Atlanta, Kansas City, um TD: uma conversa com Dontari Poe

12/jun/17


Qual sua jogada favorita da última temporada? Alguma recepção insana de Antonio Brown? Um TD improvável de Odell? Algum momento em que Le’Veon Bell tenha desfilado em campo? Talvez o bloqueio de FG retornado para dois pontos pela defesa do Broncos contra o Saints? Ou ainda o milagre de Julian Edelman no Super Bowl?

Bom, respeitaremos sua escolha, mas acreditamos que não há debate: nada foi mais bonito que o NT Dontari Poe e suas 340 libras (ou quase 155 kg) encontrando o TE Demetrius Harris livre na endzone na noite de natal – e eliminando o então campeão Denver Broncos.

Até então nenhuma equipe da NFL havia confiado em alguém como Poe para lançar uma bola – e os Chiefs confiaram nele para sepultar as chances de pós-temporada de um de seus maiores rivais. O momento protagonizado por Dontari foi algo extremamente raro e belo: alguém com seu tamanho aumentar a velocidade, parar repentinamente e então levantar quase em câmera lenta e encontrar um recebedor livre… a verdade é que nenhum corpo tão imenso pode se mover tão poeticamente. E nenhum ser humano tão pesado seria humanamente capaz de colocar na bola um toque tão delicado.

Sabe, às vezes nós brincávamos durante o treino. Gosto de lançar a bola sem maiores pretensões de vez em quando. Treinamos a jogada bastante. Dentro de campo, é tudo sobre estar preparado”, diz Poe, hoje no Atlanta Falcons, em entrevista ao Pick Six. “No fundo, sabia que daria certo porque nós treinamos isso várias vezes. Foi uma jogada divertida de se executar”, completa.

E assim Poe se tornou o jogador mais pesado da história da NFL a passar para um TD. O recorde anterior pertencia a JaMarcus Russel, com 265 libras (120kg) e, bem, Russel era um quarterback, não um nose tackle – e é válido lembrar que, no final de 2015, Dontari também já havia se tornado o homem mais pesado a marcar um TD correndo, quebrando a marca de William “Refrigerator” Perry e suas insignificantes 335 libras.

É muita simpatia!

Raízes

Outro fato inusitado na vida de Dontari é que, diferente da maioria dos jovens americanos, ele nunca havia jogado football antes do high school. “Estava na bandinha, o técnico Miller me viu e quis que eu jogasse. Foi simples: acabei gostando e ele me incentivou a melhorar”, relembra.

Poe então se consolidou como um dos prospectos mais promissores do estado do Tennessee e decidiu se juntar a Universidade de Memphis, onde passaria três anos antes de se declarar para o draft e se tornar o primeiro jogador da história da universidade a ser selecionado na primeira rodada.

Olhando agora, pode parecer inacreditável… Mas realmente trabalho duro”, diz. “Tive muitos colegas e treinadores incríveis. Se você tem um sonho, no final do dia, é sobre o quanto você irá trabalhar e se esforçar para alcançá-lo”.

A ligação com Memphis segue até os dias de hoje: se a cidade impulsionou Poe atrás de seus sonhos e o football mudou sua vida, tornando-o um atleta profissional, seu objetivo agora é retribuir. “A Poe Man’s Dream Foundation é para ajudar as crianças. Quis dar algo de volta para Memphis, foi um lugar muito bom pra mim”, reforça.

Queremos dar às crianças as habilidades e os recursos necessários para terem sucesso. Só estamos começando e vamos trabalhar para ver quais são as necessidades e, assim, ajudá-las”, completa, lembrando que seu projeto trabalha diversos pilares, que vão desde a alimentação a educação, além, claro, do esporte.

Passado e futuro

Na última free agency, Dontari visitou diversas cidades, como Indianapolis, Jacksonville e Miami. Mas acabou optando por Atlanta, em um contrato de um ano para provar seu valor e novamente encontrar Scott Pioli, hoje assistente geral dos Falcons – ainda como GM do Chiefs, Pioli selecionara Poe com a pick 11 do draft de 2012.

Sou grato pela oportunidade que Scott me deu em Kansas City. Claro, Pioli estar aqui é um ótimo bônus, mas de qualquer forma, Atlanta tem um ótimo time e posso contribuir bastante com a franquia: estou ansioso para fazer parte do Falcons”, afirma, sem esquecer os cinco anos que passou em Kansas.

Os torcedores de Kansas City são ótimos. Eles me apoiaram durante toda minha passagem e sentirei falta deles. Pode acreditar no que ouve pela TV: são realmente barulhentos, mas isso só te dá energia para jogar duro, afinal, você não quer decepcioná-los”.

 

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