguém da AFC South parece um bom 2017. Ou Geno Smith pode ser o starter lá pela semana 9, enquanto somos lembrados que San Diego dos tempos de Antonio Gates segue vivo, mesmo em uma cidade estranha.

Mudando para (tentar) vencer

É impossível falar de sucesso no mundo esportivo sem pensar em títulos e troféus. Um time que não consegue atingir a glória máxima – ou, ao menos, chegar perto dela – dificilmente é considerado bem sucedido, mesmo que apresente resultados muito acima da média. É, de certa forma, injusto, porém é natural que o verdadeiro reconhecimento seja um privilégio apenas dos campeões.

Na NFL, o Kansas City Chiefs é o mais claro exemplo da subjetividade da palavra “sucesso”. Desde que Andy Reid assumiu o cargo de Head Coach, em 2013, o time tem tido “sucesso” – a subjetividade, aqui, precisa ser ressaltada. Foram 53 vitórias e 27 derrotas em jogos de temporada regular: um respeitável e invejável aproveitamento de 66%. Nas cinco temporadas de Reid como técnico, o Chiefs só ficou de fora dos playoffs em 2014, apesar de ter sido também um ano vitorioso, com o recorde de 9-7.

O problema é que a franquia parece incapaz de dar o próximo passo e se tornar realmente bem sucedida. Nas quatro aparições em pós-temporada, o Chiefs conseguiu apenas uma vitória: um sonoro 30×0 no Wild Card Round da temporada de 2015 contra o Houston Texans, time que compartilha a mesma dificuldade de vencer jogos eliminatórios. Foram cinco jogos, com um aproveitamento de 20%, um contraste enorme com o desempenho na temporada regular.

Com exceção da derrota para o Indianapolis Colts nos playoffs da temporada 2013, um jogo que terminou 45×44 e se tornou instantaneamente um clássico, o Chiefs nunca jogou bem nos playoffs. Apesar de ter perdido por placares não muito elásticos para o New England Patriots em 2015 e para o Pittsburgh Steelers em 2016, a impressão que ficava era de que faltava algo.

A certeza de que mudanças eram necessárias veio na temporada passada. A derrota em casa para o modorrento Tennessee Titans, em uma partida em que era o franco favorito, parece ter sido a gota d’água para um time que parece bom demais para a temporada regular e ruim demais para os playoffs. Algo precisava ser feito.

Confiem no menino.

Mudanças

Também contratado em 2013, o QB Alex Smith era o retrato da bipolaridade do Kansas City Chiefs. Ao mesmo tempo em que fazia jogos bons (alguns muito bons) na temporada regular, que inclusive o colocaram na disputa pelo prêmio de MVP em 2017, decepcionava na pós-temporada. Os números em seus cinco jogos de playoffs pelo Chiefs, com exceção dos quatro TDs no jogo contra o Colts, são bastante medíocres. É claro que a culpa não é apenas dele, mas, assim como o resto do time, parecia que faltava algo.

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Com o QB Patrick Mahomes, primeira escolha da equipe em 2017, sentado no banco havia uma decisão a tomar: manter a segurança do experiente veterano, que parecia já ter mostrado tudo que podia dar, ou acreditar no potencial do talentoso sophomore, no qual investiu alto.

A idade e o alto salário de Alex Smith, porém, parecem ter facilitado uma decisão que já não parecia difícil, especialmente quando o Washington Redskins ofereceu uma escolha de terceiro round do draft de 2018 e o CB Kendall Fuller em troca do QB. O Kansas City Chiefs de 2018 se tornava, oficialmente, o time de Patrick Mahomes.

Não é exagero dizer que Mahomes é a antítese de Smith. O QB veterano, com seus passes curtos e sua hesitação em explorar jogadas longas, talvez seja o que mais se aproxime da clássica definição de game manager. O Chiefs precisa e quer exatamente o oposto disso: um QB com o braço forte que não tenha medo de explorar as virtudes de seu ataque explosivo. Esse é Patrick Mahomes.

Em sua única partida como titular em 2017, contra o Denver Broncos na semana 17, Mahomes causou uma boa impressão e confirmou as expectativas quanto as suas habilidades. Apesar de não ter lançado nenhum TD e ter sido interceptado em um claro overthrow, o então rookie QB foi responsável por liderar o time reserva do Chiefs para a vitória com belos lançamentos.

Analisando uma das jogadas espetaculares de Mahomes no jogo, o analista Brian Baldinger disse que “há muitos QBs nessa liga que jogaram muito tempo que nunca lançaram um passe como esse em suas vidas”. Baldinger não hesitou em colocar Mahomes no mesmo patamar de talento que Carson Wentz, Jimmy Garopollo e DeShaun Watson.

Será, no mínimo, interessante ver o que um QB com a força de Mahomes fará por Tyreek Hill, um dos jogadores mais rápidos e versáteis da liga. Se Hill já causou estragos jogando com Alex Smith, é assustador o que pode acontecer quando são misturados o braço de Mahomes e a criatividade ofensiva de Andy Reid.

O grupo de WRs ainda foi reforçado com Sammy Watkins, que tinha o pedigree para ser um dos melhores recebedores da liga, mas nunca teve seu potencial totalmente atingido devido a seguidas contusões. Se conseguir permanecer saudável, Watkins ocupará a negligenciada posição de WR2 do time, que nos últimos anos não teve nenhum nome de importância.

A adição de Watkins tem o potencial de tornar o Chiefs um dos times com mais talento ofensivo na liga. Resta saber se ele finalmente conseguirá jogar o que sempre se esperou dele e nunca se concretizou. Pode ser sua última chance.

O RB Kareem Hunt poderia – e deveria – ter sido escolhido como o Offensive Rookie Of The Year em 2017. Hunt foi o RB com mais jardas terrestres na liga (1327) e apresentou um dinamismo e uma capacidade de participação também no jogo aéreo que o coloca automaticamente entre os melhores RBs da liga.  Não fosse o surgimento de Alvin Kamara no final do ano, Hunt certamente teria vencido o prêmio. Sua presença, além de exigir o respeito das defesas adversárias com o jogo corrido, representa um excelente porto seguro para Mahomes.

Com um jogo corrido a ser respeitado e recebedores como Hill e Watkins, que exigem que os safeties fiquem um passo atrás para evitar passes longos, é inimaginável o que Travis Kelce pode fazer nesse ataque se for bem aproveitado. Kelce é o melhor TE da liga entre os mortais (Gronk não é mortal) e ainda poderá ser beneficiado por um sistema ofensivo que não focará apenas nele.

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Em teoria, o ataque de Kansas City tem tudo para funcionar e ser um dos melhores da liga, mas não há como fugir do clichê “como será a transição de Patrick Mahomes para a NFL?”. Será que ele estará pronto para, além de aproveitar seus atributos físicos, conseguir fazer a leitura das defesas e limitar os turnovers? Será que ele teria a capacidade de liderança exigida de um franchise QB?

O primeiro entre os mortais.

Defesa

As questões sobre a capacidade de Patrick Mahomes liderar o ataque de Kansas City são legítimas, mas o verdadeiro ponto de interrogação do time em 2018 é a defesa, com uma menção especial à secundária.

