A verdade é cruel: quem nasce Alex Smith nunca será Joe Flacco

24/ago/16


Muito se fala do “índice Andy Dalton” para avaliar quarterbacks – ou seja, se um QB é melhor do que Andy Dalton, ele é uma boa escolha para a NFL; caso contrário, ele deveria ser descartado. Um dos jogadores mais difíceis de aplicar a essa escala é justamente Alex Smith, cuja história desde ser primeira escolha em 2005, a ficar no banco e ver Kaepernick jogar no Super Bowl, a ser trocado para os Chiefs é conhecida; mais do que isso, suas limitações também.

Enquanto, especialmente em 2015, Dalton foi eliminado (novamente) na primeira rodada dos playoffs por estupidezes externas a ele, Kansas City ganhou a primeira rodada de um Houston sem quarterback, antes de cair para Tom Brady e seus Patriots, num duelo em que o marido de Gisele Bündchen dominou e Alex Smith não conseguiu ter estrela suficiente para ganhar. Esse jogo deve servir como grande exemplo de que, independente dos 6 Pro Bowlers e 9 jogadores no Top 100 (votados pelos próprios jogadores e um recorde na NFL), nessa liga um QB decisivo (como foi o próprio “elite” Flacco para ganhar seu anel) ainda é essencial.

1ericao

Eric Berry após uma jogada que ajudará a manter Alex Smith no cargo mais um ano.

Justin Houston, Eric Berry e muito mais

Alex Smith e seus dilemas a parte, a defesa dos Chiefs foi excepcional em 2015, acabando em terceiro lugar em pontos sofridos/jogo, uma grande razão de muitos “bailes” aplicados pelo time. A começar pela linha defensiva, onde o time conta com o gigante nose tackle Dontari Poe, que se tornou o jogador mais pesado a marcar um touchdowns corrido na história, flanqueado por Allen Bailey e Jaye Howard, que são monstruosos contra a corrida, além de terem somado 10 sacks em 2015.

O grupo de linebackers é ainda melhor. Justin Houston, que quase bateu o recorde com 22 sacks em 2014, recebeu um contrato de 52.5 milhões de dólares garantidos na metade do ano passado e é o principal pass-rusher (do time e um dos melhores da liga), acompanhado do veterano Tamba Hali e de Dee Ford que, em seu terceiro ano, deve ganhar cada vez mais importância no time. O time também conta com Derrick Johnson por dentro, que voltou ano passado como que sem sofrer os efeitos da sua lesão no tendão de Aquiles, ainda que não tenha nenhuma clara companhia para completar o 3-4.

A secundária é um misto de grandes jogadores e dúvidas. Por exemplo, como safeties, Kansas City conta com o grande Eric Berry, que voltou a ser um dos melhores da NFL depois de lutar contra um câncer em 2014, e Stevie Brown, que teve uma boa época entre 2012-14 antes de machucar o joelho e não conseguir retornar ao mesmo nível até agora. Nos CBs, o time tem Marcus Peters, que realizou uma grande campanha já como rookie (raridade entre cornerbacks) e busca uma dupla entre Philip Gaines, que não mostrou muito em 2 anos já na NFL, e outros dois rookies: Eric Murray (4ª rodada, Minnesota) e KeiVarae Russel (3ª rodada, Notre Dame); quem sabe Kansas City volte a ter a mesma sorte.

O drama de Alex Smith

Vamos admitir: existem argumentos para os defensores de Alex Smith (não que existam muitos ao redor da NFL). O seu número de interceptações está constantemente entre os mais baixos da liga e, por mais que seja acusado de ser novamente conservador demais para consegui-lo, o seu valor de jardas por passe está na média da liga (11º em 2015, 20º em 2014), assim como seu rating.

