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A última cartada?

Enquanto Drew Brees for o quarterback do New Orleans Saints, eles continuarão sendo candidatos ao título da NFC. Com seu franchise QB completando 39 anos, porém, a franquia está ciente de que sua janela para alcançar mais um Super Bowl está se fechando rapidamente.

Sean Payton é um treinador muito inteligente – afinal, ele está milionário graças a um devaneio em forma de onside kick em uma já distante noite de fevereiro de 2010 – e sabe que precisa deixar tudo em campo nesta temporada.

Como mencionado, Drew completou 39 primaveras na última offseason e, bem, com 38 ele alcançou quase 4400 jardas, 23 TDs e teve apenas oito interceptações – vale lembrar: se não fosse por um erro bizarro, teria levado o Saints ao NFC Championship. Mas como já diria meu avô: “se tivesse um rio aqui, eu estaria pescando – e não falando besteira”.

De qualquer forma, aqueles mais atentos aos números poderão afirmar que 2017 indica um declínio na carreira de um dos grandes quarterbacks da história – para comparar, em 2016, Brees (mais uma vez), havia ultrapassado as 5000 jardas (com 37 touchdowns).

Os números, porém, ocultam outra verdade: pela primeira vez, me muito tempo, New Orleans não dependeu exclusivamente de seu ataque aéreo e pôde avançar pelo chão – se iniciou o último ano com Adrian Peterson (por que, meu Deus?), Mark Ingram e Alvin Kamara, logo ficou claro que aposta em AP era uma furada, e errado é quem esperava diferente. Brees continuou extremamente preciso (72% das tentativas completadas na temporada passada) e, embora a força de seu braço tenha naturalmente diminuído, ele compensa com inteligência: poucos são tão eficientes em identificar e adaptar a jogada ao ponto fraco do adversário quando ele é exposto.

E mesmo que Ingram tenha tido números relativamente sólidos, foi Kamara quem impressionou: com uma média de mais de 6 jardas por tentativa, o rookie RB ainda conseguiu 826 jardas aéreas (em apenas 81 tentativas, média superior a 10), marcando 13 TDs em seu primeiro ano na NFL.

As recepções de Kamara, aliás, são um caso à parte: muitas delas não fazem o menor conexão com a lógica, são apenas momentos em que alguma entidade divina que controla o esporte escancara diante de nossos olhos que nada faz sentido e você precisa lidar com isso; Brees simplesmente atirava a bola para o lado e Alvin encontrava espaços – espaços estes que devem aumentar em 2018, mesmo que Ingram esteja suspenso pelos quatro primeiros jogos (para seu lugar o Saints trouxe Terrance West e, bem, não vamos perder tempo com ele).

Com o ataque terrestre a ponto de se consolidar entre os melhores da liga, os Saints tentam aperfeiçoar as opções aéreas: na offseason buscaram Cameron Meredith (ex-Chicago Bears), que parecia destinado a um ano sólido, interrompido por uma lesão ainda na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada!).

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Meredith terá ao seu lado Michael Thomas (196 recepções em apenas dois anos), alvo em total sinergia com Drew, sobretudo em na redzone ou em 3rd downs – quanto a Ted Ginn, bem sejamos justos e adotemos a mesma diretriz estabelecida com Terrance West: vamos apenas seguir em frente.

Para suprir a ausência (haha) de Coby Fleener na posição de TE, o Saints tentou repatriar Jimmy Graham (que não superou o divórcio e escolheu Green Bay) e, como consolação, trouxe dos mortos Ben Watson (37 anos e 61 recepções por Baltimore na última temporada, contra 74 recepções para 825 jardas pelo próprio Saints dois anos atrás).

Já a linha ofensiva, se não é um PUDIM, está longe de ser um SAGU: saudável, Terron Armstead é um excelente jogador e, bem, Ryan Ramczyk, é uma futura estrela (aceitem) e extremamente eficaz pelo lado esquerdo.

O outro lado da bola

Após anos fedendo, New Orleans investiu alto, seja com escolhas de draft ou mesmo queimando dólares desesperadamente na free agency, para reformular o sistema defensivo. Os resultados começaram a aparecer – e se não estamos no céu, a 17ª posição em 2017 é algo a se comemorar.

O ponto de virada para o Saints voltar a disputar a NFC South, porém, foi a secundária: Marshon Lattimore se provou uma excelente escolha e surgiu como uma melhores CBs da liga – ao seu lado, Ken Crawley, apenas de não ter o mesmo nível, é um bom atleta e eficaz dentro do sistema.

Já a sólida temporada rookie do S Marcus Williams, porém, foi ofuscada após o tackle frustrado em Steffon Diggs – mas uma aposta certeira é que Williams tem talento para superar o peso de sua falha. Na linha defensiva, o DE Cameron Jordan segue como referência: vindo de uma temporada em que teve 13.5 sacks, Jordan é considerado uma dos melhores atletas da posição e líder indiscutível em New Orleans.

Ao seu lado estará Marcus Davenport, selecionado com a 14ª escolha no último draft em um trade up que, bem, ninguém entendeu – agora as expectativas com Marcus são extremamente altas, apesar de ser mais cru que aquele churrasquinho de esquina. Há ainda Sheldon Rankins, que sofreu com lesões em seu primeiro ano, mas melhorou consideravelmente em sua segunda temporada, e Tyeler Davison, selecionado na quinta rodada e que, dizem os especialistas (a equipe Pick Six não se enquadra, tampouco pretende, estar nesta categoria), será eficiente contra o jogo corrido. Spoiler: você, caro leitor, verá jogos dos Saints e provavelmente não notará a existência do jogador.

Palpite:

New Orleans acredita que os últimos anos investindo em talento defensivo darão ainda mais resultado; Sean Payton, claro, sabe que não pode assistir seu QB envelhecer marcando 40 pontos por jogo (enquanto a defesa entrega 50): ele já fez isso por dois ou três anos, é hora de adotar uma nova estratégia. Em um cenário catastrófico, bem, talvez eu esteja cego pela paixão por ter apreciado Drew Brees nos últimos anos e não consiga ver uma ou outra falha já evidente em seu jogo (não consigo e, bem, tentar me mostrar não irá adiantar). De todo modo, hoje o Saints têm um dos melhores sistemas ofensivos da liga e uma defesa (compreensivelmente) subestimada (após anos cheirando cocô). Em um cenário em que Tampa Bay é uma eterna incógnita, Steve Sarkisian está em um projeto consolidado para destruir o ataque do Falcons e Cam Newton pode dar um chilique a qualquer momento, vencer a NFC South – e 10 jogos, apesar da tabela ingrata – não é uma aposta tão insegura assim. Depois disso, basta torcer para que ninguém tenha uma pane mental na pós-temporada.

Nota do editor: o chefe do site adora parênteses e regionalismos da Rússia Brasileira.

A (des)construção de legados

Há três anos, Cam Newton foi eleito o jogador mais valioso da NFL. Na mesma temporada, chegou ao Super Bowl e esteve muito perto de conquistar o Lombardy Trophy. Seu nome não foi escrito na história como vencedor; do outro lado havia um time melhor, é claro, mas é importante lembrar que, no último quarto da maior partida de sua vida, Newton hesitou em pular na bola em um fumble que ele mesmo sofreu. Apenas parou, contemplou a bola na sua frente e assistiu o Denver Broncos recuperar a posse e virtualmente ganhar a partida.

A jogada é um reflexo da montanha-russa que é a carreira de Cam Newton. No mesmo ano em que se tornou o melhor jogador da liga, desistiu de lutar em um lance que daria ao seu time a chance de virar o jogo. Parece apenas mais uma jogada – e realmente um atleta não pode ser julgado por uma decisão questionável em uma fração de segundos – mas escancara que Cam é o QB dos extremos: quando está bem, não é possível pará-lo; quando está mal, vai direto para o fundo do poço.

Apesar das oscilações, é possível dizer que Newton tem, sem dúvidas, uma boa carreira na NFL. Sua habilidade como corredor o torna uma arma única na história da liga. Apenas Michael Vick e Randall Cunningham tem mais jardas corridas entre QBs. Newton, em apenas sete temporadas, já tem o recorde da liga de TDs corridos por QBs, com 54. Em compensação, lançando a bola, tem apenas uma temporada com mais de quatro mil jardas e apenas em 2015 ultrapassou a marca de 30 TDs passados. Além disso, em  todas as temporadas como profissional, lançou mais de dez interceptações.

Newton é um bom jogador e tem qualidades peculiares, mas a diferença entre seus números como passador e como corredor impede que ele seja colocado entre os grandes QBs. A falta de um título também. Joe Flacco e Eli Manning sabem como uma carreira pode ser alavancada quando um troféu está em suas mãos. Aos 29 anos, e ainda em busca de um Super Bowl, Cam Newton se aproxima de uma fase em sua carreira que definirá como ele será lembrado.

O texto chega em seu quinto parágrafo e o nome do time em que Cam Newton joga ainda não foi mencionado. É estranho, já que o objetivo é antecipar a temporada do time – e não do atleta. Mas é perfeitamente justificável, já que, por bem ou por mal, Cam Newton é o Carolina Panthers. E o Carolina Panthers é Cam Newton.

A chegada de Norv Turner

Coordenadores ofensivos são peças valiosas no jogo de xadrez da NFL. O Atlanta Falcons, que passou de Kyle Shanahan para Steve Sarkisian e teve uma queda de produção considerável, pode confirmar esse ponto. Desde que entrou na NFL, em 2011, Cam Newton sempre teve ao seu lado Mike Shula – nos primeiros anos como técnico de QBs e depois como coordenador ofensivo.

Não é exagero dizer que muito do que Newton é vem de Mike Shula, que foi demitido após o fim da temporada 2017. De acordo com o head coach Ron Rivera, a demissão foi o resultado do desejo de trazer novas ideias para um ataque que não conseguia mais brilhar desde a espetacular temporada de 2015, que rendeu o prêmio de MVP para Newton.

