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Divagações de offseason: uma eterna luta contra o tédio

Ao traçar estas linhas, adianto: como é visível o grande interesse que a NBA parece ter tomado no Twitter (NBA!!! Estive até me preocupando com a saída de Ricky Rubio ou a chegada de Jimmy Butler em Minnesota), esse é provavelmente o mês mais tedioso de nossa amada liga.

Para nossa sorte, porém, dentro de poucas semanas devem começar os training camps e, com eles, o contrato de 7 bilhões ao longo de 18 anos de algum suposto astro do basquetebol (sério, os contratos da bola laranja são ridículos) será substituído na escala de relevância do noticiário esportivo pela lesão no dedão do pé do WR4 dos Jets – se Deus (Tebow) permitir.

E como tal, tentemos colocar nossas cabeças para trabalhar e comecemos com suposições. Nem que seja para aparecer logo no início da retrospectiva do ano que vem sobre “percebam como começamos o ano já falando merda”. Pensando nisso, apresentamos nove situações que deveriam acontecer em julho, mas provavelmente não passarão de mera ilusão até meados de setembro:

1 – Kyle Shanahan descolando uma troca por Kirk Cousins

Quem sabe se ele mandasse um 1st round top-10 protected para os Redskins, além de dois core players, Washington desistisse de tanta briga por um novo contrato que nunca acontecerá e aceitasse liberá-lo para o lugar em que Cousins finalmente será feliz. E, inevitavelmente, decepcionará devido à mediocridade que lhe cercará em San Francisco.

Na verdade, adoraríamos sugerir a troca de Philip Rivers ou Eli Manning – vem Davis Webb! – ou algum veteraníssimo, mas como esse é uma época de esperanças, não encontramos nenhuma situação em que poderíamos ser criativos o suficiente – mas imagina que doido Rivers no Broncos, hein?

2 – Alex Smith, Mike Glennon pro banco

Pensamos em adicionar Tom Savage à lista, mas até para essa dupla de medianos, comparar com Savage é muita humilhação – e talvez os Texans sejam sábios o suficiente para colocar o Tom ruim no banco em julho mesmo. Mas, sério: alguém tem alguma dúvida que, mais cedo ou mais tarde, Mahomes e Mitch serão os titulares de Chiefs e Bears?

Alex Smith teria que se transformar no Tom Brady do Oeste para evitar que o novo Brett Favre (a cada passe fué de Smith, Reid olhará para o banco e lembrará que Pat está ali, completamente cru, mas com o canhão que todos amam na liga) tome a sua posição mesmo com uma campanha vitoriosa.

“Alex Smith sentiu um desconforto na alma, precisa meditar e, portanto, vai ficar fora tempo suficiente para Mahomes assumir”, será a manchete que encontraremos.

O veterano tem ainda menos esperança no duelo Mike x Mitch. Entretanto, é válido lembrar: o último time que apostou pesado duplamente em QBs (os Redskins, em 2012, draftando Cousins no quarto round ao invés de apostar em alguma outra posição em que poderia encontrar um titular) acabou se dando bem justo com a opção “secundária”.

Passa credibilidade?

3 – Algum RB admitindo que não correrá para mais de mil jardas na temporada

“É, sabe como é, na verdade estaremos em um grande comitê, vou dividir carregadas com outros dois jogadores medianos como eu e, no final das contas, não vou produzir o suficiente para ser draftado com qualquer das suas três primeiras escolha no fantasy.”

Era só o que queríamos ouvir: um pouco de realidade para variar e poder, assim, evitar as dicas do Michael Fabiano. É claro que em uma época do ano em que todos os times esperam vencer todas as  partidas (menos os Jets, na AFC, e os Rams, na NFC), talvez esperar ouvir verdades de jogadores do grupo de Adrian Peterson e Marshawn Lynch seja excesso de esperança.

4 – Pete Carroll admitindo que tentará matar Russel Wilson

A ideia era começar o tópico listando os titulares possíveis. A verdade: é impossível adivinhar quem serão. Luke Joeckel (daquele maravilhoso draft de 2013) e Ethan Pocic (rookie) são nomes reconhecíveis, mas tampouco passam segurança.

Senhoras e senhores, a OL dos Seahawks. Além disso, Carroll se diz “animado com a evolução da linha”, que cedeu 42 sacks em um jogador liso como Russell Wilson, que também acabou sofrendo com lesões em 2016. Também, com o novo contrato do QB, a janela para a incrível Legion of Boom está se fechando: Kam Chancellor, por exemplo, tem seu contrato acabando esse ano e Michael Bennett e Cliff Avril não estão ficando mais novos.

Se o responsável por manter os bons resultados em Seattle será o marido da Ciara (e seus US$ 20 milhões anuais), é bom que seu head coach e o grande “especialista em linha ofensiva” Tom Cable parem de tentar assassiná-lo.

“Vou te matar”

5 – Jogador reconhecendo que não está totalmente saudável ou em plena forma física

Acontece todo ano. Todo mundo chega das férias voando, melhor forma da carreira e blablabla independente de raça, posição ou idade. Chega o final de setembro, o mesmo craque sente o quadril, o tornozelo, o joelho e admite que “não era bem assim”.

Um belo exemplo, como torcedor dos Vikings, será observar o retorno de Teddy Bridgewater. Por mais emocionante que seja, uma lesão que levaria dois anos para uma boa recuperação está se tornando uma lesão que permitirá que ele volte para competir diretamente pela titularidade com Bradford. Atenção às mentiras: não é bem assim.

6 – Os Chargers encontrarem um estádio de verdade

Ataque gratuito: mas, sério, com um esporte que tem de média 60-70 mil espectadores tanto a nível profissional como a nível universitário, jogar em um estádio que não poderia receber uma final de Libertadores, é uma piada.

7 – Josh Gordon liberado

Maconha: essa droga que destrói famílias na liga e faz as pessoas sofrerem ao redor do mundo. De qualquer forma, especialmente com o aumento de estados americanos que permitem o uso da erva, é uma questão de tempo até que a NFL inevitavelmente supere suas regras de Arábia Saudita e permita que, ao menos, se teste os benefícios que ela pode ter para seus funcionários.

Enquanto isso, já passou da hora de perdermos talentos do nível de Gordon (87 catches, 1646 jardas em 2013 com Brian Hoyer ou algo equivalente) simplesmente por serem maconheiros. Legaliza, Goodell.

8 – Parar de ler esse tipo de texto quando bate a saudades e damos aquela passadinha no site da NFL

Sério? Calma, caras! E, pior, até faria sentido trabalhar com nomes do nível de Odell Beckham, que tem destruído a liga já há algumas temporadas. Mas colocar Carson Wentz como HOFer em potencial é apostar muito, mas muito alto; inclusive, apostamos que Schein não botou nem 10zão em Vegas esperando que Wentz chegue em Canton lá por 2040.

E para não dizer que batemos só em casos fáceis, Jameis Winston e Amari Cooper? Eles têm potencial, lógico, mas tanto quanto, sei lá, Jarvis Landry. Sério, uma média de 1 INT/jogo e ser o WR1a do WR1b Michael Crabtree não são exatamente o que esperamos ver como Hall of Famer em 20 anos.

Mal dá para esperar que cheguem finalmente aqueles reports maravilhosos de Training Camp sobre lesões irrelevantes ou pequenas cenas lamentáveis rapidamente solucionadas.

9 – Um QB machucado sendo substituído por ELE: Colin Kaepernick

Vocês sabiam, quando começaram a ler esse texto, que chegaríamos inevitavelmente aqui. Os mais desiludidos já dizem que Kaep jamais voltará a liga; a regra geral diz que é questão de tempo. Por exemplo, sabemos que, no caso de lesão de Flacco ou Wilson, John Harbaugh e Pete Carroll sabem onde encontrar um quarterback titular.

No resto da liga, será ao menos curioso ver o que acontece quando o inevitável fantasma das lesões atacar e deixar algum time pronto refém de Case Keenum ou Matt Cassel para chegar aos playoffs.

Como dissemos lá no início: talvez não aconteça em julho, mas setembro. E com ele nossa liga favorita, (ansiosos esperamos) sempre chega.

Balanço do draft: erros, alguns acertos e várias bobagens

Passados os três dias de Draft, podemos fingir que entendemos alguma coisa sobre o que aconteceu e avaliar a escolha de jogadores que agora são profissionais, mas nunca enfrentaram o nível de competitividade da NFL.

Como ninguém liga para as asneiras que dizemos (e se liga, precisa refletir sobre o que diabos está fazendo com sua vida), não será um grande problema. Dessa forma listamos alguns erros, acertos e bobagens do último processo seletivo.

Cagadas (ou porque alguns times não se contentaram em deixar seus torcedores putos durante a temporada e decidiram fazer o mesmo até na offseason)

1) Chicago Bears:

Poderíamos apenas listar alguns tweets dos torcedores de Chicago para mostrar o quão satisfeita a torcida ficou com as escolhas da equipe:

“Um puta desastre!!! Nossa diretoria é horrível!!!”

“Ótimo draft Bears… Vocês perderam a torcida. McCaskey, venda a franquia”

“O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO???”

“Que merda foi essa?”

Bem, estes são alguns dos nossos favoritos. Poderíamos também dizer que a equipe foi a única a tirar menos que “B-” nas notas que o site da NFL dá a cada franquia, mas escolhemos explicar porque os Bears fizeram o que fizeram (bosta).

Mitchell Trubisky, o “futuro” da franquia, é um quarterback que jogou apenas 13 jogos em sua carreira no college. Você pode argumentar que ele não teve oportunidades e, de fato, não teve. Por incompetência própria. O titular da época quando Mitch (ele não quer ser chamado de “Mitch”, mas quem se importa?) era reserva nós não nos demos nem ao trabalho de pesquisar quem seria o meliante e, se algo ainda pode piorar, a comparação de Trubisky com um jogador da NFL atual é com… Jay Cutler.

Já nas escolhas seguintes o Bears selecionou um TE que pode até ser promissor, mas jogava em divisões inferiores do futebol americano universitário, enquanto a escolha de round 3 seria excelente se ela conseguisse se manter em campo – não foi o caso em 2016.

As outras picks são um RB (que eles não precisam) e um jogador de linha ofensiva que duvidamos que você já tenha ouvido falar. Parabéns, Chicago Bears: vocês são oficialmente o novo Cleveland Browns.

2) New York Giants:

Quando dissemos em nosso Mock que os Giants iriam atrás de um TE na primeira rodada nós, pelo menos, acreditávamos que o time escolheria alguém que soubesse bloquear. Evan Engram, porém, é classificado por alguns analistas como WR. Para proteger Eli Manning – o que deveria ser uma prioridade, a medida em que ele ruma para a fila da Previdência Social – a equipe gastou uma escolha daquelas rodadas em que, se alguém diz que entende algo, está mentindo. Nas outras seleções, um jogador de linha defensiva para substituir os que eles não conseguiram segurar na Free Agency; um RB que era reserva em seu time, mas com potencial; um jogador de linha defensiva, que também não era o principal do seu time; e um QB pra aprender com Eli Manning e se tornar seu substituto – seja lá o que diabos isso signifique, temos medo.

3) Los Angeles Rams:

Ninguém liga pros Rams e não somos a exceção que confirma a regra. Não vamos tomar muito do seu, nem do nosso tempo, falando sobre eles. O time, que luta cada vez mais para se tornar irrelevante, esqueceu que precisava montar uma linha ofensiva e, ao invés disso, escolheram dois jogadores de linha defensiva e um fullback, mas ninguém para proteger o futuro da franquia, Todd Gurley. Talvez, no fundo, a mediocridade seja um legado de Jeff Fisher.

Surpresas (ou não, não vamos falar daquele jogador que ninguém conhece e que acabou não sendo draftado)

1) Chicago Bears trocando com o San Francisco 49ers

O Chicago Bears fez o novo GM dos 49ers, John Lynch, parecer Sonny Weaver Jr (GM dos Browns no filme Draft Day, em que toda a história é desenvolvida para que Sonny saia como herói).

