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Senso de urgência

Muito era esperado do Detroit Lions e de quebra de Matthew Stafford quando o quarterback assinou um contrato de 6 anos e US$135 milhões em agosto passado. O resultado foi decepcionante: o Lions ficou fora da pós-temporada e Stafford não repetiu as boas atuações de um passado não tão distante. A campanha resultou na demissão de Jim Caldwell e na contratação de Matt Patricia como HC.

Indiretamente é um reencontro em que todos estão apostando: o GM Bob Quinn, responsável pela contratação, passou mais de uma década com Patricia em New England – nas últimas seis temporadas, Matt foi o DC dos Patriots – e o objetivo é implantar o tão alardeado “modelo Patriots” (não sabemos o que isso quer dizer) em uma franquia onde as palavras “sucesso” e “playoffs” teimar em não se encontrar.

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Mas mesmo com contratos até 2022, tanto Quinn como Patricia sabem que há um senso de urgência para vencer agora, com Stafford ainda próximo de seu auge e uma estrutura de apoio que Bob lutou para construir nas últimas três temporadas.

Onde pouco (ou nada) deve mudar

Em meio a todas estas mudanças em SETORES BUROCRÁTICOS, algo permanece imutável em Detroit: Stafford retorna para sua 10ª temporada, com uma sequência de 112 jogos ininterruptos – a terceira mais longa entre os quarterbacks ativos na liga (obrigado, Ben McAdoo).

E mesmo com a chegada de Patricia, o sistema ofensivo não deve sofrer grandes alterações, visto que o OC Jim Bob Cooter, com quem o QB tem ótima relação, foi mantido – Matthew tem médias de 66.3% de passes completados e 270 jardas desde que Cooter assumiu o cargo durante a temporada de 2015.

É inegável que lesões, sobretudo na OL, destruíram o final de temporada do Lions. A ausência de Taylor Decker, que só retornou em novembro (e, claro, sem ritmo), foi fundamental para o declínio do setor; além dele, Rick Wagner, TJ Lang e Travis Swanson perderam um par de jogos por contusões. Para 2018, se o setor permanecer saudável (e espera-se que permaneça), Detroit já terá um ótimo ponto de partida – em 2017 foram 12 combinações diferentes em 16 partidas.

O ataque terrestre também deve evoluir – e, bem, aqui não é como se regredir fosse uma opção. LeGarrette Blount e a escolha de segundo round Kerryon Johnson devem dividir o trabalho pesado enquanto Theo Riddick pode continuar como uma excelente opção em 3rd downs – Ameer Abdullah, se Deus for justo, em breve estará longe de Detroit e também da NFL.

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Já o ataque aéreo é praticamente o mesmo e não é como se ele precisasse mudar: Golden Tate, Marvin Jones e Kenny Golladay são as principais armas. Jones vem de uma temporada de 1.101 jardas, e não há razão para crer que ele não repetirá os números. Golden Tate também ultrapassou a marca das mil jardas (com 92 recepções), enquanto Golladay é jovem e já mostrou potencial e espaço para evoluir.

O reforço, porém, não está em uma contratação, mas sim em uma AUSÊNCIA: Eric Ebron, pela graça de Martha Firestone Ford, está longe de Detroit e foi iludir pobres almas em Indianapolis. Seu substituto será Luke Wilson (ex-Seattle Seahawks), agora com mais de espaço para tentar adquirir um pouco que seja de protagonismo, além de Levine Toilolo, que pouco (ou nada) fez em Atlanta, mas ao menos tem um nome legal.

Onde muito (ou pouco) pode mudar

Ao contrário do ataque, a defesa do Lions deve mudar; o setor foi patético na última temporada, ocupando a 27ª colocação em jardas cedidas – e tudo começou a ruir com a lesão de Haloti Ngata na semana 5. E se não deve mudar muito em nomes, ao menos deverá ter alterações em estilo de jogo, já que espera-se que Patricia implante conceitos trazidos de New England.

Devon Kennard chegou na free agency para ajudar o corpo de linebackers – da FA também vieram Christian Jones e Jonathan Freeny. Ezekiel Ansah, agora um dos atletas mais bem pagos de sua posição, retorna com a franchise tag para provar seu valor; na última temporada foram 12 sacks e nos últimos dois anos constantes brigas com lesões.

Já para reforçar a secundária, o Lions tentou trazer Malcolm Butler – mas o perdeu para o Titants. O ótimo Darius Slay (oito interceptações em 2017) precisará de mais ajuda, já que Nevin Lawson tem sido oscilante – DeShawn Shead chegou de Seattle como uma tentativa, mas tampouco conseguiu esquentar os pads e já rumou para a fila do desemprego. Já Quandre Diggs funcionou muito bem como Safety durante o final do ano passado e, ao lado de Glover Quinn, poderá repetir as boas atuações.

Palpite:

Mesmo não chegando aos playoffs pelo segundo ano consecutivo, não se pode dizer que uma campanha 9-7, em uma das divisões mais difíceis da NFL, é motivo para uma implosão completa. Para 2018, com um novo HC e novos métodos, sem no entanto trocar boa parte do roster, é possível imaginar que, em um cenário dos sonhos, o Lions consiga beliscar uma vaga na pós-temporada. A hipótese mais realista, porém, nos lembra que a NFC North é uma verdadeira selva, a tabela é cruel e aposta mais segura é de uma nova frustração em dezembro – bom, não é como se o sofrido torcedor do Lions não estivesse acostumado com decepções.

O respeito voltou

Quando foi a última vez que você respeitou o Chicago Bears pelo que a franquia é no presente? É difícil lembrar. O time não joga os playoffs desde o começo da década e, quando esteve próximo de quebrar a sequência negativa, acabou colapsando de maneira que só Aaron Rodgers é capaz de explicar. Antes de tudo isso, bem… Acreditamos que o amigo leitor não quer gastar seu tempo lendo sobre Rex Grossman.

Essa inércia que só se deslocava em direção a fracassos era representada, principalmente, por Jay Cutler. Você sabe quem ele é. A paciência da diretoria com a apatia de Jay eventualmente se esgotou e, ao final da temporada 2016/17, Cutler foi enfim chutado da franquia.

Para o seu lugar o time foi atrás de Mike Glennon, que nos reservamos o direito de ignorar, já que também foi defenestrado de Illinois. Além dele, o Bears selecionou Mitch Trubisky no draft, gastando – desnecessariamente –algumas escolhas para isso. Após anos vivendo a experiência Jay Cutler, Chicago percebeu que uma equipe reflete o seu Quarterback. Se ele é um vencedor, a franquia tende a seguir o mesmo caminho. Se não é… Bem, existem outros esportes para acompanhar.

Por isso, a escolha de Mitch simboliza a virada nos rumos de um time que, além de tudo, carecia de uma personalidade. Agora, com seu novo QB – e seu contrato de calouro – o Bears espera montar uma equipe jovem, dinâmica e capaz de competir com a elite da liga.

Iniciando o processo

O início de carreira de Trubisky não foi muito promissor. Após começar no banco de Glennon, o jovem finalmente recebeu a oportunidade para mostrar seu valor. As atuações não inspiraram muito confiança, mas podemos atribuir isso a dois fatores: em primeiro lugar, o sistema montado pelo técnico John Fox era voltado para uma época em que Jon Gruden ainda prestava como HC; em segundo lugar, não era segredo pra ninguém que Mitch não chegava à NFL “pronto”, seria necessário tempo para que ele pudesse moldar seu jogo ao nível profissional.

Em outros tempos, provavelmente não teríamos essa boa vontade com Trubisky. Acontece que, após protagonizar uma das piores temporadas de calouro da história, Jared Goff provou que é possível realizar um grande salto de qualidade e produtividade no segundo ano.

Percebendo as novas tendências ofensivas da liga e o sucesso de Goff em Los Angeles, Chicago decidiu copiar esse processo. Para isso, a franquia buscou Matt Nagy que, assim como Sean McVay, é uma mente ofensiva da nova geração. A expectativa é que Nagy consiga extrair de Mitch resultados semelhantes aos que McVay conseguiu de Goff.

Está saindo da jaula, o monstro (?)

Para dar continuidade ao processo “salvem a carreira de Trubisky e os nossos traseiros da demissão“, o Bears percebeu que precisava de Wide Receivers. Não de Wide Receivers novos ou promissores, de Wide Receivers mesmo. Afinal, uma pequena busca pelos “tops” do time na posição em 2017 tem Titus Davis (conhecido pelo pseudônimo QUEM?) como primeiro retorno. O resto do elenco você pode encontrar nas famosas listas “Que fim levou?”, de nosso concorrente mais rico.

Por isso, foram contratados Allen Robinson, que conseguiu se provar útil mesmo recebendo passes de Blake Bortles e Taylor Gabriel, que quando usado efetivamente pode ser uma espécie de curinga no ataque. No draft, a escolha de Anthony Miller dará a Kevin White a tranquilidade para não ser nem o WR3, o que pode ajudá-lo a, enfim, deslanchar. Além deles, para a posição de TE, Trey Burton poderá mostrar que é muito mais que uma jogadinha ensaiada – aliás, saudades.