O substituto é Norv Turner, um dos mais notáveis coordenadores ofensivos da NFL nos últimos anos, que agora fará parte da construção da parte final do legado de Cam Newton. O casamento parece promissor. Turner teve sucesso com QBs como Philip Rivers, que tem as mesmas características de Newton como passer: grandes, com braços fortes, que exploram passes em profundidade.

Turner provavelmente tentará explorar a força física de Cam e não a sua (falta de) precisão em passes curtos. É fundamental, é claro, que Newton não tenha o seu diferencial prejudicado: ele não pode parar de correr. De qualquer forma, Turner pode trazer o oxigênio que faltava para a carreira de um QB que parece ter atingido seu auge como passador em 2015.

Para colocar em prática o ataque vertical de Norv Turner, Cam terá a sua disposição os velhos conhecidos Greg Olsen e Devin Funchess. Olsen não é um dos tight ends mais talentosos da liga, mas é um dos mais eficientes. Seu entrosamento com Newton é notável e a diferença do ataque sem Olsen, que perdeu várias semanas em 2017 com uma contusão no pé, é mais notável ainda. Funchess não é um grande jogador, mas já se mostrou útil em algumas oportunidades e agora tem a missão de substituir Kelvin Benjamin, que também não é nenhum primor, pela temporada inteira.

Porém, Olsen e Funchess não parecem ser suficientes para o que o Panthers pretende fazer em 2018. No draft, o time gastou uma escolha de primeiro round no WR D.J. Moore, que vem causando frisson na pré-temporada com sua habilidade pós-recepção. Moore pode acrescentar uma nova dimensão ao ataque do Panthers. Além dele, também chegou o veterano Torrey Smith, que a essa altura de sua carreira não parece capaz de causar muitos estragos.

Além de colocar o ataque aéreo para funcionar, o Panthers precisa achar uma maneira de obter ainda mais da sua escolha de primeiro round de 2017. Christian McCaffrey teve um desempenho sólido em 2017, mas apresentou dificuldades especialmente correndo entre os tackles. Como a habilidade principal McCaffrey não é quebrá-los, Turner terá que usar a criatividade para extrair tudo o que uma escolha tão alta precisa proporcionar ao time. Para fazer o trabalho sujo, chega o bom CJ Anderson, que parece ser um substituto ideal para o dispensado Jonathan Stewart.

Um baita front seven

Quando se fala em Carolina Panthers, é natural que a figura de Cam Newton venha à mente. Mas o Panthers tem a sorte de ter um franchise player tanto no ataque quanto na defesa. Luke Kuechly é o melhor middle linebacker da liga e comanda um dos front sevens mais temidos da NFL.

Kuechly é tão bom que, se não fosse ofuscado pela presença de Cam, seria tão badalado quanto JJ Watt e Von Miller. Junto com Thomas Davis e Shaq Thompson, Kuechly forma o melhor grupo de LBs da liga. Porém, nem tudo é perfeito: Kuechly passou pelo protocolo de concussão nas últimas três temporadas e Thomas Davis está suspenso pelos quatro primeiros jogos.

A linha defensiva, que em 2017 terminou a temporada em terceiro em número de sacks, perdeu o bom Star Lotulelei. Dontari Poe (que já concedeu entrevista ao Pick Six e é um dos maiores QBs da história), chega para substituí-lo.

Ao seu lado, na posição de tackle, Kawann Short é bastante efetivo. Os defensive ends são idosos, mas continuam mostrando trabalho. Julius Peppers e Mario Addison lideraram o time em sacks no ano passado, com 11 cada. Resta saber até quando vão durar, já que ambos estão na casa dos 30 anos.

É fundamental que o front seven faça um bom trabalho, pois as deficiências da secundária precisam ser compensadas. Não se sabe quem vai jogar do lado oposto a James Bradberry, que não é conhecido por fazer grandes jogadas.

Os demais jogadores que compõe a unidade, como Mike Adams e Captain Munnerlyn (que deveria ganhar o prêmio de nome mais valioso), são veteranos medianos que já não estão mais no auge. É difícil imaginar essa secundária tendo que enfrentar os ataques de New Orleans Saints e Atlanta Falcons duas vezes por ano e não sendo dizimada. É rezar para que o front seven não permita que a bola nem seja lançada.

Palpite

O Carolina Panthers de 2017 era um bom time, mas teve um pouco de sorte de chegar ao recorde de 11-5. Dos oito jogos com placares apertados, o time ganhou sete. Dificilmente essa marca será repetida. É provável que o Panthers figure no famigerado quadrinho “in the hunt” das televisões americanas até o fim da temporada, mas é difícil imaginar um cenário com mais de nove vitórias. Na NFC, que tem por volta de dez times que podem tranquilamente chegar aos playoffs, não é suficiente. A base do time é forte, mas falta um pouquinho mais para competir com New Orleans Saints e Atlanta Falcons. É possível cravar um 9-7 e Cam Newton sentado no sofá em Janeiro. Pelo menos ninguém vai reclamar que ele não pulou na bola.

Torcendo para manteiga cair virada para cima

Regressão é um conceito estatístico que pode ser aplicado quando se observa uma variação muito diferente entre amostras de dados. Fazendo um mea culpa por esse momento monóculo, esse conceito ilustra bem as duas últimas temporadas do Atlanta Falcons. Um time que esteve a 25 pontos do paraíso em 2016 (nunca poderemos nos esquecer da vantagem de 28 a 3 ao fim do terceiro quarto no Super Bowl), mostrou-se muito menos explosivo em 2017.

A queda de produção no ataque

Em 2016, Matt Ryan foi MVP em um ataque que se tornou referência de jogo moderno na NFL, ao contar com aplicação de conceitos clássicos já estabelecidos no modelo profissional, além da adição de elementos de College Football. Tudo era lindo até que o sistema se mostrou vítima da própria complexidade no Super Bowl, quando se precisava de chamadas mais simples para queimar tempo. Em 2017, esse cenário mudou.

A substituição de Kyle Shanahan por Steve Sarkisian, vindo de passagens por USC e Alabama, foi como cancelar o pacote de internet mais foda que você tem disponível na sua cidade (ESPAÇO DESTINADO À MARCAS INTERESSADAS EM PARCERIAS) e voltar para a internet discada.

Nos primeiros jogos, Sarkisian até tentou manter os conceitos do ataque, muito pela manutenção das peças, mas à medida em que a temporada foi avançando, as tendências ficaram gravadas em game tape, tornando complicada a missão de manter o nível ofensivo.

“Você se importaria em chamar as jogadas no meu lugar?”

Sarkisian foi criticado principalmente por diminuir o envolvimento do WR Julio Jones na endzone: Julio recebeu apenas 3 TDs na temporada. A falta de capacidade do coordenador de variar as chamadas de acordo com a situação de campo fez com que o ataque emperrasse por muitas vezes na redzone. Um exemplo dessa inépcia são as duas partidas nos playoffs. Após uma vitória improvável contra os Rams em Los Angeles, em que a defesa se sobressaiu para parar o ataque mais prolífico da temporada, uma ida à Philadelphia. Um jogo bem feio.

O ataque teve o último drive da partida, com placar em 15 a 10. Após chegar a redzone com uma sequência de boas jogadas, duas tentativas de fade (aquela que, no Madden, você muda no audible) para Julio Jones, uma delas com rollout, determinaram o destino de Atlanta. Os Falcons terminaram o ano com um record 10-6, e a regressão se mostrou clara nas estatísticas das principais peças do ataque. Comparando, Matt Ryan foi de uma temporada de 4944 jardas e 38 TDs para 4095 jardas e 20 TDs, mesmo com as peças em 2017 sendo praticamente as mesmas de 2016.

Para o infortúnio do torcedor do estado da Georgia, não houve manutenção do elenco para 2018, com o time perdendo os WRs Taylor Gabriel e Andre Roberts e o TE Levine Toilolo. Via Draft, Atlanta adicionou o WR Calvin Ridley (escolha de primeira rodada) e o RB Ito Smith. Ridley é apontado como um grande corredor de rotas e provavelmente terá uma transição tranquila para o jogo profissional, o que não ocorre com a maioria dos recebedores.

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No papel, um ataque com Matt Ryan, Julio Jones, Mohamed Sanu, Calvin Ridley, Austin Hooper, Jake Matthews, Alex Mack, Andy Levitre, Tevin Coleman e Devonta Freeman é bastante talentoso, mas fica a dúvida se Sarkisian será capaz de fazer tanto talento corresponder dentro de campo. Se o cenário não mudar, é provável que o coordenador ofensivo entregue o boné ao fim da temporada, o que já deveria ter sido feito, inclusive.

Uma defesa modelo

Se o ataque dos Falcons foi decepção, o torcedor não pode reclamar da defesa (na realidade, até pode, pois é inalienável o direito do torcedor à corneta gratuita e injustificável – especialmente quando sua defesa permite AQUELA conversão de terceira descida). A unidade, construída com a velocidade como foco, deu um grande passo em 2017 para se tornar uma das grandes forças na NFL. O trabalho de Dan Quinn vem dando resultados e é possível ver evoluções inclusive em relação à sua passagem pelo Seahawks.

“Excuse me, but I’ll take this.”

Nomes como Takkarist McKinley, Grady Jarrett, Keanu Neal, De’Vondre Campbell, Desmond Trufant, Robert Alford, além dos principais destaques: Vic Beasley e Deion Jones. Um time muito jovem e talentoso, que ainda terá destaque por pelo menos as próximas cinco temporadas. Apesar de uma regressão de Beasley no número de sacks, o time aumentou a quantidade de pressões em relação a 2016 e viu os holofotes se voltarem para Deion Jones, atualmente um dos melhores linebackers da liga. À medida em que essa jovem defesa se torna mais experiente, vai roubando espaço com uma das melhores da liga.

