Andy Dalton e um calvário que parece eterno

02/set/17


Onde você estava em 6 de janeiro de 1990?

Muitos leitores não eram nem nascidos, ou pelo menos nem se entendiam como gente na época. Alguns anciões podem argumentar que não é preciso ser tão velho assim para ter vivido o dia, e não vamos discutir isso. Mas e se essa data fosse a última em que você realizou determinada ação?

É assim que o Cincinnati Bengals se sente. A vitória no Wild Card contra o Houston Oilers foi a última da franquia em um jogo de playoffs. Desde então, cinco head coaches já passaram pela equipe, sendo que apenas o atual – e último da lista – disputou uma partida de pós-temporada. Sete partidas, no caso.

Para mostrar a dor das múltiplas derrotas que o time de Cincinnati sofreu, podemos pegar como exemplo a mais recente, contra o Pittsburgh Steelers, em casa. Após conseguir uma interceptação que praticamente selava a vitória, o LB Vontaze Burfict saiu correndo para os vestiários – o ataque só precisava não estragar tudo que o jogo estava ganho. Mas, como você já sabe, eles estragaram tudo. Os Steelers, novamente com a bola, marcharam o campo para vencer o duelo, contando ainda com a ajuda de algumas faltas estúpidas da defesa.

Voltando pra casa mais cedo – só para variar.

Na temporada seguinte – a passada -, os Bengals ficaram de fora dos playoffs pela primeira vez desde 2011. O ataque não conseguiu repetir o desempenho de outros anos, em que foi entre razoável e bom. Muito disso se deve a queda de rendimento da linha ofensiva e do jogo corrido. A defesa também não foi tão bem e a apatia deixou o time no terceiro lugar da divisão, a frente, apenas, obviamente, do Cleveland Browns.

O fator Andy Dalton

Antes de apresentarmos o ataque e a defesa de Cincinnati, precisamos falar sobre Andy Dalton. Mais especificamente, da Dalton Scale. O que ela é? Basicamente, uma lista que envolve todos os quarterbacks da NFL, e os classifica de acordo com seu nível de jogo. Essas todos nós conhecemos. Mas a Dalton Scale adiciona um elemento à essa classificação: se o seu QB está acima de Andy Dalton no ranking, ele serve para comandar a equipe. Se ele está abaixo, ele não serve para porcaria nenhum e você deve procurar outro cara.

Ser o divisor de águas entre QBs que prestam e não prestam não é um bom cartão de visitas. Afinal, isso significa que Dalton pode ter anos bons ou ruins, nunca ótimos. E, talvez mais que qualquer outro signal caller, Andy precisa de um bom time ao seu redor para vencer. Ele não é, por exemplo, um Andrew Luck, que consegue mascarar a ruindade de seus companheiros. E também não é um Blake Bortles, que puxa todo o nível da equipe para abaixo, quase como um imã da desgraça. Ele é só Andy Dalton. Não fede, nem cheira. E também não ganha jogos de playoffs.

Dalton convida: 10 azarados para jogarem ao seu lado.

O ataque dos Bengals é comandado pelo já citado Andy Dalton. Felizmente o texto já o abordou o suficiente, e não precisamos mais falar dele. Obrigado, Deus.

Falemos agora da linha ofensiva. Ela, como já dissemos, mostrou alguns sinais de retrocesso em 2016: em 2015, foi a melhor bloqueando para a corrida, e a décima quinta bloqueando para o passe. Em 2016, caiu para as décima quarta e vigésima sexta posições, respectivamente.

Para 2017, a perspectiva não é boa, já que dois dos melhores jogadores deixaram Cincinnati. Andrew Whitworth está agora em Los Angeles, e Kevin Zeitler está em Cleveland. Seus substitutos serão, respectivamente Cedric Ogbuehi, que não inspirou confiança quando jogou; e Andre Smith, que já teve bons momentos com o time, mas vem de um ano ruim em Minnesota. O bom Center Russell Bodine Bodine, o LG Clint Boling e o RT Jake Fisher fecham o grupo.

No corpo de recebedores, o destaque fica com AJ Green. Green deveria receber uma parcela do salário de seu QB, por motivos óbvios: se não fosse por ele, Andy Dalton estaria hoje na CFL. Para ajudar AJ, os Bengals escolheram John Ross na primeira rodada deste draft. Ross é extremamente veloz, e também um bom receiver, mas precisa se manter saudável, talvez seu principal problema. Há ainda Brandon LaFell, o jogador mais sem graça da liga; Tyler Boyd, escolha de segunda rodada em 2016; e Josh Malone, escolha de quarta rodada esse ano. Por fim, para não fazer um parágrafo só pra ele, vamos incluir aqui também o Tight End Tyler Eifert, que é bom jogador.

A expressão facial de cada um diz tudo.

Já na posição de Running Back, a paciência com Jeremy Hill acabou, e Joe Mixon foi selecionado na segunda rodada para assumir o papel de RB 1. Mixon era apontado por muitos analistas como o melhor jogador da posição na classe, mas problemas extra-campo o tiraram do primeiro round. Giovani Bernard, que volta de grave lesão, continuará com o seu papel de recebedor saindo do backfield, que ele faz muito bem.

Tentando vencer os jogos para o ataque e falhando miseravelmente: os outros coleguinhas de Andy Dalton.

A linha defensiva dos Bengals é uma unidade de respeito. O DE Carlos Dunlap e o DT Geno Atkins estão entre os melhores jogadores da liga em suas posições. Jogam ao seu lado o  DE Michael Johnson, que traz experiência mas já não está mais no auge da forma. Complementando esses veteranos, o time tem o DT Andrew Billings, bem cotado no draft passado, mas que não conseguiu ir bem conta de lesões; Jordan Willis, escolha de terceira rodada esse ano; e Ryan Glasgow, escolha de quarta, também em 2017.

No corpo de LBs, o melhor jogador, Vontaze Burfict cumpre suspensão nos três primeiros jogos, por motivos de ser um babaca mau caráter. A adição de Kevin Minter, que vem de um bom ano em Arizona deve ajudar o grupo, que contará também com Carl Lawson, escolha de quarta rodada nesse ano, e Vincent Rey, que tem sido um reserva de confiança desde que chegou a equipe.

Fechando a defesa, a secundária conta com boa profundidade, especialmente quando falamos nos Cornerbacks. Adam Jones, Dre Kirkpatrick, William Jackson e Darqueze Dennard são todos escolhas de primeira rodada, permitindo aos Bengals uma certa tranquilidade na posição. George Iloka e Shawn Williams devem ser os safeties que complementarão a formação titular.

Carinha de quem tem poucos amigos, porque tem poucos amigos.

Palpite: Os Bengals tem uma boa defesa, mas não dá pra esperar muito do ataque. A linha ofensiva é um ponto de interrogação, e Andy Dalton não deve conseguir superar as limitações decorrentes disso. A única forma de Cincinnati sonhar com algo é se o jogo corrido for muito bem, mas ele também depende da OL. Uma campanha média, algo como 7-9, é o que esperamos.

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