Os Bears deram escolhas de terceira e quarta rodada desse ano e mais uma escolha de terceira rodada do ano que vem para subir uma posição no board e escolher um jogador que San Francisco não queria. Experimente digitar no Google “Bears 49ers trade“: você verá manchetes como “49ers roubaram os Bears“, “Como os 49ers conseguiram três escolhas dos Bears?” e “49ers vencem primeira rodada do draft após troca com os Bears“.

Se você acha que os Bears fizeram isso para evitar que outra equipe o fizesse, saiba que até agora ninguém que cobre a NFL conseguiu encontrar alguma franquia disposta a trocar com os 49ers para selecionar Mitch-esquecemos-a-grafia-correta-do-sobrenome-e-não-vamos-pesquisar. A verdade é que nem os 49ers acreditavam que os Bears selecionariam Trubisky.

2) Três WRs sendo escolhidos nas 9 primeiras posições

Não há muito o que dizer sobre isso apenas que foi, de fato, uma surpresa. Poucos mocks apontavam esse cenário. Corey Davis era apontado como provável escolha no TOP 10, mas a seleção de Mike Williams por parte dos Chargers e de John Ross III por parte dos Bengals acabou pegando muita gente desprevenida.

Um amigo para Mariota.

3) O que o desespero pode fazer com algumas franquias

Por alguns segundo, imagine-se na posição de Texans e Chiefs. Uma não tem um quarterback que lançou um touchdown na liga e não se chama Brandon Weeden, enquanto a outra tem Alex “short of the 1st down marker” Smith. Para sair da situação incômoda que estavam, as duas franquias tiveram que dar suas escolhas de primeira rodada em 2018 para escolher quarterbacks que ninguém tem coragem de colocar a mão no fogo.

4) Bônus: como uma música pode ser irritante

Se eu ouvir o “grito de guerra” Fly Eagles Fly mais uma vez, não respondo por meus atos.

Acertos (ou infelizmente não há muita diversão no sucesso alheio) 

1) Cleveland Browns:

Os Browns tem feito tudo certo para se tornarem uma franquia decente e nesse último draft não foi diferente. A equipe saiu da Philadelphia com três seleções na primeira rodada, sendo uma delas o melhor jogador disponível. Além disso, na segunda rodada, o time escolheu DeShone Kizer, que era cotado para sair na primeira. Para completar, os Browns tem ainda cinco escolhas nas duas primeiras rodadas do draft de 2018.

2) Miami Dolphins:

Os Dolphins conseguiram uma classe bem sólida: a franquia adicionou peças para o front seven, que não era exatamente uma necessidade, mas que poderiam ser colocadas como prioridade; secundária e ataque. Além disso, conseguiram um potencial guard titular na quinta rodada e um WR considerado por muitos um sleeper em sua última escolha. Devolvam os Dolphins que nós aprendemos a amar.

3) Los Angeles Chargers:
Parece que os Chargers finalmente perceberam que o tempo de Phillip Rivers está se esgotando. Em suas três primeiras escolhas, a equipe selecionou um WR para se tornar o melhor amigo de Rivers quando Keenan Allen não está em campo (sempre), além de dois guards para fortalecer o interior da linha ofensiva. Na segunda metade do draft, o foco foi reforçar a defesa. Se tudo der certo, Phillip Rivers vencerá dois Super Bowls e entrará no Hall da Fama no lugar de Eli Manning.

4) Bônus: New England Patriots
Se os Patriots escolherem uma tartaruga manca as pessoas vão, pelo menos, tentar entender o lado de Bill Belichick. Não precisamos nem olhar as escolhas para elogiá-las.

**MOMENTO CORNETA**

Perdedores (ou nem todo mundo saiu fortalecido da Philadelphia)

Chuck Pagano:

O cerco está se fechando. Depois de demitir Ryan Grigson e contratar um GM de verdade, os Colts parecem no caminho certo para montar uma equipe competitiva. Chris Ballard tem arrancado elogios de toda liga sobre a forma como tem montado o time durante essa offseason e agora Pagano não tem mais desculpas: com uma defesa mais razoável em mãos, ele tem que mostrar que é capaz de ser um técnico de qualidade. Spoiler: não vai rolar.

Revendo o Mock Draft

Todos sabemos que Mock Drafts não querem dizer nada, mas revê-los depois que tudo realmente acontece é uma ótima oportunidade de xingar quem se dispôs a tentar prever o imprevisível.

Com a exceção sendo a escolha dos Bears, que já mencionamos, acertamos 4 das 5 primeiras escolhas. A partir da sexta, porém, tudo desandou. O outro acerto só veio na posição que os Bills escolheram, mas só aconteceu na escolha 27, devido a troca com os Chiefs.

Já os Saints acabaram escolhendo o jogador que previmos na 10, que também era um CB. A escolha 12 também foi certeira, mas com os Texans escolhendo no lugar dos Browns. Outro acerto só veio na escolha 18, com os Titans escolhendo um CB, mas não quem apontamos. A última escolha que cravamos foi a do Broncos, na 20. Os Lions na 21 também foram de LB, como era esperado. Já na 23, os Giants foram de TE, e o que escrevemos na oportunidade serve perfeitamente para analisar a escolha, que não foi exatamente a mesma: é um recado para Eli Manning, algo como “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara para pegar a bola. Ou vai ou racha”.

A escolha 25 foi um safety, não um QB, mas ao menos acertamos que os Texans iriam atrás de um signal caller, por motivos óbvios. Por outro lado, Seattle não só não escolheu na primeira rodada, como sua primeira escolha não foi um jogador de linha ofensiva: se eles querem que Russell Wilson morra em campo, o problema não é nosso.

Os Falcons, que escolheram na posição, optaram por um pass rusher, o que podemos considerar um acerto. Os Cowboys, não foram de CB, como era de se esperar: a equipe deixou para reforçar a secundária mais a frente no draft. Já os Browns trocaram com os Packers na 29, mas pelo menos acertamos a posição da primeira escolha de Green Bay: CB.

Já a escolha dos Steelers, de acerto, só o lado da bola: Pittsburgh escolheu um LB, e não um S. Por fim, os Saints, por alguns motivos que vão além da compreensão humana, resolveram escolher um jogador de linha ofensiva ao invés de um defensor.

Saldo:

– Quatro escolhas cravadas (1, 4, 5 e 20);

– Escolhas que passaram perto: a posição em que Deshaun Watson foi escolhido (12) e que os 49ers iriam de Solomon Thomas; mesmo que isso tenha acontecido na 3 e não na 2. Não me culpem, a mente humana é incapaz de compreender o que diabos acontece em Chicago;

– Posições acertadas: sete, excluindo as picks acima;

– Uma dúzia de novos inimigos.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e está cada vez mais apaixonado por Chris Ballard.

Mock Draft 2017: várias coisas sem sentido no mesmo lugar

Estou certo que todos lembraremos, daqui alguns dias, das asneiras que escreverei logo abaixo. E não seria surpresa se nossos haters gastassem preciosos minutos memorizando as previsões para então nos torturarem em sequência. Postura correta, aliás.

De qualquer forma, não é o primeiro e nem o último Mock Draft que você lerá – e mesmo assim você ainda ficará puto com alguma das escolhas. Sinceramente, meu amigo, até quando? Vamos a elas:

01) Cleveland Browns: Myles Garrett, DE, Texas A&M
Você ainda lê a explicação justificando a escolha dos Browns? Todo ano temos um prospecto que é o “melhor desde Andrew Luck”, e Garrett é esse cara em 2017.

02) San Francisco 49ers: Solomon Thomas, DE, Stanford
Difícil aqui era escolher uma posição em que os 49ers não precisam escolher algum talento para preencher o buraco. Thomas vem pra ajudar o pass rush que não é o mesmo de quatro anos atrás.

03) Chicago Bears: Malik Hooker, S, Ohio State
Aos poucos a defesa de Chicago vai se tornando uma unidade respeitável. Hooker, com sua capacidade de cobrir uma extensa parte do campo, chega para se tornar uma âncora da equipe por muitos anos.

04) Jacksonville Jaguars: Leonard Fournette, RB, LSU
A posição de maior carência no roster de Jacksonville é a linha ofensiva, mas nenhum jogador tem valor para ser escolhido neste ponto do draft. Sendo assim, os Jaguars selecionarão um jogador capaz de fazer aquilo que Blake Bortles tem certa dificuldade: avançar a bola antes do jogo já estar perdido.

05) Tennessee Titans (via Los Angeles Rams): Corey Davis, WR, Western Michigan
Os Titans chegam ao draft precisando de reforços no corpo de recebedores e na secundária. Como a classe é mais forte nessa segunda unidade, a equipe opta por um WR em sua primeira escolha. Davis chega para se tornar o melhor amigo de Marcus Mariota.

06) New York Jets: O.J. Howard, TE, Alabama
Os Jets precisam de uma identidade no ataque e Howard chega para ser o jogador que vai fazer com que a equipe pare de tratar a posição de Tight End como se ela não existisse.

07) Los Angeles Chargers: Jamal Adams, S, LSU
Os Chargers encontram o sucessor de Eric Weddle (algum tempo depois de sua saída). Adams chega para ser um dos grandes jogadores da defesa, com suas jogadas e liderança dentro de campo.

08) Carolina Panthers: Mike Williams, WR, Clemson
Kelvin Benjamim já mostrou que pode e que não pode ser o cara de Cam Newton. Os Panthers escolhem um WR para ajudar o seu quarterback a voltar a ter uma grande temporada.

09) Cincinnati Bengals: Jonathan Allen, DL, Alabama
Ninguém se importa com os Bengals mesmo. Eles pegarão um bom jogador e farão alguma besteira em janeiro se chegarem lá – é isso que vocês precisam saber.

10) Buffalo Bills: Marshon Lattimore, CB, Ohio State
Depois de perder Stephon Gilmore na Free Agency, os Bills vão atrás do melhor CB da classe.

11) New Orleans Saints: Gareon Conley, CB, Ohio State
Já podemos chamar o que os Saints tem de defesa, o que é um avanço se considerarmos o que a franquia tinha há alguns anos. Como a troca com os Patriots por Malcom Butler não deu certo, New Orleans seleciona um CB mais barato, mas com muito potencial.

12) Cleveland Browns: Deshaun Watson, QB, Clemson
Watson já teve uma carreira vitoriosa no College e todos sabemos que você não pode ter tudo nessa vida: selecionado no Browns, sabemos que sua carreira profissional será arruinada. Por que não Mitchel Trubisky? 13 jogos como titular não são necessariamente o que Cleveland  – que tem trabalhado cada vez mais com estatísticas – procuram no seu futuro “QB“.

13) Arizona Cardinals: Deshone Kizer, QB, Notre Dame
Apesar das tentativas do seu técnico da faculdade de boicotá-lo, Kizer é escolhido em uma posição que é boa para os dois lados: ele terá tempo para aprender com Carson Palmer – que a qualquer momento pode simplesmente desaparecer – e Bruce Arians.

14) Philadelphia Eagles (via Minessota): John Ross III, WR, Washington
Nenhuma arma é demais para o menino Carson Wentz, que em alguns momentos confia demais no seu braço para fazer jogadas. Com Ross no time, é só jogar lá no fundo e torcer para que John resolva com sua velocidade.

15) Indianapolis Colts: Christian McCaffrey, RB, Stanford*
Os Colts se dão o luxo que não podem conceder a si mesmos e ignoram a defesa na primeira rodada. McCaffrey vem para tornar o ataque dos Colts uma das melhores unidades da liga, ajudando Andrew Luck de todas as formas possíveis: correndo, recebendo e até mesmo fazendo o trabalho que a linha ofensiva não gosta de fazer (bloquear).

