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Tenha US$2 no bolso e lembre que LeBron James não joga Football

Para o Cleveland Browns toda offseason pode ser traduzida em um sentimento: esperança. Esta, provavelmente, ainda mais intensa que as anteriores, afinal graças a LeBron James a maldição acabou. Então é hora de pensar que será diferente, pensar que a maré finalmente irá virar.

Mas o roteiro normal nos leva a acreditar que, bem, nem mal chegaremos ao fim de outubro e o Browns já estará em algum lugar entre o nada e o limbo da AFC North. Difícil é explicar isto para uma cidade que, embora já calejada, agora deposita suas esperanças sob o braço direito de Robert Griffin III.

RGIII que também procura sua própria redenção, busca dar novo fôlego a uma outrora promissora carreira. O grande “porém” é que estamos falando do Browns e quando falamos do Browns há diversos fatores que nos impedem de acreditar que qualquer recomeço será, efetivamente, um recomeço.

Mar de incertezas

A pré-temporada já bate a porta e, apesar da confirmação de que Griffin será o quarterback titular na semana 1 da temporada regular, há um mar de incertezas: Josh McCown sofreu com lesões no ano passado, perdeu oito partidas, mas quando esteve lá, não decepcionou (rating de 93,3). Mesmo assim, o Browns selecionou Cody Kessler, QB de USC, na terceira rodada do último draft. Apesar de ter demonstrado inteligência e precisão em passes curtos ao longo de sua carreira no college football, Kessler tem o braço tão consistente quanto manteiga derretida – e QBs com braços de manteiga nunca são um bom começo.

Mas vamos ser honestos: aceitar que McCown, ou mesmo em um delírio coletivo, Cody Kessler será o quarterback de Cleveland equivale a assumir um compromisso com a mediocridade. É estar certo que o Browns chegará a lugar nenhum enquanto faz nossos olhos sangrarem de desgosto.

Já com Robert Griffin III a história é outra; há pouco tempo ele levou o Redskins aos playoffs e faturou o NFL Offensive Rookie of the Year. O script, porém, não foi seguido e após uma temporada de estreia encantadora, Robert terminou com um ligamento cruzado rompido e nunca mais foi o mesmo. Aliás ainda é impossível compreender como permitiram que RGIII permanecesse em campo naquele confronto contra Seattle, mas esta é outra história.

De qualquer forma, a lesão fez com que sua mobilidade fosse reduzida drasticamente, restringindo seu jogo no pocket o que invariavelmente expôs (e talvez também tenha potencializado) seus pontos fracos. Houve tempo ainda para Griffin entrar em rota de colisão com Jay Gruden, perder a vaga para Kirk Cousins e, quando percebemos, ele estava com os dias contados em Washington.

Agora, além da concorrência com McCown, resta saber qual Griffin entrará em campo pelo Browns. 50% do RGIII de 2012? Bom, já seria animador, ao menos para quem passou os últimos anos confiando em Jhonny Manziel.

Confiança é tudo

Para a temporada 2016-17, o Browns não mudou apenas seu quarterback, mas também seu treinador: Hue Jackson era um dos nomes mais concorridos desta offseason.

Tido como um dos melhores coordenadores ofensivos da NFL, podemos afirmar sem riscos que se trata de uma dos grandes responsáveis pelo recente sucesso do ataque dos Bengals – na temporada passada, o sétimo melhor da liga, com média superior a 26 pontos por partida. Mas talvez o grande feito de Hue seja também um dos maiores milagres já realizados em um gramado: ele é um dos responsáveis por Andy Dalton ter atuado em alto nível e de maneira constante por cinco ou seis meses.

Provavelmente este seja o grande trunfo de Hue; ele acredita em si mesmo, em sua capacidade, naquilo que pode realizar com quarterbacks oscilantes e crê que pode fazer com RGIII o mesmo que fez com Dalton. Para Jackson aquela temporada de 2012 ainda está ali: ele tem consciência do conjunto de habilidades de RG III e acredita que a mobilidade, essencial para um jogador com suas características, pode ser recuperada, que no fundo é tudo uma questão de confiar novamente em seu joelho. Quando está confiança retornar, ele terá novamente aquele QB que pode sair do pocket e fazer grandes jogadas acontecerem, mas também pode permanecer nele, ler a defesa e tomar a decisão correta – afinal, dizem por aí, esta habilidade não está relacionada com um ligamento cruzado.

Precisamos dar algum crédito a Jackson, e também a Griffin. Estamos diante de um roteiro perfeito: uma equipe desesperada por um quarterback talentoso; um quarterback buscando reencontrar seu rumo. O que poderia sair fora do planejado?

Tudo! Nunca esqueçam: estamos falando de Cleveland.

RG3esperançoso

A cara de quem está ansioso para começar um novo trabalho.

Do inferno ao inferno

Comecemos com a OL. Griffin precisa de proteção e, bem, os homens a sua frente não inspiram confiança. Pese ainda o fato de que o right tackle Mitchel Schwartz, um dos melhores da posição na liga, deixou a equipe. O center Alex Mack rumou para o Atlanta Falcons e também não está mais lá. A boa notícia é que Joe Thomas, possivelmente o melhor offensive tackle da NFL, permanece e não demonstra nenhum sinal de declínio. De qualquer forma, na temporada passada, o Browns foi a 26ª equipe em pass protection e a 29ª em run blocking.

E vamos supor que, mesmo com pouco tempo para ler a defesa adversária, Griffin encontre uma solução. Ainda assim ele terá a disposição um corpo de recebedores capaz de deixar qualquer QB desesperado. Resta apenas confiar no TE Gary Barnidge e não há nada que garanta que Gary irá repetir os números da última temporada (79 recepções, 1043 jardas e 9 touchdowns). Aliás, antes de 2015-2016, Barnidge nunca sequer tivera mais do que 13 recepções.

Ok, neste ponto podemos ser um pouco condescendentes: antes do draft, os wide receivers dos Browns eram Brian Hartline, Andrew Hawkins, Taylor Gabriel, Marlon Moore, Terrelle Pryor, Rannell Hall e Saalim Hakim. Algo tão animador quanto atravessar um deserto com meio litro de água e um donut no bolso.

Do draft veio Corey Coleman que em sua carreira universitária se caracterizou pela velocidade. É a principal aposta dos Browns, mas as impressões iniciais de Coleman deixam os torcedores receosos: especialistas dizem que embora seja veloz, sua explosão não será boa o suficiente para a NFL. Outro grande problema apontado em Corey é sua versatilidade (e falta de evolução): em Baylor, Coleman funcionou em uma variedade pequena de rotas e sabemos que um repertório restrito será fatal entre os profissionais.

Além disso, dizem as más línguas, que a grande especialidade de Corey Coleman são os drops. Tudo leva a crer que estamos diante de um WR de baixa estatura, com repertório limitado e com explosão insuficiente. Já os demais WRs selecionados pelos Browns (Ricardo Louis, Rashard Higgins e Jordan Payton) são aqueles clássicos nomes que tendem a nada produzir por bastante tempo.

Pelo menos teremos Josh Gordon de volta. Como culpar alguém que prefere curtir a vida a ser um atleta profissional? Na verdade, se ele refletir, talvez perceba que é melhor desistir e voltar a curtir sua erva em paz do que esperar lançamentos de RGIII. Ao menos é o que eu faria.

Enfim, o cenário é tão triste que nem o jogo corrido surge como opção: Isaiah Crowell e Duke Johnson combinaram para, atenção, um total de zero temporadas de pelo menos mil jardas em suas carreiras – na temporada anterior, Cleveland teve média inferior a 96 jardas por partida, ocupando uma não tão honrosa 22ª colocação neste quesito. E não esqueçamos que nesta temporada eles estarão sem Schwartz e Mack.

Se você não torce para o Cleveland Browns, já tem motivos suficientes para agradecer aos céus.

O outro lado da bola

Se as projeções ofensivas são tristes para Cleveland, podemos dizer o mesmo para a defesa. Alguns jogadores fundamentais deixaram a equipe na última free agency – entendemos, afinal, ninguém quer ficar em Ohio.