A disponibilidade de talento no lado defensivo da bola em Atlanta é enorme, o que se evidencia pelo fato de que, mesmo após as saídas de Dontari Poe e Adrian Clayborn, a expectativa para 2018 é de melhora.

Precisamos falar sobre Special Teams

Apesar de um visível contrabalanço na gestão de ataque e defesa dos Falcons, o fiel da balança para o time salvar o pescoço de Steve Sarkisian está no special teams. Espera-se que a defesa segure ataques logo no início dos drives, com sua agressividade e velocidade. Se o ataque emperrar, a atuação do punter Matt Bosher e do kicker Matt Bryant será essencial como forma de desafogo. O punter pode colocar a defesa em situação de anotar pontos através de turnovers, enquanto o kicker pode garantir aqueles field goals longos essenciais a um ataque que pouco produz quando o campo diminui. Para isso, o Falcons conta com dois dos melhores jogadores da NFL nesse quesito, capazes de ter importante contribuição para o placar das partidas.

Nota do editor: perceba a fé que o jovem tem nos esquemas de Steve Sarkisian. 

Palpite

É praticamente impossível prever o desenrolar da NFC South, que conta com três times que foram aos playoffs em 2017 e ainda tem condições de repetir o feito. Em uma divisão que é uma legítima briga de foice no escuro, não perder jogos para o Tampa Bay Buccaneers em pura implosão será obrigatório. Enquanto isso, a tabela não facilita em nada, com confrontos contra Eagles, Panthers, Saints e Steelers em quatro das cinco primeiras semanas.

O time é talentoso, mas terá que lidar com o azar de ter uma força de tabela muito alta devido à sua divisão. Podemos visualizar um cenário em que o Falcons encaixe uma campanha de 14 vitórias e garanta uma semana de descanso nos playoffs. Mas também pode acontecer de o time “trocar” derrotas com os rivais de divisão, precisando fazer contas para entrar no Wild Card. Tudo parece estar nas mãos do ataque comandado por Steve Sarkisian. A unidade deve ser o fiel da balança ao final da temporada. Com base no histórico do coordenador ofensivo, isso não acontecerá e o time pode terminar o ano entre 8 e 10 vitórias. 

Os Jovens Titãs e seu novo líder

Vale recapitular a bela história de impossibilidade do ano passado. Semana 13, o time de Mike Mularkey chegava a um 8-4, empatado com os Jaguars, que chamavam muito mais atenção – sem muito alarde e brilho, parecia claro que Mariota e seus amigos chegariam pela primeira vez aos playoffs.

Entretanto, três derrotas seguidas (em que sequer conseguiu interceptar Gabbert, e depois se mostrou muito menor que Garoppolo e Goff) deixaram Jacksonville fora de alcance e a batata do treinador claramente assando – então todos já relembravam que Mularkey nunca foi tão bom assim.

Os Titans chegaram na última rodada com boas chances de se classificar: bastava vencer o Jaguars, carregados pela defesa e buscando embalar para a pós-temporada (já classificados) eliminando um rival de divisão (não que as rivalidades da AFC South, entre times que mal chegaram à maioridade, seja grande coisa): parecia a receita perfeita para derrubar um treinador na corda bamba.

Mas eles voltaram aos playoffs pela primeira vez desde 2008. Mesmo assim, todos sabiam que Mularkey era fraco e apenas chegar em janeiro não mudaria essa impressão. Além disso, os Titans enfrentariam uma equipe muito superior, os Chiefs, favoritos por 9 pontos e que abriram 18 ainda no primeiro tempo.

Parecia, óbvia e finalmente, o fim de Mularkey (sério: esse texto foi lançado no meio do jogo). Com direito a TD recebido de Marcus Mariota (antes de Nick Foles) lançado por ele mesmo, os Titans viraram e venceram a primeira partida na pós-temporada desde 2003.

No momento em que Mularkey parecia garantido por ao menos mais um ano – afinal, fora muito mais longe do que se esperava no início de 2017 e até ali nós, pessoas de bem, não podíamos resistir a sonhar com uma vitória sobre o Patriots.

Um 35-14 simples, entretanto, foi o suficiente para provar que a diretoria em Tennessee estava apenas esperando que o time entrasse de férias para se livrar de um Mike. Para seu lugar, trouxeram outro Mike, o Vrabel.

Fé no pai que agora vai.

Uma defesa de talento

Algo que sempre será questionado, até que um deles quebre a maldição, é se os treinadores da “árvore” de Bill Belichick são realmente bons, ou apenas tiveram a sorte de parecer úteis à sombra do mestre.

Com Mike Vrabel, o questionamento não será diferente: apesar de ter sido comprovadamente um grande líder nos tempos de jogador, com 14 temporadas e três Super Bowls conquistados, amado e elogiado por muitos, seus resultados como treinador se limitam a ter lidado com grandes LBs nos Texans (que já eram talentosos, como Clowney, Cushing ou Mercilus) e, em seguida, ter liderado a pior defesa (em número de pontos cedidos) em Houston em 2017.

A sorte de Vrabel é que ele continuará trabalhando com jogadores talentosos do lado defensivo. Os craques são o All-Pro Safety Kevin Byard, que produziu incríveis oito interceptações em 2017, e o Pro Bowler DL Jurrell Casey, ambos jogadores que não tem na mídia espaço equivalente ao seu talento.

E Kevin Byard não está sozinho na secundária, que mesmo assim esteve na parte de baixo das jardas aéreas cedidas: o CB recém-contratado Malcolm Butler e o já estabelecido Logan Ryan, bicampeões do Super Bowl por New England, devem ser titulares, enquanto os jovens LeShaun Sims e Adoree Jackson brigam pela terceira posição enquanto não desbancam Ryan (vai acontecer).

O time ainda terá uma disputa interessante entre Kendrick Lewis e Kenny Vaccaro para complementar a dupla de Safeties, jogadores que já mostraram talento, mas ainda não conseguiram se firmar.

O front seven também apresenta novidades. Rashaan Evans tem tudo para seguir uma longa tradição de grandes ILBs de Alabama na NFL, desde que a lesão misteriosa (Mike Vrabel não discute lesões na pré-temporada) sofrida no training camp seja apenas algo leve.

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Por outro lado, Harold Landry foi selecionado para colaborar com a rotação e melhorar os números dos pass rushers com Brian Orakpo e Derrick Morgan, que produziram apenas 14.5 sacks em 2017 – número insuficiente, que reflete diretamente na secundária. Por último, a linha adicionou 143kg de puro Bennie Logan para substituir o decepcionante Sylvester Williams, que durou apenas um de seus três anos de contrato.

Ataque também conta com nova liderança

Talvez a contratação mais interessante do time de treinadores dos Titans não seja Mike Vrabel. Como o head coach vem de uma carreira inteira dedicada à defesa, é natural que ele tenha mais conhecimento e uma vontade maior de lidar com esse setor do time – o que abre espaço para um líder do ataque (pense em Kyle Shanahan/Dan Quinn e Pat Shurmur/Mike Zimmer).

O nome desse cidadão é Matt LaFleur, que sai da sombra de Sean McVay em Los Angeles, tendo trabalhado também nos Redskins de RG3 e Cousins e com Kyle Shanahan nos Falcons.

Seu desafio é fazer com Mariota o que fez com Jared Goff – podendo trabalhar as devidas proporções, claro. Por um lado, os Rams contavam com WRs de verdade e Sean McVay para dar apoio; por outro, Mariota tem alguma experiência e já fez boas apresentações, demonstrando mais talento do que Goff havia demonstrado antes de LaFleur.

Além disso, Jared nunca lançou um passe para ele mesmo nos playoffs (na realidade, Mariota é o único a realizar o feito). De qualquer forma, se o efeito LaFleur for qualquer coisa próxima da evolução de 6 TDs em 7 jogos para 28 TDs em 15 pela qual passou Goff, Mariota (que produziu 28 TDs e apenas 9 turnovers em 2016) deverá ser brilhante em 2018.

É válido relembrar a temporada de 2016 porque lá Mariota também não tinha grande alvos: pelo terceiro ano consecutivo, Delanie Walker e Rishard Matthews (quase 200 bolas lançadas na direção de cada um nos últimos dois anos, enquanto Demarco Murray, já fora do time, vem em um distante terceiro lugar com 114) são as opções mais sólidas.

A grande expectativa para melhorar as opções do jovem QB fica por um grande ano de Corey Davis, 5ª escolha do draft de 2017 que teve problemas com lesões durante a temporada passada, mas recebeu seus dois primeiros TDs na NFL no último jogo da temporada, contra os Patriots. Corey tem a obrigação de se colocar como WR1 de Mariota para não ser considerado um bust.

Se os recebedores não empolgam, a dupla de backfield, porém, conseguiu ficar ainda mais interessante. Derrick Henry recebe finalmente o título de carregador de piano e segundo jogador mais importante desse ataque com a saída já mencionada do (surpreendentemente) velho Demarco – menos de 300 tentativas e 10 TDs para ele, aproveitando um novo estilo de chamadas de ataque, buscando abrir espaços para Mariota brincar.

Para complementá-lo, os Titans trouxeram o baixinho Dion Lewis, que esteve presente nos 16 jogos da temporada pela primeira vez em 2018 e, mesmo entre os 15 RBs que os Patriots costumam utilizar, produziu incríveis 896 jardas. Uma excelente dupla para fazer companhia ao quarterback atrás da linha.

Nunca falamos o suficiente da linha ofensiva

Aqui importante dar destaque para o trabalho que Tennessee está fazendo: o LT Taylor Lewan, que foi ao Pro Bowl nas últimas duas temporadas, recebeu um novo contrato valendo 80M durante a pré-temporada. O RG Josh Kline foi outro que renovou com a equipe (26M, 4 anos) e o C Ben Jones é uma âncora sólida.

O RT Jack Conklin (All-Pro em 2016, quando rookie) infelizmente sofreu uma lesão no joelho contra os Patriots nos playoffs, mas o time se preparou bem ao proporcionar tempo para ele se recuperar e, de quebra, encontrar um LG no processo, competindo com os já presentes Quinton Spain e Dennis Kelly.