*Nota do editor: clubismo-mo-mo

Vem pra casa, lindo!

16) Baltimore Ravens: Derek Barnett, DE, Tennessee
Com a partida de Elvis Dumervil e a idade chegando a Terrell Suggs, os Ravens decidem dar um upgrade no seu pass rush.

17) Washington Redskins: Dalvin Cook, RB, Florida State
Dalvin Cook chega para não deixar dúvidas sobre a qualidade do jogo corrido em Washington. Kirk Cousins agradece, pois com um ataque mais balanceado ele finalmente vai receber aquela renovação de contrato (ou não).

18) Tennessee Titans: Marlon Humphrey, CB, Alabama
Já dissecamos o plano dos Titans nesse draft, e com a escolha de Humphrey a equipe sai com dois grandes reforços nas duas posições de maior carência no elenco.

19) Tampa Bay Buccaneers: Forrest Lamp, OG, Western Kentucky
É importante proteger Jameis Winston das defesas adversárias e dele mesmo: às vezes o rapaz se empolga tanto quando a jogada colapsa e ele sobrevive que acaba fazendo alguma cagada.

20) Denver Broncos: Garett Bolles, OT, Utah
Alguns torcedores dos Broncos defendem que Siemian é, sim, um bom QB, mas a linha ofensiva não ajuda. Reforçando a linha ofensiva, eles descobrirão que Siemian não é um bom QB.

21) Detroit Lions: Haason Reddick, LB, Temple
O corpo de LBs dos Lions precisa de reforços e um jogador com a versatilidade de Reddick chega para ajudar onde o time precisar – mas, infelizmente, não será suficiente: ele não pode se multiplicar.

22) Miami Dolphins: Reuben Foster, LB, Alabama
Miami se beneficia pelo segundo ano seguido de um jogador que caiu no board devido a alguns problemas extracampo. Com essa adição, a defesa dos Dolphins pode dar o próximo passo e se tornar uma unidade capaz de vencer jogos.

23) New York Giants: David Njoku, TE, Miami
Essa escolha pode ser entendida como um recado a Eli Manning: “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara pra pegar a bola. Ou vai ou racha“.

24) Oakland Raiders: Jarrad Davis, LB, Florida
Os Raiders precisam de ajuda na posição de LB. Não é a pick mais sexy desse draft, mas o jogador chega para melhorar uma defesa já em ascensão – também não é como se fosse possível ela piorar.

25) Houston Texans: Patrick Mahomes, QB, Texas
Sério que você quer saber porque os Texans escolheram um QB? Aproveita que o Game Pass está de graça até o meio de junho e assista ao jogo contra os Patriots: Andy Dalton venceria aquele jogo – ou pelo menos passaria perto.

26) Seattle Seahawks: Ryan Ramzcyk, OT, Wisconsin
Existe uma lenda de que se você tem mais de 1,90, pesa mais de 130 kg e deixa sua identidade cair perto da sede dos Seahawks na mesma semana você vai estar jogando na linha ofensiva de Seattle. Ramzcyk chega para acabar com um dos maiores provedores de empregos do mercado americano.

27) Kansas City Chiefs: Mitch Trubisky, QB, North Carolina
Alex Smith não te levará longe e Kansas City já percebeu isso. E não é como se ele fosse fazer cagadas ao longo da temporada para que o menino Trubisky tenha que sair do banco para resolver alguma bronca, como jogar a bola além da marca do 1st down.

Qualquer perspectiva de futuro é melhor sem Alex Smith.

28) Dallas Cowboys: Kevin King, CB, Washington

Porque o Mock já estava pronto quando lembramos.

29) Green Bay Packers: Quincy Wilson, CB, Florida
Quando me chamaram para fazer esse mock me disseram: “SÓ TIRA O GUNTER DO TIME TITULAR PELO AMOR DE DEUS”.

30) Pittsburgh Steelers: Budda Baker, S, Washington
Alguém precisa tacklear Chris Hogan: o WR dos Patriots está correndo até hoje na secundária de Pittsburgh. Mas no fundo queremos muito que os Steelers escolham um QB para que as pessoas comecem a acreditar em Roethlisberger. Nós sabemos que você não quer se aposentar, Ben.

31) Atlanta Falcons: Charles Harris, LB, Missouri
Atlanta substitui os spin moves de Dwight Freeney pelos de Charles Harris. Queremos acreditar que se Harris estivesse em campo os Patriots não virariam aquele jogo. Queremos.

32) New Orleans Saints (via New England): T. J. Watt, LB, Wisconsin
Como já dissemos, a defesa de New Orleans já pode ser chamada de defesa, mas ainda precisa de alguns reforços. Nada melhor que apostar no gene da família Watt.

Bônus:
Você que torce pra um time que trocou a escolha de primeira rodada (mesmo que seja por Sam Bradford) não foi esquecido.  Até porque não tem como se esquecer de algo que não existe – alô torcida dos Rams:

Los Angeles Rams: Pat Elflein, C, Ohio State
O ataque dos Rams não vai ser bom em 2017, mas ninguém pode impedi-los de tentar. Reforçar a linha ofensiva já é um grande primeiro passo.

Minessota Vikings: Dan Feeney, G, Indiana
Qualquer coisa que não seja o que os Vikings tem no elenco na linha ofensiva já pode ser considerado um reforço.

New England Patriots: Anthony Cioffi, S, Rutgers
A primeira escolha dos Patriots só vem na terceira rodada, nada que vá impedi-los de chegar ao Super Bowl (e provavelmente vencê-lo). Logo, a escolha de um safety de Rutgers que ninguém conhece não vai deixar os torcedores chateados. Enfim, o time não precisa dele mesmo.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e diz que cancelou alguns compromissos para assistir o draft, mas nós sabemos que ele ia ficar em casa de qualquer jeito.

5 mentiras da offseason que ninguém consegue acreditar

A offseason da NFL é um terreno fértil para que histórias, daquelas bem fantasiosas, sejam contadas sistematicamente. Sem jogos ou performances para avaliar, técnicos e jogadores parecem coagidos a tentar criar um futuro artificial e utópico para mascarar a dura realidade que enfrentarão em breve. Mas você, estimado leitor do Pick Six, não será mais uma das vítimas do conto do vigário. Nós ligamos o nosso detector de mentiras e vamos expor alguns dos Pinóquios da NFL na offseason de 2017:

John Fox e Todd Bowles: dois senhores lunáticos

Em 2016, Chicago Bears e New York Jets tiveram temporadas péssimas: juntos, eles conseguiram somar apenas oito vitórias. Obviamente, tratam-se de times muito fracos, que precisariam de muitos reforços para apenas começar a pensar em ser competitivos em 2017. Mas o que aconteceu com ambos foi justamente o contrário: Bears e Jets perderam seus QBs titulares, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick, e vários outros jogadores-chave, como Alshon Jeffery, Brandon Marshall e Nick Mangold.

Os times fracos e a perda de jogadores relevantes parecem não ter limitado a capacidade dos head coaches John Fox e Todd Bowles de criar um mundo paralelo. John Fox declarou que acredita que o Chicago Bears está em “striking distance”, que pode ser traduzido por algo como “em posição de causar estrago”. Já Todd Bowles acredita que “o elenco possibilita que o Jets seja competitivo em 2017” e que “as expectativas são altas, mas que é muito cedo para saber se o time é capaz de chegar aos playoffs”.

Fox e Bowles são dois grandes mentirosos. Mesmo tendo muita boa vontade e considerando que as “perdas” de Jay Cutler e Ryan Fizpatrick podem, na verdade, ser verdadeiros reforços para os times, não há como levar a sério as declarações dos técnicos. O tempo de Cutler e Fitzmagic enganarem os torcedores realmente acabou e isso é muito bom para que as franquias superem o fim do relacionamento que não deu certo e busquem seu verdadeiro par perfeito. Porém, a falta de respostas, tanto na free agency quanto no draft, para a posição mais importante do football condena os dois times a viver muito abaixo da linha de mediocridade em 2017.

Mesmo que Mike Glennon e seja-lá-quem-for-o-QB-do-Jets façam trabalhos razoáveis, nenhum dos ataques superará a perda de Alshon Jeffery e Brandon Marshall, dois dos melhores WRs da NFL. Além disso, o Chicago Bears joga em uma divisão que tem três times muito fortes e o New York Jets não tem nem chance de sonhar vencer a AFC East enquanto Tom Brady continuar respirando.

John Fox deve acreditar que “striking distance” significa “lutar para não ficar em último na divisão”. Se não acreditar, trata-se apenas de um mentiroso tentando minimizar o desastre da temporada anterior e criar um ambiente favorável à manutenção de seu emprego. Já Bowles deveria ter vergonha de mencionar “Jets” e “playoffs” na mesma frase e saber que o time será competitivo apenas quando se trata da disputa pela primeira escolha do Draft de 2018.

Obviamente, não esperamos que nenhum dos dois treinadores venha a público dizer que seus times são dois lixos. Jogadores precisam de motivação. Mas precisam mentir tão descaradamente?

Acredita quem quer.

Tom Brady e Drew Brees e o dilema da reforma da previdência

A idade parece não ser um problema para Tom Brady e Drew Brees, que estão se aproximando dos 40 e não estão nem cogitando o inevitável declínio físico trazido pela velhice. Brady declarou recentemente que pretende jogar por até mais cinco anos, o que levaria a uma aposentadoria aos 44 na temporada 2021. Drew Brees parece ter ficado com ciúme e logo em seguida afirmou o desejo de permanecer ativo até os seus 45 anos de idade, que o deixaria em campo até a longínqua temporada 2023.

Por mais que os torcedores do New England Patriots e do New Orleans Saints queiram muito acreditar que o prolongamento das carreiras de Brady e Brees vai acontecer, não é o que a história da NFL nos mostra. Nenhum QB conseguiu obter resultados significativos após ultrapassar a marca dos 40 anos. Brett Favre parece ter sido o único a conseguir se aproximar de conseguir vitórias expressivas após completar 40 anos, quando disputou a final da NFC pelo Minnesota Vikings em 2009.

Na nossa idealização de fãs, nossos ídolos são super heróis que podem vencer qualquer barreira, inclusive a da idade. Não queremos acreditar que eles são meros seres humanos, mas são, mesmo que não pareçam. O declínio chega de maneira abrupta. Peyton Manning é a prova disso: conquistou vários recordes da NFL em 2014 e em 2015 foi literalmente carregado pelo Denver Broncos para vencer o SB 50 aos 39 anos.

Em algum momento, em breve, o declínio físico vai atingir Brady e Brees, que parecem mesmo ter a vontade de jogar por muitos anos. Como o desejo de jogar em idade avançada parece ser legítimo, tratam-se de mentiras sinceras, mas ainda assim são mentiras.

“Na primavera ou em qualquer das estações”

Houston Texans: Deus no céu, Tom Savage na terra

A aposentadoria de Tony Romo ainda faz corações despedaçados sangrarem em Houston. Romo parecia a única solução para um time a um QB de distância de uma corrida ao Super Bowl. Não é o que o Texans parece acreditar. De acordo com James Palmer, repórter da NFL Network, o time se sente “confortável” com o inexpressivo Tom Savage sendo o QB titular na próxima temporada.

Essa talvez seja a mentira mais fácil de ser desmascarada. Desde 2014, quando foi draftado pelo Houston Texans, Savage participou de cinco jogos em temporada regular, dois como titular. Conseguiu o astronômico número de 0 TDs anotados e 0 passes para mais de 40 jardas. Portanto, não se enganem: Houston será agressivo no draft e, provavelmente, trará um veterano como Jay Cutler (credo!) ou Colin Kaepernick.

Um monumento temperamental

Ben Roethlisberger é, indiscutivelmente, um grande QB. Nada do que será dito a seguir tem a pretensão de diminuir sua qualidade ou relevância. Mas precisamos dizer a verdade: ele adora fazer um draminha. Nenhum outro jogador da NFL é capaz de se esforçar tanto para mostrar que está jogando machucado. Ben precisa mancar mais do que o necessário e se arrastar em campo para mostrar seu heroísmo.