O free safety Tashaun Gipson acertou com os Jaguars, que certamente saberá aproveitar suas qualidades. Já o SS Donte Whitner também partiu. Não que Donte fosse uma perda significativa para 31 outras equipes da liga, mas acreditem: o Browns sentirá sua falta. O ponto positivo é que Joe Haden e Tramon Williams seguem sendo cornerbacks confiáveis – mesmo que Joe tenham sofrido com lesões no ano que passou. Outra perda que será sentida é o ILB Karlos Dansby, que acertou com o Bengals. Mesmo aos 35 anos, estamos falando do Cleveland Browns, então qualquer atleta com o mínimo de coordenação motora que deixe a equipe será uma baixa considerável.

Povo mais sofrido da América. Não importa o que digam os livros de história.

A dura realidade

Dói, queremos acreditar, mas esta é a dura realidade: Griffin é uma incógnita. Não negamos se tratar de um cenário melhor do que ter um time comandado por Manziel. Mas mesmo assim é uma nuvem de incertezas já que, desde sua temporada de estreia, não vemos o mesmo RGIII. E este Robert estará atrás de uma linha instável, apoiado por um jogo corrido pronto para não ir a lugar algum e com os melhores alvos aéreos ainda precisando ser lapidados.

O fato é que mesmo se Griffin, em algum momento, lembrar sua temporada de estreia e Jackson fizer algo minimamente semelhante ao que conseguiu em Cincinnati, é mais provável que tudo dê errado. Para o Browns resta aceitar que, infelizmente, LeBron James não joga football: o melhor é economizar energias para torcer pelo bicampeonato do Cavaliers e saber que, na pior das hipóteses, se você ao menos tiver dois dólares no bolso, ainda conseguirá uma camisa de Johnny Manziel.

Palpite: quatro ou cinco vitórias na temporada e, na semana 9, McCown ou Kessler ou outro qualquer assumirá o lugar de RGIII. Jackson sentirá saudades de Andy Dalton e, após uma derrota trágica no MNF, ligará para Jeremy Hill dizendo que o perdoa por aquele fumble nos minutos finais contra o Steelers.

Pode acontecer.

Pode acontecer.

Até somos bons (mas também somos muito idiotas)

A dor da pancada nem sempre é assimilada e normalmente após o baque nos arrastamos agonizantes. Olhando para o horizonte, em qualquer canto de Cincinatti, é bem provável que ainda haja sofrimento em suas esquinas, potencializado quando um visitante de Pittsburgh sorri irônica e discretamente.

Aos que sobreviveram resta apenas esperar as feridas cicatrizarem, torcer para que alguma entidade divina conserte as fraturas deixadas e, enquanto o processo de luto ainda está ali, encontrar um lugar confortável para guardar uma das derrotas mais vexatórias de sua história.

Mesmo assim é preciso estar consciente que as derrotas que mais machucam devem de alguma forma ser cultivadas e lembradas: grandes quedas, se bem aproveitadas, ajudam a forjar caráter, algo que vitória alguma proporciona, afinal sobreviver ao martírio exige empenho e dedicação. Já sobreviver a uma grande vitória possui o mesmo mérito que sobreviver a uma grande ressaca.

Chamem um exorcista

Para o Cincinatti Bengals é impossível pensar no futuro enquanto não forem exorcizados todos os demônios que foram revelados no Paul Brown Stadium naquela noite chuvosa. E tampouco é possível saber se todos eles foram expulsos nesta offseason. Aliás é mais provável que a maioria deles ainda esteja lá e por lá permaneçam por muito tempo.

Não é fácil se livrar da imagem do fumble de Jeremy Hill a um minuto do fim, o mais próximo que o Bengals chegou de vencer um jogo de playoff desde janeiro de 1991. Ou apagar da memória a tentativa de assassinato do LB Vontaze Burfict contra Antonio Brown, com a bola já próxima ao meio campo. E em meio ao caos, quando ao mesmo tempo nada, tudo e coisa nenhuma seguiam algum princípio lógico, entender os motivos que levaram o CB Adam Jones a “trombar” com, Joey Porter, assistente do Steelers.

A vida é a bola e nós somos as mãos do Jeremy Hill.

A vida é a bola e nós somos as mãos do Jeremy Hill.

É difícil encontrar um só culpado pela implosão de Cincinatti naqueles minutos finais, mas doa a quem doer, Marvin Lewis é hoje a cara deste Bengals ainda imaturo, que mais lembra uma bomba relógio ou um adolescente problemático. Mesmo assim Lewis é o treinador com o maior número de jogos na história da franquia e também o head coach com mais vitórias. E das 14 vezes que o Bengals foi aos playoffs, sete delas foram sob seu comando, assim como quatro de seus 10 títulos de divisão.

De qualquer forma, é natural crer que uma derrota como esta irá afetar a franquia pelos próximos anos; é uma perda angustiante, mas Marvin argumenta que ela fará o Bengals um time melhor. “Você não pode se esconder atrás de uma derrota, você aprende com ela e cresce a partir dela. Então ela se torna parte de sua identidade, parte de sua história e só assim você saberá lidar com o que está por vir”, disse o treinador em entrevista a Sirius XM NFL.

Porém, para o Bengals, vencer nos playoffs parece impossível: são sete derrotas, quatro em Ohio. E na última delas com 30 jardas doadas para o maior rival nos últimos segundos. 30 jardas de graça para quase 30 anos sem vitórias na pós-temporada. Tudo isto enquanto um Big Ben manco ria da sua cara.

Olhando para o futuro

O lado bom é que AFC North parece cada vez mais frágil. É uma janela de oportunidade para Dalton que talvez ele não encontre novamente: claro, sempre há o Steelers, mas em contrapartida também existe um Ravens que reúne anciões cambaleantes que pouco ou nada prometem e, bem, jogar duas vezes contra o Browns é um presente que não se recusa.

É um cenário favorável, mas precisamos reconhecer que já conhecemos o melhor de Andy Dalton: é aquilo que vimos em 2015. Também é verdade que seu braço é extremamente limitado; Dalton tem inteligência, capacidade para reconhecer seus erros, mas não pode lançar a bola 40 vezes por partida. Não se você espera vencer algo.

Não esqueçamos também que o corpo de recebedores do Bengals perdeu Marvin Jones e Mohamed Sanu na free agency. Ok, nenhuma dessas despedidas é capaz de provocar lágrimas nos torcedores, e AJ Green e Tyler Eifert, que combinaram para 138 recepções, 1912 jardas e 23 touchdowns no último ano, ainda estão lá. Porém o próprio Eifert deve perder boa parte do início da temporada após passar por uma cirurgia no tornozelo no final de maio.

De AJ Green, aliás, agora se espera que ele assuma a liderança que sempre lhe pareceu destinada. Hoje ele é o sexto em recepções (415) na história da franquia; quinto em jardas (6171) e quarto em touchdowns (45). Na temporada que passou, Green foi espetacular: foram 86 recepções para 1297 jardas e 10 touchdowns – pelo quinto ano consecutivo, ele superou as 1000 jardas.

Para compor o elenco de WRs, buscou-se Tyler Boyd no draft. Boyd quebrou inúmeros recordes na Universidade de Pittsburgh que pertenciam a um tal de Larry Fitzgerald. É um recebedor eficaz, que dropa poucos passes e capaz de ganhar jardas significativas após a recepção. A outra opção será o veterano Brandon LaFell, que hoje está mais próximo de uma piada de mau gosto do que de um atleta profissional.

O jogo corrido é outro que precisa se recuperar. Após uma temporada de estreia brilhante, Jeremy Hill fedeu em seu segundo ano, com média de 3,6 jardas por tentativa. Mesmo com 12 TDs, Hill foi extremamente ineficiente, isto que esteve durante boa parte do tempo protegido por uma das melhores OLs da NFL.

Mas mais do que recuperar seu bom football, Jeremy precisará também recuperar a confiança perdida com aquele fumble. Já Bernard tem bons momentos, mas é incapaz de ser um RB1; Gio consegue correr, receber e bloquear de maneira digna, mas não pode ser o foco do jogo corrido de uma equipe com alguma pretensão, seja ela qual for.

Você diria não para este homem?

Você diria “não” para este homem?

Temos talento, mas não tanta inteligência

Não podemos negar que o Bengals teve um dos melhores conjuntos defensivos da NFL em 2015. Mas que implodiu no jogo mais importante do ano.

Para 2016-2017, eles perderam o free safety Reggie Nelson, que mesmo aos 33 anos era um jogador excelente e agora defenderá o Oakland Raiders. Confia-se em Shawn Williams para substituí-lo e ao lado de George Iloka, eles devem dar conta do recado. Já o CB Adam Jones estará com 33 anos e não será surpresa se uma queda de produção chegar. Enquanto isso, Dre Kirkpatrick, saudável, tende a ter uma temporada superior a que passou.

