Análise Tática #29: As cinco melhores jogadas de Andrew Luck

01/out/18


Véspera do Thursday Night Football da semana 5 entre Colts e Patriots, partida com a narrativa interessante provocada pelas peripécias de Josh McDaniels na intertemporada. Apesar de Chris Ballard, GM dos Colts, ter jogado para a torcida com seu “The rivalry is back on”, a verdade é que os Patriots são totalmente favoritos à partida, esperando-se até uma goleada. Apesar disso, o site Pick Six, que em seus 40% é Indianapolis Colts, e esta é uma casa em que o clubismo não é só permitido como também incentivado, trouxemos uma análise tática exclusiva sobre as cinco melhores jogadas de Andrew Luck, escolhidas após uma larga análise de nossa equipe (à moda caralha).

Após a notícia de que Andrew Luck, não a pessoa original, apenas a sua mente transferida para um novo corpo de anfitrião (quem viu a segunda temporada de Westworld sabe do que estou falando), finalmente retornou aos treinos sem limitações (traduzindo, finalmente conseguiram ensinar o corpo robótico a jogar futebol americano), cabe a este redator exercer o seu direito INALIENÁVEL de CLUBISMO e defender o atleta em questão, apesar de atuações inconsistentes contra Redskins e Eagles e fios de esperança contra Bengals. A atuação COMO NAS ANTIGAS contra os Texans dá novamente ao torcedor de Indianapolis O DIREITO DE SONHAR.

Sem estar saudável desde a temporada de 2014, graças ao trabalho da dupla dinâmica Ryan Grigson e Chuck Pagano (parte 1, parte 2), e pelo fato de o time dos Colts ser ruim, as pessoas esqueceram como Andrew Luck é bom. Não as culpo, por que uma temporada com Scott Tolzien e Jacoby Brissett faz até o mais apaixonado dos torcedores repensar as suas opções na vida.

#05 – Passe de 42 jardas para TD vs Detroit. Semana 13, 2012

A primeira jogada do nosso ranking é uma da temporada de calouro, em 2012. Jogo fora de casa contra o Detroit Lions, em mais uma das viradas que marcaram a carreira do camisa 12.

Na situação, Luck era treinado por Bruce Arians e Clyde Christensen, em meio às turbulências da leucemia que acometeu Chuck Pagano em 2012, que rendeu a campanha #ChuckStrong, servindo até como motivação extra-campo. Como viu-se ao longo da carreira de Andrew Luck, o Colts tinha dificuldade em começar os jogos, obrigando o quarterback a resgatar o time nos momentos finais quase que semanalmente. Assim foi no Ford Field na semana 13 de 2012, com os Colts virando um 23 a 14 em determinado momento do terceiro quarto.

A jogada que veremos aqui ocorreu quando a partida estava 21 a 33 aos 2:45 restantes do último quarto, em uma 1ª para 10.

Indianapolis parte de uma formação shotgun singleback com um set de recebedores em 3×1. Partindo de um conceito derivado do Levels, a combinação de rotas causa um estresse entre o safety e o corner back da parte inferior da jogada. Lavon Brazill (sdds) consegue a separação. Enquanto isso, Andrew Luck enfrenta pressão pelo lado direito, escapa para o lado oposto e encontra a janela para uma bomba precisa até a redzone.

Essa jogada mostra a capacidade de Andrew Luck em arriscar em profundidade sob pressão, algo que foi necessidade por boa parte de sua carreira. Vários drives do Indianapolis Colts sobreviviam aos erros mentais da linha ofensiva graças às jogadas de grande ganho.

#04 – Passe de 8 jardas para TD vs Denver. Semana 09, 2015

O cenário: Colts capengando em uma temporada que deveria ser Super Bowl contender, tendo Luck perdido dois jogos por lesão nas costelas, enfrentam um Denver Broncos (que viria a ser campeão do Super Bowl), invictos com sete vitórias, em um jogo vespertino no Lucas Oil Stadium. Empate por 17 a 17 no início do último quarto.

