Análise Tática #2 – Sobre um domingo muito complicado

21/set/16


Jameis Winston foi um dos melhores QBs da semana 1, quando completou 23/32 passes, para 281 jardas, 4 TDs e 1 INT na vitória fora de casa do Tampa Bay Buccaneers contra o Atlanta Falcons. Na semana 2, porém, a coisa desandou e forma retumbante: foram 4 INT, 1 fumble perdido, 27/52 passes completados e apenas 1 TD. O Buccaneers acabou derrotado por 40×7 pelo Arizona Cardinals.

Mas o que fez o time passar de sensação da semana 1 para uma das grandes decepções da semana 2? Não dá para colocar tudo na conta de Jameis Winston: alguns passes foram péssimos, mas Winston não teve muita ajuda de seus companheiros e enfrentou um adversário inspirado, que teve muito mérito em várias jogadas.

Nossa análise tática #2 tentará descobrir por que cada uma das 4 INT lançadas por Winston aconteceu.

Interceptação 1 – Culpa de quem?

A primeira interceptação de Jameis Winston aconteceu em uma tentativa de passe em profundidade para o WR Mike Evans, no alto da tela. A movimentação do safety (no círculo amarelo) para marcar a rota do RB foi decisiva para a leitura de marcação individual do CB Patrick Peterson na rota em profundidade de Evans.

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Com a jogada em andamento, percebemos que Winston tinha duas opções: o passe curto para o RB Doug Martin ou a bomba para Mike Evans. Como o Arizona Cardinals não mandou blitz, os outros dois recebedores estavam muito bem marcados por cinco defensores.

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A escolha pelo passe longo é difícil de ser questionada, já que Mike Evans é um gigante e costuma vencer a disputa de bolas com defensores. Mesmo não tendo quase nenhuma separação de Peterson, como percebemos na imagem abaixo, se o passe tivesse sido bem posicionado e se Evans tivesse a concentração adequada para buscar a bola, poderia ter dado certo.

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Porém, o que aconteceu foi exatamente o oposto. Winston lançou o passe um pouco à frente e Evans não teve a mesma perspicácia de Peterson, que acabou com uma INT relativamente fácil.

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Interceptação 2 – Que passe nojento!

Na jogada da segunda interceptação, o Arizona Cardinals mandou blitz com os dois LBs posicionados no meio do campo. Os quatro recebedores, com rotas diversas, teriam marcação individual.

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Mesmo enfrentando blitz, Winston praticamente não sofreu pressão. Na imagem abaixo percebemos que o pocket estava limpo e que os recebedores estavam todos em marcação individual, com o safety fazendo a leitura da jogada.

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Winstou decidiu lançar para o recebedor que tinha a rota em direção à lateral. A escolha foi boa, já que havia uma pequena separação, mas a execução foi péssima. O passe foi para o único lugar que não podia ser lançado: atrás do recebedor.

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Por outro ângulo, podemos ver que o recebedor nem percebeu a chegada da bola. Novamente, além do passe ruim, o defensor do Cardinals fez uma excelente leitura da jogada.

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Interceptação 3 – O azar!

A terceira interceptação aconteceu numa tentativa de um screen pass. Essa talvez tenha sido a interceptação em que Winston teve menos culpa. O RB Charles Sims, posicionado no alto da tela, receberia um passe curto e contaria com o bloqueio de seus companheiros.

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O problema desse tipo de passe é que, quando o defensor faz a leitura correta, ele pode ser facilmente desviado. E foi exatamente isso que aconteceu.

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Mesmo com o desvio, Charles Sims teve a chance de segurar a bola, ou talvez de, pelo menos, impedir que ela fosse interceptada.

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Porém, Sims permitiu que a bola batesse em suas mãos e sobrasse suavemente para o defensor do Cardinals interceptar e retornar para o TD, em uma gloriosa PICK SIX.

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Interceptação 4 – O desespero!

Na última jogada da partida, com o time perdendo por 40×7, não há explicação nenhuma para que Jameis Winston e Mike Evans estivessem em campo correndo o risco de sofrer uma contusão. Mas estavam; e continuavam fazendo cagadas. A jogada se resumia a duas rotas verticais dos WRs, Mike Evans no alto da tela e Vincent Jackson na parte de baixo.

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O Cardinals não mandou blitz e os dois WRs tiveram marcação individual dos CBs com dois safeties aguardando o passe em profundidade. Winston sofreu pressão pelo seu lado esquerdo e teve que correr para o lado direito para evitar o sack. Enquanto isso, o CB que marcava Vincent Jackson escorregou e deixou o WR completamente sozinho.

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Sem a visão do que acontecia do lado esquerdo do ataque, Winston forçou o passe para Mike Evans, que já estava marcado por dois jogadores. Na parte de baixo da tela, vemos novamente como Jackson estava completamente sozinho.

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Mesmo bem marcado, o passe poderia ter sido completado se Winston tivesse lançado para o fundo da endzone, já que Evans conseguiu uma pequena separação dos marcadores.

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Porém, Winston acabou lançando em direção à lateral da endzone, o que permitiu a recuperação do marcador, que conseguiu a interceptação e selou uma performance bem abaixo da média do QB do Bucs.

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