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Torcendo para manteiga cair virada para cima

Regressão é um conceito estatístico que pode ser aplicado quando se observa uma variação muito diferente entre amostras de dados. Fazendo um mea culpa por esse momento monóculo, esse conceito ilustra bem as duas últimas temporadas do Atlanta Falcons. Um time que esteve a 25 pontos do paraíso em 2016 (nunca poderemos nos esquecer da vantagem de 28 a 3 ao fim do terceiro quarto no Super Bowl), mostrou-se muito menos explosivo em 2017.

A queda de produção no ataque

Em 2016, Matt Ryan foi MVP em um ataque que se tornou referência de jogo moderno na NFL, ao contar com aplicação de conceitos clássicos já estabelecidos no modelo profissional, além da adição de elementos de College Football.  Tudo era lindo até que o sistema se mostrou vítima da própria complexidade no Super Bowl, quando se precisava de chamadas mais simples para queimar tempo. Em 2017, esse cenário mudou.

A substituição de Kyle Shanahan por Steve Sarkisian, vindo de passagens por USC e Alabama, foi como cancelar o pacote de internet mais foda que você tem disponível na sua cidade (ESPAÇO DESTINADO À MARCAS INTERESSADAS EM PARCERIAS) e voltar para a internet discada. Nos primeiros jogos, Sarkisian até tentou manter os conceitos do ataque, muito pela manutenção das peças, mas à medida em que a temporada foi avançando, as tendências ficaram gravadas em game tape, tornando complicada a missão de manter o nível ofensivo.

“Você se importaria em chamar as jogadas no meu lugar?”

Sarkisian foi criticado principalmente por diminuir o envolvimento do WR Julio Jones na endzone: Julio recebeu apenas 3 TDs na temporada. A falta de capacidade do coordenador de variar as chamadas de acordo com a situação de campo fez com que o ataque emperrasse por muitas vezes na redzone. Um exemplo dessa inépcia são as duas partidas nos playoffs. Após uma vitória improvável contra os Rams em Los Angeles, em que a defesa se sobressaiu para parar o ataque mais prolífico da temporada, uma ida à Philadelphia. Um jogo bem feio.

O ataque teve o último drive da partida, com placar em 15 a 10. Após chegar a redzone com uma sequência de boas jogadas, duas tentativas de fade (aquela que, no Madden, você muda no audible) para Julio Jones, uma delas com rollout, determinaram o destino de Atlanta. Os Falcons terminaram o ano com um record 10-6, e a regressão se mostrou clara nas estatísticas das principais peças do ataque. Comparando, Matt Ryan foi de uma temporada de 4944 jardas e 38 TDs para 4095 jardas e 20 TDs, mesmo com as peças em 2017 sendo praticamente as mesmas de 2016.

Para o infortúnio do torcedor do estado da Georgia, não houve manutenção do elenco para 2018, com o time perdendo os WRs Taylor Gabriel e Andre Roberts e o TE Levine Toilolo. Via Draft, Atlanta adicionou o WR Calvin Ridley (escolha de primeira rodada) e o RB Ito Smith. Ridley é apontado como um grande corredor de rotas e provavelmente terá uma transição tranquila para o jogo profissional, o que não ocorre com a maioria dos recebedores.

No papel, um ataque com Matt Ryan, Julio Jones, Mohamed Sanu, Calvin Ridley, Austin Hooper, Jake Matthews, Alex Mack, Andy Levitre, Tevin Coleman e Devonta Freeman é bastante talentoso, mas fica a dúvida se Sarkisian será capaz de fazer tanto talento corresponder dentro de campo. Se o cenário não mudar, é provável que o coordenador ofensivo entregue o boné ao fim da temporada, o que já deveria ter sido feito, inclusive.

Uma defesa modelo

Se o ataque dos Falcons foi decepção, o torcedor não pode reclamar da defesa (na realidade, até pode, pois é inalienável o direito do torcedor à corneta gratuita e injustificável – especialmente quando sua defesa permite AQUELA conversão de terceira descida). A unidade, construída com a velocidade como foco, deu um grande passo em 2017 para se tornar uma das grandes forças na NFL. O trabalho de Dan Quinn vem dando resultados e é possível ver evoluções inclusive em relação à sua passagem pelo Seahawks.

“Excuse me, but I’ll take this.”

Nomes como Takkarist McKinley, Grady Jarrett, Keanu Neal, De’Vondre Campbell, Desmond Trufant, Robert Alford, além dos principais destaques: Vic Beasley e Deion Jones. Um time muito jovem e talentoso, que ainda terá destaque por pelo menos as próximas cinco temporadas. Apesar de uma regressão de Beasley no número de sacks, o time aumentou a quantidade de pressões em relação a 2016 e viu os holofotes se voltarem para Deion Jones, atualmente um dos melhores linebackers da liga. À medida em que essa jovem defesa se torna mais experiente, vai roubando espaço com uma das melhores da liga.

A disponibilidade de talento no lado defensivo da bola em Atlanta é enorme, o que se evidencia pelo fato de que, mesmo após as saídas de Dontari Poe e Adrian Clayborn, a expectativa para 2018 é de melhora.

Precisamos falar sobre Special Teams

Apesar de um visível contrabalanço na gestão de ataque e defesa dos Falcons, o fiel da balança para o time salvar o pescoço de Steve Sarkisian está no special teams. Espera-se que a defesa segure ataques logo no início dos drives, com sua agressividade e velocidade. Se o ataque emperrar, a atuação do punter Matt Bosher e do kicker Matt Bryant será essencial como forma de desafogo. O punter pode colocar a defesa em situação de anotar pontos através de turnovers, enquanto o kicker pode garantir aqueles field goals longos essenciais a um ataque que pouco produz quando o campo diminui. Para isso, o Falcons conta com dois dos melhores jogadores da NFL nesse quesito, capazes de ter importante contribuição para o placar das partidas.

Nota do editor: perceba a fé que o jovem tem nos esquemas de Steve Sarkisian. 

Palpite

É praticamente impossível prever o desenrolar da NFC South, que conta com três times que foram aos playoffs em 2017 e ainda tem condições de repetir o feito. Em uma divisão que é uma legítima briga de foice no escuro, não perder jogos para o Tampa Bay Buccaneers em pura implosão será obrigatório. Enquanto isso, a tabela não facilita em nada, com confrontos contra Eagles, Panthers, Saints e Steelers em quatro das cinco primeiras semanas.

O time é talentoso, mas terá que lidar com o azar de ter uma força de tabela muito alta devido à sua divisão. Podemos visualizar um cenário em que o Falcons encaixe uma campanha de 14 vitórias e garanta uma semana de descanso nos playoffs. Mas também pode acontecer de o time “trocar” derrotas com os rivais de divisão, precisando fazer contas para entrar no Wild Card. Tudo parece estar nas mãos do ataque comandado por Steve Sarkisian. A unidade deve ser o fiel da balança ao final da temporada. Com base no histórico do coordenador ofensivo, isso não acontecerá e o time pode terminar o ano entre 8 e 10 vitórias. 

Os Jovens Titãs e seu novo líder

Vale recapitular a bela história de impossibilidade do ano passado. Semana 13, o time de Mike Mularkey chegava a um 8-4, empatado com os Jaguars, que chamavam muito mais atenção – sem muito alarde e brilho, parecia claro que Mariota e seus amigos chegariam pela primeira vez aos playoffs.

Entretanto, três derrotas seguidas (em que sequer conseguiu interceptar Gabbert, e depois se mostrou muito menor que Garoppolo e Goff) deixaram Jacksonville fora de alcance e a batata do treinador claramente assando – então todos já relembravam que Mularkey nunca foi tão bom assim.

Os Titans chegaram na última rodada com boas chances de se classificar: bastava vencer o Jaguars, carregados pela defesa e buscando embalar para a pós-temporada (já classificados) eliminando um rival de divisão (não que as rivalidades da AFC South, entre times que mal chegaram à maioridade, seja grande coisa): parecia a receita perfeita para derrubar um treinador na corda bamba.

Mas eles voltaram aos playoffs pela primeira vez desde 2008. Mesmo assim, todos sabiam que Mularkey era fraco e apenas chegar em janeiro não mudaria essa impressão. Além disso, os Titans enfrentariam uma equipe muito superior, os Chiefs, favoritos por 9 pontos e que abriram 18 ainda no primeiro tempo.

Parecia, óbvia e finalmente, o fim de Mularkey (sério: esse texto foi lançado no meio do jogo). Com direito a TD recebido de Marcus Mariota (antes de Nick Foles) lançado por ele mesmo, os Titans viraram e venceram a primeira partida na pós-temporada desde 2003.

No momento em que Mularkey parecia garantido por ao menos mais um ano – afinal, fora muito mais longe do que se esperava no início de 2017 e até ali nós, pessoas de bem, não podíamos resistir a sonhar com uma vitória sobre o Patriots.

Um 35-14 simples, entretanto, foi o suficiente para provar que a diretoria em Tennessee estava apenas esperando que o time entrasse de férias para se livrar de um Mike. Para seu lugar, trouxeram outro Mike, o Vrabel.

Fé no pai que agora vai.

Uma defesa de talento

Algo que sempre será questionado, até que um deles quebre a maldição, é se os treinadores da “árvore” de Bill Belichick são realmente bons, ou apenas tiveram a sorte de parecer úteis à sombra do mestre.

Com Mike Vrabel, o questionamento não será diferente: apesar de ter sido comprovadamente um grande líder nos tempos de jogador, com 14 temporadas e três Super Bowls conquistados, amado e elogiado por muitos, seus resultados como treinador se limitam a ter lidado com grandes LBs nos Texans (que já eram talentosos, como Clowney, Cushing ou Mercilus) e, em seguida, ter liderado a pior defesa (em número de pontos cedidos) em Houston em 2017.

