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Um bom quarterback pode levar esta defesa ao Super Bowl?

Já sabemos do que a defesa liderada por JJ Watt, melhor jogador defensivo e provavelmente um dos melhores atletas da NFL contemporânea, é capaz. Também sabemos perfeitamente que não foram Brian Hoyer ou TJ Yates ou Brandon Weeden ou qualquer um dos aparentemente infinitos quarterbacks que jogaram pelo time na temporada passada os responsáveis pelo time vencer a AFC South e chegar aos playoffs pela primeira vez sob o comando do head coach Bill O’Brien, em seu segundo ano, repetindo a campanha de 9 vitórias de 2014. A defesa e o constantemente monstruoso DeAndre Hopkins no ataque são os que fizeram esse time ir além das expectativas em uma liga na qual QBs são donos.

Mas, como mostra o massacre de 30-0 por parte de Kansas City na primeira rodada da pós-temporada, um time com um QB abaixo da linha da mediocridade só pode chegar até certo ponto na NFL. E, na esperança de resolver esse problema, o Texans assinou com Brock Osweiller (1967 jardas, 10 TDs e 6 INTs em 7 jogos em 2015) um contrato de 4 anos valendo 72 milhões de dólares – a prova clara da seca que vive a NFL de franchise quarterbacks; aqueles que podem liderar sua franquia por anos e anos mantendo uma razoável taxa de sucesso e bom desempenho.

Um dia normal para Justin James Watt.

Um dia normal para Justin James Watt.

A decisão é questionável, mas o consenso geral é de que o Texans realmente não tinha outra opção: esse time parece pronto para ir longe e nenhum jogador da classe de QBs rookies deste ano parecia sequer um pouco pronto para chegar e liderar uma equipe. Como fez, por exemplo, Russel Wilson.

A dura realidade é que Brock Osweiller era realmente o único com idade e habilidade suficiente para ser um franchise QB disponível no mercado. O maior ponto de interrogação fica pelo fato de que os próprios Broncos – time anterior de Osweiller, campeão do Super Bowl, pelo qual ele jogou metade das partidas da temporada regular no lugar de Peyton Manning – não fizeram muito esforço para mantê-lo na equipe. A temporada de 2016 deve servir para pelo menos dar-nos uma ideia de quem tomou a decisão correta. Palpites?

A melhor situação possível

Qualquer quarterback que “assumisse” esse time de Houston na condição de titular indiscutível não poderia reclamar da situação em que está entrando. Ao contrário da tradicional cultura da NFL que é encontrar seu QB do futuro e depois montar um time ao redor dele (não é necessário nem sair da divisão para observar isso, vide a constante luta de Luck em levar um time que parece incapaz de ganhar um jogo sem ele), a dupla Rick Smith (GM) e Bill O’Brien fez um bom trabalho em montar um time antes de buscar um líder.

Brock terá a sua disposição provavelmente o WR mais constante da NFL em DeAndre Hopkins (1521 jardas, 11 TDs com aquele carrossel de QBs medíocres lançando para ele). Do outro lado, quando Hopkins receber muita atenção das defesas, Osweiller poderá lançar para Jaelen Strong, agora em seu segundo ano; Cecil Shorts, que teve problema com lesões no ano passado, mas já demonstrou potencial no seu tempo de Jaguars; ou um dos rookies Will Fuller, veloz alvo de Notre Dame, e Braxton Miller, que chegou ao time com a denominação de offensive weapon, ou seja, que poderá ser utilizado em várias posições no ataque enquanto o time tentará maximizar seu potencial e sua produção no ataque (ele, inclusive, começou sua carreira como QB antes de ser transformado em WR em Ohio St).

Um QB ou uma gazela?

Um QB ou uma gazela?

Além de bons alvos, Brock também terá boa companhia no backfield. Depois de muitos anos de Arian Foster sendo o principal corredor dos texanos, o time decidiu deixá-lo ir após sua mais nova lesão (essa, ainda mais grave) para assinar com o eternamente subutilizado running back de Miami, Lamar Miller – ele nunca teve a oportunidade de ser um legítimo RB1 pelo Dolphins e nunca tivemos exatamente claros os porquês disso, já que Lamar perdeu toques para jogadores medíocres como Daniel Thomas, e depois, para Jay Ajayi. Se espera que, agora com os Texans e com um QB inexperiente liderando o time, Miller receba os 350+ toques que lhes parecem devidos (como comparação, Adrian Peterson tocou na bola 357 vezes ano passado), ao contrário dos, em média, 250 toques que teve como teto em Miami.

Como adendo, vale ressaltar que para o backfield Houston também trouxe o fullback Soma Vainuku. Fica nossa expectativa imatura para que ele esteja entre os 53 do time depois da pré-temporada.

Liderados pelo melhor jogador da NFL?