Fechando o ataque, a linha ofensiva composta por Bobby Massie, Kyle Long, Cody Whitehair, Eric Kush e Charles Leno Jr não apenas não compromete, como não surpreenderia se fosse uma 6 ou 7 melhores da NFL no ano. Também underrated, o RB Jordan Howard forma uma dupla interessante com Tarik Cohen, ainda mais agora que estão sob a batuta da mente ofensiva de Matt Nagy.

A defesa, esta sim, uma besta enjaulada com ódio

É importante destacar que, se esse preview tivesse sido escrito com antecedência, os elogios a defesa dos Bears também estariam presentes. Porém, como você já deve saber, a unidade saltou de um bom grupo com grande potencial para uma das grandes forças da conferência, mesmo se tratando da forte NFC.

Khalil Mack, um dos jogadores mais consistentes do esporte e um dos três melhores defensores dos últimos anos, chega para ser o grande nome de um grupo que já era bom, mas ainda não tinha uma super-estrela como ele. Ao seu lado, estará uma linha defensiva composta por Akiem Hicks e Eddie Goldman, ambos bons jogadores, além do LB Leonard Floyd que, além de ótimo jogador, se beneficiará da atenção que será dada aos talentos de Mack. Fechando o grupo de linebackers, Roquan Smith, um dos calouros mais interessantes do ano v e que de fato conhecemos, afinal esteve nos playoffs do College – jogará junto de Danny Trevathan, outro, adivinhem, bom jogador.

Na secundária, Adrian Amos e Eddie Jackson formam uma dupla interessante e underrated que pode inclusive melhorar em relação ao ano anterior, já que tratam-se de jogadores novos.

Por fim, Prince Amukamara e Kyle Fuller não formam a melhor tandem de CBs, mas, quando são eles o (talvez) elo mais fraco da defesa, é um sinal de que será difícil se preparar para enfrentar essa unidade em 2018.

Palpite

Por se tratar de um time novo, um QB ainda inexperiente e um Head Coach em seu primeiro ano, o Bears, mesmo sendo uma franquia de potencial, ainda é muito imprevisível. Um cenário em que as peças não se encaixem como o esperado é perfeitamente plausível, assim como uma situação parecida como a dos Rams em 2017, em que tudo vai bem, obrigado e a equipe surpreende a todos. Como a possibilidade mais razoável provavelmente é o meio-termo, podemos esperar uma evolução considerável em relação aos anos anteriores. Porém, levando em conta os times da NFC e da própria divisão, sonhar com playoffs já em 2018 pode ser demais. Mais que um bom record final, o que o torcedor mais espera é que a temporada mostre que a franquia está, enfim, de volta ao caminho das vitórias.

Exorcizando fantasmas

Pittsburgh foi um ótimo time, com um ataque empolgante e uma defesa sólida em 2017 – tudo muito bom para ser eliminado no Divisional Round contra um Jaguars semi-virgem em pós-temporada; a tão esperada revanche contra o New England Patriots não se concretizou e o Steelers foi relegado a uma offseason com muito a ponderar sobre passado, presente e, sobretudo, futuro; não há como cravar por quanto tempo o trio composto por Big Ben, Antonio Brown e Le’Veon Bell se manterá unido, mas enquanto eles estiverem no Heinz Field, o Steelers é um candidato ao Super Bowl.

Novos (velhos) dramas

Em 2017, mais uma vez, Ben Roethlisberger “anunciou cogitar” a aposentadoria, para a surpresa de absolutamente ninguém. Um ponto crítico, aliás, foi a derrota para o Jaguars ainda na temporada regular, quando após ser interceptado cinco vezes em uma atuação constrangedora, Ben declarou não ter mais o que era necessário para um Quarterback – seja lá o que isso signifique. Mas Roethlisberger se recuperou e levou os Steelers para os playoffs, mudando o discurso e sugerindo que ainda poderia atuar mais três ou quatro anos em alto nível.

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Dramas à parte, esta é uma ótima notícia para Pittsburgh que, enquanto tiver Ben como QB, sempre será favorito na AFC. Em 2017, porém, pela primeira vez desde 2011 Roethlisberger não terá ao seu lado o OC Todd Haley, que rumou para os Browns; Randy Fichtner, até então treinador de QBs, assumiu o cargo.

Aqui não há motivos para preocupação, visto que não há buracos a preencher no sistema ofensivo do Steelers (há anos entre as melhores unidades da NFL), mas espera-se que o Fichtner aproveite ainda mais o potencial do veterano QB, que não apresenta sinais de declínio em seus números – eles têm sido os mesmos individualmente desde que Ben começou a atuar ao lado de Brown e Bell, exceção ao ano passado, com alguns problemas na redzone não habituais ao Steelers.

Em 2018 as mesmas armas estarão à disposição: Antonio Brown é, sem dúvida, o melhor WR da NFL. Na posição 2, JuJu Smith-Schuster tem tudo para brilhar ainda mais após sua temporada de estreia: foram 58 recepções para 917 jardas e sete touchdowns; Schuster completará 22 anos em novembro e seu futuro parece cada vez mais promissor. Pese ainda o fato de que, enfim, o Steelers se livrou de Martavis Bryant e agora James Washington, selecionado no segundo round do draft, já desembarcará no Heinz Field com espaço para acelerar seu processo de desenvolvimento.

Pelo chão, assim que a novela mexicana terminar, Le’Veon Bell será o responsável por carregar o piano – Bell é um dos melhores RBs da NFL e correu para 1.291 jardas na última temporada – além de ter recebido 85 passes. Pensando no longo prazo, talvez Pittsburgh tenha cometido um pequeno deslize ao não encontrar alguém mais eficaz para dividir a carga de trabalho com Le’Veon; enquanto isso, o papel auxiliar segue com James Conner – uma ótima história, mas pouco eficaz em campo em seu primeiro ano.

NOTA DO EDITOR: quando defecamos estas linhas, apostamos que seria apenas um dramalhão mexicano com final feliz, mas aparentemente Bell e os Steelers conseguiram tornar a história melhor que A Usurpadora.

Muito do sucesso do sistema ofensivo do Steelers também é mérito da OL; aliás, estabilidade tem sido a chave para que todo o sistema se mantenha eficiente ao longo dos anos; os OTs Alejandro Villanueva e Marcus Gilbert são excelentes, o C Maurkice Pouncey é extremamente talentoso (embora tenha mostrado alguns indícios de queda de produção no último ano) e o G David DeCastro dispensa comentários.

Pittsburgh, porém, deve sentir falta do OT Chris Hubbard, importante reserva em quem a franquia investiu quatro temporadas, mas que rumou para o Cleveland Browns durante a free agency.

O outro lado

Não há como dissociar o final da última temporada do Steelers da lesão trágica lesão de Ryan Shazier na semana 12; Pittsburgh não se recuperou do trauma causado naquela noite diante do Bengals. Desde então, eles tiveram toda uma offseason para se preparar para a vida sem Shazier – que fez progressos incríveis, mas já está descartado para a temporada 2018 e, bem, é muito provável que nunca mais pise em um campo de football.

A reconstrução, porém, se centrou na secundária. Pittsburgh abriu mão de Mike Mitchell, na esperança de rejuvenescer e melhorar a defesa contra o passe. Joe Haden segue no setor – e, embora não seja o mesmo atleta dos tempos de Cleveland, ainda é um nome  que não causa desconfiança.

A avenida Artie Burns também segue em Pittsburgh, mas a esperança é que Morgan Burnett, que passou suas primeiras oito temporadas em Green Bay, e Terrell Edmunds, escolha de primeiro round, impeçam que ataques aéreos minimamente eficientes tornem a vida do Steelers um inferno.

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Já  DL segue entre as melhores da liga; o DE Cameron Heyward vem de uma temporada em que teve 12 sacks e nada indica que ele não possa repetir a performance. Ao seu lado Stephon Tuitt foi extremamente eficiente, e as boas atuações tendem a continuar.

O corpo de LBs é jovem e eficiente: TJ Watt liderou as estatísticas, com sete sacks, mas Bud Dupree, agora em sua quarta temporada, não ficou atrás, com seis – Dupree ainda não se tornou o que Pittsburgh esperava quando o selecionou no primeiro round do draft de 2015, mas longe de ser uma decepção, ainda há espaço para mais uma tentativa.

Palpite

O Steelers se desintegrou no ano passado quando Ryan Shazier sofreu uma terrível lesão na coluna. A boa notícia é que eles ainda são o melhor time da AFC North – e devem continuar no topo da divisão enquanto Big Ben, Brown e Bell forem vivos. Nesse cenário, confirmar a vaga na pós-temporada parece mera questão de tempo. Lá, tudo pode acontecer: um colapso contra um time inferior, a derrota ou mesmo a revanche contra o Patriots – esta última, sobretudo, se o time se unir em torno de um senso de urgência e cientes de que a janela de Big Ben para um novo Vince Lombardi Trophy está se fechando. Como na vida, é tudo uma questão de perspectiva – mas o meu dinheiro, se preciso fosse, ainda seria apostado em um tal de Thomas Edward Patrick Brady.