A sorte de Vrabel é que ele continuará trabalhando com jogadores talentosos do lado defensivo. Os craques são o All-Pro Safety Kevin Byard, que produziu incríveis oito interceptações em 2017, e o Pro Bowler DL Jurrell Casey, ambos jogadores que não tem na mídia espaço equivalente ao seu talento.

E Kevin Byard não está sozinho na secundária, que mesmo assim esteve na parte de baixo das jardas aéreas cedidas: o CB recém-contratado Malcolm Butler e o já estabelecido Logan Ryan, bicampeões do Super Bowl por New England, devem ser titulares, enquanto os jovens LeShaun Sims e Adoree Jackson brigam pela terceira posição enquanto não desbancam Ryan (vai acontecer).

O time ainda terá uma disputa interessante entre Kendrick Lewis e Kenny Vaccaro para complementar a dupla de Safeties, jogadores que já mostraram talento, mas ainda não conseguiram se firmar.

O front seven também apresenta novidades. Rashaan Evans tem tudo para seguir uma longa tradição de grandes ILBs de Alabama na NFL, desde que a lesão misteriosa (Mike Vrabel não discute lesões na pré-temporada) sofrida no training camp seja apenas algo leve.

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Por outro lado, Harold Landry foi selecionado para colaborar com a rotação e melhorar os números dos pass rushers com Brian Orakpo e Derrick Morgan, que produziram apenas 14.5 sacks em 2017 – número insuficiente, que reflete diretamente na secundária. Por último, a linha adicionou 143kg de puro Bennie Logan para substituir o decepcionante Sylvester Williams, que durou apenas um de seus três anos de contrato.

Ataque também conta com nova liderança

Talvez a contratação mais interessante do time de treinadores dos Titans não seja Mike Vrabel. Como o head coach vem de uma carreira inteira dedicada à defesa, é natural que ele tenha mais conhecimento e uma vontade maior de lidar com esse setor do time – o que abre espaço para um líder do ataque (pense em Kyle Shanahan/Dan Quinn e Pat Shurmur/Mike Zimmer).

O nome desse cidadão é Matt LaFleur, que sai da sombra de Sean McVay em Los Angeles, tendo trabalhado também nos Redskins de RG3 e Cousins e com Kyle Shanahan nos Falcons.

Seu desafio é fazer com Mariota o que fez com Jared Goff – podendo trabalhar as devidas proporções, claro. Por um lado, os Rams contavam com WRs de verdade e Sean McVay para dar apoio; por outro, Mariota tem alguma experiência e já fez boas apresentações, demonstrando mais talento do que Goff havia demonstrado antes de LaFleur.

Além disso, Jared nunca lançou um passe para ele mesmo nos playoffs (na realidade, Mariota é o único a realizar o feito). De qualquer forma, se o efeito LaFleur for qualquer coisa próxima da evolução de 6 TDs em 7 jogos para 28 TDs em 15 pela qual passou Goff, Mariota (que produziu 28 TDs e apenas 9 turnovers em 2016) deverá ser brilhante em 2018.

É válido relembrar a temporada de 2016 porque lá Mariota também não tinha grande alvos: pelo terceiro ano consecutivo, Delanie Walker e Rishard Matthews (quase 200 bolas lançadas na direção de cada um nos últimos dois anos, enquanto Demarco Murray, já fora do time, vem em um distante terceiro lugar com 114) são as opções mais sólidas.

A grande expectativa para melhorar as opções do jovem QB fica por um grande ano de Corey Davis, 5ª escolha do draft de 2017 que teve problemas com lesões durante a temporada passada, mas recebeu seus dois primeiros TDs na NFL no último jogo da temporada, contra os Patriots. Corey tem a obrigação de se colocar como WR1 de Mariota para não ser considerado um bust.

Se os recebedores não empolgam, a dupla de backfield, porém, conseguiu ficar ainda mais interessante. Derrick Henry recebe finalmente o título de carregador de piano e segundo jogador mais importante desse ataque com a saída já mencionada do (surpreendentemente) velho Demarco – menos de 300 tentativas e 10 TDs para ele, aproveitando um novo estilo de chamadas de ataque, buscando abrir espaços para Mariota brincar.

Para complementá-lo, os Titans trouxeram o baixinho Dion Lewis, que esteve presente nos 16 jogos da temporada pela primeira vez em 2018 e, mesmo entre os 15 RBs que os Patriots costumam utilizar, produziu incríveis 896 jardas. Uma excelente dupla para fazer companhia ao quarterback atrás da linha.

Nunca falamos o suficiente da linha ofensiva

Aqui importante dar destaque para o trabalho que Tennessee está fazendo: o LT Taylor Lewan, que foi ao Pro Bowl nas últimas duas temporadas, recebeu um novo contrato valendo 80M durante a pré-temporada. O RG Josh Kline foi outro que renovou com a equipe (26M, 4 anos) e o C Ben Jones é uma âncora sólida.

O RT Jack Conklin (All-Pro em 2016, quando rookie) infelizmente sofreu uma lesão no joelho contra os Patriots nos playoffs, mas o time se preparou bem ao proporcionar tempo para ele se recuperar e, de quebra, encontrar um LG no processo, competindo com os já presentes Quinton Spain e Dennis Kelly.

O Titans ainda trouxe Xavier Su’a-Filo (LG titular dos Texans e 33ª escolha do draft de 2013) e Kevin Pamphile (LG titular nos Buccaneers). Quando essas disputas se definirem, será fácil cravar que Mariota e Henry terão uma bela proteção.

Palpite

Talvez Tennessee seja o time mais equilibrado de uma divisão que poderia ter qualquer uma das quatro franquias brigando forte nos playoffs, caso tudo encaixasse da maneira esperada. Como a equipe nunca venceu Andrew Luck e tomou incríveis 57 (!!!) pontos de um Deshaun Watson saudável, fica claro o que poderá segurá-los mais longe do céu. Ambos fatores serão decisivos para uma arrancada inicial: 6 ou 7 vitórias até o primeiro jogo contra Luck, que pode já ter voltado dos mortos até lá, não são inimagináveis caso tudo se encaixasse, levando os Titans ao primeiro título de AFC South desde 2008 – a última campanha vitoriosa da carreira de Jeff Fisher.

Quem culparemos quando Bortles se for?

Performances questionáveis dentro de campo fazem com que times ruins precisem inventar maneiras criativas de atrair torcedores para seus estádios. Em Jacksonville, houve uma época em que a ruindade era tanta que o time teve o trabalho de construir uma piscina com vista para o campo. Não era incomum que as imagens dos sofridos torcedores se refrescando no calor da Flórida fossem mais interessantes do que a performance dos atletas em campo.

Mas o tempo em que o principal atrativo de um jogo em Jacksonville era a piscina já ficou para trás. Depois de anos de poucas vitórias e de muita chacota, o Jaguars passou a ser um time respeitável e, muito mais do que isso, um dos principais candidatos a representar a AFC no Super Bowl.

Em 2017, carregado por uma defesa que produziu números históricos, o Jacksonville Jaguars chegou à final da AFC contra o New England Patriots. O confronto de um time em ascensão, que até há pouco tempo era uma grande piada, contra a grande potência do século XXI pode parecer desproporcional, mas no início do último quarto da partida Jacksonville liderava por 10 pontos. O final, é claro, não foi feliz, mas mostra o quão perto o Jaguars está de conquistar o Lombardi Trophy. Se antes o time tinha que administrar decepções, agora precisa controlar as expectativas. Jacksonville vive uma nova era.

Um pilar chamado defesa

O sucesso do Jaguars em 2017 pode ser creditado em grande parte à defesa. Considerada por muitos analistas como uma das melhores da história, a unidade terminou a temporada passada na liderança da NFL em várias das principais estatísticas defensivas: TDs defensivos, jardas aéreas permitidas por jogo, QB rating permitido, porcentagem de passes completos e fumbles forçados. Parece pouco? A defesa do Jaguars ainda terminou em segundo na liga em jardas totais permitidas por jogo, pontos permitidos por jogo, turnovers e sacks, o que levou à criação do apelido de qualidade duvidosa “Sacksonville”, usado inclusive como nome no Twitter.

Nomes infelizes à parte, a defesa foi simplesmente espetacular. Esperar que os resultados estatísticos se repitam em 2018 pode parecer utópico demais, mas ao mesmo tempo não há indícios de uma queda de performance significativa. Além de não ter perdido nenhum jogador fundamental, a defesa ainda foi reforçada no draft.

A linha defensiva, que já tinha Calais Campbell, Yannick Ngakoue, Dante Fowler e Malik Jackson, responsáveis por 42,5 sacks combinados em 2017, viu a chegada de Taven Bryan logo no primeiro round. A escolha não deixa de ser uma surpresa, já que a linha defensiva não tinha nenhuma carência que precisasse ser suprida, mas Bryan é o típico caso de tentativa de reforçar o que já era forte e adicionar flexibilidade tática e profundidade no roster em caso de lesões.

A DL conseguirá colocar pressão nos QBs adversários, não restam dúvidas sobre isso, mas precisa fazer um trabalho melhor contra o jogo corrido: na temporada passada foi a sétima que mais cedeu jardas aos RBs adversários (4,3 por jogada). A melhora nessa estatística passa pela evolução do nose tackle Marcell Dareus (que, perceba, não apareceu na lista de monstros anterior), que chegou via troca no meio da temporada passada e agora terá todo o tempo necessário para se adaptar ao esquema defensivo.

O grupo de linebackers perdeu um dos mais emblemáticos Jaguars nos últimos anos: Paul Posluszny, que se aposentou. Blair Brown deve ser o seu substituto e se junta à atlética dupla de LBs Myles Jack e Telvin Smith, que produziram juntos 192 tackles na temporada passada.

DUUUUVAL

A melhor secundária da liga em 2017 retorna praticamente intacta e não mostra sinais de que possa perder o posto. Extremamente físico, Jalen Ramsey é um monstro e não é exagero considerá-lo o melhor CB da NFL. Para piorar, A.J. Bouye se junta a ele para formar a melhor dupla de CBs da liga. Os safeties Tashaun Gipson e Barry Church completam a base da secundária que, contando apenas esses quatro jogadores, conseguiu espantosas 18 INTs em 2017.

