Análise Tática #24 – Rodada Divisional: A defesa do Jacksonville Jaguars

18/jan/18


Chegamos à rodada divisional dos playoffs da temporada de 2017 da NFL, também conhecida como semifinais de conferência. No último domingo, o Jacksonville Jaguars avançou ao AFC Championship Game após uma vitória contra o Pittsburgh Steelers por 45 a 42.

Mesmo cedendo 42 pontos, a defesa de Jacksonville fez jus a reputação de melhor da NFL, principalmente contra um ataque poderoso como dos Steelers (falamos sobre o mesmo aqui). Utilizamos esse texto como referência, e agora vamos entender como a defesa comandada por Doug Marrone dificultou a vida de um ataque lotado de skill players como Pittsburgh.

O Depth Chart

A defesa majoritariamente montada por Gus Bradley atingiu seu potencial na gestão de Doug Marrone e Tom Coughlin, e coordenada por Todd Wash.

Fonte: ESPN

As adições de Marcell Dareus, Barry Church, AJ Bouye e Calais Campbell, possível jogador defensivo do ano, tornaram assustadora uma defesa que já tinha potencial para ser uma das melhores da liga. Foram 21 interceptações, 2 delas retornadas para touchdown, 17 fumbles forçados, 5 deles retornados para touchdown, e 55 sacks.

Em termos de estatísticas avançadas, a defesa dos Jaguars foi a primeira em DVOA (-16,1%), a quarta em Defesa Ponderada (-13,0%), essa estatística considera a importância maior dos últimos jogos da temporada. Ainda falando em DVOA, temos os Jaguars como primeiros em defesa contra o passe (-27.5%) e vigésimo-sextos contra a corrida (-2,8%).

Agora, uma estatística fornecida pelo Football Outsiders que eu gosto muito e ajuda a contextualizar as mencionadas no parágrafo anterior: a defesa dos Jaguars foi a vigésima-nona em variância (7,6%). Essa estatística mede a consistência do time, e combinada com o DVOA, podemos determinar que a defesa teve vários jogos excepcionais e outros na média.

DEF. DVOA

DEFESA PONDERADA RANK DEFESA PASSE RANK PASSE DEFESA CORRIDA

RANK CORRIDA

-16,1% -13,0% 400,0% -27,5% 1,0% -2,8% 26,0%

Não-Ajustado

VAR RANK FORÇA DE TABELA (DVOA) RANK
TOTAL PASSE

CORRIDA

-19,0% -32,5% -3,4% 7,6% 29,0% -5,1% 31

Individualmente, o destaque vai para Calais Campbell, com 14,5 sacks e Jalen Ramsey, com 4 interceptações e 7 passes desviados. Ambos foram selecionados para o 1st team All-Pro. Além deles, Malik Jackson e AJ Bouye foram selecionados ao Pro Bowl.

Estatísticas da partida

Contra os Steelers, a defesa dos Jaguars permaneceu em campo por 31 minutos e 10 segundos 78 jogadas ao todo, forçou 2 turnovers e cedeu 28 first downs. Foram 462 jardas de passe em 37 passes completos de 58 tentados e 83 jardas em 18 corridas. Dados obtidos pelo game chart da ESPN.

O Steelers sempre esteve atrás do placar, o que explica o desequilíbrio na proporção passe-corrida. Ben Roethlisberger teve 8,61 ANY/A (Adjusted Net Yards per Attempt), valor acima da média cedida pelos Jaguars durante toda a temporada.

Estatisticamente, pode parece não ter sido a melhor partida pela defesa dos Jaguars, em que pese o valor da variância apresentada pelo time ao longo da temporada. Entretanto, essa unidade apareceu em momentos-chave, forçando sacks e turnovers em drives que ajudaram o time a manter sempre a vantagem no placar.

Sacksonville

Os sacks conseguidos pela defesa de Jacksonville contra os Steelers reforçam bem a relação de mutualismo entre front e secundária. O conceito de sack-coverage se estabelece quando a cobertura atua tão bem ao não deixar espaços livres no fundo de campo que a linha ofensiva adversária não consegue segurar o pass rush. O quarterback não tem opções para se livrar da bola e sofre o sack.

Observe o que a defesa causa com as rotas internas, ambas são direcionadas ao mesmo ponto, tirando de questão duas opções. Myles Jack em zona acompanha LeVeon Bell, anulando o checkdown. Roethlisberger faz um 3-step dropback, tenta navegar pelo pocket até o momento em que é sackado por Yannick Ngakoue. A bola escapa e Telvin Smith a retorna para touchdown.

Pela visão do front, observa-se que temos dois defensores alinhados em 9-tech (Campbell e Ngakoue) contra o empty backfield dos Steelers.

Ngakoue vende o speed rush para Villanueva, quebra para dentro e consegue arrancar a bola de Roethlisberger pelas costas.

O segundo sack da partida, acontecido quando o placar estaca 28 a 7 para Jacksonville, desenha-se da seguinte forma:

Novamente um conjunto de rotas longas tentando atacar o meio do campo, que os Jaguars marcam rotacionando um conceito de cover 2 a partir de uma cover 1. Roethlisberger se concentra no lado esquerdo do campo e perde o TE Vance McDonald aberto no flat. Observe como os Jaguars não têm medo de deixar alguns pontos do campo abertos em prol de conter os skill players de Pittsburgh.

O front novamente está alinhado em wide 9 technique (Dante Fowler Jr. e Yannick Ngakoue). Fechando a linha defensiva, temos Calais Campbell em 4-tech e Marcell Dareus em 3-tech.

Calais recebe um double team do center e do left guard, abrindo espaço para Dareus invadir o backfield com um corte para dentro. Big Ben não consegue se livrar da bola e aceita o sack.

Interceptação

Agora vamos analisar a jogada da interceptação de Myles Jack sobre Bem Roethlisberger quando o placar ainda marcava 7 a 0 para Jacksonville.

O ataque dos Steelers se alinha em seu tradicional 11 personnel, tendo LeVeon Bell alinhado do lado forte e um set de recebedores em 2×1. A leitura aqui se dá entre o TE Jesse James e o WR Juju Smith-Schuster. Rotas out e dig, respectivamente, que se cruzam e se quebram em amplitudes diferentes do campo.

Jesse James reconhece Myles Jack como seu marcador e tenta fazer o bump-and-run no momento da quebra de rota, porém o linebacker conta com seu atleticismo e se recupera na marcação, tendo tempo de saltar em direção à bola no momento em que o passe chega.

Para deixar a jogada ainda melhor, Myles Jack ainda mostra seu controle de corpo e concentração para pegar a bola desviada por si mesmo e pisar com os dois pés dentro de campo.

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