Por outro lado, Geno Atkins (DT), segue como um dos defensores mais dominantes da liga, capaz de enfrentar com a mesma eficiência tanto o jogo aéreo como o jogo corrido. Mas ele está cercado por jogadores medianos e precisa compensar as deficiências de colegas como Rey Maualuga (MLB), Vincent Rey (OLB) e Carlos Dunlap (DE). Se o Bengals não quer sobrecarregá-lo, precisa buscar mais profundidade para o elenco – e, bem, Vontaze Burfict só retornará na semana 4, não precisamos relembrar os motivos.

O setor perdeu ainda Emmanuel Lamur e AJ Hawk, mas ambos tiveram uma temporada decepcionante e não devem fazer falta alguma. Para o lugar de Hawk, Karlos Dansby, que veio de Cleveland, deve assumir a posição. Dansby completará 35 anos em novembro e não sabemos ao certo o quanto ele pode render nesta altura da carreira: a única certeza é que ele será mais eficiente que os restos mortais de AJ Hawk que desfilaram pelos gramados na temporada passada.

Palpite: jogar duas vezes contra o Browns garantirá duas vitórias. A tabela, como sempre, deve enganar e o time estará novamente nos playoffs. Mas na hora que separa os homens dos meninos, o Bengals será o Bengals: Burfict ou Jones (ou ambos) darão algum chilique, colocando tudo a perder e, em 2017, Marvin Lewis desistirá de Cincinatti. E possivelmente da vida.

Confiamos em John Harbaugh (e temos Justin Tucker)

É difícil duvidar de certos times, sobretudo quando comandados por determinados treinadores; mesmo com um deprimente 5-11 na temporada que passou, foi a primeira campanha negativa de Baltimore em oito anos sob o comando de John Harbaugh: o Ravens nunca teve duas temporadas com aproveitamento inferior a 50% neste século – aliás, 2015 foi apenas a quarta vez, desde 1998, com mais derrotas do que vitórias. E a equipe sempre reagiu na temporada seguinte (10, 13 e 11 vitórias).

Vale lembrar que o 2015 do Baltimore Ravens foi marcado por lesões, tornando complexo analisar a temporada sem considerá-las determinantes: em dado momento 20 jogadores estavam no IR – eles ainda precisaram movimentar seu roster 100 vezes durante o ano, um número fora de qualquer padrão lógico.

Não é fácil perder seu QB1 (Joe Flacco), seu principal RB (Justin Forsett), seu melhor WR (Steve Smith), sua escolha de primeira rodada (o também WR Breshad Perriman) e seu melhor pass rusher (Deus, como sentimos saudade de Terrell Sugs). Perdas estas que resultaram basicamente em uma secundária que ocupou o último lugar em interceptações, um pass rush que passaria vergonha na CFL e um ataque com profundidade tão densa quanto a do Tietê.

Nada será como antes: esqueçamos 2015!

De toda a infinidade de lesões sofridas pelo Ravens na temporada passada, a de Flacco foi a mais significativa; é ele quem move o ataque e, bem, ruim com Joe Flacco, pior com Matt Schaub e Jimmy Clausen – mesmo que Flacco tenha tido números semelhantes aos de um Nick Foles com incontinência urinária.

Para 2016, proteger o lado cego (e consequentemente o joelho esquerdo recentemente reconstruído) de seu QB será fundamental. Aliás, o próprio Flacco assumiu que não sabe como reagirá a sua primeira pancada – algo natural, claro.

Agora, o responsável por protegê-lo será o OT Ronnie Stanley, vindo de Notre Dame e escolhido na primeira rodada do draft. Stanley tem potencial para se tornar um bom left tackle, contando com seu físico para manter a pressão longe do pocket. De qualquer forma, até Stanley passar pelo processo natural de adaptação à NFL, é bem provável que Flacco sofra. Aliás, se Ronnie Stanley possuir coordenação motora para parar em pé sem tropeçar em suas próprias pernas, ninguém sentirá saudades dos últimos momentos do antigo dono da posição e recém aposentado Eugene Moore.

Mas a grande perda linha ofensiva será Kelechi Osmele, que assinou com o Oakland Raiders – Ryan Jensen deve ocupar seu lugar, mas a verdade é que eficiência é uma palavra que nunca pareceu fazer parte de seu vocabulário.

Acabei de ver meu saldo.

Acabei de ver meu saldo bancário.

Busca pelo equilíbrio

O envelhecimento do setor ofensivo é outra questão chave para Baltimore: Steve Smith já está com 37 anos, o G Marshall Yanda completou 31 recentemente e Justin Forsett é um running back com 30 primaveras completas e voltando de lesão. É um time construído para vencer imediatamente: não há tempo a perder.

Porém, para ajudar os já citados Forsett e Smith, Baltimore achou uma boa ideia trazer uma dupla composta pelo WR Mike Wallace (que reprovou no teste físico pré training camp; um atleta profissional reprovar no training camp equivale a um motorista reprovar no exame psicotécnico na busca por sua CNH) e pelo RB Trent Richardson. Dois cidadãos que somados tem o valor semelhante a um saco de bosta (o que só valida nossa teoria do absurdo que é tantos não-jogadores recebendo inúmeras oportunidades enquanto Tim Tebow segue, literalmente, esperando). Richardson, porém, durou apenas dez dias e já não está mais entre nós – porém o simples fato de um time ainda cogitá-lo para qualquer função que não seja segurar Gatorade na sideline, é assustador.

Já para auxiliar o que restou do TE Dennis Pitta, o escolhido foi Benjamin Watson, que veio de New Orleans e, se for um ser humano digno, tem um acordo com Drew Brees para encaminhar metade do salário para seu antigo QB pelo restante de sua carreira.

Alguém nos ajude

É difícil prever como Steve Smith irá retornar, afinal ele já está com 37 anos e lesões no tendão de Aquiles costumam ser cruéis – mas também já aprendemos a nunca duvidar de Steve Smith. Outra incógnita é o quanto Breshad Perriman pode render. E já que Mike Wallace tem tanta credibilidade quanto uma nota de US$3 e Dennis Pitta não possui uma célula saudável em seu corpo, é provável que Kamar Aiken (75 recepções para 944 jardas em 2015) se torne a principal válvula de escape de Joe Flacco.

Restará a Baltimore torcer para um maior protagonismo ao seu jogo corrido; mas vale lembrar que Forsett não foi eficaz no ano que passou (média de 4,2 jardas por tentativa, compensadas pelas mais de 30 recepções). Dessa forma espera-se que o rookie Kenneth Dixon, que teve uma boa passagem por Louisiana Tech e surpreendeu no combine, possa preencher esta lacuna.

E se ofensivamente nada der certo, sempre será possível chegar pouco além do meio campo e confiar em Justin Tucker – possivelmente um dos únicos kickers, essa raça desnecessária, que possa ser considerado gente.

Sou kicker mas sou legal.

“Sou kicker mas sou legal”.

Retornando das cinzas

O Ravens de 2015 começou a ruir quando o tendão de Aquiles de Terrell Suggs rompeu, logo na primeira partida da temporada. Era o sinal de que, bem, não seria um bom ano. Como já citamos, a lesão de Suggs somada, claro, a outros fatores, levou todo o sistema defensivo de Baltimore a um colapso.

Aos 33 anos, Terrell pode não retornar 100% fisicamente, mas com metade de seu potencial a situação melhorará significativamente – o que só reitera a tragédia ocorrida na última temporada, quando exceto Elvis Dumervil nenhuma alma se salvou e pressionou minimamente o quarterback adversário.

A secundária é outra incógnita: o CB Jimmy Smith já demonstrou potencial, ao permitir apenas seis touchdowns em suas primeiras quatro temporadas (em 2015, porém, foram seis sob sua cobertura). Outro fator que pode ser fundamental para melhorar o setor é a presença do FS Eric Weedle, contratado na free agency após deixar San Diego. Eric tende a aliviar a carga de trabalho tanto de Smith, como de Lardarius Webb e com certeza preencherá o buraco deixado desde a partida de Ed Reed, em 2012.