Nessa offseason o drama se estendeu para um discursinho super falso de uma possível aposentadoria precoce. “Vou usá-la para avaliar, para considerar todas as opções, para avaliar questões de saúde e familiares, avaliar a próxima temporada, se haverá uma próxima temporada”, disse Roethlisberger.

Ninguém no Pìttsburgh Steelers parece ter levado as declarações muito a sério. Por um bom motivo: não demorou muito tempo para Ben encerrar o teatro e anunciar que estará em campo em 2017. Como disse Terrell Suggs, do rival Baltimore Ravens, antes de uma partida em que Ben era dúvida, “ele vai agir como ‘ai, não vou jogar, não sei, fiz só trabalhos individuais, lancei um pouco, mas ainda não sei’ e então vai colocar seu traseiro gordo no campo e jogar normalmente”.

Sempre divertido usar esta foto.

O time do futuro (que nunca chega)

A offseason é o momento perfeito para tentar reconstruir a imagem de jogadores que já mostraram flashes de talento, mas depois falharam completamente. Quem nunca ouviu o famoso “o QB X está trabalhando com um guru de QB” ou “o QB Y está trabalhando para melhorar sua mecânica”?

Blake Bortles parece ser o personagem perfeito para esse modelo de enganação. Depois de um ano muito promissor em 2015, na última temporada Bortles nos proporcionou momentos de ruindade épicos. O Jacksonville Jaguars, porém, está preso a Bortles, já que se trata de um QB de primeiro round do draft e que ainda mostra uma pequena esperança de recuperar pelo menos um pouco do talento que já mostrou.

Nada de anormal até aqui, certo? Mas o general manager Dave Caldwell parece ter ido um pouco longe demais em suas declarações. Entre outras coisas, Caldwell disse que “podemos vencer muitos jogos com Blake. Podemos vencer um Super Bowl com Blake, acho que o futuro é brilhante para ele”. Gostaríamos muito de acreditar em você Dave, mas simplesmente não conseguimos – aliás, nem sua mãe conseguiria.

Tony Romo e a eterna busca pelo quarterback ideal

A situação de desespero completo enfrentada por alguns times evidencia uma das verdades mais inconvenientes da NFL: encontrar um franchise QB é uma tarefa muito complicada. Pode parecer difícil de acreditar, mas aparentemente não existem 32 seres humanos capazes de comandar um ataque com a mínima competência e se tornar a base ao redor da qual uma franquia de sucesso é construída.

Em 2017, a ausência de oferta em um mercado com alta demanda para preencher vagas disponíveis na posição mais importante parece ainda mais acentuada. Se você acha que é exagero, reflita: dos 32 times da NFL, pelo menos oito (25% da liga) vivem situações que vão do desespero completo a dúvidas significativas quanto à capacidade de seus QBs.

Se existisse um ranking do desespero na busca por um quarterback, certamente San Francisco 49ers, New York Jets, Cleveland Browns e Chicago Bears estariam brigando acirradamente pelo topo, já que não têm absolutamente nenhuma opção viável na posição.

O 49ers, depois de dispensar Blaine Gabbert e de Colin Kaepernick ter optado por deixar o time, chega ao cúmulo de não ter nenhum QB em seu roster atual e é a escolha óbvia para time mais desesperado. O Jets não fica muito atrás, contando apenas com os inexperientes e fracos Bryce Petty e Christian Hackenberg no elenco. Em 2016, Browns e Bears até conseguiram extrair de Robert Griffin III, Cody Kessler e Matt Barkley algumas apresentações que se aproximaram um pouco da linha da mediocridade, mas é difícil acreditar que estejam cogitando iniciar a temporada 2017 apenas com essas opções.

Já Los Angeles Rams e Houston Texans vão pagar em 2017 por erros cometidos em momentos de desespero: na busca por um QB, ambos fizeram investimentos altos em Jared Goff e Brock Osweiler e viram a coisa desandar de maneira retumbante. Mas justamente por terem investido tanto em dois jogadores tão ruins, talvez seja necessário mais um ano de sofrimento para que então a ficha caia definitivamente; hoje, são equipes que vão pensar no futuro da posição, mas que não serão tão agressivas quanto os quatro primeiros aqui citados.

Outras duas incógnitas são Buffalo Bills e Jacksonville Jaguars, que estão em uma espécie de purgatório, já que Tyrod Taylor e Blake Bortles já deram sinais de que podem ser o futuro das franquias, mas também deram indícios de que podem colocar tudo a perder. A situação de Bortles em Jacksonville parece ser mais confortável, já que o time vai esperar que sua escolha de primeiro round volte a ter o desempenho apresentado em 2015. Tyrod tem um futuro mais incerto em Buffalo: o time está visivelmente incomodado em se comprometer com os altos salários do contrato atual do QB. Mas diante das opções disponíveis e de um bom potencial de crescimento do jogador, o Bills não deveria pensar duas vezes em ficar com Taylor e evitar entrar no grupo dos times verdadeiramente sem nada a se apegar.

O número de desesperados não é ainda maior porque não consideramos situações potencialmente complicadas, como a do Miami Dolphins, com a contusão e com as performances medianas de Ryan Tannehill, a do Denver Broncos, com um jogador mediano em Trevor Siemian e um projeto a longo prazo em Paxton Lynch, e a do Minnesota Vikings, que não sabe quando ou mesmo se Teddy Bridgewater voltará a jogar e, enquanto isso, terá que depender do modorrento Sam Bradford. Se esses três times entrassem na estatística dos desesperados, um terço da liga não teria um QB decente. É assustador.

Flw, vlw.

Procurando soluções

Para suprir a demanda pela posição mais importante do football, nada como gastar um bom dinheiro na Free Agency, não é mesmo? Infelizmente, a coisa não é tão simples assim. Colin Kaepernick, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick encabeçam uma lista de Quarterbacks Free Agents nada inspiradora, que ainda conta com nomes obscuros como Brian Hoyer, Josh McCown, Blaine Gabbert, Case Keenum e Mark Sanchez. Nenhum desses jogadores, seja pela qualidade técnica ou por habilidade de liderança, é a solução para times fracos que precisam de performances consistentes.

Se a Free Agency não vai trazer soluções, o otimista pode pensar que do draft podem surgir algumas surpresas, como Dak Prescott. Pode acontecer, é claro, mas se apegar a isso é como dar um tiro no escuro. A chance de acertar é muito pequena, especialmente porque o calouro, por mais talentoso que seja, teria que carregar um New York Jets ou um San Francisco 49ers nas costas.

Além disso, não existem unanimidades na classe de calouros de 2017: não há nenhum Andrew Luck e nenhum Cam Newton, por mais que os agentes tentem nos fazer acreditar no contrário. Escolher um QB no draft desse ano será a prova de fogo para os scouts e dificilmente um milagre acontecerá. Nunca se esqueçam: para cada Russell Wilson descoberto no terceiro round, aproximadamente 37 Christian Ponders são draftados no primeiro.

A melhor opção

No meio dessa bagunça toda está um dos melhores QBs da NFL quando saudável e, provavelmente, o principal nome entre os disponíveis no mercado: Tony Romo.

Sem espaço no Dallas Cowboys após a inesperada ascensão de Dak Prescott, é bem provável que Romo seja trocado ou dispensado pelo Cowboys. Apesar de carregar a fama de “amarelão”, principalmente por situações que aconteceram no início de sua carreira, Tony tem sido um dos quarterbacks mais produtivos e regulares dos últimos anos na NFL.

E não seria exagero nenhum dizer que Romo é melhor que Prescott, se desconsiderados os fatores idade e tendências a contusões. Dallas tem a sorte de ter dois jogadores que poderiam tranquilamente ser a solução para qualquer time da liga, mas pensando no futuro, terá que dispensar ou trocar o melhor deles: é difícil imaginar um cenário em que Tony Romo esteja vestindo a camisa do Cowboys em 2017 e, certamente, todos os 11 times já mencionados até aqui estão salivando para tê-lo.

O problema é que a escolha será, principalmente, do próprio Romo. Em caso de dispensa, o jogador se tornaria Free Agent e poderia negociar com qualquer time da liga. Se Dallas resolver trocá-lo, em respeito pelo que tudo que Tony já fez pela franquia, é provável que o jogador seja consultado antes que negócio seja concretizado. De qualquer forma, Romo é o senhor do seu próprio destino e, nesse ponto de sua carreira, já com muito dinheiro no bolso, é provável que escolha um time que lhe dê uma possibilidade mais palpável de título, o que colocaria um ponto final em uma carreira consistente.

Seguindo essa lógica e pensando também nas necessidades dos times, vamos especular sobre os melhores destinos para Tony Romo. E também sobre situações em que, bem, seria melhor considerar aposentadoria – ou o suicídio.

I’ve been waiting all day for Sunday Night.

O paraíso: Denver Broncos

Denver parece ser um time que está a um QB de distância de voltar para o Super Bowl. A defesa segue dominante e o ataque conta com jogadores talentosos, como Demaryus Thomas e Emmanuel Sanders. Nesse contexto, Tony Romo não chegaria como o salvador da pátria, mas sim como a peça que faltava para completar um time que já é muito bom. Como Denver não toma muitos pontos e prefere correr com a bola, a escolha seria a ideal para Romo inclusive se forem considerados os riscos de contusão, já que no esquema do Broncos, o QB não é tão exigido. Para Denver, além de aumentar bastante as chances de um retorno ao SB, ter Romo como uma ponte para o início da era Paxton Lynch também não é uma má ideia.

Um relacionamento quase perfeito: Houston Texans

O Texans é um time muito parecido com o Broncos: tem sua principal força na defesa, adora correr com a bola e tem bons jogadores no ataque. A diferença é que o conjunto do Texans, apesar de DeAndre Hopkins e JJ Watt, não é tão talentoso quanto o de Denver e Romo estaria um pouco mais distante de um título. As vantagens estão em permanecer no Texas e não estar submetido ao clima de Denver. Além do fato de que vencer a AFC South também é bem mais fácil que vencer a AFC West.

Nem o céu, nem o inferno: Chicago Bears

Pode parecer estranho citar o Chicago Bears, que terminou 3-13 na última temporada, como uma boa opção para Tony Romo, mas o time parece ter o tipo de talento ofensivo do qual ele conseguiria tirar proveito. É claro que essa afirmação depende muito da nada certa renovação de contrato do WR Alshon Jeffery. Se renovar, além de Jeffery, Romo teria à disposição Kevin White, que apesar de ainda não ter mostrado todo seu potencial desde que chegou à NFL, era considerado um dos WRs mais talentosos da classe de 2015. O Bears também tem um jogo corrido muito forte com o surpreendente Jordan Howard. Em Chicago, Romo ainda estaria bem distante de um título, mas é uma opção melhor que as demais – exceto se o Minnesota Vikings decida se livrar de Sam Bradford.

O fundo do poço: San Francisco 49ers

O 49ers é muito ruim e ainda está em uma das divisões mais difíceis da NFL em termos de defesas adversárias. A não ser que queira apanhar constantemente das defesas de Arizona Cardinals, Los Angeles Rams e Seattle Seahawks, é melhor para Romo ficar bem longe da lixeira que é San Francisco hoje.

Martírio sem fim: New York Jets

O Jets acaba de perder o WR Brandon Marshall e o C Nick Mangold, um dos melhores da liga. Sobraram apenas os já não tão novinhos Erick Decker e Matt Forte em um ataque bem fraco. Não existe motivo algum para Tony Romo ir para New York passar frio, enfrentar uma imprensa insuportável e não ter chance nenhuma nem de ganhar a divisão, que já tem dono há anos. Não faça isso, Tony!