JJ Watt é o cara de Houston. Além de ser capaz de vender um tênis horrível como se fosse o melhor do universo (sério, JJ Watt Reebok Signature ou algo assim: mais feios que os do Steph Curry), extremamente dedicado (ano passado ele passou um mês isolado em uma cabana na floresta apenas treinando durante as férias), ainda é um monstro dentro de campo e candidato a bater o recorde de 22.5 sacks em uma temporada, aterrorizando constantemente linhas ofensivas e quarterbacks, para não mencionar defesas quando o treinador dá a ele a oportunidade de brincar de TE em jogadas de goal line nas horas vagas.

No começo de julho, JJ passou por uma cirurgia nas costas que lhe deixará fora por volta de dois meses, perdendo assim todo o período de pré-temporada, mas tudo indica que ele deve (deve, uma lesão nas costas é sempre algo complicado) estar 100% para a temporada regular. Mas a saúde de Watt não deverá ser a maior pedra no caminho para os playoffs dos Texans: em uma AFC South reforçada, mais jogadores da defesa terão que ajudar, como o LB Whitney Mercilus (12 sacks) ou o CB Johnathan Joseph que, espera-se, repitam o bom trabalho de 2015.

Entre todos esses, talvez o com maiores capacidades de destacar-se seja Jadeveon Clowney, primeira escolha do draft de 2014, um gigante nos seus três anos de college, mas que sofreu uma lesão (que levou a uma cirurgia de micro fratura, conhecida por acabar ou pelo menos dificultar bastante carreiras na NFL) no seu primeiro jogo e, talvez por isso, ainda não demonstrou todo seu potencial. Agora, com dois anos já passados, fica a expectativa para que Clowney seja o demônio que todos esperavam e tome um pouco do protagonismo para si.

Palpite: Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado nessa temporada para Houston. Se Brock Osweiller for realmente o QB do futuro e JJ Watt estiver saudável, por mais que a AFC South esteja realmente muito mais forte esse ano, Super Bowl é uma realidade tangível para os próximos anos. Porém aposta que fica é que Osweiller está longe de ser a última Trakinas do pacote, Watt não estará no seu melhor e o time repetirá o 9-7 do ano passado. No fundo, Jaguars e Colts são melhores e vão para os playoffs no lugar dos Texans.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (*e o Cleveland Browns)

Na pré-temporada, sempre parece claro que todo time na NFL terá 100% dos jogadores saudáveis e que todos são top 5 em suas posições. E, bem, os que não são, fizeram o melhor para chegar a essa condição durante o período longe dos treinadores. Pensando assim, parece óbvio que todos os times, menos o Browns, terminarão 19-0 na temporada, atropelando todos os adversários com vitórias por 30-0 – porque o head coach, em um ato de humildade, pedirá para o time tirar o pé:

Classificação

Para a sorte de nossos leitores, nós do PickSix não nos deixamos enganar. Sabemos perfeitamente que, se no final das contas, um time ganha o Super Bowl, é mais por culpa dos outros 31 do que por méritos próprios.

Obviamente, para um melhor entendimento, escreveremos elaborados previews sobre cada uma das equipes (não se deixe enganar pelas otimistas), mas a lista seguir deve servir como resumo suficiente como a principal razão do por que seu time não vai ganhar o Super Bowl LI:

AFC North: provavelmente a divisão mais furada da NFL e a com maiores possibilidades de que um dos times só chegue aos playoffs porque conseguiu uma campanha perfeita nos confrontos internos.

Baltimore Ravens – O contrato de Joe Flacco está matando um time que chegou e ganhou duas vezes o Super Bowl em belos esforços coletivos.

Cincinatti Bengals – Depois de 2015, acho que está mais do que claro que Andy Dalton nunca vai ganhar um jogo de playoff, seja por culpa própria ou de terceiros.

Pittsburgh Steelers – O ataque mais incrível e a defesa mais bosta da NFL. Talvez não cheguem nem aos playoffs.

NFC North: a divisão das desculpas esfarrapadas. Todos os times parecem prontos para ganhar o Super Bowl, mas sempre no ano seguinte quando tudo magicamente irá dar certo.

Chicago Bears – Jay Cutler é o QB mais deprimente em uma divisão ganha por um Teddy Bridgewater que não consegue lançar para mais de 15 jardas.

Detroit Lions – Um time que recém terminou uma temporada com um 7-9 após uma campanha de recuperação e perde o melhor jogador do seu ataque. Não é exatamente a receita para chegar ao título.

Green Bay Packers – O time sempre tem alguma lesão para botar a culpa dos seus fracassos, seja de Aaron Rodgers ou de um linebacker reserva. Esse ano não será diferente.

Minnesota Vikings – E quando tudo parecer que vai dar certo para os Vikings, algo completamente inexplicável acontecerá. Pode ser uma lesão ou um FG de menos de 30 jardas desperdiçado a 10 segundos do fim.

Tem coisas que só acontecem com o Lions...