Ser hater é um hobby

É legal odiar Flacco, podemos tornar isto público sem maiores ressentimentos. Mas faremos isso se o Ravens assumir que comprometeu seu futuro ao renovar o contrato do QB por valores absurdos. Ok, Flacco lhes deu um Super Bowl, o que não é pouco e gratidão é algo em falta da humanidade, mas depois disso… Aceitemos: Flacco é um bom quarterback, mas ganha como MVP. Só essa temporada irá custar US$22,5 milhões – e em 2020 ganhará quase US$30 milhões. Ele será o QB do Ravens por mais quatro ou cinco anos: até lá Flacco segue jogando e eu continuo com raiva. E assim persistimos com esse impasse.

Palpite: John Harbaugh é um grande head coah e não precisa provar nada a ninguém: algum milagre ele fará se o asilo dos Ravens se mantiver minimamente saudável – o que significa que Harbaugh precisa que basicamente eles permaneçam em pé. Jogar contra o Browns duas vezes é uma benção, a tabela parece razoável e oito vitórias não soa como nenhum absurdo. Elas virão, mas também não irão levar Baltimore aos playoffs (Tom Brady agradece). Não será agradável de assistir, mas ao menos não fará nossos olhos sangrarem.

Eterno retorno: entre o limbo, o nada e lugar nenhum

Quando a temporada de 2015 começou, Marcus Mariota parecia a reencarnação de Steve Young (não que ele já tenha morrido); quando ela chegou ao final, estava mais para um RGIII a partir do seu segundo ano. Em resumo, podemos afirmar que suas 2818 jardas, 21 TDs e 16 turnovers (Mariota sofreu tantos fumbles quanto Adrian Peterson, 6, para liderar a NFL) em 12 jogos como um rookie demonstram potencial em alguns momentos, mas também deixava claro que ele ainda estava passando por um processo de crescimento em diversos aspectos.

Uma pessoa que não deve ter ficado muito feliz com as growing pains de Mariota é o agora ex-head coach Ken Wisenhunt, que foi demitido após vencer apenas 3 de 23 jogos em um ano e meio no time. Importante notar o imediatismo quase brasileiro da diretoria dos Titans, já que o time era basicamente um deserto de talento na chegada de Wisenhunt (treinador dos Cardinals de Kurt Warner que chegaram ao Super Bowl XLIII) e era sabido que provavelmente Marcus Mariota precisaria de mais de um ano para desenvolver seu talento.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

Agora, não é como se o novo treinador, antes técnico de tight ends do time, Mike Mularkey (somente uma campanha vitoriosa como head coach em quatro anos) fosse uma grande opção ou mudança, especialmente porque grande parte da comissão técnica foi mantida. Como coordenadores, Mularkey trouxe Terry Robiskie, antigo treinador de WRs nos Falcons (que tiveram os bons WRs Roddy White e Julio Jones nos últimos oito anos), e o eterno Dick LeBeau, que foi “aposentado” pelos Steelers porque suas ideias já foram um pouco ultrapassadas na NF – Pittsburgh acabou sentindo sua falta, mas isso é mais problema deles que vantagem para Tennessee.

A troca do século (o retorno)

Apesar de 2016 não ter o melhor dos prognósticos – o time de Music City empolga tão pouco que o único jogo de destaque que terá é o Thursday Night Football, em que obrigatoriamente jogam todas as equipes da NFL -, o draft desse ano parece que dará todas as oportunidades para que, caso os Titans trabalhem bem, o time seja uma força na NFL nos próximos anos. Após ter a pior campanha da NFL pelo segundo ano seguido, Tennessee recebeu a primeira escolha do draft. Após muita especulação, ela foi passada para os Rams, que a utilizaram para selecionar seu futuro QB Jared Goff. 

Em troca, o time acabou um caminhão de escolhas em altas posições no draft (especialmente porque o desempenho de Los Angeles não deverá ser muito bom nesse ano): duas de primeira rodada, duas de segunda e duas de terceiro, que somadas às suas próprias escolhas, deve servir para uma grande infusão de talento no time nos próximos anos. O que era desesperadamente necessário.

Temos o pass rush, mas nada muito além disso

Nos tempos de Peyton Manning, por muitos anos pareceu que tudo o que um time precisava para vencer a AFC South era ter um bom quarterback. Esses tempos acabaram – hoje, os quatro times da divisão têm (aparentemente) bons jogadores liderando seus ataques (incluindo Andrew Luck nos Colts) e, especialmente Texans e Jaguars, parecem ter todas as peças para boas defesas. Nessa batalha, os Titans parecem largar como claro último time.

No entanto, caso isso aconteça, não será por falta de pressão nos QBs adversários. O OLB Brian Orakpo conseguiu finalmente uma temporada saudável após sofrer para manter-se em campo nos seus últimos três anos em Washington, produzindo 7 sacks, mesmo número do DE Jurrell Casey, provavelmente o melhor jogador dessa defesa e único que presta na linha defensiva. Eles terão ainda a companhia do OLB Derrick Morgan, que muitos colocavam como futura estrela após o contrato de quatro anos e 30 milhões assinado no começo da temporada de 2015, mas que acabou muito limitado por uma lesão no ombro; e do rookie Kevin Dodd, enquanto este também se recupera de uma lesão no pé. Se todos se mantiverem saudáveis, muitos quarterbacks estarão correndo por suas vidas contra essa defesa.

Apesar disso, o resto da defesa se limita a mediano. Na secundária, o melhor jogador é o S Da’Norris Searcy – que se destaca mais pelo contexto que por sua própria habilidade. Ao seu lado, Searcy terá provavelmente Rashad Johnson, trazido dos Cardinals. Para completar a secundária, os Titans terão Jason McCourty, irmão gêmeo de Devin McCourty dos Patriots e o menos talentoso dos dois, além uma competição entre vários cornerbacks que não deveriam ser titulares do outro lado: Perrish Cox ou os recém contratados Brice McCain ou Antwon Blake, ambos pouco confiáveis em Dolphins e Steelers, respectivamente.

Marcus Mariota e (poucos) amigos

Ou ainda nenhum amigo. Outra razão pela produção duvidosa e quatro jogos perdidos de Mariota em 2015 foi o grupo ao seu redor. Pelo menos a impressão que ficou nessa offseason é de que o novo GM Jon Robinson fez muito para melhorá-lo, a começar pela linha ofensiva. Além do left tackle Taylor Lewan, que tem sido o ponto forte da proteção, o guard escolhido na primeira rodada de 2013 Chace Warmack deve receber mais uma (e provavelmente última) chance de provar que não é mais um bust – mas o time deve ter novos jogadores nas outras três posições.

Jack Conklin, de Michigan St, foi a primeira escolha do time no draft desse ano (antes dos provavelmente superiores Laremy Tunsil e Taylor Lewan) e já deverá tomar a posição de RT para si. O center Ben Jones, trazido dos Texans, e Jeremiah Pouatasi, rookie RT em 2015, deverá mover-se para right guard, que parece ser sua posição ideal.

Na questão “alvos” a situação não é tão boa. Primeiro, porque Mariota não parece ter no grupo atual um WR1 indiscutível. Kendall Wright é um bom alvo de segurança no estilo Wes Welker e deverá ser importante, mas não pode ser o foco do ataque. Rishard Matthews (662 jardas em 11 jogos) e Harry Douglas também não são maus jogadores, mas rendem melhor como complemento. Restará a esperança de que um dos grandalhões Dorial Green-Beckham ou Justin Hunter aprenda a segurar os passes lançados para eles, já que o potencial físico já têm – ou ainda o rookie Tajae Sharpe, que tem feito uma boa pré-temporada.

Os Titans ainda trouxeram o veterano WR Andre Johnson para o training camp, mas considerando a decepção que ele foi pelos Colts no ano passado (503 jardas, 4 TDs), não será nenhuma surpresa se ele acabe servindo mais como mentor durante a preparação e cortado quando o time tenha que decidir seus 53 jogadores para a temporada.

Não lembro como segura.

Não lembro como segura.

Também por essa mediocridade, Tennessee deve ser um time prioritariamente corredor em 2016. Mais do que isso, um time dedicado a atropelar defesas na força bruta. O time enviou uma escolha de quarta rodada para os Eagles em troca da decepção de 2015 DeMarco Murray, que não se adaptou bem ao estilo de jogo de Chip Kelly, e ainda investiu uma escolha de segunda rodada em Derrick Henry, que detém agora o maior número de jardas corridas da história de Alabama, uma universidade conhecida por produzir grande running backs (incluindo Forrest Gump). Com essa dupla Thunder & Thunder, qualquer defesa mais leve sofrerá para parar o ataque corrido dos Titans.