O Titans ainda trouxe Xavier Su’a-Filo (LG titular dos Texans e 33ª escolha do draft de 2013) e Kevin Pamphile (LG titular nos Buccaneers). Quando essas disputas se definirem, será fácil cravar que Mariota e Henry terão uma bela proteção.

Palpite

Talvez Tennessee seja o time mais equilibrado de uma divisão que poderia ter qualquer uma das quatro franquias brigando forte nos playoffs, caso tudo encaixasse da maneira esperada. Como a equipe nunca venceu Andrew Luck e tomou incríveis 57 (!!!) pontos de um Deshaun Watson saudável, fica claro o que poderá segurá-los mais longe do céu. Ambos fatores serão decisivos para uma arrancada inicial: 6 ou 7 vitórias até o primeiro jogo contra Luck, que pode já ter voltado dos mortos até lá, não são inimagináveis caso tudo se encaixasse, levando os Titans ao primeiro título de AFC South desde 2008 – a última campanha vitoriosa da carreira de Jeff Fisher.

Quem culparemos quando Bortles se for?

Performances questionáveis dentro de campo fazem com que times ruins precisem inventar maneiras criativas de atrair torcedores para seus estádios. Em Jacksonville, houve uma época em que a ruindade era tanta que o time teve o trabalho de construir uma piscina com vista para o campo. Não era incomum que as imagens dos sofridos torcedores se refrescando no calor da Flórida fossem mais interessantes do que a performance dos atletas em campo.

Mas o tempo em que o principal atrativo de um jogo em Jacksonville era a piscina já ficou para trás. Depois de anos de poucas vitórias e de muita chacota, o Jaguars passou a ser um time respeitável e, muito mais do que isso, um dos principais candidatos a representar a AFC no Super Bowl.

Em 2017, carregado por uma defesa que produziu números históricos, o Jacksonville Jaguars chegou à final da AFC contra o New England Patriots. O confronto de um time em ascensão, que até há pouco tempo era uma grande piada, contra a grande potência do século XXI pode parecer desproporcional, mas no início do último quarto da partida Jacksonville liderava por 10 pontos. O final, é claro, não foi feliz, mas mostra o quão perto o Jaguars está de conquistar o Lombardi Trophy. Se antes o time tinha que administrar decepções, agora precisa controlar as expectativas. Jacksonville vive uma nova era.

Um pilar chamado defesa

O sucesso do Jaguars em 2017 pode ser creditado em grande parte à defesa. Considerada por muitos analistas como uma das melhores da história, a unidade terminou a temporada passada na liderança da NFL em várias das principais estatísticas defensivas: TDs defensivos, jardas aéreas permitidas por jogo, QB rating permitido, porcentagem de passes completos e fumbles forçados. Parece pouco? A defesa do Jaguars ainda terminou em segundo na liga em jardas totais permitidas por jogo, pontos permitidos por jogo, turnovers e sacks, o que levou à criação do apelido de qualidade duvidosa “Sacksonville”, usado inclusive como nome no Twitter.

Nomes infelizes à parte, a defesa foi simplesmente espetacular. Esperar que os resultados estatísticos se repitam em 2018 pode parecer utópico demais, mas ao mesmo tempo não há indícios de uma queda de performance significativa. Além de não ter perdido nenhum jogador fundamental, a defesa ainda foi reforçada no draft.

A linha defensiva, que já tinha Calais Campbell, Yannick Ngakoue, Dante Fowler e Malik Jackson, responsáveis por 42,5 sacks combinados em 2017, viu a chegada de Taven Bryan logo no primeiro round. A escolha não deixa de ser uma surpresa, já que a linha defensiva não tinha nenhuma carência que precisasse ser suprida, mas Bryan é o típico caso de tentativa de reforçar o que já era forte e adicionar flexibilidade tática e profundidade no roster em caso de lesões.

A DL conseguirá colocar pressão nos QBs adversários, não restam dúvidas sobre isso, mas precisa fazer um trabalho melhor contra o jogo corrido: na temporada passada foi a sétima que mais cedeu jardas aos RBs adversários (4,3 por jogada). A melhora nessa estatística passa pela evolução do nose tackle Marcell Dareus (que, perceba, não apareceu na lista de monstros anterior), que chegou via troca no meio da temporada passada e agora terá todo o tempo necessário para se adaptar ao esquema defensivo.

O grupo de linebackers perdeu um dos mais emblemáticos Jaguars nos últimos anos: Paul Posluszny, que se aposentou. Blair Brown deve ser o seu substituto e se junta à atlética dupla de LBs Myles Jack e Telvin Smith, que produziram juntos 192 tackles na temporada passada.

DUUUUVAL

A melhor secundária da liga em 2017 retorna praticamente intacta e não mostra sinais de que possa perder o posto. Extremamente físico, Jalen Ramsey é um monstro e não é exagero considerá-lo o melhor CB da NFL. Para piorar, A.J. Bouye se junta a ele para formar a melhor dupla de CBs da liga. Os safeties Tashaun Gipson e Barry Church completam a base da secundária que, contando apenas esses quatro jogadores, conseguiu espantosas 18 INTs em 2017.

Ataque: a obrigação de dar o próximo passo

Carregado pela excelente defesa, o objetivo ofensivo do Jacksonville Jaguars parece ser apenas um: correr com a bola e administrar o jogo. Em 2017, o time liderou a NFL em corridas (527) e jardas (2262), e foi o segundo em TDs terrestres (18). O RB Leonard Fournette foi o responsável por virtualmente metade dos números conseguidos pelo time nesse departamento, tanto em jardas quanto em TDs.

Os números são bons, especialmente considerando que foram conseguidos em apenas 13 jogos, mas há espaço para evolução: suas 3,9 jardas por tentativa não são nenhum primor. A participação no jogo aéreo também deixou um pouco a desejar, com apenas 302 jardas recebidas e 1 TD; muito distante de jogadores como Le’Veon Bell e Todd Gurley, se é que essa comparação é justa. De qualquer forma, Fournette deve continuar sendo a base ofensiva do time enquanto sua saúde durar.

E não podemos questionar, pois correr muito com a bola parece ser a melhor opção quando o nome do seu quarterback é Blake Bortles. Um dos QBs mais controversos da liga, Bortles teve o menor número de INTs de sua carreira em 2017 e não cometeu nenhum turnover na pós-temporada – basicamente muito mais do que se esperava dele.

Demorou, mas lá vem ele chegando no seu texto…

Em compensação, das temporadas em que jogou todas as partidas, a de 2017 foi a que produziu o menor número de jardas por jogo: 230,4. Sua performance foi suficiente para colocar Jacksonville apenas na metade do ranking de ataques aéreos da liga. Mesmo não tendo sido convincente, a temporada do QB parece ter sido boa o suficiente para o time oferecer uma extensão contratual que o coloca como titular do time nas próximas duas temporadas. Ao mesmo tempo em que manter o QB que esteve na final de conferência parece ser uma decisão razoável, é um pouco questionável pelo fato de Bortles estar longe de ser o tipo de QB que faz a diferença. Na verdade, ele precisa se manter às sombras de uma boa defesa e de um jogo corrido eficiente; se algum desses pilares desabar, é provável que o time todo desabe junto, pois seu QB não será o salvador da pátria.

Para 2018, Bortles terá dois obstáculos a superar além de si mesmo. O primeiro é a linha ofensiva que, apesar de ter contratado o left guard Andrew Norwell, é apenas a 15ª melhor da liga, de acordo com o site Pro Football Focus.

Outra barreira é o grupo de recebedores, que perdeu a dupla de Allens (Robinson e Hurns) e agora conta com jogadores puramente medianos, que não são capazes de elevar o ataque a um nível acima. Donte Moncrief chega de Indianapolis tentando mostrar que pode fazer algo sem Andrew Luck (spoiler: não vai conseguir). Do draft, o Jaguars trouxe o WR DJ Chark, de LSU, no segundo round.

Marqise Lee, Dede Westbrook e Keelan Cole já tiveram momentos promissores, mas estão longe de ser uma garantia de produtividade. Dos cinco jogadores citados, não há certeza sequer de quem serão os dois ou três titulares, o que evidencia que o grupo faz parte do mesmo poço de mediocridade.

Na posição de TE, importante como válvula de escape para um QB medíocre como Bortles, o time dispensou Marcedes Lewis, um jogador bastante útil, após 12 temporadas. O substituto é Austin Seferian-Jenkins, que pode tranquilamente ser descrito pela mesma mediocridade dos WRs.

Palpite

Em uma divisão que parece estar em constante crescimento, mas que ainda tem consideráveis pontos de interrogação, o Jaguars não parece ter muitas barreiras para repetir 2017 e terminar em primeiro lugar. Se estar em campo em janeiro é praticamente uma certeza, é preciso se preparar para o próximo passo. Quando estiver liderando a final da AFC por 10 pontos no último quarto, é preciso finalizar a vitória. Bortles precisa ser melhor, pois não é sempre que a defesa vai compensar as falhas do ataque, especialmente nos playoffs. O problema é que contar com a evolução de um QB que parece já ter atingido o teto do seu desempenho e que não tem grandes recebedores para mascarar suas falhas não é uma boa ideia. O Jaguars vencerá pelo menos um jogo na pós-temporada, novamente carregado pela defesa, mas será eliminado por um adversário com mais poderio ofensivo. As questões que ficarão para 2019 são: por que foi dada uma extensão contratual para Blake Bortles? E quem será o seu substituto?

A vida é feita de ciclos

O Colts sempre teve sua história associada a um grande jogador. Nos primórdios da franquia, ainda em Baltimore, esse cara era Johnny Unitas. Em Indianapolis, vieram Erick Dickerson e depois Marshall Faulk. E, por fim, você deve se lembrar de um moço alto chamado Peyton Manning. Parece que lançava a bola, o rapaz.