Marcus Peters, o principal nome da defesa nas últimas três temporadas e um dos CBs mais talentosos da liga, foi trocado para o Los Angeles Rams por uma lata de cerveja e um pacote de bala de goma. A analogia parece exagerada, e talvez seja, já que o Chiefs recebeu uma escolha de segundo round do draft de 2018 e uma de quarto round em 2019. O problema é que Peters e seus 24 turnovers forçados em três temporadas valem mais do que isso. Questões sobre o temperamento forte do jogador parecem ter pesado para não dar um contrato de longo prazo para o jogador e aceitasse perder seu principal defensor.

Além de Peters, o Chiefs perdeu os CBs Phillip Gaines e Terrence Mitchell, que se tornaram unrestricted free agents, e o S Ron Parker, que foi dispensado. Os nomes não são exatamente de peso e foram responsáveis por uma performance bem medíocre em 2017, mas, contando com Peters, são quatro dos seis principais jogadores que formaram a secundária em 2017.

Para suprir as partidas, chegaram os CBs Kendall Fuller, via troca que mandou Alex Smith para Washington, e David Amerson, que perdeu mais da metade da temporada passada machucado. Fuller teve uma boa temporada em 2017 e é um dos melhores cornerbacks defendendo o slot – o Pro Football Focus o considerou o segundo melhor slot CB da liga na temporada passada.

O S Eric Berry, que retorna ao time após se recuperar de um rompimento do tendão de Aquiles que encerrou precocemente sua temporada de 2017, é um retorno considerável, mas não se sabe exatamente em que forma estará. É provável que o time tenha que depender do S Armani Watts, rookie selecionado no quarto round. É uma secundária mediana que, sem dúvidas, está longe de inspirar confiança, com potencial de apresentar resultados desastrosos.

O front seven também teve suas baixas. Os LBs titulares em 2017 Derrick Johnson e Ramik Wilson trocaram de time na free agency. A linha defensiva perdeu Bennie Logan e não conta mais com o veterano, e um dos símbolos do time, Tamba Hali.

Nenhuma dessas perdas é profundamente lamentada em Kansas City, talvez exceto pela liderança que jogadores como Johnson e Hali exerciam, mas o Chiefs dependerá novamente do ótimo pass rusher Justin Houston e do retorno de Dee Ford, que volta ao time após jogar apenas seis partidas em 2017 devido a uma contusão nas costas. Apesar de Houston ser muito bom, é preciso que jogadores secundários, como Ford, tenham sucesso nas investidas contra os QBs, evitando que marcações duplas das linhas ofensivas adversárias simplesmente anulem o All-Star DE.

Palpite

Em uma divisão razoavelmente acima da média e tendo que enfrentar todos os times da também forte NFC West, além de Pittsburgh Steelers, Jacksonville Jaguars e New England Patriots, é difícil imaginar um cenário em que o Kansas City Chiefs vença mais do que oito jogos. Se a previsão se concretizar, será apenas o segundo ano que o time não estará nos playoffs desde que Andy Reid assumiu o comando. Talvez não faça tanta diferença assim, pois se é difícil imaginar uma temporada regular com mais vitórias do que derrotas, é mais difícil ainda considerar realista uma aparição bem sucedida na pós-temporada.

Quem pode mudar esse cenário? Patrick Mahomes, que terá que justificar o investimento feito pelo time e mostrar que pode ser um franchise QB, carregando o time nas costas e sabendo aproveitar todo o potencial ofensivo que tem a sua disposição.

Em uma liga em que os ataques têm se sobressaído consideravelmente sobre as defesas (alguém assistiu o último Super Bowl?), não seria nenhuma surpresa se o ataque do Chiefs superasse as deficiências defensivas e surpreendesse com uma campanha muito melhor do que a esperada. Entretanto, é claro que ninguém vai colocar a mão no fogo por isso. Espere um 8-8, a certeza de que Patrick Mahomes é o QB do futuro e uma lista de compras para a defesa.

Tentando permanecer relevante

“This one is for Pat!”. Quando John Elway ergueu o Lombardi após a vitória no Super Bowl 50, ele estava (talvez) no ponto mais alto de sua carreira. Depois de vencer a NFL duas vezes como jogador, ele finalmente conseguiu repetir o feito, agora como General Manager.

Não restavam dúvidas: John havia montado em 2013 um dos melhores ataques da história da liga, apenas para ver esse mesmo ataque sendo destroçado pela Legion of Boom. Elway, então, entendeu que “se não pode com eles, junte-se a eles”, e assim montou uma defesa quase tão poderosa quanto aquela unidade comandada por Peyton Manning.

Dois anos depois, Manning já não era mais o mesmo, e quem ficou marcado na conquista do Super Bowl foi o sistema defensivo montado por John. Três anos, dois Super Bowls e duas grandes equipes, bem diferentes entre si. Elway, que já estava no Hall da Fama como jogador, mostrava que poderia repetir o feito como dirigente.

Rostinho que passa credibilidade.

Você é bom, até que não é mais

Duas temporadas se passaram, e essa percepção foi praticamente apagada da cabeça dos torcedores. Se antes John era aplaudido por recrutar Peyton Manning, hoje a questão paira como uma dúvida: é tanto mérito assim contratar aquele que é pra muitos o melhor QB da história?

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Os questionamentos vêm em função dos substitutos escolhidos para O Testa. Brock Osweiler (HAHAHA) se tornou um dos piores exemplos possíveis na história da liga, Paxton Lynch só sabe jogar futebol americano se for no Madden e Trevor Siemian foi apenas um devaneio de algumas noites de setembro.

Some isso ao fato de que a defesa não conseguiu repetir as atuações dos playoffs de 2015/16 e você tem um time que, se antes era um dos destaques da liga, passou a ser uma daquelas equipes que você rola os olhos quando descobre que está no Primetime e/ou vai ser a transmissão do segundo horário da ESPN (essas equipes são um oferecimento do Dallas Cowboys™).

Virando a página?

Ciente das pataquadas que fez nos últimos drafts, Elway resolveu mudar a fórmula. Desistiu de apostar em prospectos na posição de QB e foi atrás de nomes de experiência e já consolidados na posição. Bem, Case Keenum não é necessariamente o nome que vem à mente quando falamos dessas características, mas era o que o mercado tinha a oferecer depois que Kirk Cousins resolveu agitar a economia de Minnesota. A escolha é extremamente questionável, ainda mais se considerarmos que a essa altura do ano passado Keenum não era nem nota de rodapé nas matérias que antecipavam a temporada.

Tem tudo pra dar errado.

A defesa também já não é aquela que fez Tom Brady sentir o gostinho dos gramados do Colorado por 60 minutos. Após o título do Super Bowl 50 a saída de Malik Jackson deixou um buraco no meio da linha defensiva. Ano passado o time se livrou de TJ Ward, que por sua vez foi encher o saco em Tampa Bay. E, em 2018, Aqib Talib foi trocado pra Los Angeles por quatro potes de Whey Protein. Além deles, DeMarcus Ware está curtindo a vida de aposentado já há algum tempo. E, claro, repetir o alto nível de jogo com essas ausências foi ainda mais difícil quando o ataque tinha dificuldades até mesmo de entrar em campo (acredite nos seus sonhos).