Sobre Hard Knocks e esperança

A introdução do Hard Knocks, documentário feito sobre a pré-temporada do Cleveland Browns, traz a pergunta que todos devem se fazer na cidade; o tipo de pergunta que dói só de pensar. Afinal, pela segunda vez em cinco anos, e após ter finalmente trazido o título que sentia que devia à sua cidade de nascença, LeBron James deixa Cleveland para uma cidade maior, mais uma vez deixando todos os habitantes apaixonados órfãos de esporte.

Para esse vazio nos corações, considerando que os Cavaliers já produziram alegrias demais e gastaram toda a sorte com jogadores ao ter LeBron por uns 10 anos (e os Indians jogam beisebol), temos os Browns. Um time que não chega aos playoffs desde 2002 (com Kelly Holcomb – não vamos fingir que conhecemos) e conseguiu a incrível façanha de não ganhar nenhum jogo em 2017.

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Também em Hard Knocks, vemos toda a mandinga de Hue Jackson, cumprindo a promessa de mergulhar no gelado Lago Erie (promessa feita caso não ganhasse nenhum jogo em 2017) na tentativa também de esfriar um pouco seu assento – sabe bem que, se não produzir em 2018, sua posição como Head Coach sequer durará até novembro.

Não à toa, para tentar fazer valer a promessa, com a primeira escolha do draft, além de seu estilo marrento (contrastante ao máximo com a dedicação sinistra de Tyrod Taylor, seu “mentor”) e sua altura levantando dúvidas durante os primeiros estudos no draft, aí está Baker Mayfield, vencedor do Heisman de 2017, que recebe a mesma pressão pela qual já passaram, por exemplo, Brandon Weeden, Johnny Manziel e outros 47 jogadores ao longo da história (QBs draftados pelos Browns, sim).

Como sempre, tudo leva a crer (e, no caso dos Browns, já estivemos errados com certa frequência) que ele tem todo o talento suficiente para trazer a virada para essa franquia.

Dilema de quarterbacks

Na verdade, chamar de dilema tem muito mais a intenção de criar impacto do que expor a realidade. Tyrod Taylor, que foi rejeitado pelos Bills (e substituído por um sem número de QBs bizarros, entre McCarron e Peterman) mesmo depois de ter sido o primeiro QB a levá-los aos playoffs desde Doug Flutie, veio através de uma troca por uma escolha de terceira rodada.

Se parece muito, vale lembrar que os Browns escolheram Cody Kessler e DeShone Kizer, hoje QBs reservas em Jacksonville e Green Bay, por esses rounds. E, apesar de claramente ter a capacidade de liderar um ataque com o talento que listaremos em Cleveland, os Browns precisavam de esperança de verdade para acertar de uma vez por todas.

Esse alguém é o dono do motorhome estacionado no CT dos Browns (que, divertido lembrar, contava até com um mordomo próprio chamado Brogan Roback, que se disfarçou de undrafted free agent para servir Mayfield e cia).

Jovem defesa, velho carrasco

Provavelmente, não existem muitos caras mais xaropes na NFL que Gregg Williams (sempre válido lembrar, a principal mente por trás do bountygate Saintista) – basta assistir suas entrevistas e aparições em Hard Knocks para ter vontade de desvalorizar a defesa e até simpatizar com Todd Haley, o coordenador ofensivo.

De qualquer forma, a reconstrução dessa defesa continua com novas jovens estrelas. Myles Garrett, que já aterrorizou a liga em apenas 11 jogos em 2017 com sete sacks, está finalmente saudável e o céu é o limite para ele. Oposto a ele, estará Emmanuel Ogbah, que teve como principal elogio ao seu potencial a decisão de Cleveland de não escolher Bradley Chubb na quarta posição desse draft por acreditar em sua força para complementar a grande estrela dessa defesa. Na posição de DE, sentiremos falta de Carl Nassib, cortado após os waivers, e que deu aula de investimento para os companheiros de linha defensiva.

Ao invés de Chubb, veio o CB Denzel Ward, de Ohio State (ou ali da esquina, como diriam em Cleveland), já com a responsabilidade de ser o CB1 oposto a Terrance Mitchell, que teve algumas boas aparições pelos Chiefs, mas será titular de verdade pela primeira vez na carreira – provavelmente marcando o slot, enquanto EJ Gaines, que foi trocado em 2017 por Sammy Watkins (junto com uma escolha de segunda rodada, claro). O único a retornar de 2017 nessa secundária é Jabrill Peppers, que será safety junto com Damarious Randall, CB vindo de Green Bay convertido (draftado como S, virou CB, e agora volta à posição original).

Complementando a defesa, Christian Kirksey, é o grande líder do sistema, e James Collins, aquele que tenta trazer a cultura dos Patriots para os Browns – vai dar certo, pode confiar.

Não sei como, apenas façam funcionar

Como tudo em Cleveland, a equipe de suporte do QB móvel (veja bem, em todos os sentidos) é um trabalho em construção. Ao menos, existe um ponto de referência, de um jogador acostumado a jogar em ataques medíocres, agora que Joe Thomas, o left tackle lendário e para sempre injustiçado, desistiu de jogar  e resolveu ser feliz: Jarvis Landry, WR que, ao menos ainda, não é tão lendário assim, aceitou 75,5M de dólares ao longo de cinco anos para tentar fazer parte da reconstrução da franquia – e ele se esforçou para parecer um líder dos jovens WRs dos Browns.

Landry é um recebedor extremamente confiável (vide os vídeos bizarros em que o vemos agarrando qualquer bola lançada de qualquer jeito); utilizado especialmente como válvula de escape com passes curtos em Miami, vide suas 400 recepções nos 4 primeiros anos de liga, um recorde.

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Com esse estilo conservador (que deverá ajudar a abrir espaços para Tyrod/Mayfield), é preciso ter complementos interessantes para adicionar ideias ao ataque: na figura de Josh Gordon, outro da lista de “grandes talentos atrapalhados pela maconha” (tanto por estupidez da liga como dele), os Browns têm exatamente isso – se Gordon chegar a qualquer coisa próxima do que conseguiu quando entrou na liga (nos já distantes 2012/13), em que produziu 137 recepções, 14 TDs e 2451 jardas em 30 jogos, essa dupla é algo próximo do que todo QB sempre sonhou.

Ainda na linha de recebedores para os quais Hue Jackson e Todd Haley terão que ser criativos, podemos adicionar David Njoku, escolha de primeiro round que não teve oportunidades suficientes para explorar toda sua capacidade atlética, além de ter enfrentado probleminhas com drops. Outra arma interessante é Duke Johnson, RB que produz muito mais com recepções (74 para 693 jardas em 2017), e deverá fazer suas aparições no slot e em 3rd downs.

Como companhia, Johnson terá Carlos Hyde, que produziu 1290 em 299 toques no ataque de Kyle Shanahan em San Francisco, na primeira temporada saudável da carreira – para motivar, no seu cangote estará Nick Chubb, jovem estrela vinda de Georgia e escolhido no segundo round do draft e que fez uma boa pré-temporada, apenas para aumentar a competição por ali.

Se as skill positions parecem prontas para explodir, a responsabilidade da linha ofensiva fica ainda maior. Chris Hubbard, ex-titular dos Steelers, deve fazer companhia para Kevin Zeitler, uma grande aquisição na free agency de 2017, do lado direito da linha; JC Tretter, que também desembarcou no ano passado, é o Center; por último, as principais novidades vêm no lado esquerdo: Austin Corbett foi selecionado na primeira posição do segundo round para cuidar da lugar que era de Joel Bitonio, promovido ao blind side, com o desafio nada simples de substituir o cara mais legal que já pisou em Cleveland.

Com tantos nomes interessantes, será ao menos divertido assistir o desenvolvimento do ataque de Tyrod Taylor para, em seguida e ao longo de muitos anos, ser o ataque de Baker Mayfield, o QB que funcionou em Cleveland (você leu aqui primeiro).

Palpite:

Enfrentando times medianos na AFC North, como Ravens e Bengals e a duvidosa AFC West, está claro que Cleveland poderá fazer um número razoável de vitórias e trazer alguma alegria para seus torcedores. Se o ataque encaixar, nove vitórias e chegar aos playoffs é algo possível – apenas para vermos Tyrod Taylor surpreendendo a todos de novo. A aposta segura, porém, fica na casa das 6 ou 7 vitórias, Baker Mayfield jogando cinco jogos mais ao final da temporada e novas toneladas de esperança para o sofrido povo de Cleveland – convenhamos, já seria um 2018 brilhante.

A volta dos que não foram

Após um 2017 decepcionante, mudanças pareciam inevitáveis em Cincinnati. Pareciam, mas na verdade, os Bengals seguem apostando na mesma espinha dorsal que, para o bem ou para o mal, os levou para cinco aparições consecutivas nos playoffs durante a primeira metade da década: o HC Marvin Lewis, apesar dos rumores de que já estava com a senha na fila do INSS, retorna para sua 16ª temporada na NFL.