Tem coisas que só acontecem com o Lions…

AFC South: a divisão mais disputada da Conferência Americana. Infelizmente, qualquer um que chegue aos playoffs já terá gastado todo o fôlego e morrerá sem nem chegar na praia.

Houston Texans – Nunca um time da NFL jogou o Super Bowl em casa e não vai ser Brock Osweiller o responsável por conseguir tal façanha.

Indianapolis ColtsQuarterbacks são tudo na NFL. Mas não quando o único bom jogador do seu time é o quarterback.

Jacksonville JaguarsDream team da temporada de 2016. Não precisa entender muito de futebol americano para saber como isso vai acabar.

Tennessee Titans – Talvez o time mais triste da NFL, já que os Browns pelo menos não iludem o torcedor. Vão acabar com a carreira do Mariota – ou ele acabará com o Titans.

NFC South: o QB que jogue bem ganhará essa divisão. Infelizmente nenhum dos times parece ter muito além disso.

Atlanta Falcons – Matty Ice fez o James Hunt e nunca mais voltou aos playoffs desde que ganhou uma partida lá.

Carolina Panthers – Kelvin Benjamin terá a desculpa de que está voltando de lesão e a defesa terá a desculpa de que perdeu Josh Norman.

New Orleans Saints – Drew Brees é muito melhor jogador do que Joe Flacco, mas seu contrato acabou igualmente com o time (e com o meu fantasy nessa necessidade de não ter um WR principal).

Tampa Bay Buccaneers – Como todo bom QB que não se chame Russell Wilson, Jameis Winston “precisará de mais um ano para se desenvolver”.

Agora assista aí de camarote.

Agora assista aí de camarote.

AFC West: se tem uma divisão da qual não sairá um campeão do Super Bowl é essa. A defesa dos Broncos operou um milagre em 2015, mas um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Denver Broncos – Mark Sanchez no time (e ele ainda acabará sendo titular) elimina automaticamente a chance de qualquer franquia chegar ao Super Bowl.

Kansas City Chiefs – Na AFC, Alex Smith só é mais QB que Mark Sanchez, o que no fundo não quer dizer porcaria nenhuma.

Oakland Raiders – O dono do time está mais interessado na mudança de cidade do que na temporada. Certo ele.

San Diego Chargers – Philip Rivers terá mais filhos do que TDs e Joey Bosa começará jogos como QB, já que foi escolhido para jogar fora de posição mesmo.

NFC West: já foi indiscutivelmente a melhor divisão da liga. Hoje é apenas fonte de expectativas e decepções.

Arizona Cardinals – Quando não se machuca, Palmer pipoca na hora da verdade. Seriam meus favoritos ao Super Bowl se tivessem Tim Tebow.

Los Angeles Rams – Pode demorar algumas rodadas, mas logo o owner Stan Kroenke vai perceber que os estádios vazios em St Louis não eram mais culpa de Case Keenum que da cidade.

San Francisco 49ers – Por mais que falemos de Titans ou Browns, a equipe de Chip Kelly é a mais bosta da NFL. Um RT ex-aposentado deve ser o melhor jogador do time (Anthony Davis).

Seattle Seahawks – Muito amados para um time que não tem linha ofensiva (e uma linha defensiva cheia de jogadores insatisfeitos).

AFC East: aquela eterna disputa pelas vagas de wild card atrás dos Patriots.

Buffalo Bills – Rex Ryan conseguiu estragar uma defesa que parecia pronta para carregar o time. Além disso, o melhor alvo do time, Sammy Watkins podia tentar parar de se estourar.

Miami Dolphins – Adam Gase vai ajudar Ryan Tannehill a melhorar, mas Suh recebeu 80 milhões para liderar essa defesa – e não irá.

New England Patriots – Vão ganhar a divisão, mas Belichik e Brady não vão mais conseguir roubar para chegar à grande decisão. Talvez Garoppolo tenha novas ideias.

New York Jets – Geno Smith foi considerado como substituto de Ryan Fitzpatrick. O time poderia começar respeitando o próprio QB titular.

NFC East: divisão com mais hype da NFL. A imprensa americana ama todos eles, mas nós não nos deixamos enganar tão facilmente.

Dallas Cowboys – Tony Romo está do tamanho dos jogadores da melhor linha ofensiva da NFL. Além disso, todos nessa defesa são idiotas.

New York Giants – Pagarão mais de 25 milhões de dólares por ano para um gordo de linha defensiva e um DE com apenas 29 sacks na carreira.

Philadelphia Eagles – Um time que conseguirá ser pior sem Chip Kelly. E porque odiamos Sam Bradford.

Washington Redskins – Por mais que todos queiramos crer no contrário, Kirk Cousins vai acabar se provando pior do que Robert Griffin III.

*Cleveland Browns – excluído da lista original pelo simples fato de, bem, não podemos considerá-los um time de football.