Por fim, a aposentadoria precoce de Gary Kubiak deixou a franquia sem o técnico que levou o time ao ponto mais alto do pódio (que na NFL não existe). O escolhido, Vance Joseph, fez um trabalho tão ruim em 2017 que haviam rumores de que ele poderia ser demitido após a temporada, colocando-o no hall de técnicos que passaram pelo one-and-done ao lado de lendas do esporte como Jim “cara de rato” Tomsula.

Ano novo, vida nova (mas nem tanto)

Para sair do limbo que é a mediocridade das últimas temporadas, o Broncos e John Elway apostam em um espécie de híbrido daquele time que venceu o Super Bowl com um bando de novas faces.

Case Keenum, como já falamos, vem pra ser a decepção na posição de Quarterback da vez. Paxton Lych é palavra proibida dentro da franquia, a não ser que o assunto seja “troca”. Chad Kelly (sim, aquele), pode acabar levando o posto de backup.

Pode apostar que vai dar merda.

O corpo de Wide Receivers é basicamente aquele que você se acostumou a ver: Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas revezando boas e más atuações, com algumas lesões no meio. Chegaram para ajudar, pelo Draft, Courtland Sutton e DaeSean Hamilton. Se considerarmos o histórico de Elway draftando jogadores da posição, podemos esperar, dentre outras coisas, vários nada.

Já nas posições de Running Back e Tight End, temos o que podemos descrever como um bando de incógnitas. Se Devontae Booker ainda não mostrou muito serviço, podemos falar o mesmo de Jake Butt. E, tal qual Royce Freeman, Troy Fumagalli (sim!) é um calouro que, ao contrário da indústria do draft, não vamos fingir saber o que esperar deles. Se você está sentindo falta de alguém, CJ Anderson está nos Panthers (nós também esquecemos).

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Por fim, a linha ofensiva, que já vinha melhorando desde as chegadas de Ronald Leary e Garett Bolles, conta agora com o reforço (?) de Jared Veldheer. Pode não ser a melhor unidade da liga, mas já é muita coisa se considerarmos que a NFL é lar de times como o Seattle Seahawks.

A defesa ainda é um esboço daquilo que nos habituamos a ver. Derek Wolfe e Von Miller comandam a linha defensiva, que agora pode contar com a monstruosa adição de Bradley Chubb. Basicamente, a ideia dos Broncos é reeditar a parceria de sucesso que Miller teve com DeMarcus Ware.

Os LBs ainda são comandados por Brandon Marshall e Todd Davis, enquanto a secundária ainda conta com Chris Harris e Darian Stewart. Além deles, a equipe parece esperar boas contribuições de Bradley Roby e Justin Simmons. Por fim, a adição do problemático Xavier Su’a Cravens traz uma opção versátil para a unidade. Se tudo sair como o planejado, Denver pode voltar a ter uma das melhores defesas da NFL.

Palpite

A ideia de mesclar os veteranos do time com novas caras parece boa, mas a vida útil do jogador da NFL é muito curta. Acreditar que alguns atletas vão retomar as grandes atuações e que os novatos vão emplacar requer muito boa vontade. Case Keenum está longe de empolgar como QB. Por tudo isso, e por jogar em uma das divisões mais complicadas da liga, dificilmente o Broncos volta aos playoffs. Uma temporada entre 7-9 e 9-7 pode ser o limite para esse time.

Análise Tática #26 – As jogadas-chave do Super Bowl LII

O Super Bowl LII talvez tenha sido a final da NFL mais prolífica da história em termos de ataque. Foram 1152 jardas totais somando os dois times, recorde da liga seja para jogos de temporada regular ou playoffs.

Como ninguém esperava, inclusive nós do site, como vocês podem conferir no preview tático, o Eagles se saiu melhor que o New England Patriots em um festival ofensivo. Podem conferir em qualquer analista brasileiro ou de fora, seja texto, vídeos ou podcast, absolutamente ninguém esperava isso.

Apontamos no preview tático que a chave para a vitória dos Eagles seria a atuação da defesa, mas esse ponto não envelheceu bem. Como apontou nosso amigo Vitor Camargo do Two-Minute Warning, a responsabilidade da vitória é em boa parte no ataque e na capacidade que Nick Foles teve de causar estragos com passes a partir da média distância. Parafraseando o que nosso colega escreveu (leia o texto completo), Philly venceu apesar da atuação defensiva e não por causa da mesma.

Comparando, foi algo assim que Blake Bortles não conseguiu. O QB dos Jaguars executou muito bem o plano de jogo, mas para vencer os Patriots é preciso mais que isso, e o ataque de Jacksonville não tinha teto suficiente para se sobressair.

As estatísticas

Total de 143 jogadas a partir da linha de scrimmage, apenas um punt entre os dois times (chutado pelo Philadelphia Eagles), um sack (que definiu o confronto), uma interceptação e um turnover on downs. Para completar o festival, houve também extra points perdidos e chutados na trave.

O Philadelphia Eagles executou 71 jogadas ofensivas, converteu 25 first downs em 34min04s de posse de bola. Teve ganho de 538 jardas em 10 drives, 374 jardas pelo ar e 164 jardas terrestres. Nick Foles completou 27 de 43 passes e o time correu com a bola 27 vezes.

O New England Patriots, por sua vez, executou 72 jogadas ofensivas em 25min56s de posse de bola, converteu 29 first downs. Teve ganho de 613 jardas em 11 drives, 500 jardas pelo ar e 113 terrestres. Tom Brady completou 28 de 48 passes e o time correu com a bola 22 vezes.

A bola longa dos Eagles

Jogadas de passe de mais de 20 jardas tiveram um fator importante em relação ao plano de jogo dos Eagles. Esticar o campo é um mantra repetido por técnicos de futebol americano e funciona como uma das premissas do jogo, deixando a defesa sempre em dúvida sobre o que virá a seguir.

Como o Eagles correu bem com a bola, média de 6,1 jardas por tentativa, o Patriots foi obrigado a aproximar os jogadores da linha de scrimmage como compensação. E essa dúvida é suficiente para armar o playaction fake. Foi exatamente isso o que vimos no primeiro touchdown da partida, passe de Nick Foles para Alshon Jeffery.

Observe na imagem, um conceito de rotas cruzadas perto do segundo “I” no logo do Super Bowl, com Alshon Jeffery atacando a endzone e Nick Foles a partir do playaction. Os jogadores de linha ofensiva estão em posição de três apoios e encaram 4-men-rush. A linha contém muito facilmente o rush dos Patriots, permitindo que Nick Foles fique confortável para escalar o pocket.

Olhando a defesa dos Patriots, eles estão marcando de forma individual todas as rotas, e as do meio disfarçando a posição dos marcadores como se estivessem em zona. Apenas um safety está em profundidade (cover 1 man). Esse cenário é ideal para Nick Foles atirar no fundo do campo, e o safety ficando preso nas rotas do meio ajudou. Passe perfeito e Alshon Jeffery ainda fez uma recepção física.

O interessante dessa jogada é sobre os seguintes pontos: esse cenário construído é o que não seria ideal para os Eagles ganharem dos Patriots. Foi repetido intensamente de que o ataque coordenado por Doug Pederson não poderia cair em situações que eles precisassem confiar no braço de Nick Foles, o que exatamente aconteceu. Os Eagles mostraram para Bill Belichick e Matt Patricia que eles podiam explorar a bola longa a partir do playaction, e isso aconteceu repetidas vezes, já que o jogo corrido se desenvolveu.