Lewis, aliás, chegou a pegar seu número: no último dia 17 de dezembro, o divórcio chegou a ser anunciado; naquela época para a surpresa de exatamente ninguém:

O fato é que Marvin não teria durado tanto tempo em qualquer outra franquia, sobretudo com seus números na pós-temporada: 0-7. 2017 também havia sido o segundo ano seguido com mais derrotas do que vitórias e seu contrato estava espirando. Poderia ter sido o fim para uma boa história de amor que durara 15 anos, afinal já era hora de injetar sangue novo na fria Cincinnati. Mas então Lewis não foi a lugar algum e renovou por mais dois anos. Quando você pensou que ele estava morto, ele retornou das cinzas.

O caso de Lewis mostra que a baixa rotação em seus principais pilares, ao menos indica que o Bengals é uma franquia estável – algo um tanto incomum em uma NFL cada vez mais sedenta pelo imediatismo.

Andy Dalton, o queridinho de Buffalo, será o QB titular pelo oitavo ano consecutivo – e terá AJ Green ao seu lado mais uma vez. Além disso, Vontaze Burfict, mesmo suspenso (novidade) pelas quatro primeiras partidas, será um dos líderes do sistema defensivo – para ele, já são sete anos em Ohio.

Estabilidade, porém, não basta. E será preciso que algumas peças ressurjam para que Cincinnati possa retornar a pós-temporada pela primeira vez em três anos. 

Ponto de partida

Dalton esteve longe de mostrar a consistência e os números que conquistou em 2015, mas mesmo assim ele está longe de ser uma peça descartável – ou mesmo dar indícios para o Bengals considerarem uma mudança na posição. 2018 será sobre Andy ser mais efetivo dentro da redzone e, sobretudo, conseguir vencer defesas sólidas; em 2017 foram cinco derrotas em que a equipe conseguiu apenas um TD ofensivo, e em nenhuma destas derrotas Dalton teve um rating superior a 80.

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Para isso, claro, ele precisa que suas armas estejam saudáveis – isso passa pelo TE Tyler Eifert deixar a enfermaria; Tyler somou apenas 10 partidas nas últimas duas temporadas, com apenas 5 TDs (todos em 2016); em comparação com seu melhor ano (2015), em que anotou 13 TDs e esteve em campo 13 vezes, a queda de produção de Eifert está diretamente ligada ao declínio ofensivo do Bengals. Também é fato que, quando saudáveis, Eifert e AJ Green, são opções que se completam a Dalton, tornando o ataque do Bengals dinâmico e eficiente.

O histórico, porém, indica que é improvável que Tyler consiga reviver seus melhores dias, então ajudaria se John Ross, agora em seu segundo ano, fosse capaz de receber UM PASSE – desculpem, mas ao que consta, aparentemente esta é a função de um WR.

Ross lidou com uma lesão no ombro em 2017 (foram apenas três partidas, mas zero passes tentados em sua direção) e agora espera-se que entregue algo nesta temporada. Pelo chão, a esperança está em Joe Mixon – extremamente talentoso em sua carreira universitária, mas aparentemente um maloqueiro que lida com problemas extracampo.

Mixon teve uma média ridícula de 3.5 jardas por tentativa em sua temporada como rookie, mas é possível dividir esta fatura com uma péssima OL; agora com melhores jogadores no setor, Mixon pode ser muito mais eficaz e ir além das 626 jardas conquistadas com muito suor em 2017. Giovani Bernard também segue no backfield, uma alternativa razoavelmente confiável em 3rd downs e boa opção para o jogo aéreo.

Sobre a OL, Cincinatti fez um movimento ousado para tentar solucionar o problema, adquirindo o OT Cordy Glenn, ex-Buffalo Bills, um bom upgrade para um setor combalido. Do draft veio o C Billy Price, de Ohio State, enquanto nomes como Jake Fisher e Bobby Hart (ex-Giants) devem brigar por posição. O G Clint Boling, um dos melhores da anêmica OL de 2017, também está de volta.

Um bando de malucos

Cincinatti recebeu más notícias na offseason quando foi anunciada a suspensão do LB Vontaze Burfict. Vontaze é maluco, mas é fato inegável que o Bengals é significativamente pior sem ele. Para suprir sua ausência, a franquia buscou Preston Brown (ex-Bills); Preston foi sólido em 2017, mas está longe de ser espetacular – e terá que lutar para suprir a incapacidade de nomes como Vincent Rey e Nick Vigil (já dizia o sábio: “o problema de ter perebas no elenco é que, hora ou outra, eles precisaram jogar”).

Enquanto o corpo de LBs (sem Burfict) é o elo mais fraco do sistema defensivo, a DL é ponto forte: Geno Atkins segue como um dos melhores DTs da liga. Ryan Glasgow teve bons momentos em sua temporada de estreia, e tudo aponta para uma evolução. Além deles, Carlos Dunlap teve ao menos 7 sacks em cada uma de suas últimas sete temporadas e segue eficiente no combate ao jogo corrido. Do draft veio Sam Hubbard, de Ohio State, cotado para as primeiras rodadas, mas selecionado pelo Bengals apenas no terceiro round.

Na secundária também há talento: o CB William Jackson, selecionado no primeiro round em 2016, perdeu seu primeiro ano devido a lesões, mas mostrou potencial em 2017. Outra escolha de primeira rodada (2014), Darqueze Dennard, decepcionou em seus primeiros três anos, mas vem de um bom 2017, e há espaço para melhorar. Espera-se, também, que Dre Kirkpatrick consiga se recuperar de problemas no ombro. Já os Safeties preocupam: com a partida de George Iloka (graças aos Deuses), Jessie Bates III, rookie selecionado no segundo round, é a esperança para que, em algum momento, seja possível compensar as inúmeras deficiências do setor.

Palpite:

A verdade é que Cincinnati não é um time muito bom; Andy Dalton foi capaz de levar a franquia aos playoffs anos atrás, a OL será melhor (não é como se fosse possível piorar), Burfict está fora de 25% da temporada e não há razão para crer que Tyler Eifert ressurgirá dos mortos. Um novo 7-9 é uma hipótese mais provável, mas também está longe de ser absurdo acreditar que, com um pouco de sorte, ele se transforme em um 9-7 e uma vaga no Wild Card se torne realidade. No melhor dos cenários, Marvin Lewis atualizará seu recorde em jogos de playoffs para 0-8 em janeiro.

Tempo de recomeçar

Uma das franquias mais estáveis da NFL inegavelmente atravessa um período turbulento: Ozzie Newsone, único GM desde que os Ravens desembarcaram em Baltimore há pouco mais de 20 anos, deixará o cargo após esta temporada.

Steve Bisciotti, também conhecido como O HOMEM QUE PAGA A CONTA, admitiu recentemente que John Harbaugh, inquestionável até então, balançou no cargo após não chegar aos playoffs pelo terceiro ano consecutivo – eliminação confirmada em um jogo patético diante de um Cincinnati Bengals que não tinha mais nada a perder, exceto a dignidade – seja lá o que isto signifique.

Todo o cenário desenhado aponta que, em 2018, o Ravens joga pela vida de Harbaugh e, claro, de Joe Flacco – que está sob os holofotes (e não do ponto de vista positivo) como nunca esteve em nenhum momento de seus 10 anos de NFL até aqui.

Reconstruindo sem implodir

O Baltimore Ravens protagonizou algum BAFAFÁ no último draft, com um trade up ao final o primeiro round para selecionar Lamar Jackson, quarterback de Lousville vencedor do Heisman Trophy; uma decisão até certo ponto lógica, considerando que Joe Flacco assinou um novo contrato de seis anos pela bagatela de US$125 milhões há duas temporadas e, como habitual, muitas questões pairam sobre o QB que liderou o Ravens na conquista do seu mais recente Super Bowl.

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É honesto se perguntar se Joe conseguirá, em algum momento, aproximar-se do nível de atuação que o consagrou em 2012; tanto a idade (33), como inúmeras lesões reduziram a eficiência do quarterback com o passar do tempo. É bem verdade, claro, que o elenco de apoio não contribuiu, mas é o preço a se pagar quando se investe toneladas de cap space (também conhecido como DÓLARES) em um QB de qualidade (no mínimo) questionável.

Neste contexto, também é justo pensar se os Ravens não deveriam emular um movimento similar ao que o Texans fez há pouco tempo, ao sacrificar um ano (e um draft) para se livrar do contrato de Brock Osweiler. Recomeçar com Lamar, claro, um jovem ainda extremamente cru, mas com imenso potencial físico, não seria uma atitude digna de repreensão – obviamente Jackson não está pronto para assumir o controle da franquia (talvez nem da própria vida), então assistir a última chance de RGIII enquanto o garoto de Louisville realiza a transição para o football profissional, faria algum sentido; neste cenário, os Ravens não iriam para os playoffs em 2018, mas bem, também parece improvável que eles cheguem lá se considerarmos os últimos três anos de Joe Flacco.