Essa sucessão não parou com a saída de Peyton. Aliás, essa saída se deu muito por conta disso: a ideia de continuar o sucesso que a franquia havia conquistado. Em 2012, menos de um ano depois de ostentar o pior record da NFL, Indianapolis escolheu o QB Andrew Luck, de Stanford.

E tudo parecia seguir de acordo com os planos: Andrew levou a franquia aos playoffs em seus primeiros anos na liga, chegando até a final da AFC em 2014/15, em campanha que contou inclusive com vitória sobre Manning (aquele, não o outro) nos playoffs. Se quiser saber um pouco mais dessa história, falamos sobre isso aqui.

Em 30 segundos, tudo pode mudar

A trajetória vencedora de Luck foi interrompida em 2015. Em meio a um início ruim, o jogador sofreu múltiplas lesões e acabou a temporada na lista de contundidos. Em 2016, o trabalho para recuperar o ombro, lesionado no ano anterior, exigiu muito do jogador e a melhora esperada não veio. Para 2017, o time e o QB optaram por uma cirurgia no ombro – a ideia era deixar quaisquer resquícios da lesão para trás, agora de uma vez por todas.

O resultado você já conhece. O tempo de recuperação foi se estendendo, até chegar no ponto em que a participação de Andrew na temporada fosse descartada. O ombro não mostrava sinais de recuperação, e o ano já parecia perdido mesmo.

Após reavaliar o ombro e alterar um pouco os trabalhos de reabilitação, Luck vai jogar a temporada normalmente. A dúvida fica por conta de como serão suas atuações, já que seu último jogo foi há mais de 500 dias.

Pagano vs Grigson: a origem da ruína

A saga de Andrew Luck foi apenas a cereja no bolo de um processo inevitável, mas que, ironicamente, era mascarado pela própria capacidade de Luck dentro de campo. O time, apesar dos bons resultados, não era bom. Após receber o prêmio de “executivo do ano” (sim) em 2012, Ryan Grigson, o então GM da equipe, não conseguiu realizar bons drafts ou reforçar o time à altura no mercado. Chuck Pagano, o head coach, não mostrava competência para dirigir sequer um bom time, quem dirá um questionável.

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Por conta dessa incompetência, tudo que Andrew não controlava fedia: a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa como um todo. Viradas milagrosas e uma AFC South que beirava o amadorismo ocultavam a verdade: Indianapolis não tinha um bom time.

Sem Andrew Luck, as deficiências da equipe e a ruindade de Grigson e Pagano ficaram escancaradas. Em um intervalo de menos de um ano, ambos foram chutados da franquia.

Reconstruindo (do inglês rebuild)

Para consertar o “elenco” deixado por Ryan Grigson, os Colts foram atrás de Chris Ballard, que é muito bem visto dentro da liga e tido por muitos como um dos melhores avaliadores de talento da NFL.

Daddy.

Em seu primeiro ano como GM, porém, ele não foi bem. O time não contou com Andrew Luck, claro, mas Chris não se mostrou muito ativo ao lidar com a situação. Se os Patriots não tivessem proposto uma troca, Indianapolis teria jogado 2017 com Scott “are you serious?” Tolzien como seu QB. Além disso, a equipe montada não se mostrou competitiva como se deseja, mesmo o trabalhando apenas se iniciando.

Finalmente e, sim, estávamos evitando, chegamos em 2018

Como tudo na vida é um ciclo, o dos Colts está se fechando agora. O ciclo que se inicia lembra muito aquele de 2012: um ou outro nome reconhecível e a esperança que Luck seja o diferencial da equipe. Se antes o ataque tinha Reggie Wayne, hoje ele tem TY Hilton. Se antes a defesa tinha Robert Mathis, hoje ela tem Jabaal Sheard. Não é um cenário animador.

Todos sabemos que um time que tem apenas três jogadores de nível de Pro Bowl (estamos ignorando Jack Doyle e Adam Vinatieri da lista, você não é o único que percebeu) não vai chegar muito longe, mas Indianapolis tem uma carta na manga: a juventude.

O elenco é hoje formado por alguns medalhões (os que já citamos, Eric Ebron, Anthony Castonzo, Al Woods, John Simon…) e muitos jovens. As três escolhas na segundo rodada, um grupo de RBs liderado pelo apenas segundo-anista Marlon Mack, além dos 1st rounders Quenton Nelson e Malik Hooker, e mais um bando de meninos que você não conhece, tornam os Colts um dos 5 times mais jovens da NFL.

Isso torna a temporada de Indy extremamente imprevisível. Se alguns desses jogadores jogarem em alto nível, daqui a um ano provavelmente estaremos falando de uma equipe pronta para disputar a AFC por anos. Por outro lado, se o desempenho for de medíocre pra baixo, a situação pode ser crítica a ponto de vermos a franquia de novo com uma escolha no top 5 do draft.

Um passo de cada vez

Se antes a ruindade do time apareceu quando Andrew Luck se machucou, agora os Colts estão fazendo de tudo para evitar que isso aconteça. A linha ofensiva foi ponto focal da offseason, menos de um ano depois de jogadores como Jeremy Vujnovich atuarem em todos jogos da temporada.

“Como é que eu vim parar aqui?”

A unidade agora conta com Anthony Castonzo, que, no geral, não compromete; Quenton Nelson, talvez o único prospecto universalmente aceito como BOM; Ryan Kelly, que quando jogou foi bem (porém tem sofrido com lesões); Matt Slauson, veterano que já joga na liga há alguns bons nove anos; e Austin Howard, também veterano. Além deles, o calouro Braden Smith, escolha de segunda rodada esse ano, fica na reserva para suprir uma inevitável lesão. Não é o melhor grupo da liga, claro, mas não é a calamidade que vimos nos últimos anos.

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Se antes a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa eram ruins, agora podemos riscar pelo menos a linha ofensiva dessa lista. E isso apenas sete anos depois que Andrew Luck entrou na liga.

Tudo isso, não mais comandado por Chuck Pagano

É importante ressaltar que, também pela primeira vez em sua carreira, Luck terá o que achamos ser um Head Coach de verdade, não apenas um gerador de clichés motivacionais.

Reich chega depois que Josh McDaniels recusou o cargo, e só citamos isso aqui pra deixar bem claro que isso não influenciará em nada na temporada de Indy. Frank chega aos Colts com a credencial de ser uma das mentes envolvidas no processo que culminou com Nick Foles sendo o MVP do Super Bowl.

Tal qual um rookie, tudo que podemos dizer sobre Frank Reich é: esperamos que faça um bom trabalho e, pior que do que estava, dificilmente fica.

Palpite: “É muito difícil saber o que esperar desse time em 2018. Muitos jogadores pouco ou nada jogaram na liga, tornando o nível da equipe extremamente imprevisível. No melhor dos cenários, pode brigar por playoffs e, no pior, pode acabar com uma pick alta no ano que vem. Como o meio-termo talvez seja a opinião mais sensata, um record entre 6 e 10 e 7 e 9 é onde esse time deve terminar o ano.”

(De novo) esperando que ninguém se machuque de novo

Expectativa é algo recorrente no Houston Texans, especialmente porque, nos últimos anos, a franquia tem ostentado alguns dos melhores elencos da NFL. Mas como na offseason todos os times são bons, nem sempre essa realidade permanece quando a temporada se inicia.

Problemas médicos

Um dos principais fatores para que os Texans assustem tanto a cada offseason e não correspondam à expectativa (além de serem os Texans) em setembro são os frequentes problemas de lesões que acometem o time ao longo das últimas temporadas.

Quase como uma “maldição”, Houston sofre com a perda de jogadores importantes à medida em que se aproxima a hora em que a “onça bebe água”. Na última temporada, tivemos Whitney Mercilus, Deshaun Watson, C.J. Fiedorowicz, Devin Street, D’Onta Foreman e J.J. Watt (esse já sócio do departamento médico) frequentando a Injury Reserve em algum ponto da temporada.

Watt, franchise player dos Texans desde que Andre Johnson parou de ser o santo milagreiro da casa, esteve em campo por apenas oito jogos nas últimas duas temporadas. Jadeveon Clowney sofreu com lesões graves em seus primeiros anos antes de começar a causar impacto na defesa.

JJ, aliás, jogador espetacular dentro e fora do campo, talvez já tenha passado de seu auge físico e técnico por causa das sucessivas graves lesões, algo a se confirmar quando a temporada começar de fato (você viu primeiro aqui).

Tentando ISOLAR as lesões.

Quando as coisas pareciam se ajustar em meio a esse turbilhão que mais parecia um episódio old school de House, e um sopro de esperança parecia se desenvolver em Deshaun Watson, o QB, responsável por um dos jogos mais espetaculares da temporada em 2017, machucou-se exatamente na semana seguinte, rompendo o ligamento cruzado anterior em uma sessão de treinos individuais. Fim de temporada para o calouro, que no momento da lesão, mostrava-se uma das histórias mais sensacionais daquele ano.

Watson vem para a temporada de 2018 com um histórico de ruptura do ligamento cruzado anterior nos dois joelhos, um deles à época em que jogava na universidade de Cleiton, Clemerson, CLEMSON.

O azar em Houston não chega ao nível do Chargers (esse, que aparentemente trocou a saúde de seus jogadores pelo direito de se mudar de cidade), mas o front office aparentemente não se ajudou. Assim como o Vasco contratou Marcelo Oliveira em 2013 após este ser BI-VICE da Copa do Brasil pelo lendário Coritiba-que-chegou-duas-vezes-seguidas-na-final-da-Copa-do-Brasil, os Texans contrataram Tyrann Mathieu, chutado de Arizona pelos constantes problemas de lesão. Um casamento perfeito. Unha e carne.

As entradas

Além do Texugo do Mel™, outras chegadas interessantes em Houston se dão pelo CB Johnson Bademosi e o OG Zach Fulton (fingimos que os conhecemos pra parecer que estudamos o jogo). O time renovou os contratos do CB Johnathan Joseph, um dos melhores da defesa, e do punter já idoso Shane Lechler.