As Trick Plays

Como em uma tarde de College Football qualquer, além do tiroteio, o Super Bowl apresentou as trick plays. Duas jogadas de reverse-pass para o quarterback, cada uma executada por um dos times.

Aos 12:04 restantes do Q2, os Patriots estão na linha de 35. James White parte do outside para o lado de Brady, e este entrega a bola para o corredor. A linha bloqueia para a esquerda dando a entender de se trata de uma inside zone. Entretanto, White entrega a bola para Danny Amendola, configurando o reverse. Brady parte em uma rota wheel e Danny Amendola arrisca o passe na linha de 25 (10 jardas a partir da linha de scrimmage). Tom Brady derruba a bola, colocada à frente de seu corpo.

O interessante dessa jogada, é que por todo o processo do Super Bowl houve a dúvida sobre a lesão reportada na mão de Brady. Segundo informações, o jogador se machucou em um treinamento e precisou sofrer quatro suturas na mão direita (a de lançamento). Apesar de toda essa novela, a verdade é que pela forma como o passe foi colocado, Brady, um QB de 40 anos, não tinha atleticismo suficiente para buscar essa bola, o que nos rendeu essa belíssima imagem.

Ele realmente não pode passar e receber passes ao mesmo tempo.

Agora observemos a chamada conhecida como Philly Special. Opção de Nick Foles para converter uma quarta descida para o touchdown restando 34 segundos antes do intervalo, quando os Eagles venciam por 15 a 12. Segundo relatos, essa jogada foi colocada no plano de jogo contra o Minnesota Vikings, mas não se fez necessária. Assim como a trick play dos Patriots, trata-se de um reverse pass para o quarterback, com alguns diferenciais.

Os Eagles se alinham em singleback com stack do lado direito. Nick Foles sai da posição de shotgun disfarçando que vai passar instruções de bloqueio à linha ofensiva, a estilo Peyton Manning. O QB toca as costas do right tackle, o snap sai diretamente para o RB em wildcat, esse se desloca para a esquerda em uma outside zone, faz o handoff para Trey Burton.

Nesse instante, Nick Foles parte da posição de linha ofensiva em direção à endzone. Touchdown. Aqui, cabe salientar que a questão da trick play, como o próprio nome sugere, é surpreender completamente a defesa adversária. Geralmente, isso começa snaps antes armando uma possível leitura de tendência a partir de determinado personnel.

No caso dos Eagles, o personnel com Corey Clement em campo indica uma jogada de corrida em zona ou passe, pela versatilidade do atleta em executar ambos os tipos de conceito – simplificando ao máximo a leitura, evidentemente, as possibilidades são maiores que isso. Como podemos ver nas primeiras amostras do NFL Turning Point pela NFL Films, Doug Pederson decidiu pela conversão da quarta descida e em discussão com Nick Foles, o quarterback chamou a jogada.

Como podemos conferir, jogadas antes, Nick Foles converteu uma terceira descida com ganho de 55 jardas a partir de um passe para Clement em uma rota wheel. Esse lance e mais outros com o camisa 30 em campo semearam a dúvida suficiente para fazer a trick play funcionar. Como disse Matt Patricia na coletiva pós-jogo a única forma de parar esse tipo de jogada é a defesa estar completamente ciente do que está acontecendo em campo, pois o reverse anula qualquer ajuste tático que poderia ser desenhado na cobertura.

Linha desbalanceada

Doug Pederson apresentou em seu plano de jogo uma variedade de conceitos que colocaram em cheque a capacidade de ajuste pelo New England Patriots. Um desses é a linha desbalanceada.

Acrescenta-se um jogador a mais de OL, geralmente um tackle e não um tight end, e este jogador se declara elegível a receber o passe para a arbitragem, mas sequer correrá uma rota. Sabemos que a linha ofensiva convencional se posiciona de forma simétrica em relação ao center. A OL desbalanceada posiciona um jogador a mais em um dos lados.

Na imagem acima, vemos o touchdown corrido de LeGarrete Blount partindo de uma inside zone com linha desbalanceada. O jogador extra é o camisa 73 Isaac Seumalo, marcado no retângulo vermelho. Ele alinha como um TE bloqueador, mas com melhor capacidade de realizar a função que um jogador com esse rótulo.

Acrescentar um jogador de linha na inside zone permitiu que o LT Halapoulivaati Vaitai bloqueasse em segundo nível, e esse foi o fator diferencial para que Blount chegasse a endzone.

A capacidade de ajustes de New England

Se tem alguma coisa que eu tive capacidade acertar nos previews sobre os Patriots é a capacidade de ajustes de Bill Belichick e o uso de Rob Gronkowski como ponto focal do ataque (“mas aí até eu”, deve estar pensando o caro leitor). Após um primeiro tempo ruim na conexão Brady-Gronk, a dupla começou a clicar as jogadas no início de terceiro quarto, resultando em um drive para touchdown apenas com recepções do Tight End.

Comparando com o que foi feito no primeiro tempo, a defesa dos Eagles não travou apenas um jogador na marcação individual de Gronkowski, confiando na capacidade de execução do defensor que estivesse no matchup.

A jogada apresentada acima ocorreu no jogo contra os Titans e uma vez anterior no primeiro tempo do Super Bowl, e ilustra exatamente o que o New England Patriots tem de melhor: a capacidade de ajustes táticos do staff de Bill Belichick e passar isso aos jogadores. Temos os Patriots alinhando em 11 personnel com set 2×2 e stack no lado esquerdo. A linha está em posição de 2 apoios e a situação de placar e relógio (PHI 32-26 NE Q4 9:22) indica o passe.

Amendola sai em motion da posição de Split-end para o lado do right tackle. Nesse momento, podemos ver os jogadores dos Eagles apontando entre si, o que significa que eles estão reajustando as marcações individuais na jogada. O Safety ataca o ponto em que as rotas dos três recebedores se cruzando no lado direito e deixa Gronkowski no mano a mano. Matchup que beira o injusto e touchdown para os Patriots, que naquele momento empataria o jogo em 32 pontos.

A pressão dos Eagles

O número de sacks leva a crer que Tom Brady jogou com pocket limpo a maioria das vezes. Mas esse tipo de análise preguiçosa focando apenas em drives brutos sempre leva a tirar conclusões erradas de qualquer situação estatística. Por vezes o front dos Eagles foi capaz de apressar passes ou acertar Brady com hits. Levar pancada de jogadores de mais de 140 kg afeta um QB de 40 anos de idade, por melhor que ele seja, simplesmente por questões físicas.

Essa pressão constante, principalmente em speed rush permitiu que Brady escapasse do sack algumas vezes escalando o pocket, mas quando ela vinha pelos A e B gaps, deixava o QB dos Patriots com a movimentação limitada, tendo que arriscar passes antes da hora. Isso explica principalmente a taxa de 56,25% passes completos (28/48), um pouco abaixo do que Brady normalmente produz.