Ataque: a obrigação de dar o próximo passo

Carregado pela excelente defesa, o objetivo ofensivo do Jacksonville Jaguars parece ser apenas um: correr com a bola e administrar o jogo. Em 2017, o time liderou a NFL em corridas (527) e jardas (2262), e foi o segundo em TDs terrestres (18). O RB Leonard Fournette foi o responsável por virtualmente metade dos números conseguidos pelo time nesse departamento, tanto em jardas quanto em TDs.

Os números são bons, especialmente considerando que foram conseguidos em apenas 13 jogos, mas há espaço para evolução: suas 3,9 jardas por tentativa não são nenhum primor. A participação no jogo aéreo também deixou um pouco a desejar, com apenas 302 jardas recebidas e 1 TD; muito distante de jogadores como Le’Veon Bell e Todd Gurley, se é que essa comparação é justa. De qualquer forma, Fournette deve continuar sendo a base ofensiva do time enquanto sua saúde durar.

E não podemos questionar, pois correr muito com a bola parece ser a melhor opção quando o nome do seu quarterback é Blake Bortles. Um dos QBs mais controversos da liga, Bortles teve o menor número de INTs de sua carreira em 2017 e não cometeu nenhum turnover na pós-temporada – basicamente muito mais do que se esperava dele.

Demorou, mas lá vem ele chegando no seu texto…

Em compensação, das temporadas em que jogou todas as partidas, a de 2017 foi a que produziu o menor número de jardas por jogo: 230,4. Sua performance foi suficiente para colocar Jacksonville apenas na metade do ranking de ataques aéreos da liga. Mesmo não tendo sido convincente, a temporada do QB parece ter sido boa o suficiente para o time oferecer uma extensão contratual que o coloca como titular do time nas próximas duas temporadas. Ao mesmo tempo em que manter o QB que esteve na final de conferência parece ser uma decisão razoável, é um pouco questionável pelo fato de Bortles estar longe de ser o tipo de QB que faz a diferença. Na verdade, ele precisa se manter às sombras de uma boa defesa e de um jogo corrido eficiente; se algum desses pilares desabar, é provável que o time todo desabe junto, pois seu QB não será o salvador da pátria.

Para 2018, Bortles terá dois obstáculos a superar além de si mesmo. O primeiro é a linha ofensiva que, apesar de ter contratado o left guard Andrew Norwell, é apenas a 15ª melhor da liga, de acordo com o site Pro Football Focus.

Outra barreira é o grupo de recebedores, que perdeu a dupla de Allens (Robinson e Hurns) e agora conta com jogadores puramente medianos, que não são capazes de elevar o ataque a um nível acima. Donte Moncrief chega de Indianapolis tentando mostrar que pode fazer algo sem Andrew Luck (spoiler: não vai conseguir). Do draft, o Jaguars trouxe o WR DJ Chark, de LSU, no segundo round.

Marqise Lee, Dede Westbrook e Keelan Cole já tiveram momentos promissores, mas estão longe de ser uma garantia de produtividade. Dos cinco jogadores citados, não há certeza sequer de quem serão os dois ou três titulares, o que evidencia que o grupo faz parte do mesmo poço de mediocridade.

Na posição de TE, importante como válvula de escape para um QB medíocre como Bortles, o time dispensou Marcedes Lewis, um jogador bastante útil, após 12 temporadas. O substituto é Austin Seferian-Jenkins, que pode tranquilamente ser descrito pela mesma mediocridade dos WRs.

Palpite

Em uma divisão que parece estar em constante crescimento, mas que ainda tem consideráveis pontos de interrogação, o Jaguars não parece ter muitas barreiras para repetir 2017 e terminar em primeiro lugar. Se estar em campo em janeiro é praticamente uma certeza, é preciso se preparar para o próximo passo. Quando estiver liderando a final da AFC por 10 pontos no último quarto, é preciso finalizar a vitória. Bortles precisa ser melhor, pois não é sempre que a defesa vai compensar as falhas do ataque, especialmente nos playoffs. O problema é que contar com a evolução de um QB que parece já ter atingido o teto do seu desempenho e que não tem grandes recebedores para mascarar suas falhas não é uma boa ideia. O Jaguars vencerá pelo menos um jogo na pós-temporada, novamente carregado pela defesa, mas será eliminado por um adversário com mais poderio ofensivo. As questões que ficarão para 2019 são: por que foi dada uma extensão contratual para Blake Bortles? E quem será o seu substituto?

A vida é feita de ciclos

O Colts sempre teve sua história associada a um grande jogador. Nos primórdios da franquia, ainda em Baltimore, esse cara era Johnny Unitas. Em Indianapolis, vieram Erick Dickerson e depois Marshall Faulk. E, por fim, você deve se lembrar de um moço alto chamado Peyton Manning. Parece que lançava a bola, o rapaz.

Essa sucessão não parou com a saída de Peyton. Aliás, essa saída se deu muito por conta disso: a ideia de continuar o sucesso que a franquia havia conquistado. Em 2012, menos de um ano depois de ostentar o pior record da NFL, Indianapolis escolheu o QB Andrew Luck, de Stanford.

E tudo parecia seguir de acordo com os planos: Andrew levou a franquia aos playoffs em seus primeiros anos na liga, chegando até a final da AFC em 2014/15, em campanha que contou inclusive com vitória sobre Manning (aquele, não o outro) nos playoffs. Se quiser saber um pouco mais dessa história, falamos sobre isso aqui.

Em 30 segundos, tudo pode mudar

A trajetória vencedora de Luck foi interrompida em 2015. Em meio a um início ruim, o jogador sofreu múltiplas lesões e acabou a temporada na lista de contundidos. Em 2016, o trabalho para recuperar o ombro, lesionado no ano anterior, exigiu muito do jogador e a melhora esperada não veio. Para 2017, o time e o QB optaram por uma cirurgia no ombro – a ideia era deixar quaisquer resquícios da lesão para trás, agora de uma vez por todas.

O resultado você já conhece. O tempo de recuperação foi se estendendo, até chegar no ponto em que a participação de Andrew na temporada fosse descartada. O ombro não mostrava sinais de recuperação, e o ano já parecia perdido mesmo.

Após reavaliar o ombro e alterar um pouco os trabalhos de reabilitação, Luck vai jogar a temporada normalmente. A dúvida fica por conta de como serão suas atuações, já que seu último jogo foi há mais de 500 dias.

Pagano vs Grigson: a origem da ruína

A saga de Andrew Luck foi apenas a cereja no bolo de um processo inevitável, mas que, ironicamente, era mascarado pela própria capacidade de Luck dentro de campo. O time, apesar dos bons resultados, não era bom. Após receber o prêmio de “executivo do ano” (sim) em 2012, Ryan Grigson, o então GM da equipe, não conseguiu realizar bons drafts ou reforçar o time à altura no mercado. Chuck Pagano, o head coach, não mostrava competência para dirigir sequer um bom time, quem dirá um questionável.

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Por conta dessa incompetência, tudo que Andrew não controlava fedia: a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa como um todo. Viradas milagrosas e uma AFC South que beirava o amadorismo ocultavam a verdade: Indianapolis não tinha um bom time.

Sem Andrew Luck, as deficiências da equipe e a ruindade de Grigson e Pagano ficaram escancaradas. Em um intervalo de menos de um ano, ambos foram chutados da franquia.

Reconstruindo (do inglês rebuild)

Para consertar o “elenco” deixado por Ryan Grigson, os Colts foram atrás de Chris Ballard, que é muito bem visto dentro da liga e tido por muitos como um dos melhores avaliadores de talento da NFL.

Daddy.

Em seu primeiro ano como GM, porém, ele não foi bem. O time não contou com Andrew Luck, claro, mas Chris não se mostrou muito ativo ao lidar com a situação. Se os Patriots não tivessem proposto uma troca, Indianapolis teria jogado 2017 com Scott “are you serious?” Tolzien como seu QB. Além disso, a equipe montada não se mostrou competitiva como se deseja, mesmo o trabalhando apenas se iniciando.

Finalmente e, sim, estávamos evitando, chegamos em 2018

Como tudo na vida é um ciclo, o dos Colts está se fechando agora. O ciclo que se inicia lembra muito aquele de 2012: um ou outro nome reconhecível e a esperança que Luck seja o diferencial da equipe. Se antes o ataque tinha Reggie Wayne, hoje ele tem TY Hilton. Se antes a defesa tinha Robert Mathis, hoje ela tem Jabaal Sheard. Não é um cenário animador.

Todos sabemos que um time que tem apenas três jogadores de nível de Pro Bowl (estamos ignorando Jack Doyle e Adam Vinatieri da lista, você não é o único que percebeu) não vai chegar muito longe, mas Indianapolis tem uma carta na manga: a juventude.

O elenco é hoje formado por alguns medalhões (os que já citamos, Eric Ebron, Anthony Castonzo, Al Woods, John Simon…) e muitos jovens. As três escolhas na segundo rodada, um grupo de RBs liderado pelo apenas segundo-anista Marlon Mack, além dos 1st rounders Quenton Nelson e Malik Hooker, e mais um bando de meninos que você não conhece, tornam os Colts um dos 5 times mais jovens da NFL.

Isso torna a temporada de Indy extremamente imprevisível. Se alguns desses jogadores jogarem em alto nível, daqui a um ano provavelmente estaremos falando de uma equipe pronta para disputar a AFC por anos. Por outro lado, se o desempenho for de medíocre pra baixo, a situação pode ser crítica a ponto de vermos a franquia de novo com uma escolha no top 5 do draft.

Um passo de cada vez

Se antes a ruindade do time apareceu quando Andrew Luck se machucou, agora os Colts estão fazendo de tudo para evitar que isso aconteça. A linha ofensiva foi ponto focal da offseason, menos de um ano depois de jogadores como Jeremy Vujnovich atuarem em todos jogos da temporada.