Os Texans não tiveram a escolha de primeira rodada devido à troca do ano anterior, que resoltou na escolha de Deshaun Watson. A primeira pick foi apenas na 68ª escolha, o safety Justin Reid, de Stanford. Com outras duas escolhas ainda na terceira rodada, vieram o T Martinas Rankin, de Mississippi State e TE Jordan Akins, de Central Florida.

Jogadores escolhidos no terceiro dia do draft raramente prosseguem na NFL, então não vamos fingir que entendemos sobre eles. Talvez o DE Duke Ejiofor seja um nome em que o caro leitor se lembre, devido a algum Bowl suspeito visto na TV no final do ano passado.

As saídas

Após ter garantido a vida das próximas três gerações da família Osweiler, os Texans basicamente pagaram uma escolha de segunda rodada para o Cleveland Browns a fim de se livrarem do cap hit e, principalmente, da ruindade do “jogador”.

Outras perdas notáveis se deram pela aposentadoria do TE C.J. Fiedorowicz e pela dispensa do LB Brian Cushing. Este último era um frequentador do tópico de lesões no início do texto, mas ainda assim, uma perda importante de liderança na defesa e daqueles companheiros de equipe que querem crescer seus músculos “naturalmente”.

Um ataque para chamar de seu

Após anos jogando bola trajando chinelo, Bill O’Brien finalmente ganhou uma chuteira oficial em 2017 com a aquisição de Deshaun Watson. Junto com Lamar Miller, D’Onta Foreman e DeAndre Hopkins, o ataque dos Texans parecia ser uma das boas notícias da temporada. Três vitórias e três derrotas antes da bye-week, e um jogo sensacional de Watson contra uma defesa de Seattle que, até aquele momento, ainda não havia sucumbido.

Entretanto, tudo se perdeu como lágrimas na chuva quando Deshaun estourou o joelho nos treinos. A partir de então, os Texans venceram apenas uma das nove partidas restantes. A esperança é a última que morre, então o torcedor espera que as peças do ataque, principalmente os calouros, retornem saudáveis para que a boa impressão deixada nas primeiras semanas de 2017 seja o que esse time verdadeiramente é. 

DeAndre Hopkins assumiu o fardo de ser o principal recebedor da equipe após a saída de Andre Johnson em 2015, e produziu números significativos em suas temporadas, por pior que fosse o cidadão que lançasse (ou pelo menos tentasse jogar) a bola em sua direção. Seu pior desempenho desde o ano de calouro foi exatamente em 2016, quando ocorreu o experimento Brock Osweiler. Em contrapartida, produziu mais de 1000 jardas nas temporadas restantes. Will Fuller aparece como um bom coadjuvante no grupo de recebedores, tornando o ataque muito perigoso verticalmente.

“Poderia jogar a próxima mais na minha direção, por favor?”

Um ataque de propensão vertical precisa que o QB seja hábil o suficiente para se esquivar e uma linha que bloqueie razoavelmente (veja que, por falta desse item, Andrew Luck deixou este mundo). Entretanto, a linha ofensiva dos Texans foi problemática em 2017. O center Nick Martin talvez seja o melhor bloqueador da unidade, enquanto paira a incerteza de se os reforços trarão o impacto (positivo) necessário.

No backfield, D’Onta Foreman, Alfred Blue e Lamar Miller dividirão snaps. Enqunto Foreman se recupera de uma ruptura de tendão de aquiles ocorrida em novembro, Miller perdeu carregadas para Blue, que apesar de bom, não é tanto assim. Essa é a receita preparada para que Deshaun Watson seja bastante exigido a sair do pocket, o que não é muito recomendável quando se já teve os dois joelhos reconstruídos cirurgicamente.

Uma defesa em busca de afirmação 

Durante os anos em que não teve um QB, Houston, como todo bom menino mimado, decidiu que ninguém poderia ter um e, portanto, buscou construir uma defesa com uma única missão: assassinar os signal callers adversários.

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Com as lesões de Whitney Mercilus e JJ Watt, além das perdas na secundária, que caiu da melhor contra o passe para apenas a 24ª no quesito em apenas um ano, a defesa, outrora poderosa, virou um ponto de interrogação. Jadeveon Clowney se tornou um lobo solitário. Entretanto, acredita-se que Mercilus e Watt retornem 100% ao início da temporada, resta saber se os mesmos permanecerão saudáveis. Em uma defesa com atletas que jogam com muita intensidade física e são excelentes tackleadores, lesões são risco a se assumir.

A tabela

Um fator muito importante, que às vezes é deixado de fora da análise é a ordem dos jogos na tabela. Uma sequência de jogos positiva ou negativa pode influir mentalmente no time, ditando assim o rumo de sua temporada. No caso dos Texans, três dos quatro primeiros jogos são fora de casa, um deles em New England (onde os bons morrem cedo). Apesar dessa sequência forte no início, a coisa deve se tornar mais tranquila ao decorrer da temporada.

Palpite

Expectativa é a mãe de todas as derrotas, e uma tabela desfavorável deve complicar as coisas para os Texans numa disputa pela divisão, enquanto os Jaguars possuem um dos melhores elencos da NFL e os Colts rezam para que ocorra o milagre da vida com Andrew Luck. Um ataque com propensão vertical e uma linha com problemas na proteção do passe devem ser fatores que limitarão o desempenho de Deshaun Watson, que ficará sobrecarregado se o trio de running backs não cooperar. Uma campanha 9-7 ou 10-6 deve ser a realidade em Houston, enquanto eles precisarão fazer contas no mês de dezembro para saber o record será suficiente para vencer uma divisão que deve ser embolada. Talvez o time descole uma vaga marota no Wild Card da poderosíssima-mas-só-que-não AFC.

Um QB e um futuro para chamar de seu

Noite de segunda-feira, 30 de outubro de 2017. Enquanto você se preparava para acompanhar o Monday Night Football entre Broncos e Chiefs, veio a notícia: o New England Patriots trocava o QB Jimmy Garoppolo para o 49ers em troca de uma escolha de segunda rodada, ou um rodízio de churrasco na cotação brasileira.

O contrato de Jimmy acabaria no final do ano e, sem perspectiva de renovação, os Patriots optaram por capitalizar em cima de uma inevitável movimentação do jogador. Os Browns, que pareciam o provável destino, estavam muito ocupados comemorando a troca por AJ McCarron – que nunca aconteceu.

San Francisco, onde Garoppolo aterrissou, vivia um drama: o experimento com Bryan Hoyer havia falhado e o ataque era até então comandado por CJ “cara e nome de caipira” Beathard. A princípio Jimmy não jogou, mas…

O atípico

Ao final do já perdido jogo contra os rivais de divisão Seahawks, os 49ers decidiram finalmente experimentar seu novo QB lançando passes. Era garbage time, não valia nada, mas o torcedor pôde sorrir pela primeira vez na temporada.

Foi somente um drive, mas apenas isso já foi o suficiente pra iniciar o hype em torno de Garoppolo. O próximo jogo, contra um fraco Chicago Bears, mostrou que talvez não fosse sorte de principiante. As vitórias contra Houston, Tennessee e Jacksonville terminaram de fazer o serviço. Estava instaurada a febre não apenas na California, mas em toda a NFL. Jimmy havia levado um time 1-10 a 4 vitórias consecutivas. Pouco importava a posição no draft: em San Francisco, a certeza de que a posição-mais-importante-do-jogo tinha dono era mais importante.

Moreno sensual.

A calmaria antes da tempestade

Você deve se lembrar do air que pairava sobre o estádio da calça jeans antes da temporada. A offseason que trouxe Kyle Shanahan e John Lynch era muito bem vista dentro e fora da franquia, e os anos de Chipp Kelly e Jim Tomsula pareciam ter ficado pra trás.

Porém, antes da chegada de Jimmy G, os 49ers eram um time fraquíssimo, que não havia transformado suas movimentações em bom desempenho. Faltava, principalmente, um quarterback.

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Nem mesmo o melhor dos QBs (Peyton Manning, no caso), é capaz de vencer jogos completamente sozinho. Quando chegou, além de suas atuações, Garoppolo foi capaz de melhorar as performances de seus companheiros de equipe. Pense bem: você vai acreditar mais que seu time pode continuar dentro na pelada se o Cristiano Ronaldo está do seu lado pra decidir, certo?

Recarregando

À bordo do hype train (o trem do entusiasmo, em tradução livre), ambos, 49ers e Jimmy, chegaram a um acordo para manter o jogador na cidade por mais tempo. Naquele velho esquema de QB-mais-bem-pago-da-NFL-porque-foi-o-último-QB-a-assinar-um-contrato, Garoppolo vai desembolsar mais de 135 milhões de dólares pra continuar vestindo vermelho pelos próximos 5 anos.

Além de assegurar a permanência de Jimmy, a franquia também foi atrás de Richard Sherman no mercado. O jogador chega como reforço em duas frentes: ajudar o próprio 49ers e parar de atrapalhar o próprio 49ers (ver: CHAMPIONSHIP GAME, NFC 2014). Além de Sherman também foram contratados o C Weston Richburg e RB Jerick McKinnon.

No draft, a escolha de primeiro round foi utilizada no OT Mike McGlinchey (nome massa, precisamos reconhecer) e a de segundo no WR Dante Pettis. O plano é bem claro: proteger e dar mais armas para o franchise QB semi-novo. As escolhas seguintes foram usadas para reforçar a defesa, mas você não sabe quem são os jogadores e nós não vamos fingir que sabemos.

O que mudou?

San Francisco não foi loucamente atrás de reforços como já vimos alguns times fazendo. A equipe preferiu acreditar na progressão dos talentos da casa, como Solomon Thomas, Arik Armstead e DeForest Buckner. Os contratados vieram em uma mistura de oportunidade/necessidade.