Palpite: O único elemento que pode empolgar nesse time é o jogo corrido (combinado com Mariota), mas para esse estilo funcionar seria preciso uma boa defesa, que não existe. Os Titans são um time em formação e disputando uma divisão difícil, o que lhes acabará garantindo um novo recorde entre 3-13 e 5-11. Mike Mularkey acabará demitido e Nashville poderá ter um time bom, mas terá de esperar até, mais ou menos, 2019.

Cansamos de apanhar, agora podemos bater. Ou pelo menos dar uns tapas

2016 será interessante para a AFC South. Todos os quatro times parecem ter razões para acreditar que podem chegar aos playoffs (e até mesmo ir longe neles). Surpreendentemente, o mais equilibrado dos quatro parece ser o Jacksonville Jaguars.

David Caldwell, com bons drafts para corrigir erros bizarros anteriores como Blaine Gabbert e Bryan Anger, em conjunto com Gus Bradley, que foi o coordenador defensivo que produziu a defesa do Seahawks ao lado de Pete Carroll, realizaram um excelente trabalho para tirar Jacksonville da eterna mediocridade.

Sabiamente também, Gus Bradley roubou o guru Greg Olson dos Raiders, famoso especialmente por ser apontado como um dos grandes responsáveis pela excepcional campanha de Josh Freeman (!) em 2011. Olson agora é o coordenador ofensivo e a pessoa ideal para trabalhar o crescimento de Blake Bortles que, apesar de ainda ter muito a melhorar, evoluiu de maneira nítida entre 2014 e 2015 – ele foi o QB que conquistou mais jardas em passes de mais de 20 jardas, um registro importante para seu estilo de jogo e seu braço potente.

Além disso, o time tem trabalhado também com o salary cap na assinatura de jogadores livres. Nos últimos anos, tem sido sempre a equipe com mais dinheiro para gastar, sem sofrer apertos e posteriormente perder jogadores importantes por falta de dólares em sua conta (como acontece com Saints e Ravens, por exemplo).

Um dos grandes exemplos da sabedoria com gastos pôde ser vista nessa offseason: os Jaguars entraram na briga por Oliver Vernon (7.5 sacks em 2015), mas pularam fora quando os Giants se aventuraram em torná-lo um dos jogadores mais bem pagos da liga. O tempo dirá quem fez bosta.

[Spoiler I: o Giants]

Bortles é foda, o resto é moda

Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos sem medo que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.

O mérito, claro, não será só dele. Tanto Greg Olson, coordenador ofensivo, como técnico de quarterbacks Nathaniel Hackett, vão contribuir diretamente com seu crescimento. E os números recentes de Bortles só ratificam esta ideia: em 2015 foram 4428 jardas, 35 TDs e 18 interceptações (além de 310 jardas e dois touchdowns terrestres) – ok, também sabemos que o Jaguars venceu apenas cinco partidas, mas esta é outra história.

Aliás, falando em histórias, uma das boas da última offseason, esse período caracteristicamente fértil em nada e coisa nenhuma, envolve o próprio Bortles: após o final da última temporada, Olson e Hackett deram uma lista de tarefas para o QB executar durante as “férias”. E no topo dela estava escrito “Entre em contato com colegas da NFL que você admira”.

“Queríamos que ele procurasse QBs com estilo de jogo semelhante ao seu, caras que estivessem em um nível mais alto”, justificou Olson. Bortles então buscou conselhos com Carson Palmer, do Arizona Cardinals, e Aaron Rodgers, do Green Bay Packers. “Aaron foi incrível. Me disse para não tentar marcar 21 pontos cada vez que tenho a bola. Era algo que precisava aprender. Já Palmer me aconselhou a aperfeiçoar o relacionamento, a química que tenho com os colegas de time”, contou Blake a um jornal de Jacksonville.

Aquela carinha de "me escolham no Fantasy".

Aquela carinha de “me escolham no Fantasy”.

O exemplo acima mostra Bortles reconhecendo que precisa crescer e dando um passo a mais para se consolidar como a referência do Jaguars. Talento próprio e, sobretudo, ao seu redor, não será problema; ele conta com dois WRs dinâmicos ao seu lado, Allen Robinson e Allen Hurns. Além, claro, da já citada capacidade de Greg Olson, que sempre conseguiu extrair o máximo de todos os quarterbacks que treinou – menos Blaine Gabbert, mas Gabbert sempre foi um caso perdido (talvez ele só se salve quando comparado com Colin Kaepernick).

Outro ponto favorável a Blake é a clara evolução enquanto o tempo passa. Seus números melhoraram significativamente em sua segunda temporada; foram menos turnovers, maior média de pontos, porcentagem de passes completos superior e menos sacks sofridos.

Lançar, lançar e lançar

É animador saber que você poderá lançar bolas para Allen Robinson – em 2015 foram 80 recepções, 1400 jardas e 14 TDs. E era apenas sua segunda temporada, o que torna tudo ainda mais assustador: este desgraçado pode ser ainda melhor. Se você tem uma possível estrela em Robinson e um excelente WR2 em Hurns, como não se animar? Hurns, aliás, se tornou o primeiro WR da história a marcar ao menos um TD em sete jogos seguidos.

Mas, claro, nem tudo são flores e a decepção foi Julius Thomas. O TE, que veio do Denver Broncos após duas temporadas espetaculares (dele ou de Peyton Manning, eis a questão?), perdeu as quatro primeiras partidas por lesão o que, convenhamos, não justifica seus números no restante da temporada: apenas 46 recepções para 455 jardas (e um caminhão de drops). Agora, com um training camp completo e saudável, o Jaguars espera que Julius Thomas dê um retorno mais efetivo.

[Spoiler II: vão se decepcionar]

Tá tranquilo, tá favorável.

Tá tranquilo, tá favorável.

Temos dinheiro, mas precisamos torrá-lo?

O ataque aéreo é promissor, mas há dois pontos que o Jaguars precisa evoluir com urgência se possui maiores pretensões: sua linha ofensiva, que permitiu 122 sacks (e, sim, esse número foi conferido e está correto. Bortles sofreu 106 deles e inacreditavelmente está vivo) nos últimos dois anos, e seu jogo corrido que, bem, está fora do top 20 da NFL em cada uma das últimas cinco temporadas.

Para tentar corrigir a ineficiência do jogo terrestre, Jacksonville aproveitou-se da já citada flexibilidade no salary cap. E se antes os elogiamos por saber gastar, agora queremos saber se um contrato de mais de US$ 30 milhões para Chris Ivory era mesmo necessário? Bom, aceitemos: hoje ele é o sétimo RB mais bem pago da NFL – e isso já flertando com o final de sua carreira.

De qualquer forma, Ivory teve um excelente início em 2015 pelo New York Jets, mas caiu ao final da temporada, perdendo carregadas para BILAL POWELL – o que, sabemos, nunca é um bom sinal. Como dinheiro não era um problema para os Jaguars e toda e qualquer alma pode se dar ao luxo de rasgar verdinhas quando lhe convém, não vamos implicar com isto.

A grande questão é o que a assinatura com Ivory representa para TJ Yeldon e quanto isto custará ao seu desenvolvimento. Yeldon teve 740 jardas e 36 recepções em sua temporada como rookie – a média de 4,1 jardas por tentativa pode não ser fenomenal, mas é excelente para um novato atrás de uma linha ofensiva medíocre (repetimos: 122 sacks em dois anos). Agora, obviamente, Ivory irá estar presente na maioria dos snaps. A pergunta a ser respondia é se valerá a pena tê-lo contratado às custas da evolução de um running back jovem e promissor.

[Spoiler III: não, vai dar merda]

Não contem com isso.

Não contem com isso.

Construindo a defesa também pelo draft

Impossível falar da defesa dos Jaguars sem falar do draft, já que o time contará com três rookies que valeriam tranquilamente escolhas de top 10, cada um em um nível da defesa. O primeiro, realmente escolhido na quinta posição em 2016 (passando surpreendentemente por Cowboys e Chargers), é Jalen Ramsey, que reforçará muito a secundária e, nas palavras dos próprios Cowboys, “é capaz de eliminar metade do campo para o adversário”.

