5 mentiras da offseason que ninguém consegue acreditar

10/abr/17


A offseason da NFL é um terreno fértil para que histórias, daquelas bem fantasiosas, sejam contadas sistematicamente. Sem jogos ou performances para avaliar, técnicos e jogadores parecem coagidos a tentar criar um futuro artificial e utópico para mascarar a dura realidade que enfrentarão em breve. Mas você, estimado leitor do Pick Six, não será mais uma das vítimas do conto do vigário. Nós ligamos o nosso detector de mentiras e vamos expor alguns dos Pinóquios da NFL na offseason de 2017:

John Fox e Todd Bowles: dois senhores lunáticos

Em 2016, Chicago Bears e New York Jets tiveram temporadas péssimas: juntos, eles conseguiram somar apenas oito vitórias. Obviamente, tratam-se de times muito fracos, que precisariam de muitos reforços para apenas começar a pensar em ser competitivos em 2017. Mas o que aconteceu com ambos foi justamente o contrário: Bears e Jets perderam seus QBs titulares, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick, e vários outros jogadores-chave, como Alshon Jeffery, Brandon Marshall e Nick Mangold.

Os times fracos e a perda de jogadores relevantes parecem não ter limitado a capacidade dos head coaches John Fox e Todd Bowles de criar um mundo paralelo. John Fox declarou que acredita que o Chicago Bears está em “striking distance”, que pode ser traduzido por algo como “em posição de causar estrago”. Já Todd Bowles acredita que “o elenco possibilita que o Jets seja competitivo em 2017” e que “as expectativas são altas, mas que é muito cedo para saber se o time é capaz de chegar aos playoffs”.

Fox e Bowles são dois grandes mentirosos. Mesmo tendo muita boa vontade e considerando que as “perdas” de Jay Cutler e Ryan Fizpatrick podem, na verdade, ser verdadeiros reforços para os times, não há como levar a sério as declarações dos técnicos. O tempo de Cutler e Fitzmagic enganarem os torcedores realmente acabou e isso é muito bom para que as franquias superem o fim do relacionamento que não deu certo e busquem seu verdadeiro par perfeito. Porém, a falta de respostas, tanto na free agency quanto no draft, para a posição mais importante do football condena os dois times a viver muito abaixo da linha de mediocridade em 2017.

Mesmo que Mike Glennon e seja-lá-quem-for-o-QB-do-Jets façam trabalhos razoáveis, nenhum dos ataques superará a perda de Alshon Jeffery e Brandon Marshall, dois dos melhores WRs da NFL. Além disso, o Chicago Bears joga em uma divisão que tem três times muito fortes e o New York Jets não tem nem chance de sonhar vencer a AFC East enquanto Tom Brady continuar respirando.

John Fox deve acreditar que “striking distance” significa “lutar para não ficar em último na divisão”. Se não acreditar, trata-se apenas de um mentiroso tentando minimizar o desastre da temporada anterior e criar um ambiente favorável à manutenção de seu emprego. Já Bowles deveria ter vergonha de mencionar “Jets” e “playoffs” na mesma frase e saber que o time será competitivo apenas quando se trata da disputa pela primeira escolha do Draft de 2018.

Obviamente, não esperamos que nenhum dos dois treinadores venha a público dizer que seus times são dois lixos. Jogadores precisam de motivação. Mas precisam mentir tão descaradamente?

Acredita quem quer.

Tom Brady e Drew Brees e o dilema da reforma da previdência

A idade parece não ser um problema para Tom Brady e Drew Brees, que estão se aproximando dos 40 e não estão nem cogitando o inevitável declínio físico trazido pela velhice. Brady declarou recentemente que pretende jogar por até mais cinco anos, o que levaria a uma aposentadoria aos 44 na temporada 2021. Drew Brees parece ter ficado com ciúme e logo em seguida afirmou o desejo de permanecer ativo até os seus 45 anos de idade, que o deixaria em campo até a longínqua temporada 2023.

Por mais que os torcedores do New England Patriots e do New Orleans Saints queiram muito acreditar que o prolongamento das carreiras de Brady e Brees vai acontecer, não é o que a história da NFL nos mostra. Nenhum QB conseguiu obter resultados significativos após ultrapassar a marca dos 40 anos. Brett Favre parece ter sido o único a conseguir se aproximar de conseguir vitórias expressivas após completar 40 anos, quando disputou a final da NFC pelo Minnesota Vikings em 2009.