É preciso estar louco: Buffalo Bills

O Bills não vai aos playoffs há 17 anos. E não é apenas um Tony Romo que vai mudar essa situação. O time tem muitos pontos de interrogação, tanto no ataque quanto na defesa. Não se sabe com certeza o real estado de saúde do WR Sammy Watkins e o RB LeSean McCoy já tem dado declarações desmotivadas. Junte isso a uma comissão técnica nova, ao frio de Buffalo e terá a receita perfeita para o desastre.

Razões para o Atlanta Falcons vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

As histórias dos esportes muitas vezes são contadas através de narrativas. Aspectos do jogo e dos personagens envolvidos são cuidadosamente selecionados para que seja criado um roteiro com começo, meio e fim. Como em toda história, as narrativas esportivas envolvem o mocinho contra o bandido, o bem contra o mal, a luta pela justiça e a busca pelo final feliz. No Super Bowl LI, a narrativa predominante parece ser a cruzada por vingança do poderoso New England Patriots e de seu QB superstar, submetidos a punições controversas em um caso que chega a murchar nossas bolas de tão ridículo que foi. Mesmo os que não gostam do Patriots sentiriam um gostinho especial se Roger Goodell fosse obrigado a entregar o troféu para Tom Brady. Para o Patriots, vencer o próximo Super Bowl vai muito além de Brady conquistar seu quinto anel e tornar a equipe um dos times mais vitoriosos da história da NFL: é a oportunidade de obrigar a poderosa liga a se curvar diante do time que superou todas as adversidades e, mais uma vez, atingiu o topo.

É uma história realmente muito interessante. Ou, talvez, seja apenas a história mais fácil de se tornar uma bela narrativa, mas não é a única desse Super Bowl. Do outro lado do campo, o New England Patriots encontrará o inexpressivo Atlanta Falcons, time que chega apenas pela segunda vez à grande final da NFL e nunca conquistou o título. Seu líder é um QB que tem menos carisma que um poste e que até a temporada 2016 poucas vezes tinha passado da linha da mediocridade.

Contar uma história sobre Matt Ryan definitivamente não é fácil. Seus coadjuvantes também não chamam muita atenção. São competentes, mas estão longe de ser grandes estrelas e poderiam ser substituídos tranquilamente por grande parte dos jogadores da NFL. A exceção talvez seja o WR Julio Jones, que é um dos melhores recebedores da liga quando é considerada a mescla de tamanho, velocidade e talento natural. Julio, porém, tem uma ética de trabalho admirável e é avesso às polêmicas que envolvem outros WRs, como Odell Beckham Jr e Antonio Brown. Ou seja, é mais um personagem difícil de virar parte central de uma bonita história.

A sorte do Atlanta Falcons é que as narrativas esportivas são superestimadas e tendem a distorcer um pouco a percepção que as pessoas têm do que realmente importa quando o objetivo é lançar uma bola e marcar mais pontos do que o adversário. Não, não é uma tentativa de menosprezar Tom Brady, mas é muito mais fácil enxergar nele um QB com poderes sobrenaturais do que reconhecer e valorizar tudo que Matt Ryan fez nessa temporada. É muito mais fácil perceber as virtudes de um QB que disputará seu sétimo SB do que dar o valor adequado a um time que tem, entre todos os seus jogadores, cinco participações na grande decisão. Existe um contraste midiático muito grande entre Patriots e Falcons. Porém, narrativas à parte, o fato é que o Atlanta Falcons é um time melhor que o New England Patriots. Mesmo que não seja uma história bonita, que vá emocionar e trazer lágrimas aos olhos, não há motivo algum para ter receio de dizer: não vai ser fácil, mas Matt Ryan levantará o Lombardi Trophy no próximo domingo.

Fiquem sussa, caras.

Um ataque perfeito

Poucos ataques na história da NFL se aproximaram da perfeição. O Atlanta Falcons de 2016 é um deles. Mesmo com apenas uma grande estrela, Julio Jones, o sistema ofensivo do Falcons funciona com uma eficiência poucas vezes vista. Na temporada regular, foram 33,8 pontos por jogo, melhor da NFL, 415,8 jardas totais, segundo melhor, 295,3 jardas passadas e 120,5 jardas corridas, terceiro e quinto melhores números da liga, respectivamente. Ou seja, eles estão no top 5 da NFL em todas as estatísticas ofensivas relevantes.

Desavisados podem pensar que a temporada regular pode não ser o parâmetro ideal, já que o Falcons enfrentou times fracos que poderiam ter colaborado com a inflação dos números. Mas a resposta veio rápida: nos dois jogos de pós-temporada que disputou, inclusive contra a defesa do Seattle Seahawks, Atlanta marcou 80 pontos. OITENTA, uma média de sete pontos a mais que na temporada regular e a terceira melhor marca da história dos playoffs.

O ataque explosivo começa com Matt Ryan, virtual vencedor do prêmio de MVP da temporada. Ryan é o cérebro que distribui a bola como nenhum outro e, além de ter sido o melhor jogador da temporada regular, parece ainda melhor na pós temporada. Nos jogos contra Seahawks e Packers foram 730 jardas passadas, 7 TDs e 0 INT, que gerou um rating de 132,6. Voltando à história inicial das narrativas, como esses números foram produzidos por Matt Ryan, e não por Tom Brady, eles parecem um pouco menosprezados. Mas a verdade é que estamos diante de uma performance histórica que tem grandes chances de continuar no Super Bowl.

Mesmo que Bill Belichick seja conhecido por criar esquemas eficientes para barrar os pontos fortes dos ataques adversários, o Falcons é equilibrado o suficiente para tornar essa missão praticamente impossível. Não adianta criar um esquema de marcação dupla, ou mesmo tripla, para parar Julio Jones. Se isso acontecer, Matt Ryan encontrará Mohamed Sanu, Taylor Gabriel, Austin Hooper e outros ilustres desconhecidos completamente livres. Se Bill decidir enfatizar a defesa contra o passe, o Falcons tem em Devonta Freeman e Tevin Coleman a dupla de RBs mais dinâmica e produtiva da NFL que certamente vai causar estragos.

O cobertor é curto e, por mais genial que Belichick seja, a defesa do Patriots (ou qualquer defesa da NFL) não parece ser capaz de neutralizar ou reduzir significativamente os estragos provocados pelo ataque do Falcons. Esse argumento pode parecer falho, já que a defesa de New England é a melhor da NFL em termos de ponto por jogo. Mas é necessário lembrar que trata-se de uma defesa que ainda não foi verdadeiramente testada, especialmente nos playoffs. Convenhamos que o Houston Texans de Brock Osweiler e o Pittsburgh Steelers sem Le’Veon Bell não estão nem perto do que é o Atlanta Falcons. No duelo ataque do Falcons contra defesa do Patriots, a vantagem é de Atlanta.

Defesa arroz com feijão

Como o Super Bowl LI tem como protagonistas dois ataques prolíficos, que dificilmente serão parados, há quem considere que o jogo será um duelo de defesas: quem fizer o melhor trabalho, ganha. Esse pode ser um dos motivos que abalam levemente a convicção de que o título vai acabar na Georgia, já que a defesa do Atlanta Falcons não é um primor, muito longe disso. O Falcons tem a sexta defesa que mais cedeu pontos na temporada regular da NFL, em contraste com a defesa do Patriots, a melhor neste quesito. Nos playoffs, porém, Atlanta mostrou uma evolução significativa e só permitiu 41 pontos combinados para o razoável ataque do Seattle Seahawks e para o excelente Green Bay Packers.

O segredo da boa performance nos dois jogos de playoff que venceu parece ser a capacidade de colocar pressão no QB adversário. Mesmo que não tenha conseguido um número significativo de sacks contra Wilson e Rodgers, o Falcons conseguiu mover a linha ofensiva adversária o suficiente para que os QBs ficassem incomodados e apressassem suas decisões. A mesma fórmula deve funcionar com Tom Brady, que perdeu dois SBs para o New York Giants, que não tinha uma defesa espetacular, mas contava com um pass rush eficiente. Vic Beasley, que liderou a liga em sacks em 2016, pode acabar se tornando uma espécie de Von Miller no SB L, fazendo a diferença no jogo.

Esse dia foi massa.

Além de incomodar Tom Brady, o Atlanta Falcons terá que usar uma estratégia completamente diferente as usada pelo Pittsburgh Steelers, que preferiu colocar cones em campo e acabou comido vivo por Julian Edelman e Chris Hogan. Pelas características do ataque e dos recebedores do Patriots, é fundamental optar por mais marcação homem a homem e menos marcação por zona. Edelman e Hogan são recebedores pequenos, que têm dificuldade em ganhar disputas físicas com os marcadores e buscam sempre o espaço vazio que as marcações em zona permitem. É claro que é impossível parar completamente o ataque do Patriots, mas se conseguir marcar fisicamente os recebedores na linha de scrimmage, acabando com a precisão das rotas e com o timing das jogadas, o Atlanta Falcons aumenta significativamente suas chances. É necessário fazer o arroz com feijão e limitar possíveis ganhos grandes de jardas: se ficar assistindo Chris Hogan anotar TDs de 60 jardas, como o Steelers fez, estará escrita a receita para o fracasso.

O sucesso da defesa do Falcons no SB também está atrelado ao ataque. Se abrir uma boa vantagem no começo do jogo, como costuma fazer, New England terá que abandonar, em parte, o jogo corrido e terá um ataque unidimensional que, teoricamente, será mais fácil de ser marcado. Se seguir essa cartilha básica, é provável que o Atlanta Falcons pelo menos não seja ridicularizado, como o Pittsburgh Steelers foi, o que aumentará significativamente as chances de Atlanta vencer seu primeiro Super Bowl.

Palpite: 33×27, em um jogo em que o Falcons abrirá uma boa vantagem no primeiro tempo, mas permitirá uma reação no segundo. Haverá um pouco de emoção no final, mas a vantagem de seis pontos será mantida e Matt Ryan ajoelhará para a glória.

Razões para o New England Patriots vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

O Patriots talvez tenha sido um dos grandes tópicos de toda a intertemporada de 2016, enquanto acompanhávamos ansiosos as idas e vindas dos julgamentos de Tom Brady e, quando elas acabaram, passamos a esperar o começo do fim da carreira de um dos maiores vencedores da história da NFL. Surpreendentemente, olhando hoje, Belichick era apenas mais um coadjuvante (um grande sidekick, mas um coadjuvante do marido da Gisele) que escrevia cartas para Donald Trump nas horas vagas.

Hoje, já questionamos quem realmente é o monstro, como questionávamos há muitos anos atrás, quando Brady “ganhou de presente” (MVP com 145 jardas lançadas e 1 TD?) seu primeiro Super Bowl em apenas seu segundo ano de carreira. E então calculamos se Bill não seria capaz de tais feitos mesmo se Jimmy Garoppolo fosse o homem no comando de seu ataque. Para a sorte dos representantes de Boston, eles têm os dois e muito mais.

A loucura que não faz falta

Todos conhecem Rob Gronkowski e sabem que ele é um mito em todos os sentidos. Infelizmente, o melhor amigo (dentro de campo, obviamente) de Tom Brady segue pagando o preço de sua vida desregrada, sofrendo com lesões que, dessa vez, lhe tiram da grande final. Para a sorte dos Patriots, o Lord Sith estava preparado para isso e, no começo do ano, contratou Martellus Bennett, TE titular dos Bears para complementar  Gronk – Bennett, aliás, é até mais falastrão que a grande estrela; ele consegue formular frases e contar histórias engraçadas!

Obviamente Martellus não é aquele alvo acionado 10 vezes por partida, mas trata-se de um bom complemento que descolou 700 jardas e 7 TDs na temporada regular e, ainda que não tenha sido acionado muito durante a pós-temporada, é alguém para se ter em conta contra a defesa insegura dos Falcons, ao lado de outros jogadores igualmente perigosos nas mãos de Josh McDaniels, como Julian Edelman e Chris Hogan (Chris FUCKING Hogan: reserva dos Bills).