As novas (velhas) armas

Podemos considerar que Baltimore teve uma significativa melhora no seu corpo de recebedores – mas as mesmas palavras foram ditas quando eles contrataram Jeremy Maclin em 2016, e todos sabemos o final desta história (errado é quem espera diferente). De qualquer forma, Michael Crabtree é uma ameaça real na endzone (são 25 TDs nas últimas três temporada), mas ele já ultrapassou a casa dos 30 anos, então é possível (e provável) que seus melhores dias sejam apenas uma lembrança.

Além disso, da FA também vieram John Brown (ex-Cardinals) e Willie Snead (ex-Saints) – é improvável acreditar que Snead contribua de fato (como sabemos, Joe Flacco não é Drew Brees), mas Brown, apesar de sofrer com diversos problemas médicos nos últimos anos, tem algum potencial.

Os TEs também são novos: tanto Hayden Hurst quanto Mark Andrews vieram do draft, dando a perspectiva de que os Ravens conseguirão ameaçar, algo que não acontecia desde aquela época em que Dennis Pitta estava vivo.

De qualquer forma, embora não pareça um cenário completamente animador, as perspectivas são melhores do que as oferecidas por Mike Wallace, Jeremy Maclin e Breshad Perriman (in memorian) em 2017 – e também não é como se piorar fosse uma opção.

Pelo chão, Baltimore redescobriu o jogo corrido após dois anos fedendo. Alex Collins, que chegou no início de setembro após ser chutado de Seattle, correu para 973 jardas e seis TDs, deve continuar sendo a primeira opção, afinal os Ravens parecem acreditar que o desempenho de Alex não se trata de um ponto fora da curva, mas sim que este pode inclusive crescer se ele permanecer saudável. Kenneth Dixon também está voltando de lesão, mas resta saber se John Harbaugh confiará no menino (spoiler: não).

Já a OL, que permitiu menos de 30 sacks no último ano, traz Marshal Yanda e Alex Lewis de volta dos mortos – parece, porém, não ser suficiente, já que gente como Matt Skura e James Hurst tendem a ser incapazes de bloquear um pato manco.

Se nada der certo, já sabemos o que esperar: basta chegar ao meio do campo e esperar Justin Tucker fazer alguma mágica.

Ponto de equilíbrio

Os Ravens seriam um fracasso se sua defesa fossa abaixo da média – o que está longe de ser o caso; o sistema defensivo, que retorna praticamente intacto, permite que a equipe se mantenha competitiva: Baltimore cedeu o sexto menor número de pontos em 2017 (18.9) e liderou a liga em takeaways (34). Mas quando a pressão aumentou, a corda estourou; como nos momentos finais do duelo contra o Steelers em dezembro, ou o já citado CREPÚSCULO DE ANDY DALTON, quando um TD de 49 jardas deixou a equipe fora da pós-temporada.

De qualquer forma, a secundária é a força motriz do sistema: Jimmy Smith é um ótimo CB e Marlon Humphrey, que já impressionou em sua temporada de estreia, deve evoluir ainda mais. Tavon Young também retorna de lesão e dá ainda mais profundidade para o setor. Já o grupo Safeties tem talento de sobra em Eric Weddle e Tony Jefferson.

A DL ainda é capaz de pressionar os QBs adversários, graças a Terrell Suggs – que mesmo já cruzando a barreira dos 35 anos, vem de uma temporada com mais de 10 sacks. Além disso, Baltimore cercou Suggs com diversos jogadores jovens e talentosos, para aprender com um dos melhores atletas da posição: Matt Judon, Za’Darius Smith, Tim Williams e Tyus Bowser podem aproveitar muito a presença de Terrell – Judon, aliás, teve 8 sacks em 2017.

O corpo de LBs, porém, levanta algumas dúvidas: CJ Mosley é um monstro, mas não esteve em sua melhor forma no último ano – sobretudo graças a uma cirurgia no ombro. Ele deve retornar melhor, claro, mas outros nomes do setor, como Patrick Onwuasor (fede), tem sido uma decepção até aqui.

Palpite:

Os Ravens, por muito tempo, recusaram-se a partir para mudanças drásticas, sempre afirmando que estavam a um ou dois jogos dos playoffs (o que, enfim, não deixou de ser verdade). Mesmo assim, desde que venceu o SB XLVII, Baltimore está 40-40 na temporada regular – ser medíocre é uma boa opção na vida de uma pessoa comum, mas parece não ser uma estratégia inteligente em esportes profissionais. De qualquer forma, tudo passa por Joe Flacco: se ele redescobrir sua capacidade de conectar grandes jogadas (agora sem a importante ajuda de Rahim Moore), é possível brigar por playoffs. Se ele não o fizer, bem, pode ser a hora de começar a olhar para Lamar Jackson com mais carinho – talvez seja o que acontecerá após um 8-8.

A terceira (e última) chance

Tirando alguns poucos idosos que insistem em, vez ou outra, aparecer no Twitter para dar palpite e relembrar que acompanham os Titans desde 1992, quando eles ainda sequer existiam (acho), alguns de nós somos parte da primeira geração a acompanhar NFL – pelo menos, a primeira a ver insistentemente (mesmo perdendo com uma constância absurda) e consumir informação diária sobre a liga americana. Aceitemos, tudo isso começou há, no máximo, 9 ou 10 anos.

E talvez uma das intrigas mais impressionantes, um daqueles círculos fechados do qual lembraremos em 2036 esteja se formando em 2018: um dia diremos com saudades, “ah, que grande besteira eles fizeram, como a NFL era legal e a XFL hoje é sem graça”. Bom, os Redskins, que não são relevantes para muita coisa desde aquela troca épica com os Rams, são parte dessa história.

A melhor parte é que não falaremos de RG3 aqui porque é hora de SEGUIR EM FRENTE. Tudo começa, na verdade, na falta de fé em Kirk Cousins, que lucrou 300 trilhões com três franchise tag (que poderiam ter aparecido como garantia em um contrato de 5 anos), para ser substituído por Alex Smith, que também ganhará uns bons milhões em fim de carreira – às vezes, é fácil esquecer que Smith tem o mesmo tempo de liga que Aaron Rodgers.

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Mas Smith só estava disponível no mercado, mesmo após uma temporada de quase-MVP – mais sobre isso à frente – porque o seu time, os Chiefs, investiram muito no draft para pegar Pat Mahomes, um “braçudo lá” que a franquia acredita que trará mais verticalidade ao ataque, enquanto Smith foi o cara com mais jardas em passes longos em 2017 (muito bom se livrar de Todd Haley).

Esse texto havia prometido um círculo, certo? Pois não paramos por aí. Os Chiefs gastaram muito na troca no draft de 2017 porque precisavam estar na frente dos Saints, que teoricamente via em Mahomes o QB do seu futuro, substituto de Brees.

E na última quarta-feira, como não conseguiu selecionar Mahomes, os Saints arrumaram outro que pode ser o substituto de Brees quando ele seguir rumo à aposentadoria: Teddy Bridgewater, ex-QB dos Vikings, cujo joelho assustou Rick Spielman, que resolveu buscar uma alternativa mais segura e teoricamente confiável em Kirk Cousins, saído dos Redskins – que acredita que Alex Smith é realmente quem pode levá-los ao Super Bowl.

Alex Smith

A história de vida de Smith já conhecemos (mesmo que pareça bizarro imaginar que o jogador já tenha 14 temporadas na liga) – e já é a segunda vez na sua carreira que, quando parece que ele chegará ao topo e se tornará um QB sólido e inquestionável, a vida lhe puxa o tapete. Em seu tempo de Chiefs, somente Wilson e Brady ganharam mais jogos, mas o tombo veio até antes da temporada com Pat Mahomes, duvidando da possibilidade de Alex chegar lá como os grandes – mesmo que o QB claramente tenha sido um dos melhores da temporada passada, especialmente no início, lançando apenas 1 INT e 18 TDs antes da bye.

Obviamente, é válido lembrar que poderes sobrenaturais de ganhar títulos são mera especulação – apesar de todos sabermos que também são a mais pura realidade; ou, como melhor dizem os espanhóis: “eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”.

Como sempre, entretanto, tem alguém (normalmente algum bobo) que compra o resto dos outros: Washington investiu Kendall Fuller (um bom CB), uma escolha de 3ª rodada e 94M ao longo de 5 anos (barato, para os padrões atuais), com 71 milhões que basicamente garantem que Smith se aposentará na capital.

A esperança é de que essa aposentadoria seja acompanhada de resultados históricos, mantendo a consistência que o pintou como um jogador até conservador, mas conquistando o grande número de TDs que conseguiu em 2017 (26, máximo na carreira) e o grande desempenho nas bolas longas; inclusive 30% das suas jardas (4.042, também máximo na carreira) vieram através de lançamentos longos para Tyreek Hill e cia.

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Aos 34 anos, Smith parece ter descoberto como jogar o seu melhor football e, no seu terceiro time, tem novamente a oportunidade de se mostrar a solução e um grande QB da liga. Resta assistir e acompanhar se, ao contrário do que acreditaram as grandes mentes ofensivas dos últimos anos da NFL em Jim Harbaugh e Andy Reid, Alex terá capacidade de elevar a capacidade dos seus companheiros de ataque e apoiar o trabalho de uma defesa que ainda passa um sentimento que não alcança ainda o nível das top da NFC.