Na jogada que praticamente selou o Super Bowl em favor dos Eagles, vemos Derek Barnett e Chris Long alinhados em wide-9-technique, enquanto Fletcher Cox (5-tech) e Brandon Graham (4-tech) estão na parte interna da linha. No resto do front, quando a jogada se desenvolver, percebemos que a defesa dos Eagles rotaciona para a direita, apesar de não ser uma fire zone blitz, e o mais importante, Malcolm Jenkins defende o flat, rota de James White, único jogador no lance livre para a recepção.

Chris Long é o jogador que consegue a melhor pressão em Brady com o speed rush, impulsionando o QB à direção de Brandon Graham, que consegue o strip-sack. A bola cai no chão e é recuperada por Derek Barnett. Os Eagles aproveitam o turnover na redzone e fecham o placar em 41 a 33.

O plano de jogo dos Eagles

Percebemos que o Eagles conseguiu a vitória no Super Bowl LII em uma situação de jogo que por muitas vezes pareceu desfavorável em determinados momentos. O maior tempo de posse de bola, o sucesso na conversão de terceiras descidas e a capitalização de pontos após drives em que parecia que o ataque dos Patriots havia entrado na partida foi essencial para que o time saísse com a vitória.

Doug Pederson explicou a ousadia na chamada das jogadas como “ser conservador é uma ótima maneira de terminar a temporada 8-8”, e o time, além de ser agressivo nas chamadas, conseguiu as converter, o que é mais importante.

Os Eagles jogaram com um quarterback reserva e conseguiram vencer os Patriots em um tiroteio. A secundária não conseguiu conter os recebedores dos Patriots (as 505 jardas aéreas não deixam mentir) e mesmo assim o time conseguiu responder em todas as instâncias do jogo.

O Super Bowl LII mostra ainda mais a importância de um coaching staff competente na construção de um plano de jogo. Pederson e sua equipe usaram a melhor arma dos Patriots contra eles, e surpreenderam mostrando leituras diferentes ao que havia passado na temporada regular. Por exemplo: no touchdown que deu a vantagem aos Eagles no final do último quarto, Zach Ertz correu uma rota slant em marcação individual, movimento que ele só tinha repetido no ano de calouro (2013).

Além do mais, tendo que responder drives de touchdowns para manter a vantagem no placar, Doug Pederson manteve a compostura e continuou apostando no plano de jogo montado, em vez de se afobar e tentar buscar Money plays que talvez estivessem marcadas do outro lado do jogo estratégico. Isso ajudou, sobretudo, a manter Nick Foles confiante e confortável a executar a melhor atuação de sua carreira.

Análise Tática #25 – Parte 4: O ataque do New England Patriots

Metamorfose. A unidade comandada por Tom Brady e coordenada por Josh McDaniels mostra, além de tudo, ser a prova do tempo e imprevisível. O time é capaz, mais do que qualquer outro na liga já foi, a ajustar adequadamente a cada adversário e explorar suas fraquezas.

O Patriots já foi um time de spread offense no início da década, aplicou bastante 12 personnel quando Rob Gronkowski e Aaron Hernández jogavam juntos, utilizou de run-heavy para vencer os Colts na final de conferência em 2014. Nos playoffs, New England utilizou bastante formações com dois running-backs contra os Titans e contra os Jaguars valeu-se bastante dos passes em rotas cruzadas.

E esse filme se repete há 18 anos. Domingo será a oitava aparição em Super Bowl da dupla Bill Belichick e Tom Brady, e na maioria delas o time manteve o grau alto de desempenho. Se nos três títulos entre 2001 e 2004 a fortaleza do time era a defesa, no Super Bowl XLIX e LII, o ataque fez seu trabalho. Esse cenário se repetirá no US Bank Stadium no domingo, com Tom Brady sendo responsável por comandar o melhor setor do time.

Estatísticas

Os Patriots conseguiram 8 touchdowns na pós-temporada, sendo 5 passados por Tom Brady e 3 corridos. Brady não foi interceptado e o único giveaway dos Patriots foi um fumble cometido Dion Lewis contra os Jaguars.

Passes para Running Backs

Utilizar os jogadores de backfield no jogo aéreo é uma arma utilizada por vários times da liga. Masterizado pela West Coast Offense de Bill Walsh, o passe para RBs é uma forma de criar uma dimensão extra para a defesa ler, aumentando as possibilidades de sucesso das jogadas.

O Patriots extrapola a dimensão do passe para RBs com o conceito jet-sweep. Trick plays são sempre pontos utilizados como inversores de fase no jogo, uma forma de “tapa na cara” do adversário.

A Jet-Sweep consiste em uma forma de passe parecido com o levantamento do vôlei. Um jogador sai em motion em direção ao quarterback, e no momento em que ele se encontra, sai o snap. O QB toca a bola com a ponta dos dedos e o ballcarrier a pega no ar. Com a bola na mão, o RB corre uma rota wheel na direção oposta do campo, como se fosse um end around.

Nesse outro exemplo, o Patriots ataca o flat a partir do playaction em uma jogada que deveria ser de passe longo mas as opções estão marcadas. Os Titans estão sem safeties por estarem preocupados com o jogo corrido nesse ponto da partida, aspecto básico do futebol americano.

Tom Brady se livra da pressão e encontra Dion Lewis para um ganho de 8 jardas.

Rob Gronkowski como eixo motor

Falar sobre como Gronkowski é bom é chover no molhado. O TE é uma aberração física, criando um matchup desfavorável em 90% das defesas da NFL, mesmo após tantas lesões.

Bill Belichick investiu no TE após a derrota contra os Jets no divisional round de 2011. A partir daquele momento, o Patriots fez a transição do spread offense para um ataque de rotas mais curtas. Como diz Chris B. Brown em “The Essential Smart Football”, Belichick usa os TEs para tornar o ataque flexível mesmo com um set pesado, sendo capaz de receber passes e bloquear com a mesma excelência.

Isso nos ajuda a entender como Belichick trata seus RBs como assets descartáveis, ao mesmo tempo em que tem apreço por seu QB e seu TE. Mesmo se não fossem talentos geracionais dentro de suas posições, as tarefas que esses dois desempenham no ataque são primordiais para a execução do mesmo. Belichick pensa primeiro nas tarefas, ter dois talentos absurdos executando as mesmas é quase como um bônus que ninguém é tolo de recusar.

Simplesmente marcar Rob Gronkowski seja individualmente ou em zona é uma tarefa quase impossível. Além disso, Belichick e Josh McDaniels ainda potencializa ao máximo as chances de seu TE na jogada chamando um slant-flats.

Aqui, basta Tom Brady mandar um backshoulder fade e esperar que seu jogador ganhe a bola na força física. Basicamente, se um jogador tentar defender esse passe, fará uma falta de interferência, colocando os Patriots na linha de gol. Exemplo de como o Patriots é tão dominante por tanto tempo, um time que além de ter bons jogadores, ainda utiliza o sistema para maximizar suas habilidades.

Ajuste às necessidades

Em boa parte do AFC Championship Game os Patriots estiveram sem Rob Gronkowski, que saiu do jogo por concussão. Em parágrafos anteriores, eu disse que Gronk é o ponto central do ataque (à exceção do quarterback), então como o Patriots conseguiu a virada sem seu principal recebedor?