“Como é que eu vim parar aqui?”

A unidade agora conta com Anthony Castonzo, que, no geral, não compromete; Quenton Nelson, talvez o único prospecto universalmente aceito como BOM; Ryan Kelly, que quando jogou foi bem (porém tem sofrido com lesões); Matt Slauson, veterano que já joga na liga há alguns bons nove anos; e Austin Howard, também veterano. Além deles, o calouro Braden Smith, escolha de segunda rodada esse ano, fica na reserva para suprir uma inevitável lesão. Não é o melhor grupo da liga, claro, mas não é a calamidade que vimos nos últimos anos.

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Se antes a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa eram ruins, agora podemos riscar pelo menos a linha ofensiva dessa lista. E isso apenas sete anos depois que Andrew Luck entrou na liga.

Tudo isso, não mais comandado por Chuck Pagano

É importante ressaltar que, também pela primeira vez em sua carreira, Luck terá o que achamos ser um Head Coach de verdade, não apenas um gerador de clichés motivacionais.

Reich chega depois que Josh McDaniels recusou o cargo, e só citamos isso aqui pra deixar bem claro que isso não influenciará em nada na temporada de Indy. Frank chega aos Colts com a credencial de ser uma das mentes envolvidas no processo que culminou com Nick Foles sendo o MVP do Super Bowl.

Tal qual um rookie, tudo que podemos dizer sobre Frank Reich é: esperamos que faça um bom trabalho e, pior que do que estava, dificilmente fica.

Palpite: “É muito difícil saber o que esperar desse time em 2018. Muitos jogadores pouco ou nada jogaram na liga, tornando o nível da equipe extremamente imprevisível. No melhor dos cenários, pode brigar por playoffs e, no pior, pode acabar com uma pick alta no ano que vem. Como o meio-termo talvez seja a opinião mais sensata, um record entre 6 e 10 e 7 e 9 é onde esse time deve terminar o ano.”

(De novo) esperando que ninguém se machuque de novo

Expectativa é algo recorrente no Houston Texans, especialmente porque, nos últimos anos, a franquia tem ostentado alguns dos melhores elencos da NFL. Mas como na offseason todos os times são bons, nem sempre essa realidade permanece quando a temporada se inicia.

Problemas médicos

Um dos principais fatores para que os Texans assustem tanto a cada offseason e não correspondam à expectativa (além de serem os Texans) em setembro são os frequentes problemas de lesões que acometem o time ao longo das últimas temporadas.

Quase como uma “maldição”, Houston sofre com a perda de jogadores importantes à medida em que se aproxima a hora em que a “onça bebe água”. Na última temporada, tivemos Whitney Mercilus, Deshaun Watson, C.J. Fiedorowicz, Devin Street, D’Onta Foreman e J.J. Watt (esse já sócio do departamento médico) frequentando a Injury Reserve em algum ponto da temporada.

Watt, franchise player dos Texans desde que Andre Johnson parou de ser o santo milagreiro da casa, esteve em campo por apenas oito jogos nas últimas duas temporadas. Jadeveon Clowney sofreu com lesões graves em seus primeiros anos antes de começar a causar impacto na defesa.

JJ, aliás, jogador espetacular dentro e fora do campo, talvez já tenha passado de seu auge físico e técnico por causa das sucessivas graves lesões, algo a se confirmar quando a temporada começar de fato (você viu primeiro aqui).

Tentando ISOLAR as lesões.

Quando as coisas pareciam se ajustar em meio a esse turbilhão que mais parecia um episódio old school de House, e um sopro de esperança parecia se desenvolver em Deshaun Watson, o QB, responsável por um dos jogos mais espetaculares da temporada em 2017, machucou-se exatamente na semana seguinte, rompendo o ligamento cruzado anterior em uma sessão de treinos individuais. Fim de temporada para o calouro, que no momento da lesão, mostrava-se uma das histórias mais sensacionais daquele ano.

Watson vem para a temporada de 2018 com um histórico de ruptura do ligamento cruzado anterior nos dois joelhos, um deles à época em que jogava na universidade de Cleiton, Clemerson, CLEMSON.

O azar em Houston não chega ao nível do Chargers (esse, que aparentemente trocou a saúde de seus jogadores pelo direito de se mudar de cidade), mas o front office aparentemente não se ajudou. Assim como o Vasco contratou Marcelo Oliveira em 2013 após este ser BI-VICE da Copa do Brasil pelo lendário Coritiba-que-chegou-duas-vezes-seguidas-na-final-da-Copa-do-Brasil, os Texans contrataram Tyrann Mathieu, chutado de Arizona pelos constantes problemas de lesão. Um casamento perfeito. Unha e carne.

As entradas

Além do Texugo do Mel™, outras chegadas interessantes em Houston se dão pelo CB Johnson Bademosi e o OG Zach Fulton (fingimos que os conhecemos pra parecer que estudamos o jogo). O time renovou os contratos do CB Johnathan Joseph, um dos melhores da defesa, e do punter já idoso Shane Lechler.

Os Texans não tiveram a escolha de primeira rodada devido à troca do ano anterior, que resoltou na escolha de Deshaun Watson. A primeira pick foi apenas na 68ª escolha, o safety Justin Reid, de Stanford. Com outras duas escolhas ainda na terceira rodada, vieram o T Martinas Rankin, de Mississippi State e TE Jordan Akins, de Central Florida.

Jogadores escolhidos no terceiro dia do draft raramente prosseguem na NFL, então não vamos fingir que entendemos sobre eles. Talvez o DE Duke Ejiofor seja um nome em que o caro leitor se lembre, devido a algum Bowl suspeito visto na TV no final do ano passado.

As saídas

Após ter garantido a vida das próximas três gerações da família Osweiler, os Texans basicamente pagaram uma escolha de segunda rodada para o Cleveland Browns a fim de se livrarem do cap hit e, principalmente, da ruindade do “jogador”.

Outras perdas notáveis se deram pela aposentadoria do TE C.J. Fiedorowicz e pela dispensa do LB Brian Cushing. Este último era um frequentador do tópico de lesões no início do texto, mas ainda assim, uma perda importante de liderança na defesa e daqueles companheiros de equipe que querem crescer seus músculos “naturalmente”.

Um ataque para chamar de seu

Após anos jogando bola trajando chinelo, Bill O’Brien finalmente ganhou uma chuteira oficial em 2017 com a aquisição de Deshaun Watson. Junto com Lamar Miller, D’Onta Foreman e DeAndre Hopkins, o ataque dos Texans parecia ser uma das boas notícias da temporada. Três vitórias e três derrotas antes da bye-week, e um jogo sensacional de Watson contra uma defesa de Seattle que, até aquele momento, ainda não havia sucumbido.

Entretanto, tudo se perdeu como lágrimas na chuva quando Deshaun estourou o joelho nos treinos. A partir de então, os Texans venceram apenas uma das nove partidas restantes. A esperança é a última que morre, então o torcedor espera que as peças do ataque, principalmente os calouros, retornem saudáveis para que a boa impressão deixada nas primeiras semanas de 2017 seja o que esse time verdadeiramente é. 

DeAndre Hopkins assumiu o fardo de ser o principal recebedor da equipe após a saída de Andre Johnson em 2015, e produziu números significativos em suas temporadas, por pior que fosse o cidadão que lançasse (ou pelo menos tentasse jogar) a bola em sua direção. Seu pior desempenho desde o ano de calouro foi exatamente em 2016, quando ocorreu o experimento Brock Osweiler. Em contrapartida, produziu mais de 1000 jardas nas temporadas restantes. Will Fuller aparece como um bom coadjuvante no grupo de recebedores, tornando o ataque muito perigoso verticalmente.

“Poderia jogar a próxima mais na minha direção, por favor?”

Um ataque de propensão vertical precisa que o QB seja hábil o suficiente para se esquivar e uma linha que bloqueie razoavelmente (veja que, por falta desse item, Andrew Luck deixou este mundo). Entretanto, a linha ofensiva dos Texans foi problemática em 2017. O center Nick Martin talvez seja o melhor bloqueador da unidade, enquanto paira a incerteza de se os reforços trarão o impacto (positivo) necessário.

No backfield, D’Onta Foreman, Alfred Blue e Lamar Miller dividirão snaps. Enqunto Foreman se recupera de uma ruptura de tendão de aquiles ocorrida em novembro, Miller perdeu carregadas para Blue, que apesar de bom, não é tanto assim. Essa é a receita preparada para que Deshaun Watson seja bastante exigido a sair do pocket, o que não é muito recomendável quando se já teve os dois joelhos reconstruídos cirurgicamente.

Uma defesa em busca de afirmação 

Durante os anos em que não teve um QB, Houston, como todo bom menino mimado, decidiu que ninguém poderia ter um e, portanto, buscou construir uma defesa com uma única missão: assassinar os signal callers adversários.

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Com as lesões de Whitney Mercilus e JJ Watt, além das perdas na secundária, que caiu da melhor contra o passe para apenas a 24ª no quesito em apenas um ano, a defesa, outrora poderosa, virou um ponto de interrogação. Jadeveon Clowney se tornou um lobo solitário. Entretanto, acredita-se que Mercilus e Watt retornem 100% ao início da temporada, resta saber se os mesmos permanecerão saudáveis. Em uma defesa com atletas que jogam com muita intensidade física e são excelentes tackleadores, lesões são risco a se assumir.

A tabela

Um fator muito importante, que às vezes é deixado de fora da análise é a ordem dos jogos na tabela. Uma sequência de jogos positiva ou negativa pode influir mentalmente no time, ditando assim o rumo de sua temporada. No caso dos Texans, três dos quatro primeiros jogos são fora de casa, um deles em New England (onde os bons morrem cedo). Apesar dessa sequência forte no início, a coisa deve se tornar mais tranquila ao decorrer da temporada.