O WR de 40 milhões de dólares

Paul Richardson. Esse é o homem que é pago para ser o principal alvo de Alex Smith pelos Redskins – levando em consideração que não sabemos direito de onde ele saiu, afinal o seu despertar das luzes para o resto da NFL (703 jardas, 6 TDs pelos Seahawks) não foi grande coisa, parece muita responsabilidade e pressão no jogador, mesmo que os 40M de dólares sejam distribuídos ao longo de 5 anos.

Para dividir as atenções, Jamison Crowder, queridinho de Kirk Cousins, tem produção parecida com a de Richardson. Talento de verdade temos nos frequentadores do DM da equipe: Jordan Reed, TE que ainda não jogou na pré-temporada, e Josh Doctson, que mesmo tendo passado 2017 saudável, não justificou a sua posição de titular, recebendo apenas 35 passes (e precisa fazer mais do que isso para parar de ser xingado por nós – não que ele esteja preocupado, claro).

Ao lado de Smith, ainda não está bem definido quem carregará a bola pelo gramado: Samaja Perine liderou o time em jardas corridas em 2017, mas com uma média de 3.4 jardas por corrida; Chris Thompson é uma opção mais sólida para o jogo aéreo; e Darrius Guice, escolhido no segundo round, estourou o joelho ainda no training camp. De quebra, até o fim da escrita desse texto, o time ainda tinha Adrian Peterson no roster, o que só adiciona mais drama – caso ele fique, muito mais do que potencial.

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De alto nível mesmo, é válido apontar a linha ofensiva: Trent Williams e Scherff são eternos pro bowlers; Morgan Moses e Shawn Lauvao são titulares sólidos há anos, inclusive com contratos longos para garanti-los ali; e Chase Roullier, da sexta rodada do draft de 2017, já se garantiu como Center titular e não deve ser tirado do posto.

A defesa sem Kendall Fuller

Kendall Fuller, empatado com o Safety D.J. Swearinger, foi o que mais produziu interceptações na defesa, com 4 cada – e, especialmente enfrentando recebedores no slot, deverá fazer falta, já que era um excelente complemento para Josh Norman, eterno marcador em zona. Além disso, uma secundária que teve um bom 2017 também viu Bashaud Breeland, o CB que complementava a marcação em nickel, partir. Os substitutos deverão ser Fabian Moreau e Quinton Dunbar, mas ainda fica a dúvida sobre quem jogará no slot, uma posição tradicionalmente difícil.

A estrela do front seven é Ryan Kerrigan, que produziu 13.5 sacks em 2017 e nunca menos de 7.5 na carreira. Preston Smith seguiu evoluindo em 2017 e é um bom complemento para Kerrigan; de quebra, a equipe ainda adicionou Pernell McPhee, chutado pelos Bears por não corresponder ao grande contrato que recebeu, mas ainda assim útil para uma rotação.

Direto do draft, a linha defensiva conta com a adição de Da’Ron Payne para abrir espaços, segunda vez seguida que Washington investe uma alta escolha em sua linha; em 2018, Jonathan Allen busca ficar saudável ano para usar todo seu potencial.

Palpite

O time não parece ter qualquer chance de desafiar Philadelphia pelo título da divisão a menos que Alex Smith consiga fazer mais do que produziu em 2017, e durante a temporada completa – isso enquanto a defesa evolui um nível mesmo perdendo peças. Entretanto, como dessa liga tudo podemos esperar e sempre nos surpreendemos, Washington talvez seja um time que valha esperar um pouco para ver, mesmo que saibamos que, na maioria das vezes, o benefício da dúvida acaba em frustração ou fracasso.

Métodos para evitar a ressaca

Philadelphia Eagles campeão do Super Bowl. Há uns dez anos isso seria uma piada tão engraçada quanto a Libertadores do Corinthians, mas, infelizmente, nos últimos anos tivemos um movimento extintor de piadas esportivas (nos resta o Cleveland Browns).

Após anos ameaçando ser alguma coisa, o Eagles teve experimentos interessantes, como o DREAM TEAM™ de 2011 e a projeto Chip Kelly. Esse legado trouxe Doug Pederson, técnico da árvore de Andy Reid, que passou 14 temporadas nos Eagles, caso o leitor tenha esquecido.

Um QB para o futuro (e outro para usar agora)

A chegada de Carson Wentz deu um fio de esperança a uma torcida acostumada a torcer para o que antes era conhecido como “só o Philadelphia Eagles”. Os primeiros jogos da carreira foram animadores, mas havia a ressalva da queda brusca no final do ano de calouro. Em 2017, houve um salto de qualidade. Wentz transformou o status de melhor prospecto desde Andrew Luck (todo draft tem um) em um jogo de alto nível, impressionando ao ponto de ser o principal favorito à corrida de MVP em certo ponto da temporada.

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Porém, um scramble ao fim do jogo contra os Rams em Los Angeles (semana 14) parecia colocar a temporada dos Eagles em cheque. Carson Wentz rompeu o ligamento cruzado anterior (vulgo ACL), o que, pelo timing da lesão, coloca inclusive em dúvida seu status para a abertura da temporada. Sabemos que o torcedor da Philadelphia ficou com o cu na mão, temeu que as atuações de Nick Foles criassem um cenário em que tudo iria por água abaixo, como o jogo do dia de Natal contra os Raiders.

Sem seu Quarterback titular, era inevitável que o destino reservasse mais um ano de Philadephia Eagles é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente, evidenciado pelo fato de Vegas colocar o time como underdog para a primeira partida dos playoffs, mesmo jogando em casa. O jogo foi feio, mas o time venceu, com parte da glória sendo dividida com a implosão mental de Steve Sarkisian nos instantes finais. Contra os Vikings no NFC Championship Game, novamente o Eagles era considerado zebra nas casas de apostas, mas acabou humilhando o adversário, para desespero de 20% do site.

Porque sim.

O Super Bowl LII é história e vimos que Nick Foles não apenas evitou a esparramada de farofa, mas foi fator determinante para a vitória contra os Patriots, algo previsto por absolutamente zero pessoas (quem falar que previu tá mentindo, mesmo que mostre provas).

Em condições normais de temperatura e pressão, seria fácil os Eagles enganarem alguém, conseguindo até mesmo uma escolha de primeira rodada pelo jogador, mas a situação de indefinição do retorno de Wentz fez necessária a permanência de Foles. 

Panorama Tático do Ataque

Se nos playoffs os Eagles revolucionaram a NFL fazendo as pessoas esquecerem da existência do play action fake, em 2018 o uso da Run/Pass Option pode ser mais cauteloso. A “desvantagem” de ser campeão é a dificuldade de o manter desempenho no ano seguinte. Assim, é necessária a reformulação do sistema para evitar que as tendências mostradas no ano anterior não sejam facilmente combatidas na temporada seguinte.

A vantagem é que, ao contrário de outros sistemas que invadiram a NFL nos anos anteriores, como a wildcat formation e a read-option, o RPO ainda não foi exaurido, ainda podendo apresentar uma infinidade de variações de jogada sem esgotar o sistema.

Em contrapartida, o bom e velho pro-style offense ainda será necessário sobretudo para alavancar o jogo de Carson Wentz, que ainda tem muito a evoluir na carreira, apesar do que já foi mostrado ser surpreendente para um jogador vindo da segunda divisão universitária.

Como é comum em times vencedores, os Eagles tiveram muitas perdas de jogadores na offseason, sobretudo no ataque. Saíram os RB LeGarrette Blount e Kenjon Barner; os TE Trey Burton e Brent Celek e o WR Torrey Smith. Outro ponto de interrogação é o retorno do LT Jason Peters, que vem de uma ruptura de ligamentos cruzado anterior e medial colateral. Seu substituto Halapoulivaati Vaitai (tente escrever sem jogar no google), está com dificuldades na pré-temporada, apesar de ter sido consistente na metade final de 2017. Apesar dessa dúvida, o restante do grupo de protetores de Wentz é bem sólido, contando com Stefen Wisniewski, Jason Kelce, Brandon Brooks e Lane Johnson.

O dinamismo entre os running backs deve ser a tônica para o ataque, com Jay Ajayi sendo o peão de carga, enquanto Corey Clement e Darren Sproles (retornando de lesão) devem aumentar a dimensão do jogo aéreo. Complementando o jogo de passes curtos e as terceiras descidas, o TE Zach Ertz deve aumentar sua importância como arma do ataque. Alshon Jeffery é o cara responsável por esticar o campo, e Nelson Agholor finalmente contribui em campo após a cirurgia para remoção das raquetes que tinha no lugar das mãos. O nome novo na WR room deve ser Mike Wallace, que é uma espécie de seleção inglesa dos jogadores de NFL: após anos decepcionando quando se esperava protagonismo, finalmente deve produzir alguma coisa no papel de coadjuvante.