Bem, é de conhecimento geral que os Patriots são o time que melhor ajusta o plano de jogo de acordo com a situação. É talvez a capacidade que mais importa pelo fato de essa dinastia durar tanto tempo. Quando Gronkowski saiu do jogo, Josh McDaniels passou a colocar em campo sets mais variados de recebedores, bem como a habilidade dos mesmos em rotas curtas. Forma semelhante à que utilizou para combater a Legion of Boom no Super Bowl XLIX.

A jogada acima mostra as rotas utilizadas no primeiro touchdown de Danny Amendola no jogo contra os Jaguars. Sem Edelman, Amendola foi o responsável por usar as rotas de opção com cortes curtos ao longo da temporada. Aqui, ele corre uma shallow cross contra uma marcação em zona, e reagindo ao posicionamento em zona dos linebackers, cruza o campo inteiro. As demais rotas têm o objetivo de atrair os jogadores dos Jaguars para o fundo da endzone.

Observe que Brady poderia ter tentado o backshoulder fade em Brandin Cooks alinhado de Split-end, mas esse é um passe de baixa taxa de conversão. Ele espera a segunda leitura e conta com Amendola ganhando jardas após a recepção para o touchdown.

O TD da virada contra os Jaguars é mais um exemplo de como Brady tem a paciência de esperar a melhor opção para o passe aparecer livre, bem como o excelente trabalho de Dante Scarnecchia com a linha ofensiva ao permitir que isso aconteça. Duas rotas dig ao fundo da endzone enquanto Cooks corre uma slant/out.

Brady espera Amendola aparecer em cima do “P de Patriots” na endzone e manda o passe perfeito, o tipo de conexão que só é possível graças à capacidade do QB de antecipar esse momento. Vitória por 24 a 20 e os Patriots vão para o oitavo Super Bowl comandados por Bill Belichick.

Pontos-chave para o Super Bowl

É tolice não considerar os Patriots como favoritos no Super Bowl LII, ao mesmo tempo que também não se deve descartar o trabalho dos Eagles. Conter o poderoso front seven dos Eagles é uma necessidade. David Andrews terá um trabalho primordial contra Fletcher Cox no A-Gap.

Ano passado em Houston vimos um Patriots que parecia despreparado (uma novidade) contra os Falcons e que conseguiu fazer história graças aos ajustes de intervalo. Esse tipo de previsão não é possível de ser feita, já que seria pretensão afirmar que os técnicos não se preparariam adequadamente para um jogo da grandeza do Super Bowl.

Com Gronkowski fora do protocolo de concussão, o TE terá sua segunda atuação na grande final totalmente saudável fisicamente, já que esteve fora ano passado e jogou machucado no Super Bowl XLVI, em Indianapolis. O terror dos matchups será mais uma vez o eixo motor dos recebedores do New England Patriots.

 

Análise Tática #25 – Parte 3: a defesa dos Eagles

A terceira parte da nossa análise sobre o Super Bowl contempla a defesa dos Eagles. A unidade coordenada por Jim Schwartz foi uma das melhores da temporada, e fator importante para o time ter conseguido a seed #1 mesmo com a lesão de Carson Wentz.

A defesa dos Eagles nos playoffs apareceu sobretudo no jogo da rodada divisional contra o Atlanta Falcons, segurando o time da Georgia a apenas 10 pontos. Nessa partida, o ponto-chave da atuação da Philadelphia foi a atuação na redzone, reduzindo Atlanta a um field goal logo no primeiro drive da partida e um touchdown três campanhas depois.

Defesa de Redzone

O primeiro drive dos Falcons estancou na redzone após 7 jogadas partindo da linha de 26 jardas do campo de defesa. Ao chegar na linha 17 do campo de ataque, os Falcons correram a primeira descida, completaram um passe de 3 jardas na segunda e um passe incompleto na terceira, resultando em um field goal de 33 jardas por Matt Bryant.

Claro que a inépcia ofensiva dos Falcons se deve muito à capacidade de Steve Sarkisian, mas aqui não vamos considerar a capacidade de Jim Schwartz de ajustar sua defesa no campo curto. Esse ajuste será importantíssimo no Super Bowl LII, pois seria inocência pensar que um ataque comandado Tom Brady não conseguirá chegar à redzone algumas vezes durante a partida. Reduzir os Patriots a field goals será substancial para que a defesa ajude o ataque dos Eagles mantenha o controle da partida.

Q1 10:38 – 1st & 10 at PHI 17

Observando a distribuição do front de Philadelphia, observamos que os Falcons parte de uma jogada com dois motions para uma formação pesada de corrida (Strong, com Levine Toilolo ao lado do LT) e uma outside zone para o weakside. Hooper e Alex Mack são os dois jogadores que pela filosofia de bloqueios em zona (“bloqueie o homem à sua frente ou ao seu lado no sentido em que vai a jogada”), atacam o segundo nível.

O único defensor que fica desbloqueado a priori é o LB Mychal Kendricks, camisa 95. Ele é o mesmo que fecha o tackle. Observe que o camisa 71 Wes Schweitzer tenta engajar um bloqueio em Kendricks, mas tarde demais e o Eagle fecha a jogada. Perda de uma jarda por Devonta Freeman.

Q2 09:58 – 2nd & 11 at PHI 18

Os Falcons tentam atacar a defesa dos Eagles com um passe rápido no flat, a partir de um conceito semelhante com o smash (forçando a barra, é verdade, mas preciso dar alguma referência). Apesar disso, Jalen Mills (camisa 31) consegue fechar o tackle marcando essa região do campo em zona.

O pass rush ataca com um 4-men-rush, porém a velocidade do passe de Matt Ryan permite que o passe fosse completo. Aqui, provavelmente era uma jogada de passe designado e o QB fez uma leitura rápida, Com 11 jardas para o first down, Mills consegue fechar bem o ângulo do tackle, evitando que Austin Hooper conseguisse contornar em direção à endzone. Ganho de três jardas, que colocou os Falcons em situação óbvia de passe.

Q1 09:14 – 3rd & 8 at PHI 15

Nessa jogada ficam claros dois pontos: a inépcia ofensiva dos Falcons em concentrar as rotas no miolo do campo, e a capacidade da defesa dos Eagles em ler rotas de opção. Esse tipo de rota não dá para ter certeza da existência e de como eles operam realmente, a menos que se tenha o playbook. Mas conseguimos ter pistas de acordo com a movimentação do wide receiver.

No nível mais simples, o WR atinge o mesh point e quebra a rota para uma direção ou outra de acordo com a marcação na região em que se encontra. Mas na maioria das vezes, o uso de rotas de opção tende a ser mais complexo que isso e exige uma coordenação de leitura absurda entre QB e WR. Em algumas situações em que vemos QBs lançando passes totalmente fora de alcance é por que provavelmente ocorreu uma falta de sintonia no sentido da leitura da opção correta.

Falando especificamente sobre a jogada, os Falcons concentraram 3 rotas cortando para a região central do campo, facilitando o trabalho da defesa dos Eagles. O backfield com formação splitbacks tem o objetivo de tentar abrir a defesa, mas não é o que acontece.

Quando a jogada se desenvolve, toda a possibilidade de Matt Ryan explorar os matchups nas rotas wheel acaba pela ferocidade do pass rush dos Eagles, e ele tem que agir rápido e procurar uma opção para soltar a bola. Ele encontra Taylor Gabriel próximo a linha de 10 jardas mas não é suficiente para converter em um novo grupo de descidas. Excelente defesa de redzone por parte dos Eagles.

