Análise Tática #19 – Semana #13: Coberturas Falhas

07/dez/17


A análise tática volta essa semana trazendo aquele olhar diferenciado sobre o que de melhor aconteceu na rodada. E como nosso dever é SEMPRE trazer algo diferente para o público, essa semana vamos falar sobre secundárias, mais precisamente quando estas unidades não fazem corretamente seus trabalhos.

Existem dois tipos básicos de cobertura utilizados no futebol americano: a cobertura individual e em zona. Você provavelmente já sabe o papel dos jogadores, mas o que talvez não saiba é que em cada uma delas, a comunicação entre os quatro ou cinco defensive backs tem aspectos diferentes. A marcação individual requer que o jogador acompanhe o adversário e tente reconhecer o momento em que chega a bola ao observar a posição de seu corpo em relação à origem da jogada. A comunicação entre os atletas da defesa é basicamente identificar seus assignments no início da jogada e tentar manter a marcação com base no atleticismo.

A cobertura em zona é mais complexa. Partes do campo são divididas entre os jogadores, que observam o lance voltados ao quarterback, com o objetivo básico de evitar que a recepção aconteça através do contato físico no momento em que o recebedor tenta guardar a bola. Cover 0, Cover 1, Cover 2, Cover 2 Man, Cover 3, Cover 4, Quarters. Você leitor, já deve ter lido essesv nomes ou aqui na coluna ou em seus playbooks do Madden (paga nóis, EA).

A grande dificuldade da marcação em zona é a necessidade dos defensive backs serem capazes de reconhecer o padrão de rotas do adversário e terem a reação necessária de atacar o ponto do passe. Essa exigência de inteligência tática mais avançada, geralmente tende a problemas de comunicação entre os atletas. O principal problema em uma marcação em zona é que não é possível cobrir todos os pontos do campo e as janelas de passe geralmente se abrem no momento em que a rota do recebedor transita entre as responsabilidades dos defensores. Bons quarterbacks geralmente se aproveitam dessa fragilidade para conectar os passes (Tom Brady no segundo tempo Super Bowl LI abusou disso).

Leva-se algum tempo para construir a sintonia necessária para que secundárias tenham um entrosamento completo de forma a executar um sistema em zona com perfeição. A Legion of Boom em seus tempos áureos era uma unidade respeitável principalmente pelo fato de possuir bons atletas que se completavam. Defesas montadas por Bill Belichick também tiveram como característica a capacidade de execução das jogadas através de comunicação entre defensores. Como na NFL há mais times ruins (ou mal treinados) que bons, geralmente observamos atletas que não conseguem reconhecer suas responsabilidades em sistemas em zona e permitem separações suficientes para recebedores.

Como facilitar nunca é a solução para nada, é mais comum hoje em dia vermos defesas armadas em nickel combinando zona e marcação individual na mesma jogada. O defensive back a mais em campo geralmente aumenta a complexidade, e por consequência, a taxa de probabilidade de sucesso. Apesar disso, como o futebol americano a nível de NFL é um jogo de passes, tornar a formação nickel como defesa-base é uma necessidade para as franquias, mesmo desafiando os fundamentos de Processamento e Estatística.

Aproveitando o esquema de Cover 2 do Inside the Pylon, vamos desenhar em cima dele como exemplo uma combinação de rotas que explore o espaço entre os dois safeties. Se você costuma ler a coluna tática, viu que exploramos jogadas em semanas anteriores contra essa cobertura. Utilizando uma variação do conceito smash, aproveitamos para fazer com que o recebedor Y esteja livre no meio do campo, um clássico Cover 2 beater.

Como esse é um conceito voltado para vencer a Cover 2, repare que ele explorar os flats com o running back e o recebedor X, enquanto o H e o Z executam rotas corner, afastando os safeties. Se o TE for capaz de vencer o Middle Linebacker na velocidade, receberá a bola no meio do campo. Isso geralmente ocorrerá por que as zonas desenhadas em azul não têm responsabilidades com o fundo do campo, e ao ultrapassar essa faixa, a tarefa é dos safeties. Observe agora, o cover 2 dos Packers sendo destruído exatamente por um TE no meio do campo.

A zone blitz deveria confundir os adversários, não os jogadores do próprio time.

Se você leu o texto sobre a defesa de Don Capers, viu que a secundária rotaciona de forma a compensar a blitz. Aqui, provavelmente Jameis Winston estudou o tape (o mínimo que se espera de um QB de NFL), além da sua absurda confiança em Cameron Brate. A defesa dos Packers no lance rotaciona de cover 2 para cover 1 e retornando ao ponto inicial antes do snap, de forma a confundir o QB.

Fixando no momento em que o passe acontece, podemos visualizar o Cover 2 perfeitamente desenhado, bem como a janela de recepção de Cameron Brate sendo construída. A jogada terminou em Touchdown, para desespero da torcida cabeça-de-queijo. Zone blitz é um sistema complexo, e o que podemos observar aqui é o guerreiro #35 completamente perdido quanto a sua tarefa no lance, e de repente apareceu um jogador melhor atleticamente para ele dar conta.

Em um texto que de certa forma traz um aparato geral da rodada, eu não poderia deixar passar o fato de que a defesa dos Colts cedeu 309 jardas e 2 TDs a Blake Bortles em 26 passes completos de 35 tentativas, o que forma um rating de 119,8. Aliás, fazer QBs medíocres jogarem que nem Joe Montana é uma especialidade da unidade treinada por Chuck Pagano e Ted Monachino. Caso leitor não saiba, a defesa de Indianapolis é a 28ª da temporada segundo a ESPN, totalizando 4560 jardas cedidas ao adversário em 2017. Evidentemente, esse número fora de contexto não é o suficiente para descrever a RUINDADE desse bando de incapazes comandado por Chuck Pagano, o incapaz-maior, então observemos um dos lances da partida do último domingo em Jacksonville.

Uma jogada que mistura os conceitos smash e levels, entretanto, a leitura de Bortles será Dede Westbrook alinhado como Split End no lado superior da tela. O WR do Jaguars (franquia GIGANTE E ENORME, por sinal) executa uma rota que combina o post e corner, aproveitando o espaço entre corner e safety visto na imagem do início desse texto. Os Colts mostram um Cover 2 Man, utilizando de Press Coverage com os corners, para tentar tirar o tempo das rotas. Como o Colts é o Colts, plano de jogo mal treinado, montado e executado, isso não dá certo, permitindo a recepção de Westbrook. Para aumentar os requintes de crueldade da jogada, Bortles ainda demonstra toda a sua PRESENÇA DE POCKET para andar para frente, plantar os pés e executar um passe gracioso.

Agora indo ao OUTRO LADO DA MOEDA, observemos a defesa dos Jaguars permitir um grande espaço para TY Hilton no único TD dos Colts na mesma partida. 4th & 2 e os Jaguars cedem um passe de 40 jardas para touchdown. Acompanhe no gif o desenvolvimento da rota de TY Hilton.

“Deixa que eu deixo.”

Observe que em um determinado ponto, dois jogadores dos Jaguars entram em indecisão sobre quem é o responsável de continuar com o camisa 13 dos Colts no lance. Como Eugene é um dos WRs mais ágeis da liga, esse intervalo é o suficiente para que ele se desprenda e faça a recepção. Como apenas esse erro não é o suficiente para os Jaguars a cereja do bolo no lance é a pior reação de safety no lance, que tinha um excelente ângulo para o tackle e simplesmente decidiu NÃO IR na jogada.

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