Palpite

Expectativa é a mãe de todas as derrotas, e uma tabela desfavorável deve complicar as coisas para os Texans numa disputa pela divisão, enquanto os Jaguars possuem um dos melhores elencos da NFL e os Colts rezam para que ocorra o milagre da vida com Andrew Luck. Um ataque com propensão vertical e uma linha com problemas na proteção do passe devem ser fatores que limitarão o desempenho de Deshaun Watson, que ficará sobrecarregado se o trio de running backs não cooperar. Uma campanha 9-7 ou 10-6 deve ser a realidade em Houston, enquanto eles precisarão fazer contas no mês de dezembro para saber o record será suficiente para vencer uma divisão que deve ser embolada. Talvez o time descole uma vaga marota no Wild Card da poderosíssima-mas-só-que-não AFC.

Um QB e um futuro para chamar de seu

Noite de segunda-feira, 30 de outubro de 2017. Enquanto você se preparava para acompanhar o Monday Night Football entre Broncos e Chiefs, veio a notícia: o New England Patriots trocava o QB Jimmy Garoppolo para o 49ers em troca de uma escolha de segunda rodada, ou um rodízio de churrasco na cotação brasileira.

O contrato de Jimmy acabaria no final do ano e, sem perspectiva de renovação, os Patriots optaram por capitalizar em cima de uma inevitável movimentação do jogador. Os Browns, que pareciam o provável destino, estavam muito ocupados comemorando a troca por AJ McCarron – que nunca aconteceu.

San Francisco, onde Garoppolo aterrissou, vivia um drama: o experimento com Bryan Hoyer havia falhado e o ataque era até então comandado por CJ “cara e nome de caipira” Beathard. A princípio Jimmy não jogou, mas…

O atípico

Ao final do já perdido jogo contra os rivais de divisão Seahawks, os 49ers decidiram finalmente experimentar seu novo QB lançando passes. Era garbage time, não valia nada, mas o torcedor pôde sorrir pela primeira vez na temporada.

Foi somente um drive, mas apenas isso já foi o suficiente pra iniciar o hype em torno de Garoppolo. O próximo jogo, contra um fraco Chicago Bears, mostrou que talvez não fosse sorte de principiante. As vitórias contra Houston, Tennessee e Jacksonville terminaram de fazer o serviço. Estava instaurada a febre não apenas na California, mas em toda a NFL. Jimmy havia levado um time 1-10 a 4 vitórias consecutivas. Pouco importava a posição no draft: em San Francisco, a certeza de que a posição-mais-importante-do-jogo tinha dono era mais importante.

Moreno sensual.

A calmaria antes da tempestade

Você deve se lembrar do air que pairava sobre o estádio da calça jeans antes da temporada. A offseason que trouxe Kyle Shanahan e John Lynch era muito bem vista dentro e fora da franquia, e os anos de Chipp Kelly e Jim Tomsula pareciam ter ficado pra trás.

Porém, antes da chegada de Jimmy G, os 49ers eram um time fraquíssimo, que não havia transformado suas movimentações em bom desempenho. Faltava, principalmente, um quarterback.

LEIA TAMBÉM: Jimmy, San Francisco e a busca pelo QB ideal

Nem mesmo o melhor dos QBs (Peyton Manning, no caso), é capaz de vencer jogos completamente sozinho. Quando chegou, além de suas atuações, Garoppolo foi capaz de melhorar as performances de seus companheiros de equipe. Pense bem: você vai acreditar mais que seu time pode continuar dentro na pelada se o Cristiano Ronaldo está do seu lado pra decidir, certo?

Recarregando

À bordo do hype train (o trem do entusiasmo, em tradução livre), ambos, 49ers e Jimmy, chegaram a um acordo para manter o jogador na cidade por mais tempo. Naquele velho esquema de QB-mais-bem-pago-da-NFL-porque-foi-o-último-QB-a-assinar-um-contrato, Garoppolo vai desembolsar mais de 135 milhões de dólares pra continuar vestindo vermelho pelos próximos 5 anos.

Além de assegurar a permanência de Jimmy, a franquia também foi atrás de Richard Sherman no mercado. O jogador chega como reforço em duas frentes: ajudar o próprio 49ers e parar de atrapalhar o próprio 49ers (ver: CHAMPIONSHIP GAME, NFC 2014). Além de Sherman também foram contratados o C Weston Richburg e RB Jerick McKinnon.

No draft, a escolha de primeiro round foi utilizada no OT Mike McGlinchey (nome massa, precisamos reconhecer) e a de segundo no WR Dante Pettis. O plano é bem claro: proteger e dar mais armas para o franchise QB semi-novo. As escolhas seguintes foram usadas para reforçar a defesa, mas você não sabe quem são os jogadores e nós não vamos fingir que sabemos.

O que mudou?

San Francisco não foi loucamente atrás de reforços como já vimos alguns times fazendo. A equipe preferiu acreditar na progressão dos talentos da casa, como Solomon Thomas, Arik Armstead e DeForest Buckner. Os contratados vieram em uma mistura de oportunidade/necessidade.

Porém, o que talvez seja impossível de mensurar é o peso que Garoppolo tem na franquia. Claro, é o jogador mais bem pago do time e na posição mais importante, mas não é só isso. Pense no Indianapolis Colts como exemplo. Apesar de nunca ter tido um time do calibre de Steelers e Patriots com Andrew Luck, o time esteve nas cabeças da AFC durante o tempo em que seu QB se manteve saudável. O sucesso não era atribuído a uma boa equipe, mas a diferença que Andrew fazia. Um quarterback decisivo pode dar ao time o luxo de vencer alguns jogos em que a equipe conseguiu apenas uma atuação excepcional ao final do último quarto.

Talvez não seja uma base-sólida para escorar as esperanças, mas o 49ers parece não precisar apenas das peripécias de Jimmy para ter sucesso. O alto investimento recente na defesa já rendeu alguns frutos, e o setor só tende a melhorar.

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Kyle Shanahan estará em seu segundo ano no comando do ataque. Novamente, vale pensar em outro exemplo: o impacto que ele teve em Atlanta, naquela temporada que viu Matt Ryan como MVP tanto da liga quanto dos três primeiros quartos do Super Bowl. É tudo ao redor de Jimmy, mas não é só ele.

A squad

Se Garoppolo manter o alto nível de atuação (o que convenhamos ser difícil, porém não impossível), o ataque deve ser ainda melhor que aquele que fechou 2017. Pierre Garçon volta de lesão, Dante Pettis pode ser uma arma versátil tanto no jogo aéreo quanto nos retornos, George Kittle parece pronto para despontar como um grande jogador, o inconstante Carlos Hyde foi embora para dar lugar a um corpo de RBs rejuvenescido e a linha ofensiva comandada por Joe Staley está melhor. E, claro, o ataque comandado por Shanahan que já citamos estar em seu segundo ano.

A defesa também tem tudo para progredir. Solomon Thomas não foi um fator no ano passado, então qualquer produção vinda dele já poderá ser considerada um ganho. Além dele, Reuben Foster e Akhello Whiterspoon devem continuar progredindo após temporadas promissoras como calouros. Jaquiski Tartt também vem de atuações interessantes. Por fim, apenas a saída de Eric Reid pode, de fato, ser considerada uma perda.

Palpite:

O 49ers tem tudo para ser uma potência dentro da NFC pelos próximos anos. John Lynch e Kyle Shanahan parecem trabalhar em sintonia e já plantaram a semente de um bom trabalho. A amostra de Jimmy Garoppolo que temos é de um nível tão alto que é difícil acreditar que é verdade, então mesmo uma regressão ainda o deixa como um QB acima da média. 2018 pode ser o ano que esse grupo comece a aspirar vôos mais altos, mas a conferência está muito forte para querer sonhar muito alto. Em uma divisão com o Los Angeles Rams, uma temporada do nível 10-6 pode ser considerada boa, mas talvez não seja o suficiente para chegar aos playoffs. Caso chegue lá, o 49ers enfrentará outros cachorros grandes e possivelmente não esteja no mais alto nível. Ainda.

O último a sair apague a luz

A temporada de 2017 do Seattle Seahawks foi a primeira da franquia do noroeste dos Estados Unidos fora dos playoffs desde que Russell Wilson fora draftado na terceira rodada do draft de 2012.

Coincidência ou não, a offseason foi uma oportunidade para mudanças, algumas ocorridas obrigatoriamente. As saídas de Richard Sherman, Jeremy Lane, Michael Bennett, Cliff Avril e Kam Chancellor, todos que formaram uma defesa que marcou época na NFL, indica um claro rebuild. Adiciona-se o fato de que Earl Thomas III por vezes demonstra sua insatisfação com e até deu indicativas de querer ir para o Dallas Cowboys.

As saídas

Como dito anteriormente, na última offseason, o torcedor do Seahawks foi obrigado a se despedir de jogadores considerados como fundamentais à conquista do Super Bowl XLVIII e ao sucesso recente da franquia. Não suficientemente, Richard Sherman, reconhecidamente familiar ao microfone, foi para San Francisco, rival de divisão, bem como não fez questão de esconder sua frustração com seus últimos anos na franquia de Washington (o estado, seu burro). 

Além dessa saída mais conturbada, os DEs Cliff Avril e Michael Bennett assinaram respectivamente com Sistema Nacional de Empregos (o popular SINE) e o Philadelphia Eagles. Bem como Kam Chancellor, que recentemente anunciou sua aposentadoria por medo de complicações devido a sua lesão no pescoço.

Assim como relatado no preview do ano passado, a diferença entre defesa e ataque provocou um racha no elenco do Seahawks, que, de uma maneira semelhante à outras franquias, cresceu tanto que o talento dos jogadores não era mais suficiente para manter o nível de jogo do time. Pela primeira vez desde 2011, o Seahawks ficou fora dos playoffs.