Uma defesa consistente

A profundidade de talento nos Eagles é tão grande que atinge o outro lado da bola. E dessa vez é de verdade, não como no lendário Dream Team de 2011. Se no Super Bowl não teve defesa, a unidade contribuiu bastante durante a jornada até lá, garantindo resultados que encaminharam a campanha de 13 vitórias.

Apesar das perdas do DE Vinny Curry, DT Beau Allen e do OLB Mychael Kendricks, o front office de Philly buscou uma estratégia utilizada por nomes como Al Davis e Bill Polian (na época em que sabiam o que estavam fazendo): fortalecer ainda mais a principal virtude da unidade, nesse caso o front seven. Os Eagles trouxeram o NT Haloti Ngata e o DE Michael Bennett, nomes veteranos mas que ainda contribuíram bastante nas últimas temporadas por Lions e Seahawks, respectivamente.

Um pass rush tão forte deve ajudar sobretudo a secundária, que deve ter problemas para encontrar soluções para a posição de nickel após a saída de Patrick Robinson. O segundanista Sidney Jones deve assumir a posição, enquanto Jalen Mills e Ronald Darby devem ser os outside corners. Os safeties Rodney McLeod e Malcolm Jenkins completam a secundária, com papel importante de ajudar sobretudo Jones, que na prática é calouro, já que perdeu quase toda a sua primeira temporada por lesão.

Palpite

No papel, os Eagles tem o melhor elenco da NFL, e ainda pode evoluir. Para um time tão dominante no ano anterior, sempre há a possibilidade de regressão, enquanto as saídas de Frank Reich e John DeFilippo podem ou não ter um impacto na capacidade criativa de Doug Pederson. Na defesa, Jim Schwartz vai para sua terceira temporada como coordenador, reconquistando o prestígio que perdeu quando esteve em Detroit. Schwartz é bom o suficiente para manter o nível da defesa e até mesmo melhorá-la, mesmo se ocorrerem algumas lesões. Mediante esse cenário de continuidade do trabalho vencedor da última temporada, é praticamente impossível não colocar os Eagles como os favoritos a vencerem o título da NFC East, e até mesmo postulantes à homefield advantage. Uma campanha de 12 ou 13 vitórias deve ser suficiente para manter o time como uma das seeds mais altas da conferência. 

A(s) última(s) chance(s) de Eli Manning

Em novembro de 2017, Eli Manning era o QB em atividade com o maior número de partidas consecutivas como titular de uma franquia da NFL. Sua sequência de 210 jogos ficava atrás apenas dos 297 que Brett Favre iniciou pelo Green Bay Packers. Eli era o único quarterback que a torcida do New York Giants tinha visto começar um jogo desde novembro de 2004, há exatos treze anos.

O problema é que treze foi, também, o número de derrotas da franquia em 2017. A pior temporada da história do time foi suficiente para que Eli Manning, um dos 12 QBs a vencer dois ou mais Super Bowls, fosse vítima de uma injustiça que jamais será esquecida.

Eli foi colocado no banco em uma temporada que já estava perdida e sua sequência histórica como starter foi interrompida. A justificativa, segundo o então Head Coach Ben McAdoo, era observar jogadores que não precisavam ser observados: Geno Smith, um QB horrível dentro e fora de campo, e Davis Webb, uma escolha de terceiro round do draft que não era nem de longe o futuro da franquia. Não demorou muito para que jogadores em atividade, ex-companheiros de time e até o ex-técnico Tom Coughlin manifestassem publicamente solidariedade a Eli.

Mesmo com pressão de todos os lados, inclusive da torcida, a decisão de McAdoo foi mantida. Jerry Reese, o então General Manager, apoiou o Head Coach com a justificativa de que “todas as posições precisavam ser avaliadas”. Geno Smith entrou para jogar no terrão de Oakland e ali se encerrava uma era. Injusta ou não, a substituição de Eli Manning representou o que parecia ser o início da reconstrução de um dos times mais vitoriosos da última década, começando pelo seu QB.

Reconstrução?

McAddo e Reese, é claro, não resistiram ao desastroso 2017 e já estão bem longe de New York. Para substituí-los, chegam o Head Coach Pat Shurmur, que até ano passado era coordenador ofensivo do Minnesota Vikings, e o General Manager Dave Gettleman, que trabalhou treze anos no próprio Giants antes de ir para o Carolina Panthers. Schurmur e Gettleman parecem discordar da necessidade de reconstrução do time a partir da posição mais importante do esporte. Ao invés de procurar o substituto de Eli Manning, escolheram construir ao redor dele.

A aposta é que Eli, aos 37 anos, ainda pode liderar a franquia a um terceiro Super Bowl. É algo, no mínimo, arriscado. Por mais que seja legítimo defender Eli no episódio de 2017, é necessário admitir que sua performance está muito distante do que um franchise QB deve proporcionar ao seu time; ele não tem mostrado ser capaz de elevar o talento ao seu redor. Na verdade, é extremamente dependente do que seus colegas de time podem fazer. A boa notícia é que falta de talento não será problema em 2018.

Odell Beckham Jr. está saudável e com a conta corrente recheada com o maior salário de um WR da história da NFL. Há infiéis que consideram os US$ 90 milhões em cinco anos de contrato um desperdício de dinheiro e cap space, mas Odell provou ainda mais o seu valor através da ausência. Sua contusão na semana 5 foi decisiva para o desastre que foi o desempenho ofensivo do time em 2017. Beckham parece mais maduro e motivado para assumir de vez o lugar de melhor WR da NFL. Não é exagero dizer que o renascimento da carreira de Eli Manning passa por Odell Beckham Jr.

Além de Odell, Manning conta com o que talvez seja o melhor grupo de jogadores que já teve à disposição em sua carreira. Sterling Shepard já se mostrou um recebedor confiável e eficiente. Evan Engram não vai bloquear ninguém, mas é um bom TE que precisa apenas de mais consistência e menos drops.

Mas a grande novidade e o provável diferencial do ataque para 2018 é o jogo corrido. A campanha horrorosa do ano passado rendeu a segunda escolha do draft e fez com que o New York Giants tivesse uma decisão a tomar: escolher um QB para o futuro ou o jogador mais talentoso disponível? O time ignorou Sam Darnold e escolheu o RB Saquon Barkley.

A importância da posição de QB e a desvalorização dos RBs fazem com que os críticos se encham de razão para dizer que o Giants errou. Mas a torcida, que não vê um jogo corrido minimamente eficiente desde que Ahmad Bradshaw foi embora, não consegue conter a empolgação. Barkley é um RB completo que trará uma dimensão nova ao ataque.

A linha ofensiva, que tem sido um fracasso há muito tempo, recebeu investimentos consideráveis. Nate Solder chega do New England Patriots para que nunca mais Ereck Flowers tenha que proteger o blind side de Eli Manning.

O rookie LG Will Hernandez, que muitos consideram uma das melhores escolhas do draft, chega para consolidar o lado esquerdo da linha. Flowers deve continuar desapontando como RT (e talvez como ser humano), mas com consequências menos desastrosas. É provável que Solder e Hernandez não consigam fazer milagre, mas qualquer evolução, por menor que seja, é bem-vinda para um grupo que flerta com o desastre há anos.

O outro lado da bola

Depois de ter uma das melhores defesas da NFL na temporada 2016, o New York Giants entrou em colapso e foi para o fundo do poço em 2017. Além de seguidas contusões, o time ainda teve que lidar com três suspensões por razões disciplinares. No final da temporada, o caos estava instalado e o Giants tinha que colocar em campo literalmente um bando de desconhecidos.

O talento, porém, não desapareceu, só foi mascarado por um ano em que tudo deu errado. Os principais jogadores que fizeram a defesa brilhar em 2016 – Damon Harrison, Olivier Vernon, Janoris Jenkins e Landon Collins, todos jogadores de elite em suas respectivas posições – retornam para 2018. Apesar dos principais nomes serem os mesmos, a impressão é que a defesa do Giants está começando do zero.

A única perda considerável foi Jason Pierre-Paul, que foi trocado para o Tampa Bay Buccaneers. Além do alto salário e de não ser um encaixe ideal no novo esquema 3-4 do coordenador defensivo James Bettcher, Pierre-Paul parecia desinteressado e não desempenhou o papel de liderança desejado quando tudo começou a desmoronar (junto com seu dedo).

Para compensar a perda de Pierre-Paul, chega o edge rusher Kareem Martin, que trabalhou com Bettcher no Arizona Cardinals e parece ser o típico homem de confiança do treinador. O LB Alec Ogletree chega via troca com o Los Angeles Rams para reviver uma posição que tem sido sistematicamente negligenciada pelo time nos últimos anos. Junto com Damon Harrison e Olivier Vernon, Martin e Ogletree formam um front seven versátil e respeitável.

A secundária perdeu Dominique Rodgers-Cromartie, um dos jogadores suspensos por violar regras do time na temporada passada, e agora terá que depender do problemático Eli Apple, que parece ser tão detestável que foi chamado de câncer por Landon Collins no meio da confusão de 2017. Janoris Jenkins e Landon Collins são titulares acima da média, mas o grupo peca pela falta de profundidade. Caso contusões aconteçam, o resultado pode ser desastroso.