Na jogada anterior, Luck tinha sofrido um tackle de Danny Trevathan que no dia seguinte saberíamos que renderia uma laceração nos rins. Luck enfrenta uma blitz de três homens vindos pelo weakside, com os demais homens da linha aplicando stunts. Essa jogada é um exemplo do que faltou para ajudar Andrew Luck na sua carreira: rotas rápidas para queimar a blitz.

Ahmad Bradshaw adota uma posição de bloqueio, mas no ponto do snap, parte explorando o ponto vazio deixado por T.J. Ward (blitzer). Em uma jogada bem desenhada, Luck dá apenas um passo de dropback e planta os pés para o passe, enquanto Bradshaw se projeta à endzone por inércia.

Escolhi essa jogada pois demonstra o que Luck é capaz de fazer. O cara lançou um TD contra a melhor defesa da NFL à época, encarando um matchup desfavorável com uma HEMORRAGIA NOS RINS.

#03 – Passe de 32 jardas vs Denver. AFC Divisional, 2014

No que talvez foi o maior upset promovido pelo Indianapolis Colts de Chuck Pagano, Luck teve uma de suas melhores partidas de sua carreira, principalmente por ter convertido as jogadas em momentos decisivos. Essa é uma delas, passe numa 3rd & 16 no terceiro quarto, contra uma secundária, se ainda não era tudo o que foi capaz de fazer, já era notável na liga.

Essa jogada mostra bem o que Luck é capaz de fazer tendo um pocket minimamente limpo. A linha ofensiva conteve muito bem um four-men-rush com Von Miller, Derek Wolfe, Malik Jackson e DeMarcus Ware, dando tempo para Luck encontrar uma janela estreita para Coby Fleener na rota seam em meio ao tráfego de defensores.

Conversão fundamental para Indianapolis ter construído a vantagem que gerou a vitória. Destaque para o trabalho de pernas de Luck no 3-step-dropback, enquanto ele movimenta o pescoço em relação às duas laterais antes do passe.

#02 – Passe de 36 jardas para TD vs Cincinnati. AFC Wild Card, 2014

Voltamos à semana anterior em relação à outra posição de nosso ranking. Jogo de wild card contra o Cincinnati Bengals, que de certa forma o Colts controlou com facilidade, raridade durante o regime de Chuck Pagano, em que o time se esforçava para dificultar jogos exatamente fáceis.

Nessa jogada em questão, vemos o atleticismo espetacular de Andrew Luck, capaz de zipar um passe de 36 jardas sem o apoio dos pés no chão, ao se projetar em velocidade escalando o pocket, enquanto Carlos Dunlap tentava o sack.

O passe em questão parte em uma jogada de play action e é pura obra-prima. Biomecanicamente falando, Luck usa sua quantidade de movimento para projetar a bola, juntamente com a força do braço. Pela falta dos pés plantados, a espiral não sai perfeita, mas com uma potência suficiente para encontrar Donte Moncrief na lateral da endzone. Outro destaque vai pela capacidade do quarterback em enxergar o espaço para escalar o pocket sem tirar os olhos do fundo de campo.

#01 – Passe de 64 jardas para TD vs. Kansas City. AFC Wild Card, 2013

Talvez o jogo mais espetacular da carreira de Andrew Luck até aqui. Protegendo a bola, não foi uma atuação segura, já que as 3 interceptações nos primeiros 40 minutos de jogo ajudaram a cavar o buraco de 38 a 10 que o time se meteu em determinado momento da partida.

No momento em que a partida estava 44 a 38 para Kansas City, Luck tinha um drive de 80 jardas para percorrer e tomar a liderança pela primeira (e que seria a única) vez na partida.

No que parecia se desenvolver um drill de média duração para sobretudo queimar o relógio, Luck e TY Hilton aproveitaram para atacar em profundidade com uma rota post. Cover 2 beater clássico, com a bola viajando 45 jardas pelo ar e atingindo Hilton no exato ponto em que as duas zonas dos safeties se encontravam. Observe que os mesmos se chocam, facilitando o caminho para Eugene carregar a bola até a endzone.

  • Diego Vieira já está preparado para a traulitada de quinta à noite, pois Colts é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente.

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