A questão Earl Thomas

Além de se adaptar a saídas complicadas no núcleo defensivo, o Seahawks tem que lidar com a vontade de Earl Thomas de ser mandado embora. Aparentemente, o jogador foi ao vestiário do Dallas Cowboys no último jogo da temporada de 2017 em Arlington, pedindo para ser trocado para a franquia do Texas. “If you get a chance, go get me”. Verdade ou não, Thomas recentemente anunciou que não se apresentará ao training camp da equipe, gerando uma situação extracampo que o front office de Seattle terá que administrar. O jogador alega situações contratuais; aos 29 anos de idade, Earl está no último ano de contrato assinado em 2014, valendo 40 milhões de dólares, 8,5 milhões destes a serem recebidos na temporada de 2018.

Puto.

Segundo o Seattle Times, o Seahawks tentou negociar com representantes de Thomas, e o jogador teria exigido valores acima de 10 milhões de dólares por temporada, com longa duração de contrato. Caso a franquia decida cortá-lo, economizaria os 8,5 milhões de dólares no impacto ao salary cap, mas esportivamente é uma decisão complicada de se tomar, considerando os desfalques que a defesa já sofreu. Um corte do jogador poderia até gerar uma reação de Russell Wilson: “Qual é, vocês tão de sacanagem?”.

Pelo último ano de contrato, é improvável que Seattle consiga trocar Thomas por uma compensação justa (algo como dois salgados de presunto e queijo e uma coca do tipo “ks”), então permanece incerta a situação do jogador, que ao ficar ausente dos training camps poderá ser multado.

Como não estamos aqui no Pick Six para esclarecer nada, apenas para causar a dúvida, não vamos arriscar o desfecho da situação de Earl Thomas, até por que quando esse texto ir ao ar poderá ter ocorrido milhões de possibilidades, inclusive nada.

Nota do editor: o texto foi enviado com quase uma semana de antecedência. Não aconteceu nada. Vamos aguardar.

As chegadas

As movimentações ativas da Free Agency focaram na defesa, concluímos que como forma de balancear as perdas. Nomes como Barkevious Mingo, Marcus Smith e Maurice Alexander chegaram, e se não inspiram confiança em você, não espere que inspirem na gente. No ataque, destaque para Ed Dickson e Jaron Brown. No draft, Seattle trouxe o RB Rashaad Penny, de SD State, o DE Rasheem Green de USC, e destaque também para Shaquem Griffin, LB de UCF, conhecido pelo destaque que teve em sua última temporada universitária e também por ter uma das mãos amputadas.

Panorama tático

Se na defesa o técnico Pete Carroll terá dificuldades de encontrar 11 jogadores com a coordenação motora boa suficiente para jogar futebol, no ataque a solução a ser encontrada é evitar para Russell Wilson um cenário parecido com as batalhas do filme Gladiador – embora possa parecer divertido para nós telespectadores.

Durante a temporada de 2017, o quarterback emulou o espírito Bear Grylls e esteve à prova de tudo, inclusive da sua linha ofensiva, incapaz de bloquear qualquer coisa que se movesse. Falamos sobre a capacidade de improvisação de Wilson nessa análise tática de novembro de 2017.

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Apesar de toda a magia em campo, as demais deficiências da equipe evitaram que Russell levasse os Seahawks aos playoffs pela primeira vez na carreira (viu o que nós fizemos aqui?). O time sofreu com a rotatividade alta de running backs na última temporada, seis jogadores tiveram repetições (Eddie Lacy, Mike Davis, Thomas Rawls, Chris Carson, J.D. McKissic e C.J. Prosise). Apesar disso, foi Wilson quem obteve a maior quantidade de jardas corridas do time, e por uma grande diferença em relação ao segundo colocado, segundo dados do Pro Football Reference.

A chave para o ataque do Seahawks nessa temporada é integrar melhor os novos jogadores do ataque, os novos wide receivers e running backs – apesar de não haverem grandes mudanças na linha ofensiva, a principal deficiência do time. Trabalho para Brian Schottenheimer, vindo de Indianapolis. A defesa será coordenada também por um novo técnico, Ken Norton Jr, vindo dos Oakland Raiders (não muito animador, hein torcedor?).

A tabela

Além dos seis jogos divisionais, que serão os fiéis da balança para sabermos se Seattle terá chances de playoffs novamente, a franquia do noroeste dos Estados Unidos enfrentará times da AFC West e a NFC North. Dallas Cowboys (semana 3) e Carolina Panthers (semana 12) completam os 16 jogos da temporada.

A bye-week está posicionada na semana 7, logo após o jogo em Londres contra o Oakland Raiders, bem ao meio da temporada, janela ideal para a maioria dos times. A primeira sequência da temporada será DEN, CHI, DAL, AZ, LAR, OAK, e a segunda DET, LAC, LAR, GB, CAR, SF, MIN, SF, KC, AZ. Observamos que a primeira perna tem jogos mais simples, podendo ser fundamental para os ajustes visando uma possível ida para a pós-temporada. Apesar disso, a sequência entre as semanas 9 e 15 pode encerrar o ano de forma um pouco complicada. 

Palpite

A situação de Earl Thomas provavelmente será o centro das atenções quando os jogadores se apresentarem ao training camp. A defesa sofrerá com a ausência de vários jogadores geracionais (traduções literais, a gente vê por aqui) e continuará sua regressão. No ataque, Schottenheimer terá que trabalhar com basicamente as mesmas peças que estavam na temporada anterior buscando melhorar drasticamente a linha ofensiva, além de integrar o jogo corrido. Em um aspecto geral, Seattle contará com a regressão à média do Los Angeles Rams, enquanto o Arizona Cardinals passa por uma reconstrução, com problemas inclusive na posição de quarterback. Entretanto, a segunda perna da temporada será determinante para que o time não vença a divisão por mais um ano e todos já estejam de férias em dezembro.

Super Bowl ou bust

O Los Angeles Rams foi o responsável pela maior reviravolta na NFL em 2017. Depois de ter o pior ataque da liga em termos de pontos em 2016, o time passou direto para a liderança no ano seguinte. Em sua triste primeira temporada de volta a Los Angeles, foram 224 pontos, uma média ridícula de 14 pontos por jogo. Não foi apenas o pior ataque da temporada 2016: o Rams de Jeff Fisher foi o pior ataque dos cinco anos anteriores. Em 2017, o contraste foi impressionante: o time produziu 478 pontos, média de 29,9 pontos por jogo, a melhor da Liga e mais do que o dobro do que a franquia tinha produzido na temporada anterior.

Em um esporte tão coletivo quanto o futebol americano, é difícil creditar os sucessos a apenas um dos personagens, mas é impossível não citar, em primeiro lugar, Sean McVay. Head Coach mais jovem a assumir o cargo na história da NFL, McVay era uma incógnita tanto pela sua idade quanto pela sua inexperiência. Apesar das dúvidas, transformou um dos ataques mais modorrentos da história em uma máquina de anotar pontos. Além do renascimento ofensivo, McVay foi o responsável por levar o time aos playoffs após mais de uma década.

Com times muito parecidos, Jeff Fisher e Sean McVay produziram resultados bastante diferentes. Jeff Fisher é um idiota? Provavelmente sim, pelo menos nos últimos anos de sua carreira como HC. Sean McVay é um gênio? É um pouco cedo para dizer, mas com certeza foi um excelente início.

De óculos escuros porque o futuro é brilhante.

Construindo muito a partir do que parecia pouco

O principal mérito de Sean McVay no ressurgimento do Los Angeles Rams como uma das principais forças da NFL foi ter conseguido montar um sistema ofensivo eficiente que obteve o máximo do que os seus jogadores poderiam dar. O principal beneficiado pela chegada de McVay foi o RB Todd Gurley. Com Jeff Fisher, em 2016, Gurley produziu 1212 jardas de scrimmage, seis TDs e já estava começando a ser pintado como um potencial bust, após as expectativas geradas sobre ele.

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Com McVay, porém, o RB totalizou 2093 jardas, 19 TDs e foi o segundo colocado na votação para MVP da temporada. Se o prêmio não fosse tão direcionado a QBs e levasse em conta a importância individual do jogador para o seu time, Gurley teria desbancado Tom Brady.

Em uma era de intensa desvalorização da posição de RB, os Rams não resistiram: a temporada maravilhosa de Gurley rendeu uma extensão contratual de quatro anos, valendo US$ 57,5 milhões, com US$ 45 milhões garantidos e um bônus de assinatura de contrato de US$ 21 milhões. Para efeito de comparação, o maior contrato de um RB até então era o de Devonta Freeman, do Atlanta Falcons, que tinha um valor total de US$ 41,25 milhões, com US$ 18,3 milhões garantidos, menos da metade do que recebeu Gurley.

Os números inflados não são apenas uma vitória pessoal do RB do Rams, mas representam também um alívio para toda a classe de RBs que está em busca de novos contratos e que agora finalmente tem um parâmetro favorável para negociações (alô, LeVeon Bell).

O sorriso inocente de um milionário.

O alto salário de Gurley demonstra exatamente o que o Rams espera dele para 2018 e por, pelo menos, outros 4 anos: um jogador forte, versátil, que é uma arma tanto no jogo terrestre quanto no jogo aéreo. E é exatamente isso que Gurley deve continuar sendo. Esperar que ele supere as duas mil jardas novamente em 2018 talvez seja uma expectativa exagerada, mas 1600 jardas totais, 14 TDs e um lugar cativo entre os três principais RBs da NFL são números razoáveis para se esperar de um jogador tão talentoso em um sistema tão eficiente.

Outro atleta que foi profundamente beneficiado pela chegada de Sean McVay foi o QB Jared Goff. Não se sabe exatamente o que McVay sussurra nos ouvidos de Goff antes de cada jogada, mas a transformação é visível. Novamente, não há como não usar uma enxurrada de números para comparar a Era Fisher com a Era McVay. Com Fisher, quando parecia um idiota em campo, Goff jogou sete partidas, teve sete derrotas, lançou sete INTs e apenas cinco TDs: um desastre para uma primeira escolha de draft. McVay chegou, tirou o adesivo de bust que já estava colado nas costas de Goff e moldou um novo jogador: Goff não chegou a ser espetacular em 2017, mas seus 28 TDs e apenas sete INTs o colocaram novamente entre os QBs jovens mais promissores.