Ele terá a companhia de Davon House como CB externo e dois novos jogadores trazidos como free agents: Prince Amukamara, que tem muito potencial, mas tem tido dificuldades para se manter saudável, e Tashaun Gipson, um safety trazido de Cleveland que deve servir para melhorar a cobertura e permitir que John Cyprien foque em suas atribuições de strong safety, mais perto dos LBs.

Outro rookie é Myles Jack, que só caiu para a segunda rodada por grandes dúvidas sobre o seu joelho; antes do draft, ele chegou a postar vídeos pulando e enterrando bolas no basquete, mas sua durabilidade só será posta à prova quando for exposto de verdade à dureza da NFL (vem, setembro!). Ele deverá ser acompanhado dos razoáveis Dan Skuta e Telvin Smith (128 tackles em 2015), considerando que ganhe a posição do também pouco durável Paul Posluszny.

O último rookie é o DE Dante Fowler Jr, que apesar de ter sido draftado na 3ª posição em 2015, sofreu uma lesão na pré-temporada que o pôs na injury reserve, efetivamente adiando sua primeira temporada – agora, saudável, deverá se dedicar a justificar sua posição de escolha.

Oposto a ele, 90 milhões mais rico, Malik Jackson foi trazido de Denver para ser o principal “faz-tudo” dessa defesa, pressionando o quarterback e impedindo a corrida por dentro e por fora (considerando que ele já jogou como DE e DT pelos Broncos).

[Spoiler IV: Malik vai conseguir]

Palpite: Os Jaguars parecem prontos para chegar aos playoffs. Times assim têm fortes tendências a decepcionarem, mas acreditamos mais na mística de Greg Olson e no bom grupo que se formou ao redor de Blake Bortles. Além disso, as outras três equipes tem mais cara de decepção que Jacksonville, logo, Jaguars campeões da AFC South pela primeira vez na história. Tudo bem, lá no fundo, talvez não seja o que realmente acreditamos – mas é o que queremos!

Não aprendemos com o passado: tudo nos braços de Luck

A verdade é que tínhamos certeza que Andrew Luck seguiria em Indianapolis – mesmo assim, para o torcedor, o conforto do papel assinado é insubstituível e sabemos que todo grande time começa obrigatoriamente por um grande quarterback. Não que em algum momento cogitou-se ele fora do Colts, mas com Andrew garantido pelos próximos anos podemos confiar que, bem, Luck voltará a ser Luck.

Sabemos que atualmente ser considerado um jogador “diferenciado” não é algo tão incomum; rotulamos na mesma velocidade com que retiramos tal afirmação, fruto dessa conjuntura pós-moderna onde tudo é tão duradouro quanto aquela remuneração que recebemos no quinto dia útil de cada mês. Mas antes de questionarmos a capacidade de Andrew Luck, olhemos alguns de seus números: na temporada regular de 14/15, foram mais de 4700 jardas aéreas, 200 jardas corridas e exatos 40 touchdowns (além de um rating de 96,5). De qualquer forma, o que valida Luck, além de seu desempenho em 2014, é o fato de que ele levou o Colts aos playoffs em cada uma de suas três primeiras temporadas na NFL.

Ryan Grigson negociando em busca de mais um WR.

Ryan Grigson negociando em busca de mais um WR.

Tudo bem, até podemos contra argumentar que não estamos diante de números inquestionáveis, mas não podemos negar que eles estão longe, bem longe, de serem descartáveis. E mesmo se olharmos para a temporada passada quando, prejudicado por lesões, Luck entrou em campo em apenas sete partidas, ainda sim é possível enxergar que não estamos falando de um quarterback comum.

Em paz com o passado?

Vamos ser sinceros, há 20 anos o Colts fede. Era um time medíocre com Peyton Manning, é um time medíocre com Andrew Luck. O fato é que a capacidade de seus quarterbacks amenizou essa situação e chega um momento em que é preciso perceber que há um limite naquilo que o talento bruto pode fazer; apenas um QB não é capaz de sustentar uma equipe mal treinada e pessimamente gerida.

E que fique claro que não se trata apenas de companheiros de time que na verdade deveriam estar vendendo apólices de seguro e não em uma partida de football. Trata-se, sobretudo, de um modelo de gestão que insiste ano após ano na escolha errada, atesta sua falta de capacidade e não é capaz de construir um elenco minimanete sólido para dar algum tipo de sustentação para seu principal jogador.

O fato é que olhar para as últimas duas décadas do Colts é ter a sensação de que a franquia espera e realmente crê que apenas um excelente quarterback conquistará o Super Bowl para Indianapolis.

Aprendendo a tomar a decisão errada

O histórico de erros da dupla Chuck Pagano e Ryan Grigson é assustador. Aliás, o simples fato de ambos terem sobrevivido a esta offseason é uma história ainda sem resposta. Ao menos vamos rir relembrando o desenrolar dos fatos e aproveitar para levantar a ficha suja de Pagano e Grigson.

No ano seguinte a seleção de Luck, o Colts contratou LaRon Landry por míseros US$ 14 milhões, montante que atleta provavelmente investiu no consumo de substâncias ilícitas. Tivemos ainda uma segunda chance para Darrius Heyward-Bey, que já havia fracassado em Oakland e, claro, fracassou novamente, já que ninguém fracassa no Raiders à toa.

Poderíamos também citar a troca que trouxe Trent Richardson para Indianapolis, mas vamos nos ater apenas a movimentos que envolvam jogadores de football: Trent, com boa vontade, pode ser considerado no máximo figurante de algum filme B de ficção científica exibido pelo SyFy em alguma madrugada aleatória. Nunca, em hipótese alguma, alguém que valeria uma escolha de primeira rodada. Aliás, a carreira de Trent na NFL se resume corridas de duas jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Mas vamos seguir em frente.

De qualquer forma, as decisões tomadas na temporada passada também foram bizarras: investir mais de US$ 20 milhões em Andre Johnson (que já seguiu para o Titans dando continuidade a sua turnê pela AFC South) ainda é uma questão estranha para ao torcedor. Ok, aqui ainda resta o benefício da dúvida e se pode argumentar que em seu último ano em Houston Johnson teve 85 recepções para mais de 900 jardas – isso sem um quarterback sem deficiências cognitivas.

Já tentar compreender a seleção do WR Phillip Dorsett na primeira rodada do draft, quando já havia no elenco TY Hilton e Donte Moincrief (e inúmeras outras necessidades mais urgentes) é ainda mais perturbador.

"Deu ruim"

“Deu ruim”.

Proteção é a chave

Se existia alguma dúvida que Luck era fundamental para o sucesso do Colts, a temporada que passou as sanou. Então um dos novos nomes do Colts que merece atenção é o center Ryan Kelly, originário de Alabama: o bom senso diz que não se investe US$ 140 milhões em um QB se não se é capaz de protegê-lo.

Luck certamente será capaz de se beneficiar da proteção extra que Kelly irá lhe proporcionar, de sua qualidade em ler defesas e aliviar a pressão antes do snap. Kelly é ainda um bloqueador inteligente, o que garantirá espaços para o QB e também oferecerá boa proteção para o passe.

Ryan ainda será fundamental para um dos pontos cruciais para o sucesso do Colts: para Luck reaprender a lidar com seu estilo de jogo, já que desde seus tempos em Stanford ele nunca fugiu do contato – algo um tanto inconsequente para alguém que vale centenas de milhões de dólares. Foi assim, lutando por jardas extras, que Luck arrebentou seu rim e encerrou precocemente sua temporada de 2015.

O inusitado é que o GM Grigson parece finalmente ter percebido essa necessidade; antes do draft de 2016 ele pouco (ou nada) procurou proteger Andrew Luck. Agora, outro atleta que certamente ajudará Ryan Kelly nesta missão é o OT Le’Raven Clark, que tem todas as condições de chegar em setembro com o carimbo de titular – méritos e deméritos à parte, estamos falando de umas piores linhas ofensivas da NFL.

Defesas ganham campeonatos

Se reconstruir sua linha ofensiva parece ter sido a primeira opção, o Colts também precisa urgentemente ajustar sua defesa, afinal ninguém leva 51 pontos do Jaguars e sai impune. Aliás, na temporada passada, a média foi superior a 25 pontos por jogo.

Para 2016-2017, o Colts ainda perdeu o excelente LB Jerrell Freeman que assinou com o Chicago Bears. Trent Cole (LB) costumava ser um grande jogador nos Eagles, mas não passou de medíocre em sua primeira temporada em Indianapolis e completa 34 anos em outubro. Agora Nate Irving e D’Qwell Jacskon devem compor o sistema defensivo e a verdade é que nenhum deles inspira confiança.