Na nossa idealização de fãs, nossos ídolos são super heróis que podem vencer qualquer barreira, inclusive a da idade. Não queremos acreditar que eles são meros seres humanos, mas são, mesmo que não pareçam. O declínio chega de maneira abrupta. Peyton Manning é a prova disso: conquistou vários recordes da NFL em 2014 e em 2015 foi literalmente carregado pelo Denver Broncos para vencer o SB 50 aos 39 anos.

Em algum momento, em breve, o declínio físico vai atingir Brady e Brees, que parecem mesmo ter a vontade de jogar por muitos anos. Como o desejo de jogar em idade avançada parece ser legítimo, tratam-se de mentiras sinceras, mas ainda assim são mentiras.

“Na primavera ou em qualquer das estações”

Houston Texans: Deus no céu, Tom Savage na terra

A aposentadoria de Tony Romo ainda faz corações despedaçados sangrarem em Houston. Romo parecia a única solução para um time a um QB de distância de uma corrida ao Super Bowl. Não é o que o Texans parece acreditar. De acordo com James Palmer, repórter da NFL Network, o time se sente “confortável” com o inexpressivo Tom Savage sendo o QB titular na próxima temporada.

Essa talvez seja a mentira mais fácil de ser desmascarada. Desde 2014, quando foi draftado pelo Houston Texans, Savage participou de cinco jogos em temporada regular, dois como titular. Conseguiu o astronômico número de 0 TDs anotados e 0 passes para mais de 40 jardas. Portanto, não se enganem: Houston será agressivo no draft e, provavelmente, trará um veterano como Jay Cutler (credo!) ou Colin Kaepernick.

Um monumento temperamental

Ben Roethlisberger é, indiscutivelmente, um grande QB. Nada do que será dito a seguir tem a pretensão de diminuir sua qualidade ou relevância. Mas precisamos dizer a verdade: ele adora fazer um draminha. Nenhum outro jogador da NFL é capaz de se esforçar tanto para mostrar que está jogando machucado. Ben precisa mancar mais do que o necessário e se arrastar em campo para mostrar seu heroísmo.

Nessa offseason o drama se estendeu para um discursinho super falso de uma possível aposentadoria precoce. “Vou usá-la para avaliar, para considerar todas as opções, para avaliar questões de saúde e familiares, avaliar a próxima temporada, se haverá uma próxima temporada”, disse Roethlisberger.

Ninguém no Pìttsburgh Steelers parece ter levado as declarações muito a sério. Por um bom motivo: não demorou muito tempo para Ben encerrar o teatro e anunciar que estará em campo em 2017. Como disse Terrell Suggs, do rival Baltimore Ravens, antes de uma partida em que Ben era dúvida, “ele vai agir como ‘ai, não vou jogar, não sei, fiz só trabalhos individuais, lancei um pouco, mas ainda não sei’ e então vai colocar seu traseiro gordo no campo e jogar normalmente”.

Sempre divertido usar esta foto.

O time do futuro (que nunca chega)

A offseason é o momento perfeito para tentar reconstruir a imagem de jogadores que já mostraram flashes de talento, mas depois falharam completamente. Quem nunca ouviu o famoso “o QB X está trabalhando com um guru de QB” ou “o QB Y está trabalhando para melhorar sua mecânica”?

Blake Bortles parece ser o personagem perfeito para esse modelo de enganação. Depois de um ano muito promissor em 2015, na última temporada Bortles nos proporcionou momentos de ruindade épicos. O Jacksonville Jaguars, porém, está preso a Bortles, já que se trata de um QB de primeiro round do draft e que ainda mostra uma pequena esperança de recuperar pelo menos um pouco do talento que já mostrou.

Nada de anormal até aqui, certo? Mas o general manager Dave Caldwell parece ter ido um pouco longe demais em suas declarações. Entre outras coisas, Caldwell disse que “podemos vencer muitos jogos com Blake. Podemos vencer um Super Bowl com Blake, acho que o futuro é brilhante para ele”. Gostaríamos muito de acreditar em você Dave, mas simplesmente não conseguimos – aliás, nem sua mãe conseguiria.

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