Todd Gurley continuará sendo o foco ofensivo do Rams em 2018, mas o coringa desse ataque é Jared Goff. Se conseguir dar o próximo passo – ou pelo menos manter o que fez em 2017 – o Rams não terá problemas na posição de QB. Talvez nunca apareça entre os melhores QBs da liga, mas Jared Goff provou que é competente o suficiente para ser uma engrenagem importante para o sistema funcionar.

À sua disposição, Goff terá o WR Brandin Cooks, que chega como um claro upgrade em relação a Sammy Watkins, dispensado pelo Rams na offseason. Cooks é o típico jogador que pode se beneficiar de um esquema bem montado, exatamente como o que o Rams tem. Se não tem uma grande capacidade de quebrar tackles ou de ganhar bolas disputadas, Cooks pode causar estragos em profundidade ou quando recebe a bola com espaço. É provável que o sistema de McVay seja favorável as suas habilidades e que ele consiga em 2018 sua quarta temporada seguida com 1000+ jardas e 7+ TDs.

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Cooper Kupp, que fez uma ótima temporada de calouro, e Robert Woods, que foi a grande surpresa do time na temporada passada, são ótimos complementos a Cooks e devem dar a Goff a segurança necessária para que o ataque aéreo continue eficiente.

O ataque do Rams deve sofrer com um leve declínio na performance ofensiva em 2018: tudo que fica muito fora da curva, como a temporada 2017, tende a voltar ao chão (ver Atlanta Falcons, 2016). Mas o time deve, pelo menos, fazer o suficiente para manter a qualidade acima da média e figurar entre os cinco melhores ataques da NFL.

Defesa: a criação do Dream Team

Se o ataque permaneceu praticamente o mesmo em relação a 2017, o que realmente mudou no Los Angeles Rams para 18 é a defesa. As adições de Marcus Peters, Aqib Talib e Ndamukong Suh transformam uma unidade que andava em cima da linha da mediocridade na temporada passada no primeiro dream team da NFL desde o Philadelphia Eagles de 2011 (desculpem).

É tudo bom demais para ser verdade: Peters e Talib formam uma das melhores duplas de CBs da liga, talvez apenas atrás dos grupo de Jacksonville; Lamarcus Joyner é um dos melhores Safeties da liga; e Suh aumenta ainda mais a pressão pelo interior da linha defensiva, que já era grande apenas com Aaron Donald. O potencial da defesa é imenso e pode ser o grande diferencial na competitiva NFC.

Porém, há uma questão que precisa ser resolvida para que o sucesso defensivo do Rams em 2018 se concretize: o holdout de Aaron Donald, talvez o melhor jogador defensivo da NFL atualmente. Donald está em busca de um novo contrato e ainda não se apresentou para o training camp do Rams.

A distribuição de vastas quantidades de dinheiro nos contratos de Gurley, Suh, Peters e Talib deve estar povoando a mente do jogador, que pode inclusive não jogar a temporada regular. A chave da temporada defensiva do Rams está aí: se a renovação contratual acontecer e não houver um holdout que se estenda até a bola rolar, a defesa do Rams pode, tranquilamente, ser a melhor da liga.

A NFL talvez nunca tenha visto uma dupla de interior rushers como Donald e Suh, que podem compensar qualquer defeito nas posições de edge rushers e linebackers, já que o time perdeu os veteranos e eficientes Robert Quinn e Alec Ogletree e não fez grandes esforços para substituí-los.

Insistimos: paguem o homem!

Há quem acredite que personalidades explosivas e controversas como as de Suh, Peters e Talib, que não deixaram muitos amigos por onde passaram, podem acabar criando um ambiente explosivo, mas a experiência do coordenador defensivo Wade Philips deve ser suficiente para controlar eventuais rebeldias. Além disso, enquanto o time estiver ganhando, não há motivo para briga. E isso deve acontecer com bastante frequência, já que, ao contrário do Eagles de 2011, o Rams não deve cair na armadilha do dream team e se transformar em piada.

Palpite

O cheirinho de Super Bowl está tomando conta das ruas de Los Angeles. Se o Rams estivesse na AFC, poderíamos cravar pelo menos a chegada à final de conferência, quando inevitavelmente (e infelizmente) perderia para o New England Patriots. Mas a NFC apresenta desafios maiores e há vários times que podem ser um empecilho na caminhada para o título de conferência. Mesmo que não jogue tudo o que se espera dele, o Rams deve vencer com tranquilidade a NFC West e talvez até conseguir um bye na primeira semana de playoffs. Uma campanha 12-4 é um cenário bastante provável. Porém, se o potencial de dream team for plenamente atingido, pelo menos a posição de favorito na final da NFC é quase certa. A partir daí, seja o que Sean McVay quiser.

Homens trabalhando em reconstrução

Na offseason, todos os times são bons. Afinal, é durante ela que você pode acreditar que Sam Bradford não se machucará (estatística: ele jogou mais de 14 jogos em quatro de suas oito temporadas na liga; exato, trabalhamos com 50% de probabilidade), que Tyrann Mathieu era muito mais mídia do que bola, que David Johnson se recuperará de uma lesão como um X-Men e, como em qualquer esporte que não faz sentido, um novo técnico trará uma nova filosofia que fará perebas verdadeiros craques.

Entretanto, parafraseando algum porco (acho) daquele livro do George Orwell (não li), alguns times são melhores do que os outros. Carson Palmer era um QB sólido e injustiçado, que, mesmo com problemas na hora da verdade como qualquer quarterback de USC (alô Sam Darnold), ao menos era confiável para executar o ataque de Bruce Arians até um braço quebrado ser a última cena de sua carreira na semana 7 de 2017; uma lesão que tira um jogador de toda a temporada sempre é perigosa (e David Johnson tem apenas uma boa temporada na carreira); e, bem, Steve Wilks pode ter operado verdadeiros milagres com a secundária dos Panthers sem um grande nome sequer, mas a dos Cardinals está reduzida a reservas de jogadores medianos.

E, não, torcedores, não há como a 15ª temporada de Fitzgerald não pesar, mesmo que as 109 recepções para 1156 jardas e 6 TDs de 2017 insistam em dizer o contrário.

Quem leva a bola ao craque

Já mencionamos Carson Palmer e hoje ele, talvez, é apenas história. Apesar de parecer estar na liga há 30 anos (chegou em 2003), infelizmente não há jogadas muito memoráveis, tampouco títulos, então seus bons números serão encontrados por nerds daqui a 15 anos e todos diremos “nossa, Carson Palmer, nem lembrava que ele existia”. Bom, que Palmer tenha uma feliz aposentadoria.

Arizona trouxe três candidatos para substituí-lo. Ou melhor, um para substituí-lo e dois para dar tempo ao garoto: Mike Glennon vem de Chicago, após ter feito parte de uma experiência estranha com Mitch Trubisky, e dispensa comentários em relação a potencial futuro; já Sam Bradford é o Mike Glennon desse ano, com impensáveis 20 milhões de salário, fruto de um excelente trabalho de seu empresário.

Quebrando a banca.

É inegável que Bradford pode fazer boas temporadas, como conseguiu nos Vikings em 2016, mas sua incapacidade em manter-se saudável lhe permitirá apenas seguir como uma opção secundária. Convenhamos: nem mesmo Arizona espera que Bradford se mantenha saudável e vista vermelho por anos a fio, vide seu contrato curto e, bem, o QB do futuro já definido.

Josh Rosen, que passou pela montanha-russa típica do draft, indo de melhor jogador para quarto melhor QB em poucos meses, mesmo depois de anos (dizem) sendo estudado por olheiros das 32 equipes, é o primeiro QB de 1st round em Phoenix desde Matt Leinart (USC, 2006) e terá a responsabilidade de ser a cara dos Cardinals pelos próximos anos.

Palpite: Cinco jogos serão suficientes para que Rosen aprenda o que, hoje, é um ataque super complexo (mesmo que ele já operasse um ataque complexo em UCLA) desenhado por Mike McCoy, já que os quatro meses de pré-temporada, acreditem, duram menos que as cinco semanas iniciais da NFL.

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Esperamos também que Rosen se torne logo uma estrela na liga; afinal é um jogador que não evita dar a sua opinião, ou pelo menos não evitou quando estava na faculdade. Infelizmente, como rookie, ele deve se comportar para aumentar suas chances de efetivamente jogar. Quando se estabelecer, ficamos na expectativa de ter um bom QB que não tenha receio em falar.

Fitzgerald, Johnson e pouco mais

Assim como veremos na defesa, o núcleo de bons jogadores no ataque de Arizona é limitado. Larry Fitzgerald é eterno enquanto dure (parafraseando aquele poema que só sabemos algumas estrofes) e David Johnson deverá voltar no ritmo de 2016, pelo bem da sanidade dos analistas de plantão; Justin Pugh, G que vem dos Giants, também deverá ajudar a fortalecer a linha ofensiva e abrir espaços para o RB. Fora esses, a equipe de suporte que Rosen receberá é duvidosa.

Os recebedores, além dos já citados, serão o rookie Christian Kirk, que vem bem cotado do Texas, Brice Butler, um daqueles nomes aleatórios de Dallas, e Jermaine Gresham, que já está há alguns anos nos Cardinals sem superar as 400 jardas sequer. Faça sua mágica, Rosen (ou Bradford, com seus passes curtos precisos).

A linha ofensiva troca Jared Veldheer por Andre Smith que, saudáveis, estão hoje no mesmo nível. O lado esquerdo se mantém com os mesmos nomes que seguraram Palmer em pé e saudável em 2016, e conseguiram criar espaços para sub-RBs em 2017, ou seja, DJ Humphries e Mike Iupati seguem confiáveis – elementos importantes para desenvolvimento de um jovem lançador.