O safety Michael Adams é outro que já foi um grande jogador, mas aos 35 anos mostra sinais claros de decadência. Por outro lado, os pontos positivos são Erik Walden e Robert Mathis. E, claro, o cornerback Vontae Davis. Mesmo que Davis tenha enfrentado diversas lesões em 2015, ele ainda está bem acima de parte significativa dos jogadores da posição na NFL.

Corra, Colts! Corra!

O sucesso de Luck e, consequentemente, o sucesso do Colts, passará pelo jogo corrido. Correr de maneira eficiente significa aliviar a pressão sob os ombros do quarterback. Mas, claro, a teoria é sempre mais fácil: na temporada passada o Colts teve média inferior a 90 jardas corridas por partida (29ª colocação entre as 32 equipes da liga).

Ok, tentemos deixar de lado o retumbante fracasso que foi Trent Richardson, já que prometemos nos focar em jogadores de football, e falemos de Frank Gore: cinco vezes selecionado para o Pro Bowl, ele teve média de 3,7 jardas por tentativa em 15/16 e um total de 967 jardas na temporada.

Evidentemente ele não é o único culpado pela penúria terrestre que assola Indianapolis, mas serve como indicativo do quão urgente é para o Colts pesar suas opções para a posição, já que Frank está com 33 anos e sabemos que são raros os casos de RBs produtivos nesta faixa etária – no plantel atual restam ainda Robert Turbin e Jordan Todman, cobiçados por nenhum entre os demais 31 times da NFL.

Talvez escape.

Talvez escape.

Mesmo com um cenário pouco confiável para estabelecer seu jogo terrestre, a pior decisão que o Indianapolis Colts pode tomar é unidimensionalizar seu ataque: Luck precisa que o Colts corra! Em contrapartida o Colts precisa que Luck tome melhores decisões em campo, precisa que ele, às vezes, escolha a opção mais simples e saiba que um punt é melhor que um turnover.

Palpite: Apesar de amarmos o Jaguars, termos esperanças que Houston fará uma boa temporada, sabemos que qualquer QB razoável pode vencer AFC South sozinho. Poderia apostar minha casa que com Luck saudável esse deve ser o destino do Colts. Bom, na verdade, melhor esperar: Chuck Pagano e companhia podem estragar tudo – ainda não superamos aquele jogo contra o Patriots na última temporada.

 

Um bom quarterback pode levar esta defesa ao Super Bowl?

Já sabemos do que a defesa liderada por JJ Watt, melhor jogador defensivo e provavelmente um dos melhores jogadores da NFL contemporânea, é capaz. Também sabemos perfeitamente que não foram Brian Hoyer ou TJ Yates ou Brandon Weeden ou qualquer um dos aparentemente infinitos quarterbacks que jogaram pelo time na temporada passada os responsáveis pelo time vencer a AFC South e chegar aos playoffs pela primeira vez sob o comando do head coach Bill O’Brien, em seu segundo ano, repetindo a campanha de 9 vitórias de 2014. A defesa e o constantemente monstruoso DeAndre Hopkins no ataque são os que fizeram esse time ir além das expectativas em uma liga na qual QBs são donos.

Mas, como mostra o massacre de 30-0 por parte de Kansas City na primeira rodada da pós-temporada, um time com um QB abaixo da linha da mediocridade só pode chegar até certo ponto na NFL. E, na esperança de resolver esse problema, o Texans assinou com Brock Osweiller (1967 jardas, 10 TDs e 6 INTs em 7 jogos em 2015) um contrato de 4 anos valendo 72 milhões de dólares – a prova clara da seca que vive a NFL de franchise quarterbacks; aqueles que podem liderar sua franquia por anos e anos mantendo uma razoável taxa de sucesso e bom desempenho.

Um dia normal para Justin James Watt.

Um dia normal para Justin James Watt.

A decisão é questionável, mas o consenso geral é de que o Texans realmente não tinha outra opção: esse time parece pronto para ir longe e nenhum jogador da classe de QBs rookies deste ano parecia sequer um pouco pronto para chegar e liderar uma equipe. Como fez, por exemplo, Russel Wilson ou mesmo Jameis Winston em menor escala.

A dura realidade é que Brock Osweiller era realmente o único com idade e habilidade suficiente para ser um franchise QB disponível no mercado. O maior ponto de interrogação fica pelo fato de que os próprios Broncos – time anterior de Osweiller, campeão do Super Bowl, pelo qual ele jogou metade das partidas da temporada regular no lugar de Peyton Manning – não fizeram muito esforço para mantê-lo na equipe. A temporada de 2016 deve servir para pelo menos dar-nos uma ideia de quem tomou a decisão correta. Palpites?

A melhor situação possível

Qualquer quarterback que “assumisse” esse time de Houston na condição de titular indiscutível não poderia reclamar da situação em que está entrando. Ao contrário da tradicional cultura da NFL que é encontrar seu QB do futuro e depois montar um time ao redor dele (não é necessário nem sair da divisão para observar isso, vide a constante luta de Luck em levar um time que parece incapaz de ganhar um jogo sem ele), a dupla Rick Smith (GM) e Bill O’Brien fez um bom trabalho em montar um time antes de buscar um líder.

Brock terá a sua disposição provavelmente o WR mais constante da NFL em DeAndre Hopkins (1521 jardas, 11 TDs com aquele carrossel de QBs medíocres lançando para ele). Do outro lado, quando Hopkins receber muita atenção das defesas, Osweiller poderá lançar para Jaelen Strong, agora em seu segundo ano; Cecil Shorts, que teve problema com lesões no ano passado, mas já demonstrou potencial no seu tempo de Jaguars; ou um dos rookies Will Fuller, veloz alvo de Notre Dame, e Braxton Miller, que chegou ao time com a denominação de offensive weapon, ou seja, que poderá ser utilizado em várias posições no ataque enquanto o time tentará maximizar seu potencial e sua produção no ataque (ele, inclusive, começou sua carreira como QB antes de ser transformado em WR em Ohio St).

Um QB ou uma gazela?

Um QB ou uma gazela?

Além de bons alvos, Brock também terá boa companhia no backfield. Depois de muitos anos de Arian Foster sendo o principal corredor dos texanos, o time decidiu deixá-lo ir após sua mais nova lesão (essa, ainda mais grave) e assinar com o eternamente subutilizado running back de Miami, Lamar Miller – ele nunca teve a oportunidade de ser um legítimo RB1 pelo Dolphins e nunca tivemos exatamente claros os porquês disso, já que Lamar perdeu toques para jogadores medíocres como Daniel Thomas ou Jay Ajayi. Se espera que, agora com os Texans e com um QB inexperiente liderando o time, Miller receba os 350+ toques que lhes parecem devidos (como comparação, Adrian Peterson tocou na bola 357 vezes ano passado), ao contrário dos, em média, 250 toques que Miller teve como teto em Miami.

Como adendo, vale ressaltar que para o backfield Houston também trouxe o fullback Soma Vainuku. Fica nossa expectativa imatura para que ele esteja entre os 53 do time depois da pré-temporada.

Liderados pelo melhor jogador da NFL?

JJ Watt é o cara de Houston. Além de ser capaz de vender um tênis horrível como se fosse o melhor do universo (sério, JJ Watt Reebok Signature ou algo assim: mais feios que os do Steph Curry), extremamente dedicado (ano passado ele passou um mês isolado em uma cabana na floresta apenas treinando durante as férias), ainda é um monstro dentro de campo e candidato a bater o recorde de 22.5 sacks em uma temporada, aterrorizando constantemente linhas ofensivas e quarterbacks, para não mencionar defesas quando o treinador dá a ele a oportunidade de brincar de TE em jogadas de goal line nas horas vagas.

No começo de julho, JJ passou por uma cirurgia nas costas que lhe deixará fora por volta de dois meses, perdendo assim todo o período de pré-temporada, mas tudo indica que ele deve (deve, uma lesão nas costas é sempre algo complicado) estar 100% para a temporada regular. Mas a saúde de Watt não deverá ser a maior pedra no caminho para os playoffs dos Texans: em uma AFC South reforçada, mais jogadores da defesa terão que ajudar, como o LB Whitney Mercilus (12 sacks) ou o CB Johnathan Joseph que, espera-se, repitam o bom trabalho de 2015.