Com essa cara de atendente de loja chique, você já desviaria dele no shopping.

Por outro lado, provavelmente os melhores skill players do time estão no backfield. Atrás de uma linha ofensiva sólida ancorada pelo left tackle Nate Solder, o nosso maconheiro trombador favorito LeGarrette Blount correu para absurdos 18 TDs (máximo na NFL), mesmo sem nunca ter mostrado grande talento; ao lado dele, o retorno de Dion Lewis dá o elemento dos sonhos para causar inferno nas defesas adversárias – Emmanuel Acho, jogador pelo qual ele foi trocado de Philadelphia para Cleveland, esses dias comentava no Twitter que alguém merecia ser demitido por achar que os dois tinham o mesmo valor.

E obviamente, para fechar, o começo e o fim de tudo, a grande estrela é Tom Brady. Se ele mantivesse as médias que teve em 12 jogos para os 16 jogos de uma temporada normal (sem punição por murchar bolas e destruir celulares), teria lançado para 4738 jardas e 37 TDs, números equivalentes ao de Matt Ryan, e os dois estariam concorrendo ao título de MVP voto a voto, certamente. Truque do destino, ou de Roger Goodell, Brady perdeu esses jogos que na verdade só devem ajudá-lo a estar um pouco menos cansado para brincar com a defesa dos Falcons.

Sobre clichês

À parte da historinha clássica de que Brady e o lorde das trevas serão favoritos todos os anos ao grande título até que decidam aposentar-se (depois do vigésimo, provavelmente), falemos de outra história muito repetida ano após ano na NFL e que, no caso desse Super Bowl, pode fazer mais sentido do que nunca: “defense wins championships”. Primeiramente, porque isso tem sido verdade na história de New England.

Você já deve ter ouvido falar no Greatest Show on Turf, de Kurt Warner – se não, saiba que só faltavam fazer chover, com as devidas proporções de monstruosidades, a exemplo do que Matt Ryan faz hoje. Eram favoritos por 14 (DOIS TOUCHDOWNS) na final… e perderam para Belichick e um QB em seu primeiro ano como titular. Donovan McNabb estava na melhor temporada de sua vida, mas perdeu para Deion Branch MVP. E Malcolm Butler. Esse eu duvido que alguém já tenha esquecido, especialmente Russell Wilson.

(Eu sei que só foram três jogos listados. Mas o outro foi contra Jake Delhomme, achei que não fortaleceria meu caso)

De qualquer forma, essa temporada tem tomado contornos parecidos. Perceberam como depois de tanto escândalo na preseason e no começo (com Garoppolo e aquele outro QB que ficará rico daqui a três anos em algum time trouxa), os Pats seguiram seu caminho para um 14-2 quase que por inércia. A razão disso? O ataque não foi a coisa mais espetacular do mundo, afinal sem Gronk as coisas se distribuíram bastante, mas a defesa foi sólida.

Quão sólida? Oitava em jardas cedidas e a que menos cedeu pontos para os oponentes. Basicamente o oposto perfeito para o ataque dos Falcons. E para aqueles que quiserem um “fator corretor” para os oponentes que o time enfrentou (sim, na temporada regular as maiores potências enfrentadas foram Seahawks, Bengals, Dolphins e Ravens, não exatamente exemplos de ataques), ele atende pelos nomes de Big Ben e Antonio Brown.

Marcando o Brown, já de olho em Julio Jones.

Adendo importante: dessa defesa foram retirados dois dos seus melhores jogadores, que mesmo depois da troca mantiveram o alto nível de atuação: os linebackers Chandler Jones (trocado por uma escolha de segundo round e um G que já foi dispensado) e Jamie Collins (trocado por uma escolha de terceiro). Isso tudo basicamente nos ensina a nunca duvidar das mágicas que pode fazer o Mestre dos Magos.

Sobre Eli

São seis Super Bowls até aqui e uma escrita é completamente verdadeira, independente da maneira que você olhe: sempre que não enfrentou Eli Manning, Brady saiu vencedor. Do outro lado, para esse domingo, só vemos um Matty Ice magrão e ansioso para derreter, torcendo para que, como o próprio Eli disse, “tenha sorte de enfrentá-los no dia certo”.

Acontecerá de novo?

Enfim, o dia em que Tom Brady quer se provar mais homem que o comissário da maior liga americana não parece propício para um dia certo. É bom ter isso em conta na hora de marcarem suas apostas.

A minha: Tom lança 2 TDs para nosso querido Bennett e outros dois para Hogan, o próximo milionário fabricado por ele. Malcolm Butler repete o gostinho de ter uma interceptação decisiva e os Patriots levam em um 37×31.

Uma turminha do barulho: não tente duvidar destes caras

Há uma convenção, espécie de contrato de social, entre time e torcedores, pautada pela velha máxima: não importa como você comece, desde que termine bem. E independente do que aconteça diante do New England Patriots, o Pittsburgh Steelers certamente terminará a temporada 2016-2017 bem. É o clássico caso em que a entrega já saiu melhor que encomenda, afinal, em um mês de agosto já relativamente distante, não havia consenso até onde esta equipe poderia chegar.

Hoje, contando com dois dos melhores jogadores ofensivos da NFL, um quarterback bicampeão do Super Bowl e um treinador que, concordem ou não, tem em si três toneladas de confiança, Pittsburgh é muito mais que um azarão.

Contra o tempo?

Vencer New England no Gillette Stadium é algo em que os Steelers, historicamente, não tem tido êxito. Consideremos ainda que eles estão indo a um lugar onde Bill Belichick e o New England Patriots têm uma campanha 16-3 nos playoffs, incluindo um 4-1 em finais da AFC. Pese ainda o fato de que Pittsburgh teve uma semana a menos de descanso e enquanto suava litros de sangue contra o Chiefs, New England cozinhava o Texans – ou você realmente acreditou que em algum momento Brock Osweiler fosse capaz de fazer algo?

Uma eventual derrota, porém, traria um significado simples, e não seriam necessárias análises quilométricas para compreender que, por enquanto, os Patriots são melhores que eles – qual a novidade, já que costumeiramente New England tem sido melhor que toda a liga? Não seria o fim do mundo.

E é aqui que reside o maior legado desta temporada para o Pittsburgh Steelers: não estamos diante da última chance de Tomlin e Roethlisberger vencerem o Vince Lombardi. A janela de tempo, na verdade, se abriu e para as próximas temporadas eles já entram em campo como favoritos à AFC: o ataque, já assustador, tem uma gama de possibilidade inexploradas para se tornar ainda melhor, enquanto o sistema defensivo, responsável por diversos calafrios nos torcedores nas últimas temporadas, neste ano provou que está sendo reconstruído de maneira eficiente por Kevin Colbert (GM) e Keith Butler (DC).

Claro, há questões a serem consideradas: Big Ben naturalmente não está ficando mais novo e toda vez que um QB avança pela casa dos 30 anos começam a surgir sinais de queda de produção. Mas você olha para Roethlisberger e tem certeza que lhe restam ao menos mais três ou quatro temporada em alto nível. Algo difícil de imaginar para Tom Brady, cinco anos mais velho. Sim, estamos duvidando de Brady, então provavelmente quebraremos a cara – mas esta é outra história.

Tudo isto nos mostra que tanto Tomlin como Big Ben terão outra chance de vencer, que está não é a última chance de ambos. O que não significa que eles não podem fazer isso também neste ano.

Você ainda não viu o melhor deste ataque

A OL se tornou mais sólida e já é uma das mais consistentes da NFL, algo ótimo para um QB como Roethlisberger, que ao longo de sua carreira aprendeu a não ter medo de ser triturado fisicamente pelos adversários. Atrás dela LeVeon Bell foi um dos melhores jogadores da liga e a cada jogo percebemos que sim, apesar de números já absurdos, ele pode fazer muito mais.

Além disso, ainda há janelas para Big Ben encontrar soluções que não atendam pelo nome de Antonio Brown; é claro que alguém com o talento de Brown será o principal alvo, mas também é consenso que Roethlisberger, ao longo de sua carreira, sempre fabricou ótimos alvos secundários, o que não aconteceu com a mesma proporção nesta temporada: Jesse James ainda engatinha enquanto luta contra o legado de Heath Miller; Ladarius Green recebeu 20 milhões de dólares para passar nove semanas no departamento médicos esquentando suas havaianas; Eli Rodgers e Sammie Coates por vezes ainda pecam pela inexperiência e Martavis Bryant está ocupado demais estudando o mercado de ervas medicinais.

A pós-temporada é o momento perfeito para Big Ben garantir o próximo contrato milionário de algum ser humano ainda em busca de sua real vocação. E se algum recebedor secundário aproveitar efetivamente toda a atenção que Brown atrai, Big Ben tornará o ataque aéreo dos Steelers melhor. E ainda há Le’Veon Bell que, enfim, sem nenhuma frescura de snap count por parte de Pittsburgh, sabemos que irá correr 40 vezes por jogo e o adversário que lide com esta bomba.

A oitava arte

Recentemente discutimos a relação entre esporte e arte e, bem, de qualquer forma, se poucos conseguem criar formas de expressão artística, qualquer pessoa digna de talento pode transformá-la. Existiram, claro, grandes atrizes antes de Meryl Streep, mas apesar de “Mamma Mia”, é inegável que a Meryl de “Sophie’s Choice” e “Kramer vs Kramer” trouxe sua própria revolução pessoal dentro do gênero, dando origem a um novo estilo e moldando as próximas gerações de atrizes. O que Le’Veon Bell está fazendo não é assim tão diferente; é como se ele levasse o balé a um campo de football.

Nesta temporada, Le’Veon se tornou o primeiro jogador da história da NFL com uma média superior a 100 jardas corridas e 50 jardas recebidas por partida e elevou a posição a um outro patamar! Contra Kansas City, no Divisional Round, foram incríveis 170 jardas.

Hoje, ninguém compreende como efetivamente Bell consegue encontrar espaços em todas as tentativas, encontrar o corte perfeito no instante de tempo exato em que poderá lhe proporcionar 5 ou 6 jardas extras. É um jogador que está redefinindo o que é ser um running back.

Não sei se vi algum RB como ele durante minha carreira ou mesmo voltando no tempo para estudar caras que jogaram antes de mim”, disse LaDainian Tomlinson, ex-RB de Chargers e Jets e atualmente comentarista da NFL. “Nunca vi alguém parar completamente tudo que ele pode fazer”, completou.

Durante a temporada regular, em apenas 12 partidas, Bell terminou com mais de 1800 jardas totais e nove touchdowns – em dois jogos de playoffs já foram 337 jardas, recorde para as duas primeiras partidas de um jogador na pós-temporada. Se o Steelers está atrás do Vince Lombardi, talvez Bell seja o melhor caminho: quando Le’Veon se aproxima da linha de scrimmage, ao mesmo tempo em que pode parecer que ele está esperando por uma abertura, na verdade ele pode estar tentando criar espaços. E nesse instante de hesitação, Bell influencia as decisões de todo o sistema defensivo adversário, que se torna incapaz de ler o que irá acontecer.

Bell também transpôs o que é ser um quarterback para sua posição: QBs geniais tem um relógio mental em perfeita sincronia, que lhes permite saber o instante em que a bola deve ser lançada, ou o momento em que não é mais possível permanecer no pocket e é preciso encontrar uma alternativa. Le’Veon possui o mesmo relógio, que lhe permite saber a fração de momento em que ele deve se chocar contra a parede, fazer um corte ou dar a explosão final. “Ele é único porque sua mente lhe dá a capacidade de esperar mais tempo”, diz Tomlinson. “Acredite: você não pode aprender ou desenvolver isso”.

A melhor dupla surgida desde Bruno & Marrone.

