Ainda há muito a ser feito

23/ago/18


Não é segredo para ninguém que o Buffalo Bills estava insatisfeito com Tyrod Taylor – Rex Ryan (que Deus o tenha) sempre deu indiretas sobre a situação do QB e, bem, diante do Chargers na temporada passada o Bills optou por Nathan Peterman em uma das experiências mais constrangedoras que o football já presenciou. Mesmo assim, Tyrod superou a punhalada e conseguiu levar Bufallo aos playoffs após alguns séculos; como recompensa, não teve seu contrato renovado.

Mas ao quebrar uma seca de 17 anos sem chegar a pós-temporada, o Bills deu aos seus torcedores uma razão para sonhar – durante o caminho, o novo GM Brandon Beane e o HC Sean McDermott ganharam as chaves da cidade. É fato, porém, que caso Buffallo tivesse um ataque mais consistente, eles poderiam ter aproveitado um pouco mais sua aventura em janeiro – e não uma eliminação amarga para o Jacksonville Jaguars (10-3) no Wild Card.

Além disso, é notório que a classificação só veio após o evento, já cunhado na posteridade, como o MILAGRE DE ANDY DALTON – que venceu Baltimore quando nada mais estava em jogo, além do AMOR PRÓPRIO.

Um (não tão) belo futuro

Para 2018, Buffalo buscou AJ McCarron nos Bengals mas, claro, seus planos estavam passavam pelo draft e após uma suruba (troca de escolhas), a franquia selecionou Josh Allen – ninguém quer seu futuro nas mãos de um morfético como McCarron. Se o jogador não consegue sequer disputar posição com Andy Dalton, tem-se muito a refletir sobre tal.

O jovem de Wyoming é móvel e tem força no braço (marque na sua cartela), embora ainda seja considerado por especialistas (reforçamos: categoria na qual não nos enquadramos) extremamente cru. O plano inicial era que AJ fizesse a transição inicial enquanto o jovem QB é preparado, mas aparentemente McCarron morreu (mas passa bem) já na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada) e Allen será jogada aos leões já nos próximos dias.

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E talvez não no sentido figurado, visto que linha ofensiva está aos pedaços (e perdeu três bons nomes na última offseason: Richie Incognito e Eric Wood estão na fila do INSS e Cordy Gleen rumou para o Bengals). Dion Dawkins entra em seu segundo ano com mais responsabilidade – e há espaço para evolução, já que sua temporada como rookie foi empolgante para o então sofrido torcedor de Buffalo Ao seu lado ele terá Russel Rodine, titular por um bom tempo em Cincinatti (o que pode dizer muito e, ao mesmo tempo, nada). Wyatt Teller, rookie de Virginia Tech selecionado no 5º round também reforça o setor.

Por tudo isso, não restará muita opção (ao menos no início) além de entregar a bola para LeSean McCoy e torcer para que a magia aconteça – LeSean correu para 3300 jardas (média de mais de 4.5 por tentativa) e 22 TDs desde que desembarcou em Bufallo há três anos em uma troca com o Eagles que, a cada dia que passa, parece ser boa demais para ser verdade. Há, ainda, a adição de Chris Ivory – que se não empolga, servirá ao menos para dividir a carga de trabalho e dar alguns minutos para McCoy tomar seu Gatorade (e foder o seu fantasy).

De qualquer forma, se a OL for capaz de manter Allen em uma posição minimamente vertical (seja lá o que isso signifique), o conjunto ofensivo entregará melhores números – bom, não é como se existisse muito espaço para regredir, embora dependa de um ataque aéreo problemático.

Kelvin Benjamin chegou na offseason e seu passado inspira pouca (para não dizer nenhuma) confiança; já Zay Jones entra em sua segunda temporada precisando provar a que veio (spoiler: vai dar merda, vide suas aventuras durante as férias, devidamente registradas em vídeo na rede mundial de computadores).

Restam o WR Jeremy Kerley e o TE Charles Clay, que vem da melhor temporada de sua carreira – novamente: pode dizer muito, mas ao mesmo tempo pode não dizer nada (e é mais provável que não diga nada).

O perigo mora ao lado

O Bills cedeu menos de 17 pontos em 10 partidas em 2017 – e isso inclui a eliminação para o Jaguars. Muito disso se deve a uma das melhores secundárias da liga; o então rookie CB Tre’Davious White foi excepcional, enquanto os Safeties Jordan Poyer e Micah Hyde, também brilharam. Esperar uma nova temporada sólida e com poucos pontos cedidos é uma aposta quase certeira; os três combinaram para 246 tackles e 14 INTs.

A perda de EJ Gaines, agora em Cleveland, será sentida; para seu lugar o Bills trouxe os restos mortais de Vontae Davis e, por mais que a nostalgia encante, você sabe que não dará certo.

Outra seleção de primeira rodada no último draft foi o linebacker Tremaine Edmunds, para reforçar um setor que foi apenas digno no ano que passou – Edmunds terá ao seu lado Matt Milano, agora em sua segunda temporada, e o eterno Lorenzo Alexander – uma inegável referência em Buffalo, mas de quem se espera, compreensivelmente, uma queda de produção.

Já para exercer pressão no ataque adversário, o Bills conta com Jerry Hughes e Shaq Lawson – Kyle Williams e Adolphus Washington completam o quarteto que combinou para 12 sacks na última temporada. Espera-se também que o novo milionário do pedaço, Star Lotulelei (que recém assinou um contrato de cinco anos e US$50 milhões sem o menor sentido lógico), faça algo (spoiler: não fará. Você leu aqui – e em vários lugares – primeiro).

Palpite

Ao chegar aos palyoffs pela primeira vez desde o longínquo 1999 o Bills enlouqueceu as ruas de Buffalo. Foi bonito, mas é o momento de voltar à realidade: Tyrod Taylor pode ter suas limitações, mas tinha experiência e números dignos (22-20). O plano de McCarron dar tempo para Josh Allen se preparar ruiu antes mesmo do bom senso mandar abortá-lo. Em geral, se a defesa seguir em alto nível e McCoy carregar o ataque nas costas, é possível sonhar com a segunda colocação da AFC East, mas dessa vez sem playoffs. Para Josh Allen, o futuro imediato é negro: cinco das sete primeiras partidas serão fora de casa e sua adaptação não será facilitada. Como timing é uma mera questão de perspectiva, tudo pode dar certo daqui cinco ou seis anos, quando os WRs atuais forem substituídos por atletas profissionais e um certo Tom Brady já estiver aposentado.

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