Entre todos esses, talvez o com maiores capacidades de destacar-se seja Jadeveon Clowney, primeira escolha do draft de 2014, um gigante nos seus três anos de college, mas que sofreu uma lesão (que levou a uma cirurgia de micro fratura, conhecida por acabar ou pelo menos dificultar bastante carreiras na NFL) no seu primeiro jogo e, talvez por isso, ainda não demonstrou todo aquele potencial. Agora, com dois anos já passados, fica a expectativa para que Clowney seja o demônio que todos esperavam e tome um pouco do protagonismo para si.

Palpite: Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado nessa temporada para Houston. Se Brock Osweiller for realmente o QB do futuro e JJ Watt estiver saudável, por mais que a AFC South esteja realmente muito mais forte esse ano, Super Bowl é uma realidade tangível para os próximos anos. Porém aposta que fica é que Osweiller está longe de ser a última Trakinas do pacote, Watt não estará no seu melhor e o time repetirá o 9-7 do ano passado. No fundo, Jaguars e Colts são melhores e vão para os playoffs no lugar dos Texans.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (*e o Cleveland Browns)

Na pré-temporada, sempre parece claro que todo time na NFL terá 100% dos jogadores saudáveis e que todos são top 5 em suas posições e os que não são, fizeram o melhor para chegar a essa condição durante o período longe dos treinadores. Pensando assim, parece óbvio que todos os times, menos o Browns, terminarão 19-0 na temporada, atropelando todos os adversários com vitórias por 30-0 – porque o head coach, em um ato de humildade, pede para o time tirar o pé:

Classificação

Para a sorte de nossos leitores, nós do PickSix não nos deixamos enganar. Sabemos perfeitamente que, se no final das contas, um time ganha o Super Bowl, é mais por culpa dos outros 31 do que por méritos próprios.

Obviamente, para um melhor entendimento, escreveremos elaborados previews sobre cada uma das equipes (não se deixe enganar pelas otimistas), mas a lista seguir deve servir como resumo suficiente como a principal razão do por que seu time não vai ganhar o Super Bowl LI:

AFC North: provavelmente a divisão mais furada da NFL e a com maiores possibilidades de que um dos times só chegue aos playoffs porque conseguiu uma campanha perfeita nos confrontos internos.

Baltimore Ravens – O contrato de Joe Flacco está matando um time que chegou e ganhou duas vezes o Super Bowl em belos esforços coletivos.

Cincinatti Bengals – Depois de 2015, acho que está mais do que claro que Andy Dalton nunca vai ganhar um jogo de playoff, seja por culpa própria ou não.

Pittsburgh Steelers – O ataque mais incrível e a defesa mais bosta da NFL. Talvez não cheguem nem nos playoffs.

NFC North: a divisão das desculpas esfarrapadas. Todos os times parecem prontos para ganhar o Super Bowl, mas sempre no ano seguinte quando tudo magicamente irá dar certo.

Chicago Bears – Jay Cutler é o QB mais deprimente em uma divisão ganha por um Teddy Bridgewater que não consegue lançar para mais de 15 jardas.

Detroit Lions – Um time que recém terminou uma temporada com um 7-9 após uma campanha de recuperação e perde o melhor jogador do seu ataque. Não é exatamente a receita para chegar ao título.

Green Bay Packers – O time sempre tem alguma lesão para botar a culpa dos seus fracassos, seja de Aaron Rodgers ou de um linebacker reserva. Esse ano não será diferente.

Minnesota Vikings – E quando tudo parecer que vai dar certo para os Vikings, algo completamente inexplicável acontecerá. Pode ser uma lesão ou um FG de menos de 30 jardas errado a 10 segundos do fim.

Tem coisas que só acontecem com o Lions...

Tem coisas que só acontecem com o Lions…

AFC South: a divisão mais disputada da Conferência Americana. Infelizmente, qualquer um deles que chegue aos playoffs já terá gastado todo o fôlego e morrerá sem nem chegar na praia.

Houston Texans – Nunca um time da NFL jogou o Super Bowl em casa e não vai ser Brock Osweiller o responsável por conseguir tal façanha.

Indianapolis ColtsQuarterbacks são tudo na NFL. Mas não quando o único bom jogador do seu time é o quarterback.

Jacksonville JaguarsDream team da temporada de 2016. Não precisa entender muito de futebol americano para saber como isso vai acabar.

Tennessee Titans – Talvez o time mais triste da NFL, já que os Browns pelo menos não iludem o torcedor. Vão acabar com a carreira do Mariota.

NFC South: o QB que jogue bem ganhará essa divisão. Infelizmente nenhum dos times parece ter muito além disso.

Atlanta Falcons – Matty Ice fez o James Hunt e nunca mais voltou aos playoffs desde que ganhou uma partida lá.

Carolina Panthers – Kelvin Benjamin terá a desculpa de que está voltando de lesão e a defesa terá a desculpa de que perdeu Josh Norman.

New Orleans Saints – Drew Brees é muito melhor jogador do que Joe Flacco, mas seu contrato acabou igualmente com o time (e com o meu fantasy nessa necessidade de não ter um WR principal).

Tampa Bay Buccaneers – Como todo bom QB que não se chame Russell Wilson, Jameis Winston “precisará de mais um ano para se desenvolver”.

Agora assista aí de camarote.

Agora assista aí de camarote.

AFC West: se tem uma divisão da qual não sairá um campeão do Super Bowl é essa. A defesa dos Broncos operou um milagre em 2015, mas um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Denver Broncos – Mark Sanchez no time (e ele ainda acabará sendo titular) elimina automaticamente a chance de qualquer time chegar ao Super Bowl.

Kansas City Chiefs – Na AFC, Alex Smith só é mais QB que Mark Sanchez, o que no fundo não quer dizer porra nenhuma.

Oakland Raiders – O dono do time está mais interessado na mudança de cidade do que na temporada. Certo ele.

San Diego Chargers – Philip Rivers terá mais filhos do que TDs e Joey Bosa começará jogos como QB, já que foi draftado para jogar fora de posição mesmo.

NFC West: já foi indiscutivelmente a melhor divisão da liga. Hoje é apenas fonte de expectativas e decepções.

Arizona Cardinals – Quando não se machuca, Palmer pipoca na hora da verdade. Seriam meus favoritos ao Super Bowl se tivessem Tim Tebow.

Los Angeles Rams – Pode demorar algumas rodadas, mas logo o owner Stan Kroenke vai perceber que os estádios vazios em St Louis não eram mais culpa de Case Keenum que da cidade (Jared Goff é um bust).

San Francisco 49ers – Por mais que falemos de Titans ou Browns, a equipe de Chip Kelly é a mais bosta da NFL. Um RT ex-aposentado deve ser o melhor jogador do time (Anthony Davis).

Seattle Seahawks – Muito amados para um time que não tem linha ofensiva (e uma linha defensiva cheia de jogadores insatisfeitos).

AFC East: aquela eterna disputa pelas vagas de wild card atrás dos Patriots.

Buffalo Bills – Rex Ryan conseguiu estragar uma defesa que parecia pronta para carregar o time. Além disso, o melhor alvo do time, Sammy Watkins podia tentar parar de se estourar.

Miami Dolphins – Adam Gase vai ajudar Ryan Tannehill a melhorar, mas Suh recebeu 80 milhões para liderar essa defesa e não irá.

New England Patriots – Vão ganhar a divisão, mas Belichik e Brady não vão mais conseguir roubar para chegar à grande decisão. Talvez Garoppolo tenha novas ideias.

New York Jets – Geno Smith foi considerado como substituto de Ryan Fitzpatrick. O time poderia começar respeitando o próprio QB titular.

NFC East: divisão com mais hype da NFL. A imprensa americana ama todos eles, mas nós não nos deixamos enganar tão facilmente.

Dallas Cowboys – Tony Romo está do tamanho dos jogadores da melhor linha ofensiva da NFL. Além disso, todos nessa defesa são idiotas.

New York Giants – Pagarão mais de 25 milhões de dólares por ano para um gordo de linha defensiva e um DE com apenas 29 sacks na carreira.

Philadelphia Eagles – Um time que conseguirá ser pior sem Chip Kelly. E porque odiamos Sam Bradford.

Washington Redskins – Por mais que todos queiramos crer no contrário, Kirk Cousins vai acabar se provando pior do que Robert Griffin III.

*Cleveland Browns – excluído da lista original pelo simples fato de, bem, não podemos considerá-los um time de football.