Palpite:

Em uma divisão em que a rotatividade de campeões é grande e que parece mais difícil do que realmente é, o Giants deve ser, ao menos, competitivo. Uma sequência brutal de jogos no início da temporada deve tornar a missão de chegar aos playoffs um pouco mais difícil. Um recorde de 8-8 trará a dignidade de volta à franquia e a certeza de que 2019 será a verdadeira última tentativa de Eli Manning. Mesmo que não dê certo, Eli continuará fazendo parte da história da NFL onde o merecido reconhecimento virá: Canton, Ohio – quer você goste ou não.

Procurando uma identidade

Uma nova identidade. Para a temporada de 2018, esse é o principal objetivo do Dallas Cowboys. Após Tony Romo ter nos dado mais um motivo pra ligar o SAP nas tardes de domingo e Jason Witten substituir Jon Gruden como COLOR GUY™ no Monday Night Football, cabe ao time encontrar novas lideranças.

Em uma despedida menos glamorosa, Dez Bryant foi defenestrado do Texas, por motivos que vão da queda de produção a ser um péssimo coleguinha de vestiário (fonte: nós achamos isso). Nesse caso, é necessário que Dak Prescott e Ezekiel Elliott assumam seus papéis como líderes do vestiário, tanto técnica quanto pessoalmente.

Uma offseason mais tranquila

Se em 2017 tivemos o circo armado pela punição de Ezekiel Elliott, em 2018 o Dallas Cowboys teve mais paz para trabalhar. Na medida do possível, claro. É intrínseco ao America’s Team a presença nos tabloides, então um circo menos intenso nos jornais ajuda a criar um ambiente em que a  liderança jovem tenha a tranquilidade para trabalhar. A questão Dez Bryant de certa forma é um percalço, porém é mais simples blindar um time às tuitadas de um jogador do que ter um dos seus principais nomes do ataque com problemas com a justiça.

Além dos nomes já citados, Dallas também perdeu o RB Alfred Morris, o WR Brice Butler e o CB Orlando Scandrick, como os jogadores mais notáveis (aqueles que o leitor já ouviu falar o nome). Em contrapartida, o time trouxe o WR Allen Hurns, o OT Cameron Fleming e o DE Kony Ealy (o cara-que-seria-MVP-do-Super-Bowl-50-se-os-Panthers-tivessem-ganhado), todos nomes que buscam se firmar.

O principal deles, Hurns, vindo de duas temporadas interrompidas por lesão, vem buscando espaço como titular na rotação de recebedores, que está em uma situação de time-que-precisa-de-mais-um-para-completar-a-pelada.

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Outro ponto importante da offseason é a volta do DE Randy Gregory, escolha de segunda rodada no draft de 2015. Após problemas com o uso de maconha (o que não deveria ser problema – mas isso é outra discussão), a NFL aceitou o plano de recuperação do jogador, permitindo sua reintegração após uma suspensão por tempo indeterminado.

Gregory, que teve o melhor ano de sua carreira em 2014 na Universidade de Nebraska, era cotado como talento top-5 do draft à época. Agora, o jogador busca espaço em uma liga com tendência de rotações de pass-rush bastante numerosas.

Recarregando (do inglês reloading) 

O Dallas Cowboys fez nove picks no draft de 2018, algumas delas conseguindo bons valores, em escolhas abaixo da cotação de mercado. Na primeira rodada, a escolha do LB Leighton Vander-Esch de Boise State dá a entender que o time busca peças de reposição para Sean eternamente-Lee(sionado). 

Uma substituição quase perfeita, já que o calouro já chega à liga com dúvidas sobre a saúde de seu pescoço. Vander-Esch está em uma daquelas situações de lesões que não se vê ocorrendo em campo (até por que quase ninguém assiste jogos de Boise State) mas aparecem magicamente na época do Combine. Traçando um paralelo, é um boato semelhante ao que ocorreu com Myles Jack, de Jacksonville, à época em que jogava em UCLA. Dallas arriscou a escolha dezenove em Vander-Esch, agora joga a sorte na moedinha para ver se o jogador permanece saudável.

A escolha de Michael Gallup, WR, na posição 81 pode ser o respiro para um grupo de recebedores com déficit de peças, assim como o TE Dalton Schultz, que precisa pisar em sapatos grandes (traduções literais.inc). O recrutamento de Dallas se encerrou com a escolha de Bo Scarbrough, RB do tipo tanque de guerra vindo de Alabama, que provavelmente deve ser familiar ao leitor.

Jason “The Clapper” Garrett

O Homem-Laranja (Garrett, não o outro) merece um tópico especial quando falamos de Dallas Cowboys. Após ser escolhido técnico do ano (sério, isso aconteceu mesmo, por mais absurdo que possa parecer) quando teve Dak Prescott e Ezekiel Elliott em grande fase quando calouros, o homem teve uma temporada de 2017 digna dos melhores momentos de Chuck Pagano.

O ataque comandado pela dupla Garrett e Scott Linehan teve a regressão personificada na atuação do QB Dak Prescott. Se em 2016 Prescott teve 67.8 % de passes completos, 3667 jardas aéreas, 23 TDs e o assustador número de apenas 4 INTs para um QB calouro, em 2017, a produção caiu bastante. 62.9% dos passes completos, 22 TDs e 13 INTs. Ainda, a queda do rating, de 104.9 para 86.6.

Além de números, no game tape vimos um Prescott bastante exposto, principalmente nas partidas em que não teve a ajuda de Zeke Eliott. Uma atuação do nível de 2016 gera a atenção da NFL, e com coordenadores defensivos adversários tendo longos sete meses para estudar as tendências do jogador, Dak teve um rendimento aquém do esperado  em 2017. Nesse aspecto, adivinha, Jason Garrett e Scott Linehan não foram capazes de adaptar o plano de jogo, se é que existe um (o nosso dinheiro está no “não [existe um plano de jogo]”).

No jogo corrido, a perda de Ezekiel Eliott por seis jogos trouxe um problema tanto para o time quanto para o jogador. Zeke  não conseguiu render o esperado antes da punição começar a ser cumprida e até mesmo quando voltou, destacando-se a péssima atuação na altitude de Denver (não é desculpa).

Embora falar que Zeke jogou mal é quase uma súplica para gerar a revolta do torcedor de Dallas, é inquestionável a queda de produção quando vemos que as jardas por tentativa caíram de 5.1 para 4.1. Acima das 4 jardas por tentativa é ainda considerado um bom número para RBs, mas a queda de conversão de primeiras descidas para 22.7% ajuda a regular esses números.

A linha ofensiva, outrora melhor da liga, agora tem que lidar com o problema da ausência por tempo indeterminado do center Travis Frederick. Outra questão importante é trabalhar as posições do LG Connor Williams e RT La’el Collins. Linhas ofensivas estão geralmente a uma lesão de serem ruins, e Adrian Clayborn fez suco de Dak Prescott quando Tyron Smith se lesionou contra os Falcons. Para incrementar a rotação, os Cowboys trouxeram o OT Cameron Fleming, que pode acabar sendo o titular no lado direito, mais pela falta de opção que pela sua qualidade técnica.

Uma defesa com duas caras

Ainda na questão da busca de identidade, a defesa do Dallas Cowboys pode ser explicada como a imagem e semelhança de Sean Lee. Como Lee luta contra as lesões, a defesa foi deficitária pela maior parte da temporada.

No pass rush, a atuação de DeMarcus Lawrence de certa forma mascarou o jogo tímido de Taco Charlton, escolha de primeira rodada de 2017. Nesse bolo, adiciona-se a chegada de Kony Ealy como mais uma peça de linha defensiva, sendo importante nas situações de terceira descida. David Irving provém uma boa opção no meio da linha, embora seja uma peça quase única jogando em 3 e 5-tech.

A principal deficiência defensiva a ser tratada por Rod Marinelli é a secundária. Byron Jones, Jeff Heath, Xavier Woods e Chidobe Awuzie são os titulares de uma unidade que além de tudo não tem muitos atletas para profundidade de elenco. A esperança se dá que o trio de LBs com Lee, Vander-Esch e o excelente-but-yet-to-be-seen Jaylon Smith consiga cobrir o passe.

Palpite

A NFC East é mais uma daquelas divisões em que raramente o vencedor do ano anterior consegue defender o título. Se Dallas conseguiu aparições nos playoffs nos últimos anos de Tony Romo e no ano de calouro de Dak Prescott, essa não deve ser a realidade de 2018. O grupo de recebedores é muito fraco e mesmo se os novatos tiverem impacto, não será suficiente para fazer frente aos rivais. A temporada será de reconstrução em Dallas, possivelmente com a demissão de Jason Garrett ao fim do ano. A partir disso, será necessário trazer uma mente moderna para o ataque, que saiba explorar melhor com as habilidades de Prescott e Elliott, enquanto uma escolha no top 10 do draft de 2019 será essencial para tapar alguns buracos do elenco. Nessa questão, provavelmente uma campanha entre cinco e sete vitórias será o teto que esse time pode alcançar.