Canivete suíço

Antonio Brown é o mais próximo que um WR da NFL contemporânea esteve da perfeição: a defesa não pode recuar e ceder espaço porque ele é extremamente veloz; por outro lado, também não pode marcá-lo de perto, porque simplesmente não existe um CB capaz de acompanhá-lo pelo tempo necessário. Brown é ainda incrível em rotas curtas e após a recepção, correndo, é tão eficaz quantos os melhores RBs. Mas por incrível que pareça o grande trunfo de Antonio Brown surge quando ele é ‘humano’: se quando está em sinergia ele é imparável, quando algo dá errado, ele é capaz de encontrar soluções e ainda sim ser um dos WRs mais difíceis de ser marcado. A “culpa”, claro, também é de Big Ben

Antonio e Roethlisberger treinam semanalmente o que farão quando algo sai do planejado. Para Brown, a solução para quando algo não está no script é simples: voltar ao campo de visão de seu QB. “Você sabe onde seus olhos estão indo, então você só precisa saber como chegar a frente deles. A melhor coisa de jogar com Ben é que você sabe que ele não irá morrer facilmente, então você nunca desiste de suas rotas”, disse o WR.

Por tudo isso, Brown é um alvo constante, 150, 160 vezes por temporada. Então para os adversário, tentar marcá-lo torna-se um looping eterno: a cada snap você precisará estar de olho nele. Acrescente ainda como bônus o fato de Antonio ser canhoto, o que traz uma gama de ângulos diferentes em que ele pode agarrar passes – um terror para qualquer marcador.

É evidente que já há alguns anos a NFL está vivendo um período propício ao jogo aéreo, com talentos abundantes e esquemas que facilitam este estilo, e poucos tem aproveitado esta oportunidade no espaço-tempo da evolução do esporte como Antonio Brown.

Ele é ainda uma estrela em franca ascensão: tem seu próprio programa de entrevistas no site do Steelers, estrelou diversos comerciais para Pepsi e Madden e ainda se aventurou no Dancing With Stars. Onde Brown irá parar? Bem, em uma tarde quente de agosto, durante a preparação para temporada, um torcedor bradou para ele parar de retornar punts, afinal é um dos principais jogadores do time. “Foda-se”, respondeu o WR. “Eu posso fazer tudo”.

Hang loose.

Reconstruindo uma cortina

É claro que o sistema defensivo atual dos Steelers ainda está longe do que foi aquele que um dia foi apelidado de “Cortina de Ferro”. Mas qualquer reconstrução, começa obrigatoriamente pelos primeiros tijolos, aqueles que solidificam qualquer construção. E para Pittsburgh eles são o CB Artie Bruns, o S Sean Davis e o LB Bud Dupree.

Burns tornou esta defesa viável contra o passe e parece melhorar a cada semana; já Davis foi nomeado rookie defensivo dos Steelers na temporada e Dupree transformou o pass rush da equipe, até então próximo do deprimente. É uma unidade com talento, que está encontrando, dentro de suas limitações, um estilo de jogo próprio e eficaz.

Mas o grande nome deste sistema é James Harrison. Contra o Chiefs, Harrison foi perfeito: foram seis tackles (três deles para perda de jardas), dois QB hits e o único sack da equipe na partida. O melhor momento, porém, aconteceu quando o relógio marcava três minutos para o fim: como um caminhão sem freio ele pressionou o T Eric Fisher, induzindo-o a um holding durante a conversão de dois pontos. A nova tentativa teria então uma distância de 12 jardas e todos sabemos que Alex Smith é mentalmente incapaz de ter sucesso nestas condições.

Harrison passou pela NFL Europa em 2007, foi dispensado pelo próprio Steelers em 2013 e dos Bengals em 2014, aposentou-se para ressurgir das cinzas e ser fundamental para sua equipe. E enquanto os holofotes estão em Brown, Bell e Big Ben e em todo o dinamismo deste ataque, foi Harrison e a defesa que venceram um jogo de playoffs em que o Steelers não marcou nenhum TD: em 87 partidas de pós-temporada, só 6 times conseguiram sair vencedores sem entrar na endzone.

É o tipo de partida que vimos a “Cortina de Ferro” ganhar diversas vezes. É o tipo de disputa que vimos Harrison vencer em várias oportunidades em seu auge. Eles precisarão disso contra os próximos adversários que cruzarem seu caminho. E talvez vencer o Patriots em Boston seja humanamente impossível. Mas a verdade é que James Harrison está longe de ser humano. 

Kyle Shanahan e Matt Ryan (ou porque devemos levar o Falcons a sério)

Do quarteto que chega às finais de conferência de 2017, você certamente já ouviu falar muito sobre Tom Brady, seu retorno após suspensão e como ele fica melhor com o passar do tempo; do assustador trio BBB do ataque de Pittsburgh e dos milagres de Aaron Rodgers. Já a opinião sobre o quarto time deste seleto grupo, antes da temporada iniciar, estava restrita a um “vai cumprir tabela e ser interessante para o fantasy”, afinal o potencial desse ataque para produzir era claro – mas obviamente não esperávamos nada além disso, especialmente porque se acreditava que a mediocridade tomaria conta de Matt Ryan: hoje, um QB que passa para 4000 jardas e 25 TDs em 16 partidas é considerado normal? Sam Bradford conseguiu praticamente a mesma coisa! E, bem, também se esperava que a defesa de Atlanta fosse perder muitos jogos.

Tínhamos em Atlanta os Bengals da NFC (perdão, amigos!); era o time menos atrativo da sua divisão, já que o Saints e Brees PRECISAM ALGUM DIA conseguir não perder para a própria defesa; o Panthers vinha de um Super Bowl com o atual MVP da liga e Tampa Bay era uma equipe em franco crescimento e que deve incomodar mais ainda nos próximos anos.

Mas obviamente nos enganamos. Nada fora do padrão Pick Six – e aqui já adiantamos que ninguém será demitido por isso.

A defesa de Dan Quinn

Há muitos anos o elo fraco da equipe é seu sistema defensivo, tanto que, em 2015, a equipe contratou o DC da mítica defesa de Seattle para tentar consertar seu caos particular. O 8-8 da temporada passada mesmo com Devonta Freeman e Julio Jones inspiradíssimos rodada após rodada, contando também com o líder de sacks do time, Vic Beasley, conseguindo quatro na temporada toda, mostra que o processo não ocorreu tão rapidamente quanto se gostaria. E logo no primeiro jogo de 2016 o time sofreu 31 pontos dos Buccaneers, então a certeza era de que a sina continuaria.

Já quando o time chegou à semana 11 cedendo menos de 20 pontos somente uma vez (para Trevor Siemian!) e mais de 30 em metade dos jogos, parecia questão de tempo até que os velhos hábitos voltassem e o Falcons acabasse inevitavelmente fora dos playoffs com um ataque espetacular. Mas os ajustes aconteceram. Os turnovers (por exemplo, Beasley e o rookie S Keanu Neal são números 1 e 2 em fumbles forçados com 6 e 5 respectivamente) só aumentavam as chances de um ataque que marca pontos em mais da metade das suas posses de bola (obviamente líder da NFL no quesito). O sinal da evolução, porém, só ficou claro logo após a bye week: nas 7 vitórias que teve desde o descanso, o Falcons cedeu mais de 20 pontos somente uma vez. Contra New Orleans, claro, em nome da tradição.

E se Matt Ryan é o MVP da NFL e quem está carregando esse time nas costas, lembre-se que Atlanta também tem seu próprio projeto de Von Miller: o já citado Vic Beasley, aquele que liderou o time em 2015 com quatro sacks, repetindo o feito esse ano com incríveis 15.5, dessa vez liderando também a NFL, deixando para trás outros nomes muito mais famosos.

Foto artística.

Válido também acentuar outro grande responsável por essa ascensão, o veterano dos spin moves que chegou esse ano para provavelmente encerrar a carreira em Atlanta: Dwight Freeney tomou o jovem para ensiná-lo de perto desde a pré-temporada e demonstrou orgulho do seu pupilo, o considerando defensor do ano: “Agora mesmo, acho que nossa defesa está jogando melhor que a dos Broncos. Acho que isso diz muito sobre o que Vic tem feito. E acho que seria incrível que seu nome fosse mencionado”, disse Dwight.

Um trio ou quarteto ou quinteto ou… um conjunto!

Todos esperavam uma temporada decente de Ryan, do nível que ele é acostumado a proporcionar ano após ano – em comparação a negações que temos por aí, Ryan sempre mostrou “bons” resultados, mas nunca suficientes para enfrentar a elite de QBs da liga e carregar uma defesa sofrível.

Mas desta vez ele veio provar que estávamos enganados. Obviamente, como diria gente velha, “uma andorinha sozinha não faz verão” – e, curiosamente, o paralelo com Cincinnati, especialmente o do ano passado, na melhor temporada da vida de Dalton (atenção aos parênteses), fica assustadoramente claro; como ponto positivo, aqui se nota a diferença que Matt Ryan faz em relação a Andy Dalton, produzindo bem mais e não pipocando, contra um sempre bom time dos Seahawks.

Mas como elenco de apoio, para a sorte dos Falcons, há talentos genuínos, e não simplesmente fabricados por um QB mágico: Julio Jones (AJ Green) e suas 1409 jardas recebidas, independente de quanto marcado esteja; Devonta Freeman (Giovani Bernard) e sua capacidade de achar 1541 jardas totais, além de 13 TDs só no rebolado; Tevin Coleman (Jeremy Hill) atropelando defesas para complementar o jogo corrido; além de Mohamed Sanu e Taylor Gabriel, complementando o rolê fazendo os alvos de segurança. Somado a isso, todos estes jogadores conseguiram manter-se saudáveis: a linha ofensiva é uma das únicas que repetiu a mesma formação em todas as partidas da temporada, garantindo estabilidade e entrosamento.

E assim, graças a todo um grande conjunto, Matt Ryan produziu sua grande temporada – ainda que, por comparação, percebemos que ele poderia ter simplesmente atrapalhado. Mas assim como Dalton teve em seu tempo o auxílio de Hue Jackson, Matt Ryan também tem uma grande cabeça ao seu lado.

Sangue no zóio.

O verdadeiro MVP

Confesso que existia vontade de questionar seriamente o título que Ryan inevitavelmente ganhará no sábado de Super Bowl, falando em Tom Brady (que, de qualquer forma, já ganhou tantas vezes que é quase um hors concours) ou em como Derek Carr tinha um time inferior ao seu redor e mesmo assim foi mais divertido. Mas o grande mestre que poderia (deveria) tirar o título de Ryan não compete com ele; na verdade é talvez o grande responsável pela inevitável coroação de Matt: Kyle Shanahan – enquanto digitamos estas linhas, ainda OC dos Falcons, mas provavelmente em um futuro não muito distante HC dos 49ers.

Filho do lendário Mike Shanahan (head coach dos Broncos de John Elway bicampeões do Super Bowl), Kyle chegou à liga com aquela ajuda do papai, alguma indicação aqui e ali, tornou-se o coordenador ofensivo mais jovem da história da NFL, mas manteve-se nela porque realmente entende os “X’s and O’s” do esporte, como ele mesmo gosta de dizer.

Um nerd assumido, Kyle teve problemas até para fazer seus próprios jogadores compreenderem os conceitos de seu ataque. “No primeiro ano ele quis fazer tudo do jeito dele e tivemos problema em entender que tínhamos os mesmos objetivos”, comentou Julio Jones, que ainda assim recebeu para 1871 jardas em 2015. Entretanto, o time também foi o que mais cometeu turnovers na redzone na temporada passada, fazendo com que mesmo sendo o sétimo em número de jardas, algo habitual na carreira de Shanahan, que coordenou um ataque top10 em jardas sempre que teve um QB minimamente capaz, fosse apenas o 21º ataque em número de pontos.

Já em 2016 o time claramente entendeu a proposta de Shanahan, finalmente transformando jardas em pontos e vitórias. “Ele entende como colocar-nos em posições para fazer o que fazemos melhor. Ele entende o que todos fazem e o que ele quer que eles façam nesse ataque. E nós também”, disse o WR Aldrick Robinson.