“Veja bem, Wilks, aqui você tem Patrick Peterson”

Deve ter sido o argumento da diretoria de Arizona enquanto viam Tyrann Mathieu, Justin Bethel e Tramon Williams deixarem a equipe. Com Peterson e Budda Baker, eles formaram os cinco jogadores da secundária titular dos Cardinals em 2017, que já foi 14ª em número de jardas aéreas cedidas, um número (no máximo) razoável.

Budda Baker, válido lembrar, rookie de segunda rodada que aproveitou a oportunidade em 2017 (até jogou o Pro Bowl e foi votado All-Pro), pode e deve ser o outro ponto de alívio no back-seven, que também perdeu o LB eterno Karlos Dansby.

Bethel já não é grande coisa e Williams está velho, mas devem ser substituídos apenas pelo velho S Antoine Bethea, o CB Jamar Taylor que veio do Browns e o S Tre Boston, que já trabalhou com Wilks em 2016; como CB2, deverão contar com Brandon Williams, o CB4 de 2017.

Não se vá.

Mas Tyrann Mathieu, como ele mesmo apontou no Twitter, é considerado o 5º melhor Safety da liga até no Madden, e ter sido cortado por não querer reduzir o salário acordado apenas dois anos antes é absurdo – especialmente em um time com tão pouca profundidade, Mathieu é insubstituível, maloqueiro ou não.

Na linha defensiva, Chandler Jones segue como a âncora assustadora com 17 sacks em 2017, mesmo sem muito mais apoio ao longo dela. E, bom, falando em estrelas na defesa sempre haverá Patrick Peterson. Exceto quando o time enfrente mais de um WR.

Palpite

Muito mais para Seattle que San Francisco. É difícil visualizar os Cardinals melhorando a campanha 8-8 de 2017, especialmente considerando que duas dessas vitórias vieram contra os 49ers pré-Garoppolo (existiu mesmo? Graças a deus não precisamos lembrar mais) e outras três contra uma fraca AFC South (claro, Titans e Jaguars caíram em Phoenix e foram para os playoffs. Mas ainda são Titans e Jaguars). 2018 traz enfrentamentos contra a NFC North e AFC West, além de 49ers e Rams muito mais fortalecidos dentro da divisão – enquanto Arizona enfraqueceu através de toda a lista já citada. Dessa forma, não dá para esperar mais do que um ano de reconstrução para os Cardinals.

Tudo depende do desenvolvimento de Josh Rosen e uma campanha ruim o suficiente para garantir uma boa escolha no ano que vem para continuar montando um novo time – se Wilks também fizer um pouco mais de sua mágica e com isso acabar encontrando dois ou três jovens valores defensivos, 2018 já terá sido um sucesso.

Entre 2014 e o futuro, 1998

Se você começou a assistir futebol americano este século (o que é muito provável, e também o nosso caso), dificilmente viu o Oakland Raiders com um desempenho satisfatório – pior: a franquia foi por muito tempo motivo de piada e, ao pensar em organizações avacalhadas, era o nome que vinha em mente junto com o Cleveland Browns.

Desde 2002, ano em que chegou ao Super Bowl, o Raiders acumulou campanhas que variavam entre o 4-12 e o 5-11, com um 2-14 e um 3-13 nesse meio. Pior do que esses records medonhos, era a inércia do time: mesmo com escolhas altas no Draft, Oakland não conseguia retomar os dias de sucesso do século XX.

Em 2014, porém, isso começou a mudar. Após ameaçar até mesmo terminar o ano 0-16, o Raiders começou a dar sinais de melhora. O time ainda não era bom, mas havia encontrado em Khalil Mack uma futura estrela e em Derek Carr um QB com capacidade de liderança e que parecia ser o cara para tirar a franquia do limbo.

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2015 foi um ano de afirmação. Embora vejamos muitos exemplos de times que saem de campanhas catastróficas para os playoffs nos anos seguintes, o Raiders passou pelo processo de natural de maturação. O record final de 7-9 confirmava a boa impressão do ano anterior, e fez com que as expectativas para 2016 fossem pelo teto.

Dias de luta, dias de glória

A temporada regular de 2016 conseguiu superar essas expectativas. Se em setembro o torcedor esperava que a equipe brigaria pelos playoffs, em dezembro o sonho do Super Bowl tinha deixado de ser uma alucinação para se tornar uma possibilidade.

Amari Cooper e Michael Crabtree faziam provavelmente a melhor dupla de Wide Receivers da liga; Derek Carr despontava como candidato a MVP; Khalil Mack jogou como o Defensive Player of The Year; a linha ofensiva era, se não a melhor, a segunda melhor da liga e Jack del Rio aparecia como possível Coach of The Year.

Mais que amigos: friends.

Tudo isso durou até a semana 16, quando Derek Carr quebrou a perna no jogo contra o Indianapolis Colts. Por mais sólida que fosse a equipe, a perda de seu Quarterback acabou com qualquer chances do time de ir longe na pós-temporada (não vamos linkar a atuação de Connor Cook contra os Texans em respeito à saúde do amigo leitor).

Apesar do final ruim, o saldo de 2016 parecia extremamente positivo. Esperava-se que Oakland fosse uma força dentro da AFC pelos próximos anos.

Tudo que sobe, desce

Como você sabe (ou deveria saber), a realidade pode ser dura. Se o 7-9 de 2015 parecia promissor, o 6-10 de 2017 foi visto como catástrofe. Derek Carr, de contrato novo, começou a ser questionado; Crabtree, que acabou sendo cortado, e Cooper tiveram anos abaixo do esperado e Jack del Rio acabou demitido. Khalil Mack ainda foi bem, mas a defesa dos Raiders era tão eficaz quanto um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Além disso, se antes os jovens talentos eram motivo de esperança para a franquia, os jovens de agora não eram nem talentos nem davam esperanças. Amari Cooper foi a única boa escolha do Draft de 2015; nem mesmo a primeira escolha de 2016, Karl Joseph, passou muita confiança; e a classe de 2017 não teve um grande impacto positivo.

Draftar muito bem (Khalil Mack, Derek Carr e Gabe Jackson em 2014) lhe rende alguns anos de tranquilidade, mas, se o sucesso das seleções não se repetir com o tempo, os times acabam com alguns jogadores muito bons porém caros, mas muitos buracos no elenco. O Raiders sentiu isso na pele.

Apertando o reset  (ou o botão do pânico, vai de cada um)

Após a demissão (e até antes de acordo com algumas fontes) de Jack del Rio, Oakland foi atrás de Jon Gruden, o técnico que derrotou o próprio Raiders no Super Bowl da temporada 2002. Gruden, como você provavelmente já sabe, foi o comentarista dos Monday Night Football nos últimos 10 anos.

De volta.

A contratação divide opiniões. Se por um lado é um técnico vencedor do Super Bowl e que ajudou a montar o último time dos Raiders que chegou lá, por outro ele está há 10 anos afastado do cargo de Head Coach, e há quem afirme que ele nunca foi um grande técnico pra início de conversa.

A única certeza que temos é que Jon não vai ser só mais um entre os 32 treinadores da liga. Se vai dar certo ou errado, ele já mostrou que vai fazer as coisas do seu jeito, querendo jogar um futebol americano como o praticado em 1998. 

E não parece ser da boca pra fora, já que as contratações indicam isso: os Raiders foram atrás de jogadores que eram destaques das suas equipes, mas em 1998. São os casos de Jordy Nelson, Doug Martin e Breno Giacomini (sim, aquele. E sim, ainda existe).

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Além deles, Gruden buscou Ryan Switzer e Martavis Bryant via troca. Estes nem nascidos eram em 1998, mas estão longe de serem certezas na posição. Bryant pode inclusive perder a temporada toda por suspensão. Ainda estão estourando champanhe em Pittsburgh.

O draft também foi um pouco suspeito. As duas melhores escolhas, Arden Key e Maurice Hurst, estavam disponíveis no terceiro e no quinto round por um motivo, e é mais fácil achar um torcedor do Titans que um torcedor do Raiders satisfeito com Kolton Miller na #15. Por fim, Marquette King foi cortado e era tão bom que merecia seu próprio parágrafo. Como se trata de um punter, o parágrafo é curto. Sim, ele já acabou.

Os convocados de Felipão

Passear pelo Depth Chart dos Raiders é como visitar um museu. Para cada Amari Cooper, temos um Marshawn Lynch e um Donald Penn. Para cada Khalil Mack, temos um Leon Hall e um Reggie Nelson. O elenco de Oakland está repleto de nomes conhecidos, de forma que pode pegar o fã casual desprevenido.

Porém talvez a única certeza no time hoje seja Khalil Mack. Derek Carr precisa provar que merece o dinheiro que recebeu em 2017, e Amari Cooper precisa se recuperar do ano aquém que teve. A linha ofensiva, apesar de boa, está cada vez mais velha e pode não ter a mesma força dos últimos anos. Resta saber se Lynch ainda tem gasolina no tanque e se Jared Cook vai se consolidar como boa opção – se você realmente acredita nisso, sentimos muito.

A defesa, porém, dificilmente será pior que a de 2017. Espera-se uma colaboração maior dos jogadores selecionados no ano passado, especialmente de Gareon Conley, além da melhora de Bruce Irvin, que não foi tão bem pelas bandas da Califórnia. Por outro lado, Tahir Whitehead e Derrick Johnson chegam para ocupar o posto de LB mediano deixado por NaVorro Bowman já em fim de carreira.

Palpite

Derek Carr não é o Quarterback que muita gente imaginava, mas também não é o desastre que vimos em 2017. Suas atuações, porém, não serão o suficiente para salvar o time de uma campanha medíocre como a do ano passado. O elenco está mais velho e não terá muita renovação. E, em uma liga como a de hoje, em que Sean McVays e Doug Pedersons são reis, a visão de jogo de Jon Gruden tem tudo para dar errado. Sério, vai dar merda. Não espantaria se o time repetisse o 6-10 do ano passado, mas, enfim, caso chegue aos playoffs, não será um feito tão absurdo. A NFL, como sabemos, é uma caixinha de surpresas #analise #acertada.