Entretanto, em prol dos seus detratores, é conveniente lembrar que ele nunca lançou mais que 23 TDs (2013) e mais de 20 só nesse ano em 10 anos jogados. Além disso, também foi desbancado pelo que hoje é reserva de Blaine Gabbert. Também, em 2014, conseguiu a proeza de não lançar um TD sequer para seus WRs; em 2015, lançou apenas 11 para eles, sendo 8 para um recém-chegado Jeremy Maclin – bizarrices que não acontecem com QBs médios da NFL.

Também no banco, para adicionar pressão e possibilitar especulações para a imprensa, os Chiefs têm adicionado jovens com grandes carreiras na universidade em Tyler Bray, Aaron Murray e Kevin Hogan. Além desses, recentemente também Nick Foles foi trazido e apesar da decadência clara, é inevitável lembrar que ele foi capaz de uma campanha 27 TDs e 2 interceptações (em 2013 pelos Eagles de Chip Kelly) e se questionar: será que, nessa máquina tão bem montada, Foles não chegaria mais longe que Smith?

Kansas City Chiefs coach Andy Reid, left, talks with quarterback Alex Smith during the first half of an preseason NFL football game against the San Francisco 49ers at Arrowhead Stadium in Kansas City, Mo., Friday, Aug. 16, 2013. (AP Photo/Ed Zurga)

“Desculpa, seu Leôncio Reid, mas não vai ser dessa vez.”

A máquina bem montada

A linha ofensiva dos Chiefs é boa. Razoavelmente boa. Certamente não tão boa a ponto de que o LT Eric Fisher, primeira escolha do draft de 2013 e excepcional fisicamente, mas com deficiências técnicas, merecesse 40 milhões garantidos, mas coisas bizarras acontecem na NFL. Pelo menos o time contará com o melhor right tackle da NFL Mitchell Schwartz (vindo de Cleveland) e com o center Mitch Morse, que deverá seguir evoluindo após sua boa campanha de rookie.

Uma das grandes razões da “boa aparência” da linha ofensiva é o jogo corrido. Quando a estrela do time Jamaal Charles se machucou na quinta rodada, a temporada parecia ter acabado – e, ao contrário, o ataque ganhou nova vida com Spencer Ware e Chancandrick West, que somaram mais de 1200 jardas e 11 TDs nos 11 jogos em que substituíram Charles, dando a garantia ao time de que, ainda que a idade lhe pese e não se recupere da segunda lesão no joelho, o jogo corrido da equipe, também contando com o apoio de um dos melhores fullbacks da NFL em Anthony Sherman, seguirá funcionando e garantindo o importante apoio a Alex Smith.

Por fim, por mais que normalmente pareçam subaproveitados por Smith, os Chiefs têm alguns bons alvos no time. O já citado Jeremy Maclin tem feito jus ao seu contrato de 55 milhões de dólares e trabalhado como um legítimo WR1 para o time, sendo o alvo principal; o segundo alvo mais acionado, além de Charles (se estiver saudável), é Travis Kelce (principal alvo de Smith no bizarro 2014), que parece um Rob Gronkowski esperando para acontecer num improvável crescimento do seu quarterback.

Como outras opções de wide receivers, há toda uma mescla que depende mais da criatividade dos co-OCs Brad Childress e Matt Nagy que das próprias capacidades em produzir bons números (dica: não perca tempo pegando qualquer um deles no fantasy). Uma possibilidade curiosa fica por conta de Mike Williams, que tem tido dificuldade em manter a forma (e por consequência, lesões) e por maloqueiragens diversas ao longo de sua carreira, mas que recebeu quase 3000 jardas e 23 TDs em seus 3 primeiros anos (2010-12) na liga.

Palpite: Os Chiefs só perdem a AFC West nos próprios vacilos, que, obviamente, tendem a acontecer (ainda assim apostaria neles para ganhar). Infelizmente, é difícil de acreditar que Alex Smith possa vencer algum quarterback mais inteligente que Brian Hoyer nos playoffs – logo, assim que Smith se machucar e for substituído por Nick Foles ou (quem sabe!) Tim Tebow, realizarei aposta em algum site aleatório pelos Chiefs campeões do Super Bowl.

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