O Ludacris torce para o Falcons?

E basta observar alguns lances de Ryan e compará-los com outros QBs para entender o poder que Shanahan tem nesse ataque. É tudo tão bem desenhado que, desde que todos executem suas funções estabelecidas e as leituras sejam bem-feitas (SEMPRE TEM ALGUÉM LIVRE), a defesa não terá opção senão tentar minimizar danos, seja no jogo aéreo das mãos de Ryan, seja no jogo corrido com a dupla Coleman-Freeman.

Sem mágicas, sem jogadas criadas no calor da partida; o verdadeiro MVP dos Falcons é um gênio que tem tudo desenhado antes da jogada acontecer. Mesmo que ele não esteja tão certo disso: “Minha esposa, Mandy, seria a primeira a dizer que eu não sou tão inteligente assim. Ela te contaria quantas vezes não consigo encontrar as chaves do carro. Ou seja, se eu não servisse para o football, estaria em grandes problemas”.

De Rodgers a Ty, passando por Cook: como o Packers voltou a ser Packers

Considerando a frieza dos números, podemos afirmar sem medo que, por mais de um ano, Aaron Rodgers não foi ele mesmo. Já abordamos os problemas de Green Bay há alguns meses, de qualquer forma, é fato que desde a semana 6 de 2015, um dos melhores quarterbacks da NFL lutava contra a mediocridade: partindo da derrota para Denver por 29 a 10 ainda na temporada passada, seus últimos 10 jogos naquele ano trouxeram um percentual de passes completos de apenas 57%, aproximadamente seis jardas por tentativa e um rating inferior a 82; nesse período foram 16 touchdowns e seis interceptações. Green Bay foi derrotado em seis dessas dez partidas, chegando a pós-temporada como wild card após perder para o Vikings em casa na semana 17, em partida que valia o título da NFC North.

O início de 2016 também foi cambaleante, com apenas quatro vitórias nas dez primeiras partidas – que contou com uma sequência de quatro derrotas consecutivas, uma delas uma atuação embaraçosa diante do Titans em Tennessee capaz de justificar qualquer eventual demissão (ou prisão por falta de vergonha) e outra partida constrangedora contra o Redskins.

Hoje, olhando em retrospecto, não havia um sinal claro de que Rodgers ressurgiria antes da sequência de vitórias. Eram números razoáveis para os padrões de Aaron Rodgers, e derrotas como as que ocorreram contra o Falcons ou o Colts estiveram longe de ser vergonhosas. De qualquer forma, o que também precisamos enxergar naquela sequência, é que enquanto o Packers parecia implodir na NFC North, o que o manteve vivo foi o fato de Aaron ser a única peça minimamente funcional em uma equipe aparentemente quebrada.

R-E-L-A-X.

Voltando à velha forma

Se para analisar a queda de produção de Rodgers – e, por consequência, do Packers – era preciso olhar para diversos fatores, compreender o retorno de sua produtividade habitual é um pouco mais simples: o principal fator a ser considerado passa pela melhora na precisão do quarterback; durante a primeira metade da temporada atual, Aaron completou pouco mais de 60% das tentativas, enquanto nas últimas seis partidas, esse número saltou para mais de 70%.

Nesse cenário, o jogo do camisa 12 flui, principalmente, graças a seu talento único para realizar ajustes em janelas de tempo estreitas, fator fundamental para um sistema ofensivo como o de Green Bay, baseado em rotas longas que espera que Rodgers tenha tempo e confie em seus recebedores, exige que eles simplesmente estejam onde se supôs que iram estar para que então Rodgers lance a bola naquele local. Quando isto ocorre, estamos diante de um ataque imprevisível, quase impossível de ser marcado; já quando algo sai errado, mas é dado a Aaron um pouco de tempo, resta ainda um QB capaz de improvisar e encontrar alternativas.

Danny Kelly, em artigo publicado no The Ringer, relembra uma entrevista antiga de Rodgers, onde o quarterback reflete sobre seu estilo de jogo. “Não importa o quão próxima esteja a marcação. Se o defensor me deu as costas, se posso ler seu nome e não vejo a sua cara, considero o recebedor livre e vou lançar a bola sempre. Na hora em que ele vira e encontra a bola, já é tarde. Confio que o nosso cara vai vencê-lo e ficar com a bola”.

O autor então relembra uma gama infinita de lances com as características descritas acima por Rodgers. Na semana 14, contra o Seahawks, Davante Adams bateu DeShawn Shead para um TD de 66 jardas . Já na semana 15, diante do Bears, talvez o melhor exemplo do que Rodgers dissera: uma bomba de 60 jardas para Jordy Nelson, sem nenhuma chance para o CB Cre’von LeBlanc.

Foram esses passes, essas jogadas, que falharam por um longo ano, entre a já citada semana 6 de 2015 e as 11 primeiras semanas desta temporada: agora Rodgers voltou a atacar, sem medo, toda e qualquer cobertura. Outro ponto notável no crescimento do sistema ofensivo de Green Bay é que se seu QB pode castigar a defesa adversária quando está retido no pocket, ele também tem uma capacidade única para escapar da pressão e encontrar a melhor alternativa – fora do pocket, Rodgers terminou ao lado de Jameis Winston em passes para TD (13 de seus 40, mais de 30%).

Quarterbacks comuns normalmente se desesperam quando sob pressão; perdem de vistas seus recebedores, se debatem no pocket enquanto ele entra em colapso e, bem, apenas torcem para não terem uma costela quebrada. Para Aaron Rodgers, porém, trata-se de uma oportunidade para encontrar touchdowns. E mesmo que ele eventualmente não consiga encontrar um recebedor disponível, ele ainda é uma ameaça com os pés – na última partida da semana regular, diante do Lions, foram convertidos três 3rd downs para 8 jardas ou mais; um deles proporcionou um corrida de 25 jardas, a maior do Packers na partida.

Como um WR se tornou o melhor RB de Green Bay

Ty Montgomery alinhou como RB pela primeira vez na semana 3 e, bem, ali, parecia apenas mais um truque de Mike McCarthy, fadado ao fracasso, afinal, quantas vezes vimos, vez ou  outra, Randall Cobb no backfield nos últimos anos? Ele estava ali para correr contra uma defesa naturalmente preparada para conter apenas o passe, quase que como uma pequena piada interna, criada para criar alguns desajustes no adversário, claro, mas em nenhum momento sólida o suficiente para construir um sistema ofensivo ao seu redor.

Mas três semanas depois, Eddie Lacy (que Deus o tenha), com uma lesão no tornozelo, deu adeus à temporada. O joelho de James Starks também não resistiu e ele foi posto de molho na mesma semana e ali Ty começou a ser forçado a participar mais ativamente como um RB regular: foram 16 tentativas para 113 jardas nas semanas seguintes – uma média de mais de 7 por tentativa. Mas ainda assim soava mais como desespero do que qualquer outra coisa: Green Bay apenas lutava contra o tempo e lesões enquanto entregava a bola para um WR(!) correr, não é mesmo?

Um RB em forma.

Para o bem ou para o mal, Starks foi liberado momentaneamente na semana 10, mas algo havia acontecido nas três semanas em que ele esteve ausente: o Packers percebeu que aquela piada inicial, na verdade, se tornara uma das boas histórias desta temporada: Ty Montgomery era o melhor RB de seu elenco. E na semana 15, com 162 jardas em 16 tentativas para dois TDs, Ty sepultara qualquer dúvida: ali ele deixara de ser um tampão, uma alternativa emergencial, para provavelmente se tornar um RB em quem o Packers pode confiar seu futuro.

Para a maior parte dos jogadores, fazer esta transição de WR para RB leva anos. Mas Montgomery, além da adaptação, mostrou também uma capacidade de pensar um ou dois passos adiante. Agora ele não soa mais com um truque; ele corre em grande nível, é extremamente físico e protege a bola de uma maneira que, por exemplo, Starks, RB de ofício, já não protegia mais. Ty também é capaz de antecipar o contato e reagir de forma que o impacto não o derrube.

Como segundo corredor, há ainda Christine Michael, que parece ter se reencontrado em Green Bay após ser chutado de Seattle. Montgomery e Michael forneceram, contra o fraco Chicago na semana 15, uma dupla no backfield que o Packers não tinha desde quando Lacy não lutava contra a balança (nota de edição: tempo em que ele TEORICAMENTE não lutava, já que né) e James Starks não sentia ainda efetivamente o peso da idade. E estes elementos são influências diretas no crescimento de Aaron Rodgers: o quarterback agora tem consigo os benefícios apenas proporcionados pelo equilíbrio entre jogo corrido e jogo aéreo.

“Um TE para chamar de meu”

No início de novembro, quando tentamos diagnosticar os problemas de Green Bay, abordamos a inclusão efetiva de um TE no plano de jogo como uma das soluções para o Packers. Um tight end atlético, quando envolvido no ataque, pode avançar pelo meio do campo abrindo espaço e, consequentemente, diversas novas possibilidades. Já falamos sobre como Rodgers reencontrou sua melhor forma e você provavelmente sabe que Jordy Nelson levará o Comeback Player of the Year. O que talvez não seja tão simples de enxergar é a participação de Jared Cook nisto.

Mesmo quando não é concretamente acionado, ele confere uma nova dimensão ao playbook – o que no Packers, por exemplo, resultou nos já citados lances de Davante Adams contra Seattle e Jordy Nelson diante do Bears. Seu impacto pode ser mais nitidamente sentido na frieza dos números: Green Bay está 8-2 na temporada quando Cook esteve em campo, com média de mais de 28 pontos por jogo, 25 TDs e apenas uma interceptação e seu quarterback com um rating de 114. Já sem ele a campanha cai para 2-4, a média para 24,7 pontos, são 15 TDs e 6 interceptações, além de um rating de 92,3 para Aaron Rodgers.

Jared retornou de lesão na semana 11 e, desde então, em situações de 3rd downs, foram 13 passes em sua direção, com 10 recepções para 175 jardas (e um rating de 118,2). “Creio que o retorno de Cook tem sido importante. Obviamente, ele normalmente é marcado por um linebacker e, nessas situações, isso é uma vantagem, como vimos em vários jogos”, disse Rodgers em entrevista à ESPN.  “Tenho falado sobre isso desde que cheguei: o caminho mais rápido à endzone é pelo centro do campo. Então quanto maior o alvo que você tem recebendo passes, melhor para o QB. Quanto particularmente mais atlético, maior raio de recepção. E Jared Cook tem todas essas qualidades”, completou o head coach Mike McCarthy.

Ajudo e não atrapalho.

Diferenciando-se dos mortais

Hoje Green Bay é um time mais completo; com o braço ou com as pernas, Aaron Rodgers pode vencer qualquer adversário na NFL. É um repertório difícil de ser previsto quando usado em sua totalidade; dispondo de rotas curtas, lances de alta velocidade no meio do campo com Cook ou lançamentos de mais de 50 jardas para Nelson ou Adams. E se algo sair errado, ainda é possível escapar da pressão e avançar no campo com os pés.

Assim, tudo que o Packers fez nas últimas semanas prova que se você der a Rodgers uma equipe versátil, ele tornará jogadores comuns, como Davante Adams, bons jogadores. Tornará ótimos recebedores, como Nelson, ainda melhores. E desde a semana 12, quando Rodgers sugeriu que seria perfeitamente possível para o Packers “run the table”, ele beirou à perfeição: seis vitórias em sequência, o título da NFC North e hoje o Packers é o adversário que ninguém quer enfrentar na pós-temporada; seja o Giants ou qualquer outra equipe que cruze o caminho de Green Bay nos playoffs, ele irá entrar em campo temendo um ataque recheado de possibilidades, irá entrar em campo receoso, sobretudo, com o que Aaron Rodgers vem fazendo.