A única OL no caminho da Legion of Boom é a de Seattle

10/set/16


E chegamos ao final dos previews dos times da NFL, assim como chegou ao fim da carreira do sempre polêmico, mas muito eficiente dentro de campo, running back Marshawn Lynch depois de uma temporada em que sofreu muito com lesões e atrapalhou a vida dos repórteres (alegrando a nossa) com seu tradicional “só estou aqui para não ser multado”.

De qualquer forma, mesmo perdendo um de seus melhores jogadores, não é como se o time de John Schneider e Pete Carroll parecesse sentir – sempre parece haver um substituto pronto, como vimos com Brandon Browner para Byron Maxwell para Jeremy Lane, ou com o surgimento de Thomas Rawls substituindo Lynch no ano passado. Ano vai, ano vem, e Seattle novamente parece presença certa nos playoffs e um candidato certo para o Super Bowl.

Obviamente não há uma razão clara apenas para o sucesso dos Seahawks, porque muitas coisas são muito bem-feitas: como o bom trabalho dos coordenadores de Carroll (mais raro nessa liga do que deveria) e a capacidade de encontrar novos jovens jogadores constantemente (terão 16 rookies no time em 2016). E a sorte é uma componente muito presente nesse sucesso também: desde ter encontrado um QB de elite, Russell Wilson, na terceira rodada do draft, que não se machuca nunca, até o erro de Blair Walsh no final do jogo de wildcard – que eu, como torcedor de Minnesota, não superarei tão cedo.

O resto é muito bom, mas a OL é um lixo

Antes de escrever sobre os Seahawks, consultei alguns amigos em busca de alguma história importante que eu tivesse deixado passar durante a pré-temporada, mas além de críticas gratuitas sobre Jimmy Graham (mais a seguir), a única grande impressão que deixaram é: a linha ofensiva que já era ruim conseguiu ficar pior (último lugar no ranking da PFF) com as saídas de Russell Okung (que apesar de ter perdido vários jogos por lesão, tem qualidade) e do já mediano J.R. Sweezy.

O melhor jogador da linha provavelmente é o razoável center Justin Britt, e daí é só ladeira abaixo. O guards serão o rookie German Ifeidi, escolhido no final da primeira rodada, terá sua oportunidade de provar seu valor junto com Mark Glowinski, escolhido no draft de 2015, mas que não jogou muito no ano passado. A situação dos tackles, por último, não dá qualquer esperança: afinal de contas, provavelmente só sabemos que Bradley Sowell e Garry Gilliam existem porque anunciamos já que eles matarão Russel Wilson.

Essa cena deverá ser mais comum essa temporada. E não por vontade de Wilson.

Essa cena deverá ser mais comum essa temporada. E não por vontade de Wilson.

Russel Wilson é a esperança

De qualquer forma, pelo menos na temporada regular contra defesas medianas ou não tão motivadas (difícil fazer os gordões darem o máximo de si o tempo inteiro, né), Wilson deverá ser o suficiente para livrar a cara dessa OL, porque além de realizar um bom trabalho dentro do pocket (mesmo que esse não deva se formar bem), ele trabalha muito bem com as pernas também, como mostram seu rating de 110.1 e suas 553 jardas corridas no ano passado.

Thomas Rawls e Christine Michael também parecem que conseguirão dar um jeito de trabalhar atrás dessa linha, se a preseason e o ano passado são alguma indicação. Rawls conseguiu uma média absurda de 5.6 jardas por corrida quando conseguiu tomar a posição de Lynch no time titular, enquanto Michael parece destinado a finalmente mostrar seu potencial de segunda rodada (depois de muitas idas e vindas nesses 4 anos de NFL), tendo uma média de 6 jardas por corrida nos jogos amistosos de começo de temporada.

Por último, os recebedores, apesar de não serem grandes nomes (a exceção de Jimmy Graham, que foi envolvido numa grande troca em 2015 e até agora só decepcionou entre lesões), são no mínimo extremamente sólidos. Doug Baldwin era um secundário de carreira até assustar a liga com 14 touchdowns no ano passado, enquanto também deveremos ter grandes jogadas de Jermaine Kearse e especialmente Tyler Lockett (664 jardas ano passado), agora em seu segundo ano, que foi o único rookie a ser nomeado All-Pro como retornador.

Legion of Boom versão 5.0

Já faz quatro anos que a defesa do Seattle Seahawks é a que menos sofre pontos na NFL e não há uma razão para acreditar que isso vá mudar, já que considerando que ano passado eles começaram muito mal, com um Kam Chancellor mal preparado por conta de brigas contratuais, e ainda assim deram a volta por cima e chegaram à média (à sua média, obviamente, acima de todos os outros times com seus 17.6 pontos cedidos por jogo – inclusive se lembramos que a defesa dos Broncos é teoricamente a melhor da liga e vencedora do Super Bowl).

Cliff Avril e Michael Bennett retornam à titularidade e assumem novamente a responsabilidade de ser os principais a chegar ao QB adversário, e deverão conseguir mais que os 19 sacks que produziram ano passado, o que só poderá melhorar o desempenho da defesa. Também contarão com a ajuda de Frank Clark para executar bem a sua tarefa, já que o jogador deverá seguir evoluindo em seu segundo ano, além do veterano Chris Clemons, que já teve grandes anos em Jacksonville, especialmente para substituírem a produção de Bruce Irvin, que partiu para Oakland.

O back seven, por último, deverá seguir sendo incrível e o principal responsável por acabar com a vida dos ataques adversários. Os linebackers KJ Wright e Bobby Wagner seguirão dominando todos os níveis de jogo, tornando impossível correr contra e lançar nas rotas curtas e intermediárias.

E tampouco é como se lançar as rotas longas vá ser fácil: Kam Chancellor estará de volta, dessa vez até fazendo uma aparição em dois jogos da pré-temporada, enquanto Earl Thomas seguirá sendo Earl Thomas e Richard Sherman seguirá bloqueando o seu lado do campo, como já é tradicional.

legionofboom

Mais um ano aguentando Richard Sherman e tendo que aplaudir sua arrogância, sim.

Palpite: 12-4 e fé para os playoffs. Entretanto, por mais que a boa campanha garanta a vantagem de jogar pelo menos um dos jogos ao lado da sua infernal torcida, ter problemas com a linha ofensiva é o tipo de coisa que acaba voltando quando a coisa fica séria contra defesas de alto nível e atrapalhando sua vida. É exatamente o que acabará acontecendo com Seattle e não será esse ano que voltarão ao Super Bowl.

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