Porém, o que talvez seja impossível de mensurar é o peso que Garoppolo tem na franquia. Claro, é o jogador mais bem pago do time e na posição mais importante, mas não é só isso. Pense no Indianapolis Colts como exemplo. Apesar de nunca ter tido um time do calibre de Steelers e Patriots com Andrew Luck, o time esteve nas cabeças da AFC durante o tempo em que seu QB se manteve saudável. O sucesso não era atribuído a uma boa equipe, mas a diferença que Andrew fazia. Um quarterback decisivo pode dar ao time o luxo de vencer alguns jogos em que a equipe conseguiu apenas uma atuação excepcional ao final do último quarto.

Talvez não seja uma base-sólida para escorar as esperanças, mas o 49ers parece não precisar apenas das peripécias de Jimmy para ter sucesso. O alto investimento recente na defesa já rendeu alguns frutos, e o setor só tende a melhorar.

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Kyle Shanahan estará em seu segundo ano no comando do ataque. Novamente, vale pensar em outro exemplo: o impacto que ele teve em Atlanta, naquela temporada que viu Matt Ryan como MVP tanto da liga quanto dos três primeiros quartos do Super Bowl. É tudo ao redor de Jimmy, mas não é só ele.

A squad

Se Garoppolo manter o alto nível de atuação (o que convenhamos ser difícil, porém não impossível), o ataque deve ser ainda melhor que aquele que fechou 2017. Pierre Garçon volta de lesão, Dante Pettis pode ser uma arma versátil tanto no jogo aéreo quanto nos retornos, George Kittle parece pronto para despontar como um grande jogador, o inconstante Carlos Hyde foi embora para dar lugar a um corpo de RBs rejuvenescido e a linha ofensiva comandada por Joe Staley está melhor. E, claro, o ataque comandado por Shanahan que já citamos estar em seu segundo ano.

A defesa também tem tudo para progredir. Solomon Thomas não foi um fator no ano passado, então qualquer produção vinda dele já poderá ser considerada um ganho. Além dele, Reuben Foster e Akhello Whiterspoon devem continuar progredindo após temporadas promissoras como calouros. Jaquiski Tartt também vem de atuações interessantes. Por fim, apenas a saída de Eric Reid pode, de fato, ser considerada uma perda.

Palpite:

O 49ers tem tudo para ser uma potência dentro da NFC pelos próximos anos. John Lynch e Kyle Shanahan parecem trabalhar em sintonia e já plantaram a semente de um bom trabalho. A amostra de Jimmy Garoppolo que temos é de um nível tão alto que é difícil acreditar que é verdade, então mesmo uma regressão ainda o deixa como um QB acima da média. 2018 pode ser o ano que esse grupo comece a aspirar vôos mais altos, mas a conferência está muito forte para querer sonhar muito alto. Em uma divisão com o Los Angeles Rams, uma temporada do nível 10-6 pode ser considerada boa, mas talvez não seja o suficiente para chegar aos playoffs. Caso chegue lá, o 49ers enfrentará outros cachorros grandes e possivelmente não esteja no mais alto nível. Ainda.

O último a sair apague a luz

A temporada de 2017 do Seattle Seahawks foi a primeira da franquia do noroeste dos Estados Unidos fora dos playoffs desde que Russell Wilson fora draftado na terceira rodada do draft de 2012.

Coincidência ou não, a offseason foi uma oportunidade para mudanças, algumas ocorridas obrigatoriamente. As saídas de Richard Sherman, Jeremy Lane, Michael Bennett, Cliff Avril e Kam Chancellor, todos que formaram uma defesa que marcou época na NFL, indica um claro rebuild. Adiciona-se o fato de que Earl Thomas III por vezes demonstra sua insatisfação com e até deu indicativas de querer ir para o Dallas Cowboys.

As saídas

Como dito anteriormente, na última offseason, o torcedor do Seahawks foi obrigado a se despedir de jogadores considerados como fundamentais à conquista do Super Bowl XLVIII e ao sucesso recente da franquia. Não suficientemente, Richard Sherman, reconhecidamente familiar ao microfone, foi para San Francisco, rival de divisão, bem como não fez questão de esconder sua frustração com seus últimos anos na franquia de Washington (o estado, seu burro). 

Além dessa saída mais conturbada, os DEs Cliff Avril e Michael Bennett assinaram respectivamente com Sistema Nacional de Empregos (o popular SINE) e o Philadelphia Eagles. Bem como Kam Chancellor, que recentemente anunciou sua aposentadoria por medo de complicações devido a sua lesão no pescoço.

Assim como relatado no preview do ano passado, a diferença entre defesa e ataque provocou um racha no elenco do Seahawks, que, de uma maneira semelhante à outras franquias, cresceu tanto que o talento dos jogadores não era mais suficiente para manter o nível de jogo do time. Pela primeira vez desde 2011, o Seahawks ficou fora dos playoffs.

A questão Earl Thomas

Além de se adaptar a saídas complicadas no núcleo defensivo, o Seahawks tem que lidar com a vontade de Earl Thomas de ser mandado embora. Aparentemente, o jogador foi ao vestiário do Dallas Cowboys no último jogo da temporada de 2017 em Arlington, pedindo para ser trocado para a franquia do Texas. “If you get a chance, go get me”. Verdade ou não, Thomas recentemente anunciou que não se apresentará ao training camp da equipe, gerando uma situação extracampo que o front office de Seattle terá que administrar. O jogador alega situações contratuais; aos 29 anos de idade, Earl está no último ano de contrato assinado em 2014, valendo 40 milhões de dólares, 8,5 milhões destes a serem recebidos na temporada de 2018.

Puto.

Segundo o Seattle Times, o Seahawks tentou negociar com representantes de Thomas, e o jogador teria exigido valores acima de 10 milhões de dólares por temporada, com longa duração de contrato. Caso a franquia decida cortá-lo, economizaria os 8,5 milhões de dólares no impacto ao salary cap, mas esportivamente é uma decisão complicada de se tomar, considerando os desfalques que a defesa já sofreu. Um corte do jogador poderia até gerar uma reação de Russell Wilson: “Qual é, vocês tão de sacanagem?”.

Pelo último ano de contrato, é improvável que Seattle consiga trocar Thomas por uma compensação justa (algo como dois salgados de presunto e queijo e uma coca do tipo “ks”), então permanece incerta a situação do jogador, que ao ficar ausente dos training camps poderá ser multado.

Como não estamos aqui no Pick Six para esclarecer nada, apenas para causar a dúvida, não vamos arriscar o desfecho da situação de Earl Thomas, até por que quando esse texto ir ao ar poderá ter ocorrido milhões de possibilidades, inclusive nada.

Nota do editor: o texto foi enviado com quase uma semana de antecedência. Não aconteceu nada. Vamos aguardar.

As chegadas

As movimentações ativas da Free Agency focaram na defesa, concluímos que como forma de balancear as perdas. Nomes como Barkevious Mingo, Marcus Smith e Maurice Alexander chegaram, e se não inspiram confiança em você, não espere que inspirem na gente. No ataque, destaque para Ed Dickson e Jaron Brown. No draft, Seattle trouxe o RB Rashaad Penny, de SD State, o DE Rasheem Green de USC, e destaque também para Shaquem Griffin, LB de UCF, conhecido pelo destaque que teve em sua última temporada universitária e também por ter uma das mãos amputadas.

Panorama tático

Se na defesa o técnico Pete Carroll terá dificuldades de encontrar 11 jogadores com a coordenação motora boa suficiente para jogar futebol, no ataque a solução a ser encontrada é evitar para Russell Wilson um cenário parecido com as batalhas do filme Gladiador – embora possa parecer divertido para nós telespectadores.

Durante a temporada de 2017, o quarterback emulou o espírito Bear Grylls e esteve à prova de tudo, inclusive da sua linha ofensiva, incapaz de bloquear qualquer coisa que se movesse. Falamos sobre a capacidade de improvisação de Wilson nessa análise tática de novembro de 2017.

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Apesar de toda a magia em campo, as demais deficiências da equipe evitaram que Russell levasse os Seahawks aos playoffs pela primeira vez na carreira (viu o que nós fizemos aqui?). O time sofreu com a rotatividade alta de running backs na última temporada, seis jogadores tiveram repetições (Eddie Lacy, Mike Davis, Thomas Rawls, Chris Carson, J.D. McKissic e C.J. Prosise). Apesar disso, foi Wilson quem obteve a maior quantidade de jardas corridas do time, e por uma grande diferença em relação ao segundo colocado, segundo dados do Pro Football Reference.

A chave para o ataque do Seahawks nessa temporada é integrar melhor os novos jogadores do ataque, os novos wide receivers e running backs – apesar de não haverem grandes mudanças na linha ofensiva, a principal deficiência do time. Trabalho para Brian Schottenheimer, vindo de Indianapolis. A defesa será coordenada também por um novo técnico, Ken Norton Jr, vindo dos Oakland Raiders (não muito animador, hein torcedor?).

A tabela

Além dos seis jogos divisionais, que serão os fiéis da balança para sabermos se Seattle terá chances de playoffs novamente, a franquia do noroeste dos Estados Unidos enfrentará times da AFC West e a NFC North. Dallas Cowboys (semana 3) e Carolina Panthers (semana 12) completam os 16 jogos da temporada.

A bye-week está posicionada na semana 7, logo após o jogo em Londres contra o Oakland Raiders, bem ao meio da temporada, janela ideal para a maioria dos times. A primeira sequência da temporada será DEN, CHI, DAL, AZ, LAR, OAK, e a segunda DET, LAC, LAR, GB, CAR, SF, MIN, SF, KC, AZ. Observamos que a primeira perna tem jogos mais simples, podendo ser fundamental para os ajustes visando uma possível ida para a pós-temporada. Apesar disso, a sequência entre as semanas 9 e 15 pode encerrar o ano de forma um pouco complicada. 