A Pick Six contra os Vikings

O NFC Championship Game foi destacado pela explosividade do ataque dos Eagles utilizando a Run/Pass Option. Entretanto, a defesa dos Eagles conseguiu um touchdown quando a partida ainda estava empatada, o que ajudou a mudar o momentum.

Conceito semelhante ao dagger, enquanto a defesa dos Eagles responde com uma Cover 2-Man híbrida, com marcação individual apenas no recebedor Z, enquanto o outro lado da jogada permanece totalmente em marcação em zona. O alvo da jogada é Adam Thielen, alinhado no slot do lado direito, e executará uma rota corner.

Patrick Robinson alinhado em um espaço de 8 jardas de Thielen, dá a entender que está marcando individualmente, mas ao realizar o bump-and-run, ele permanece em zona. Keenum não percebe a mudança e lança a bola em Thielen. Robinson no meio do caminho, a intercepta e a leva para endzone.

Pontos-chave para o Super Bowl (Capitão Óbvio)

É de conhecimento geral de que a melhor forma para vencer Tom Brady é pressioná-lo pelo meio da linha. A forma utilizada por Steve Spagnuolo no Super Bowl XLII se tornou quase um mantra na mente dos adversários do New England Patriots nos playoffs desde então.

Claro que essa estratégia deu certo algumas vezes, como no Super Bowl XLII e XLVI e no AFC Championship Game da temporada de 2015, ao mesmo tempo em que o Atlanta Falcons sackou Tom Brady 5 vezes no Super Bowl LI e não conseguiu a vitória. Times como o Indianapolis Colts de 2006 e o Baltimore Ravens de 2012 conseguiram outras estratégias defensivas para vencer o New England Patriots.

Apesar disso, a melhor forma condizente com as capacidades do Philadelphia Eagles aqui é não ceder touchdowns em campanhas na redzone. Como observamos anteriormente, o time lida muito bem com coberturas híbridas. Essa habilidade da defesa de Jim Schwartz pode ser essencial no confronto de pranchetas contra Josh McDaniels.

Mesclar coberturas é essencial para dificultar a leitura de Tom Brady e principalmente não cair no erro do Atlanta Falcons e do Jacksonville Jaguars. Duas defesas fortes em marcação individual mas que na hora decisiva tiveram que mudar para coberturas em zona por causa do cansaço dos atletas. Se o Eagles conseguir marcar com a mesma eficiência das duas formas, tende a levar vantagem e ajudar o front seven a conseguir os sacks.

 

 

Análise Tática #25 – Parte 2: o ataque dos Eagles

A temporada de 2017 foi o ponto de virada do ataque do Philadelphia Eagles. Após o ano de calouro de Carson Wentz, em que houve uma clara regressão na metade final da temporada, os Eagles se tornaram o time mais quente da liga. O balanço com a defesa permitiu com que por semanas o mesmo fosse o melhor time da liga.

Semana 14 da temporada regular, lesão de Carson Wentz e todo o desdobramento que você já leu aqui, então vamos pular essa parte da história. Mas além de contar com o ótimo desempenho de um quarterback reserva, o trabalho de Doug Pederson (HC), Frank Reich (OC) e John DeFilippo (QB coach) foi de extrema importância para atenuar a queda de nível do ataque com Nick Foles.

A Run/Pass Option

Mas como esses três homens encontraram a solução mágica? Bem, imagino que o leitor tenha ouvido repetidamente na temporada regular o chamado termo RPO martelado a exaustão pelos comentaristas da televisão ou no twitter. A Run/Pass Option (ou Ridiculous Protection Offense) é uma forma de simplificar a leitura do quarterback.

Esse sistema foi uma alternativa que os treinadores, principalmente no High School ou no futebol americano universitário encontraram para produzir maiores ganhos de jarda por jogada e não massacrar jogadores novatos com leituras complexas de campo inteiro ou progressões. Os técnicos de NFL adotaram esses esquemas modernos com o mesmo objetivo, encontrar novas formas de vencer.

Na temporada de 2012, vimos a utilização da zone read option a partir de formações pistol, em que o QB lia o comportamento de um defensor específico (geralmente um edge rusher) e optava pelo handoff ao running-back ou corria ele mesmo.

Programas universitários como Army, Navy e Georgia Tech utilizam a triple-option flexbone offense, outro derivado desse conceito, baseado quase que exclusivamente em conceitos de jogo terrestre. A maioria da NCAA costuma adotar a RPO dentro de sistemas de spread offense

O processo da RPO consiste em fazer uma leitura pré-snap ou pós-snap e decidir pelo passe ou pela corrida. Uma jogada é construída adotando um sistema de bloqueios para corrida como base e um conceito de passe com recebedores espalhados pelo campo. A linha bloqueará como se fosse uma corrida e o quarterback observará a reação de um jogador específico que terá tarefa dupla na jogada. Tal atleta é chamado de conflict defender.

As leituras pré-snap em RPO

Um quarterback realiza duas leituras básicas quando trabalha em RPO: contar a relação de jogadores no box (box count read) e quantos defensores cercam a área onde estará seu recebedor primário (ratio read). Se há pelo menos um bloqueador para cada atleta no box, a situação está favorável para a corrida, portanto o QB realizará o hand off.

Caso contrário, deverá olhar para a região do campo designada e realizar contagem semelhante. Aqui, o trabalho do coordenador ofensivo na preparação pré-jogo é essencial, pois se identifica a região do passe e marca-se a hard deck line como limite, geralmente localizada a 7 jardas da linha de scrimmage. Jogadores de defesa além dessa linha não serão considerados, pois estão muito distantes para reagir a tempo e atacar a bola. Esse tipo de procedimento funciona muito bem quando a RPO é construída com conceitos de passe em screen.

As leituras pós-snap em RPO

Em jogadas de passe mais profundo, geralmente o quarterback precisará adotar uma leitura pós-snap. Nesse caso, ele deverá identificar o defensor que terá tarefas de passe e corrida na mesma jogada, outro ponto em que o coordenador ofensivo deverá ser importante.

Esse jogador em conflito tomará um movimento e com base nisso o quarterback tomará sua decisão. Se tal jogador for um linebacker ou um edge rusher, a linha ofensiva sequer precisará bloqueá-lo, tendo em vista que a dúvida sobre o que virá na jogada será o suficiente para tirá-lo de ação.

A Run/Pass Option aplicada pelos Eagles

O Eagles aproveitou a primeira jogada da partida contra os Vikings para testar a Run/Pass Option. Primeira jogada do primeiro drive e evidentemente, a defesa de Minnesota quer conter a ameaça de Jay Ajayi (DjeiAdjai) no jogo terrestre.

Essa condição é propícia para vender a ameaça da RPO, dando à defesa mais uma dimensão a se preocupar, e aumentar a complexidade dos ajustes que deverão ser feitos. Além de passe e corrida, a defesa tem a ameaça intermediária a se preocupar.

Observando a disposição dos atletas em campo, observamos Philadelphia alinhada em 11 personnel, partindo do shotgun e com um set de recebedores em 2×1. O Tight End está do lado direito e terá funções de bloqueio. Jay Ajayi está no strongside (mesmo lado que o TE) e executará uma inside zone junto com a linha.

