A última cartada?

20/ago/18


Enquanto Drew Brees for o quarterback do New Orleans Saints, eles continuarão sendo candidatos ao título da NFC. Com seu franchise QB completando 39 anos, porém, a franquia está ciente de que sua janela para alcançar mais um Super Bowl está se fechando rapidamente.

Sean Payton é um treinador muito inteligente – afinal, ele está milionário graças a um devaneio em forma de onside kick em uma já distante noite de fevereiro de 2010 – e sabe que precisa deixar tudo em campo nesta temporada.

Como mencionado, Drew completou 39 primaveras na última offseason e, bem, com 38 ele alcançou quase 4400 jardas, 23 TDs e teve apenas oito interceptações – vale lembrar: se não fosse por um erro bizarro, teria levado o Saints ao NFC Championship. Mas como já diria meu avô: “se tivesse um rio aqui, eu estaria pescando – e não falando besteira”.

De qualquer forma, aqueles mais atentos aos números poderão afirmar que 2017 indica um declínio na carreira de um dos grandes quarterbacks da história – para comparar, em 2016, Brees (mais uma vez), havia ultrapassado as 5000 jardas (com 37 touchdowns).

Os números, porém, ocultam outra verdade: pela primeira vez, me muito tempo, New Orleans não dependeu exclusivamente de seu ataque aéreo e pôde avançar pelo chão – se iniciou o último ano com Adrian Peterson (por que, meu Deus?), Mark Ingram e Alvin Kamara, logo ficou claro que aposta em AP era uma furada, e errado é quem esperava diferente. Brees continuou extremamente preciso (72% das tentativas completadas na temporada passada) e, embora a força de seu braço tenha naturalmente diminuído, ele compensa com inteligência: poucos são tão eficientes em identificar e adaptar a jogada ao ponto fraco do adversário quando ele é exposto.

E mesmo que Ingram tenha tido números relativamente sólidos, foi Kamara quem impressionou: com uma média de mais de 6 jardas por tentativa, o rookie RB ainda conseguiu 826 jardas aéreas (em apenas 81 tentativas, média superior a 10), marcando 13 TDs em seu primeiro ano na NFL.

As recepções de Kamara, aliás, são um caso à parte: muitas delas não fazem o menor conexão com a lógica, são apenas momentos em que alguma entidade divina que controla o esporte escancara diante de nossos olhos que nada faz sentido e você precisa lidar com isso; Brees simplesmente atirava a bola para o lado e Alvin encontrava espaços – espaços estes que devem aumentar em 2018, mesmo que Ingram esteja suspenso pelos quatro primeiros jogos (para seu lugar o Saints trouxe Terrance West e, bem, não vamos perder tempo com ele).

Com o ataque terrestre a ponto de se consolidar entre os melhores da liga, os Saints tentam aperfeiçoar as opções aéreas: na offseason buscaram Cameron Meredith (ex-Chicago Bears), que parecia destinado a um ano sólido, interrompido por uma lesão ainda na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada!).

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Meredith terá ao seu lado Michael Thomas (196 recepções em apenas dois anos), alvo em total sinergia com Drew, sobretudo em na redzone ou em 3rd downs – quanto a Ted Ginn, bem sejamos justos e adotemos a mesma diretriz estabelecida com Terrance West: vamos apenas seguir em frente.

Para suprir a ausência (haha) de Coby Fleener na posição de TE, o Saints tentou repatriar Jimmy Graham (que não superou o divórcio e escolheu Green Bay) e, como consolação, trouxe dos mortos Ben Watson (37 anos e 61 recepções por Baltimore na última temporada, contra 74 recepções para 825 jardas pelo próprio Saints dois anos atrás).

Já a linha ofensiva, se não é um PUDIM, está longe de ser um SAGU: saudável, Terron Armstead é um excelente jogador e, bem, Ryan Ramczyk, é uma futura estrela (aceitem) e extremamente eficaz pelo lado esquerdo.

O outro lado da bola

Após anos fedendo, New Orleans investiu alto, seja com escolhas de draft ou mesmo queimando dólares desesperadamente na free agency, para reformular o sistema defensivo. Os resultados começaram a aparecer – e se não estamos no céu, a 17ª posição em 2017 é algo a se comemorar.

O ponto de virada para o Saints voltar a disputar a NFC South, porém, foi a secundária: Marshon Lattimore se provou uma excelente escolha e surgiu como uma melhores CBs da liga – ao seu lado, Ken Crawley, apenas de não ter o mesmo nível, é um bom atleta e eficaz dentro do sistema.

Já a sólida temporada rookie do S Marcus Williams, porém, foi ofuscada após o tackle frustrado em Steffon Diggs – mas uma aposta certeira é que Williams tem talento para superar o peso de sua falha. Na linha defensiva, o DE Cameron Jordan segue como referência: vindo de uma temporada em que teve 13.5 sacks, Jordan é considerado uma dos melhores atletas da posição e líder indiscutível em New Orleans.

Ao seu lado estará Marcus Davenport, selecionado com a 14ª escolha no último draft em um trade up que, bem, ninguém entendeu – agora as expectativas com Marcus são extremamente altas, apesar de ser mais cru que aquele churrasquinho de esquina. Há ainda Sheldon Rankins, que sofreu com lesões em seu primeiro ano, mas melhorou consideravelmente em sua segunda temporada, e Tyeler Davison, selecionado na quinta rodada e que, dizem os especialistas (a equipe Pick Six não se enquadra, tampouco pretende, estar nesta categoria), será eficiente contra o jogo corrido. Spoiler: você, caro leitor, verá jogos dos Saints e provavelmente não notará a existência do jogador.

Palpite:

New Orleans acredita que os últimos anos investindo em talento defensivo darão ainda mais resultado; Sean Payton, claro, sabe que não pode assistir seu QB envelhecer marcando 40 pontos por jogo (enquanto a defesa entrega 50): ele já fez isso por dois ou três anos, é hora de adotar uma nova estratégia. Em um cenário catastrófico, bem, talvez eu esteja cego pela paixão por ter apreciado Drew Brees nos últimos anos e não consiga ver uma ou outra falha já evidente em seu jogo (não consigo e, bem, tentar me mostrar não irá adiantar). De todo modo, hoje o Saints têm um dos melhores sistemas ofensivos da liga e uma defesa (compreensivelmente) subestimada (após anos cheirando cocô). Em um cenário em que Tampa Bay é uma eterna incógnita, Steve Sarkisian está em um projeto consolidado para destruir o ataque do Falcons e Cam Newton pode dar um chilique a qualquer momento, vencer a NFC South – e 10 jogos, apesar da tabela ingrata – não é uma aposta tão insegura assim. Depois disso, basta torcer para que ninguém tenha uma pane mental na pós-temporada.

Nota do editor: o chefe do site adora parênteses e regionalismos da Rússia Brasileira.

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