Palpite

A situação de Earl Thomas provavelmente será o centro das atenções quando os jogadores se apresentarem ao training camp. A defesa sofrerá com a ausência de vários jogadores geracionais (traduções literais, a gente vê por aqui) e continuará sua regressão. No ataque, Schottenheimer terá que trabalhar com basicamente as mesmas peças que estavam na temporada anterior buscando melhorar drasticamente a linha ofensiva, além de integrar o jogo corrido. Em um aspecto geral, Seattle contará com a regressão à média do Los Angeles Rams, enquanto o Arizona Cardinals passa por uma reconstrução, com problemas inclusive na posição de quarterback. Entretanto, a segunda perna da temporada será determinante para que o time não vença a divisão por mais um ano e todos já estejam de férias em dezembro.

Super Bowl ou bust

O Los Angeles Rams foi o responsável pela maior reviravolta na NFL em 2017. Depois de ter o pior ataque da liga em termos de pontos em 2016, o time passou direto para a liderança no ano seguinte. Em sua triste primeira temporada de volta a Los Angeles, foram 224 pontos, uma média ridícula de 14 pontos por jogo. Não foi apenas o pior ataque da temporada 2016: o Rams de Jeff Fisher foi o pior ataque dos cinco anos anteriores. Em 2017, o contraste foi impressionante: o time produziu 478 pontos, média de 29,9 pontos por jogo, a melhor da Liga e mais do que o dobro do que a franquia tinha produzido na temporada anterior.

Em um esporte tão coletivo quanto o futebol americano, é difícil creditar os sucessos a apenas um dos personagens, mas é impossível não citar, em primeiro lugar, Sean McVay. Head Coach mais jovem a assumir o cargo na história da NFL, McVay era uma incógnita tanto pela sua idade quanto pela sua inexperiência. Apesar das dúvidas, transformou um dos ataques mais modorrentos da história em uma máquina de anotar pontos. Além do renascimento ofensivo, McVay foi o responsável por levar o time aos playoffs após mais de uma década.

Com times muito parecidos, Jeff Fisher e Sean McVay produziram resultados bastante diferentes. Jeff Fisher é um idiota? Provavelmente sim, pelo menos nos últimos anos de sua carreira como HC. Sean McVay é um gênio? É um pouco cedo para dizer, mas com certeza foi um excelente início.

De óculos escuros porque o futuro é brilhante.

Construindo muito a partir do que parecia pouco

O principal mérito de Sean McVay no ressurgimento do Los Angeles Rams como uma das principais forças da NFL foi ter conseguido montar um sistema ofensivo eficiente que obteve o máximo do que os seus jogadores poderiam dar. O principal beneficiado pela chegada de McVay foi o RB Todd Gurley. Com Jeff Fisher, em 2016, Gurley produziu 1212 jardas de scrimmage, seis TDs e já estava começando a ser pintado como um potencial bust, após as expectativas geradas sobre ele.

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Com McVay, porém, o RB totalizou 2093 jardas, 19 TDs e foi o segundo colocado na votação para MVP da temporada. Se o prêmio não fosse tão direcionado a QBs e levasse em conta a importância individual do jogador para o seu time, Gurley teria desbancado Tom Brady.

Em uma era de intensa desvalorização da posição de RB, os Rams não resistiram: a temporada maravilhosa de Gurley rendeu uma extensão contratual de quatro anos, valendo US$ 57,5 milhões, com US$ 45 milhões garantidos e um bônus de assinatura de contrato de US$ 21 milhões. Para efeito de comparação, o maior contrato de um RB até então era o de Devonta Freeman, do Atlanta Falcons, que tinha um valor total de US$ 41,25 milhões, com US$ 18,3 milhões garantidos, menos da metade do que recebeu Gurley.

Os números inflados não são apenas uma vitória pessoal do RB do Rams, mas representam também um alívio para toda a classe de RBs que está em busca de novos contratos e que agora finalmente tem um parâmetro favorável para negociações (alô, LeVeon Bell).

O sorriso inocente de um milionário.

O alto salário de Gurley demonstra exatamente o que o Rams espera dele para 2018 e por, pelo menos, outros 4 anos: um jogador forte, versátil, que é uma arma tanto no jogo terrestre quanto no jogo aéreo. E é exatamente isso que Gurley deve continuar sendo. Esperar que ele supere as duas mil jardas novamente em 2018 talvez seja uma expectativa exagerada, mas 1600 jardas totais, 14 TDs e um lugar cativo entre os três principais RBs da NFL são números razoáveis para se esperar de um jogador tão talentoso em um sistema tão eficiente.

Outro atleta que foi profundamente beneficiado pela chegada de Sean McVay foi o QB Jared Goff. Não se sabe exatamente o que McVay sussurra nos ouvidos de Goff antes de cada jogada, mas a transformação é visível. Novamente, não há como não usar uma enxurrada de números para comparar a Era Fisher com a Era McVay. Com Fisher, quando parecia um idiota em campo, Goff jogou sete partidas, teve sete derrotas, lançou sete INTs e apenas cinco TDs: um desastre para uma primeira escolha de draft. McVay chegou, tirou o adesivo de bust que já estava colado nas costas de Goff e moldou um novo jogador: Goff não chegou a ser espetacular em 2017, mas seus 28 TDs e apenas sete INTs o colocaram novamente entre os QBs jovens mais promissores.

Todd Gurley continuará sendo o foco ofensivo do Rams em 2018, mas o coringa desse ataque é Jared Goff. Se conseguir dar o próximo passo – ou pelo menos manter o que fez em 2017 – o Rams não terá problemas na posição de QB. Talvez nunca apareça entre os melhores QBs da liga, mas Jared Goff provou que é competente o suficiente para ser uma engrenagem importante para o sistema funcionar.

À sua disposição, Goff terá o WR Brandin Cooks, que chega como um claro upgrade em relação a Sammy Watkins, dispensado pelo Rams na offseason. Cooks é o típico jogador que pode se beneficiar de um esquema bem montado, exatamente como o que o Rams tem. Se não tem uma grande capacidade de quebrar tackles ou de ganhar bolas disputadas, Cooks pode causar estragos em profundidade ou quando recebe a bola com espaço. É provável que o sistema de McVay seja favorável as suas habilidades e que ele consiga em 2018 sua quarta temporada seguida com 1000+ jardas e 7+ TDs.

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Cooper Kupp, que fez uma ótima temporada de calouro, e Robert Woods, que foi a grande surpresa do time na temporada passada, são ótimos complementos a Cooks e devem dar a Goff a segurança necessária para que o ataque aéreo continue eficiente.

O ataque do Rams deve sofrer com um leve declínio na performance ofensiva em 2018: tudo que fica muito fora da curva, como a temporada 2017, tende a voltar ao chão (ver Atlanta Falcons, 2016). Mas o time deve, pelo menos, fazer o suficiente para manter a qualidade acima da média e figurar entre os cinco melhores ataques da NFL.

Defesa: a criação do Dream Team

Se o ataque permaneceu praticamente o mesmo em relação a 2017, o que realmente mudou no Los Angeles Rams para 18 é a defesa. As adições de Marcus Peters, Aqib Talib e Ndamukong Suh transformam uma unidade que andava em cima da linha da mediocridade na temporada passada no primeiro dream team da NFL desde o Philadelphia Eagles de 2011 (desculpem).

É tudo bom demais para ser verdade: Peters e Talib formam uma das melhores duplas de CBs da liga, talvez apenas atrás dos grupo de Jacksonville; Lamarcus Joyner é um dos melhores Safeties da liga; e Suh aumenta ainda mais a pressão pelo interior da linha defensiva, que já era grande apenas com Aaron Donald. O potencial da defesa é imenso e pode ser o grande diferencial na competitiva NFC.

Porém, há uma questão que precisa ser resolvida para que o sucesso defensivo do Rams em 2018 se concretize: o holdout de Aaron Donald, talvez o melhor jogador defensivo da NFL atualmente. Donald está em busca de um novo contrato e ainda não se apresentou para o training camp do Rams.

A distribuição de vastas quantidades de dinheiro nos contratos de Gurley, Suh, Peters e Talib deve estar povoando a mente do jogador, que pode inclusive não jogar a temporada regular. A chave da temporada defensiva do Rams está aí: se a renovação contratual acontecer e não houver um holdout que se estenda até a bola rolar, a defesa do Rams pode, tranquilamente, ser a melhor da liga.

A NFL talvez nunca tenha visto uma dupla de interior rushers como Donald e Suh, que podem compensar qualquer defeito nas posições de edge rushers e linebackers, já que o time perdeu os veteranos e eficientes Robert Quinn e Alec Ogletree e não fez grandes esforços para substituí-los.

Insistimos: paguem o homem!

Há quem acredite que personalidades explosivas e controversas como as de Suh, Peters e Talib, que não deixaram muitos amigos por onde passaram, podem acabar criando um ambiente explosivo, mas a experiência do coordenador defensivo Wade Philips deve ser suficiente para controlar eventuais rebeldias. Além disso, enquanto o time estiver ganhando, não há motivo para briga. E isso deve acontecer com bastante frequência, já que, ao contrário do Eagles de 2011, o Rams não deve cair na armadilha do dream team e se transformar em piada.

Palpite

O cheirinho de Super Bowl está tomando conta das ruas de Los Angeles. Se o Rams estivesse na AFC, poderíamos cravar pelo menos a chegada à final de conferência, quando inevitavelmente (e infelizmente) perderia para o New England Patriots. Mas a NFC apresenta desafios maiores e há vários times que podem ser um empecilho na caminhada para o título de conferência. Mesmo que não jogue tudo o que se espera dele, o Rams deve vencer com tranquilidade a NFC West e talvez até conseguir um bye na primeira semana de playoffs. Uma campanha 12-4 é um cenário bastante provável. Porém, se o potencial de dream team for plenamente atingido, pelo menos a posição de favorito na final da NFC é quase certa. A partir daí, seja o que Sean McVay quiser.