Nick Foles fará as leituras tradicionais: observar a quantidade de safeties em campo, o posicionamento dos demais defensive backs. Dentro da Run/Pass Option, Foles realiza a box count e percebe que há mais defensores no box que bloqueadores, e a ratio read indica a situação favorável para o passe.

Antes do snap, ele precisa identificar o defensor em conflito, e aqui estamos facilitando e marcamos o mesmo com o quadrado azul. O traço laranja indica a direção que o mesmo tomará quando snap acontecer, em direção a corrida.

O snap ocorre, o defensor em conflito toma o passo em falso e Foles sabe que precisa executar o roll-out para a direita, permitindo que Nelson Agholor executa a rota shallow-cross marcada em laranja, cruzar o campo até o lado direito, em que haverá a vantagem numérica.

Terrance Newman não consegue antecipar a rota (observe os passinhos para trás) e Agholor terá a vantagem física na recepção. First down.

O contraponto: leitura tradicional

Para mostrar a diferença de análise durante uma jogada entre a Run/Pass Option e o Pro-Style, vamos observar uma jogada “normal”, em que Nick Foles executou os procedimentos que todo pocket passer deve fazer na NFL.

Observemos a disposição em campo dos atletas no touchdown longo de Philadelphia logo antes do intervalo. Os Eagles armaram um set de 3×1 recebedores partindo de um 11 personnel no shotgun. O TE Zach Ertz está alinhado em spread, como se fosse um wide receiver, ainda que no slot. Isso indica para a defesa que o mesmo provavelmente correrá uma rota.

Nesse screenshot logo antes do snap, podemos identificar os safeties em campo. Um mais próximo ao box e outro mais distante. Pela situação de relógio e descida-distância, podemos determinar mesmo sem ver as rotas desenhadas, que a jogada será um passe. Outro ponto que ajuda a confirmar isso, basta observar o posicionamento dos jogadores de linha ofensiva, em dois apoios, postura adotada geralmente para recuar e proteger o quarterback.

Quando a jogada se desenvolve, observamos que as rotas dos três recebedores alinhados na parte superior têm o objetivo de inundar o lado esquerdo do campo, atraindo a defesa para lá (conceito flood). Duas rotas out que se quebram em profundidades diferentes e uma rota go.

Do lado direito, vemos Alshon Jeffery vendendo ao seu marcador uma rota post que termina na linha de 35 do campo de ataque. Como o defensor reagiu a esse hook up, Jeffery aproveita-se para criar a separação em direção ao fundo do campo.

Agora concentremos as nossas atenções em como Nick Foles observa o front dos Vikings. É essencial ao trabalho de todo quarterback identificar as techniques dos jogadores de linha defensiva, o que o ajudará a determinar de onde virá a pressão.

Antes do snap, Foles ajusta a pressão, indicando ao left tackle para atentar-se ao speed rush de Everson Griffen. Minnesota tem dois rushers alinhados abertos, formando a wide-9 tech, estância típica de quando o front tem certeza de que vai defender o passe. Danielle Hunter ainda se desloca em stunt para o A-gap, buscando confundir os bloqueios, mas é contido pelo center Jason Kelce, que estava flutuando entre os assignments.

No pass-block tradicional, geralmente os jogadores de linha ofensiva bloqueiam regiões que formam um semicírculo em volta do quarterback. Se algum jogador de defesa estiver pressionando o QB dentro desse determinado ângulo, o jogador de OL responsável pelo tal deverá efetuar o bloqueio. Os stunts são exatamente criados para confundir os bloqueadores quanto a suas tarefas, mas aqui não foi o caso, pela excelente linha ofensiva dos Eagles, mesmo com o desfalque do LT titular Jason Peters.

Voltando ao comportamento de Nick Foles na jogada, observe como ele mantém a cabeça virada para sua esquerda enquanto navega pelo pocket. Enfrentando uma cover 3, ele tenta atrair o safety do meio àquela direção. Foles quase sofre o sack por Griffen, mas ele consegue escalar o pocket até o ponto amarelo e se livrar dos rushers. Nesse momento, ele vira o rosto para a direita e conecta a big play com Alshon Jeffery.

Observando o desenvolvimento da jogada em campo aberto, conseguimos compreender que é nesse momento em que Jeffery consegue a separação em direção à endzone. TD e os Eagles viravam a partida antes do intervalo.

Run/Pass Option versus Pro-Style

Apesar de RPO ser o termo da moda e diferentes técnicos na liga estarem utilizando conceitos em seus playbooks, a leitura em estilo profissional ainda será por muito tempo a mais adequada a se vencer na liga. Dificilmente, veremos um time executar as jogadas de opção como base de seus ataques, mas é claro que essa nova dimensão dada ao jogo merece ser explorada, criando novas formas de vencer os oponentes.

Contra os Patriots, será essencial que o ataque comandado por Doug Pederson saiba executar bem as jogadas de opção e dosá-las na quantidade correta quanto aos conceitos profissionais. A defesa de Bill Belichick é a que melhor se prepara contra o adversário na liga, ainda mais quando o técnico tem duas semanas para explorar jogos anteriores e detectar tendências.

Nenhum time é capaz de vencer os Patriots jogando bem apenas de um lado da bola. A relação de interdependência entre ataque e defesa dos Eagles será importantíssima para que o time consiga manter Brady fora de campo e construir vantagem no placar. Para isso, o time precisará executar suas jogadas, no sistema que for, em um nível próximo a perfeição.

Análise Tática #25 – Especial Super Bowl LII

O ápice da temporada, o maior evento esportivo anual do planeta. O Super Bowl LII em Minneapolis está definido e será o confronto entre o New England Patriots e o Philadelphia Eagles.

Enquanto os Patriots buscam o sexto título de sua história, os Eagles buscam seu primeiro na era Super Bowl. Vencedores nas edições XXXVI (2001), XXXVIII (2003), XXXIX (2004), XLIX (2014) e LI (2016), o time de Massachusetts busca o título em anos consecutivos pela primeira vez desde 2004.

A principal força do time de New England é o ataque comandado pelo QB Tom Brady (prazer, Capitão Óbvio), líder na maioria das estatísticas avançadas, e provavelmente será anunciado MVP no sábado anterior à final.

A defesa do time teve momentos de dúvidas após a lesão de Dont’a Hightower e pela instabilidade do pass-rush. Nos playoffs, a unidade coordenada por Matt Patricia contornou as dificuldades e apareceu em momentos importantes contra Tennessee e Jacskonville, em que pese ter enfrentado ataques pouco explosivos.

Já o Philadelphia Eagles, melhor time da temporada regular, contornou lesões em posições importantes (QB Carson Wentz, LT Jason Peters, RB Darren Sproles e LB Jordan Hicks) e finalizou a primeira posição da NFC.

Nos playoffs, os Eagles contaram principalmente com sua defesa para vencer os Falcons e com a excelente atuação de Nick Foles para bater os Vikings.

Em razão do ponto máximo da temporada, a análise tática das próximas duas semanas virá em textos separados para cada unidade de cada time, (à exceção do special teams). Dois por semana. O espaço amostral da análise será determinado pelas duas partidas de cada time nos playoffs. Confira cada análise nos links abaixo: